22 de outubro de 2013

Ambiguidades do Regime



Neste regime em que somos democraticamente forçados a viver, há curiosas ambiguidades que seriam apenas divertidas, se não fossem tão trágicas para a vida social e política.


O chefe de Estado que alguns elegeram comemora, não a data fundacional da nacionalidade, mas a instituição violenta do próprio regime, em locais fechados, com lotação cada vez menor (no ano passado, no Pátio da Galé, este ano, em sala da Câmara Municipal, para o ano, talvez, num quarto esconço ou numa casa de banho...), embora desta feita com um maior cuidado no içar a bandeira da república pelo lado correcto. Enquanto isto, os ex-presidentes, com uma honrosa excepção, desataram a fazer públicas e desavergonhadas declarações políticas, como se ainda tivessem o direito de opinar, após terem exercido o cargo durante dez anos cada um!


E pasme-se com as declarações do penúltimo abencerragem, que entende que estes governantes, que foram, como outros antes deles, eleitos por maioria dos votos dos Portugueses, devem ser julgados por outra Justiça, que não esta, após abandonarem os cargos que exercem!


Porque suponho que se não estivesse a referir à justiça Divina, a que ninguém escapa, que justiça quereria ele que fosse aplicada a este governo, que nos tem esmifrado para pagar os muitos desmandos que se têm vindo a praticar, há longos anos, nesta nossa Pátria?


Não discordo do princípio, e até acharia recomendável e higiénico que viesse sendo aplicado de há quarenta anos para cá. Pelo menos, teríamos sido poupados às suas muitas diatribes...


E que dizer dos governantes anteriores, que longe de serem os únicos responsáveis, estão hoje impunes e ufanos nas suas vidinhas privadas, até com direito a comentarem na TV o que fazem os seus sucessores, para cumprir memorandos que eles próprios assinaram?


E porque aceitaram e usufruem de um conjunto de regalias que o povo pagante não tem, como motoristas privados, polícia à porta dos escritórios, instalações e secretárias? Certamente que não lhes pagamos tudo isto, para os ouvirmos perorar.


Ao menos os Reis, que aprenderam muito com o exemplo dos seus antecessores, não criticam os sucessores, pois costumam morrer ao serviço dos Povos, sem prebendas nem mordomias…


Dom Vasco Teles da Gama


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