30 de novembro de 2015

RESTAURAÇÃO DA LEGALIDADE

El-Rei Dom João IV


Extinta a Dinastia de Avis, com o falecimento do Cardeal-Rei Dom Henrique e a debandada de Dom António, Prior do Crato, provocada pelos castelhanos, o trono de Portugal passou para Filipe II de Espanha, I de Portugal, e que originou a 3.ª Dinastia, a Filipina ou dos Habsburgos. Filipe I de Portugal era filho de Dona Isabel de Portugal, irmã do Cardeal-Rei e de Dom João III, e portanto neto do Rei Dom Manuel I de Portugal.
Mas de acordo com o hábito e costumes portugueses o poder do Rei sempre adveio de um pacto com as Cortes – que no fundo era um Congresso de Chefes – por isso o Rei de Portugal é Aclamado e não Coroado. Firmado esse pacto, o Rei seria assim o primus inter pares entre os barões do reino.
No caso particular de Portugal, e sempre tal aconteceu desde o próprio Rei Fundador Dom Afonso Henriques, o Rei é Aclamado e nunca imposto! Ou seja, apesar do Príncipe herdeiro suceder ao Rei falecido existe uma participação dos Pares do Reino e do Povo que ratifica essa sucessão sendo que esse passo é o acto jurídico que verdadeiramente faz o Novo Rei! Nos 771 anos da Monarquia Portuguesa o Rei sempre reinou por delegação da comunidade portuguesa que reunida em Cortes o Aclamou e fez Rei.
Então nesta sessão da Assembleia convocada por Dom Afonso Henriques que ficaram conhecidas como Cortes de Lamego reuniu-se a nobreza, o clero, assim como procuradores dos concelhos de todo o Condado Portucalense.
Nessa sessão, os representantes terão eleito o jovem Infante e regulado a sucessão dinástica do Reino de Portugal nas ACTAS DAS CORTES DE LAMEGO:
‘Em nome da santa, e indivisa Trindade Pai, Filho, e Espírito Santo, que é indivisa, e inseparável. Eu, Dom Afonso filho do Conde D. Henrique, e da Rainha Dona Teresa neto do grande D. Afonso, Imperador das Espanhas, que pouco há que pela divina piedade fui sublimado à dignidade Rei. Já que Deus nos concedeu alguma quietação, e com seu favor alcançamos vitória dos Mouros nossos, inimigos, e por esta causa estamos mais desalivados, porque não suceda depois faltar-nos o tempo, convocamos a Cortes, todos os que se seguem: o Arcebispo de Braga, o Bispo de Viseu, o Bispo do Porto, o Bispo de Coimbra, o Bispo de Lamego, e as pessoas de nossa Corte que se nomearão abaixo, e os procuradores da boa gente cada um por suas Cidades, convém a saber por Coimbra, Guimarães, Lamego, Viseu, Barcelos, Porto, Trancoso, Chaves, Castelo Real, Vouzela, Paredes Velhas, Seia, Covilhã, Monte Maior, Esgueira, Vila de Rei, e por parte do Senhor Rei Lourenço Viegas havendo também grande multidão de Monges, e de clérigos.
Juntámo-nos em Lamego na Igreja de Santa Maria de Almacave. E assentou-se o Rei no trono Real sem as insígnias Reais, e levantando-se Lourenço Viegas procurador do Rei disse:
“Fez-vos ajuntar aqui o Rei D. Afonso, o qual levantastes no Campo de Ourique, para que vejais as letras do Santo Padre, e digais se quereis que seja ele Rei.”
Disseram todos:
– “Nós queremos que seja ele Rei.”
E disse o procurador:
– “Se assim é vossa vontade, dai-lhe a insígnia Real.”
E disseram todos:
– “Demos em nome de Deus.”
E levantou-se o Arcebispo de Braga, e tomou das mãos do Abade de Lorvão uma grande coroa de ouro cheia de pedras preciosas que fora dos Reis Godos, e a tinham dada ao Mosteiro, e esta puseram na cabeça do Rei, e o senhor Rei com a espada nua em sua mão, com a qual entrou na batalha disse:
– “Bendito seja Deus que me ajudou, com esta espada vos livrei, e venci nossos inimigos, e vós me fizestes Rei e companheiro vosso, e pois me fizestes, façamos leis pelas quais se governe em paz nossa terra.”
Disseram todos:
– “Queremos Senhor Rei, e somos contentes de fazer leis, quais vos mais quiserdes, porque nós todos com nossos filhos e filhas, netos e netas estamos a vosso mandado.”
Chamou logo o Senhor Rei os Bispos, os nobres, e os procuradores, e disseram entre si, façamos primeiramente leis da herança e sucessão do Reino, e fizeram estas que se seguem.
Viva o Senhor Rei Dom Afonso, e possua o Reino. Se tiver filhos varões vivam e tenham o Reino, de modo que não seja necessário torná-los a fazer Reis de novo. Deste modo sucederão. Por morte do pai herdará o filho, depois o neto, então o filho do neto, e finalmente os filhos dos filhos, em todos os séculos para sempre.
Se o primeiro filho do Rei morrer em vida de seu pai, o segundo será Rei, e este se falecer o terceiro, e se o terceiro, o quarto, e os mais que se seguirem por este modo.
Se o Rei falecer sem filhos, em caso que tenha irmão, possuirá o Reino em sua vida, mas quando morrer não será Rei seu filho, sem primeiro o fazerem os Bispos, os procuradores, e os nobres da Corte do Rei. Se o fizerem Rei será Rei e se o não elegerem, não reinará.
Disse depois Lourenço Viegas Procurador do Rei, aos outros procuradores:
– “Diz o Rei, se quereis que entrem as filhas na herança do Reino, e se quereis fazer leis no que lhes toca?”
E depois que altercaram por muitas horas, vieram a concluir, e disseram:
– “Também as filhas do senhor Rei são de sua descendência, e assim queremos que sucedam no Reino, e que sobre isto se façam leis”, e os Bispos e nobres fizeram as leis nesta forma.
Se o Rei de Portugal não tiver filho varão, e tiver filha, ela será a Rainha tanto que o Rei morrer; porem será deste modo, não casará se não com Português nobre, e este tal se não chamará Rei, se não depois que tiver da Rainha filho varão. E quando for nas Cortes, ou autos públicos, o marido da Rainha irá da parte esquerda, e não porá em sua cabeça a Coroa do Reino.
Dure esta lei para sempre, que a primeira filha do Rei nunca case senão com português, para que o Reino não venha a estranhos, e se casar com Príncipe estrangeiro, não herde pelo mesmo caso; porque nunca queremos que nosso Reino saia fora das mãos dos Portugueses, que com seu valor nos fizeram Rei sem ajuda alheia, mostrando nisto sua fortaleza, e derramando seu sangue.
Estas são as leis da herança de nosso Reino, e leu-as Alberto Cancheler do senhor Rei a todos, e disseram, boas são, justas são, queremos que valham por nos, e por nossos descendentes, que depois vierem.
E disse o Procurador do senhor Rei.
– “Diz o senhor Rei. Quereis fazer leis da nobreza, e da justiça?”
E responderam todos:
– “Assim o queremos, façam-se em nome de Deus”, e fizeram estas.
Todos os descendentes de Sangue Real, e de seus filhos e netos sejam nobilíssimos. Os que não são descendentes de Mouros ou dos infiéis Judeus, sendo Portugueses que livrarem a pessoa do Rei ou o seu pendão, ou algum filho, ou genro na guerra sejam nobres. Se acontecer que algum cativo dos que tomarmos dos infiéis, morrer por não querer tornar a sua infidelidade, e perseverar na lei de Cristo, seus filhos sejam nobres. O que na guerra matar o Rei contrário, ou seu filho, e ganhar o seu pendão seja nobre. Todos aqueles que são de nossa Corte, e têm nobreza antiga, permaneçam sempre nela. Todos aqueles que se acharam na grande batalha do Campo de Ourique, sejam como nobres, e chamem-se meus vassalos assim eles como seus descendentes.
Os nobres se fugirem da batalha, se ferirem alguma mulher com espada, ou lança, se não libertarem ao Rei, ou a seu filho, ou a seu pendão com todas suas forças na batalha, se derem testemunho falso, se não falarem verdade aos Reis, se falarem mal da Rainha ou de suas filhas, se forem para os Mouros, se furtarem as coisas alheias, se blasfemarem de nosso Senhor Jesus Cristo, se quiserem matar o Rei, não sejam nobres, nem eles, nem seus filhos para sempre.
Estas são as leis da nobreza, e leu-as o Chanceler do Rei, Alberto, a todos. E responderam: “boas são, justas são, queremos que valham por nós, e por nossos descendentes que vierem depois de nós.”
Todos os do Reino de Portugal obedeçam ao Rei e aos Alcaides dos lugares que aí estiverem em nome do Rei, e estes se regerão por estas leis de justiça. O homem se for compreendido em furto, pela primeira, e segunda vez o porão meio despido em lugar público, aonde seja visto de todos se tornar a furtar, ponham na testa do tal ladrão um sinal com ferro quente, e se nem assim se emendar, e tornar a ser compreendido em furto, morra, pelo caso, porem não o matarão sem mandado do Rei.
A mulher se cometer adultério a seu marido com outro homem, e seu próprio marido denunciar dela à justiça, sendo as testemunhas de crédito, seja queimada depois de o fazerem saber ao Rei e queime-se juntamente o varão adultero com ela. Porem, se o marido não quiser que a queimem, não se queime o cúmplice; mas fique livre; porque não é justiça que ela viva, e que o matem a ele.
Se alguém matar homem seja a quem quer que for, morra pelo caso. Se alguém forçar virgem nobre, morra, e toda sua fazenda fique a donzela injuriada. Se ela não for nobre, casem ambos, quer o homem seja nobre, quer não.
Quando alguém por força tomar a fazenda alheia, vá dar o dono querela dele à justiça, que fará com que lhe seja restituída sua fazenda.
O homem que tirar sangue a outrem com ferro amolado, ou sem ele, que der com pedra, ou algum pau, o Alcaide lhe fará restituir o dano e o fará pagar dez maravedis.
O que fizer injúria ao Agoazil, Alcaide, Portador do Rei, ou a Porteiro, se o ferir, ou lhe façam sinal com ferro quente, quando não 50 marevedis, e restitua o dano.
Estas são as leis de justiça e nobreza, e leu-as o Chanceler do Rei, Alberto, a todos, e disseram:
– “Boas são, justas são, queremos que valham por nós, e por todos nossos descendentes que depois vierem.”
E disse o Procurador do Rei, Lourenço Viegas:
– “Quereis que o Rei nosso senhor vá às Cortes do Rei de Leão, ou lhe dê tributo, ou a alguma outra pessoa tirando o senhor Papa que confirmou no Reino?”
E todos se levantaram, e tendo as espadas nuas postas em pé disseram:
– “Nós somos livres, nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertarão, o senhor que tal consentir, morra, e se for Rei, não reine, mas perca o senhorio.”
E o senhor Rei se levantou outra vez com a coroa na cabeça, e espada nua na mão falou a todos:
– “Vós sabeis muito bem quantas batalhas tenho feitas por vossa liberdade, sois disto boas testemunhas, e o é também meu braço, e espada; se alguém tal coisa consentir, morra pelo mesmo caso, e se for filho meu, ou neto, não reine”: e disseram todos: “boa palavra, morra o Rei se for tal que consinta em domínio alheio, não reine”; e o Rei outra vez:
– “Assim se faça, etc.”
Recorde-se que extinta a Casa de Avis, o trono de Portugal passou para Filipe II de Espanha, I de Portugal, e que originou a 3.ª Dinastia, a Filipina ou dos Habsburgos. Mas, entende-se então, que, de acordo com a Lei que resultou das Cortes de Lamego e o Direito Consuetudinário portugueses que Filipe, sendo um Príncipe estrangeiro, não tinha direito ao trono português, tanto mais que havia, segundo estas leis do País um candidato natural e legítimo: Dona Catarina, Duquesa de Bragança, e tal como Filipe I, neta d’ El-Rei Dom Manuel I. Dona Catarina contraiu matrimónio com D. João I de Bragança e o seu primogénito D. Teodósio II, foi o 7.º Duque de Bragança e foi pai de Dom João II de Bragança que viria a ser o Rei Restaurador Dom João IV de Portugal.
Lembre-se que a Sereníssima Casa de Bragança teve a sua fundação em Dom Afonso I, filho ilegítimo de Dom João I e de Inês Pires, uma mulher solteira. Tendo sido legitimado pelo Rei que lhe concedeu o título de conde de Barcelos, Dom Afonso contraiu matrimónio com a filha de Dom Nuno Álvares Pereira, Dona Beatriz Pereira Alvim. Mais tarde, já na regência do seu meio-irmão Dom Pedro, foi por este concedido a Dom Afonso, o título de Duque de Bragança – que por ser uma Casa cujo 1.º Duque era filho de Rei, os Duques têm numeração como os Reis.
Assim a Revolta de 1640 não viria mais do que, pondo os pontos nos is, repor e restaurar a legalidade, pois a legitimidade estava do lado de Dom João IV, enquanto neto de Dona Catarina de Bragança.
Miguel Villas-Boas

29 de novembro de 2015

É a religião, estúpido!

Não se combate a agressividade do fundamentalismo religioso com o laicismo ou a abolição das crenças, mas com mais e melhor formação para a liberdade, também religiosa, e para a solidariedade social

No rescaldo dos terríveis atentados terroristas verificados na capital francesa na passada sexta-feira, 13 de Novembro, é de supor uma reacção anti-religiosa em França e em todo o mundo livre. Depois de ultrapassada a dor inicial e a profunda indignação por tão abjectos actos, de que há tantas vítimas a deplorar, é provável uma certa relutância pela religião professada pelos terroristas e, em geral, por todas as crenças, enquanto potenciais factores de desestabilização social.

Não seria muito de estranhar que, à pergunta sobre a razão destes atentados, haja quem responda, como se de uma evidência se tratasse:

– É a religião, estúpido!

Sim, há de facto um elemento religioso na génese destes crimes, mas seria superficial e injusto considerar que, em geral, todas as religiões ou, em particular, a islâmica, são de facto incompatíveis com a sociedade democrática e pluralista. As generalizações, que são tão redutoras como sedutoras, são também muito perigosas. Um judeu, que seja assassino, não faz criminoso todo o seu povo, como um árabe terrorista também não converte em homicidas os seus compatriotas.

Aliás, há muitos muçulmanos que não se revêem naquele extremismo, por muito que este se afirme devoto de Alá e do seu profeta. Por maioria de razão, as outras religiões não têm por que ser objecto de suspeição, por muito que nos doa, e certamente dói, que uns terroristas, invocando o santo nome de Deus, tenham morto dezenas de cidadãos franceses, como já antes acontecera em Londres, Madrid e Nova Iorque. Pior ainda foi a terrível matança de duzentas crianças sírias, agora noticiada, com imagens que não é possível ver sem um estremecimento de horror.

Há quem queira aproveitar-se destes gravíssimos acontecimentos para exigir uma sociedade laica e intolerante para com todas as religiões, na medida em que este tipo de agressões pode ocorrer em qualquer parte. É verdade que sempre houve grupos religiosos fundamentalistas, cujas práticas foram, ou são, profundamente perturbadoras da paz. Mas seria fazer o jogo dessas facções reconhecer como autêntica a sua religiosidade que, na realidade, mais não é do que um disfarce para o seu criminoso propósito.

Os movimentos terroristas dos anos 70 – recordem-se as Brigadas Vermelhas e o grupo Baader-Meinhof, por exemplo – também se apresentavam com a pretensa legitimidade de quem age em nome da justiça social, como exércitos revolucionários ao serviço do proletariado. Mas essa fachada mais não era do que o pretexto para uma prática assassina, responsável pela morte de inúmeras vítimas inocentes.

Será que a motivação, essencialmente política, desses movimentos terroristas é suficiente para crer necessariamente conflituosa a intervenção pública dos cidadãos e portanto que, a bem da paz e da segurança dos povos, há que abolir essa participação, ou seja, a democracia?! Foi, de facto, assim que procederam os diversos totalitarismos, quer de direita, como o fascismo e o nazismo, quer de esquerda, como o comunismo. Mas esse seria um remédio pior do que a doença: não se vence o terrorismo com o totalitarismo, mas com mais e melhor democracia. É saudável a diversidade de pontos de vista políticos, desde que não afecte as liberdades, direitos e garantias fundamentais.

Não será exagerado afirmar que o regime democrático pluralista, tal como acontece na quase totalidade dos países europeus, é um legado da matriz cristã da sua cultura. Como disse Bento XVI, no Bundestag, “foi na base da convicção da existência de um Deus criador que se desenvolveu a ideia dos direitos humanos, a ideia da igualdade de todos os homens perante a lei, o conhecimento da inviolabilidade da dignidade humana de cada pessoa e a consciência da responsabilidade dos homens pelo seu agir”. Outros povos, que não tiveram este antecedente cristão, também não têm hoje uma tão arraigada prática democrática, nem uma tão consistente vivência dos direitos fundamentais. Não se combate a agressividade do fundamentalismo religioso com o laicismo, nem muito menos com a abolição das crenças, mas com mais e melhor formação para a liberdade, também religiosa, e para a solidariedade social.

Portanto, se é inegável que o factor religioso está relacionado com algumas manifestações espúrias de violência, também é verdade que, principalmente, inspira uma cultura da liberdade e da responsabilidade cívica, patente em inúmeras instituições de assistência social e de serviço aos mais desfavorecidos. À pergunta sobre a razão de tantos hospitais, tantos asilos e orfanatos, tantas creches, escolas e universidades, tantas leprosarias, dispensários médicos e lares de terceira idade cristãos, há que responder como dizia o outro:

– É a religião, estúpido!

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

Fonte: Povo

27 de novembro de 2015

Quebra Selo de Armas de D. Pedro V

Cerimónia Quebra Selo


Em 26 de Novembro de 1861, como mandava o Protocolo, completando-se precisamente 15 dias sobre o falecimento de Sua Majestade Fidelíssima El-Rei O Senhor Dom Pedro V de Portugal houve lugar à Cerimónia da Quebra dos Escudos com as Armas Reaisde D. Pedro V.
No Terreiro do Paço, com os varandins dos edifícios enlutados, sob a sombra da estátua do Rei Dom José I, uma multidão assiste ao curioso e triste cerimonial. Cercados pelo Povo, que a fatalidade fizera perder a ‘sua Esperança’, o Meirinho a cavalo com o Pavilhão Real encoberto por crepes negros de tecido leve e transparente e os oficiais da Casa Real com mantos negros a cobrir os uniformes e as espadas e espadins de gala, de cabeça abrigada com enormes chapéus de abas largas e com enormes fitas negras a cingi-los, assistiam à quebra dos selos com as Armas Reais do Monarca falecido. O Mordomo-mor fardado e com fumos negros no braço, enquanto profere um pregão, segura o Selo com as Armas Reais e bate-o, com força bastante, sobre o espaldar de uma cadeira de madeira maciça, partindo-o – no Paço, haviam sido da mesma forma inutilizados, primeiro cortados em cruz e depois destruídos a martelo, o anel de brasão do Rei e o selo de ferro com que eram autenticados os documentos oficiais. Seguem-se as armas pessoais de Dom Pedro com os Brasões das duas famílias: Bragança e Saxe-Coburgo-Gotha.
Da mesma forma, como mandava a tradição, a igual cerimónia pública, procedem todas as cidades do continente e dos territórios do Império sob administração portuguesa.
‘O Rei morreu! Viv’ó Rei!’, a partir deste momento passariam a ser usados e a ter exclusivamente validade novos Selos de Armas oficiais do novo Rei Dom Luís I.
Miguel Villas-Boas

26 de novembro de 2015

Jantar dos Conjurados 2015

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Irá realizar-se no próximo dia 04 de Dezembro, no Hotel Palácio Estoril, o tradicional Jantar dos Conjurados promovido pela Causa Real. Este evento assinala a importância e o significado da Restauração da Independência de Portugal, acontecimento histórico que os monárquicos portugueses gostam de celebrar com a sua Família Real.
Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte lerá uma Mensagem aos Portugueses às 19:00, seguindo-se o jantar com a Família Real.
Parte da receita do jantar reverterá a favor do Convento dos Cardaes – Associação Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos.
Será leiloada uma bandeira histórica que pertenceu ao Comandante Paiva Couceiro, com base de licitação de € 250,00.
As inscrições serão feitas, como de costume, presencialmente na sede da Real Associação de Lisboa (15:00-18:00) ou através de correio electrónico: secretariado @ reallisboa.pt.
Os ingressos, que poderão ser pagos e levantados no mesmo horário, têm o valor de:
  • € 45,00 Adultos
  • € 25,00 Jovens (até aos 30 anos e membros da Juventude Monárquica Portuguesa, até ao limite de cem)
Mais informações pelo telefone 213 428 115.

25 de novembro de 2015

O 40º ANIVERSÁRIO DO 25 DE NOVEMBRO (DE 1975)


“Quem o inimigo poupa, às mãos lhe morre”.
Provérbio português (muito antigo).

Está à porta…
Mais uma vez os órgãos de soberania, não parecem estar tentados a comemorar o evento. E os órgãos de comunicação social, na sua esteira, usarão a lógica do politicamente correcto e noticiarão, maioritariamente, a efeméride com algum fastio.
Sem embargo, a data é de facto importante, uma das mais importantes do século XX português. [1]
A razão é simples, por ter afastado a hipótese – na altura muito real – de ser implantada uma ditadura comunista e “esquerdoíde”, em Lisboa e a Sul do Tejo.
No resto do país, incluindo ilhas, tal seria impossível.[2]
Tenho para mim, que todos os cursos de promoção a oficial superior e general (idem para os sargentos), não direi desde então, mas desde 1982, data da “normalização” da vida política nacional, com a extinção do Conselho da Revolução, do Pacto MFA-Partidos e a entrada em vigor da Lei 29/82 (Lei da Defesa Nacional e das Forças Armadas) – deveriam começar com a projecção de vários filmes, a saber: o cerco à Embaixada de Espanha e da Assembleia Constituinte[3]; o escabroso “juramento de bandeira”, de punho fechado, no Ralis, a 21/11/75, e a proclamação dos oficiais revolucionários, efectuada no dia anterior, do varandim do jardim do Palácio de Belém, fronteiro à Praça Afonso de Albuquerque.
Por último, o filme sobre a ocupação selvagem da Herdade da Torre Bela, ocorrida a 23/4/75.[4]
Tudo isto se passou no ano da graça de N.S.J.C., de 1975, mais propriamente entre o 11/3/75 e o 25/11/75, período conhecido como “Processo Revolucionário em Curso”(PREC), embora as suas raízes tivessem começado logo no dia 25 de Abril de 1974, data em que uma pequena percentagem da oficialidade decidiu tomar conta do Poder e substituir o regime então vigente (os sargentos e cabos não se envolveram na organização do golpe, ao contrário do que ocorreu, por ex., na implantação da República).
A razão por que defendo este início de actividades lectivas é simples: para que o corpo de oficiais e sargentos das Forças Armadas Portuguesas tome consciência do descalabro gigantesco; do grau de ignomínia alcançado e de como se destruiu uma Instituição Militar magnífica a qual, apenas poucos meses antes, tinha 230.000 homens, espalhados por quatro continentes e outros tantos oceanos, e se batia galharda e competentemente, em três teatros de operações distintos, separados por milhares de quilómetros entre si e a “Metrópole”, que era a sua base logística principal.
E faziam-no sem desfalecimento, há 13 anos.
Não há na História de Portugal, desde Afonso Henriques, feito que se lhe iguale.
Esta descida aos infernos – foi disso que se tratou – provocou em poucos meses, a quase destruição da Marinha, do Exército e da Força Aérea, sendo directamente responsável pela alienação em termos vergonhosos – nunca também historicamente igualados – de 95% do território nacional e 60% da sua população.
É fundamental que o corpo de oficiais e sargentos, tenha isto presente sempre, para que jamais permita que tal se possa repetir ou assemelhar!
Ainda hoje sinto profunda vergonha e revolta, por tudo o que se passou e a Instituição Militar não conseguiu até ao momento, recuperar de tudo o que ocorreu e dar-se ao respeito, e está a desaparecer em grande parte por causa disso.
Até porque não soube, não quis, ou não pôde, separar o trigo do joio justamente a seguir ao 25 de Novembro de 1975.
Tivemos, no fim, alguma sorte, pois a parte mais sã das Forças Armadas; a realidade geopolítica internacional, de então (estávamos prestes a atingir o último pico da Guerra Fria) e a índole do povo português, permitiu que as operações realizadas a 25 de Novembro de 1975 terminassem com a vitória do Bem sobre o Mal.
Foi sobretudo disso que se tratou!
Porém foi uma vitória parcial, em muitos casos, ilusória.
Vejamos:
É costume ouvir dizer-se que o 25/11 foi o marco que permitiu a concretização dos ideais de Abril.
A questão está mal colocada.
A realidade é que só se teve que fazer o 25/11 porque houve o 25/4…
O descalabro começou no próprio dia do golpe, quando os autores do mesmo, numa atitude de inacreditável ingenuidade e ignorância das realidades da geopolítica, da História e da natureza humana, deitaram tudo a perder, não declarando o estado de sítio, deixando, desse modo, vir a população para a rua.
De seguida, começaram a prender-se e a sanear-se, mutuamente, sem critério.
Tudo isto no meio duma guerra…
O resultado foi que os tais ideais de Abril – que tinham pouco a ver com os que acabaram por ficar nos livros de História – acabaram por ser consubstanciados no Programa do Movimento das Forças Armadas. Programa que nunca foi cumprido pela anarquia que se instalou no País.
Mas, após o 25/11, foi a vez das forças vencedoras revelarem quão pouco tinham aprendido com o que se tinha passado.
E permitiram que as forças causadoras de todos os males e que queriam objectivamente instaurar um estado totalitário no país, pela via revolucionária – ou seja, um conglomerado inacreditável de desvairados "esquerdoídes" e o Partido Comunista, que de português nunca teve nada – recolhessem em boa ordem de marcha, a quartéis e ganhassem, posteriormente, respeitabilidade democrática.[5]
Ora, devia ter-se aproveitado a ocasião para pura e simplesmente, proibir estas forças políticas de existirem à face da lei, pois isso era o mínimo que estas fariam a todos os outros, se porventura tivessem alcançado o Poder. Foi isso, aliás, o que fizeram, mais um rol extenso de barbaridades, que faz ter saudades do Tamerlão, sempre que tiveram oportunidade, e em qualquer parte do mundo.
E que se saiba, nenhuma dessas forças, até hoje, declarou publicamente ter renunciado a quaisquer práticas golpistas!
Sem embargo, não se coibiram de ilegalizar todos os partidos ou agrupamentos tidos por “Fascistas” – apesar de não haver nenhum, desde que o Professor Salazar esvaziou os nacionais sindicalistas de Rolo Preto, nos anos 30…
E deviam ter colocado, outrossim, atrás das grades, o então Presidente da República Costa Gomes, personalidade que até ao fim da vida andou, aparentemente, a fazer jogo duplo ou triplo com todo o mundo.
Em vez disso veio a ser promovido a Marechal…
Mais tarde veio-se a reintegrar todos aqueles que à esquerda, ao centro ou à direita tinham sido “saneados”, e com retroactivos (na tropa foram quase todos promovidos a coronel ou a sargento-chefe e até se abriu uma excepção para oficial general…) tudo se passando sem quaisquer julgamento e com critérios muito duvidosos. [6]
Ao invés, meteu-se tudo no mesmo saco e permitiram-se situações incríveis.
Tenta-se justificar esta actuação pela necessidade de apaziguar a sociedade portuguesa, mas não vejo como, gerar injustiças sobre injustiças, possa apaziguar seja o que for.
Alcandoraram-se (e condecoraram-se) uma cáfila de traidores, desertores e, até criminosos de delito comum, a funções de responsabilidade, com a justificação que combatiam a “ditadura” e o “fascismo”, confundindo conceitos e actuações, ou querendo fazer crer que na luta política vale tudo.
Despejaram em seguida subsídios para cima das pessoas; pois bem o país entrou em bancarrota e o dinheiro acabou.
A aceitação do PCP e dos "esquerdoídes", se assim lhes podemos chamar, na vida democrática, também é explicada pela necessidade de inclusão e pela “superioridade moral” da Democracia.
Ora isto parece-me tudo uma falácia, pois nem “eles” se querem incluir em coisa alguma; a sua prática enquanto poder nunca foi democrática (aliás o que é que se entende por Democracia?) e a sua ideologia é, provadamente incompetente, anti - natural e anti - humana.
Aqui não há, pois, superioridade moral, alguma, há é falta de senso, cobardia e estupidez!
E quase toda a gente embarcou nisto: os restantes partidos políticos – que não passam de aprendizes – de - feiticeiro, comparados com o PC – confiados não se sabe bem em quê, deixaram de fazer, sequer, luta ideológica, sobretudo a partir da queda do Muro de Berlim, em 1989;
A Instituição Militar foi sendo sucessivamente menorizada, desmontada e reduzida à ínfima espécie, e não conta hoje, para nada;
A Igreja é atacada no Ocidente por todos os lados, anda aperreada de receios e pouco firme nos princípios – precisa de apanhar um susto, para ver se acorda;
A Maçonaria está impante mas, como sempre também, minada por divisões de capela e por “irmãos” mais interessados em negócios, do que em rituais e trabalho de casa, além do que têm sido ultrapassados pela burocracia de Bruxelas, “Grupo de Bilderberg” e afins, e pelos poderes mais finos, do capital apátrida;
Os “parceiros sociais” entretêm-se em se anular uns aos outros, em vez de serem complementares;
Alguns “centros de reflexão” com gente preocupada e diferenciada têm, por norma pouca expressão, chovem no molhado, convertem convertidos, mas não dão as mãos em nada. Às vezes bicam-se.
Em comum, têm querer ser considerados bem comportados e refastelarem-se com umas garfadas, devidamente regadas.

A população, em geral, tem a memória curta – os jovens nem têm memória de nada! – e, por norma, não se querem chatear com coisa alguma;
Está feito o quadro.
A Nação Portuguesa, essa, anda à deriva e não se sente.
Como corolário do provérbio da citação inicial, o PC e os tais “esquerdoídes” – que odeiam tanto a sociedade que a querem andar sempre a mudar – estão 40 anos depois, (quase) no governo [7].
E condicionaram todos os anteriores.
Ainda hoje não se consegue mudar a Constituição, eivada de erros…
Pergunta-se: neste 40º aniversário do 25/11 – cuja vitória em termos militares, se deve essencialmente, às tropas “Comando” e às Esquadras de Voo, da Força Aérea – vai comemorar-se exactamente o quê?




                                                                     João José Brandão Ferreira
                                                                     Oficial Piloto Aviador


[1] As diferentes conferências e colóquios que tem havido um pouco por todo o país têm sido, ao que sei, da iniciativa de entidades da chamada sociedade civil.
[2] Enfim, nunca se sabe, os Liberais apenas tinham 7.000 homens e poucos navios e venceram a Esquadra Portuguesa de então e os 90.000 H de D. Miguel…
[3] Ocorridos, respectivamente, em 27/9/1975 e 12/11/75.
[4] O filme foi rodado entre 1975 e 1977, e realizado pelo alemão Thomas Harlan. É uma co - produção portuguesa, italiana e alemã e existem quatro versões. A versão final estreou no cinema “King”, em Lisboa, em 2/8/2007.
[5] O PCP, partido fundado em 1921, nunca foi um partido “português”, pois esteve sempre ao serviço de uma potência estrangeira, a União Soviética, que sempre foi hostil a Portugal. Foi um partido internacionalista, directamente controlado pelo chamado Partido Comunista da União Soviética (PCUS), até o regime dos Bolcheviques ter implodido, na época Gorbatchev. Regime que apoiava directamente os movimentos independentistas que nos emboscavam as tropas. Isto costuma ter um nome…
Aliás, o PC já podia (e devia) “encolher as unhas” pois a sua grande missão estava realizada: Portugal tinha saído miseravelmente de África e o poder entregue aos movimentos marxistas e apenas a esses.
[6] E, neste âmbito, não se tratava de julgar as pessoas pelos seus ideais políticos, mas quem tinha cometido crimes ou não se tivesse conduzido “pelos ditames da Virtude e da Honra”.
[7] Mal comparado, estamos a fazer o mesmo agora com a vaga de “migrantes”. Ou seja a deixá-los entrar em catadupa e sem critério. Daqui a (menos) 40 anos falaremos.

Fonte: O Adamastor

16º ANIVERSÁRIO DE S. A. O INFANTE D. DINIS DE SANTA MARIA



Para o nosso Infante Bem-Amado, que hoje celebra o seu aniversário, pedimos a Deus que lhe dê longa Vida, Saúde, Sucesso, Felicidade e muito Amor.
Agradecemos a alegria que SS. AA. RR. Os Duques de Bragança deram a Portugal ao brindarem a Pátria com os nossos Queridos três Infantes. Neles depositamos a Esperança para o Futuro deste cantinho à beira-mar plantado.


VIVA O DUQUE DO PORTO!
VIVA A FAMÍLIA REAL!
VIVA PORTUGAL!

23 de novembro de 2015

Fascínio Por El-Rei

Fascínio Rei Dom Manuel II


‘A antiga fascinação exercida nos espíritos pelo poder dos reis e poder dos exércitos tem sido igualmente atenuada pelo poder superior que modernamente se reconhece ter essa coisa impessoal chamada dinheiro’, escreveu o atento Ramalho Ortigão.
É verdade que nenhuma outra instituição causa e causava mais fascínio que a Real: o Rei é a encarnação da Pátria, da História de uma Nação milenar, que pelo engenho e pela conquista traçou as fronteiras na Península e pela imaginação e curiosidade das caravelas dilatou o Império.
Desventurados os Povos que não têm História, pois não ter História é quase não ter Nação; é quase não ter Pátria. Felizes, ao contrário, aqueles que têm História, e que têm um Rei para encarná-la; o Rei personifica a Nação e como tal tem o precioso dom único de encarnar a sua História que nos é dado o júbilo de a recordar naquela figura humana, o Rei é a nascente inesgotável e intensa das energias sociais e anímicas da Nação. Ali passavam 771 anos de Nação, de Reino; de Portugal que respira perto de nós, porque a cada passo que o Rei dá, sente-se atrás de si, o rastro da própria imortalidade da Pátria e, como tal, da própria perpetuidade de um Povo.
Foguetes a arrombar nos céus, faixas e bandeiras a pender nas árvores, mantas coloridas nas janelas, tudo sinais com que as multidões compactas acolhiam o Rei. Era a comunhão entre Rei e Povo, repristinação dos primórdios da nacionalidade organizada sob o modelo daquela Monarquia tão democrática; o Elo natural que só as revoluções, de uma minoria que se apropriou dos meios de força e coacção, conseguiu quebrar. O Rei é amado pelo Povo, mas temido e odiado pelos minúsculos do seu tempo, como o são aqueles cujo exemplo acorda remorsos e cuja palavra obriga a corar.
‘E cada página destas se devora com paixão, como se os novos se quisessem consolar da mediocridade inglória da república burguesa revendo, pela imaginação, as aventuras, as marchas, as vitórias, as fanfarras da epopeia imperial’, reiterava assim, esse fascínio, Eça de Queiroz in Notas Contemporâneas – Positivismo e Idealismo.
Efectivamente, nunca a criação republicana burguesa animará e fascinará o Povo da mesma forma que a Presença do Rei e nunca despertará uma exuberância emocional semelhante com qualquer matéria relacionado com a Monarquia.
Existe uma afabilidade transversal, difusa entre as pessoas que provoca um interesse atento e permanente a tudo o que são assuntos reais. Essa é a qualidade original e exclusiva da Realeza: garantir a continuidade da realização do projecto nacional. A mística real é fruto da relação instantânea e afinidade natural que se estabelece entre o Rei e o seu Povo, vínculo inquebrantável desde a Fundação.
A que razões atribuir, hoje, o desapego por este assunto principal, pois que por toda a parte onde existe Monarquia, prima o mesmo desenvolvimento? – Talvez que ao delírio aberrativo da «bola» que consome, totalmente, o dinamismo das idades naturalmente irrequietas e desvia as jovens atenções, do culto pelo Rei para o culto do esférico… foi trabalho hábil, esse, mas que neste País dado sempre a possíveis exageros, ameaça abafar o patriotismo bem orientado; orientado por um Rei.
Miguel Villas-Boas

22 de novembro de 2015

49º ANIVERSÁRIO DE S.A.R., A SENHORA DONA ISABEL DE BRAGANÇA



Neste dia abençoado por Deus, desejamos a Vossa Majestade longa Vida, Saúde, Paz, Amor e Alegria junto da Vossa Real Família, Bem-Amada por todos nós.
Que Deus A Guarde e lhe dê toda a força para vencer.
Feliz Aniversário.




VIVA A NOSSA RAINHA!
VIVA A FAMÍLIA REAL!
VIVA PORTUGAL!

20 de novembro de 2015

Independência

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Àqueles que criticam o posicionamento do Chefe da Casa Real Portuguesa em face da actual crise: O rei não pode ser o reflexo dos meus desejos e sensibilidades. O rei não pode entrar em conflito com os partidos (deputados) do parlamento de que não gosta - o cidadão pode. O rei não faz política partidária - o cidadão deve. Quem não percebe isto, quem quer o "seu" rei, é simplesmente republicano. Só tem de apoiar o candidato do seu partido a ver se ele ganha nas urnas. O magistério do rei é muito superior a estas questiúnculas. O Rei só se deve pronunciar sobre questões que toquem a sua consciência ou naquelas em que pressentir choque com a cultura social predominante.O seu principal capital tem de ser a independência e o exemplo de vida.

João Távora

19 de novembro de 2015

Semipresidencialismo em discussão

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Quarenta anos passados sobre a consagração do semipresidencialismo pela Assembleia Constituinte de 1975, e a escassos meses de mais uma eleição presidencial, importa discutir as vantagens e inconvenientes do presente modelo de Chefia de Estado.
É o que se propõe a Real Associação de Lisboa fazer no dia 21 de Novembro de 2015, a partir das 15:00, no Auditório da Biblioteca Nacional, ao Campo Grande, ouvindo a Doutora Marina Costa Lobo e os Profs. Doutores José Adelino Maltez e Lourenço Vilhena de Freitas. A entrada é livre.

João Távora

Fonte: Corta-fitas

18 de novembro de 2015

O Duque de Bragança comparou o impasse político português ao caso belga, onde foi pedida orientação ao rei.



O Herdeiro do trono, S.A.R. D. Duarte Pio de Bragança, diz que, no lugar de Cavaco Silva, daria posse ao governo minoritário do PS, embora entenda que há riscos.
Em declarações à Renascença, o chefe da Casa de Bragança não dá uma resposta imediata à questão sobre o que faria na posição do Presidente da República. Mas conclui: “Certamente, daria posse a António Costa. Podemos não concordar com a situação, mas a lei é lei”.
"Se os partidos que se juntaram ao PS garantirem uma governação estável, a Constituição expressa o direito de formarem um Governo."
Embora a solução que se desenha possa deixar "a comunidade internacional e, sobretudo, os meios financeiros preocupados e assustados, por parecer que estamos a seguir a utopia e a falta de realismo, como aconteceu com a Grécia”, D. Duarte não vê perigo nos acordos da esquerda por entender que “é saudável para a democracia portuguesa que partidos com ideias diferentes e que, desde a sua existência, só estiveram na oposição, sejam capazes de se responsabilizar” por um novo Governo.
O chefe da Casa de Bragança tem esperança que os acordos partidários à esquerda originem a estabilidade política de que o país precisa e manifesta a sua confiança, em particular, no PCP: “Eu tenho confiança na seriedade do Partido Comunista, embora tenham umas teorias que estão bastante longe da realidade. No entanto, o sentido pragmático pode levá-los a dar a estabilidade ao Governo. Do Bloco de Esquerda, não sei.”
A solução de um governo de gestão não agrada ao duque de Bragança porque há uma maioria parlamentar a suportar o Governo. “Eu acho que, se não houvesse uma maioria que garantisse a estabilidade governativa, faria todo o sentido recorrer a um governo de gestão”, declara.
O Herdeiro do trono de Portugal lembra ainda que, "na Bélgica, aconteceu uma situação semelhante", de impasse político, e "durante um ano e tal, não houve um acordo para um Governo", mas "com a orientação do rei, o país andou muito bem e não houve problemas de maior”.
Fonte: RR