18 de agosto de 2013

Mandela, o outro


Não, não se trata do ex-presidente da África do Sul e Nobel da paz. Este Mandela, aliás Zico, é um cão. Um herói, como o Rim-Tim-Tim ou a Lassie?! Cães houve que, de facto, salvaram vidas, mas este é especial pelas piores razões: matou, em Beja, uma criança de 18 meses.

Dirão alguns que não há cães assassinos, porque o crime pressupõe a culpa, ou seja, consciência e vontade. É verdade, mas também se diz assassina a bala que mata um inocente, mesmo sendo mais inconsciente e involuntária do que um pitbull. Pretende-se agora reeducar o Zico, mas como poderá vir a ser bom um animal que, segundo os seus defensores, nunca foi mau?! Basta mudar-lhe o nome?!

Estranho modo de honrar um louvável líder pacifista! Se não é honroso para ninguém ter um animal com o seu nome, muito menos será ter um cão homicida como homónimo. Pretender-se-á, assim, homenagear o passado terrorista do outro Mandela?!

Entre os 77 794 signatários da petição contra o abate do pitbull haverá, decerto, boa gente, mas também quem se escandalize com esta indignação, sincera e dolorosa. Não importa, porque mais deve pesar, na consciência cívica, o valor inestimável da vida de uma criança. Não importa que ladre e morda uma malta enraivecida porque, em termos éticos, só há uma atitude digna: a defesa da dignidade e do valor da vida humana. Ainda que o preço a pagar seja o de ser tido, ao contrário de Zico, aliás Mandela, por um alvo a abater ou, como ele, a reeducar.

Infelizmente, este grito é tudo o que resta fazer por um bebé que um cão matou impunemente. Infelizmente, ante tamanho desrespeito por essa vida humana, esta é a única homenagem que se pode prestar aos seus pais, no mais profundo respeito pela sua imensa dor.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada

Fonte: Povo

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