28 de dezembro de 2016

Mensagens Reais de Natal 2016

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Com altíssimos shares de audiências nas televisões que as emitem, as mensagens de Natal dos Monarcas europeus são um êxito porque transparecem a ideia de credibilidade.
O Povo britânico, o Povo espanhol, o Povo holandês, o Povo belga etc., ao assistirem com grande atenção às emissões dos discursos de Natal dos seus Reis demonstram não só interesse no conteúdo, mas têm uma forte sensação de que a mensagem é credível, pois só acreditando que o que está a ser dito corresponde à verdade e ao efectivo pensamento do monarca, justifica que as audiências sejam tão elevadas, pois ninguém, muito menos na época em que se celebra o Nascimento do Salvador, o nascimento da Verdade pode estar interessado noutra coisa que não na verdade. Ninguém perde tempo com um recado ministerial que procura vender sem magia a ilusão ou com um inócuo videotape presidencial sem conteúdo!
Os Monarcas Europeus, os Soberanos, os Chefes de Estado Hereditários, cada um por si – pois só eles e apenas eles são os Chefes de Estado – aproveitaram não só para desejar ‘Boas Festas’ao Seu Povo como para lhes transmitir esperança num futuro que cabe a todos juntos construir com Paz e Harmonia!
Quando a representação do Estado é feita por um Monarca constitucional supra-partidário, que modera todas as facções partidárias e sociais e que revela o Bem Comum para o País, existe uma unidade da representação, como representante relativamente a toda a Nação, pela simples razão que só a sucessão hereditária garante uma legitimidade que é a independência face ao poder político e uma dedicação sincera influenciada pelos princípios da Moral, da ética, do conhecimento adquiridos pela educação de uma vida de serviço, pelo acumular de experiência, e que nenhum outro chefe de Estado, que não seja Monarca, possui. As actividades de um Rei fortalecem a Monarquia e a própria Democracia, pois o Rei não é um político e como tal é livre e independente de todas as estranhas tutelas!
O Rei tem de reinar rectamente! Não há político, algum, que tenha entranhado esse sentido de Justiça, arreigado esse espírito de missão!
Ser Rei é ser Pai duma Nação!
Por isso, os Monárquicos não reconhecem mais alta magistratura do que a Real!
Sua Majestade a Rainha Elizabeth II do Reino Unido, na sua 64ª emissão anual de Natal, reflectiu sobre ‘Inspiração’ e afirmou muitas vezes retirar força quando encontra pessoas comuns que fazem coisas extraordinárias: ‘Voluntários, cuidadores, os organizadores da comunidade e vizinhos; heróis desconhecidos cujo silêncio dedicação as torna especiais. Eles são uma inspiração’.
Sua Majestade o Rei Filipe VI de Espanha falou para toda a Nação, e incidiu o foco nas questões sociais, mas também, defendeu o primado da Lei e do Direito, lembrando que ‘ninguém está acima da Lei’.
Importantes e fortes mensagens, bem diferentes do desfiar de lugares comuns das mensagens dos políticos republicanos que enchem o peito para dizer que representam o País, quando na verdade defendem apenas as agendas dos seus partidos e das suas ideologias.
Por isso só os Reis ao falarem na 1.ª pessoa do plural ‘Nós’, o dito Plural Majestático ou Pronome Real, o fazem com verdadeira e real noção do Seu papel de representarem todos e toda a Nação, represtinando a forma de se dirigir à Nação iniciada pelo Rei Luís XIV de França.

Miguel Villas-Boas

27 de dezembro de 2016

Elogio do Natal consumista

Não, falsos apóstolos do anti-consumismo, não nos roubem o Natal. A religião cristã é festa e alegria, em todos os dias e para toda a eternidade, mas sobretudo no dia que celebra o nascimento de Jesus

Sempre que chega o Natal, ouvem-se as velhas vozes de novos profetas insurgindo-se contra o consumismo que, ao que parece, ataca de forma particularmente virulenta nesta época final do ano. Mas, toda a eloquência das suas invectivas moralistas não logra embaciar o brilho desta festa que a todos, sem distinção de religiões ou raças, nos toca e desperta para a grande alegria do Natal, a festa de Deus connosco! A religião cristã é festa e alegria, agora e para toda a eternidade, mas sobretudo nos abençoados dias em que o calendário litúrgico solenemente celebra o nascimento de Cristo para a vida terrena e, depois, na festa gloriosa da páscoa da sua ressurreição, o seu definitivo nascimento para a vida eterna!
Não é preciso ser teólogo, nem sequer crente, para compreender a necessidade do Natal! O nosso mundo, os nossos países, as nossas cidades, as nossas empresas, as nossas famílias e todos nós precisamos, absolutamente, do Natal. Não foi certamente por acaso que um recente e lamentável ataque terrorista, em Berlim, teve como alvo, precisamente, uma feira de Natal. Se um terrorista, que é, por definição, um inimigo da civilização, ataca o Natal desta forma hedionda é porque, também ele, de algum modo, reconhece que nenhuma outra festa do que a universal celebração do nascimento de Cristo é tão emblemática da cultura europeia. Por isso, defender o Natal é defender também o que de melhor há na cultura ocidental. E, se não for possível fazê-lo sem consumismo, pior para o consumismo!
É verdade que o consumismo materialista não é uma prática coerente com a fé cristã, mas talvez não seja excessivamente ousado afirmar que, de algum modo, Jesus Cristo foi o primeiro ‘consumista’. Com efeito, as suas últimas palavras, antes de expirar na Cruz, foram: “Tudo está consumado!” (Jo 19, 30). Um pouco antes, o evangelista que o Senhor amava, introduzindo o seu relato evangélico da paixão, morte e ressurreição de Cristo, dissera: “sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo ao pai, tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até ao fim” (Jo 13, 1). O Natal é um convite a este ‘consumismo’: uma excelente ocasião para nos consumirmos no serviço dos outros, sobretudo dos que nos são mais próximos, ou estão mais necessitados.
Mas … e os pobrezinhos?! Esta é, decerto, a mais recorrente crítica ao consumismo natalício e, porventura, a mais consistente. Como podem os cristãos montar presépios, quando há tantas pessoas que nem um tecto têm para se abrigar?! Como se podem sentar a uma mesa cheia de apetitosas iguarias, se tantos há, também a seu lado, que nem sequer têm uma sopa e um pouco de pão para dar aos filhos?! Como se atrevem a oferecer e receber presentes, mais ou menos fúteis, se tantos há que carecem até do que é mais indispensável?! Não seria muito melhor converter todas as despesas de tão inúteis comemorações em benefícios sociais para os que mais precisam?
Razão não falta a esta tão aparentemente caridosa e pertinente objecção contra o Natal consumista. Pena é que reproduza, ipsis verbis, a argumentação de Judas Iscariotes, o traidor, quando censurou asperamente o consumismo de Maria, a irmã de Lázaro, que ungira o Senhor com “uma libra de perfume feito de nardo puro de grande preço”: “Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários para se dar aos pobres?!”. “Disse isto – esclarece o evangelista – não porque se importasse com os pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, roubava o que nela se deitava” (Jo 12, 1-8). E Jesus não censurou o consumismo da irmã de Lázaro, mas a avareza do apóstolo traidor.
Os modernos profetas do anti-consumismo natalício, que tanto abundam, também nas publicações católicas, na realidade são réplicas, mais ou menos exactas, do irmão primogénito do pródigo. Também ele, cheio de razões sem razão, se insurgiu contra o consumismo desenfreado do pai, que deu ao filho mais novo o vestido mais precioso, um anel no dedo e sandálias nos pés. Para esse filho pródigo, mandou até matar o vitelo gordo e organizou uma grande festa, a que nem sequer faltaram a música e os coros! E, ante a indignação do filho mais velho, despeitado por aquele escandaloso consumismo, o pai disse-lhe: “Era justo que houvesse banquete e festa” (Lc 15, 11-32).
Não, falsos apóstolos do anti-consumismo, não nos roubem o Natal! Não nos tirem a festa! Não silenciem as músicas, nem calem os coros, porque são anjos que nos anunciam o nascimento do Senhor! (Lc 2, 13-14). Não nos excluam dessa mesa a que o Pai dos céus a todos convida! (Lc 14, 15-24). O Natal não exclui ninguém: Deus veio ao mundo para os bons e para os que o não são, para os fiéis e os pagãos; para todos, sem excepção.
Porque, como veio Deus ao mundo? Não veio como Deus, para que a sua santidade não afugentasse os pecadores. Não veio como omnipotente, para que o seu poder não atraísse os ambiciosos, nem afastasse os tímidos. Não veio como sacerdote, para que os não crentes, ou crentes noutras religiões, não fossem excluídos. Não veio como rei, para que não se impusesse aos seus súbditos pela força. Não veio como mestre, para que também os soberbos o pudessem aceitar. Não veio como sábio, para que também os ignorantes o pudessem compreender. Não veio como herói, para não humilhar os cobardes. Não veio como vencedor, para não envergonhar os derrotados. Não veio como rico, para não intimidar os pobres.
Então, como veio aquele que, antes de nascer e até de ser concebido, já era rico, vencedor, herói, mestre, rei, sacerdote e omnipotente, como Deus que é desde sempre?! Veio como ínfima criança, para que todos os homens e mulheres do mundo, qualquer que seja a sua virtude ou vício, o possam contemplar e amar. Porque não há ninguém, por melhor ou pior que seja, que, diante da fragilidade de um recém-nascido, não seja capaz de se comover e de sorrir. Santo Natal!
Fonte: Observador

22 de dezembro de 2016

Fotos: Jantar dos Conjurados 2016



O tradicional Jantar dos Conjurados promovido pela Causa Real realizou-se mais uma vez para assinalar a importância e o significado da Restauração da Independência de Portugal, acontecimento histórico assinalado com o feriado de 1 de Dezembro (1640) e que os monárquicos portugueses gostam de celebrar com a sua Família Real.

O jantar dos Conjurados foi precedido por uma mensagem de Sua Alteza Real, O Senhor Dom Duarte de Bragança aos portugueses.

Foi ainda realizado um leilão de obras de artistas portugueses conceituados com  receitas a favor das Missionárias da Caridade.









Fonte: Lux

21 de dezembro de 2016

“Considere uma Monarquia, América”. de Nikolai Tolstoy no NYT

Por NIKOLAI TOLSTOYNOV. 5, 2016New York Times
«Southmoor, Inglaterra
Como um estrangeiro com dupla cidadania britânica e russa, não devo comentar longamente sobre os méritos dos candidatos rivais para a presidência dos Estados Unidos. Mas parece incontroverso dizer que nenhum parece ser um Washington ou um Lincoln, e que a presidência electiva está a passar por um exame cada vez mais crítico.
Que o seu chefe de Estado deve ser eleito pelo povo é, imagino, a visão inata de quase todos os cidadãos americanos. Mas, nesta hora de inquietação, eles podem muito bem perguntar se, por toda a sabedoria dos pais fundadores, seu sistema republicano de governo os está a levar realmente àquela prometida “união mais perfeita”.
Afinal, nossos primos americanos só têm de dirigir o olhar para o seu vizinho do norte para encontrar, no Canadá satisfeito, uma nação que tem para seu chefe de Estado um monarca hereditário. Apenas esse exemplo demonstra que a democracia é perfeitamente compatível com a monarquia constitucional.
De facto, a história moderna da Europa demonstrou que os países que têm a sorte de desfrutar de um rei ou de uma rainha como chefe de Estado tendem a ser mais estáveis e mais bem governados do que a maioria dos estados republicanos do continente. Da mesma forma, os ditadores demagógicos sempre se mostraram hostis à monarquia, porque a instituição representa uma alternativa perigosamente venerada às suas ambições.

Winston Churchill escreveu, em 1945, sobre o que levou à ascensão da Alemanha nazi: “Esta guerra nunca teria chegado se nunca, sob pressão americana e pressão de modernização, tivéssemos expulsado os Habsburgos da Áustria e da Hungria e dos Hohenzollern para fora da Alemanha. 
“Ao fazer esses vazios”, continuou ele, “demos a abertura para o monstro hitleriano rastejar para fora do esgoto para os tronos vazios”.
Para ser justo com a influência “americana e modernização”, uma consideração semelhante levou o presidente Harry S. Truman e o general Douglas MacArthur a preservar a monarquia japonesa no final da Segunda Guerra Mundial. Esta sábia política permitiu a notável e rápida evolução do Japão para a próspera e pacífica sociedade democrática desde então.
Sem dúvida, republicanos entrincheirados responderão que os governantes hereditários podem revelar-se loucos ou maus. Mas as democracias também têm dinastias. A América pode ter jogado fora o jugo do rei George III, mas os americanos escolheram ser governados por George Bush II. É salutar lembrar que George III quando são perdeu as colónias americanas, mas quando louco governou uma Grã-Bretanha que triunfou sobre os exércitos do (eleito) Imperador Napoleão.
Os autores da Constituição eram, sem dúvida, homens de preeminente julgamento e intelecto. Mas eles não gozavam de um monopólio de tais qualidades. Do outro lado do Atlântico, pensadores igualmente elevados argumentavam que uma monarquia era inerentemente mais estável do que uma república.
Nenhum estadista britânico era mais favorável à causa dos colonos do que Edmund Burke, mas nenhum foi mais eloquente em defesa dos benefícios da monarquia britânica.
“O povo da Inglaterra sabe muito bem”, escreveu ele, “que a ideia de herança fornece um princípio seguro de conservação e um princípio seguro de transmissão; Sem excluir um princípio de melhoria “.
Uma monarquia, por outras palavras, empresta a uma ordem política um elemento vital de continuidade que permite uma reforma gradual. O Estado de Direito é assim garantido pelo respeito à autoridade – como o Dr. Johnson aconselhou Boswell: “Agora, Senhor, que o respeito pela autoridade é muito mais facilmente concedido a um homem cujo pai o teve, do que a um iniciante e assim a sociedade É mais facilmente suportado. ”
Seu contemporâneo, o historiador Edward Gibbon, pesou os sistemas rivais e desceu com agressividade característica em favor de um soberano hereditário. “Podemos facilmente inventar formas imaginárias de governo, nas quais o ceptro será constantemente concedido aos mais dignos, pelo livre e incorrupto sufrágio de toda a comunidade”, escreveu ele, mas “a experiência derruba esses arejados tecidos”.
A vantagem da monarquia é que a instituição “extingue as esperanças da facção”, elevando-se acima do partidismo tóxico de partidos concorrentes e competidores eleitos. “ Para o firme estabelecimento desta ideia” concluiu Gibbon “devemos a sucessão pacífica e a administração moderada das monarquias europeias”.
Devemos lembrar que nenhum monarca britânico foi assassinado em cerca de cinco séculos, enquanto não menos de quatro presidentes americanos foram assassinados nos últimos 150 anos ou mais. Um factor a ponderar, eu sugiro.
O ponto de Gibbon é válido hoje. Muitos britânicos, por exemplo, ficariam felizes em ver aumentada a prerrogativa real em certos campos, como a distribuição de títulos e cadeiras na câmara alta do Parlamento. O uso cada vez mais venal de tais honras para o patrocínio do primeiro-ministro conduziu aos apelos para a rainha restaurar a integridade ao governo retomando a autoridade sobre o sistema.
O político francês do início do século XX, Georges Clemenceau certa vez comentou: “há duas coisas no mundo para as quais eu nunca vi nenhum uso: a glândula da próstata e o presidente da república.” Como eles contemplam a escolha antes deles esta semana , Muitos americanos podem compartilhar algo deste sentimento. Há uma alternativa.»


20 de dezembro de 2016

Portugal – que democracia é esta?!

Se o conceito de democracia perdeu hoje qualquer sentido a culpa não é minha é dos democratas. Foram eles que criaram a ilusão de que por essa via o 'povo' (outra expressão enigmática) estaria sempre bem representado! Os factos e a história revelam precisamente o contrário! E nem precisamos de ir muito longe, fiquemos por aqui, em Portugal, e vejamos como funciona (na prática) a nossa democracia!

Temos um primeiro – ministro que perdeu as eleições; temos um governo que os portugueses não escolheram nem escolheriam se lhes tivesse sido proposto durante a campanha eleitoral; temos um partido na assembleia da república, “os Verdes”, que nunca foi a votos! Isto quer dizer que em mais de trinta anos de existência ninguém sabe, nem o próprio partido saberá, qual o seu real peso eleitoral! E temos, para compor o ramalhete, um presidente da Câmara Municipal de Lisboa (natural do Porto!) que também não foi eleito!
Dir-se-à que tudo isto é legal e eu acredito. O que não acredito é que o tal ‘povo' esteja a ser bem representado.

Ainda assim estamos a falar de trocos quando comparados com o flagelo democrático que dá pelo nome de abstenção! Cuja fasquia não cessa de subir! E a pergunta impõe-se: - quem representa afinal os interesses deste ‘povo’?! A justificação mais fácil e que é comum apresentar diz-nos que a elevada abstenção é um fenómeno normal nas democracias avançadas! Justificação ridícula porque dizer isto ou não dizer nada é precisamente a mesma coisa. Outros, decerto menos democráticos, tendem a culpabilizar os faltosos e passam à frente! No entanto o problema da representação democrática mantém-se e fica por resolver!

Até que em desespero de causa há sempre uma 'alminha democrática' que se lembra de citar Winston Churchill! Um erro que convém corrigir. O antigo primeiro-ministro inglês não pode ser convocado nesta matéria. Ele falava de outra democracia! Falava no contexto de uma monarquia assente na tradição o que faz toda a diferença. Neste contexto, de facto, não há problemas de representação. E até a democracia funciona.


Saudações monárquicas


 


Fonte: Interregno

19 de dezembro de 2016

Natal Real

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Em primeiro lugar, e mais importante, a celebração do Natal é a festa do Nascimento do Salvador, do Rei dos Reis, Jesus. Mas para além disso, há uma série de iconografia natalícia que apareceu fruto do querer da realeza fossem como próprios introdutores dos costumes ou como mecenas da sua realização.
Quanto à Árvore de Natal, apesar de originária das culturas e religiões pagãs que celebravam a fertilidade da natureza recorrendo a árvores enfeitadas, a árvore de Natal, da forma que chegou aos hodiernos tempos, desenvolveu-se nos costumes dos povos germânicos cristãos, a partir do século XVI. Porém, só com a intervenção da realeza, no século XIX, é que esta tradição de enfeitar o Pinheiro de Natal, assim como a utilização das demais decorações, se estendeu à restante Europa.
Preponderante na dispersão europeia do costume foi quando, em 1846, o Príncipe germânico Albert de Saxe-Coburgo-Gotha da Casa de Wettin, marido da Rainha Vitória do Reino Unido, instalou uma Árvore de Natal no Palácio de Windsor. A enfeitar o Pinheiro, foram pendurados nos ramos, nozes pintadas de dourado, bolas coloridas, frutas cristalizadas diversas e de múltiplas cores cobertas de açúcar, pacotes de doces, enfeites de correntes de papel colorido. Flores e laços de tecido, também coloriam a árvore. Por fim, como iluminação, penduraram pequenas velas em potes de vidro cuja luz reflectia no pó de vidro espalhado para dar mais luminosidade e efeitos e contrastes de luz à árvore.
Depois, bastou uma gravura da Família Real, junto do Pinheiro de Natal, publicada na revista Illustrated London News, para a tradição se estender por todo o domínio do Império Britânico e por toda a Europa cristã.
Corria, ainda, o mesmo século XIX, quando o Rei-consorte Dom Fernando II, marido da Rainha Dona Maria II, e primo do Príncipe Albert, pois nascera Prinz Ferdinand August von Sachsen-Coburg-Gotha-Koháry, introduzir o mesmo costume no Reino de Portugal, país onde a tradição natalícia decorativa abrangia apenas o Presépio de que eram expoentes os de Machado de Castro, Barros Laborão e António Ferreira. Com o nascimento do Príncipe Real Dom Pedro e os infantes, Dom Fernando II – já Rei-consorte – começou a festejar o Natal segundo o costume germânico que experimentara durante a infância na gélida Alemanha. Para além da Árvore de Natal que enfeitava com bolas de vidro translúcidas de variadas cores e guloseimas, das coroas de advento, o próprio monarca se fantasiava de São Nicolau e distribuía prendas à família – conforme o confirmam gravuras a carvão ilustradas pelo Rei-artista. Depois, até o costume se difundir pela nobreza foi um passo, disseminar-se-ia, então, pela burguesia e, finalmente, pelo Povo, para durar até aos dias de hoje.
Quanto ao Presépio, em Portugal, os primeiros presépios de que há memória datam do século XVI, mas é no século XVIII, que se executam os melhores presépios, alguns dos quais verdadeiras obras de arte – e é disso que, verdadeiramente, se trata. O Presépio da Basílica da Estrela, no qual figuram cerca de 500 peças, foi uma encomenda da própria Rainha D. Maria I de Portugal – que mandou igualmente construir a Basílica e o Convento – a Machado de Castro. O nome Machado de Castro ou o da sua escola surgem ligados a diversos presépios que se acham dispersos de norte a sul do País, nomeadamente, o da Sé Patriarcal de Lisboa, fabricado em 1776.
Quanto ao Bolo-Rei, é legado dos romanos que, primeiro, persistiu somente em França onde tem duas formas de confecção: no Norte é em massa folhada e, no Sul, um brioche recreado com frutas caramelizadas, tal como o Bolo-Rei português que por isso deriva do segundo. Foi precisamente das suas viagens por França, que Baltazar Castanheiro II, filho do fundador da Confeitaria Nacional, trouxe a receita do Bolo-Rei, mais precisamente de Toulouse.
Mas claro, é mérito da Confeitaria Nacional e do seu entrepeneur de pastelaria pegar numa receita do bolo francês e convertê-la no icónico e típico doce português: o bolo redondo, em forma de coroa, com frutos secos e cristalizados e polvilhado com açúcar. O Bolo-Rei logo se tornou um sucesso, e a Confeitaria Nacional foi nomeada, por El-Rei D. Luís I, fornecedora oficial da Casa Real. Depois até se generalizar, dada a qualidade do produto, foi um ápice: o Bolo-Rei, assim chamado por causa da forma de Coroa, não mais abandonaria as mesas nacionais, sobretudo na época Natalícia.
Já na república velha, aquela instaurada por intermédio de um processo revolucionário, que durou entre 1910 e 1926, Afonso Costa e Bernardino Machado mudaram o nome do Bolo-Rei para Bolo-presidente, mas os portugueses não engoliram… nem a imposição, nem a nomenclatura nascida daquelas mentes intransigentes; e a designação Bolo-Rei prevaleceria ad eternum. Afonso Costa, teve que se contentar ao assomo ditatorial de tornar partido único o Partido Republicano Português e todas as demais formas de censura e coacção anti-democrática!
Se o bacalhau é o fiel amigo, o Bolo-Rei é o Real Amigo e sempre permanecerá. Não vale fazê-los de chocolate, recheados de chila e de maçã ou mesmo rebaptiza-los! Não adianta tentarem subterfúgios para mudar isso; inventem quantos pastelinhos quiserem e nomeiem-nos de ‘presidentes’ – como em Cebolais de Cima (história verídica) -, de ministros, de edis, de vereadores, mas o Real pastel perdurará sempre entronizado nos nossos corações e palato como Bolo-Rei!
Há, ainda, uma Canção de Natal, Adeste Fideles, mundialmente conhecido pelo título de Hino Português escrito e composto por El-Rei D. João IV de Portugal, a exemplo de muitas outras obras, na escola de música que fundou no Paço Ducal dos Bragança, em Vila Viçosa. Foram encontrados dois manuscritos desta obra, datados de 1640, no Palácio Ducal de Vila Viçosa, que era propriedade dos Duques de Bragança. Os ingleses atribuíram, erroneamente, a autoria desse hino a John F. Wade que não pode ter composto a partitura, uma vez que o seu manuscrito está datado ulteriormente, de 1760, pelo que Wade se limitou a traduzir o Hino Português, como de resto era designado à época, e usurpado os louros.

Miguel Villas-Boas

18 de dezembro de 2016

SAR, A Senhora D. Isabel de Bragança celebrou o seu 50º aniversário



No dia 22 de Novembro, D. Isabel de Bragança completou 50 anos. A esposa de D. Duarte Pio de Bragança não quis assinalar esta emblemática ocasião com nenhum programa especial. Bem pelo contrário, D. Isabel preferiu assistir à missa das 19h00 na Igreja da Encarnação, no Chiado, celebrada pelo padre João Seabra, na companhia dos filhos, Afonso, de 20 anos, Maria Francisca, de 19, e Dinis, de 17, fruto do casamento de 21 anos com o Herdeiro do trono de Portugal.
Em seguida, e em família, seguiu-se um simples jantar.
“É assim que gosto de celebrar, agradecendo o dom da vida e todos juntos. Ter uma família unida é o maior presente que posso ter. Pedi a Deus saúde e discernimento para tomar boas decisões na nossa vida”, revelou a aniversariante.
Por seu lado, D. Duarte de Bragança revelou à Lux que os filhos prepararam algumas pequenas lembranças. Uma delas bem curiosa e original.
“A Maria Francisca [que se ausentou no momento da foto para a Lux] ofereceu-lhe uma cabra-anã, que como era impossível ficar no apartamento, teve de ir para a nossa quinta, em Sintra”, contou, divertido

Fonte: Lux

16 de dezembro de 2016

Aclamação D’El-Rei D. João IV de Portugal

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A Aclamação D’El-Rei Dom João IV de Portugal ocorreu a 15 de Dezembro de 1640.
No Assento de Aclamação ficou expresso:
‘Apenas a Comunidade de portugueses reunida na instituição das Cortes pode conferir legitimidade suprema ao poder do Rei, por isso o juramento do rei será legitimado pelo juramento de Fidelidade dos três Estados: Clero, Nobreza e Povos; o Juramento dos Povos terá de ser confirmado pelos legítimos representantes do estado dos Povos, os procuradores dos Concelhos em Cortes. O Rei identifica a vontade expressa de todo um reino. Não se defende a teoria medieval da origem divina do poder régio, mas reside na legitimação da supremacia do Reino de Portugal ao afirmar que os reis recebem o poder do povo para governar sob a condição tácita de reger bem e direitamente. É a tradição portuguesa de autodeterminação a partir da base social dos Três Estados. É a consciência de serviço ao Reino, que nunca será extirpado sequer pelas formas mais extremas de absolutismo.’
A cerimónia aconteceu num grande teatro de madeira erguido e guarnecido de magníficos e ricos panejamentos, adjacente à engalanada varanda do Paço da Ribeira. Dom João IV usava pela primeira e derradeira vez a Coroa dos Reis de Portugal que haveria de oferecer a Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, pela protecção concedida durante a Restauração, coroando-a Rainha de Portugal – nas coroações de outros monarcas que haveriam de se seguir, durante a Cerimónia de Coroação a Coroa Real seria sempre acomodada numa almofada vermelha (cor real) ao lado do novo Rei, como símbolo real, e não na cabeça do monarca.
Nesse décimo quinto dia do mês de Dezembro de mil seiscentos e quarenta, as honras começaram pelas cortesias e salvas dos 40 Conjurados e mais alguns membros da nobreza e clero que haviam ajudado na Conjura patriótica: D. Afonso de Menezes, D. Álvaro Coutinho da Câmara, D. Antão Vaz d’Almada (7.º Conde de Avranches), D. António de Alcáçova Carneiro (Alcaide-mor de Campo Maior), D. António Álvares da Cunha (17º Senhor de Tábua), D. António da Costa,  D. António Luís de Menezes (1º Marquês de Marialva), D. António de Mascarenhas,  António de Melo e Castro,  António de Saldanha (Alcaide-mor de Vila Real), António Teles da Silva, António Telo, D. Carlos de Noronha, D. Estêvão da Cunha, Fernando Teles de Faro, D. Fernão Teles de Menezes (1º Conde de Vilar Maior), Francisco Coutinho, D. Francisco de Melo Francisco de Melo e Torres (1º Marquês de Sande), Francisco de Noronha, D. Francisco de São Paio, D. Francisco de Sousa (1º Marquês das Minas) Gaspar de Brito Freire, Gastão Coutinho, D. Gomes Freire de Andrade. Gonçalo Tavares de Távora, D. Jerónimo de Ataíde (6º Conde de Atouguia), D. João da Costa (1º Conde de Soure), João Pereira, D. João Pinto Ribeiro, Dr. João Rodrigues de Sá, D. João Rodrigues de Sá e Menezes (3º Conde de Penaguião), João de Saldanha da Gama, João de Saldanha e Sousa, Jorge de Melo, Luís Álvares da Cunha, Luís da Cunha, D. Luís da Cunha de Ataíde (Senhor de Povolide), Luís de Melo (Alcaide-mor de Serpa), D.Manuel Rolim (Senhor de Azambuja), Martim Afonso de Melo (Alcaide-mor de Elvas), D. Miguel de Almeida (4º Conde de Abrantes), Miguel Maldonado, D. Nuno da Cunha de Ataíde (1º Conde de Pontével), Paulo da Gama, D.
Pedro de Mendonça Furtado (Alcaide-mor de Mourão), D. Rodrigo da Cunha (Arcebispo de Lisboa), D. Rodrigo de Menezes, Rodrigo de Resende Nogueira de Novais, Rui de Figueiredo (Senhor do morgado da Ota), Sancho Dias de Saldanha, D. Tomás de Noronha (3º Conde dos Arcos), Tomé de Sousa (Senhor de Gouveia), Tristão da Cunha e Ataíde (Senhor de Povolide) e Tristão de Mendonça.
Em seguida, Dom João IV jurou manter, respeitar, e fazer cumprir os tradicionais foros, liberdades e garantias dos Portugueses, violados pelo seu antecessor estrangeiro, diante dos Três Estados: Nobreza, Clero e Povo de Portugal.
Então, D. Francisco de Mello, de Estoque desembainhado e levantado com ambas as mãos, como competia ao Condestável, gritou:
‘Real, Real, Real! Pelo mui alto e muito poderoso e excelente Príncipe, Rei e Senhor Dom João IV de Portugal!’
Ao que se lhe seguiram todos os outros presentes fazendo um coro que fez vibrar o palanque e até as pedras da calçada.
Finalmente, Dom João IV foi erguido, alçado e aclamado Rei solenemente!
VIV’Á RESTAURAÇÃO!

Miguel Villas-Boas

15 de dezembro de 2016

Lembrar Dom Duarte Nuno (1907-1976) - VIDEO



Registo integral da evocação do Senhor Dom Duarte Nuno por ocasião do 40º aniversário da sua morte, organizada pela Real Associação de Lisboa no Grémio Literário a 3 de Dezembro de 2016, presidida por Suas Altezas Reais os Duques de Bragança. 

A homenagem teve como orador principal o Professor Doutor Pedro Soares Martinez que traçou o perfil do Príncipe e um esboço da sua época, daqueles largos anos em que o distinto professor universitário integrou como Lugar Tenente o Conselho Privado de Sua Majestade.

14 de dezembro de 2016

SSAARR OS DUQUES DE BRAGANÇA | NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO | 2016


No dia de celebração de Imaculada Conceição, em Vila Viçosa, na tradicional procissão, SSAARR os Duques de Bragança. SAR o Senhor Dom Duarte de Bragança, com o manto e insígnia de Grão Mestre da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição, e SAR a Senhora Dona Isabel de Bragança, com a insígnia de Grã Mestre da Ordem da Rainha Santa Isabel, ambas as Ordens são dinásticas da Casa Real Portuguesa.


Fotografias: Bruno de Castro, Belinha Miranda, Domingos Mendes, Álvaro Meneses e TV Monarquia Portuguesa.




















12 de dezembro de 2016

República Nova de Sidónio Pais – Fim da República Velha

No dia 5 de Dezembro de 1917, depois de 7 anos de caos político-social, das mais extremadas violências, do colapso económico-financeiro, Sidónio Pais comandava um golpe militar que poria fim à República Velha e que ficaria conhecido como o início da República Nova.

República Nova


Alçados no poder, nenhuma das promessas dos implantadores foram realizadas, pelo contrário: viveu-se o maior ambiente de instabilidade política e social de sempre no País. Eles foram as repressões ao operariado, as perseguições à igreja, as sangrentas divisões entre grupos republicanos rivais cujas lutas pelo poder levaram inclusive a assassinatos como do chefe da revolução do 5 de Outubro, Machado dos Santos e de um dos seus ideólogos, Carlos da Maia. Instantaneamente à golpada que resultou na proclamação da República e com a instalação do Governo Provisório, surgiram tensões entre os republicanos. Primeiro, desencadeou-se uma dialéctica entre os chamados provisórios e o grupo do directório e destacam-se do núcleo dominante, tanto os republicanos do Porto, como o grupo de amigos de Machado Santos. Com efeito o governo provisório significava uma aliança de Afonso Costa, Bernardino Machado e os jovens turcos e Afonso Costa não reconhecia direitos a ninguém que não pertencesse a esse miolo, e que granjeava a cooperação do presidente. Um sintoma de distanciamento dos republicanos do Porto manifestou-se quando Basílio Teles recusou tomar posse como ministro. Sucedem-se as tensões entre os provisórios e o directório do partido. Com efeito, o governo provisório era obrigado a reunir semanalmente com o directório e a junta consultiva do partido republicano, a efectiva trindade governativa da república. Desta trindade se distanciou Machado Santos, assumindo-se como da oposição desde a primeira hora e exigindo o saneamento de altos funcionários das repartições. É apoiado pelos oficiais da marinha que participaram no 5 de Outubro, como Ladislau Parreira, nomeado comandante do quartel de marinheiros de Alcântara, José Carlos da Maia, Sousa Dias, João Stockler, Mendes Cabeçadas e Tito de Morais. Todos os membros deste grupo se intitulavam então como os verdadeiros revolucionários. Surge também um conflito entre os provisórios e o grupo dos republicanos históricos do Porto, ligados ao 31 de Janeiro de 1891 que exigiam a imediata eleição de uma assembleia constituinte, afrontando particularmente Afonso Costa. Afonso Costa, Ministro da justiça do governo provisório de 5 de Outubro de 1910, anunciou novo programa político do em 29 de Agosto de 1911, e vaticina o partido republicano como o partido único da República. Alia-se no governo à família Rodrigues, com Rodrigo a ministro e Daniel como governador civil de Lisboa, a dupla que fomenta a formiga branca.
Ainda, pelas mãos da Iª república, 200 mil Portugueses foram mobilizados e combateram em África e na Europa – só 55.000 bravos do contingente do Corpo Expedicionário Português na Flandres. 7.500 soldados portugueses perderam a sua vida e 14.062 foram de alguma forma vítimas da Iª Grande Guerra, seja como mortos, feridos ou prisioneiros. Além destas baixas, foram imensuráveis os custos sociais e económicos que tiveram consequências superlativas para a capacidade nacional, e, os objectivos que levaram os responsáveis políticos da República a empurrar os jovens para a guerra saíram gorados em toda a linha. Ao invés da unidade nacional pretendida pelo novel regime saído do golpe revolucionário do 5 de Outubro gerou-se ainda mais instabilidade política que levaria à queda da República Velha.
A 28 de Março de 1916 é decretada a Censura prévia à imprensa e à correspondência enviada para e recebida de países estrangeiros e das colónias.
Recorde-se que nas cartas que El-Rei Dom Manuel II e a Rainha Dona Amélia escreviam do exílio para os seus amigos e colaboradores, para os não por em perigo, ainda que os assuntos tratados fossem os triviais, assinavam respectivamente como Conde Ourém e a Villa-Viçosa (Marquesa).
Sucedem-se dias e noites sangrentas, Movimentos das Espadas, eleições legislativas e governos, o último dos quais só de Afonso Costa e dos seus democráticos e que após a Revolução da Batata, com assaltos a mercearias consequência da carestia de alimentos, é fortemente reprimida pelos sabres da guarda republicana e os cassetetes da polícia. Afonso Costa decreta o Estado de Sítio e suspende as poucas garantias democráticas que ainda existiam.
Assim nesse 5 de Outubro de 1917, o exército chefiado pelo antigo embaixador em Berlim e professor universitário tomava as rédeas do poder. Sidónio Pais conseguiu agregar um vasto contingente militar e com ele ocupou a zona da Rotunda, em Lisboa. Os recontros estenderam-se até ao dia 8 e acarretaram à queda do Governo de Afonso Costa, e do Presidente da República, Bernardino Machado. Afonso Costa é preso no Porto e acabaria exilado em França. O vitorioso Sidónio Pais estabeleceu então um regime presidencialista de perfil autoritário, centrado no culto pessoal, e que lhe granjeou por parte de Fernando Pessoa o epíteto de Presidente-Rei!
Estava instaurada a República Nova que restauraria tradições religiosas, a nível político verificou-se uma reforma das leis eleitorais: voltou a ser permitida a representação de partidos Monárquicos no Parlamento, o Presidente da República passou a ser eleito por sufrágio directo – a eleição de Sidónio Pais foi sufragada por meio milhão de votos, em 10 de Maio de 1918! -, foi alargado o número de eleitores, suprimindo restrições de modo a haver uma maior participação dos cidadãos. Todavia, o consulado sofria na sua génese de uma incongruência: Sidónio Pais assumia-se como um Monarca sem o ser, e assim pela sua falta de programa político, económico e social, apoiado apenas na ditadura administrativa, a República Nova não conseguiria sobreviver ao seu líder que, em 14 Dezembro de 1918 seria assassinado pela formiga branca, organização de assassinos partejada pela Carbonária.
Fernando Pessoa, com aquela coragem própria dos homens únicos, apesar da censura e dos perigos, nunca se deixou intimidar e nunca capitulou em considerar que o sistema Monárquico seria o mais próprio para uma Nação organicamente imperial como é Portugal’, chegou, então, à conclusão:
‘O que é preciso, pois, é estabelecer uma fórmula de transição que sirva de declive natural para a MONARQUIA FUTURA, mas esteja em certa continuidade com o regímen actual. Essa fórmula de transição, já tentada instintivamente por Sidónio Pais, é a república presidencialista, que, por ser república, não perde continuidade com o actual regímen. A tradição não se reata: reconstrói-se.’
República Nova, que Sidónio País personalizou, podia ter afigurado o restabelecimento tranquilo, pacífico e natural para a Monarquia constitucional, mas assim não foi… talvez pela falta de tempo para fazer a revolução a partir de cima.

Miguel Villas-Boas

11 de dezembro de 2016

Afinal, ‘BE’ não é ‘boa educação’

É pena que a arrogância e irresponsabilidade de uns deputados afecte tão negativamente o bom nome de Portugal. O modo fracturante de estar na política é a antítese do modo cristão de exercer o poder.

Se ‘BA’ é uma “boa acção”, seria de esperar que ‘BE’ fosse “boa educação”. Mas não é: na realidade, BE é até o oposto da boa educação…
Como é sabido, os reis de Espanha vieram a Portugal, em visita oficial de cortesia e boa vizinhança. Quis o monarca espanhol, num gesto de muita simpatia, honrar o parlamento português com a sua presença e palavra. Os deputados do Bloco de Esquerda (BE) fizeram questão de permanecer sentados e não aplaudir as palavras do soberano. Pouco faltou para que não devolvessem ao monarca o que o seu augusto pai, o rei Juan Carlos, em tempos disse a Hugo Chávez: “Porqué no te callas?”
Em comunicado, o irreverente grupo parlamentar esclareceu: “O BE valoriza a importância das relações entre o Estado português e o Estado espanhol. Mas mantém a posição de sempre, republicana, e não naturaliza relações de poder com base em relações de sangue e não em actos democráticos”. Ainda bem que ‘valoriza’ … mas, se o faz de forma tão malcriada, o que faria se não valorizasse?! Cuspiria nos reis?!
Os deputados do BE são peritos em dizer uma coisa e … fazer outra. Se valorizassem, como dizem, as boas relações com Espanha, em vez de protagonizarem o triste número de circo com que brindaram a plateia internacional, teriam tido uma atitude de Estado, digna de quem valoriza, de facto, as relações entre os dois países ibéricos. O PCP, que não é menos progressista nem menos republicano, soube receber com dignidade e sentido de Estado o rei do país vizinho, sem se imiscuir em questões que são do foro interno dessa nação. Portanto, não é uma questão de coerência ideológica, mas de falta de maturidade política e de irresponsabilidade institucional.
Será que o BE, se porventura entender preferível uma chefia de Estado feminina, se recusa a cumprimentar um presidente masculino?! Deveria fazê-lo para, segundo a sua esfarrapada desculpa, não ‘naturalizar’ um poder machista …
O BE tem todo o direito de ser republicano, como é muito boa gente, também católica. Mas isso não o autoriza a fazer um paternalista juízo de valor sobre o regime do Estado vizinho. Não faz sentido questionar a legitimidade democrática da monarquia espanhola, que não só foi o motor da democratização desse país, como também foi legitimada pelo povo quando, por esmagadora maioria, aprovou a sua actual constituição. A vigente lei fundamental restaurou a democracia e a forma monárquica do Estado, na pessoa do então rei Juan Carlos e da sua descendência, nomeadamente o agora rei Filipe VI, seu filho e sucessor no trono.
A justificação do BE também falha redondamente quando afirma não reconhecer “relações de poder com base em relações de sangue”. Acontece que esse princípio tão solenemente proclamado é, juridicamente, um supino disparate, porque também o BE admite relações de poder, embora não estatal, que têm por base relações de sangue, como são, por exemplo, os poderes parentais: paternal e maternal. Com certeza que o BE não ignora, nem considera ilegítimo, o poder dos pais em relação aos filhos menores, mesmo não sendo, como certamente não são, poderes democráticos.
Um rei constitucional, como é o espanhol, não é, nem tem, nenhum poder: reina, mas não governa. Não tem faculdades executivas, legislativas ou judiciais: é um órgão moderador e de representação da unidade nacional. Nem sequer é de sangue porque, como toda a gente sabe, o “sangue” do actual rei de Espanha é grego pela mãe – que é, por sua vez, de ascendência dinamarquesa e germânica – e Bourbon pelo pai, ou seja, francês … Aliás, os deputados do BE não têm qualquer autoridade moral para dar lições de democracia ao rei de Espanha: quando os avôzinhos dos bloquistas provavelmente ainda não sabiam o que era a democracia, já o avô de Felipe VI, o Conde de Barcelona, estava exilado em Portugal, precisamente por ser democrata e não querer pactuar com o regime franquista.
Espero que a partir de agora, a bem da coerência, os deputados do BE também não se levantem quando tocar o hino nacional, que não tem mais legitimidade democrática do que o rei de Espanha e que, talvez, até tenha menos do que “ O Pica do Sete”, de António Zambujo, bem mais português e pacífico do que a versão lusa da bélica marcha marselhesa. Portanto, senhores deputados do BE, sejam coerentes: quando tocar o hino, toda a malta sentadinha, de boina na cabeça, perna traçada e, se possível, a fumar um charuto, de preferência cubano! O mesmo se diga da bandeira republicana, que também não foi legitimada pelo voto popular e que, por isso, não pode merecer a homenagem dos democratas do BE.
A Igreja católica teve sempre uma atitude de respeito pelas autoridades públicas, mesmo quando, como aconteceu durante os três primeiros séculos de Cristianismo, o poder político perseguia impiedosamente os cristãos. Por isso, São Pedro, o primeiro papa, exortou os cristãos a rezarem e honrarem os reis e demais governantes (1Ped 2, 13-14). Se o presidente da República ou o primeiro-ministro participam, oficialmente, em celebrações religiosas católicas, a Igreja presta-lhes a honra devida aos cargos que exercem, sem fazer acepção de pessoas, nem confundir o que é de César com o que é de Deus. A Igreja não adula o poder, mas também não ofende os chefes de Estado, nem insulta os que exercem funções legislativas, judiciais ou executivas. É uma questão do mais elementar civismo; uma questão, afinal, de boa educação.
É pena que a arrogância e irresponsabilidade de um grupo parlamentar afecte tão negativamente, também a nível internacional, o bom nome de Portugal. É lamentável que alguns deputados, pelos vistos nada patriotas, ponham as suas birras ideológicas à frente do interesse nacional. Este modo fracturante de estar na política é a antítese da atitude de serviço ao bem comum que é, afinal, o modo cristão de exercer, séria e responsavelmente, o poder.
Fonte: Observador