31 de janeiro de 2015

VIDA D’EL-REI D. CARLOS I


O Homem

Dom Carlos I de Bragança foi o penúltimo Rei de Portugal. Nascido no Palácio da Ajuda, em Lisboa, a 28 de Setembro de 1863, o Seu nome completo era: Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo-Gotha.
Filho do Rei Dom Luís I e da Rainha Dona Maria Pia, na qualidade de Príncipe herdeiro da coroa de Portugal, recebeu desde cedo os títulos oficiais de Príncipe Real de Portugal (o 4.º) e Duque de Bragança (19.º), possuindo o usufruto dos rendimentos dessa grande e Sereníssima Casa, último morgadio que no seu tempo era ainda, legalmente, permitido em Portugal. O Ducado de Bragança é o único título real hereditário, atribuído sempre ao herdeiro presuntivo da coroa que, ao subir ao trono, por sua vez o passa para o seu próprio herdeiro.
Dom Carlos recebeu desde muito cedo uma esmerada educação, aquela reservada aos herdeiros presuntivos. Os melhores preceptores instruíram Dom Carlos nas mais variadas ciências e artes, e, também, ministraram-lhe diversas línguas estrangeiras. Ainda jovem viajou pelas diferentes cortes europeias.
Exímio pintor, oceanógrafo, atirador, etc., recebeu inúmeros prémios internacionais pela sua pintura e ficaram para a posteridade os seus estudos oceanográficos e ornitológicos.
Tudo parecia predestinado para que o casamento de uma jovem Princesa europeia ocorre-se com o herdeiro de uma coroa norte-europeia, mas uma feliz coincidência impeliu os acontecimentos. De férias em Paris, o Príncipe Real Dom Carlos de Portugal, Duque de Bragança, que procurava esposa, num encontro organizado pela Infanta de Portugal Dona Maria Antónia foi apresentado a Dona Amélia de Orleães e a seus pais. A Princesa de França Dona Amélia era a filha primogénita do pretendente ao trono francês Luís Filipe, Conde de Paris, neto do último Rei de França, Luís Filipe I, e de Maria Isabel de Bourbon-Orleães-Montpensier, infanta de Espanha, filha do Príncipe Antoine D’ Orleães, Duque de Montpensier e Infante de Espanha, por sua vez filho do último Rei de França. O encanto foi mútuo e o pedido oficial foi realizado por Dom Carlos ao Conde de Paris, a 6 de Fevereiro de 1886, sendo lavrado registo matrimonial nesse mesmo dia no Castelo d’ Eu.
A 17 de Maio de 1886, a princesa Dona Amélia, futura Duquesa de Bragança partiu de França e chegou à Pampilhosa no dia seguinte. Em 19 de Maio, pelas 17 horas, a Princesa foi apresentada à Corte em Lisboa.
O casamento real entre Dom Carlos de Bragança, Príncipe Real, Príncipe hereditário de Portugal e Duque de Bragança com Dona Maria Amélia Luísa Helena de Bourbon-Orleães, princesa de França, foi celebrado no dia 22 de Maio de 1886, na Igreja de São Domingos, e foi acompanhado pela multidão que saiu às ruas de Lisboa para acompanhar o cortejo nupcial.
Depois do casamento, e terminada a lua-de-mel, os Duques de Bragança mudaram-se para a sua nova residência, o Palácio de Belém.
O casamento foi abençoado pelo nascimento do Príncipe Real Dom Luís Filipe de Bragança, o primogénito do presuntivo herdeiro do trono de Portugal, e como tal Príncipe da Beira (4.º).
A 19 de Outubro de 1889 falece El-Rei Dom Luís I, e Dom Carlos é entronizado e aclamado novo Rei de Portugal, passando o muito jovem Príncipe da Beira, como presuntivo herdeiro, a ter o título de Sua Alteza Real, o Príncipe Real Dom Luís Filipe, Duque de Bragança.
Depois, coroando a felicidade do casal real, em 15 de Novembro de 1889, nasceu o Príncipe Dom Manuel de Bragança, Duque de Beja.


O Rei

A maior das crises políticas, que El-Rei enfrentou foi, logo no início do seu governo, o Ultimato britânico de 1890 usado pelos republicanos para inflamar a insatisfação popular e acicatar o ódio à Família Real Portuguesa. O Reino Unido apresentou a Portugal o Ultimato britânico de 1890, que intimava o desígnio expansionista de Portugal, concretizado no Mapa Cor-de-Rosa a desocupar os territórios compreendidos entre Angola e Moçambique num curto espaço de tempo, caso contrário seria declarada a guerra entre os dois países. Assim se perderam importantes áreas e a propaganda republicana aproveitou o momento de grande alvoroço nacional para responsabilizar a Coroa pelos reveses no Ultramar. Em 31 Janeiro de 1891, no Porto deu-se mesmo um golpe republicano, mas que foi debelado.
O que a propaganda republicana não divulgava, pois não lhes interessava, foi o papel do Rei que soube inverter a conjuntura e, fruto do seu exímio dom diplomático instalou Portugal no centro da diplomacia europeia da primeira década do século XX.
Um exemplo disso é também a viagem do Príncipe Real aos domínios portugueses em África que constituiu o acontecimento político mais importante da jovem vida de Dom Luís Filipe, até porque era o primeiro membro da família real a fazer tal viagem considerada indispensável pelo Rei Dom Carlos I.
Com uma parca comitiva, mas sem precedentes, o jovem Príncipe Real foi aclamado por todo o lado que passou, com vivas ao Príncipe e à Pátria Portuguesa, visitando S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, e ainda as colónias inglesas da Rodésia e da África do Sul, quando regressava passou por Cabo Verde.
Na metrópole, a situação política agudiza-se, o que conduziu à queda de mais um governo de Hintze Ribeiro. Então, o Rei decidiu chamar para formar governo, João Franco de Castello-Branco, do Partido Regenerador Liberal que teve o imediato apoio dos progressistas, com quem fez um governo de coligação. João Franco começou a governar à inglesa 19 de Maio de 1906, aprofundando a democracia e encerrada a questão dos tabacos, com o novo contrato dos tabacos de Outubro de 1906, João Franco dedicou-se à implantação das suas reformas.
Face à greve académica de 1907 na Universidade de Coimbra e à crescente efervescência social, o amparo parlamentar dos progressistas é retirado e os ministros progressistas demitem-se: temiam que João Franco fortalecesse o seu partido à custa do deles e contavam ser chamados para formar governo assim que Franco caísse. Enganavam-se, pois Dom Carlos toma uma atitude diferente do que se esperava, apoiando firmemente João Franco. Este, afrontado pelos constantes ataques provenientes da Câmara dos Deputados solicitou ao Rei que dissolvesse o parlamento, adiando por algum tempo as novas eleições, ao que Dom Carlos aquiesceu, e João Franco passou a governar em ditadura, à turca, a 2 de Maio de 1907. Ressalve-se que ao proceder deste modo o Rei não estava a ir contra a letra da Lei, dado que fazia parte das suas funções, mas os políticos tradicionais, lobrigavam, ao verem ameaçado o seu monopólio político.
A oposição gerou então uma campanha anti-governo sem precedentes pois abrangeu, também, o próprio Rei, dizendo que se estava em ditadura. Todavia, não se estabelecera uma ditadura institucional, antes uma medida de excepção, propondo-se criar as conjunturas que possibilitassem ao partido no governo vencer as eleições subsequentes.
Traindo Dom Carlos, João Franco reaviva a falsa questão dos adiantamentos do Estado à Casa Real e que vem incrementar a oposição ao Rei. Depois, acontece o episódio da entrevista ao jornal francês Le Temps, que veio agastar ainda mais os espíritos e a contestação ao Rei. Nesta entrevista dada por Dom Carlos, o monarca insiste no seu apoio a João Franco. De forma a cimentar a sua posição; a entrevista tem lugar por teimosia de João Franco, mesmo com a discórdia de outros franquistas, como Vasconcellos Porto, mas teve um efeito adverso na oposição.
Não obstante, o antagonismo crescente, o partido de João Franco alcança os acordos indispensáveis com os círculos eleitorais de maneira a garantir a desejada maioria, e são marcadas eleições para o parlamento, o que poria fim à ditadura administrativa. É neste cenário de retorno a uma normalidade e equilíbrio parlamentares, que republicanos e dissidentes progressistas desencadeiam uma tentativa de golpe de estado, em 28 de Janeiro de 1908, frustrado pela apta acção do governo, que dele tivera conhecimento pela indiscrição de um conjurado, que intentou cativar um polícia amigo, mas que o último, patrioticamente foi avisar prontamente os seus superiores. Os conjurados são detidos de imediato: António José de Almeida, o jornalista revolucionário João Chagas, Luz Almeida que era dirigente da organização terrorista Carbonária, Pinto dos Santos e Álvaro Poppe. Com o afastamento destes, a liderança do movimento recaiu sobre Afonso Costa que foi também aprisionado, junto com outros golpistas, entre eles o Doutor Egas Moniz e o Visconde da Ribeira Brava, apanhados no Elevador da Biblioteca, ainda de armas na mão, preparados para avançar para a Câmara Municipal. José Maria de Alpoim foi o único a conseguir fugir para Espanha.
Em resposta, João Franco aprontou um decreto que previa o exílio para o estrangeiro ou a expulsão para as colónias, sem julgamento, de indivíduos que fossem pronunciados em tribunal por atentado à ordem pública, e que esperava pela promulgação real.
Com este casus, estava criado o pretexto cujo desfecho haveria de ocorrer no terrível e fatídico 1 de Fevereiro de 1908, com o Regicídio.

Miguel Villas-Boas

Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

O PRÍNCIPE REAL DOM LUÍS FILIPE


Infância e Adolescência

Às vinte e uma horas do dia 21 de Março de 1887 nascia, em Belém, Dom Luís Filipe de Bragança, o primeiro filho do presuntivo herdeiro do trono de Portugal. De seu nome completo Luiz Filippe Maria Carlos Amélio Fernando Victor Manuel António Lourenço Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco d’ Assis Bento de Bragança Orleans Saboya e Saxe-Coburgo-Gotha, como filho primogénito de SS.AA.RR. os Duques de Bragança Dom Carlos e Dona Amélia, nascia o Príncipe da Beira e Duque de Barcelos, e, tal-qualmente a promessa de continuidade da Casa Real Portuguesa, facto pelo qual todo o País rejubilou.
Tendo como padrinhos o avô paterno, Rei Dom Luís I, e a avó materna, a Condessa de Paris, o Príncipe da Beira foi baptizado a 14 de Abril, desse mesmo ano, na Capela do Paço da Ajuda pelo, então, Cardeal Patriarca.
Entregue aos cuidados da ama Carlota de Campos e da Dama D. Isabel Saldanha da Gama, da Casa da Ponte, a sua infância decorreu com um pequeno sobressalto, quando um incêndio deflagrou, em Dezembro de 1888, nos próprios aposentos de Dom Luís Filipe no Paço Ducal de Vila Viçosa, tendo as chamas atingido o berço do próprio principezinho, mas que haveria de nada sofrer. Já a Duquesa de Bragança, Dona Amélia, de esperanças de uma menina, sofreria um parto prematuro não tendo o bebé sobrevivido.
A 19 de Outubro de 1889 falece El-Rei Dom Luís I, e Dom Carlos torna-se o novo Rei de Portugal, já o muito jovem Príncipe da Beira, como presuntivo herdeiro, passa a ter o título de Sua Alteza Real, o Príncipe Real Dom Luís Filipe, Duque de Bragança, passando a ter o usufruto dos rendimentos dessa grande e real Casa, último morgadio que no seu tempo era ainda, legalmente, permitido em Portugal.
Em 15 de Novembro de 1889, nasce o Príncipe Dom Manuel de Bragança, Duque de Beja, e completou-se assim a feliz família.
Têm os jovens príncipes uma infância feliz e sem sobressaltos, aos cuidados de uma mãe extremosa, de uma cuidadosa dama de companhia e da carinhosa Calita, a aia. Por vontade da Rainha Dona Amélia os jovens príncipes convivem com outras crianças da sua idade filhos das mais nobres famílias do Reino, como os Abrantes, os Sabugosa, os Figueirós, os Castro Pereira, etc..
Uma cuidada e rigorosa educação, revelou as qualidades inatas dos Príncipes, mas despertou-lhes também a cordialidade, a amabilidade e mesmo a bondade para com os outros, atributos de que haveriam de dar provas muito frequentemente. Exemplo disso é o episódio ocorrido aos cinco anos do Príncipe Real em que uma humilde mulher se aproximou e se ajoelhou aos seus pés para em seguida lhe beijar as mãos e ao que Dom Luís Filipe retorquiu: “Levante-se, eu não sou Deus!”
Também revelou-se um afectuoso irmão mais velho para com Dom Manuel tendo feito, não raras vezes, suas as culpas que eram do infante.
Herdou de seu pai, o Rei, o talento para a pintura e desenho assim como o gosto pela caça.
Finda a meninice era hora de cuidar da educação do herdeiro da coroa. Os príncipes tiveram os mesmos preceptores: Garcia Guerreiro (história e geografia), Oliveira Ramos (literatura portuguesa), Kerauch (literatura, geografia, e história alemã), Lopes Graça (filosofia e direito), Marques Leitão (matemática) e o tenente-coronel José de Castro (balística, táctica e topografia). Os príncipes tinham um regime rígido de aprendizagem, pois levantavam-se às 6 horas e depois da higiene e pequeno-almoço estudavam até ao meio-dia, almoçavam e voltavam ao trabalho até às 15 horas, altura que davam um passeio até à hora do lanche. Depois às 17h30m retomavam a preparação até às 19h30m, altura do jantar.
Da sua aprendizagem haveriam de dar frequentemente provas públicas, pois os seus exames eram feitos perante uma plateia.
A equitação fazia naturalmente, também, parte da educação dos Príncipes.
Aos treze anos, é nomeado aio do Príncipe Real o herói Mouzinho de Albuquerque, e a sua instrução passou a ter mais uma componente militar e a ser mais uma preparação para reinar. Começa a viagem pelo Reino, para conhecer o seu Povo e os seus anseios. Porto, Penafiel, Braga, Viana do Castelo, quase todo o Norte do País ficou a conhecer e a admirar o seu Príncipe Real.
Com o suicídio de Mouzinho é nomeado como aio do Príncipe Real o coronel Francisco da Costa.
El-Rei Dom Carlos I foi atribuindo, ao Duque de Bragança, postos honorários do exército no Esquadrão de Lanceiros do Rei, Regimento de Cavalaria nº 2 e nomeou-o ainda Comandante honorário do Colégio Militar.
Durante a sua adolescência começou o Príncipe Real a ser integrado gradualmente nas funções oficiais, tendo amiúde participado nas cerimónias das visitas oficiais de monarcas estrangeiros, como a de Eduardo VII, em Abril de 1902 ou a do Presidente Francês Loubet.
Tal-qualmente, o Príncipe Real viajou várias vezes para o estrangeiro, nomeadamente representar o Rei português, em Westminster, na Coroação do primo Eduardo VII, em Junho de 1902. Aí em Londres foi investido como Cavaleiro da Ordem da Jarreteira, o penúltimo português a ter essa honra – o último seria o irmão El-Rei Dom Manuel II.
Em 1902 acompanhado pela mãe e irmão cruza o Mediterrâneo num prolongado cruzeiro.
Quando SS.MM. os Reis se deslocaram a Paris, entre 20 de Novembro e 20 de Dezembro de 1905, e também a Madrid, entre 11 e 16 de Março, coube a Dom Luís Filipe assumir a regência do Reino, funções que cumpriu com grande presteza e competência facto pelo qual lhe foram tecidos enormes elogios.
Dom Luís Filipe viajou, também, para Madrid, ainda nesse ano, para assistir ao casamento do primo o Rei Afonso XIII, com a princesa Victória de Battenberg, onde escapou a um atentado à bomba perpetrado por um anarquista, contra o monarca espanhol.
Nos termos do art.º 112.º da Carta Constitucional em 13 de Abril de 1906 – Constituição que havia jurado em 1901 -, o Príncipe Real tomou assento no Conselho de Estado, a posse de um lugar que era seu por inerência aos 18 anos.
Com este texto iniciamos hoje uma série de artigos dedicados ao Regicídio, esse acto de infame terrorismo. Tratou-se de um complô perpetrado pelas infames Carbonária, Maçonaria e com a conivência de muitos membros do Partido Republicano Português, contra a Família Real Portuguesa em 1 de Fevereiro de 1908 e que custou as vidas D’El Rei Dom Carlos I e do Príncipe Real Dom Luís Filipe, sendo consequentemente o dobrar de finados da Monarquia Portuguesa.


Do Périplo Pelas Colónias Africanas Ao Regicídio

El-Rei Dom Carlos entendeu ser da maior importância que o Príncipe herdeiro visitasse o Império, a exemplo do que faziam outros presuntivos herdeiros das Coroas Europeias pelos seus domínios em representação dos Monarcas.
A viagem do Príncipe Real aos domínios portugueses em África foi o acontecimento político mais importante da jovem vida de Dom Luís Filipe, até porque era o primeiro membro da Família Real a fazer tal viagem. Embarcou a 1 de Julho de 1907 e visitou S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, e ainda as colónias inglesas da Rodésia e da África do Sul, quando regressava passou por Cabo Verde.
Com uma parca comitiva, mas sem precedentes, o jovem Príncipe Real foi aclamado por todo o lado que passou.
Em S. Tomé deliciou-se com a vegetação tropical e foi recebido numa colónia engalanada e em festa. Em Angola os Sobas, na sua Presença, e perante expressivos arranjos musicais dos instrumentos locais, prestaram-lhe as sentidas homenagens e juraram-lhe fidelidade. Depois, em Lourenço Marques, foi recebido, a 29 de Julho, com vivas ao Príncipe e à Pátria Portuguesa e desfilou nas ruas por entre arcos enfeitados a rigor e perante uma entusiástica população que aplaudia o seu Príncipe Real. Depois foi à Rodésia e por fim à África do Sul, onde teve um acolhimento singular da comunidade local que lhe rendeu diversas homenagens. Depois do Cabo regressou a Angola e no regresso a Portugal passou por Cabo Verde. Chegou a Portugal em 27 de Setembro de 1907, onde encontrou uma Nação em efervescência política.
Em todos os locais que visitou causou Dom Luís Filipe de Bragança a mais distinta impressão, facto pelo qual, já na metrópole foi elogiado pelo seu desempenho pelo Rei, seu pai, e pelo Conselho.
Foi por essa altura que o jovem e garboso Príncipe de olhos azuis e cabelo louro terá conhecido o amor, tendo-se apaixonado por uma jovem de seu nome Margarida, filha de uns Barões. Porém, sem desmérito para a prendada e virtuosa moça, o platónico amor não poderia, segundo os códigos da época prosseguir e transformar-se em algo mais sério, pois a um herdeiro da Coroa era esperado casar-se com alguém, também, de sangue real.
“Exercia a sua insinuante figura, a um tempo tão moça quão varonil uma atracção indefinível, por todos experimentada. Acrescia um amor pela sua terra, um fervor no sentimento patriótico que a todos também se comunicava, enquanto que uma educação primorosamente cuidada servida por uma inteligência claríssima e auxiliada pela prodigiosa memória da sua Casa, contribuía poderosamente para o êxito triunfal da viagem, destinada afinal a marcar apenas os derradeiros lampejos de glória de um Reinado a que ia em breve pôr termo a mais atroz tragédia da história”, escreveu o Conselheiro Ayres D’Ornellas in «Viagem do Príncipe Real», Lisboa, 1908, pág.8.
A 1 de Fevereiro de 1908, quando regressava de Vila Viçosa, dados ‘Cem Passos’, a Família Real Portuguesa foi vítima de um atentado terrorista perpetrado por membros da maléfica Carbonária.

Miguel Villas-Boas

Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

30 de janeiro de 2015

Carta do Tenente-Coronel Joaquim Mouzinho de Albuquerque ao Príncipe Real D. Luís Filipe


Meu Senhor:

Quando Vossa Alteza chegou à idade em que a superintendência da sua educação tinha que ser entregue a um homem, houve por bem El-Rei nomear-me Aio do Príncipe Real. Foi Sua Majestade buscar-me às fileiras do Exército. Não escolheu por certo o militar de mais valor, mas simplesmente aquele a quem uma série de acasos felizes mais ensejo dera de provar que sabia, custasse o que custasse, obedecer ao que lhe era ordenado  e que também sabia, doesse a quem doesse, fazer cumprir as ordens que dava.

Não por certo a Vossa Alteza como filho e como súbdito, e menos a mim como soldado, compete apreciar e criticar as determinações de El-Rei. A Vossa Alteza como a mim, deu Sua Majestade uma ordem, a ambos nós cumpre obedecer-lhe e nada mais. Mas para bem lhe obedecer não basta ver-lhe a letra, é necessário estudá-la, descortinar-lhe o espírito. Escolhendo um soldado para vosso Aio, que fez El-Rei? Subordinou a educação de Vossa Alteza ao estado em que se acha o País. Nesta época de dissolução, em que tão afrouxados estão os laços da disciplina, entendeu Sua Majestade que Portugal precisava mais que tudo de quem tivesse vontade firme para mandar, força para se fazer obedecer. E como ninguém pode ensinar o que não sabe, o que não tem praticado, foi El-Rei procurar o vosso Aio à classe única em que se encontra quem obedeça sem reticências e mande sem hesitações.

Por esse motivo, o primeiro dos meus deveres é fazer de Vossa Alteza um soldado. É Vossa Alteza Príncipe, há de ser Rei; ora, Príncipe e Rei que não comece por ser soldado, é menos que nada, é um ente híbrido cuja existência se não justifica. Há poucos anos andava pela Europa, num exílio vagabundo de judeu errante, um Imperador que num momento de crise esqueceu que o seu título vinha do latim "Imperator", epíteto com que se saudavam os vencedores, e que se não vence sem desembainhar a espada -- sine sanguine victoria non est. Por um erro igual já subiu um Rei ao cadafalso e outros foram despedidos do trono para o exílio sempre doloroso e humilhante. Príncipe que não fôr soldado de coração, fraco Rei pode vir a ser.

O que foram na verdade os Reis primitivos? Guerreiros audaciosos que os companheiros de armas levantaram nos escudos acima das suas cabeças. E o que foi o maior dentre os Reis, aquele cujo nome ribomba como um trovão na história deste século? Um militar ambicioso que, elevado ao Império pelos seus soldados, não se deu por contente enquanto não pôs o pavês que o levantara em cima das costas dos outros Reis da Europa que lhe serviram de pés ao trono. E entretanto, a despeito da sua incomparável grandeza de ânimo, a despeito das qualidades únicas de mando com que a Providência o dotara, talvez para castigo de muitos, por certo para exemplo de todos, caíu esse colosso e o grande Imperador foi derrubado por esses mesmos que tanta vez vencera. Faltava-lhe a tradição da Monarquia, da linhagem Real, que cimenta e consagra a autoridade dos  Reis legítimos.

Mas nessas mesmas linhagens Reais só foram grandes os que souberam lançar mão da espada sempre que lhes foi necessário. Por isso, repito, primeiro que tudo tem Vossa Alteza que ser soldado.
Aprenderá a sê-lo na história de seus avós. Este Reino é obra de soldados. Destacou-o da Espanha, conquistou-o palmo a palmo, um príncipe aventureiro que passou a vida com a espada segura entre os dentes, escalando muralhas pela calada da noite, expondo-se à morte a cada momento, tão queimado do sol, tão curtido dos vendavais como o ínfimo dos peões que o seguia. Firmou-lhe a independência o Rei de "Boa Memória", que tantas noites dormiu com as armas vestidas e a espada à cabeceira, bem distante dos regalos dos Paços Reais. E para a formação de vossa Casa concorreu com o ele o mais branco dos seus guerreiros, que simbolizou e resumiu em si quanto havia de nobre e puro na História Medieval, um herói e um santo. Mais tarde o Príncipe Perfeito, depois de haver mostrado que sabia terçar lanças em combate com o melhor dos cavaleiros, depois de haver abatido de vez todas as cabeças que se erguiam por demais altivas perante a Corôa Real, deu pela força da sua vontade de ferro um impulso de tal ordem às nossas naus, que foram ter ao Cabo da Boa Esperança, abrindo a Portugal o caminho por onde chegou ao apogeu da glória. Soldados, se lhes pode bem chamar a estes, porque tiveram o desapego da vida, a força do mando, a obediência cega àquilo que acima de tudo deve imperar nos Reis -- a ideia fixa e pertinaz da glorificação do seu nome e da grandeza do Reino onde Deus os fez os primeiros de entre os homens.

Para não ser injusto nem ingrato, não deve Vossa Alteza lembrar-se somente dos felizes porque nem só eles foram soldados. Houve um Rei de Portugal que, não podendo ser vencedor, soube morrer herói. Não tendo alcançado a vitória ambicionada, procurou a morte gloriosa. "A liberdade Real só se perde com a vida", foram as últimas palavras que se lhe ouviram e do cativeiro infamante salvou-o a morte, única libertadora invencível porque não há algemas que prendam um morto. Errou, é certo, mas a morte de valente, expiatória e heróica, redime os maiores erros. Bem merece ele o nome de soldado, bem estudada e meditada deve ser a sua História, porque pelo estudo e pela meditação se formam as almas e a alma de um Príncipe para tudo deve estar temperada, até para as maiores desgraças.

Soldado também e como poucos, foi D. Pedro IV. Trabalhou e combateu como soldado e teve a audácia precisa nos lances decisivos, a resignação estóica nas mais dolorosas crises, a presença de espírito nas situações mais difíceis, a decisão rápida e pronta para aproveitar as vitórias. E tanto se lhe enraizaram na alma os brios de soldado que, quando se viu insultado, apupado sem poder desembainhar a espada que tão bem o houvera servido, estalou de dor. As chufas com que o populacho cobarde e ingrato lhe pretendeu enlamear a farda, foram-lhe direitas ao coração, mataram-no.

Estude Vossa Alteza a História desses seus Avós. Leia-a, relei-a, medite-a, estude-a, meta-a bem na cabeça e no coração. Na convivência deles aprenderá Vossa Alteza a ser como eles, forte, justo, simples e verdadeiro. E bem compenetrado do que eles fizeram, conhecendo-lhes a vida dia a dia, sentirá Vossa Alteza que deles vem, que é um deles. Assim sonhará com futuros de glória que se assemelhem a esse passado de grandeza, e sonhar assim é uma felicidade e uma força. Triste do homem que só cuida do presente, que só preza a intimidade dos vivos. Pobre daquele que precisa adormecer para sonhar com o futuro. No olhar saudoso para o que já passou, no imaginar o que há de vir se vai formando a alma, se lhe vão apurando as qualidades, desenvolvendo a força. E chegada a ocasião de as aproveitar, de as pôr em acção, cai-se-lhe em cima como o milhafre sobre a presa e não se deixa escapar. A ciência da vida assemelha-se à arte da guerra, em que numa e noutra é mais preciso que tudo aproveitar as ocasiões e para o fazer é necessário o exercício constante, a trenagem; ora, o estudo e a meditação constituem a trenagem do espírito.

Nasceu Vossa Alteza numa época bem desgraçada para este País. Foi talvez um favor de Deus porque mais na desventura que na felicidade se prova a força do carácter. Em todo o caso é bem certo, meu Senhor, que a vossa história tem sido muito triste porque, convença-se bem Vossa Alteza, os Príncipes não têm biografia, a sua história é, tem de ser a do seu povo. Nessa história, entretanto, há algumas páginas que Vossa Alteza pode ler sem que lhe corem as faces de vergonha, sem que lhe subam aos olhos lágrimas esprimidas do coração triturado de humilhações. Essas poucas páginas brilhantes e consoladoras que há na história do Portugal contemporâneo, escrevêmo-las nós, os soldados, lá pelos sertões da África, com as pontas das baionetas e das lanças a escorrerem sangue. Alguma coisa sofremos, é certo; corremos perigos, passámos fomes e sedes e não poucos prostraram em terra para sempre as fadigas e as doenças. Tudo suportámos de boa mente porque servíamos El-Rei e a Pátria, e para outra coisa não anda neste mundo quem tem a honra de vestir uma farda! Por isso, nós também merecemos o nome de soldados; é esse o nosso maior orgulho.

Tudo é pequeno neste nosso Portugal de hoje! O mar já não é curral das nossas naus, mas sim pastagem de couraçados estranhos; foram-se-nos mais de três partes do Império de além-mar e Deus sabe que dolorosas surpresas nos reserva o futuro. Não tiveram, portanto, as guerras em que agora temos andado, o brilho épico dos feitos dos nossos maiores. Mas no campo restrito em que operámos, com os poucos recursos de que dispúnhamos, não fizémos menos nem pior do que outros bem mais ricos e poderosos.

A que devemos este resultado? A que no homem do povo em Portugal ainda se encontram as qualidades de soldado: a resignação, a coragem fria e disciplinada, a confiança nos superiores e, mais que tudo, a subordinação. E é preciso que Vossa Alteza, soldado por dever e direito de nascimento, se possua bem da ideia de que a subordinação é a primeira de entre as virtudes militares. Já a tenho ouvido alcunhar de renúncia da vontade. Ora, ninguém como o soldado carece de força de vontade, porque mais que em coisa alguma se demonstra ela na prática da obediência. Renunciar ao capricho, ao egoísmo, à indolência, a tudo quanto o vulgar dos homens mais aprecia e estima, ter por único fim servir bem, por único enlevo a glória, por único móvel a honra e a dignidade, não é renúncia da vontade. E se nós que somos soldados somente desde o dia em que nos alistámos e podemos voltar à classe civil de onde saímos, precisamos para tudo de muito querer e saber querer, quanto mais um Príncipe para quem nascer foi assentar praça e que só pode ter baixa para a sepultura!

De vontade e vontade de ferro precisará Vossa Alteza no duro mister para que Deus o destinou. Houve Reis, meu Senhor, que para desgraça dos seus povos adormeceram no trono em cujos degraus haviam nascido e nesse dormir esqueceram a missão que lhes cumpria desempenhar. No fim do século passado, o povo francês sacudiu-os de forma tal que os deveria ter acordado para sempre e, desde então, Príncipe que dormitasse no trono acordava no exílio. Assim deve ser. Castiga-se a sentinela que se deixa vencer pelo sono e o Rei é uma sentinela permanente que não tem folga porque, nomeado por Deus, só Ele o pode mandar render e então envia-lhe a morte a chamá-lo ao descanso. Enquanto vive tem o Rei de conservar os olhos sempre bem abertos, vendo tudo, olhando por todos. Nele reside o amparo dos desprotegidos, o descanso dos velhos, a esperança dos novos; dele fiam os ricos a sua fazenda, os pobres o seu pão e todos nós a honra do país em que nascemos, que é a honra de todos nós!

Para semelhante posto só pode ir quem tenha alma de soldado. Porque ser soldado não é arrastar a espada, passar revistas, comandar exercícios, deslumbrar as multidões com os doirados da farda. Ser soldado é dedicar-se por completo à causa pública, trabalhar sempre para os outros. E para se convencer, olhe Vossa Alteza para o soldado em campanha. Porventura vê-o só a marchar e a combater? Cava trincheiras, levanta parapeitos, barracas e quartéis, atrela-se às viaturas, remenda a farda, cozinha o rancho e o que tem de seu trá-lo às costas, na mochila. Desde os misteres mais humildes até ao mais sublime, avançar de cara alegre direito à morte, tudo faz porque todo o trabalho despido de interesse pessoal entra nos deveres da profissão. Trabalho gratuito, sempre, porque o vencimento do millitar, seja pré, soldo ou lista civil, nunca é remuneração do serviço, por não haver dinheiro que pague o sacrifício da vida.

É assim que, por mais que espíritos desorientados tenham querido obliterar as tradições de honra do Exército, a profissão entre todas nobre, foi, é e há de ser sempre a militar porque nela se envolve tudo que exige a anulação do interesse individual perante o da colectividade. É por isso que ninguém como o Rei tem de se esquecer de si para pensar em todos, por isso que ninguém como Ele tem de levar a abnegação ao maior extremo, ninguém como ele precisa de ser soldado na acepção mais lata e sublime desta palavra, soldado pronto da recruta em todas as armas, instruído em todos os serviços, desde o de cavalaria que, numa galopada desenfreada através de uma saraivada de balas, vai completar com a carga a derrota do inimigo, até ao do maqueiro que vai buscar os feridos à linha de fogo, ao enfermeiro que deles cuida na ambulância. Tão bom Rei, tão bom soldado foi D. Pedro V nos hospitais, como outros nos campos de batalha, porque a coragem e a abnegação são sempre grandes e nobres, seja onde fôr que se exerçam, e tudo que é grande e nobre é próprio de Rei e de soldado.

Não faltará ensejo a Vossa Alteza de revelar aquelas qualidades. Não lhe escassearão por certo provações e cuidados, revezes que trazem o desconforto ao espírito, lances dolorosos que desconsolam da vida. Para todos eles carece Vossa Alteza de estar preparado, temperado pela educação, pelo estudo dos bons exemplos, pela firme vontade de vir a ser um Príncipe digno desse nome e do da sua Casa. E para ser Príncipe é preciso primeiro que tudo ser Homem.

Se para descanso de seu espírito vaticinasse a Vossa Alteza um futuro risonho de despreocupações e gozos, faltaria por completo ao meu dever. Ao escolher-me para vosso Aio, disse-me El-Rei: "Faze dele um homem e lembra-te que há de ser Rei". Proporcionando a Vossa Alteza o conhecimento do que fizeram em África os seus mais leais servidores, apontando-lhe com seu exemplo, procurando temperar-lhe a alma para as mais duras provas por que pode vir a passar, não faço mais que cumprir as ordens de El-Rei e procurar, como tenho sempre feito, corresponder à confiança de Sua Majestade. A Vossa Alteza cumpre realizar as esperanças de seu Augusto Pai e nosso Rei, as esperanças de todos os Portugueses.

Que Deus o guie e proteja nesse difícil e glorioso caminho, é o mais ardente voto do Seu Aio muito dedicado


Joaquim Mouzinho

Fonte: Arautos d'El-Rei

29 de janeiro de 2015

Evocação dos 107 anos do Regicídio



O Salão Nobre do Palácio da Independência foi pequeno para acolher todos os que quiseram assistir à sessão evocativa dos 107 anos sobre o trágico assassinato de Sua Majestade o Rei Dom Carlos e de Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luís Filipe. A interessada plateia escutou uma alocução pelo Ten. Cor. João Brandão Ferreira, que relembrou circunstanciadamente o funesto acontecimento. Na ocasião, José Campos e Sousa, compositor e cantor, apresentou a exposição "Monumento Fúnebre d'El-Rei Dom Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe - Da ideia à inauguração: um ano de mobilização da Pátria reconhecida” tendo de seguida brindado a assistência com a interpretação de quatro temas, por si compostos. A sessão foi presidida pelo Dr. Alarcão Troni e pelo Dr. Nuno Pombo, respectivamente presidentes da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e da Real Associação de Lisboa, instituições que se associaram para a organização deste marcante evento.
A sessão contou ainda com a qualificada presença do Chefe da Casa Real Portuguesa, Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, que formalmente inaugurou a exposição, que estará patente ao público no Palácio da Independência de 27 a 30 de Janeiro, das 15h às 18h.


















































26 de janeiro de 2015

Missa de Sufrágio 107º Aniversário do Regicídio - Lisboa

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No âmbito do 107º aniversário sobre o trágico assassinato que vitimou Sua Majestade o Rei Dom Carlos I e Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luís Filipe, no próximo dia 1 de Fevereiro de 2015, Domingo pelas 17,00hs a Real Associação de Lisboa mandará celebrar em homenagem a estes augustos mártires da nossa Pátria uma missa na Igreja de São Vicente de Fora, ao que se seguirá uma romagem ao Panteão Real onde será depositada uma coroa de flores junto aos túmulos de El-Rei e do Príncipe Real por Suas Altezas Reais os Duques de Bragança, Dom Duarte e Dona Isabel.

24 de janeiro de 2015

República PORTUGUESA VS MONARQUIA Espanhola - Orçamentos de Funcionamento 2015



Fazendo uso da tão apregoada liberdade de expressão e relatando apenas factos comprovados é hora de fazer a confrontação dos ‘Orçamentos de Funcionamento 2015’ da presidência da república portuguesa e da Casa Real espanhola, para que não sobejem dúvidas sobre qual é o Orçamento mais poupado e regrado.

Em 2015, o Orçamento de Funcionamento da Casa do Rei de Espanha foi congelado no mesmo valor do ano de 2014: 7,78 milhões de euros. Em 2014 o orçamento da Casa Real de Espanha foi de 7,78 milhões de euros – menos 2% relativamente ao exercício orçamental de 2013 e o montante mais baixo desde 2007. Com a Abdicação do Rei Don Juan Carlos I e a Proclamação do Rey Don Filipe VI, mantiveram-se os cortes salariais e os novos monarcas passaram a auferir a verba destinada aos anteriores reis : 220 mil euros/ano o Rei e 130 mil (45%/salário Rei) a Rainha Doña Letizia; Doña Leonor, a nova Princesa das Astúrias só auferirá o seu salário a partir dos 18 anos e a Infanta Elena perdeu o vencimento.

Por cá, o Orçamento de Funcionamento da Presidência da República Portuguesa para 2015 será de 14,7 milhões de euros, subindo ligeiramente dos anteriores 14.683.500 de 2014.

O território português tem uma área territorial de 92.090 km2 com uma população de 10.487.289 de habitantes. Já o Reino de Espanha tem uma área de 504.030 km2 e possui uma população de 47.265.321 habitantes. Mensurando essas variáveis com o custo da Casa Real Espanhola e o Orçamento de Funcionamento da Presidência da República Portuguesa, conclui-se: a presidência da república Portuguesa terá em 2015 um custo por cada Português de 1,40 euros, enquanto a Casa Real espanhola terá a mesma incidência de 2014 sobre cada Espanhol, ou seja, de 0,16 euros. Assim, a primeira custa quase o dobro da segunda. Se mesmo assim se quiser acarear esse custo da presidência da república portuguesa com o da Casa Real Britânica, é fazer as contas: o Reino Unido possui uma população de 63.181.775 habitantes para um Orçamento real de 42,5 milhões de euros, pelo que a Monarquia Inglesa tem um custo para cada súbdito de Sua Majestade de apenas 0,67 euros, ou seja, menos 0,73 € que o PRP.

Além disso, é inaceitável que os ex-presidentes da república custem ao Erário Público cerca de 1 milhão de euros por ano. Não se justifica que conservem as pensões, ditas subvenções vitalícias, que perfazem mais de 220 mil euros/ano por cada um dos três – verba afectada pelo Orçamento de Funcionamento da presidência da república - ao que acresce ajudas de custo, despesas com a manutenção dos gabinetes e pagamento dos recursos humanos afectos aos ex-presidentes como secretária, segurança e automóveis com motoristas – despesas que não estão descritas no dito Orçamento, mas são custeadas pela secretaria-geral da presidência da república. Relativamente, aos gabinetes dos ex-presidentes, é um ultraje que o futuro escritório no Convento em Alcântara, do actual presidente quando o deixar de ser, em Março de 2016, vá ter um custo de obras de reabilitação de 475 mil euros. Recorde-se ainda que, há 10 anos, o restauro da Casa do Regalo para servir de gabinete ao anterior presidente custou 746 mil euros, e mais 486 mil em 2005 e 260 mil em 2006 – um escândalo! O ex-presidente que tem uma Fundação com o seu nome recebe uma verba não especificada para as despesas do seu gabinete.

Analisando a evolução do Orçamento de Funcionamento da presidência da república Portuguesa desde que as contas começaram a ser públicas: em 2006 foi de 17.031.800 Euros; em 2007 de 15.824.500 €; em 2008, 16,345 milhões de euros; em 2009 foi de 16,8 milhões de euros; em 2010 foi de 17,464 milhões; em 2011 de 16.188.400 milhões; em 2012 foi de 15.139.100 milhões de euros; o de 2013 foi de 15,3 milhões de euros; e em 2014 de 14.683.500 euros.

A Casa do Rei de Espanha, em 2011, custou 8,43 milhões de euros. A gestão financeira da verba, de acordo com a Constituição do Reino de Espanha, incumbe directamente ao Rei, sendo que esses fundos se destinam à legítima remuneração da Família Real para provir a sua subsistência, mas também pela representação na vida pública oficial, e, tal-qualmente, para financiar o funcionamento da Casa Real e do pessoal. Assim, o orçamento real serve para pagar os únicos salários da Família Real: o do Rei e o da Rainha e as despesas salariais com os 300 funcionários que trabalham directamente com a Coroa e destina-se, também, a custear os gastos quotidianos do Palácio com alimentação, vestuário, as viagens, os carros oficiais que não embarcam em excentricidades. Logo em 2010, a Casa Real não ficou alheia à crise económica, e, no segundo semestre desse ano, determinou um corte no orçamento anual recebendo, em 2010, 8,9 milhões de euros de verba. Ora como o pagamento é trimestral, por iniciativa do Rei, houve uma poupança de 1,7 milhões de euros relativamente ao ano anterior.

Em 2010, a Presidência da República Portuguesa teve um custo de 17,464 milhões de euros.
Esquadrinhando ao pormenor as contas da Família Real espanhola: em 2006, teve um orçamento de 8 milhões de euros, enquanto o Orçamento da Presidência da República Portuguesa foi de 17,031 milhões de Euros. O valor das atribuições para a Casa Real Espanhola subiu até 2009, alcançando, o tecto máximo de 8,9 milhões. Nesse ano, lembremos, o Orçamento da Presidência da República Portuguesa foi de 16,8 milhões de Euros.

Com o corte em 2011, a Casa Real espanhola teve um custo total de 8,43 milhões de euros enquanto a Presidência da R.P. custou 16,188 milhões de Euros. Assim, nesse ano, a Monarquia custou a cada espanhol 19 cêntimos, enquanto a presidência da república teve um importo de 1,9 euros para cada cidadão português.

Novamente, em 2012, o orçamento da Casa Real espanhola sofreu um corte de cerca de 5% e os todos os salários uma redução de 15%. A presidência da república portuguesa no mesmo exercício orçamental custou 15.139.110 de euros.

Em 2013, o orçamento da Casa Real Espanhola encolheu 2%, passando para os 8,26 milhões €. Nesse ano, as Infantas Elena e Cristina deixaram de receber gastos de representação.

Em 2013, a verba destinada para o Orçamento da PRP foi de 15,13 milhões de Euros, que, tem 500 funcionários ao serviço, mais 200 que a Coroa Espanhola e que a Casa Real Britânica.

Conclui-se, que, o argumento financeiro é também um forte argumento para uma mudança de modelo de Chefia de Estado em Portugal, uma vez que nas Monarquias há uma maior poupança e parcimónia no custo da mesma.

Miguel Villas-Boas

Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

23 de janeiro de 2015

107º Aníversário do Regícidio – Sessão evocativa

A Real Associação de Lisboa promove no próximo dia 26 de Janeiro pelas 17h30m no Salão Nobre da Sociedade Histórica da Independência de Portugal uma sessão evocativa dos 107 anos sobre o trágico assassinato de Sua Majestade o Rei Dom Carlos e de Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luís Filipe. Nessa ocasião será proferida uma alocução pelo Ten. Cor. João Brandão Ferreira. José Campos e Sousa apresentará a exposição “Monumento Fúnebre d’El-Rei Dom Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe – Da ideia à inauguração: um ano de mobilização da Pátria reconhecida” e interpretará alguns temas musicais alusivos. A exposição estará patente ao público no Palácio da Independência de 27 a 30 de Janeiro, das 15h às 18h.



21 de janeiro de 2015

A Cidade de Braga recebeu mais uma edição do Jantar dos Reis

SAR, O Senhor D. Duarte: Charlie Hedbo é “um pasquim nojento”


D. Duarte de Bragança afirmou hoje em Braga que o semanário ‘Charlie Hebdo’ é “um pasquim nojento” e considerou “ser completamente inaceitável o que esse jornal fazia”.

“Nesse aspecto estou inteiramente de acordo com o Papa Francisco I”, esclareceu, acrescentando que no seu entender “não é admissível insultar a crença, a fé e a religião dos outros”.

D. Duarte acrescentou, porém, que é preciso “defender a vida de pessoas que têm actividades que consideramos desprezíveis”, referindo-se aos jornalistas franceses assassinados em Paris.

“Lamento o terrorismo que invade a Europa e que coloca em risco quem pensa de uma maneira diferente” continuou o chefe da Casa de Bragança, afirmando que “não se pode permitir que o fundamentalismo invada a Europa”, causa pela qual é “importante lutar”.

Ainda sobre o Charlie Hebdo, o Herdeiro do trono considerou “não fazerem sentido nenhum, essas homenagens aos jornalistas”. “Se eu me colocar na rua com um altifalante a insultar a sua mãe, o seu pai ou os seus avós, obviamente que isso tem as suas consequências”, disse ainda durante uma visita aos Bombeiros Voluntários de Braga.

Fonte: Sol

20 de janeiro de 2015

Charlie e eu

Todo o cristão deve estar disposto a morrer pela liberdade de consciência de todos os homens, sem excluir a dos que o querem matar. Nem sempre foi assim, é certo, mas quero crer que aprendemos a lição.


Logo após os atentados contra o Charlie Hebdo, muitos franceses tomaram a peito a agressão e ergueram a sua voz num único grito: Eu sou Charlie! Contudo, algumas pessoas mais escrupulosas, não só não assumiram essa identidade, que entenderam incompatível com as suas convicções morais e religiosas, como fizeram gala em proclamar a sua contrária: Eu não sou Charlie!
Houve mesmo quem introduzisse uma inédita distinção entre os ‘mártires’ e as ‘vítimas’ dos atentados, como se houvesse vidas humanas de primeira e segunda categoria. Os primeiros, a bem dizer, só seriam os inocentes, porque entre os segundos seria preciso incluir aqueles que, pelos seus actos, foram, se não merecedores da selvática retaliação, pelo menos destinatários prováveis do trágico desenlace.
Curiosa esta pretensão de julgar as consciências alheias, em nome não se sabe bem de que oculta divindade, que não a cristã, que a ninguém permite tal tipo de juízos. Pelos vistos, para ser mártir mesmo a sério é preciso ser bonzinho (ou seja, como nós), porque os maus (isto é, os outros) só podem ser, no melhor dos casos, vítimas. Quer isto dizer que, se um terrorista mata um agnóstico, um ateu, um herege ou um irreverente, não faz um mártir, mas apenas uma vítima?! Sim, porque para ser mártir é preciso ser dos nossos. Estranho, não é? Até porque não é propriamente um discurso inédito: um fundamentalista islâmico não pensaria de outra forma … nem o diria melhor!
Quando, a 26 de Junho de 1963, John Fitzgerald Kennedy disse: «Ich bin ein Berliner!», não distinguiu os bons dos maus cidadãos da cidade alemã sitiada. Não se propôs apenas a defesa dos munícipes que tinham os impostos em dia, que eram responsáveis pais e mães de família, que eram impolutos funcionários e exemplares patriotas. Pelo contrário, identificou-se também com todos os outros berlinenses, fossem eles delinquentes, marginais, antigos nazis ou, até, anti-americanos, porque todos estavam ameaçados na sua liberdade e a todos importava defender, fazendo própria a sua identidade.
Quem só se revê nos que pensam do mesmo modo, não ama a liberdade, porque a reduz a um reflexo narcisista da sua própria vontade. Os ditadores também actuam politicamente em função deste enviesamento da liberdade e, por isso, consideram como traidores todos os que não se identificam com a sua ideologia. A cultura da liberdade e da democracia afere-se pela aceitação do outro na sua diferença política, cultural, religiosa e social, sobretudo quando contradiz o que pensamos e somos.
Não sou Charlie, porque não me revejo no seu posicionamento ideológico, na sua intolerância, nem na sua agressividade verbal contra a liberdade religiosa. Não subscrevo o seu fanatismo laicista, nem me agrada a sua linguagem abjecta. Mas também não aceito que haja que optar entre ser Charlie ou não ser Charlie. Essa dicotomia obedece a uma lógica totalitária: também os comunistas e fascistas entendem que todos os seus adversários são, respectivamente, fascistas e comunistas. Porém, não posso ignorar que doze homens perderam a vida num infame atentado. Não me compete ajuizar se os caídos eram santos ou pecadores; basta-me saber que eram seres humanos e, portanto, meus irmãos. E que foram traiçoeiramente assassinados.
Se amanhã alguém metralhar uma sinagoga judia, eu serei, com eles e por eles, judeu. Se uma milícia massacrar os alunos de uma escola palestiniana, norte-americana ou paquistanesa, eu serei um desses estudantes. Se algum fanático matar, em nome de qualquer ideologia ou religião, uma prostituta, um toxicodependente, um sem-abrigo, um travesti, um pagão ou um fiel de outra religião, eu serei tudo isso, sem deixar de ser cristão.
O que diferencia um cristão de um terrorista muçulmano não é que nós somos bons e eles são maus. Isso é o que, pelo contrário, nos assemelha porque, para eles, também nós somos os maus e eles são os bons. E há cristãos maus e bons muçulmanos. O que distingue o autêntico cristão dos terroristas, islâmicos ou não, é que eles são capazes de matar todos os que não pensam do mesmo modo, mesmo sendo seus irmãos na fé em Alá e no seu profeta, enquanto qualquer cristão deve estar disposto a morrer pela liberdade das consciências de todos os homens, sem excluir a de aqueles que o querem matar. Nem sempre foi assim, é certo, mas quero crer que já aprendemos essa lição.
É só isto e nada mais. Não faço minhas as declarações dos católicos que, por se considerarem justos, dão graças a Deus por … não serem Charlie. Eu também não o sou, mas estaria disposto a sê-lo, para defender a liberdade das vítimas, sejam ou não mártires. Não apesar de ser cristão mas, precisamente, porque o sou.
P. Gonçalo Portocarrero de Almada

Fonte: Observador

19 de janeiro de 2015

SAR, O Senhor D. Duarte apela à participação de todos na defesa do bem comum


Estimular e proteger aquilo que é nosso. O apelo foi deixado ontem por D. Duarte Pio, Duque de Bragança, aquando da visita às instalações do Presépio ao Vivo de Priscos.
Numa alusão à causa dos Bombeiros Voluntários de Braga, cujo proveito material do Jantar de Reis de Braga reverte a favor dos soldados da paz, D. Duarte enalteceu o importante papel dos bombeiros, mas sublinhou que esta é uma missão de todos.

“É fundamental porque os incêndios só podem ser controlados por nós todos, não é um pequeno grupo de voluntários ou de profissionais que consegue controlar os incêndios, tem que ser uma movimentação de toda a população. As pessoas devem participar na prevenção”, afirmou o Chefe da Casa Real portuguesa, deixando um forte apelo à população portuguesa “temos que estimular cada vez mais a participação de todos nós naquilo que é o bem comum, seja nos incêndios, seja na protecção da produção portuguesa, seja na defesa dos nossos monumentos e na beleza da nossa paisagem, na defesa da nossa produção. Em suma, daquilo que fazemos de bom em Portugal e, por isso, devemos proteger e estimular. Não devemos comprar produtos estrangeiros porque custam menos cinco cêntimos”.

D.Duarte visitou as instalações do Presépio de Priscos, que encerrou no passado fim-de-semana. À chegada o Duque de Bragança foi recebido pelos soldados romanos do presépio e numa curta visita, dirigiu-se à gruta, onde o esperavam José, Maria e o menino Jesus, um momento que contou com a actuação do cantar de Reis.

No final, o Duque de Bragança ficou muito agradado com o que viu, manifestando o desejo de poder estar presente na inauguração do presépio em Dezembro. “Um trabalho extraordinário, com grande qualidade, muito pedagógico que ajuda a que a população perceba o que é o Natal.
Porque hoje infelizmente com a propaganda comercial, com o facto de haver câmaras municipais, nomeadamente da de Lisboa, em que as decorações de Natal não fazem nenhuma referência a quem faz anos, ao tema de Natal. Acho belíssimo este tipo de iniciativas”
, realçou D. Duarte, lembrando que o “o Natal não só é uma manifestação espiritual, é também uma manifestação da cultura portuguesa, tradicional, que ninguém tem o direito que querer apagar e há muita gente que o quer fazer. E ilustrou com um exemplo: “Nós devemos ser o único país do mundo ocidental que há muitos anos não tem selos de correio com o tema de Natal”, lamentou.



17 de janeiro de 2015

JANTAR DA REAL ASSOCIAÇÃO DO RIBATEJO COM A PRESENÇA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA

Foto: JANTAR REAL RIBATEJO _ 23 Janeiro de 2015, 20 horas 
com a presença de SS.AA.RR. Os Duques de Bragança 

INSCRIÇÕES 
realribatejo.pt@gmail.com
919394319

As inscrições são consideradas confirmadas após recepção pela RAR do comprovativo de pagamento prévio devidamente identificado

TRANSFERÊNCIAS MULTIBANCO
NIB: 0045.5441.4006.6946.3483.1
30€ (associados: donativo inclui quota de 2015) 

18,00h MISSA DE SUFRÁGIO PELOS ASSOCIADOS FALECIDOS.

http://www.casalbranco.com/

Caros associados e amigos, 

temos a honra de vos convidar a participar neste evento com a presença de SS.AA.RR. Os Duques de Bragança , no dia 23 Janeiro de 2015, promovido pela Real Associação do Ribatejo.

18.00 h MISSA DE SUFRÁGIO PELOS ASSOCIADOS FALECIDOS
19.30 h RECEPÇÃO NA LOJA DE VINHOS E VISITA À ADEGA
20.00 h JANTAR REAL RIBATEJO

INSCRIÇÕES PARA JANTAR
realribatejo.pt@gmail.com
919394319
 
As inscrições são consideradas confirmadas após recepção pela RAR do comprovativo de pagamento prévio devidamente identificado

TRANSFERÊNCIAS MULTIBANCO
NIB: 0045.5441.4006.6946.3483.1
30€ (associados: donativo inclui quota de 2015)

http://www.casalbranco.com/

Nossos melhores cumprimentos

Real Associação do Ribatejo
Sede: Rua Dr. Guilherme Azevedo nº 8 - 1 º
2005 – 245 Santarém
Apartado 523, 2001-906 SANTARÉM
Tel. 919394319
Correio electrónico: realribatejo.pt@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/realassociacaoribatejo.santarem

16 de janeiro de 2015

SOBRE… A MONARQUIA



Nos nossos dias existem 44 monarquias no Mundo, e, a maioria delas, são Monarquias Constitucionais.
As Monarquias Constitucionais contemporâneas incluem: Andorra, Antígua e Barbuda, Arábia Saudita, Austrália, Bahamas, Barbados, Bélgica, Belize, Butão, Bahrain, Camboja, Canadá, Dinamarca, Granada, Jamaica, Japão, Jordânia, Kuwait, Liechtenstein, Lesoto, Luxemburgo, Malásia, Mónaco, Marrocos, Países Baixos, Nova Zelândia, Noruega, Papua Nova Guiné, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Ilhas Salomão, Espanha, Suécia, Tailândia, Tonga, Tuvalu, Emirados Árabes Unidos e do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.
As Monarquias Constitucionais mais populosas do mundo estão na Ásia: Tailândia e Japão.
Na Monarquia Constitucional da Tailândia, o Monarca é reconhecido como o Chefe de Estado, Chefe das Forças Armadas, defensor da fé e da religião budista. Bhumibol Adulyadej, o actual Rei, é o mais antigo Monarca reinante ano mundo e em toda a história da Tailândia.
Mais de um quarto das Monarquias Constitucionais são países da Europa Ocidental, incluindo o Reino Unido, Holanda, Bélgica, Noruega, Dinamarca, Espanha, Luxemburgo, Mónaco, Liechtenstein e Suécia, com 144 milhões de habitantes a viverem felizes debaixo de uma Coroa.
Nestes países europeus, o primeiro-ministro detém os poderes do dia-a-dia do governo, enquanto o Rei ou Rainha (ou outro Monarca, como um Grão-Duque, no caso do Luxemburgo, ou Príncipe, no caso de Mónaco e Liechtenstein) mantém poderes residuais, o que não pressupões que seja insignificante.
O Monarca é um de diferentes órgãos do Estado e exerce exclusivamente os poderes que lhe estão consagrados na Constituição, a Lei Suprema e Fundamental de um País.
Cabe ao Parlamento e ao Governo - principalmente ao primeiro-ministro – exercer, respectivamente os poderes legislativo e executivo sob Prerrogativa Real, isto é, em nome do Rei e com os poderes ainda formalmente havidos pelo Monarca, porque a Monarquia Constitucional será sobre a forma de governo de uma Monarquia Parlamentar, que assenta na legitimidade democrática, pois os órgãos que efectivamente exercem o poder político conquistam a sua legalidade e/ou legitimidade das eleições por sufrágio directo e universal. Assim sendo, originariamente, o poder reside no Povo, contudo exerce-se sob a forma de governo monárquico.
Em quase todos os casos, o monarca continua a ser o chefe-executivo nominal, mas é obrigado pela Constituição a actuar no conselho do Gabinete. Apenas algumas monarquias, nomeadamente Japão e Suécia, alteraram suas constituições para que o Monarca já não seja mesmo o titular executivo.
Um grande grupo de monarquias constitucionais compreende os dezasseis reinos da Commonwealth com Sua Majestade a Rainha Elizabeth II como Soberana. Ao contrário de alguns dos seus homólogos da Europa continental, a Monarca e seus governadores-gerais do Reino Commonwealth detêm significativos poderes de "reserva" e a famosa "prerrogativa", a serem exercidos em tempos de extrema emergência ou crises constitucionais, geralmente para defender o governo parlamentar.
Dentro das Monarquias Constitucionais com um sistema parlamentar o Monarca pode ter funções estritamente cerimoniais ou possuir poderes de reserva, o chamado Poder Moderador, de acordo com a Constituição. Também existem hoje várias Monarquias Constitucionais federais. Nesses países, cada subdivisão tem um governo distinto e chefe de governo, mas todas as subdivisões compartilham um Monarca que é o Chefe de Estado da federação como um todo unido.
Assim, existem pelo menos dois tipos diferentes de Monarquias Constitucionais no mundo contemporâneo: Executiva e Cerimonial.
Em Monarquias executivas, o monarca exerce o poder executivo de forma significativa, embora não absoluta. A monarquia sob esse sistema de governo é uma poderosa instituição política e social. Por outro lado, nas Monarquias cerimoniais, o monarca tem pouco poder real ou influência política directa.
As Monarquias Executivas que ainda subsistem são a Arábia Saudita, Butão, Bahrein, Jordânia, Kuwait, Liechtenstein, Mónaco, Marrocos, Tonga e os Emirados Árabes Unidos.
As Monarquias Cerimoniais são: Andorra, Antígua e Barbuda, Austrália, Bahamas, Barbados, Bélgica, Belize, do Camboja, Canadá, Dinamarca, Grenada, Jamaica, Japão, Lesoto, Luxemburgo, Malásia, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Papua Nova Guiné, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Ilhas Salomão, Espanha, Suécia, Tailândia, Tuvalu, e Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.
Monarquia Cerimonial e Executiva, não deve ser confundida com os sistemas monárquicos democráticos e não democráticos. Por exemplo, Mónaco e Liechtenstein são Estados democráticos, e, no entanto, os Monarcas reinantes nesses países exercem o poder executivo efectivo.
Em breve, o número de Estados que adoptam o regímen monárquico pode aumentar uma vez que em vários países se encetou a discussão sobre se não haverá mais vantagens na restauração da Monarquia. Urge começar o mesmo debate em Portugal, assim haja liberdade de expressão!

Miguel Villas-Boas

14 de janeiro de 2015

Jantar de Reis ajuda bombeiros voluntários a adquirir ambulâncias



Dom Duarte de Bragança e Dona Isabel de Bragança voltam a marcar presença no Jantar de Reis Braga 2015 que realiza a sua 6.ª edição no próximo dia 17, no Hotel Meliá.
A apresentação do evento teve lugar ontem, no salão nobre do Bombeiros Voluntários de Braga, instituição para a qual revertem este ano os proveitos deste jantar solidário. Na lista de maiores carências dos Bombeiros Voluntários de Braga, António Machado, presidente da direcção da corporação bracarense elencou a aquisição de duas ambulâncias para prestar o melhor socorro aos bracarenses.

“Neste momento precisamos de ter connosco ambulâncias e viaturas próprias para levar os nossos utentes a fazer tratamentos, nomeadamente fisioterapia e hemodiálise”, disse ontem António Machado, acrescentando que a corporação vive tempos difíceis. “Temos de continuar a lutar porque ainda não temos o apoio suficiente do município de Braga, por isso, temos que nos socorrer de todas as alternativas”.

O presidente dos voluntários lamentou ainda que a sociedade só se lembra dos bombeiros quando precisa deles e quando não é necessário quase se esquece deles. Não podemos dizer que hoje ou amanhã não podemos precisar dos serviços dos Bombeiros Voluntários de Braga. Os nossos bombeiros estão bem preparados e, portanto, estamos ao dispor dos nossos concidadãos”.

Na apresentação do evento, Manuel Beninger, da comissão organizadora traçou dois objectivos: “a promoção da cultura portuguesa, nos seus saberes e fazeres mais tradicionais aos seus saberes e fazeres mais empreendedores, nele promovemos os produtos portugueses locais com a presença das Confrarias Portuguesas, tanto gastronómicas como báquicas, para além de outras de cariz muito diversificado. Neste contexto de elevação de Portugal, dos portugueses, da sua produção e dos seus produtos temos sempre como convidado de honra Dom Duarte de Bragança como símbolo nacional da nossa história, cultura, tradições, língua e fronteiras, diríamos da nossa identidade. Também porque o momento histórico que vivemos há uns anos para cá nos tem pedido mais união e cooperação, o jantar tem um propósito solidário, apoiando este ano os Bombeiros Voluntários de Braga, com todo o proveito material do mesmo”.

Esta iniciativa, já com tradição na cidade de Braga, assenta numa vontade transversal a muitos actores locais, designadamente a Associação Industrial do Minho (AIMinho) e Associação Comercial de Braga (ACB).

Para António Marques, presidente da AIMinho “este é um acontecimento que valoriza a região, o comércio, a indústria, mas, sobretudo, o que é tradicional. Para além do sentido de solidariedade que este ano apoia os Bombeiros Voluntários de Braga”.

Domingos Macedo Barbosa, presidente da ACB sublinhou, por sua vez, “ a notoriedade e a visibilidade que este evento traz para a cidade que quer cada vez mais afirmar-se como uma cidade de eventos”.
O contributo solidário para o Jantar de Reis Braga 2015 é de 25 euros, por pessoa.

Fonte: Correio do Minho

13 de janeiro de 2015

BRAGA RECEBE ENCONTRO DE MONÁRQUICOS ESTE FIM-DE-SEMANA

Foto: facebook ppm
 Foto: facebook ppm

A 6ª Edição do Jantar de Reis vai realizar-se no próximo fim-de-semana em Braga, e volta a ter como convidado especial D. Duarte de Bragança.

O tema deste ano é a Lusofonia, e segundo Manuel Beninguer, do Partido Popular Monárquico (PPM) o encontro irá “promover a cultura portuguesa nos seus saberes e fazeres mais tradicionais e nos mais empreendedores”.

A Associação Comercial de Braga (ACB) e a Associação Industrial do Minho (AIMinho) estão na organização deste encontro.

O evento decorre no próximo sábado no Hotel Meliã, em Braga, e para além de D. Duarte de Bragança vão marcar presença a Duquesa do Cadaval e o cunhado do Rei de Espanha.

O Jantar vai reverter a favor dos Bombeiros Voluntários de Braga (BVB).

11 de janeiro de 2015

Da blasfémia ao terrorismo: um caminho sem retorno?

Nenhum insulto pode legitimar um crime contra a liberdade e os direitos humanos, por muito censurável que seja a blasfémia, do ponto de vista ético, pelo seu carácter essencialmente ofensivo.


 Os atentados perpetrados esta semana, em Paris, contra o Charlie Hebdo e não só, deixaram a França e o mundo inteiro em estado de choque. Com razão, porque todos os cidadãos, quaisquer que sejam as suas crenças ou a sua ideologia política, são, para além dos vários mortos que há a lamentar, vítimas do terrorismo.
Seria abjecto justificar estes crimes à conta da situação económica ou da recorrente irreverência daquela publicação para com o profeta do Islão. Legitimar um homicídio é, em termos jurídicos e morais, ser seu cúmplice. Os crimes não se justificam, nem se explicam: condenam-se. Não se dialoga com a sem-razão de um atentado.
O primeiro destes ataques terroristas foi um acto de retaliação a supostas blasfémias publicadas nas páginas do Charlie Hebdo. Por este motivo, há quem pretenda, senão justificar os doze nefandos assassinatos, pelo menos atenuar a responsabilidade dos criminosos que, neste sentido, teriam agido ao abrigo de uma legítima defesa dos seus interesses religiosos e culturais. Nada mais falso do que esta suposição que, de algum modo, condescende com o terrorismo. Uma sociedade que, de alguma forma, compreende qualquer crime contra a liberdade e os direitos humanos é uma sociedade refém do medo.
Mas, não é verdade que, nas páginas desse semanário, foram publicados textos e ‘cartoons’ pouco abonatórios para os seguidores de Maomé? Aliás, as suas peças eram também muito críticas de outras religiões, nomeadamente a cristã, cujos fiéis, pela mesma razão, poder-se-iam sentir igualmente ofendidos na sua fé. Sim, é certo, mas mais vale a liberdade de pensamento e de expressão, do que a censura ou a repressão. Não se combate o abuso da liberdade com a sua supressão.
Quer isto dizer que a sociedade democrática é impotente em relação às ofensas de natureza religiosa? De modo nenhum, mas a resposta a dar não deve ser outra do que a institucional, ou seja, a que decorre do normal funcionamento das instituições. Se alguém injuria uma pessoa, a vítima tem direito a recorrer aos tribunais, para defender a sua honra e o seu bom nome. Todas as individualidades físicas e entidades morais têm direito a que a sua dignidade seja respeitada publicamente.
Um ‘cartoon’ alusivo a um líder religioso pode não ser ofensivo e, em geral, é até um salutar exercício de humor. Mas também os há que são, objectivamente, caluniosos. Não compete ao poder executivo, nem às comunidades religiosas, determinar, numa sociedade plural e laica, o que seja ou não ofensivo, porque essa é uma atribuição exclusiva do poder judicial. Se é gratuitamente posta em causa a dignidade de pessoas e instituições, sejam ou não religiosas, qualquer cidadão ou entidade tem o direito fundamental de recorrer à justiça.
Todos os temas religiosos podem e devem ser discutidos em liberdade e ninguém deve ser obrigado a professar nenhum credo. Em caso algum deve haver lugar para o delito de opinião, nem qualquer censura ou limite à liberdade de pensamento e de expressão.
Mas o exercício livre e responsável da liberdade de crer, ou não-crer, e até de criticar quem crê, ou não crê, não legitima a gratuita agressão religiosa ou ideológica. Todas as ideias são discutíveis, mesmo as mais sagradas, mas todas as pessoas, salvo prova em contrário, são respeitáveis. Ora, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, a blasfémia é «um dito considerado ofensivo, ultrajante em relação à divindade ou à religião», ou um «dito ou comportamento gravemente ofensivo para com uma pessoa ou coisa digna de muito respeito» (vol I, pág. 540).
Um acto terrorista não pode ser branqueado de jeito nenhum. Não há justificação para um crime hediondo, que não pode ser instrumentalizado politicamente pelos que pretendem implementar políticas xenófobas e racistas. Nenhum insulto pode legitimar um crime contra a liberdade e os direitos humanos, por muito censurável que seja a blasfémia, do ponto de vista ético, pelo seu carácter essencialmente ofensivo. Não se vence o terrorismo com terrorismo de sentido contrário, mas com a defesa intransigente da liberdade, de acordo com os princípios e práticas do estado de direito.
A blasfémia não é a causa do crime, nem a sua ocasião, apenas o seu pretexto. Dê-se a todos os crentes de todas as religiões, que entendem ameaçada a sua liberdade religiosa, a possibilidade de accionar as correspondentes garantias do Estado democrático. Mas não se admita a perda da liberdade de pensamento e de expressão, nem se consinta que os terroristas legitimem as suas acções em nome da religião. O crime não admite nenhuma justificação.  
P. Gonçalo Portocarrero de Almada

Fonte: Observador

10 de janeiro de 2015


"A monarquia que queremos não é um conceito abstrato, nem é apenas a substituição de um residente do Palácio de Belém por outro. É muito mais, e muito mais disruptivo! É a consequência natural da construção de um Estado mais livre, mais representativo, mais transparente, mais funcional. Que outra instituição congrega a independência, a estabilidade, o peso histórico para assegurar o bom funcionamento das instituições do Estado em benefício da Nação? Não é por acaso que os países mais desenvolvidos do mundo são aqueles que conseguiram desenvolver a sua democracia a partir dos alicerces da Instituição Real"

Luis Lavradio, Presidente da Causa Real

9 de janeiro de 2015

Candidatos para aqui e para ali...


Ultimamente ouço falar de candidatos presidenciais para as eleições de 2016. Será o próximo presidente da república (não de Portugal, não de todos os Portugueses) Marcelo? Será Santana? Será Guterres? Será o número 44 de Évora? Será outro qualquer? Não sei... O que sei é que se for alguém do partido que esteja no governo não vai impedir o que deve, se for da oposição vai proibir o que não deve... O que sei é que, seja quem for, vai servir os interesses do partido de onde venha e não os interesses dos portugueses. O que sei é que, seja quem for, terá muita sorte se for aprovado por 20% do total de eleitores (e ainda menos do total de portugueses)... O que sei é que, seja quem for, vai ter a pátria como prioridade secundária (se calhar nem isso) e os seus interesses, o do seu partido e os dos seus amigos como primária.



O que sei é que, seja quem for, não me vai representar a mim, a quem nele não votar e a todos os (muitos) monárquicos que aí andam. Talvez um dia a nossa democracia cresça o suficiente para se referendar, para dar voz aos monárquicos. Até lá, posso afirmar que não vivo numa, vivo num regime que nos foi imposto, nos calou, nos "lavou a cabeça",  se declara permanente e não nos dá voz.