14 de julho de 2012

RÉPLICAS DAS LÂMPADAS PORTUGUESAS ROUBADAS POR NAPOLEÃO VÃO SER OFERECIDAS À CATEDRAL DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

Teve lugar no passado fim-de-semana uma peregrinação organizada pela Real Irmandade de San Miguel del Ala, uma associação de fiéis canonicamente ereta na Arquidiocese de Santiago de Compostela e que juntou membros espanhóis e portugueses e Damas e Cavaleiros das Ordens Dinásticas e também representantes das Ordens da Santa Sé; de São João de Malta e da Santa Maria Teutónica e do Laicado Carmelitano.

OSEIRA - SANTIAGO 2012 068

A Real Irmandade de São Miguel da Ala é uma de oito associações da mesma soberana invocação que desde 2001 têm vindo a ser criadas em várias Dioceses do mundo e reunidas em Federação. A Real Irmandade toma o nome e os símbolos da antiga Ordem de São Miguel da Ala, a primeira Ordem Militar Portuguesa fundada por D. Afonso Henriques após o auxílio prestado por Cavaleiros da Ordem de Santiago Espanhola na tomada de Santarém aos Mouros em 1147. A Ordem foi aprovada mais tarde pelo Papa Alexandre III em 1171 e manteve a sua sede no Mosteiro Cisterciense de Alcobaça com uma Comenda no Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Oseira, na Galiza. A antiga Ordem Monástica Militar teve actividade registada em Portugal até 1834 altura em que todas as ordens religiosas foram extintas no reinado da Rainha D. Maria II. Pouco depois, a Ordem foi refundado no Vaticano pelo Rei D. Miguel I como Ordem Dinástica condecorativa da Casa Real Portuguesa.
A peregrinação que teve início no Mosteiro de Santa Maria de Oseira onde os Confrades foram recebidos pelos Monges de Cister contou com uma Missa para grupo e almoço convívio no Claustro para os convidados que incluíram Sua Alteza Real, o Duque de Bragança, Dom Duarte Pio, um grupo de religiosas Portuguesas e vários nobres e grandes de Espanha além dos Confrades.
Antes de partirem o grupo visitou a biblioteca e a famosa Botica do Mosteiro onde existem armas esculpidas da Ordem de São Miguel e onde os principais mentores da restaurada Botica de São João no Castelo de Ourém, nomeadamente Carlos Evaristo, Paulo Falcão Tavares e José António da Cunha Coutinho puderam deixar um exemplar do catálogo da exposição Ouriense.
A Fundação Histórico – Cultural Oureana sediada em Ourém, em nome do grupo, ofereceu à Comunidade Cisterciense uma especial Custódia para expor o Santíssimo Sacramento desenhada em forma de Nossa Senhora do Leite, Padroeira do Mosteiro.
Depois da estadia em Oseira o grupo partiu para Compostela onde foi recebido pelo Chanceler da Arquidiocese na Igreja de São Fructuoso onde presidiu a uma Velada de Armas para os novos Confrades da Real Irmandade Diocesana e onde houve um memorial e Guarda de Honra ao Rei Dom Manuel II, no 80º Aniversário do seu falecimento.
A peregrinação culminou com uma Missa Solene presidida pelo Senhor Arcebispo de Santiago de Compostela D. Julian Barrio Barrio, logo após uma recepção no Paço Episcopal onde teve lugar a celebração de um Protocolo ente a Real Irmandade e a Arquidiocese sob o Alto Patrocínio da Casa Real Portuguesa. O Protocolo destina-se ao patrocínio do restauro e conservação do património histórico da Catedral, de preferência o de origem Portuguesa, e ainda à angariação de fundos para obras litúrgicas ou de arte sacra para o Santuário.
Carlos Evaristo, Presidente da Fundação Oureana e Secretário Geral da Federação das Reais Irmandades na presença do Deão da Catedral, do Vigário Geral e do Chanceler da Diocese, do Juiz da Real Irmandade Luís de Castro Valle e Vice-Juiz Juan de Castro Valle e dos membros da Real Irmandade, anunciou que o primeiro contributo seria a oferta de duas lâmpadas em prata para a Capela do Santíssimo Sacramento da Catedral, réplicas das que foram oferecidas pelo Rei D. Dinis e a Rainha Santa Isabel e pela Rainha D. Maria I. Ambas as lâmpadas originais foram roubadas pelas tropas Francesas de Napoleão e derretidas aquando das invasões.
As réplicas em prata elaboradas por Carlos Evaristo terão cada uma delas um medalhão com as Armas da Casa Real, da Real Irmandade e as efígies da Rainha Santa Isabel e do Santo Condestável, dois dos maiores devotos Portugueses do Apóstolo São Tiago.
O dinheiro para as lâmpadas foi entregue na ocasião pela Real Irmandade ao Deão da Catedral que juntamente com o Presidente da Comissão do Património, irá supervisionar a fundição das mesmas em prata de lei.
Durante a Santa Missa presidida pelo Senhor Arcebispo, Carlos Evaristo, em nome do grupo, leu a invocação ao Senhor Santiago, pedindo por Portugal e os Portugueses nesta presente crise e pela Casa de Bragança, devota há séculos do Apóstolo e representada na celebração por Sua Alteza o Duque de Coimbra, D. Henrique de Bragança.
Já de regresso a Portugal os peregrinos visitaram o Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Pontevedra onde renovaram a consagração à Virgem Santa Maria dos membros do Exército Azul.
A acompanhar os peregrinos estiveram as Relíquias Insignes do Santo Condestável São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira e uma Relíquia de São Tiago Apóstolo da Lipsanoteca da Fundação Oureana.

Gabinete de Relações Públicas
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Fonte: AUREN

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