30 de agosto de 2013

Infernos por toda a parte.


Almoçava em Ponte da Barca quando vi, na televisão, as primeiras imagens de grande incêndio na vizinha Ponte de Lima. Mais tarde, passando neste concelho, na estrada que o liga a Barcelos, uma enorme nuvem de fumo obrigou-me a fechar o vidro do carro, tão intoxicante era o ar. E algumas reflexões foram feitas, ao lembrar o quanto esse inferno se tem alastrado por todo o país.
No antigamente as temperaturas não eram mais baixas, antes pelo contrário e o vento sempre por cá andou; então o porquê de este aumento desproporcional de fogos? e não me venham falar naquela coisa sempre repetida de que " havia, só que não eram publicitados ", porque testemunho que na região que abarco com os olhos eles mais, muito mais, que triplicaram.
Bem sei que, além de uma grande parte da população rural ter emigrado para as cidades, a que se manteve no campo deixou de limpar as matas, onde buscava a lenha para acender lareiras quer para cozinhar, quer para se aquecer no Inverno, mas acaso essa limpeza não deveria ser tomada como tarefa dos responsáveis estatais? Tantas e tantas vezes passo por clareiras onde no chão ficaram os ramos dos eucaliptos cortados, a caminho das fábricas de papel: não deveriam os proprietários ser obrigados a limpar o que sujaram, esses ramos que dentro de pouco tempo serão o alimento das chamas predadoras? E que dizer da extinção do cargo de guarda florestal, efectiva guardiã dos nossos recursos naturais ( substituída por um seu simulacro )?
E então no que se refere à incriminação dos que ateiam fogos, e respectivas penas!...

Nesse antigamente, quem se atrevia a lançar fogo fosse a que fosse? Sabia que seria tratado como o assassino que na realidade é.


Cristina Ribeiro


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