30 de setembro de 2011

Os nossos Jabba the Hutt

A mastronça de 1910 já morreu e o pior de tudo será verificarmos que os seus mais zelosos titulares e gulosos comensais, disso não se aperceberam.
Há uns dias, o governante dos Açores resolveu brincar aos desplantes com o Presidente da República. Insuspeitos como somos de qualquer simpatia para com a desnecessária, perdulária e obscura instituição onde o Prof. Cavaco Silva exerce mandato, parece-nos contudo que há limites que não podem ou devem ser ultrapassados. Um deles é o da imprescindível cortesia e boa educação. Imagine-se o que teria sucedido, se em vez de Cavaco, o enxovalho tivesse sido ministrado a Soares ou ao "pernas a dar-a-dar" Jorge Sampaio?
Ao longo de mais de três décadas - a coisa começou nos anos sessenta -, o país foi tomado por uma avalanche de Jabbas dos mais diversos matizes, cujas coleantes caudas tudo derrubam ou nelas fazem enroscar-se os mais incautos, criando-nos um problema irresolúvel. Assim sendo, um Jabba açoriano, numa desnecessária ordinarice de tasca, achincalhou o regime que lhe proporciona farta mordomia. Ultrajou o Presidente, aquele que queira ou não queira, é o "seu" Chefe de Estado. Devíamos estar a rir de gozo, mas sabemos bem ao que este estado de coisas pode a todos conduzir. Lembram-se de 1908-10?
Sem sequer mexerem o dedo mindinho e tal como Vasco Pulido Valente há algum tempo fez ver, os monárquicos são a única alternativa para uma mudança de regime. Que uma certa dignidade venha e depressa.

 Nuno Castelo-Branco

Fonte: Estado Sentido

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