11 de janeiro de 2016

Cândidas candidaturas

Não é possivel os debates entre os candidatos à presidência da República tenham qualquer utilidade. Salvo, talvez, para pôr a descoberto os tiques mais foleiros da política portuguesa. O seu logro permanente.
Assim Marisa Matias se propõe chefiar o Estado enquanto faz carinhas e ajeita a repa e Edgar Silva persiste em representar o povo trabalhador contra os (fascistas?) por ele apodados "não trabalhadores"; e Paulo Morais martela a tecla da corrupção sem desmanchar a poupa e Maria de Belém não obedece ao moderador e fala, fala, fala, e o académico Sampaio da Nóvoa tem mais para dizer mal de Marcelo  do que para explicar de si mesmo; e o silêncio cai pesadamente sobre a mensagem do grande Tino!
Já Rebelo de Sousa passeia a sua alegada substancial vantagem e dá-se a luxos, a palmadinhas nas costas de Costa, a poses de estadista, cumes de ponderação e equidistância, sorrisos complacentes. Reconheça-se, tem atrás de si uma matilha furiosa; reconheça-se também, essa matilha contra si é furiosa quão pouco inteligente. A facilitar-lhe a missão.
Ocorria, enfim, a hipótese Henrique Neto: a sua experiência de vida, o testemunho que desinteressadamente quereria deixar - de Henrique para os netos... Mas não, soando o apito para o debate, lá puxa ele da cábula onde registou os podres do passado dos seus antagonistas... E nada acrescenta.
São todos iguais. Todos candidatos à vacuidade. Esclareçamos rápidamente, antes das vaias, - legítimos, legítimos, não está em causa a sua legitimidade.

João Afonso Machado

Fonte: Corta-fitas

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