31 de agosto de 2016

Celebração dos 125 anos da chegada do comboio à Covilhã e da visita da Família Real

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Com o objectivo de assinalar os 125 anos da chegada do comboio à Covilhã, a autarquia em parceria com as Infraestruturas de Portugal, CP, Fundação do Museu Nacional Ferroviário e várias associações locais, elaborou um programa de actividades que incluem exposições, publicações e recriações históricas.

Entre 6 e 31 de Setembro, estará patente ao público, na Estação de caminhos-de-ferro, da Covilhã, a exposição “Na Linha desde 1891”. O momento alto destas comemorações terá lugar no dia 6 de Setembro, dia do 125º aniversário da chegada do comboio à cidade, com uma recriação histórica, também na Estação de CP, a partir das 18 horas, que contará com largas dezenas de figurantes. Este evento pretende recrear o programa da visita dos reis D. Carlos e D. Amélia à Covilhã nos dias 6 e 7 de Setembro de 1891. Neste dia será ainda distribuída uma edição fac-similada do jornal publicado há 125 anos por Pedroso dos Santos, Presidente da Câmara da Covilhã e Governador Civil de Castelo Branco, intitulada “ 6 de Setembro de 1891”


Fonte: Jornal do Fundão

29 de agosto de 2016

SENHORES DUQUES DE BRAGANÇA PRESENTES NO COCKTAIL DO DIA NACIONAL DE LUXEMBURGO





MALA DIPLOMÁTICA - Dia Nacional do Luxemburgo Foi num fim de tarde soalheiro que decorreu o cocktail comemorativo do Dia Nacional do Luxemburgo, nos jardins da Embaixada, na Rua das Janelas Verdes em Lisboa. 

O Dia Nacional do Grão-Ducado comemora-se tradicionalmente no aniversário do nascimento do Grão-Duque, sendo que a data escolhida originalmente era 23 de Janeiro, dia em que, no ano de 1896, nasceu a Grã-Duquesa Carlota (Charlotte), que reinou naquele país entre 1919 e 1964. 

Por razões climatéricas, a comemoração passou, desde 1961, a fazer-se a 23 de Junho, data estival que se mantém até hoje. 

A festa acabou por ser simultaneamente a ocasião para o Embaixador Paul Schmit fazer as suas despedidas antecipadas, já que o seu mandato termina no próximo mês de Agosto.


Revista Diplomática de 01-07-2016


28 de agosto de 2016

Cristianismo e Jogos Olímpicos

Se é à revolução francesa que se deve a restauração do olimpismo, como explicar que os Jogos Olímpicos só tenham recomeçado “moderna e definitivamente em 1896”, ou seja … mais de cem anos depois?!


No Público de 19 de Agosto passado, o historiador Rui Tavares, que também é fundador do Livre, escreveu: “o que acabou com os Jogos Olímpicos antigos foi a chegada ao poder do cristianismo. Teodósio, o primeiro imperador cristão a governar sobre o Império Romano (Constantino foi o primeiro a converter-se ao cristianismo, mas já perto da sua morte), emitiu uma série de decretos abolindo todo o tipo de cultos aos deuses pagãos, e foi assim que os Jogos Olímpicos, que eram tanto uma festa religiosa quanto desportiva, se extinguiram por mais de mil e quatrocentos anos. Teodósio era orgulhosamente intolerante contra os rituais, as imagens e a sensualidade do paganismo”.
É curioso que este historiador, embora reconheça que Constantino foi o primeiro imperador romano cristão, não o considere como tal, para efeitos dos Jogos Olímpicos. Porquê? Porque morreu cedo, o homem. A verdadeira razão, contudo, parece ser outra: como dava jeito que o primeiro imperador cristão pudesse ser apresentado como um fundamentalista inimigo do olimpismo, o fundador do Livre achou por bem suprimir Constantino para, falseando a história, apresentar Teodósio como “o primeiro imperador cristão a governar sobre o Império Romano”. Esclarecedor, não é?
Também omite – esquecimento, ignorância ou simples má-fé? – que Teodósio, na fase inicial do seu reinado, foi tolerante com os pagãos e favorável à conservação dos seus templos e estátuas, embora tenha reiterado, em 381, a proibição de Constantino em relação aos sacrifícios, interditando, dez anos mais tarde, os sacrifícios de sangue. Apesar de o fundador do Livre afirmar que o cristão Teodósio era “orgulhosamente intolerante”, a verdade é que, por exemplo, quando em 388 alguns cristãos incendiaram a sinagoga de Calínico, na Mesopotâmia, Teodósio ordenou ao bispo local que reconstruísse a sinagoga, disponibilizando os necessários recursos, e que punisse os incendiários. Para “intolerante”, convenhamos que não está nada mal!
Mas, Teodósio seria de facto orgulhoso? No ano 390, Santo Ambrósio de Milão excomungou este imperador, por ele ter ordenado o massacre de Salónica, como represália pelo assassinato do governador militar dessa cidade. Só depois de Teodósio ter humildemente manifestado o seu arrependimento e feito, durante vários meses, penitência pública, foi levantada a excomunhão e o imperador, que os ortodoxos veneram como santo, foi readmitido na Igreja. A este propósito, Teodósio diria mais tarde: “Sem dúvida, Ambrósio fez-me compreender pela primeira vez o que deve ser um bispo”. Um todo-poderoso imperador romano que se humilha a este ponto, ante um indefeso bispo católico, seria assim tão orgulhoso?!
Mais surpreendente é, contudo, a originalíssima tese deste historiador em relação ao renascimento da prática olímpica: “Após Teodósio, só se voltou a falar do restabelecimento dos Jogos Olímpicos com a Revolução Francesa” (com maiúsculas no seu texto, ao contrário de Cristianismo, que escreve sempre com minúscula, vá-se lá saber porquê …). Portanto, segundo este cronista, durante um milénio ninguém sequer falou dos Jogos Olímpicos!
Mas, se é à revolução francesa que se deve a restauração do olimpismo, como explicar que, como o dito historiador reconhece, os Jogos Olímpicos só tenham recomeçado “moderna e definitivamente em 1896”, ou seja … mais de cem anos depois?!
Aliás, é curioso que se omita a obrigatória referência a Pierre de Frédy, que foi, de facto, o restaurador das Olimpíadas e que, por sinal, não só não tinha nada a ver com a revolução francesa, como era, pelo contrário, um aristocrata, que foi baptizado na Igreja católica, estudou num colégio jesuíta, pediu e obteve, para o olimpismo moderno, a bênção do Papa São Pio X e era amigo do padre dominicano Henri Didon, que foi o autor do lema olímpico. Se o dito fosse revolucionário e ateu, decerto que teria tido direito, por parte deste historiador, a uma menção honrosa, mas sendo barão de Coubertin e, ainda pior, cristão, nada feito!
Também não se referem os Jogos Olímpicos de Berlim, quando Hitler aproveitou esse acontecimento desportivo mundial para exaltar a raça ariana e fazer propaganda do regime nazi. Se um chefe de Estado então recusasse a participação do seu país nesses Jogos, o fundador do Livre também o condenaria por ser “orgulhosamente intolerante”?! Não é verdade que, se algum estadista o tivesse feito, para não colaborar com o nazismo, teria merecido o respeito e a admiração de todos os verdadeiros humanistas e democratas?
Igualmente se omitem outras diversões da antiguidade greco-romana a que os imperadores romanos cristãos também puseram termo, como os combates circenses, em que tantos cristãos foram barbaramente assassinados. É verdade que a revolução francesa não restaurou esses degradantes espectáculos pagãos, mas retomou as perseguições de morte aos cristãos, a que o comunismo, por sua vez, tem dado, desde 1917 até à actualidade (China, Coreia do Norte, etc.), generosa continuidade.
Este cronista do «Público», para além de historiador, foi também fundador do Livre. É, de facto – honra lhe seja feita! – um historiador livre, não dos antiquíssimos preconceitos marxistas e anticristãos, mas da realidade dos factos. Afinal de contas, quem é que é “orgulhosamente intolerante”?!
Fonte: Observador

27 de agosto de 2016

ALJUBARROTA VIVE?



EFEMÉRIDE
ALJUBARROTA VIVE?

14/08/16

“Aljubarrota, Exmº Senhor não é um acto isolado na história de Portugal e pode repetir-se sempre que haja um governo consciente da sua missão e saiba pôr acima dos interesses particulares o interesse nacional e não faça da cobardia uma virtude cívica.”
General Gomes da Costa, 15 de Agosto de 1925.


Passam hoje 631 anos, que o Exército Português, pequeno em meios, mas grande na alma, esmagou o poderoso exército castelhano e gascão, na luminosa tarde desse longínquo 14 de Agosto.

Conseguiu-o com a graça de Deus e o valor dos seus soldados e chefes.

Comandava a hoste aquele que viria a ficar na História como o Rei de “Boa Memória”, e o seu talentoso Condestável, o “grande” D. Nuno Álvares Pereira, canonizado em 2009, com o nome de São Nuno de Santa Maria.

A escolha do ponto de expectativa estratégica, onde se concentraram as tropas, Abrantes – um verdadeiro ”umbigo” do País – permitiu a melhor vigilância do teatro de operações e dos objectivos possíveis e, por isso, constituiu a melhor opção para a tomada de decisões.

Mas foi a audácia e determinação do jovem Nuno, que decidiu a contenda ao forçar a dar combate e cortar o passo ao Rei de Castela que, naturalmente, se dirigia a Lisboa, e à sua competência técnica e táctica, na escolha e organização do local onde se travaria a batalha e, com isso, ter anulado a vantagem numérica do inimigo.

Em cerca de 30 minutos tudo estava resolvido e os castelhanos e gascões estavam em debandada, tendo muitos deixado lá os ossos e muitos mais provado o sangue, o suor e o pó do combate!

Foram-se em luto e em vergonha, mas depois disso e até hoje, tentaram voltar muitas mais vezes.

E não só pela força das armas, como é demonstrado pelas acções capciosas da economia, cultura e, sobretudo, financeiras, contemporâneas.

Aljubarrota foi importante?

Não, foi decisiva.

Não fora a vitória nessa, para sempre gloriosa, jornada, e hoje seriamos completamente diferentes do que somos. E não seriamos melhores.

Como afirmou Fernando Pessoa, “os espanhóis, nossos absolutos contrários”…

O magnífico mosteiro de Santa Maria da Vitória – vulgo Batalha – aí está para eternizar o evento, já que a juventude portuguesa deixou de saber o que se passou e seu significado.

Os pais e professores (já nem falo na cáfila política) deixaram de lhes ensinar seja o que for sobre a História de seus avós. É uma coisa terrível.

Até o Exército deixou de comemorar condignamente a data, apesar da mesma representar o “Dia da Infantaria Portuguesa” e o seu imorredoiro Patrono, que sendo um nobre cavaleiro, apeou para combater, pois tal melhor se coadunava com as características do terreno e da ordem de batalha.

Estimo que a infantaria portuguesa (enfim, o que resta dela) nunca perca de vista os exemplos daqueles que lhes servem de modelo, para que se possa sempre cobrir da glória de bem - fazer, e nunca de opróbrio.

Aos heróis de Aljubarrota:

APRESENTAR ARMAS!


João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador

Fonte: O Adamastor

26 de agosto de 2016

DUARTE NUNO DE BRAGANÇA, AQUELE QUE DEVIA TER SIDO REI



Correm este ano quatro décadas sobre a morte daquele que poderia ter sido o salvador do Estado português. Salazar foi excessivamente português no tratamento da questão sucessória que era, afinal, a mais importante. Salazar, sabendo-o, não foi suficientemente lúcido para fazer essa escolha entre a restauração e o caos. Adiou, quis satisfazer a todos, nem um sucessor escolheu e, finalmente, morreu e o poder passou para quem já evidenciava os traços desta gente que manda no país desde 1968.

Salazar sabia que o Marcelo era um biltre, que dizia mal do regime e conspirava, mas deram-lhe o poder. Marcelo foi o grande responsável pela inviabilização da solução monárquica. Os Bragança haviam cumprido escrupulosamente tudo o que Salazar pedira por ocasião do regresso da família real a Portugal, mas nada lhes foi restituído, vivendo apartados da vida pública e do contacto com os portugueses. Foi-lhes até negado um trem de vida compatível com a sua condição. A família viveu numa pelintrice indigna e até a suprema afronta de lhe destinarem uma casa onde chovia. 

Era a faceta mesquinha e aldeã de Salazar. Podendo ter arranjado um Rei de graça, um excelente Américo Tomás de sangue azul, um homem gentil e de carácter muito alemão, preferiram o caminho mais cómodo, ou seja, nada fazer. 

A restauração devia ter ocorrido em 1955 ou 1956, mas o congresso da União Nacional de 1951 impediu-o. A União Nacional passou a ser republicana. O congresso, ao votar pelo encerramento da questão do regime, deixou de poder apontar um futuro estável após o passamento do seu líder e fundador. Marcelo conseguiu-o. Era a diferença entre Salazar e o Marcelo. Como camponês, Salazar entendia a monarquia como um dado relevante do carácter nacional; Marcelo via-a como uma limitação às suas ambições de micro-burguês cheio de complexos de classe. Durante os 14 anos que sobravam a Salazar, teriam formado uma inteira geração de servidores da Coroa. E o que tivemos logo a seguir ? A campanha do Delgado. Compreende-se que depois de 1958, os monárquicos se tenham despolitizado até aos extremos de hoje. 

Até partidos poderiam ter inventado. Com uma monarquia restaurada, não teria havido golpe, revolução nem descolonização nos termos em que esta se processou. Poderia, quando muito muito, ter havido um regime à europeia, mas muito ao centro, como houve em Espanha - algo como uma UCD - sendo até possível uma democracia com muitos traços da doutrina salazariana. Se se tivesse optado por essa solução, a descolonização ter-se-ia projectado para os anos 80 ou 90, quando a URSS entrou em colapso. Não esqueçamos que entre o 25/A e a chegada de Gorbachev medeiam apenas 9 anos. Teria então sido possível negociar com os movimentos. Em 1985 , com a URSS transformada num monte de entulho, eles já seriam bem mais mansos. Mesmo que Angola e Moçambique se tivessem tornado independentes, teriam ficado Cabo Verde, S. Tomé, Cabinda e Timor. 
Uma monarquia não requer grandes reis. Basta ter um Rei, é o suficiente. Como se vê, a monarquia não era apenas uma questão decorativa. Era central. Portugal teve essa oportunidade e deitou-a fora.

Miguel Castelo Branco


25 de agosto de 2016

D. Luís Filipe – O Grande Príncipe

D. Luís Filipe e João Franco


‘A sua história, como a sua própria vida, mal chegou a começar. Contido e delicado, falando pouco e ouvindo com atenção; gostando de inquirir e de se informar, pela sua precoce seriedade e sentimento das responsabilidades afigurava-se-me uma encarnação do que eu penso de D. Pedro V, com alguma alegria a mais.
Se houvera vivido, ele, que fora preparado para reinar, a que destinos teria conduzido Portugal?’
– João Franco Castello-Branco sobre SAR O Senhor Dom Luís Filipe de Bragança, 5.º Príncipe Real de Portugal e 22.º Duque de Bragança in‘Cartas D’El-Rei D. Carlos I’

24 de agosto de 2016

REAL ASSOCIAÇÃO DE LISBOA HOMENAGEIA S.A. A SENHORA INFANTA D. MARIA ADELAIDE



AGENDA - 10 DE SETEMBRO: A Real Associação de Lisboa, através do seu Núcleo Sul do Tejo, homenageia S.A. a Senhora Infanta D. Maria Adelaide na Fragata " D. Fernando II e Glória ", na Doca da Trafaria

D. Maria Adelaide de Bragança van Uden ( 1912-2012 ), neta de D. Miguel I de Portugal, é um exemplo de cidadania e serviço ao próximo, desde os dias da resistência ao III Reich até à obra social da Fundação D. Nuno Álvares Pereira por si criada.

Uma vida exemplar, reconhecida pela própria República Portuguesa que a fez Grande Oficial da Ordem do Mérito, e que será lembrada neste dia por quem melhor a conheceu.

( Entrada livre, sujeita à disponibilidade do local )

22 de agosto de 2016

SS. AA. RR., Os Duques de Bragança participaram na procissão de Nossa Senhora da Conceição em Ferragudo

Ferragudo


Ferragudo


Ferragudo


Ferragudo


Ferragudo


Ferragudo


Ferragudo


Ferragudo


Em Ferragudo, a homenageada foi Nossa Senhora da Conceição. Na segunda-feira, saíram ao Rio Arade centenas de embarcações, para participar e dar cor à festa. Durante a cerimónia, além do cortejo, houve lugar à benção das embarcações.
Nesta procissão, além da comunidade local, participaram, igualmente os Duques de Bragança D. Duarte Pio e D. Isabel de Bragança e os príncipes herdeiros. Depois do cortejo, houve festa com comes, bebes e música no largo da Angrinha.

21 de agosto de 2016

As Jornadas Mundiais da Juventude: uma Olimpíada da Fé

Há dois mil anos, escrevia o apóstolo adolescente aos primeiros cristãos: “Eu vos escrevo jovens, porque sois fortes, porque a palavra de Deus permanece em vós e porque vencestes o maligno!” (1Jo 2,14).
A mesma mensagem, mas com outras palavras, foi o desafio que o Papa Francisco fez aos jovens que participaram, em Cracóvia, nas XXVIII Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ). Segundo Damian Muskus, o bispo coordenador geral das JMJ, participaram 200 mil jovens na missa de abertura; na Via Sacra, os peregrinos eram já 800 mil; no sábado, a organização contabilizou 1,6 milhões de presenças na celebração no Campo da Misericórdia; e, no domingo, na Eucaristia final, participaram mais de 2,5 milhões de fiéis.
Pensando sobretudo nos adolescentes que têm uma existência cómoda e despreocupada, o sucessor de São João Paulo II – a quem se ficou a dever a libertação da Polónia e do Leste europeu, bem como as Jornadas Mundiais da Juventude – fez um vigoroso apelo: “queridos jovens: não viemos a este mundo para vegetar, para passar a vida comodamente, para fazer da vida um sofá no qual adormecemos. Ao contrário, viemos para deixar uma marca!”
Para quem ainda pensa que a religião é o ópio do povo, as palavras de Francisco não poderiam ter sido mais realistas, nem mais incisivas, mobilizando os jovens católicos para uma presença mais activa na sociedade mundial: “O tempo que estamos agora a viver não precisa de jovens-sofá, mas de jovens com sapatos, melhor ainda, com as chuteiras calçadas. Só aceita jogadores titulares na equipa; não há lugar para suplentes!”
O apelo do pontífice era, porém, escusado, para aquela grande multidão de jovens que, para chegarem ao Campo da Misericórdia, nos arredores de Cracóvia, tinham já peregrinado, pelo menos, 12 kms a pé. Muitos dormiram depois ao relento, enquanto alguns foram acolhidos em instalações mais do que muito precárias, às vezes no meio do lodaçal em que a chuva transformou o recinto das Jornadas. Contudo, nada que arrefecesse o entusiasmo ou a alegria dos muitos milhares de jovens que participaram nas JMJ. Muito significativa também a presença de bastantes religiosas, sobretudo jovens, e a de muitos padres, que acompanhavam os jovens, os atendiam em confissão e os preparavam para a Eucaristia final, a missa do envio. Com efeito, cada JMJ não é apenas uma meta de chegada, mas também de partida, para uma renovada missão apostólica e … para as próximas Jornadas, a realizar no Panamá, em 2019!
Sob o lema da misericórdia, o Papa Francisco aproveitou a multitudinária assembleia para chamar a atenção para os actuais dramas humanitários, que não podem ser reduzidos a uma mera notícia da imprensa sensacionalista, ou às chocantes imagens de abertura de um qualquer telejornal: “Sejamos conscientes da realidade. A dor, a guerra em que vivem muitos jovens não pode continuar a ser anónima, tem que deixar de ser uma mera notícia de imprensa, porque tem nomes, tem rostos, é uma história que tem que ter proximidade”. E, para que as suas palavras fossem corroboradas pelo exemplo, Francisco quis ouvir, na companhia de todos, o impressionante testemunho de Rand, um jovem sírio de Alepo. O Papa argentino comentou depois: “a nossa resposta a este mundo em guerra tem um nome: chama-se fraternidade”.
O Papa Francisco não pretende convocar uma nova cruzada, nem uma espécie de intifada cristã, ao jeito da jihad muçulmana. Como ele próprio esclareceu: “Nós não vamos agora gritar contra ninguém, não vamos lutar, não queremos destruir. Nós não queremos vencer o ódio com mais ódio, nem vencer a violência com mais violência, nem muito menos vencer o terror com mais terror”.
Mas, se os objectivos são pacíficos, como pacíficos hão-de ser também os meios a utilizar nesta nova evangelização, todos os cristãos, nomeadamente os mais jovens, têm que ter consciência da exigência da missão a que são chamados, a qual é de todo incompatível com a paralisia do sofá: “Uma paralisia que nasce quando se confunde a ‘felicidade’ com o ‘sofá’. Um sofá contra todo tipo de dores e temores. Um sofá que nos faz ficar em casa trancados, sem nos cansarmos, nem nos preocuparmos”.
Neste seu jeito tão particular de motivar os jovens católicos para os desafios do terceiro milénio da era cristã, o Papa Francisco criticou os chamados couch potatoes, termo usado pelos americanos para referir os sedentários, jovens ou velhos, que passam várias horas ao dia deitados no sofá, diante da televisão ou à frente do computador.
Num mundo dilacerado por tantas guerras e perseguições, nomeadamente contra os cristãos, a presença de mais de dois milhões de jovens nas Jornadas Mundiais da Juventude é, sem dúvida, um motivo de alegria e um sinal de esperança, porque “esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé!” (1Jo 5, 4).
Fonte: Observador

19 de agosto de 2016

A importância do reaparecimento do elmo de D. Sebastião na nossa geração

Morrer sim, mas devagar
D. Sebastião em Alcácer-Quibir

El-Rei D. Sebastião


Passou a ser recorrente, entre nós, atacar a figura do nosso Rei D. Sebastião – nome único entre todos os nossos Reis e também no mundo – que de “Desejado” por todos, como ficou para a História, passou a ser considerado, por muitos, como o símbolo do erro e da leviandade.

Tudo porque arriscou uma partida difícil e perdeu uma batalha que quase esteve ganha. Acaso a tivesse ganho, não seria hoje um herói?

Creio que aquela imagem começou a ser construída no século XIX, pela historiografia emergente da Convenção de Évora-Monte, quase toda ela Liberal e Maçónica, e que se prolongou pela I República, da qual também saiu ferido o infeliz rei D. João VI, cuja figura está a ser lenta e justamente recuperada.

Não nos fica bem trata deste modo o jovem Rei-menino, que parece, afinal, ter morrido velho… Em primeiro lugar porque a jornada de África, sendo discutível, não era desprovida de nexo estratégico. Não acreditamos que se tratasse de ocupar todo o Marrocos – para o que, sozinhos, nunca disporíamos de forças suficientes – mas sim de jogar em apoios que permitissem deter o Império Otomano em rápida expansão nos Balcãs e no Norte de África. [...] Recorde-se que os Turcos só foram parados às portas de Viena em 1529 e, mais tarde, em 1683.

[...] Acresce a tudo isto o constante perigo que representava para a navegação cristã (e para as populações do litoral) a pirataria Berbere e também a “concorrência”espanhola, que cada vez intervinha mais no litoral norte africano, desde Carlos V, como são exemplos os ataques a Tunis e Argel, onde também participaram fortes esquadras portuguesas.
No Reino também se assistiu a uma mudança de política, relativamente à ideia de abandono de praças em Marrocos, posta em prática no reinado de D. João III, sobretudo após as Cortes de 1562 e da extraordinária defesa ao formidável cerco que os Mouros puseram a Mazagão, nesse mesmo ano.

A situação política em Marrocos era, outrossim, favorável: havia guerra civil e um dos principais contentores aceitou fazer uma aliança com Portugal.

É certo que o monarca português cometeu erros, sendo o maior de todos, o de se colocar à testa do Exército sem ter assegurado descendência – embora tal se devesse, em muito, à pressão dos acontecimentos.

Elmo de D. Sebastião


[...] Sem embargo, Sebastião não nos desmereceu: começou por preparar a campanha com antecedência, para o que reformou toda a legislação militar, incluindo a primeira concepção moderna de serviço militar obrigatórioDepois, combateu bem e com denodoDeu o exemplo, e pagou com a vida ou com o desterro – e tudo indica que foi esta última hipótese que ocorreu [...]. Dele disse o grande Mouzinho, na sua esplêndida carta ao Príncipe D. Luís Filipe: “…mas a morte de valente, expiatória e heróica, redime os maiores erros. Bem merece ele o nome de soldado…”

O desfecho da batalha pode não redimir totalmente a figura do jovem Rei, mas salvou para sempre a sua imagemDe tal modo que se entranhou no imaginário nacional um peculiaríssimo estado de alma – à revelia de toda a racionalidade – e que só os portugueses entendem: o “sebastianismo”, essa saudade das glórias passadas, misturado com a esperança da redenção do porvir.

Deve ainda ter-se em conta que não foi por D. Sebastião ter sido derrotado em Alcácer Quibir, que Filipe II se apoderou da coroa portuguesa – a nossa Marinha, por ex., ficou intacta: foi pelo caquectismo e pusilanimidade do velho Cardeal D. Henrique e porque a maioria do alto clero e da alta nobreza se deixou seduzir e corromper pelos ideais iberistas e pela prata de Sevilha! Uma lição de que nos deveríamos lembrar hoje, todos os dias…

Em síntese, apesar da sua pouca idade em Alcácer-Quibir (24 anos) D. Sebastião não nos deixou ficar malnão fugiunão desertou do combate, não traiu. Deu o exemplo, pôs-se à frente das tropas, combateu com bravura, não desmereceu dos seus maiores, não envergonhou a nobreza, o clero e o povo. Sebastião agiu de boa mente e com boas intenções.

Não era um “louco”ou um doente com deformações, como quiseram fazer crer. O seu reinado tinha sido um bom reinadoocorreu um número elevado de vitórias militares, em três continentes; estabeleceram-se muitas medidas para o saneamento da economia e finanças e até da moral e dos costumes. O próprio Rei se interessou pessoalmente pela administração da Justiça.

Ao contrário do que também quiseram fazer crer, o jovem Rei não era incapaz de conceber e não se opôs a casar-se. Opôs-se sim, a casar com quem lhe destinavam e nos moldes em que o propunham.

[...] O “Desejado”passou, desde o seu desaparecimento, a representar a esperança da redenção da Pátria, de tal modo que o povo se recusou sempre a acreditar, contra tudo e contra todos, na sua morte.

A sua figura foi um pilar fundamental da resistência à usurpação filipina e inspiradora da Restauração da IndependênciaFoi um sustentáculo da Fé e da coesão, foi a luz que nunca se extinguiu no fim da esperança “da Lusitana antiga liberdade”, no dizer de Camões.

D. Sebastião nunca morreu entre nós, esteve sempre presente na mente do povo e dos grandes portugueses, nas artes e na literatura. É um ícone do nosso imaginário!

De facto, a acreditar no que D. Sebastião representa, é conseguir ultrapassar-nos a nós próprios.

O elmo de combate, em boa hora recuperado e que hoje está entre nós [...], é o que nos resta d’ Ele, é um símbolo d’ Ele, é uma imagem que podemos recriar d’ Ele. (*)

Hoje D. Sebastião, o seu espírito e o que ele representa, é-nos mais necessário do que nunca.

[...] Para isso nada melhor para nos inspirar do que a figura do Rei-menino que quis a glória da terra que lhe deu o berço. O seu elmo de batalha aí está a significar a sua intemporalidade e transcendência. Ele nos fará correr mais rápido o sangue nas veias, de modo a que nos disponhamos a enfrentar quaisquer perigos.

Com ele se levantará a altaneira “raça” portuguesa e não haverá Adamastor que nos detenha.

D. Sebastião está, pois, vivo entre nós; o que ele representa está vivo, viva então em nós o “Desejado”!

[...] Arraial, Arraial, por Portugal!


João J. Brandão Ferreira
Tenente-Coronel Piloto-Aviador (Ref.)

Excertos do artigo publicado em 7-8-2011: http://novoadamastor.blogspot.pt/. Os destaques gráficos são da responsabilidade da nossa Redacção.
(*) Cfr. Rainer Daehnhardt (foto), “Dom Sebastião, o Elmo e Alcácer-Quibir” , Apeiron Edições, Agosto 2011, 237 págs., ISBN: 978-9898447-17-3

Fonte: Arautos d'El-Rei

18 de agosto de 2016

Nuno Galopim desvenda a vida do rei D. Manuel II



Estreia do jornalismo na ficção com um romance de descoberta do último rei de Portugal: "Todos sabem o seu nome mas é o que menos conhecemos"

Os Últimos Dias do Rei é o terceiro livro que Nuno Galopim assina em dois anos. Depois de Os Marcianos Somos Nós (Gradiva, 2015) e da biografia dos The Gift, o novo título marca a estreia do jornalista na ficção, a partir da vida de D. Manuel II, monarca sem trono, que, após a implantação da República, se instala nos arredores de Londres, em Fulwell Park, onde morre em 1932, aos 43 anos, sem ter voltado a Portugal. Assume os destinos de Portugal com apenas 18 anos, e sem esperar, após o assassinato do pai, o rei D. Carlos, e do herdeiro ao trono, Luís Filipe, em 1908. Dois anos depois o regime cai definitivamente. É por aí que o autor começa a narrativa. Para o final, e porque é um apaixonado pelos "e ses..." da ficção histórica, permite-se traçar cenários.

O que é real e o que é ficção em Os Últimos Dias do Rei?
Tudo o que é relacionado com a vida de D. Manuel é factual e resultou de meses de leitura e muita recolha de dados, cruzando várias fontes, para obter o maior número possível de pontos de vista. O que é ficção é a criação de pontos de ligação entre a história de D. Manuel: a história de 2016, que é o motor de todas as descobertas, e o jornalista de 1932 que acompanha [o rei] nos seus últimos tempos de vida. É através desta relação entre duas personagens fictícias que descobrimos D. Manuel II. Acho que todos os portugueses sabem o seu nome porque foi o último rei de Portugal, mas na verdade é aquele de quem nós, como coletivo, menos conhecemos.

O que descobriu sobre D. Manuel?
Antes mesmo de o Estado português ter tomado posição na I Guerra Mundial, ele ofereceu os seus préstimos ao rei de Inglaterra, tomou partido no esforço de guerra pelos Aliados e trabalhou com hospitais até ao final do conflito. Foi uma figura importante no estabelecimento de novas formas de tratar um certo tipo de ferimentos, ligados sobretudo à ortopedia, pensando não só o tratamento em si, mas a colocação desses feridos no mercado laboral finda a guerra, o que fez dele uma figura muito querida da associação de ortopedistas ingleses. Sabia que era um amante do desporto, mas não fazia ideia que ele tinha estado na final feminina de Wimbledon em 1932, pouco antes da sua morte.

Porque decidiu escrever ficção?
Não decidi, foi o Francisco Camacho [editor da Esfera dos Livros] que me desafiou! Ele perguntou--me muito simplesmente: por que não fazes uma ficção? E eu respondi: sou jornalista, só escrevo sobre coisas factuais, não sei inventar histórias. Ele insistiu. Como não me podem lançar desafios, disse que sim... e procurei encontrar pontes entre o trabalho de um jornalista na sua relação com a realidade de uma forma desapaixonada, correta, informativa e formativa, e depois o lado do ficcionista que encontra uma trama para lá encaixar estas várias histórias.

Em vez de existir um alter ego, existem dois: o jornalista de 1932 e o estudante de cinema de 2016.
Dividi-me em duas figuras, um jovem recém-formado em cinema que está a viver em Londres, e um jornalista que nos anos 30 entrevista D. Manuel II.

Visitou os locais do livro?
Foi muito importante ir aos espaços: visitar o Palácio das Necessidades e ver onde era o quarto de D. Manuel II, onde era o quarto do irmão, reparar que havia umas escadinhas que levavam ao quarto da rainha, no andar de cima. E, além disso, ir a Londres, não só à loja da Maggs Brothers, que hoje já não está no mesmo espaço do que nos tempos de D. Manuel, mas perceber o que é a loja e sentir o ar daqueles livros. E ir até à casa dele. A mulher dele, Augusta Vitória, vendeu a propriedade algum tempo depois da morte do rei. Essa zona foi loteada. As ruas chamam-se D. Manoel Road, Augusta Road, Portugal Gardens... E é pela toponímia que sabemos que a memória do rei está ali, na igreja onde ele ia, e que tem fotografias dele e uma placa a lembrá-lo, está na loja onde há um livro sobre D. Manuel II, mas cada vez mais essa memória está a dissipar-se. O tempo erode essas memórias e cabe aos livros fixá-las.

Fonte: DN
Publicado por: Monarquia Portuguesa

17 de agosto de 2016

O Bombeiro D. Afonso de Bragança

Dom Afonso de Bragança


O Bombeiro Dom Afonso de Bragança
Infante Dom Afonso Henriques de Saxe-Coburgo-Gota e Bragança, (Ajuda – Lisboa, 31 de Julho de 1865 – Nápoles, 21 de Fevereiro de 1920), 3.º Duque do Porto, 6.º Príncipe Real e herdeiro do trono de Portugal (no reinado de Dom Manuel II), último Condestável de Portugal e último Vice-Rei da Índia Portuguesa.
Deve-se ao Infante Dom Afonso Henriques de Bragança a fundação, em 10 de Abril de 1880, da Real Associação de Bombeiros Voluntários da Ajuda da qual foi o seu primeiro comandante.
A RABVA recebeu o alvará de Real Associação em 2 de Maio de 1881 e funcionava como sede numa parte do próprio Palácio da Ajuda.
Fruto da mal-intencionada campanha republicana que visava denegrir os membros da Família Real Portuguesa ficou injustamente conhecido como ‘O Arreda’. O que não conta essa estória é que Dom Afonso como comandante dos Bombeiros Voluntários da Ajuda  percorria as ruas de Lisboa num carro de bombeiros – pago do próprio bolso – a alta velocidade para levar o auxílio a quem tinha os seus bens a serem consumidos pelo fogo ou incêndios nas matas adjacentes, e como não havia sirenes nesse tempo fazia-o com uma palavra de ordem, o grito, de ‘Arreda, Arreda!’ para que os hipomóveis e os peões saíssem da frente, o que lhe valeu o cognome pouco abonatório, pois como era entusiasta de carros e foi o responsável pela organização das primeiras corridas de automóveis em Portugal, a propaganda anti-monarquia pretendeu passar a ideia que era por conduzir o seu automóvel a alta velocidade, pelas ruas da Capital aos gritos de‘Arreda!’, para as pessoas se afastarem sem serem atropeladas.
É, portanto, impreterível fazer a devida Honra e Justiça à Sua Memória!
Miguel Villas-Boas

16 de agosto de 2016

Bronze para Portugal: parabéns, Telma!

“Pensei muito em Deus e como Ele sabe tudo e, [como] eu tinha sido paciente para continuar a trabalhar, o meu dia acabaria por chegar!” – declarou a judoca Telma Monteiro, depois de ter ganho, no passado dia 8 de Agosto, a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Uma medalha que certamente premeia a sua qualidade como atleta, mas também e sobretudo a sua persistência, pois estes são os quartos Jogos Olímpicos em que participa, depois de ter estado, sem ter ganho nenhuma medalha, em Atenas, em 2004; em 2008 em Pequim; e, há quatro anos, em Londres.
Agora, no Brasil, a consagrada atleta portuguesa conseguiu a medalha de bronze, não obstante a sua condição física não ser a melhor, como a própria reconheceu: “Foram meses de receio, lágrimas e muita luta. Pensei que podia não estar aqui hoje. Tudo o que eu queria era ter mais uma oportunidade. Passei mais meses a recuperar do que a treinar, mas às vezes as coisas acontecem assim. Já vim favorita e não deu. Hoje vim com o joelho ligado. O ombro luxado, mas foi na garra, no querer. Teve de ser, tinha de dar” (Público, 9-8-2016, p. 36).
Não o podia ter dito melhor: “foi na garra, no querer”. Uma vontade de ferro, sem dúvida, mas aliada à fé em Deus, a quem se referiu explicitamente depois desta sua tão desejada e esforçada vitória: “pensei muito em Deus …” Deus ajuda os audazes, como diz o antigo adágio latino, mas não concede as suas graças aos que não lutam. Esse não foi o caso de Telma Monteiro, uma mulher de armas, que nunca desistiu, que lutou sempre, que não desanimou. Nem sequer agora que estava com o ombro lixado, digo, luxado. A sua adversária não ignorava esta sua especial vulnerabilidade e quis até tirar proveito desta desvantagem da judoca portuguesa, mas sem efeito. Porque a Telma, como os outros campeões, da fraqueza tira a força, à semelhança do apóstolo que, a propósito das suas lutas interiores, dizia: “quando sou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12, 10).
Sempre que alguém, procedente de um meio socio-económico mais desfavorecido, ou pertencente a uma família desestruturada, é notícia por algum mau motivo, é comum atribuir as culpas às circunstâncias da sua vida. Um jovem argelino incendeia automóveis nos arredores de Paris? Claro, está desempregado, vive nos arrabaldes, não tem dinheiro, os pais estão divorciados, etc. Com certeza que as condições familiares, sociais e económicas não são indiferentes e é dever do Estado garantir a todos os cidadãos as condições necessárias para a sua realização pessoal e social. Mas não é menos verdade que também há pessoas que superam essas dificuldades. Com muita “garra”, como a Telma Monteiro, filha de um muito modesto pintor de automóveis e de uma cozinheira, algures na margem sul do Tejo.
Condenada a viver num bairro social, onde os seus pais ganhavam o indispensável para manter a numerosa família – quatro filhos, sendo o último adoptado –, a Telma Monteiro poderia ter desistido de ser uma atleta de alta competição, uma medalhada nos Jogos Olímpicos. Mas não são as sapatilhas mais sofisticadas, nem o iPhone último modelo, nem a roupa de marca que fazem os grandes desportistas. A Telma, muito antes de ganhar uma medalha, já tinha conquistado a fibra de que se fazem os campeões, sem arrogância, sem mágoa ou tristeza. Aliás, nem dos que a venceram guarda ressentimento, porque cada derrota foi também uma lição, de que está grata. Está bem com a vida, sente-se abençoada e, com impressionante humildade, confessa: “a minha vida tem sido espectacular!”
Por detrás de uma grande mulher há sempre uma grande família! Grande sobretudo nos valores, na generosidade. É com emoção que se ouve a desportista contar como os seus pais, que viviam com muitas dificuldades, aceitaram adoptar um sobrinho que, de outra forma, teria sido entregue a uma instituição. Tinham todos os motivos para rejeitar aquela criança, que não era deles e que ia sobrecarregar consideravelmente o já exíguo orçamento familiar, mas foi opção que nem sequer consideraram, manifestando, com simplicidade, uma grandeza de alma que não é comum.
Aguerrida, combatente, muito agressiva sobre o tapete… a Telma Monteiro tem contudo uma alma sensível e, por isso, na sua excelente entrevista à SIC, não escondeu as lágrimas que lhe caíram pela face, quando recordou o treinador amigo, já desaparecido, mas que sente sempre presente. Depois, arrependeu-se de ter chorado, porque tinha prometido a si mesma que o não ia fazer, mas essa sua fraqueza é sinal da grandeza do seu coração. São Pedro dizia que o ouro, embora perecível, prova-se pelo fogo (1Pdr 1, 7). O bronze também se derrete, quando as chamas são de amor genuíno e verdadeira gratidão.
Parabéns, Telma Monteiro, glória do judo nacional e honra de Portugal!
Fonte: Observador

13 de agosto de 2016

Batalha de Aljubarrota Comemora 631 anos



Durante o dia a população vai poder assistir a vários momentos que passam por Missa, Cerimónia Militar, Recriação do Combate Medieval às vésperas da Batalha de Aljubarrota e Apresentação dos trabalhos ao Prémio António Sommer Champalimaud
A Batalha de Aljubarrota tem este ano uma comemoração alargada pela data do 14 de Agosto, assinalando mais uma vez aquele que foi um dos dias mais importantes para os portugueses.
No terreno da Batalha haverá, como habitual, uma missa campal celebrada pelo Capelão do Exército e uma cerimónia militar, presidida pelo Major-General Diretor da Direção de História e Cultura Militar, onde estarão presentes cerca de 120 militares em parada.
Durante a manhã será dado destaque ao Prémio António Sommer Champalimaud, que foi desenvolvido com o objetivo de premiar trabalhos criativos alusivos à Batalha Real de 1385 realizados por crianças e jovens em Instituições de Solidariedade Social e/ou ensino da região de Leiria
Os trabalhos serão apresentados ao público durante a semana de 9 a 14 de Agosto e a votação, dos melhores trabalhos, será feita pelos seguidores da página Facebook do CIBA e pelo júri, com representantes da Fundação Batalha de Aljubarrota.
A tarde será marcada pela animação cultural com a Recriação do Combate Medieval, às vésperas da Batalha de Aljubarrota. Aqui alguns homens de armas de Nuno Álvares Pereira são surpreendidos por um pequeno grupo de castelhanos, em reconhecimento do terreno, antes da chegada do imenso exército castelhano às terras do termo de Leiria.
Esta Recriação vai contar com a participação de jovens voluntários, alguns que fazem parte de instituições de solidariedade social e outros que a eles se queiram juntar (que podem fazer inscrição junto do CIBA – Serviço Educativo- contactar via facebook).
De lembrar que, a vitória portuguesa em Aljubarrota permitiu a preparação daquela que seria a época mais brilhante da história nacional – a época dos Descobrimentos – que, de outra forma, não teria ocorrido.
A Batalha de Aljubarrota proporcionou definitivamente a consolidação da identidade nacional, que até então se encontrava apenas em formação, e permitiu às gerações futuras portuguesas a possibilidade de se afirmarem como nação livre e independente.
Notas de Agenda:
Comemoração do Aniversário da Batalha de Aljubarrota
Manhã
10h00 Missa Campal, no altar da Batalha Real
11h00 Cerimónias Militares, com presença de 120 militares em parada
Prémio António Sommer Champalimaud
Tarde
Durante a Tarde Visitas ao Campo da Batalha e participação de Atividades Lúdicas, desenvolvido pelo Serviço Educativo do Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota
18h30 Recriação do Combate Medieval às vésperas da Batalha de Aljubarrota, desenvolvido pelo Vivarte, com participação de jovens de instituições de solidariedade social e de todos os que se queiram juntar (inscrições junto do CIBA – Serviço Educativo- contactar via facebook)