28 de agosto de 2011

ESCLARECIMENTO DE S.A.R., DOM DUARTE SOBRE A VISITA À SÍRIA

Fonte: Jornal "SOL", pág. 17 de 26 de Agosto de 2011
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Em carta ao director do SOL, O Senhor Duque de Bragança diz que não recusa falar sobre o regime de Assad. ACABO de ler a notícia «Dom Duarte recusa falar sobre o apoio que deu a Assad», do SOL de 19 de Agosto de 2011. Agradeço o favor de esclarecer os vossos leitores, pois a chamada de primeira página não corresponde à realidade.
O meu assessor de imprensa disse ao vosso jornalista que eu «não dispunha de novos dados sobre a Síria». Obviamente que eu não recusaria dar as minhas opiniões pessoais sobre o drama desse país ao vosso jornal, pois tenho a maior consideração pelo excelente trabalho que o SOL realiza e acompanho de perto a situação! O texto nas páginas interiores está correcto, mas a ideia que fica é a frase da capa…
Gostaria de relembrar que também fui muito criticado quando visitei os governantes da ditadura Indonésia em 1997… Mas foi a minha proposta de acordo que levou o regime a mudar a sua posição, permitindo a solução do drama de Timor.
Num generoso gesto de reconhecimento que muito me sensibilizou, o Parlamento concedeu-me recentemente a nacionalidade timorense. Também intervim como mediador em outros conflitos, mais recentemente em Cabinda. A minha intervenção levou à assinatura do Tratado do Namibe, em que o Governo de Luanda concedeu o Estatuto de Região Autónoma a esse território, onde a FLEC lutava pela independência. Faço votos de que esse acordo seja realmente respeitado por todos e traga a justiça e a paz para esse povo que tanto sofreu após o seu abandono por parte da República Portuguesa. Negar a História e os Direitos e Identidades dos povos nunca deu bons resultados…
Participei, também, em outras discretas negociações, em S. Tomé, Guiné-Bissau,etc. Ainda durante a guerra civil angolana, reuni-me com o Secretário-Geral da ONU, Perez de Cuellar, e outros responsáveis, num esforço de mediação do conflito. Compreendo que quem ignore estes factos possa ficar chocado, mas muitos deles estão descritos no livro Dom Duarte e a Democracia, cuja leitura recomendo.
Despeço-me com os meus sinceros agradecimentos.
Dom Duarte de Bragança

Fonte: Família Real Portuguesa

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