segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O feriado da nacionalidade


Bradava Manuel Alegre, na-sua-costumeira-expressão-ética-de-quem-utiliza-a-viatura-do-Estado-para ir-à-caça, que "nem Salazar se atreveu a mexer no feriado da República".
Pois não. A Salazar, republicano sabidola, convinha um regime em que o prestígio de uma Chefia de Estado dinástica não fizesse sombra aos seus propósitos autocráticos.
Convergem - Alegre e Salazar - na crença em algo, julgo que não um Ideal, mas seguramente um apetrecho - de ascenção e perpetuação dos poderosos da classe política.
Desta feita, a manutenção do feriado comemorativo da implantação da República (em preterição do da Restauração) é, simplesmente, uma afronta à Nacionalidade.
Mas há bom remédio para o ultraje: comemoremos, nós portugueses, nessa data, como sempre, a Fundação de Portugal. E veremos quais as cerimónias mais participadas: se as anquilosadas e esclerosadas idas aos pés de bronze de António José de Almeida, se as nossas manifestações em Guimarães, Coimbra ou em qualquer outro lugar onde queiramos festejar oito séculos de História e esquecer cem anos de descalabro.

João Afonso Machado
 

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