23 de abril de 2012

Que lata!


Por volta das sete da tarde, uma pateta debitava algumas notícias na SIC Notícias e com o ar mais sério deste mundo, remoía as questões relacionadas com aquilo que de Espanha nos tem chegado nos últimos dias. Mais precisamente, a vozita comprazia-se em sublinhar os OITO MILHÕES de Euros que a Coroa custa aos contribuintes espanhóis, logo acrescentando como estocada final que ..."a partir de agora, todos os actos da Família Real serão totalmente monitorizados e públicos". Melhor dizendo, os seus membros deixam de ter vida privada. Que felicidade.
Que gente descarada é esta que se atreve a sequer comentar casos destes, quando vive num país onde o Chefe de Estado teve ou tem ligações no mínimo indecentes, é um autêntico foco infeccioso na unidade nacional, foi e é um péssimo político para os interesses do país e um nulo embaixador daquilo que deveria ser Portugal? Que "lata" é esta, batida por uma qualquer papagaia que se atreve a ler um teleponto absurdo, quando tivemos vigaristas semi-presidiários sentados no Conselho de Estado, presidentes que viajavam para o Japão et ailleurs a bordo de aviões da TAP abarrotando de amigos, amigas e outros coriféus do estilo, com despesas de uísque a 2.000 contos/viagem, tudo isto à conta do contribuinte? Dúzias e dúzias de viagens com centenas de comensais - até bobos iam -, escapadelas em Falcon a 1.000 contos à hora, desvios de última hora para chapinhar patas nas cálidas águas do Índico, etc, etc? Que topete é este, quando se sabe que em Portugal sabemos da existência de casos onde as provas foram claramente silenciadas através da retirada de livros do mercado, surgindo patentes os vasos comunicantes entre a cúpula do Estado e os mais sórdidos interesses particulares? Que televisão é esta que ousa dar relevância - apresentando sem cessar o balir dos deputados da ridiculamente ultra-minoritária I.U., o travesti do extinto PCE - a um claro disparate que não envolveu abuso de poder, roubo ou má gestão de fundos públicos, quando em Portugal tivemos alguém que ao contrário da absolutamente impoluta observância constitucional de João Carlos I, teve o desplante de dissolver um Parlamento maioritário, apenas para deixar entrar e escandalosamente cooperar com mais uns tantos cavalos de Tróia da nossa ruína?
Mas afinal que gente é esta? Como se atrevem?
Por um décimo daquilo que acima está exposto, a Monarquia devia ser esta noite instaurada, nem que fosse a tiro de canhão.
 
Nuno Castelo-Branco
 

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