30 de novembro de 2016

CARTA ABERTA AO REI DE ESPANHA

28/11/2016

Mui Católica Majestade, Filipe VI
Ao pisar de novo a terra da Nação dos Portugueses, iremos recebê-lo com a galhardia da lusa gente, até porque, se está entre nós oficialmente, é porque foi convidado.
Lamentavelmente não temos hoje um Rei com igual majestade para o receber, pois não há nada como os laços telúricos do sangue e da terra, irmanados pelo espirito de servir e na crença do sobrenatural, que nos ultrapassa, para o correcto entendimento e tratamento das coisas e dos homens.




                                       Território de Olivença e seu termo.

 
Todavia, não lhe irei dispensar as boas vindas.
Tal não tem a ver com as 18 invasões de que já fomos alvo durante uma História que partilhámos como vizinhos – nós também já as retribuímos algumas vezes; tão pouco tem a ver com a má memória que a dinastia (Filipina) – que V. Majestade herdou no nome – por cá deixou para todo o sempre.
Como sabe estamos prestes a comemorar mais um aniversário da sua feliz expulsão, através da aclamação de um Rei natural, num feriado há pouco reposto, que uma decisão política “infeliz”, tinha extinguido.
Sabe, por cá sempre tivemos uns quantos compatriotas com responsabilidades, que se distraem das coisas importantes, quiçá fundamentais…

   Olivença, no Alentejo.

V. Majestade certamente compreende o que estou a dizer, pois no seu Reino não se pode gabar de estar isento deles, também.
Tão pouco não lhe darei as boas vindas, pela má vizinhança – chames – mo - lhe assim – que os governos que os vossos súbditos têm elegido, têm feito àqueles pedaços de terra rodeados de mar, a que chamamos “Ilhas Selvagens”.
Espero que o bom senso e a diplomacia vão tratando da questão a contendo.


       Castelo de Olivença, mandado construir por D. Dinis.

Também não queremos esquivar-nos a dar-lhe as boas vindas e à senhora sua esposa, por causa do “ataque” à economia e, sobretudo, às finanças portuguesas.
Nesse campo apenas tenho que vos tirar o chapéu, pois estão a fazer, naturalmente, o vosso papel. O problema maior, mais uma vez, é o facto de andar por cá muita gente distraída, para não lhes chamar outras coisas, sabe?


     Igreja de Santa Maria Madalena – Olivença.

Não, aquilo que me leva a não lhe dar as boas vindas tem a ver com o facto da Coroa e da República Espanholas, não terem restituído a Portugal a portuguesíssima vila de Olivença e seu termo, que ocupam ilegalmente, “manu militare”, desde 1815 (eu diria, desde 1807).
V. Majestade sabe certamente os contornos do caso e tem seguramente à mão, excelentes diplomatas e historiadores que lhe podem dar conta dos pormenores.


     Calçada portuguesa, na “Plaza de Espana” – Olivença.

Vou apenas recordar-lhe o que um deles, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Fedrico Trillo Y Figueroa, disse, em 12 de Setembro de 1997, no Mosteiro de Santa Maria de Aguiar (Castelo Rodrigo), nas comemorações dos 700 anos do Tratado de Alcanizes. Disse ele, “Na questão de Olivença a Espanha não tem defesa”.
Espero ter ilustrado o ponto.


  Porta manuelina nos Paços do Concelho – Olivença.

Se nada mais fizesse, o reinado de Filipe VI, já teria algo importante na balança do “deve e do haver”, ao tratar este assunto com deve, e limpava uma nódoa que não ilustra a nobreza dos povos que o ceptro de Castela foi unindo, ao longo dos séculos.
Com este caso resolvido, ou seja pela retrocessão dos cerca de 750 Km2, na modalidade a acordar entre Estados e Nações que se desejam amigas e colaborantes.
Nesse dia eu serei o primeiro a ir esperá-lo, Majestade, e dar-lhe as boas vindas. 
E brindarei com um bom vinho de “Rioja” acompanhado de umas “tapas”.
Fica prometido.
Deus guarde a V. Majestade.

João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador

Fonte: O Adamastor

29 de novembro de 2016

Entrevista a João Távora, Presidente da Real Associação de Lisboa



Numa curta conversa com o OLHAR DIREITO, o Presidente da Real Associação de Lisboa, João Távora, explica quais seriam as funções do Rei se Portugal ainda fosse uma monarquia. O papel da organização junto da sociedade civil e o lugar que a família real ocupa na sociedade portuguesa também fizeram parte da entrevista.

"O modelo português tinha de ter duas câmaras e um Chefe do Estado com poderes representativos"

Qual o trabalho que tem desempenhado como Presidente da Real Associação de Lisboa?
Costumamos realizar actividades, reunir as pessoas e fazê-las sentir que pertencem a um grupo. Organizamos visitas culturais e debates. A minha prioridade é deixar a Real Associação de Lisboa com mais sócios. Brevemente vai acontecer o jantar dos Conjurados na véspera do feriado da Restauração.
Qual o papel da família real na sociedade portuguesa?
Temos uma família real com geração e legitimada, o que é raro nas repúblicas europeias. Pretendo juntar mais pessoas à volta da família real porque dá valor à nossa grandeza histórica. Neste momento, existe uma questão principal que passa por transpor a família real para as próximas gerações.
As Monarquias conseguem sobreviver em regimes constitucionais?
A democracia é fundamental para sermos monárquicos. As monarquias existem porque conseguiram aderir aos ideais da democracia antes de qualquer república. Os países monárquicos têm níveis elevados de participação política e qualidade democrática.
Qual o modelo que defende para Portugal?
O modelo português tinha de ter duas câmaras e um Chefe do Estado com poderes representativos, além de ser Comandante-geral das Forças Armadas. O Rei é o portador de uma mensagem, sendo fundamental o papel de representante de Portugal, mas não pode condicionar a governação.
A voz de Portugal seria mais ouvida no Mundo se tivesse um Rei?
A grande vantagem da monarquia é a força que um Rei tem nas relações internacionais.
A Monarquia conseguia impedir as crises económicas em Portugal?
As várias revoluções tiveram efeitos na economia portuguesa. Não existe qualquer monarquia que tenha tido intervenção do FMI. Os países monárquicos são estáveis porque promovem o bem-estar social e económico. 

27 de novembro de 2016

Santos, precisam-se!



Eles abundam na lista telefónica, mas escasseiam na toponímia e na estatuária das nossas cidades. Até nas igrejas católicas, os santos estão cada vez mais ausentes. Mas, como todos os anos se recorda no dia primeiro de Novembro, eles são necessários, sobretudo agora que, à falta de verdadeiros heróis, proliferam os falsos ídolos.

Por louvável iniciativa de um grupo de cidadãos, a cidade de Lisboa conta agora com uma estátua de D. Nuno Álvares Pereira, que em religião se chamou Frei Nuno de Santa Maria. O Santo Condestável, representado de joelhos diante da sua espada, alçada como se fosse uma cruz, está agora presente na iconografia olisiponense, depois de um longo processo, não isento de vicissitudes. Muitos foram os projectos, mas muitos também os obstáculos a vencer, porque é antiga a pretensão laicista de confinar a fé ao interior dos templos e à penumbra das sacristias.

A presença do Presidente da República e do Cardeal Patriarca, bem como a dos Duques de Bragança e do presidente da autarquia, deu especial relevo à cerimónia que, por feliz coincidência, teve lugar no passado dia 6, memória litúrgica de São Nuno de Portugal. A estátua do Condestável e Santo, como se refere no respectivo pedestal, pode ser agora vista no Restelo, no topo da Avenida da Torre de Belém, num lugar muito apropriado porque, como é sabido, foi graças à acção militar de D. Nuno Álvares Pereira que se firmou no trono a dinastia de Avis. E foi com D. João I e com os monarcas que lhe sucederam no trono lusitano, que se promoveram os descobrimentos e a expansão ultramarina, que deu novos mundos ao mundo e à fé.

Também na Igreja a devoção aos santos parece estar em crise. Basta entrar numa igreja católica, de recente construção, para constatar a chamativa ausência de imagens de santos, tão abundantes, pelo contrário, nos templos erigidos nos séculos passados, também por reacção à supressão deste culto pelos protestantes, especialmente avessos a tais devoções. É salutar que, graças à reforma litúrgica conciliar, se dê agora mais ênfase à centralidade de Cristo, bem como à mediação de Maria. Mas o culto dos santos não diverge desta orientação, antes a cumpre e exemplifica, como acontece em São Nuno de Santa Maria: mais do que generalíssimo dos exércitos reais, foi humilde soldado de Cristo, sob o pendão de Nossa Senhora da Conceição. A bem-aventurada vida do Santo Condestável é um exemplo de imensa actualidade e pertinência para qualquer jovem que tenha também ânsias de grandeza no serviço de Deus e da nação.

As pessoas de idade gostam de se rodear das fotografias dos seus familiares e amigos já desaparecidos, mas não se pense que esta tradição é exclusiva dessas idades, porque também os jovens procuram referências e, por isso, forram as paredes dos seus quartos com os ‘posters’ dos famosos de que são fãs. Se os cristãos mais novos não conhecerem as vidas dos santos que a Igreja elevou aos altares, idolatrizarão os actores e cantores seus preferidos, ou os desportistas da sua eleição, cujas vidas, nem sempre exemplares, procurarão imitar, em prejuízo da sua fé.

Urge uma nova catequese da santidade cristã, pela divulgação – também pelos sofisticados meios técnicos a que hoje quase todos os cristãos têm fácil acesso – das actualíssimas vidas dos santos: não há aventuras mais apaixonantes, nem histórias mais educativas! Mas também pela presença das suas imagens nas igrejas e ruas das nossas cidades.


P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA


26 de novembro de 2016

1640: Restauração da Independência – Restauração da Legalidade

el-rei-dom-joao-iv-de-portugal-pcm


Entende-se que de acordo com a Lei e o Direito Consuetudinário portugueses, Filipe III (IV de Espanha), sendo um Príncipe estrangeiro, não tinha direito ao trono português, tanto mais que havia, segundo estas leis do País um candidato natural e legítimo Dom João II de Bragança, o 8.º Duque de Bragança, neto de Dona Catarina, Duquesa de Bragança. Assim, já em 1580, extinta a Dinastia de Avis, com o falecimento do Cardeal-Rei Dom Henrique e a debandada de Dom António, Prior do Crato, provocada pelos castelhanos, e o trono de Portugal passou para Filipe II de Espanha (I de Portugal) e que originou a 3.ª Dinastia, em assentimento com a Lei que resultou das Cortes de Lamego e o Direito Consuetudinário portugueses havia um candidato natural e legítimo: Dona Catarina, Duquesa de Bragança, e tal como Filipe I, neta d’ El-Rei Dom Manuel I. Dona Catarina contraiu matrimónio com D. João I de Bragança e o seu primogénito D. Teodósio II, foi o 7.º Duque de Bragança, que por sua vez foi pai de Dom João II de Bragança que viria a ser o Rei Restaurador Dom João IV de Portugal.
Saliente-se que, por tradição e pela importância da Casa de Bragança, os Duques de Bragança têm os seus nomes numerados tal como os Reis, mesmo quando a família ainda não era a Família Real Portuguesa.
Recorde-se que a Sereníssima Casa de Bragança teve a sua fundação em Dom Afonso I, filho natural de Dom João I e de Inês Pires, uma mulher solteira. Tendo sido legitimado pelo Rei que lhe concedeu o título de Conde de Barcelos, Dom Afonso contraiu matrimónio com a filha de Dom Nuno Álvares Pereira, Dona Beatriz Pereira Alvim. Mais tarde, já na regência do seu meio-irmão Dom Pedro, foi por este concedido a Dom Afonso, o título de Duque de Bragança.
Por tudo isto, já em 1635, por altura do casamento de Dom Francisco de Mello, 3.º Marquês de Ferreira, D. João II de Bragança foi recebido como um Rei a ser, em Évora.

Miguel Villas-Boas

A sucessão dinástica do Reino de Portugal nas ACTAS DAS CORTES DE LAMEGO:
‘ (…) Se o primeiro filho do Rei morrer em vida de seu pai, o segundo será Rei, e este se falecer o terceiro, e se o terceiro, o quarto, e os mais que se seguirem por este modo.
Se o Rei falecer sem filhos, em caso que tenha irmão, possuirá o Reino em sua vida, mas quando morrer não será Rei seu filho, sem primeiro o fazerem os Bispos, os procuradores, e os nobres da Corte do Rei. Se o fizerem Rei será Rei e se o não elegerem, não reinará.
Disse depois Lourenço Viegas Procurador do Rei, aos outros procuradores:
– “Diz o Rei, se quereis que entrem as filhas na herança do Reino, e se quereis fazer leis no que lhes toca?”
E depois que altercaram por muitas horas, vieram a concluir, e disseram:
– “Também as filhas do senhor Rei são de sua descendência, e assim queremos que sucedam no Reino, e que sobre isto se façam leis”, e os Bispos e nobres fizeram as leis nesta forma.
Se o Rei de Portugal não tiver filho varão, e tiver filha, ela será a Rainha tanto que o Rei morrer; porem será deste modo, não casará se não com Português nobre, e este tal se não chamará Rei, se não depois que tiver da Rainha filho varão. E quando for nas Cortes, ou autos públicos, o marido da Rainha irá da parte esquerda, e não porá em sua cabeça a Coroa do Reino.
Dure esta lei para sempre, que a primeira filha do Rei nunca case senão com português, para que o Reino não venha a estranhos, e se casar com Príncipe estrangeiro, não herde pelo mesmo caso; porque nunca queremos que nosso Reino saia fora das mãos dos Portugueses, que com seu valor nos fizeram Rei sem ajuda alheia, mostrando nisto sua fortaleza, e derramando seu sangue.
Estas são as leis da herança de nosso Reino, e leu-as Alberto Cancheler do senhor Rei a todos, e disseram, boas são, justas são, queremos que valham por nos, e por nossos descendentes, que depois vierem. (…)’

25 de novembro de 2016

17º ANIVERSÁRIO DE S. A. O INFANTE D. DINIS DE SANTA MARIA


SUA ALTEZA SERENÍSSIMA O INFANTE Dom Dinis de Santa Maria Miguel Gabriel Rafael Francisco João, 4º duque do Porto, nasceu a 25 de Novembro de 1999.


Para o nosso Infante Bem-Amado, que hoje celebra o seu aniversário, pedimos a Deus que lhe dê longa Vida, Saúde, Sucesso, Felicidade e muito Amor e desejamos que todos os dias o Seu Anjo da Guarda O proteja e guie.

VIVA A FAMÍLIA REAL!
VIVA PORTUGAL!

24 de novembro de 2016

OS COMANDOS E A JUSTIÇA (?) PORTUGUESA



“Sabeis, ó cobardes, o que é ser soldado? É não comer quando se tem fome, não beber quando se tem sede e poder com o companheiro às costas, quando não se pode com o seu próprio corpo.”
Teixeira de Pascoais


            Resumindo rapidamente os factos:
            No dia 4 de Setembro, primeiro dia (!) de instrução do 127º curso de “Comandos” – a tropa especial portuguesa que tem, porventura, o treino físico, psicológico e táctico mais duro de todas as forças militares nacionais – registou-se um óbito de um instruendo no local onde decorria o treino e a evacuação de mais cinco militares para o Hospital das Forças Armadas (HFAR), um dos quais veio a falecer, num hospital público, devido ao seu estado de saúde aconselhar um tratamento mais especializado que o HFAR não tinha possibilidade de fazer.
            Levantaram-se desde logo as mais variadas notícias de que as mortes teriam sido causadas por treino excessivamente duro ou desaconselhado devido às altas temperaturas existentes.
            Entretanto surgiram nos meios de comunicação social, diversas intervenções públicas de responsáveis políticos e de alguns militares e alguns descabelados dizeres de politiqueiros partidários da nossa excelsa praça.
            Seguiram-se os inquéritos e procedimentos normais nestas circunstâncias. O que já comentámos na altura.
            Com o decorrer das investigações, acabaram arguidos sete militares de diferentes postos, o mais elevado sendo o do Tenente Coronel Director de Instrução do referido curso.
            Prestes saiu a acusação da Procuradora do Ministério Público (DIAP), de seu nome Cândida Vilar - cujo passado (triste) se conhece bem demais - a qual numa linguagem alvar desanca nos arguidos e pede a prisão preventiva dos mesmos, como se fossem criminosos de delito comum, apanhados em flagrante delito.
            E sem nunca ter falado com eles…
            A ordem de prisão é dada pelo Comandante Operacional do Exército e os militares entregues à Polícia Judiciária Militar (PJM), tudo feito em moldes consentâneos com a Condição Militar – salve-se isso.
            Porém, os arguidos e seus representantes, souberam de tal pela Comunicação Social…
            Dois dias depois, e após audição, a juíza instrutora do processo, libertou os militares, fixando-lhes apenas a pena mínima de termo de identidade e residência.
            Mas do conteúdo desse despacho ainda ninguém falou publicamente…
            A justificação da Procuradora, que foi de lamentável a pior, atingiu o seu cume ao defender que os arguidos “alimentavam um ódio patológico e irracional” em relação aos instruendos, nomeadamente aos falecidos!
            Como é possível uma agente de um órgão importante da justiça usar um linguajar destes, que mais parece uma alarvidade cobarde e vil, com a qual agride a Instituição Militar e os militares no seu todo?
            A senhora procuradora sabe – e se não sabe devia saber – que os militares são unos na sua condição; têm uma instrução básica comum (a recruta) e depois outras variadas e especializadas, onde se tenta criar uma coesão, camaradagem e espírito de corpo e uma excelência táctica que permita o cumprimento das missões e a sobrevivência em combate.
            E que não é com “ódio patológico” que se conseguem estes desideratos.
            As Forças Armadas constituem uma única instituição, nacional por excelência; politicamente apartidária – mas não neutra nem apolítica – onde os militares só têm uma carreira e não podem mudar de “empresa”, ou local de trabalho, nem emigrar e onde o coletivo prefere ao individuo.
           Os militares estão ainda, identificados pelo uniforme, pelo cerimonial, pelo atavio, pelas condições específicas do exercício da sua profissão, melhor dizendo do seu serviço, que são únicos e não se confundem com nenhuns outros.
            Ou seja, tudo o que se passa de bom ou mau, na Instituição, repercute-se sobre todos, não apenas alguns.
            Por isso ao fazer-se determinadas acusações e o modo como são feitas, estas não se limitam a ferir alguns militares visados, mas atingem todos.
            E a senhora procuradora sabe isto – e se não sabe devia saber – o que leva a poder considerar-se que o seu “despacho acusatório” é acintoso não só para com os arguidos, mas para a generalidade dos militares.
            É pois uma atitude com dolo!
            Nenhum cidadão deve poder “esconder-se” atrás do seu cargo ou função para ter uma atitude destas e ficar impune!
            Eu não conheço nenhum dos sete militares que têm a infelicidade de estarem nesta situação, nem sei pormenores do caso em questão, mas não tenho qualquer dúvida em afirmar que por muito deficiente que possa ter sido eventualmente a sua conduta, ela jamais se poderá comparar àquela descrita pela acusação!
            A senhora procuradora não está minimamente capacitada, salvo melhor opinião, para avaliar coisa alguma sobre este caso e sobre os contornos da Instituição Militar!

                                                           *****
            Tudo isto é fruto, numa macro e sintética análise, de duas coisas: a primeira é terem acabado com os tribunais militares e o seu foro próprio – a secular Justiça Militar - processo iniciado nos idos dos anos 90 e concluído, em 2003, uma medida tida como muito democrática, avançada e “europeísta” mas, no mais demagógica e desajustada o que, na altura, quase ninguém contestou…[1]
            A segunda é a bagunça em que transformaram o edifício da Justiça Portuguesa, caracterizada pela sua lentidão, leis e códigos desajustados, cara (logo injusta), pesada, excesso de “garantias” e alçapões e extremamente permeável a gente mal formada (lembram-se da “escola do copianço”?), ideologias malsãs, infiltrações partidárias e sociedades secretas ou discretas e, até, a desequilibrados mentais, etc..
            O segredo de justiça é uma ficção…
            Para já não falar nas promiscuidades inenarráveis entre parlamentares, membros de governo, gabinetes ministeriais, escritórios de advogados, gestores de empresas públicas e de bancos, e pessoal em trânsito, entre uma coisa e outra.
            Parece que apenas os militares é que têm que abandonar a sua carreira, sendo obrigados a deixar o serviço activo para se candidatarem ou exercerem um cargo político…
            Por tudo isto os chefes militares não podem e não devem, ficar especados a olhar para tudo o que se passa à sua volta, como se nada lhes dissesse respeito ou à instituição secular e fundamental ao país de que, transitoriamente são os responsáveis maiores.
            Pergunto ainda, de que se está à espera para concluir e dar a conhecer o processo de averiguações interno que se mandou fazer?
            E se este porventura, não coincidir com o processo judicial que está a decorrer, o que vão fazer?
            E porque é que a responsabilidade do ocorrido parou no Tenente-Coronel, Director da Instrução dos Comandos, por ex.? Acaso ele não cumpriu com alguma directiva superior? Se não cumpriu, só ele devia ser punido e não os seus subordinados que porventura teriam agido segundo instruções suas; o mesmo se aplica para cima, caso ele não tenha ido contra nada do que está prescrito e aí teríamos que seguir a cadeia hierárquica até ao topo.
            É que está em jogo o princípio hierárquico da responsabilidade, que não se pode delegar. E digo mais: se a Instituição Militar e os militares deixaram de ter foro próprio de justiça e tendo sido elementos seus, acusados pela “justiça civil”, por actos praticados enquanto estando a cumprir missões no âmbito das Forças Armadas, porque não é, neste caso, o Exército ou o EMGFA, a patrocinar a defesa dos mesmos?
            Aliás, as chefias vão já ter um problema sério para resolver, e que é este: arranjar quem queira ser instrutor seja do que for, e sendo-o que instrução é que vai dar e com que qualidade, sabendo que o risco elevado é inerente ao treino militar e depois não tem ninguém que o defenda.
            E para os restantes militares esta, aparente ou real passividade, das chefias não deve ser desculpa para ao nível de cada um, nada também fazerem.
            Já chega de humilhações!


                                                             João José Brandão Ferreira
                                                                    Oficial Piloto Aviador


[1] Lembra-se que o Supremo Tribunal Militar era uma das mais antigas instituições nacionais, remontando a 11 de Dezembro de 1640.

Fonte: O Adamastor

23 de novembro de 2016

21/11/1904 – Visita Reis de Portugal ao Reino Unido

d-carlos-i-em-inglaterra


‘Hip, Hip, Hurrah!!!’, escutou Sua Majestade o Rei Dom Carlos I de Portugal quando, em 21 de Novembro de 1904, visitou o Reino Unido.
Foguetes a estalar nos céus, faixas e bandeiras a pender nas árvores, mantas coloridas nas janelas, com tudo isto e muito mais as multidões compactas de ingleses acolheram El-Rei Dom Carlos I de Portugal; e claro com muitos…
‘God Save The King!!!’.
Uma visita em que os Reis de Portugal D. Carlos e Dona Amélia fizeram as parangonas dos jornais ingleses, que não economizaram elogios ao Monarca português.
Escreveria Dom Carlos I ao seu Presidente do Conselho, José Luciano de Castro:
‘A recepção que nos foi feita ontem em Londres passou absolutamente tudo quanto tu possas imaginar. Nunca em Londres se fez a um soberano estrangeiro coisa que de longe se parecesse com isto. Nem eu mesmo nunca esperei que isto fosse assim, apesar de saber quanto em Inglaterra eu sou querido e estimado. É uma grande coisa para o nosso País.’
reis-em-fireworks
A culminar a estadia: em Londres, uma sessão de fogo-de-artifício em que os rostos dos Reis de Portugal apareceram desenhados por efeito pirotécnico.
Miguel Villas-Boas

22 de novembro de 2016

50º ANIVERSÁRIO DE S.A.R., A SENHORA DONA ISABEL DE BRAGANÇA

Sua Alteza Real a Duquesa de Bragança Senhora Dona Isabel


S.A.R. a Senhora Dona Isabel de Bragança nasceu em Lisboa em 22 de Novembro de 1966.

Até 1976 viveu entre Portugal e Angola e estudou no Colégio das Doroteias.

Em 1976 a sua família mudou-se para o Brasil. Estudou então em S.Paulo, no Colégio de S. Luís, da Companhia de Jesus, até 1988.

Licenciou-se em Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas em 1990.

Nesse ano regressou a Portugal e iniciou a sua actividade profissional numa empresa financeira, a BMF - Sociedade de Gestão de Patrimónios, S.A. onde esteve até 1995.


Em 13 de Maio de 1995 casou com S.A.R. o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, tendo três filhos: os Príncipes Dom Afonso de Santa Maria, Dona Maria Francisca e Dom Dinis.

Desde 1995 a Senhora Dona Isabel tem realizado colóquios e conferências em vários países. É patrona de algumas instituições, de entre as quais:

· Refúgio Aboim Ascensão - Faro
Instituição privada de solidariedade social cuja finalidade é admitir, adaptar socialmente e devolver posteriormente às suas famílias naturais, crianças vítimas de abusos físicos , negligência e quaisquer outras formas de violação do seu desenvolvimento e direitos.

· Ajuda ao Recém Nascido
Instituição ligada à Maternidade Alfredo da Costa para apoio de emergência a recém-nascidos carenciados, que apoia cerca de 500 crianças por anos com roupas, medicamentos, alimentos e leite.

· Trissomia 21
Associação social privada sem fins lucrativos, cujos principais objectivos são a implementação de todas as acções relacionadas com os aspectos científicos, educacionais e sociais da Trissomia 21, Mongolismo e Doença de Down.

· Associação Portuguesa de Miastenia Grave e Doenças Neuro-Musculares
Associação criada no âmbito do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, para melhores condições de atendimento dos doentes.

· Ajuda de Berço
Casa que acolhe temporariamente crianças, desde recém-nascidos até aos três anos, em situações de risco, que não tem possibilidade de receber cuidados dos pais.

· Os Francisquinhos
Associação de solidariedade social de pais e amigos de crianças do Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, com problemas de mal-formação ou filhos de mães toxico-dependentes ou portadoras do vírus da Sida, para acompanhamento e auxílio aos pais em colaboração com a comunidade.

S.A.R, a Senhora Duquesa de Bragança é Grã-Mestra da Real Ordem de Sta Isabel, Grã-Cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e Dama Grã-Cruz de Honra e Devoção da Ordem Soberana e Militar de Malta.

Fonte: CASA REAL PORTUGUESA

Resultado de imagem para S.A.R. a Senhora Dona Isabel de Bragança


Neste dia abençoado por Deus, desejamos a Vossa Majestade longa Vida, Saúde, Paz, Amor e Alegria junto da Vossa Real Família, Bem-Amada por todos nós.

Que Deus A Guarde e Ilumine.

Resultado de imagem para rosas azuis naturais

VIVA A NOSSA RAINHA!
VIVA A FAMÍLIA REAL!
VIVA PORTUGAL!

21 de novembro de 2016

Um burburinho dos diabos

A radicalização e intolerância do discurso anticlerical de alguns homossexuais gera violência, também contra os próprios, tantas vezes vítimas de injustas agressões. E não favorecem a sua aceitação.

Não foi só na Nova Zelândia que a terra tremeu esta semana. Também nas antípodas, neste país que já foi de brandos costumes e agora é de unicidades ideológicas e serôdios corporativismos, se registou um violento sismo mediático, com o epicentro nas controversas declarações da Dra. Maria José Vilaça. Em entrevista à revista Família Cristã, a presidente da Associação dos Psicólogos Católicos disse: “Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer. É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom”.
O que é, ou não, natural tem muito que se lhe diga. Sem entrar no fundo da questão, pode-se dizer que é natural o que se observa na generalidade das pessoas e que, por isso, se atribui à natureza humana. Ora, no mundo inteiro, cerca de 97% da humanidade sente-se atraída pelo sexo oposto: pode-se dizer portanto que, em termos sociológicos, essa é a tendência mais natural, sem que o seu contrário seja anormal. Neste sentido, o celibato, que contraria uma inclinação generalizada, não é tão natural quanto o casamento, sem que por isso seja nenhuma anormalidade. Ser superdotado também não é natural, embora seja, como é óbvio, excelente.
A comparação entre a tendência homossexual e a toxicodependência não foi feliz: não são, de facto, realidades equiparáveis. Porém, o discurso não versava sobre a bondade ou maldade da tendência homossexual, que à psicologia não compete ajuizar, mas à ética e à teologia moral. Pelo contrário, incidia sobre as consequências dessa ocorrência para os pais, como a própria psicóloga depois esclareceu: “O que [eu] disse é que, perante um filho que tem um comportamento com o qual os pais não concordam, [estes] devem na mesma acolhê-lo e amá-lo. A toxicodependência é apenas exemplo de comportamento que, por vezes, leva os pais a rejeitar o filho. Não é uma comparação sobre a homossexualidade, mas sobre a atitude diante dela”.
É pena que esta atitude de aceitação e de caridade para com os homossexuais, nomeadamente os que vivem com os pais, e para com todos os seres humanos, tenha passado despercebida aos que não tardaram em apedrejar publicamente a presidente da Associação dos Psicólogos Católicos. Ora Maria José Vilaça, seguindo aliás o Papa Francisco, como compete a qualquer católico coerente, para todos exigiu acolhimento e amor.
A propósito, esclareça-se que a Igreja não reprova a tendência homossexual, nem muito menos as pessoas – algumas, por certo, católicas – que, por vezes contra a sua vontade e com grande sofrimento, se reconhecem nessa situação. O que a Igreja reprova são os comportamentos contrários ao que, segundo a Bíblia, entende ser o recto uso da sexualidade humana, sejam esses actos praticados por um homem ou uma mulher, uma pessoa solteira ou casada, com tendência homossexual ou heterossexual. Não faria sentido que, aos homossexuais, não se exigisse o que a todos os cristãos se pede: na realidade, isso seria até uma sua injusta discriminação. O Evangelho é igualmente exigente para todos os fiéis: nomeadamente os que optam pelo celibato, apesar da inclinação natural para a actividade sexual; ou os que se comprometem à fidelidade para sempre, no matrimónio monogâmico, não obstante a natural atracção por outros eventuais parceiros. Por isso, quando Cristo enunciou os princípios a que se obrigam os cristãos quando casam, muitos concluíram que, assim sendo, mais valia não casar! (Mt 19, 10).
Entre as muitas reacções suscitadas pelas polémicas declarações da presidente da Associação dos Psicólogos Católicos, surpreendeu, pela positiva, o sensato comentário de quem, identificando-se como homossexual, teve a coragem de criticar os que, a coberto dessa mesma tendência, deram indícios de uma mentalidade perigosamente autoritária e de uma exagerada susceptibilidade em relação a qualquer discurso que não exalte o seu estilo de vida, ou não aplauda os seus pontos de vista.
Com efeito, a este propósito, José Leote escreveu: “assistimos a um fenómeno curioso e preocupante que, infelizmente, se tem vindo a acentuar nos últimos tempos: quem expressa uma opinião contrária à nossa é necessariamente homofóbico. Por outras palavras, queremos rotular de homofóbica toda a pessoa que discorda de nós, que tem uma opinião diversa sobre a homossexualidade, mesmo que não incite ao ódio contra quem quer que seja. Ou seja, pretendemos coartar a liberdade de expressão aos outros, que aos quatro ventos reclamamos para nós. Muitos de entre nós chamam os sacerdotes de pedófilos, fazendo uma generalização infundada e abusiva; chama os fiéis disto e daquilo, a Igreja daqueloutro e aqueloutro ainda. Todos e todas se arrogam o direito a fazer e dizer as maiores barbaridades em nome da liberdade individual e de expressão, mas quando alguém discorda de nós: Aqui d’el-rei que é ‘homofóbico/a’!”
A crítica não podia ser mais certeira, porque a radicalização e intolerância do discurso de alguns homossexuais gera violência, também contra os próprios, tantas vezes vítimas de cruéis agressões. É justa e necessária a fundamentada denúncia de casos de verdadeira homofobia, ou de injustificada discriminação, porque não têm possível justificação legal ou moral. Mas, o recurso arbitrário a essa acusação incentiva os autos-de-fé e os julgamentos sumários na praça pública. Os ataques de alguns homossexuais, certamente poucos, à liberdade de pensamento e de expressão, à liberdade religiosa e de opinião, aos direitos humanos, aos valores e aos princípios da democracia, não favorecem, numa sociedade livre e democrática, a sua compreensão e aceitação. Por isso, é de esperar que a Ordem dos Psicólogos Portugueses não dê provimento às queixas contra a liberdade de expressão dos seus profissionais porque, nesse caso, poder-se-ia converter numa odiosa ordem de polícias do pensamento…
Num seu posterior esclarecimento, Maria José Vilaça, com serenidade e bonomia, reconheceu que, como reacção a esta sua entrevista, gerou-se um certo “burburinho”… Na verdade não foi um burburinho, mas – diga-se sem ofensa para ninguém – um ‘burburão’ dos diabos!
Fonte: Observador

20 de novembro de 2016

A Lisboa de Dona Amélia, a Rainha do Povo

Praça de Camões é ponto de partida de um percurso que passa pela ourivesaria oficial da coroa, a Leitão & Irmão, pelo instituto-sede da obra assistencial da rainha, terminando com o regicídio, no Terreiro do Paço


A estátua de Camões serve de ponto de partida para um roteiro que promete seguir os passos da rainha D. Amélia pela cidade de Lisboa. Olhando em redor, apenas uma bandeira azul e branca no segundo andar de um prédio que faz esquina entre a Praça Luís Camões e a Rua da Misericórdia remete para os tempos da monarquia. E esse é de facto um marco na paisagem que a guia, Mónica Queiroz, não tarda em associar à figura de D. Amélia, última rainha de Portugal. Afinal, a bandeira é o sinal exterior da Real Associação de Lisboa, aí instalada.

Mas esta não é a única razão para o roteiro se iniciar neste ponto. "Era no Chiado que a rainha fazia as compras de Natal, que procurava as novidades em lojas como a Ramiro Leão, que já não existe, ou a ainda sobrevivente Paris em Lisboa", conta Mónica Queiroz, da Câmara Municipal de Lisboa, a responsável por este e por vários outros roteiros temáticos que dão a conhecer a cidade e as suas vivências. Mais, revela: "D. Amélia, acompanhada da sua dama Isabel Saldanha da Gama, gostava de passear pelo Bairro Alto para ver pessoalmente como as pessoas viviam."


Nascida em 1865, em Twickenham, nos arredores de Londres, onde a família de Orleães se exilara após Napoleão III ter assumido o trono de França, em 1848, D. Amélia chega a Lisboa, mais concretamente a Santa Apolónia, a 19 de maio de 1886. Este roteiro não passa por lá nem tão-pouco pela Igreja de São Domingos (junto ao Rossio), onde três dias depois se casa com o futuro D. Carlos I.

E mais uma vez, a razão é simples: o que este roteiro pretende evidenciar é a obra social e benemérita da rainha. Por isso também não inclui palácios, nem o da Ajuda nem o das Necessidades, onde morou. O que não quer dizer que não se registem alguns luxos dignos de princesas e rainhas. Como acontece logo no segundo local de paragem. Basta atravessar a estrada, passar a Igreja do Loreto, e junto à vitrina da Leitão & Irmão uma placa lembra que esta era a ourivesaria real da coroa. "Estabelece-se no Chiado em 1877 e, entre outras peças, fez esta tiara que a rainha usou no casamento", diz Mónica Queiroz enquanto mostra uma imagem de Dona Amélia usando essa peça de joalharia. "Aliás, esta tiara é a mesma que D. Isabel Herédia usou no seu casamento com Dom Duarte, em 1995", avança.

Daqui segue-se pela Rua António Maria Cardoso até à Travessa dos Teatros, onde cem anos separam duas icónicas salas de espetáculos: o São Carlos, fundado em 1792, onde D. Amélia assistiu a várias óperas - e o São Luiz, começado a construir em 1892, em terrenos pertencentes à Casa de Bragança que o rei D. Carlos ofereceu ao visconde de São Luiz Braga, e que foi inaugurado pelo casal real, dois anos depois, na altura com o nome de Teatro Dona Amélia. Após a implantação da República, e como aconteceu com tantos outros edifícios e ruas, foi renomeado, recebendo o nome de Teatro da República. Reconstruído após um incêndio em 1914, recebe a atual designação após a morte do visconde, em 1918, como homenagem ao seu grande impulsionador.

A pausa neste local mais recatado, por vezes sobressaltada pela passagem dos elétricos, é aproveitada por Mónica para falar um pouco mais da rainha, do seu namoro com o príncipe Carlos, lendo passagens das cartas que trocaram antes da sua chegada a Portugal. Uma união que, sublinha, "deu logo frutos em 1887, com o nascimento de Luís Filipe". E volta a exibir uma das imagens que traz no seu dossiê: uma fotografia da rainha com o filho ao colo. "Não é comum vermos fotografias das rainhas com os filhos ao colo. Esta imagem serve para mostrar o relacionamento muito próximo que Dona Amélia tinha com os filhos."

Nova passagem pelo Chiado, vira-se para a Rua do Alecrim e, a meio da descida, a estátua de Eça de Queirós é motivo para nova paragem. Altura de Mónica ler um texto em que o escritor defende a monarca francesa perante a desconfiança na sociedade - "afinal as Invasões Francesas não tinham sido assim há tanto tempo", recorda - e evidencia desde logo o facto de ser uma rainha acessível e que se mistura com o povo. Tempo ainda para falar da situação política do país governado pelo jovem casal desde 1889, com o Ultimato Inglês (1890) e a bancarrota (1891) como pano de fundo. Nada que impeça a rainha de pôr em prática as suas obras assistenciais, aproveitando, por exemplo, as Garden Parties, organizadas no Palácio da Pena, em Sintra, para fazer quermesses. Foi assim, por exemplo, que recolheu os fundos necessários para a construção da ala pediátrica no Hospital do Rego, em 1888.

Depois de uma passagem pela Igreja das Chagas, normalmente fechada mas que se junta a este roteiro por ter pertencido a uma associação assistencial dos filhos e mulheres dos mareantes, passagem pelo Palacete Viana, onde esteve instalado o Atelier Fillon, fotógrafos oficiais da família real, e entra-se na parte do percurso que lembra o trabalho da rainha na luta contra a cólera, a difteria e a tuberculose, doenças que muito afetavam a população, tendo fundado o Instituto de Socorros a Náufragos, a Assistência Nacional a Tuberculoses e ainda o Instituto Câmara Pestana.

É a partir do Largo dos Stephens que Mónica Queiroz indica um edifício fronteiriço onde foi instalado o primeiro dispensário, ao qual depois se juntaram outros, espécie de centro de saúde onde os mais pobres recebiam cuidados relacionados com a tuberculose. Na Avenida 24 de Julho, já a chegar ao Cais do Sodré, lá está o Instituto Rainha D. Amélia, agora Inspeção-Geral das Actividades em Saúde, sede operacional do trabalho assistencial que fez pelo país.


Passagem pelo antigo arsenal da Marinha, onde foi construído o Cruzador Rainha D. Amélia, e pela Rua do Arsenal e Terreiro do Paço, onde a vida de D. Amélia ficou marcada pela morte do seu filho primogénito, Luís Filipe, e do marido, D. Carlos. Um local de triste memória para esta rainha que nasceu no exílio, sobreviveu à queda da monarquia e a duas guerras mundiais. Uma síntese muitíssimo abreviada de quanto Mónica Queiroz revela tanto desta rainha do povo como da cidade de Lisboa. O melhor mesmo é aproveitar a próxima visita, já no dia 24, quinta-feira.

Fonte: DN

19 de novembro de 2016

D. Carlos I – O Salvador da Casa de Bragança

d-carlos-e-a-casa-de-braganca


Dom Carlos de Bragança, como filho primogénito do Rei Dom Luís I e na qualidade de príncipe herdeiro da Coroa de Portugal, recebeu desde cedo os títulos oficiais de 4.º Príncipe Real de Portugal e 21.º Duque de Bragança.
Ministradas as primeiras letras, passou a acumular a aprendizagem das mais variadas disciplinas e áreas em que se distinguia – como a pintura e a ciência -, sempre summa cum laude, com a instrução militar.
É de todos conhecido, para além de um largo escol de outros dotes (oceanógrafo, atirador, etc. – ficaram para a posteridade os seus estudos oceanográficos e ornitológicos), o mérito D’El-Rei Dom Carlos I, como exímio pintor pelo qual recebeu inúmeros prémios internacionais pela sua pintura. Mas havia mais…
Aos 21 anos, Dom Carlos recebeu as propriedades do Morgadio da Casa de Bragança ou melhor o usufruto dos rendimentos do ducado dessa grande e Sereníssima Casa, último morgadio que no seu tempo era ainda, legalmente, permitido em Portugal. Recebendo as propriedades do Morgadio hipotecadas, em virtude de pesados empréstimos, apesar de não possuir formação na área, como lavrador, – impedido pela sua condição real -, tornou-as lucrativas, prósperas e livres de qualquer penhor.
A Casa de Bragança, apesar de centrada no Paço Ducal de Vila Viçosa, era proprietária de uma vasta área de terras no Alto Alentejo e que se estendiam da Casa-mãe até Montemor-o-Novo, passando por Borba, alandroal, Estremoz e Elvas.
Era quando cruzava a Porta dos Nós do Paço Ducal de Vila Viçosa que El-Rei irradiava felicidade, pois o dever tornava-O num cidadão urbano à força, sempre nostálgico do bucolismo e com as raízes a chamarem-No à terra dos antepassados.
Assim juntando à especial capacidade para Reinar, aos dotes preclaros de uma inteligência cultíssima que se manifestava das mais diversas formas e talentos, El-Rei era, também um competentíssimo proprietário rural, conseguindo gerir de uma forma profissional as propriedades que recebeu em herança.
Era nas Suas propriedades alentejanas que Sua Majestade Fidelíssima estava nas suas sete quintas, despindo o uniforme de Marechal-General – privatístico do Rei – e trajando como simples lavrador. Criou touros na herdade do Vidigal, em Vila Viçosa produziu vinho, cortiça, azeite, produtos reconhecidos cá dentro e além fronteiras como dos melhores que se produziam em Portugal, chegando a ser premiados, diversas vezes, internacionalmente.
Quando o Rei D. Carlos I de Portugal, morreu aos 44 anos, juntamente com o Príncipe Real de 20, em 1 de Fevereiro de 1908, tombados em serviço da Pátria e do Reino, às balas do terrorismo – a Família Real Portuguesa regressava no Comboio Real precisamente das férias de Natal em Vila Viçosa -, Dom Carlos I deixava em herança a Dom Manuel II um vastíssimo património livre de dívidas e um enorme conjunto de propriedades produtivas e lucrativas.
Miguel Villas-Boas