5 de julho de 2013

SAR, O Senhor D. Duarte de Bragança inaugura espaço museológico "Recanto de Eugénia Lima" em Rio Maior


No dia dedicado pela Igreja Católica a S. Pedro e S. Paulo, 29 de Junho, foi inaugurado o «Recanto Eugénia Lima», na Fortaleza, Alto da Serra, Rio Maior. Naquele espaço museológico estão expostas, ao público, todas as vivências artísticas da Rainha do Acordeão. Quando eram 18 horas o padrinho do museu, Dom Duarte Pio de Bragança, descerrou a placa com os seguintes dizeres: «Recanto Eugénia Lima inaugurado em 29 de Junho 2013». O Pároco de Rio Maior, padre António Augusto Gonçalves Diogo, procedeu à bênção do museu. Eugénia Lima, acompanhada da Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Isaura Maria Elias Morais, cortou a fita vermelha na porta principal. O proprietário do empreendimento turístico «A Fortaleza», António do Coito, que cedeu aquele espaço para as recordações da grande acordeonista, proferiu algumas palavras que foram muito aplaudidas. 



AMÁLIA RODRIGUES RAINHA DO FADO E EUGÉNIA LIMA RAINHA DO ACORDEÃO 

O comendador Carlos Evaristo, Presidente da Fundação Oureana e Assessor de S. A. R. o Duque de Bragança, também usou da palavra lembrando, com entusiasmo, a vida e obra de Eugénia de Jesus Lima que se estreou a tocar acordeão com apenas quatro anos de idade. Aos 13 anos o pai, Mário Lima, um dos melhores afinadores de acordeões do Mundo, tentou inscrevê-la no Conservatório de Lisboa, mas os responsáveis disseram-lhe que o acordeão não tinha entrada naquela instituição. Em 1935 estreou-se no Teatro Variedades na Revista «Peixe-espada». Foi fundadora da Orquestra Albicastrense em 16 de Julho de 1956, tendo em 1962 recebido o «Óscar da Imprensa» como melhor solista de música ligeira. Foi a única acordeonista a receber tal distinção! Mais tarde o que não conseguiu no Conservatório de Lisboa recebeu do Conservatório de Acordeão de Paris o diploma do Curso Superior de Acordeão, na categoria de Professora. Na sua carreira Eugénia acompanhou inúmeros artistas com destaque para a sua grande amiga Amália Rodrigues, Rainha do Fado. Em maio de 1980 foi condecorada pelo Presidente da República Portuguesa, General Ramalho Eanes, com o Grau de Dama da Ordem Militar de Santiago de Espada. Em 10 de Setembro de 1986 foi a vez do Ministério da Cultura atribuir-lhe a medalha de Mérito Cultural. Em Outubro de 1995 foi agraciada pelo Presidente da República, Mário Soares, com o Grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Mulher de fé, coragem e grande patriota contribuiu para o enriquecimento da Cultura Portuguesa, para além fronteiras, estando o seu nome no «Dicionário Mundial das Mulheres Notáveis» e na «Enciclopédia da Porto Editora» que, na mais recente edição, lhe dedica várias páginas. Nesta inauguração, que é também uma homenagem, estão aqui presentes os maiores amigos e amigas, colegas e admiradores de Eugénia Lima e pessoas do mundo do espectáculo, assim como altas individualidades, incluindo a Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, que representa o povo desta terra que com carinho a acolheu. Está também aqui o Marquês de Rio Maior, Grimoaldo Alhandra Duarte, fã, sem dúvida, da Mestre do Acordeão. A Fundação Oureana, que já homenageou no passado artistas como Amália Rodrigues (Rainha do Fado) e Roberto Leal (Rei da Música Luso Brasileira) distinguindo os agraciados com o prémio de carreira que se resume ao título de «Rei» ou «Rainha» conferido àquele ou àquela que no vocabulário popular distingue o melhor na sua categoria ou ramo deliberou, por unanimidade, que seguindo essa tradição, reconhecer Eugénia de Jesus Lima com o título de «Rainha do Acordeão». Uma das presenças especiais aqui hoje é a de Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte de Bragança que decidiu, também, homenagear a Mestre Acordeonista com a atribuição de uma especial condecoração de Mérito da Casa Real Portuguesa, o título de Dama com a Medalha de Mérito da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Rainha e Padroeira de Portugal», a mais alta Ordem Dinástica da Casa Real da Bragança». Falaram, a seguir, o realizador de televisão Nunes Forte; o profissional da Rádio e Televisão Júlio Isidro; a Presidente da Edilidade de Rio Maior, Isaura Morais e, por último, a homenageada que recordou vários momentos da sua vida agradecendo a presença de tantos amigos naquela inolvidável cerimónia, realçando o padre Aníbal Mota, da Encarnação; o Presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, outros autarcas e vários acordeonistas. Para gáudio de todos os presentes Eugénia Lima executou um dos seus temas, mais preferidos, no acordeão mais antigo que estava em local de destaque no museu. A festa terminou com um jantar e corte do bolo.





Texto e fotos: Rogério Batalha

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Recanto Eugénia Lima apresenta espólio da “Rainha do Acordeão”


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A conceituada acordeonista Eugénia Lima concretizou mais um sonho, naquele que descreveu como o dia mais feliz da sua carreira artística. Rodeada de amigos, inaugurou no sábado, 29 de Junho, o Recanto Eugénia Lima, um espaço junto ao restaurante Fortaleza, no Alto da Serra, em Rio Maior, que não quer denominar como museu mas que guarda memórias, condecorações e prémios de 83 anos de carreira.


Aos 87 anos Eugénia Lima continua a encantar pela sua jovialidade e pelo sorriso que espalha a quem com ela se cruza. “Eu preciso de todos para viver, porque a minha vida é o público, a minha vida são as pessoas que passam por mim e me dizem adeus e o meu sonho concretizou-se, que era o de tocar acordeão”, afirmou com emoção a acordeonista.

Entre os convidados estavam presentes a presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Isaura Morais, D. Duarte Duque de Bragança e Júlio Isidro. A placa do espaço foi descerrada por Eugénia Lima ladeada por D. Duarte, que apadrinhou o espaço, e Isaura Morais. A bênção ficou a cargo do padre António Diogo.

A presidente da Câmara de Rio Maior, cidade que acolhe a acordeonista há mais de quatro décadas, oficializou a inauguração do Recanto Eugénia Lima com o corte simbólico da fita e no seu discurso não se cansou de elogiar o talento e a força da natureza que é Eugénia Lima, tanto como artista como pessoa.

Durante a cerimónia de inauguração a acordeonista foi homenageada pelo Duque de Bragança, que a condecorou com a medalha de mérito da Casa Real. À medida que os discursos dos convidados se foram perfilando, os olhos de Eugénia Lima não esconderam a emoção de estar rodeada de todos os que a têm acompanhado ao longo da sua vida.

“Para a Eugénia Lima o que é difícil é para fazer logo. O que é impossível demora mais um bocadinho, mas faz-se também”. Foi assim que Júlio Isidro descreveu Eugénia Lima, ressalvando a felicidade que a acordeonista transmite e o amor que tem pelas pessoas e pelo acordeão.

Desde os quatro anos que Eugénia Lima faz espectáculos e apesar de ter a doença de Parkinson a sua vontade de viver torna-a uma figura incontornável. Apesar de já não suportar o peso do acordeão e de precisar que lho coloquem nas pernas, e de já ter comprado um mais pequeno, a “Rainha do Acordeão” confessa que só há um que tem o “som bonito”, o que o seu pai afinou.

O momento alto chegou quando Eugénia Lima envergou o acordeão e do gingar dos seus dedos se começaram a ouvir as primeiras notas da música “Minha Vida, Meu Sonho” trauteada em uníssono pelos convidados que de pé aplaudiram a genialidade de Eugénia Lima.


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