19 de outubro de 2011

Discurso de SAR D. Isabel de Bragança na apresentação do livro “Reis no Exílio”

O meu querido primo Charles Philippe, muito simpaticamente convidou-me para apresentar o seu livro.

Sintra é, desde o começo da nacionalidade, a residência de Verão favorita dos reis portugueses. Mas já antes era considerada o paraíso pelos árabes e pelos romanos… No séc. XIX o Rei D. Carlos celebrizou Cascais como lugar na moda para os lisboetas se refrescarem no Verão, até então uma modesta aldeia de pescadores e um baluarte militar na defesa de Lisboa. No séc. XX o centro das atenções internacionais separou o Estoril que se tornou refúgio para muita gente que conseguia escapar aos horrores da 2ª Guerra Mundial.

Esta obra aborda, com muita graça, esta época em que várias famílias reais europeias viviam neste “triângulo dourado” dando à região um destaque internacional e tornando-o numa das regiões mais famosas da Europa. O pai do autor, filho dos Condes de Paris, viveu vários anos na Quinta do Anjinho, em Ranholas, rodeado dos seus inúmeros irmãos e irmãs. O meu marido e a sua família viviam no norte, em Vila Nova de Gaia, mas o Verão era geralmente passado com estes primos, pois a Duquesa de Bragança, Senhora Dona Maria Francisca, era irmã da Condessa de Paris. A convivência familiar era também intensa com a família do Rei Humberto de Itália, com os Condes de Barcelona e com os primos Habsburgo da Hungria.

Quando comecei a ler este livro, fiquei impressionada com o trabalho de pesquisa que encontrei. Acredito que deve ser difícil encontrar outro livro tão completo sobre este tema e que, para além de nos dar a conhecer a história dessa época, dá-nos também o privilégio de conhecer pequenas histórias dentro da história, até pelo relacionamento que o autor tem com as famílias que são protagonistas da obra.

“Reis no Exílio” é um reencontro com este nosso pequeno e grande paraíso à beira-mar plantado, um encontro com a nossa raça, com as características de Portugal – um refúgio, neste caso um refúgio de reis e príncipes, vindos dos 4 cantos da Europa. São oito famílias reais que aqui encontraram paz, segurança, acolhimento, conforto, certamente um clima saudável e um ambiente hospitaleiro proporcionado pelos portugueses em geral – desde as autoridades de então até às populações locais de Cascais, Estoril, Sintra e Lisboa.

Este livro deve ser visto como uma homenagem a Portugal em geral e a esta região em concreto. Só percebendo Portugal se pode entender porque confluíram tantos soberanos numa região tão pequena. Não há na história da Europa e do mundo outro caso destes, só em aqui em Portugal. Portugal não é o paraíso triste de que falava Saint-Exupéry, confesso que não estou de acordo com o adjectivo. É sim um lugar único, acolhedor, pacífico, romântico, um verdadeiro refúgio.

Esta Obra honra Portugal e sua história e tem o mérito de satisfazer os interesses dos portugueses por uma época em que este triângulo de Sintra, Estoril e Cascais eram “o centro de um certo mundo” e mostram-nos os benefícios económicos que o País pode obter quando sabemos gerir com competência os nossos recursos.

A Obra de Charles-Philippe é uma excelente contribuição nesse sentido e espero que venha a ser editada no estrangeiro. Espero também que sirva para percebermos melhor que o prestígio de Portugal, indispensável para manter a actividade turística, tem de ser cultivado com carinho em todas as suas vertentes.

Faço votos para que esta obra tenha o maior sucesso.

© D. Isabel, Duquesa de Bragança.


Fonte: Facebook

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