17 de novembro de 2013

Importante descoberta para a história da Missão Portuguesa no Sião



Há quase três anos, nos trabalhos de investigação conducentes à publicação de Das Partes do Sião, comemorativa dos 500 anos de relações entre Portugal e a Tailândia, eu e António Vasconcelos de Saldanha estivemos por diversas ocasiões na Igreja da Conceição, em Bangkok, na companhia do Comandante Ing Saravut Dias, o saudoso chefe daquela cristandade luso-descendente. O motivo dessas visitas prendia-se com uma representação de Nossa Senhora da Conceição. Da história da imagem pouco se sabia, pelo que foi necessário recorrer ao cruzamento de testemunhos arquivísticos de diversa proveniência para reunir elementos sobre a sua origem. Em Paris, na biblioteca das Missions Étrangères, localizei cartas de padres franceses, datadas de meados do século XIX, que aludiam à sua existência acidentada. Depois, foi pedida peritagem ao Professor Pedro Dias, que nos ofereceu valiosa informação sobre a quase certa origem goesa da mesma. Pensamos, então, tratar-se da mais antiga imagem votiva portuguesa existente na Tailândia. Porém, recentemente, fui informado de nova como importante descoberta. Datada de finais do século XVII, mercê de peritagem agora realizada por uma equipa de restauradores franceses, a imagem de Nossa Senhora que se encontra presentemente na Igreja do Rosário, em Bangkok, vem engrossar o património de memória da cristandade portuguesa do Sião. Trazida da antiga capital, Ayutthaya, destruída pelos birmaneses em 1767, foi submetida ao longo dos séculos a múltiplos restauros e pintura, dezasseis segundo a equipa de restauro. O trabalho agora realizado restituiu-a à beleza primitiva, permitindo igualmente confirmar materiais, técnicas e antiguidade.






Surge de manifesto que o interesse da imagem não se limita à sua origem portuguesa. O Menino sustenta um globo da orbe terrena, significativamente inscrevendo as regiões do Oriente sob jurisdição apostólica do Real Padroado Português do Oriente antes da intrusão da Propaganda Fide e seus vicários apostólicos. Aos restauradores e artistas, o penhor do nosso agradecimento pelo amor, extrema paciência e maestria demonstrados ao longo da demorada operação.




Miguel Castelo-Branco

Fonte: Combustões

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