15 de abril de 2012

Justiça republicana: Sumariamente mortos em república

Tive a oportunidade de verificar um facto passado que, por si só, é revelador daquilo que foi a república ontem, o seu reflexo hoje e sempre.
Lia a última Revista do Expresso, no semanal espaço temático "Quiz", este dedicado à Justiça, da autoria de Rui Gustavo, quando algumas questões me assaltaram para testar os conhecimentos.
Chamou-me a atenção a 6, concretamente:

«Luísa de Jesus foi a última mulher executada em Portugal, em 1772.
Que crime cometeu?
a) Assassinou o barão para quem trabalhava e um enviado do Rei
b) Matou 33 bebés
c) Era espia de Castela»

Resposta: b)

Contudo, e confessando a minha ignorância neste assunto específico, não sabia de todo a segunda. Mas se tivesse reflectido melhor constataria o óbvio.
O quiz 2 era colocado assim:

«A pena de morte foi abolida em 1867, mas houve uma condenação depois dessa data, quem foi?
a) Manuel Buíça, autor do regicídio que vitimou D. Carlos I, em 1908
b) Ferreira de Almeida, um soldado que tentou passar para o exército alemão em 1917
c) José Júlio Costa, que matou a tiro o Presidente Sidónio Pais, em 1918»

Resposta: b)
Ou seja, o infortunado cidadão João Augusto Ferreira de Almeida (tal qual também somos hoje), quiçá numa opção constatada e desesperada de fugir daquela república imprestável, supostamente terá optado por transitar para o lado germânico. Face ao nacionalismo republicano português e à insana ânsia do novo regime prestar vassalagem às potências aliadas, o cidadão teve, segundo os seus julgadores, o que merecia: uma morte sumária! Somando esta ao caso de Humberto Delgado, já vão duas mortes sumárias pela “justiça” republicana. É a dita trilogia no seu melhor: Liberdade, Igualdade e Fraternidade…à moda do novo regime português. Nem os assassinos que planearam a morte de El-Rei D. Carlos tiveram tal destino. A Justiça era outra…! A república, sempre tão progressista, arrebentou o inovador pacto firmado com o mundo, constituído pela nossa Monarquia Constitucional, e voltou a condenar à morte. “Mate-se”, terá dito o julgador de João Augusto.

Hoje, na III república herdeira, a Justiça é o que se vê. Querem melhor base justificativa?!
Termino como começou o responsável pelo quiz: “justiça seja feita”!

 

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