26 de maio de 2015

Coches Reais e Muito Mais…

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O Coche é uma carruagem antiga, na maioria das vezes, bastante luxuosa, e comummente de quatro rodas. Ainda que inspirado nos carros da Antiguidade clássica denominados Faetonte, a pequena carruagem de quatro rodas, descoberta e bastante rápida, o coche remonta a sua existência apenas ao século XIV europeu. A palavra coche deriva de kocsi ou koci e designa um novo tipo de transporte de tracção animal destinado à transportação de pessoas, no qual a caixa se encontrava suspensa sobre o rodado através de fortes correias de couro fixas a uma estrutura de montantes, evitando, desta forma, o incómodo causado aos passageiros pela trepidação sentida nas viaturas com a caixa assente directamente nos eixos das rodas.
A invenção, deste sistema de suspensão, é apontada tradicionalmente como ocorrida na localidade da Hungria, Kotze, e, depois de exportada para Itália, logo ocorreu a sua difusão pelo restante continente europeu.
Os coches originais eram muito diferentes dos que foram divulgados pela Europa: as caixas ainda eram idênticas às utilizadas nos carros medievais sem suspensão, com a cobertura de arcos ultrapassados, que formavam igualmente as paredes laterais.
No século XV, surgiram várias inovações no campo dos coches: o tejadilho passou a ter uma forma curva, suportado por quatro pilares ligeiramente ligados para fora. A caixa era aberta, mas podia ser protegida por cortinas de couro. Não tinha portas e podia ser e o seu acesso fazia-se por uma abertura existente em cada um dos lados, através de um estribo.
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Este coche, ainda que se destinasse à realeza e às classes aristocratas, só via os mais faustosos utilizados em solenidades da Corte, como Aclamação de um novo Rei, Casamentos reais, Abertura do Parlamento (só no século XIX), recepção de Monarcas ou altos dignitários estrangeiros.
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A sua generalização ocorreu no período conhecido como o Renascimento, atingindo o apogeu no século XVIII, em Portugal, durante o reinado do Rei-Sol Português, o Magnânimo El-Rei Dom João V, Sua Majestade Fidelíssima – assim apodado por receber o Título do Papa Bento XIV, quatro anos depois de inaugurado em 1744 do Convento de Mafra que mandou construir em Acção de Graças pela descendência, titularia extensível aos seus sucessores, facto pelo qual, a partir do século XVIII, passou a ser atribuído o título de Sua Majestade Fidelíssima ao Rei de Portugal.
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Os Coches eram, vulgarmente, obras de grande aparato, esculpidos em superior madeira ao melhor estilo do barroco e enriquecidos com os materiais mais preciosos como ouro, prata, tartaruga, veludo, e ornamentados de pinturas magníficas.
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Eram fruto da imaginação e talento de enormes artistas da época, e, são grandes nomes desta arte: Barros Laborão, José Almeida, Cunha Taborda, etc.
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Reconhecendo a enorme importância, valor artístico e cultural desta forma de expressão artística Sua Majestade a Rainha Dona Amélia de Portugal reuniu um riquíssimo espólio datado do século XVII ao XIX no Museu dos Coches Reais, que por Sua iniciativa abriu portas em 23 de Maio de 1905, no Picadeiro Real do Palácio de Belém uma antiga escola de arte equestre, construída em 1726.
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A colecção é rica e imensa, donde se destacam três gigantescos e grandiosos coches de esstilo Barroco construídos em Roma por encomenda do embaixador português na Santa Sé, D. Rodrigo Almeida e Menezes para a célebre embaixada enviada por El-Rei Dom João V ao Papa Clemente XI e que dividiriam o protagonismo com o célebre elefante Hanno. Estes coches possuem interiores luxuosos forrados a veludo vermelho e ouro, e no exterior são decorados com variadas esculturas em tamanho natural explanando diversas alegorias e revestidos a ouro num trabalho denominado talha dourada, para além das armas reais ricamente pintadas. Acresce que durante muitos anos nenhum outro monarca europeu enviou embaixadas ao Papa por não se achar em condições de pelo menos igualar tamanha magnificência.
Motivos coche barroco
E dentro dos coches existem ainda vários subtipos como o coche de viagem de Filipe II  de Portugal (III de Espanha), de madeira e couro negro, do século XVII e por exemplo o landau, do século XIX, daquele trágico episódio da História de Portugal, o atentado conhecido como Regicídio, onde foram brutalmente assassinados, em 1 de Fevereiro 1908, o legítimo Monarca Constitucional El-Rei Dom Carlos I de 44 anos e Seu Augusto filho e herdeiro, Dom Luís Filipe de Bragança de 20 anos pelos terroristas carbonários Manuel Buiça, Alfredo Costa e mais três.
Também, nem todos os coches da Família Real Portuguesa são coches, pois há ainda as Berlindas assim chamadas porque a caixa da carruagem era apoiada sobre a estrutura das rodas que a suportava e por isso o/os seus ocupantes ficavam numa posição bastante elevada, elo que ainda hoje se usa a expressão, ‘andar na berlinda’.
Berlina
Tal-qualmente, existem outros exemplos de carruagens reais, incluindo cabriolés de duas rodas. Existe, também, uma sege do séc. XVIII,  fabricada durante a época do Conde de Oeiras – mais tarde Marquês de Pombal -, com janelas que parecem óculos, viatura encarada como o primeiro táxi de Lisboa, pintado de preto e verde, as cores dos táxis até meados da década de 90; e ainda uma carruagem do Correio.
Da colecção fazem ainda parte o Coche da Princesa D. Maria Benedita do séc. XVIII, o Coche da Coroa do século XVIII, os Coches dos Reis Dom João V e Dom José I e o Coche do Papa Clemente XI.
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Tudo isto é enriquecido e complementado com trajos da corte como dos pajens, de criados de libré e dos cocheiros, assim como de diversos equipamentos de cavalos como os arneses, liteiras, para além de retratos a óleo da família real.
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Acresce que, com o golpe republicano do 5 de Outubro, o nome do Museu foi alterado para Museu Nacional dos Coches.
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O último coche que foi utilizado em Portugal foi a Carruagem da Coroa do século XIX, aquando da visita de Sua Majestade a Rainha Isabel II do Reino Unido, em 1957.
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Quanto à estória das novas instalações do Museu é de conhecimento público…
VIV’Á HISTÓRIA DA MONARQUIA!
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Miguel Villas-Boas 

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