24 de novembro de 2017

Rever mitos: o "absolutismo"

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No tempo do "absolutismo", os concelhos no reino e no Ultramar eram unidades políticas representativas e autónomas, gozavam de privilégios, foros e liberdades, eram governados pelas elites locais e possuiam riqueza, força negocial, produção legislativa e autodeterminação. A simples visita de um aristocrata, de um prelado, um juíz de fora, um cobrador de impostos, a passagem de uma coluna militar ou a visita do Rei ou de um seu representante careciam de autorização do corpo representativo. Quando Lisboa se lhes impôs, passaram a ser governados do Terreiro do Paço, foram submetidos à tributação fiscal, perderam isenções, privilégios e liberdades, viram a representação usurpada por políticos profissionais e por governadores. No tempo do "absolutismo", eram cidadãos de concelho todos os homens livres maiores de idade. Quando isso acabou, o corpo eleitoral passou a ser censitário e fixado nos limites dos beati possidenti, dele se excluindo todos quantos não fizessem prova de posse de propriedade e riqueza. A cidadania plasmada pela Consituição Histórica e pela indiferenciação dos súbditos perante o Rei foi substituída por uma abstracção de "cidadania" que ainda hoje se contenta em enunciar direitos desligados da capacidade interventiva das pessoas.

No tempo do "absolutismo", eram portugueses de direito todos os cristãos que vivessem nos concelhos do Reino ou do Ultramar e aceitassem os princípios da monarquia orgânica de poder indirecto. Da costa de África aos confins do Oriente, as comunidades auto-governavam-se, não havia distinção de origem étnica, a posse do património público era fiscalizado, as instituições matriciais da unidade social - o concelho e a misericóridia - regiam-se por regimentos próprios. Quando tudo isso foi proscrito, os naturais passaram a súbditos, logo depois colonizados e a ideia de "português" foi varrida pelo preconceito racial. De longe chegaram em catadupa leis, regulamentos, avisos e burocratas estranhos ao meio e a propriedade pública e das missões foi usurpada por administradores nomeados pelo centro do poder distante e cego.

No tempo do "absolutismo", sobretudo na sua fase final, governantes notáveis houve que propugnaram a via da industrialização (José Acúrcio das Neves) e da revitalização global do comércio português (Miguel de Arriaga) no quadro da parceria luso-britânica. Portugal, através do ainda polémico tratado de Comércio e Navegação Luso-Britânico de 1810, passou a ser, de facto, uma economia liberal e capitalista, mercê da aplicação do alvará com força de lei de 4 de Fevereiro de 1812, que procurou organizar o livre comércio entre as diversas partes do império. Depois, tudo caiu nas mãos de banqueiros, prestamistas e usurários.

MCB

22 de novembro de 2017

51º ANIVERSÁRIO DE S.A.R., A SENHORA DONA ISABEL DE BRAGANÇA



Neste dia abençoado por Deus, desejamos a Vossa Majestade longa Vida, Saúde, Paz, Amor e Alegria junto da Vossa Real Família, Bem-Amada por todos nós.

Que Deus A Guarde e lhe dê toda a força para vencer.

Feliz Aniversário.


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VIVA A NOSSA RAINHA!

VIVA A FAMÍLIA REAL!

VIVA PORTUGAL!

20 de novembro de 2017

Rei da Roménia terá estatuto idêntico ao dos antigos Chefes de Estado



Călin Popescu-Tariceanu, Presidente do Senado da Roménia e Liviu Dragnea, Presidente da Câmara dos Deputados, iniciaram um projecto lei que concederá várias vantagens à antiga Casa Real da Roménia.

A lei propõe que o Chefe da Casa Real tenha um estatuto idêntico ao dos antigos Chefes de Estado.

Também concederá à Casa Real o direito de usar gratuitamente o Palácio Elisabeta em Bucareste por 49 anos e disponibilizará à Casa Real serviços administrativos financiados pelo Orçamento do Estado. Os iniciadores da lei afirmaram que o projecto de lei é um reconhecimento pela forma como o Rei Miguel, o último soberano da Roménia, serviu o País, mesmo após ser forçado a abdicar.

O Rei Miguel da Romênia nasceu em 1921, como  filho de Carlos II da Roménia e da princesa Helena da Grécia e Dinamarca. Foi Rei da Roménia de 20 de julho de 1927 até 8 de junho de 1930 e novamente entre 6 de setembro de 1940 e 30 de dezembro de 1947. Foi forçado a abdicar em 1947 pelo governo controlado pelo Partido Comunista da Roménia. Sendo descendente da Rainha Vitória através de ambos os seus pais, é primo em terceiro grau da Rainha de Inglaterra e de vários outros Chefes de Estado reinantes. Casou com a princesa Ana de Bourbon-Parma em 1948 e têm cinco filhas. A Rainha Ana morreu em 2016.



Fonte: Causa Real

19 de novembro de 2017

O sacrossanto panteão de Santa Engrácia

Se a república é laica, porque se apropriou de uma antiga igreja católica para seu panteão nacional? O laicismo não é capaz de arranjar um espaço próprio, onde sepultar os seus próceres?

Entre as várias indignações, mais ou menos veementes, pelo banquete servido no panteão nacional, que também dá pelo nome de igreja de Santa Engrácia, chamou-me a atenção o artigo de Rui Tavares, no Público de 13 de Novembro passado. Não sou supersticioso, mas a data foi aziaga para o historiador que, como já aqui se provou, nem sempre é fidedigno em relação às questões históricas (cf. Cristianismo e Jogos Olímpicos, no Observador de 27-8-2016).
Rui Tavares diz que, desde que esteve em Santa Engrácia, felizmente não como ilustre defunto mas como jovem guia turístico, “o monumento sempre esteve aberto a eventos mais ou menos culturais, mais ou menos festivos, bem como – paradoxalmente para um panteão nacional de uma república laica – a missas católicas”.
Não surpreende que, num panteão nacional, se organizem eventos culturais e até festivos, desde que se respeite a dignidade do espaço e a memória dos que aí repousam ou são evocados. É razoável que, nesse local, se realizem efemérides relativas a esses notáveis portugueses como, por exemplo, a apresentação de obras sobre essas personalidades. Mas não seria aceitável, por razões óbvias, um espectáculo circense, ou humorístico. Portanto, eventos culturais e festivos sim, desde que condignos.
Rui Tavares indignou-se pelo facto de, no panteão nacional, se terem celebrado “missas católicas”. O historiador parece ignorar a história daquele templo, inicialmente mandado construir pela Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I. “Numa noite de muita tormenta”, a 19-2-1681, a igreja ruiu, pelo que, no ano seguinte, D. Pedro II, ainda regente, iniciou a sua reedificação, concluída só em pleno século XX. Mais do que perguntar o que é óbvio – ou seja, por que se celebram missas numa antiga igreja – o cronista deveria questionar o que fazem lá as cinzas, ou os cenotáfios, de alguns ateus e anticatólicos. Se a república é laica, por que se apropriou de um edifício religioso para panteão nacional?! O laicismo não é capaz de arranjar um espaço próprio, onde sepultar os seus próceres? Ou deve-se concluir que a república, que sempre foi muito expedita em se apoderar do património católico, não tem onde honrar os restos mortais dos seus principais vultos?! Na verdade, se não fosse a religiosa hospitalidade de Santa Engrácia, é de crer que os egrégios avós do regime jazeriam nalguma vala comum …
É verdade que a actual Santa Engrácia nunca esteve dedicada ao culto católico, porque o Estado a retirou à Igreja antes de concluídas as suas infindáveis obras. Por isso, é pouco provável que lá se tenham celebrado missas. Mas, se alguma vez isso aconteceu, será de espantar que, num edifício construído para ser uma igreja católica, dedicado a uma santa católica, se celebre uma missa católica?! Entenderá o cronista, ao jeito soviético, que as igrejas só servem para museus, como o do dinheiro, na que foi de São Julião, na Baixa lisboeta, ou para jantaradas românticas à luz das velas que, por sinal, abundam nas igrejas, como agora aconteceu em S. Engrácia?!
Pergunta ainda o “fundador do Livre”: “Porém, se acham que a realização de um banquete sob a cúpula central ofendeu a memória de Amália na sala lateral, por que raio [sic] ninguém se lembra de perguntar se as missas também lá celebradas no altar principal ofendem os republicanos Teófilo Braga e Manuel de Arriaga na outra sala?”
Há aqui, claramente, um problema de salas: se se fritarem sardinhas junto ao túmulo de Amália, a sua memória é profanada, mas se for na sala ao lado, pelos vistos já não há, para este historiador, nenhum problema. O churrasco é cozinhado sobre a sepultura de Teófilo Braga, ou de Manuel de Arriaga? Muito mal, segundo Rui Tavares, mas se for na divisão contígua, a veneranda memória dos dois presidentes da república fica imaculada. Serve de aparador o túmulo de Aquilino Ribeiro? Tal seria, certamente, um ultraje ao escritor. Mas, se se apoiarem os copos e as garrafas sobre o cenotáfio de Luís de Camões, não há crise, porque o imortal poeta jaz no mosteiro dos Jerónimos. Conclusão do cronista: podem-se servir no panteão, sem desdouro dos que aí jazem, lautos banquetes, desde que não seja onde houver sepulturas.
Uma questão, que parece não ter sido ainda referida pela imprensa, é a da escolha de um local conotado com a religião católica, em detrimento das demais confissões religiosas. Por que razão não se ofereceu o dito jantar numa sinagoga, ou numa mesquita?! Não deveriam os escrupulosos guardiões da laicidade da república denunciar este escandaloso favorecimento da Igreja?! Os católicos ficar-lhes-íamos muito gratos …
Se é uma violência sepultar um não-católico numa ex-igreja, como Santa Engrácia, o Estado português deveria providenciar espaços afectos a outras religiões para esse fim. Se quiser fazê-lo sem encargos para o erário público, pode proceder com essas religiões como sempre fez com a católica: esbulha os seus templos e destina-os depois para o fim que mais lhe aprouver. Quantos quartéis, escolas, repartições e hospitais públicos foram instalados em edifícios roubados à Igreja católica, a começar pelo próprio parlamento, ex-convento beneditino?! Para ateus e agnósticos, seria conveniente criar alguns campos de mártires laicos da pátria, paradoxais extensões ateias do panteão nacional. Por exemplo, o Campo Pequeno seria uma feliz opção para os adeptos do PAN e, o Campo das Cebolas, muito apropriado para vegetarianos.
“Querem fazer do panteão sacrossanto?” – pergunta, indignado, o “fundador do Livre”, partido também finado e, por isso, sério candidato a próximo inquilino de Santa Engrácia. Se o malogrado fundador soubesse que ‘panteão’ significa, etimologicamente, ‘todos os deuses’, certamente teria concluído que esse espaço, pela sua própria definição, não pode deixar de ser sacrossanto.
Para além da piedade religiosa, que é transcendente, também há uma piedade natural, que se traduz na veneração que os filhos devem aos seus pais e a nação aos seus mais ilustres filhos. Quando se falta ao respeito devido à memória dos pais da pátria, sejam ou não crentes, não é apenas a eles que se insulta: também se ofende a história e a dignidade de Portugal.
Fonte: Observador

18 de novembro de 2017

Fernão Mendes Pinto: o aventureiro do Império

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Autor da “Peregrinação”, Fernão Mendes Pinto ergue-se com um dos vultos de peso da cultura portuguesa do século XVI. O fascinante relato das suas viagens pelo Oriente dá-nos conta do quão perigosas estas poderiam ser, e as aventuras e desafios com que se defrontou foram, certamente, enfrentadas por copiosos outros homens que, à sua semelhança, percorreram os mares nas caravelas portuguesas. 

Nascido em cerca de 1510, Fernão Mendes Pinto provinha de uma família modesta que, provavelmente, seria detentora de algum título nobiliárquico de menor relevo. Trazido para Lisboa por um tio, foi posteriormente para Setúbal, onde entrou ao serviço de um nobre, Francisco de Faria, da casa de D. Jorge, o filho bastardo de D. João II. Daí parte para a Índia, por volta de 1537.

Chegado ao Índico, fez parte da comitiva de um cruzeiro que circulava pelo Mar Vermelho, mas foi inesperadamente feito cativo por muçulmanos que por sua vez o venderam a um grego, acabando por ser resgatado em Ormuz. De seguida, encaminhou-se para Malaca com Pedro de Faria, que ocupava o cargo de governador, sendo este possivelmente aparentado com o Faria setubalense a quem antes tinha estado ao serviço. A partir do ponto nevrálgico de Malaca, Fernão embarcou em novas aventuras que o levam a percorrer a costa da Birmânia, o Sião, o arquipélago de Sunda, as Molucas e o Japão. Ao longo de cerca de vinte e um anos, Fernão Mendes Pinto adquiriu uma experiência extraordinária, testemunhando e convivendo com culturas, povos e territórios tão distintos entre si e tão longínquos da sua terra natal. No decorrer de todo este tempo, o autor conta-nos que foi náufrago, treze vezes cativo e dezassete vendido, bem como emissário em embaixadas de grande pompa oriental. As suas viagens foram recheadas de grandezas e misérias: ora rastejava nos recônditos mais rudes da existência humana, ora era senhor orgulhoso de uma embaixada luxuosa.

Outras fontes para além da sua obra, a “Peregrinação”, nestas incluindo cartas de jesuítas com quem conviveu (entre eles o próprio S. Francisco Xavier), é possível descortinar uma crise de consciência que o terá abalado, e que o compeliu a ingressar na Companhia de Jesus e rumar ao Japão. No entanto, desiludido com a experiência, regressa finalmente a Portugal, onde em vão busca uma tença real como recompensa dos serviços prestados. Estabelecendo-se em Almada, dedicou-se à redação da sua obra magistral, testemunho das suas experiências, acabando por falecer em 1583.

Embora a sua obra esteja repleta de imaginação e acrescentos literários a uma narrativa verídica na base, a “Peregrinação”, além do exotismo sedutor, carrega em si uma essência com matizes de uma narrativa picaresca, mas com uma preocupação moral e satírica, uma irónica denúncia de falsos valores pelo exemplo, que fazem da obra uma sátira de costumes e ideias. Acima de tudo, o testemunho de Fernão Mendes Pinto é a de um português que viajou por grande parte do Oriente e conseguiu conviver durante décadas num ambiente culturalmente muito heterogéneo, não sem enfrentar grandes provações, que, com um misto de heroísmo e bravura, conseguiu sempre superar.

Miguel Martins

16 de novembro de 2017

A portugalidade num prato

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A marca deixada por uma civilização não se limita aos feitos de armas, aos homens de acção, às batalhas e à sucessão dos governantes, nem tampouco à construção de uma literatura, ao enriquecimento vocabular que trouxe, aos novos conhecimentos e técnicas que desencadeou, às instituições sociais e políticas e às leis que produziu. Se as culturas dividem, as civilizações juntam, pelo que nestas se produz aproximação e síntese de caracteres anteriormente separados pelo espaço e pelo gosto; em suma, um estilo.

A história de uma civilização é feita de homens e populações, pelo que há que a estudar e compreender mais nas pequenas manifestações, por vezes tão insignificantes que a elas pouca atenção conferimos. Nos hábitos e práticas quotidianas dos povos tocados por uma dada civilização, a gastronomia, cujo estudo só recentemente prendeu a atenção dos estudiosos, ocupa indiscutivelmente um lugar proeminente. Pode-se dizer, sem exagero, que a civilização portuguesa produziu a mais rápida e revolucionária mutação do gosto operada na história mundial desde o neolítico, pois que aquelas que antes se haviam produzido apenas graças à justaposição e proximidade de civilizações se tornou, após o início da Era Gâmica, numa verdadeira revolução planetária.

Oferecemo-vos hoje um exemplo singelo. Quando, ao passarmos por um restaurante alentejano, nos sugerem como sobremesa um prato de sericaia, esse manjar gabado por todos os roteiros turísticos e gastronómicos, não nos ocorre estarmos perante uma das mais fascinantes viagens do gosto existente na doçaria mundial. Com efeito, ao contrário do que supunha Sebastião Dalgado no seu Glossário Luso-Asiático, que lhe atribuía origem malaia, a sericaia é uma receita tailandesa, ali conhecida por Kanom Mokeng (ขนมหม้อแกง).

Após os primeiros contactos entre portugueses e siameses, a receita thai - com leite de coco, ovos, farinha e sal - transitou para Malaca, onde se começou a aportuguesar mas, volvidas algumas décadas, passou a Goa, onde ganhou um toque indiano mediante adição de uma pitada de canela. Por altura da governação de Dom Constantino de Bragança, a sericaia passou a doce de eleição na mesa do jovem Vice-Rei. Ao regressar ao Reino, em 1561, regressou pobre, tão pobre que até as autoridades desconfiaram que tivesse ocultado miríficas riquezas que jamais foram encontradas. Mas Dom Constantino trouxe um segredo culinário que logo passou às religiosas do convento Santa Clara de Elvas. Por incrível coincidência, a receita encontraria naquele convento a mais sábia das mãos. Ali vivia, no último quartel do século XVI, uma jovem religiosa oriunda de uma família nobre que tinha por escrava uma jovem siamesa. A rapariga, ao provar a sericaia das irmãs do convento, disse tratar-se do Kanom Mokeng. Encantada, a Madre do Convento pediu-lhe que preparasse a receita, mas não havendo à disposição os ingredientes do Sudeste-Asiático, aplicou-lhe leite, farinha, ovos e açúcar, substituindo o sal por limão.

Dois séculos volvidos, já a sericaia era há muito um prato da Corte de Lisboa, chegou ao Rio em 1808 após a transferência do governo. Popularizou-se, expandindo-se por toda a geografia brasileira, sendo deste então um dos mais elogiados acepipes da doçaria brasileira.

Asiática ? Europeia ? Brasileira ? Não, a sericaia é, por excelência, uma receita da Portugalidade.

Miguel Castelo-Branco


15 de novembro de 2017

Jantar dos Conjurados - Braga

As Reais Associações de Braga e Viana do Castelo, convidam V.ª Ex.ª a participar no “Jantar dos Conjurados” que se realizará no dia 30 de Novembro de 2017, pelas 20h00m, no T4 Restaurante & Bar, em Bragano qual o Senhor Dr. Carlos Aguiar Gomes, Mestre da Militia Sancta Mariae e Presidente da Associação Famílias, fará uma intervenção sobre o tema “E hoje o que fariam os Conjurados?”.
Preço do Jantar:
Adultos: 18,00 €
Crianças:
Até aos 4 anos: não pagam
dos 5 aos 10 anos: 9,00 €
As inscrições encontram-se limitadas à capacidade da sala pelo que deverão ser feitas com a maior brevidade possível e impreterivelmente até ao dia 26 de Novembro, para o e-mail da Real Associação de Braga, devendo ser enviada a indicação do nome, ou nomes dos participantes e um telefone de contacto, acompanhadas do respectivo comprovativo de depósito ou transferência bancária efectuada para:
Caixa Económica Montepio Geral
IBAN: PT 50 0036 0038 99100 5387 3550
BIC/SWIFT: MPIOPTPL
T4 Restaurante & Bar
Rua Cidade do Porto, 139 a 141
4705-084 Braga
Tel.: 258 823 771
Para mais informações contactar por favor a Real Associação de Braga, através do e-mail: realassociacaobraga@gmail.com , ou para os telemóveis dos Presidentes da Direcção, das Reais Associações de Braga e Viana do Castelo, respectivamente Dr. Gonçalo Pimenta de Castro 919 932 154 e Dr. José Aníbal Marinho, 961 318 001
Este evento conta também com a colaboração da Real Associação do Porto.

14 de novembro de 2017

O banquete de peixe: quando Dom Sebastião assombrou Filipe II

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Coube a Frei Bernardo da Cruz, capelão-mor da armada portuguesa, deixar-nos na Crónica de El-Rei Dom Sebastião a memória de um dos mais prodigiosos acontecimentos gastronómicos da petite-histoire portuguesa do século XVI.

Na quadra natalícia de 1576, germinava já o magno plano de uma campanha militar em África, Dom Sebastião de Portugal e o seu tio Filipe II de Espanha encontraram-se em Guadalupe, povoado situado na Estremadura espanhola, para lá de Cáceres. Como ditava o protocolo, cabia ao anfitrião presentear o real hóspede com um lauto banquete de acolhimento, e ao convidado retribuir com um novo banquete por ocasião da sua partida.

Como era prática, a quadra festiva da celebração do nascimento de Jesus Cristo era marcada por imoderado consumo de viandas, doçarias e vinhos, a que se seguia uma semana de dieta que interditava alimentos provenientes dos matadouros, quaisquer que estes fossem, até mesmo aves e enchidos. Dom Sebastião, colocado perante o dilema de não poder servir carnes à corte espanhola, pediu parecer aos seus conselheiros eclesiásticos, que logo encontraram uma solução concordante com os preceitos religiosos, mas que exigia uma pesada logística num tempo em que não havia meios outros que o sal para preservar os alimentos, e as especiarias para dissimular a sua degradação. A comitiva portuguesa saiu de Lisboa no dia 11 de Dezembro e, dias depois, uma imensa caravana de mulas seguiu na peugada do Rei português. Felizmente, fazia um frio seco e inclemente que favorecia a carga colocada no dorso dos animais. A coluna deslocava-se dia e noite sem parar, sendo preciso que se renovassem os animais de carga. Finalmente, dias depois do Natal, chegaram a Guadalupe.

Grande expectativa e curiosidade havia no círculo do Rei de Espanha. Como podia Dom Sebastião mostrar-se digno da sua condição de grande Príncipe cristão se se estava em semana de dieta rigorosa?

Trancaram-se em rigoroso segredo os cozinheiros e criados nas grandes cozinhas do Mosteiro de Guadalupe e ali estiveram um dia e uma noite a preparar o banquete. Quando, finalmente, se abriram as portas da cozinha e a procissão de criados transportou para a grande sala onde estavam os Reis e a alta nobreza das duas Coroas, o assombro foi geral. Dom Sebastião serviu ao Rei espanhol 190 pratos de peixe, marisco, ostras, guisados e pastéis de legumes, fritos, cozidos, conservas imersas em escabeche, numa tão grande gama de iguarias que a todos deixou deslumbrados. Após o sardapalesco e interminável jantar de peixe e marisco, entrou nova maré de sabores, desta vez doces nunca antes provados pelos palatos espanhóis.

Tão farta era a mesa que, vendo estoirados o Rei e grandes de Espanha, Dom Sebastião mostrou que faltava demonstar uma vez mais a sua qualidade de Príncipe Cristão, mandando chamar toda a população da vila de Guadalupe para distribuir o manjar real.

Miguel Castelo-Branco

13 de novembro de 2017

Lutero: reformador ou revolucionário?

Se à mulher de César não lhe basta ser honesta, pois deve também parecê-lo, com mais razão a Igreja, esposa de Cristo, deve rejeitar os revisionismos históricos.

A propósito dos quinhentos anos da ‘reforma’ protestante, protagonizada por Martinho Lutero, em 1517, muitas têm sido as iniciativas, também na Igreja católica. Depois do grande cisma do oriente, que no final do primeiro milénio dividiu os cristãos em orientais e latinos, a ‘reforma’ luterana afastou da Igreja católica milhões de fiéis, sobretudo na Alemanha e nos países escandinavos. Lutero não só se separou da Igreja romana, como também deu origem a inúmeras confissões cristãs, ditas reformadas ou protestantes.
Martinho Lutero, que tradicionalmente foi tido, pela Igreja católica, como o heresiarca responsável pela separação dos cristãos que, seguindo-o, abandonaram Roma, é agora considerado por alguns católicos como alguém providencial, como se tivesse sido o instrumento do Espírito Santo para a reforma da Igreja católica. Assim deu a entender o secretário-geral da Conferência Episcopal Italiana, Nunzio Galantino, quando, em Outubro passado, na romana Universidade Lateranense, afirmou que “a reforma iniciada, há quinhentos anos, por Martinho Lutero, foi um acontecimento do Espírito Santo”.
É verdade que todos os acontecimentos, também os negativos, são de algum modo consentidos pelo Espírito Santo, como expressamente afirma São Paulo, quando diz que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que Deus ama (cf. Rm 8, 28). O Criador escreve direito por linhas tortas, mas não se podem imputar à providência divina os pecados e misérias humanas. Graças à paixão e morte de Jesus Cristo, deu-se a redenção da humanidade, mas é óbvio que um tal efeito sobrenatural não absolve os verdugos do redentor: Judas Iscariotes, o Sinédrio, Pôncio Pilatos, etc. O mesmo se diga, mutatis mutantis, da ‘reforma’ luterana: embora tenha sido a ocasião propícia para um posterior esclarecimento, pelo Concílio de Trento, de alguns aspectos da doutrina católica, não se podem ignorar os efeitos catastróficos do cisma provocado por Lutero.
O cardeal Gerhard Müller opôs-se a este revisionismo histórico, num artigo agora publicado na ‘La Nuova Bussola Quotidiana’. Para este prelado, a ‘reforma’ luterana “teve um efeito contrário à vontade de Deus”: do ponto de vista da doutrina católica, a dita ‘reforma’ luterana não foi tal, “mas uma autêntica revolução da doutrina da Igreja”.
É verdade que muitos historiadores tendem a justificar Martinho Lutero, porque lutou contra o abuso das indulgências e denunciou os maus costumes que então se viviam na corte pontifícia. Mas, como esclarece o cardeal Müller, “abusos e comportamentos indignos sempre houve na Igreja e também hoje os há. Somos uma Igreja que é santa pela graça de Deus e pelos sacramentos, mas todos os homens da Igreja são pecadores e, por isso, todos precisam do perdão, da contrição e da penitência”. Se Lutero se tivesse limitado a pregar a reforma moral, ou a censurar os vícios de alguns dos cristãos do seu tempo, teria sido, com efeito, um venerável reformador, como o nosso beato Frei Bartolomeu dos Mártires, arcebispo de Braga e figura grada do Concílio de Trento. Infelizmente, Lutero quis empreender uma mudança radical da doutrina cristã, alterando substancialmente o modo como, há mais de mil e quinhentos anos, se acreditava e vivia a fé cristã, dando assim origem a uma experiência religiosa inédita, divergente da tradição eclesial.
A propósito do ‘De captivitate Babylonica ecclesiae’, que Martinho Lutero escreveu em 1520, Gerhard Müller disse: “é absolutamente claro que Lutero abandonou todos os princípios da fé católica em relação à Sagrada Escritura, à Tradição apostólica, ao magistério do Papa, aos Concílios e ao episcopado. Opôs-se […] à noção católica de sacramento, como sinal eficaz da graça nele contida, substituindo a eficácia objectiva dos sacramentos por uma fé subjectiva”.
“Por tudo isto – escreveu ainda o cardeal Müller – não podemos aceitar que a reforma de Lutero possa ser tida como uma reforma da Igreja, em sentido católico. Uma reforma católica é uma renovação da fé vivida na graça, uma renovação moral e ética, uma renovação espiritual e moral dos cristãos; mas não a fundação de uma nova Igreja. Portanto, é inaceitável afirmar que a reforma de Lutero ‘foi um acontecimento do Espírito Santo’. Pelo contrário, foi contra o Espírito Santo, porque o Espírito Santo é que garante a continuidade da Igreja por meio do seu magistério, sobretudo o petrino: Jesus fundou a sua Igreja unicamente sobre Pedro (Mt 16,18), ‘a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade’ (1Tim 3, 15)”.
Não se pense, contudo, que esta intervenção do cardeal Müller se opõe ao movimento ecuménico, tão fortemente incentivado pelo Concílio Vaticano II e por todos os Papas do pós-concílio, nomeadamente o Papa Francisco. “Certamente – reconhece-se neste artigo – passaram quinhentos anos e não é hora de fomentar polémicas mas de procurar a reconciliação, embora não à custa da verdade. […] Se, por um lado, se deve reconhecer a acção do Espírito Santo nos cristãos não católicos que pessoalmente não cometeram o pecado da separação da Igreja, por outro não se pode mudar a história sobre o que aconteceu há 500 anos. Uma coisa é ter o desejo de manter boas relações com os actuais cristãos não católicos […], mas outra muito diferente é a incompreensão ou a falsificação do que aconteceu há 500 anos e do seu efeito desastroso, contrário à vontade de Deus”, a qual é, obviamente, a unidade eclesial (cf. Jo 17, 21).
Por sua vez, D. Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, considerou Lutero como “uma grande fonte de inspiração”, porque “procurava voltar às fontes bíblicas directamente”. Embora não pretendesse provocar uma ruptura na Igreja, a verdade é que foi responsável pelo cisma que, desde então, divide os cristãos latinos e que, infelizmente, ainda não foi superado.
Cristo quer a unidade de todos os que nele creem, mas na verdade. Escamotear a história, mesmo que seja com um louvável propósito ecuménico, não é aceitável. São Paulo encarecia aos primeiros cristãos a prática da caridade na verdade (cf. Ef 4, 15). Se à mulher de César não lhe basta ser honesta, pois deve também parecê-lo, com mais razão a Igreja, esposa de Cristo, deve rejeitar os revisionismos históricos, não só por serem contrários à verdade, mas também porque contrariam a tão desejada unidade de todos os cristãos.
Fonte: Observador

12 de novembro de 2017

BASTA de humilhações: Portugal reduzido a carpete

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Diz o adágio que uma imagem diz mais que mil palavras. O provérbio mostrou estar correcto; ou antes, está-lo-ia se da nossa língua antiga não fosse possível extrair expressão exacta do nosso infamante estado: opróbrio, abuso, saque, vergonha, ultraje. Ontem, no encerramento do Web Summit de Lisboa, demonstração clarividente do colapso do amor próprio do Estado português e da consciência patriótica nos seus líderes: uma horda ignota, rapazes de todos os pontos do globo, jantando no Panteão Nacional; isto é, enchendo-se ao lado dos cenotáfios do Gama, de Camões e de Álvares Cabral, comendo sobre os ossos de Amália e convertendo em banal cantina o que é templo dos nossos maiores homens, dos seus feitos e da sua memória.

Contra o Web Summit em si, nada a dizer: bom é que o mundo ande de olhos postos em Portugal, e bom é, também, que o nome de Lisboa seja hoje sinónimo de inovação e energia criadora. Mas não, pede a Nova Portugalidade e exigem todos os portugueses de coração sincero e firme coluna vertebral, desta maneira. Não reduzindo-nos a tapete do mundo e não, definitivamente, ultrajando o Panteão Nacional, que é tumba física ou simbólica dos mais altos filhos de Portugal.

Se assim nos tratamos nós, que consideração poderá Portugal exigir das outras nações? A questão não é desajustada, tem mérito e é penosamente reveladora. Seria imaginável que a França usasse o seu próprio Panteão Nacional para servir jantar a "empreendedores" vindos de sabe-se lá onde? Alguém vê o Reino Unido rebaixando Westminster e Saint Paul's com comes e bebes, permitindo a desgraça de gotas de vinho sob cúpulas e de coxas de franco sobre a tumba de Nelson, Fleming e João de Gaunt? E a Rússia, toleraria almoços na catedral de São Basílio, no Kremlin, na Dormição, aos pés de Nossa Senhora de Kazan? Serviria a Espanha pães e bolos na basílica do Escorial e em Santiago de Compostela? Fale-se com verdade, com direcção e com clareza: Portugal é um grande país e merece que o conheçam como grande país, mas não se comporta como grande país.

Exige-se pedagogia básica, paciente, já quase infantil do patriotismo. Há que explicar a quem manda o que é Portugal. Parece haver quem julgue que este país - terra pequena que se fez imensa, condado que se ergueu império, povo que saiu da periferia para tornar-se agente maior da História - nasceu ontem e que, havendo nascido ontem, pode acomodar estas inconsciências de gente sem memória e respeito próprio. Ora, assim não é, e por isso exigimos - de nós e dos outros - a consideração devida aos povos graúdos. Uma coisa é certa: se o espectáculo deprimente de ontem - miúdos de países que não existiam há trinta anos enfardando no Panteão - não prova a absoluta urgência que fazia a Portugal uma Nova Portugalidade, nada provará. Sim, precisamos muito deste ministério da dignidade, da espinha e do patriotismo que é a NP. Para recordar os portugueses do que são e convencê-los a ajustarem correctamente o ângulo do queixo: frente aos nómadas do "empreendedorismo", sempre altaneiro; ante os grandes portugueses do passado, nossos avós e nossa inspiração, respeitosamente baixo.

11 de novembro de 2017

São Martinho



Nasceu em 316 na Panônia (actual Hungria), numa família pagã que da parte do pai (oficial do exército romano) fez de Martinho um militar, enquanto o Pai do Céu o estava fazendo cristão, já que começou a fazer o Catecumenato.
Certa vez quando militar, mas ainda não baptizado, Martinho partiu em duas partes seu manto para dá-lo a um pobre, e assim Jesus aparece-lhe durante a noite e disse-lhe: “Martinho, principiante na fé, cobriu-me com este manto”. Então este homem de Deus foi baptizado e abandonou a vida militar para viver intensamente a vida religiosa e as inspirações do Espírito Santo para sua vida.
Com a direcção e ajuda do Bispo Hilário, Martinho tornou-se monge, Diácono, fundador do primeiro mosteiro na França e depois sacerdote que formava os seus “filhos” para a contemplação e ao mesmo tempo para a missão de evangelizar os pagãos; diferenciando-se com isso dos mosteiros do Oriente.
Por ser fiel no pouco, São Martinho recebeu o mais, que veio com a sua Ordenação para Bispo em Tours. Isto não o impediu de fundar ainda muitos outros mosteiros a fim de melhor evangelizar sua Diocese. Entrou no Céu em 397.
São Martinho de Tours, rogai por nós!

9 de novembro de 2017

Jantar dos Conjurados 2017


Irá realizar-se no próximo dia 30 de Novembro, no Hotel Palácio Estoril, o tradicional Jantar dos Conjurados promovido pela Causa Real.
Este evento assinala a importância e o significado da Restauração da Independência de Portugal, feito histórico que os portugueses gostam de celebrar com a sua Família Real.
S.A.R. o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, lerá uma Mensagem aos Portugueses às 19:30, seguindo-se o jantar com a Familia Real.
Este ano, o lucro do jantar reverterá parcialmente a favor da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oleiros, assim se prestando homenagem a alguns dos que mais ajudaram a combater os recentes fogos florestais.
As inscrições serão feitas, como é hábito, presencialmente na nossa sede (15:00-18:00 ), ou através do endereço electrónico secretariado@reallisboa.pt.
Os ingressos, que deverão ser pagos e levantados dentro do referido horário, têm o valor de:
Adultos- €45
Jovens – €30 ( até aos 30 anos e associados da Causa Real com as quotas em dia, até ao limite de cem)
Estes preços são válidos até ao dia 29 de Novembro.
Contamos com a sua presença!


Fonte: Causa Real

8 de novembro de 2017

Mário Saraiva (1910-1998): o percurso de um doutrinador

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Nova Portugalidade recomenda

A todos quantos o leram ou privaram com Mário Saraiva, aqui deixamos o convite para a sessão pública de recepção do espólio do doutrinador que terá lugar no próximo dia 9 de Novembro, quinta-feira, pelas 18 horas, no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal. Preside à sessão SAR, o Senhor Dom Duarte de Bragança. Será orador-conferencista o Doutor Nuno Pombo. Pedimos, pois, a todos os amigos que divulguem esta iniciativa do maior interesse e relevância para o estudo da obra de um dos mais importantes pensadores do patriotismo português do século XX.

7 de novembro de 2017

6 de Novembro - São Nuno de Santa Maria



"Quanto é o que dizeis: Que os castelhanos são muitos e vem grandes capitães e senhores com eles, tanto vos será maior honra e louvor de serem por vós vencidos. Cá já muitas vezes aconteceu os poucos vencerem os muitos, porque todo o vencimento é em Deus e não nos homens."

"Não tenhais medo por serem muitos, nem pelas ameaças que fazem com os seus gestos e alaridos, pois tudo não passa de um pouco de vento, que dentro em breves momentos terminará. Deveis ser fortes e esforçados, recebendo a grande ajuda de Deus, por cujo serviço ali estavam, defendendo a justa causa do Reino de Portugal."

§

Valoroso Santo Condestável do Reino de Portugal, defendei de novo a nossa Pátria de todos os inimigos internos e externos!

Beato Nuno de Santa Maria, protegei a nossa Pátria!
Beato Nuno de Santa Maria, salvai a nossa Pátria!
Beato Nuno de Santa Maria, santificai a nossa Pátria!


Fonte: Veritatis

6 de novembro de 2017

Quo vadis, Catalunha?

Espanha é um Estado plurinacional e, por isso, nem sempre foi pacífica a integração das suas diversas nacionalidades. Mas a unidade prevaleceu, primeiro por força do regime franquista e depois por virtude da Constituição democrática, que refundou o novo Estado espanhol: uma monarquia constitucional e unitária, com várias regiões autónomas. Que o chefe de Estado seja um rei, que é herdeiro dos que o foram de Castela, Leão, Aragão, Navarra e Galiza, bem como dos condes de Barcelona e dos senhores da Biscaia, parece ser uma solução razoável. Também a Bélgica, que é um país de grandes contrastes, tem na coroa o principal garante da sua unidade nacional. Embora se deva a Franco a atípica restauração monárquica espanhola, que contrariou as leis dinásticas, a Constituição agora vigente foi amplamente legitimada pelo voto popular, que a aprovou pela esmagadora maioria de 87,78% dos eleitores.
Que uma região espanhola, como é a Catalunha, venha agora (a que propósito?!) reivindicar a independência é, pelo menos, insólito, em termos históricos. Com efeito, não obstante uma certa autonomia do medieval condado de Barcelona, a Catalunha nunca foi um Estado independente, como também o não foi o país basco. Que antigos reinos pretendam a independência, faz sentido historicamente, na medida em que o foram antes da constituição do Estado espanhol, pelo casamento dos reis católicos, mas parece descabido que regiões que nunca foram independentes, o queiram ser agora.
Ao contrário de Espanha, Portugal é um Estado-nação, que nunca esteve integrado na monarquia espanhola, pelo que é falso que alguma vez dela se tenha separado. Quando o condado portucalense se tornou independente, não se separou de Espanha, que nessa data ainda não existia como Estado, mas de Leão, de cujo rei o conde D. Henrique era vassalo. Durante a dominação filipina, Portugal era juridicamente um Estado independente, embora o rei de Espanha também o fosse de Portugal: a união pessoal não implicou a perda formal da independência nacional. Também a rainha da Grã-Bretanha é soberana do Canadá e da Austrália, sem que estes países, que são Estados soberanos, sejam colónias britânicas.
Nenhuma razão histórica, ou política, parece fundamentar a criação, ‘ex novo’, de um Estado catalão, nem justifica a atitude dos independentistas contra a democrática Constituição espanhola e contra o Estatuto da Autonomia Catalã, aprovado por 88,14% dos catalães, em referendo de 25-10-1979. No limite, as forças pró-independência poderiam promover uma revisão constitucional, que permitisse a evolução de Espanha para um Estado federal e até admitisse, em casos extremos, a secessão de alguma das suas regiões. Todos os povos podem aspirar à independência, mas não a qualquer preço, nem por métodos contrários à legalidade democrática: não é admissível o recurso à violência, nem é razoável que uma declaração unilateral de independência ponha em risco a paz e a estabilidade da Catalunha e das restantes regiões espanholas.
Que se saiba, não existem razões humanitárias que legitimem esta extemporânea pretensão independentista. São os catalães uma minoria oprimida pelo Estado espanhol?! Não parece, pois gozam de uma ampla autonomia, que lhes permite ter um parlamento e um governo próprios. São explorados por outras regiões espanholas? Não consta, porque, antes de se precipitar nesta grave crise política, que já está a ter efeitos muito negativos na sua economia, era uma das autonomias mais desenvolvidas. Mas em Espanha, como em qualquer outro país e também na União europeia, é justo que as regiões mais ricas contribuam para o progresso das mais desfavorecidas. É marginalizada a sua cultura?! Pelo contrário, pois em todo o seu território se fala e ensina o catalão, em detrimento até do castelhano. Os catalães são preteridos nos cargos públicos?! De modo algum, pois os cargos na administração pública catalã estão ocupados, em geral, por naturais da região autónoma. Por outro lado, a Catalunha tem até as suas próprias forças de segurança, os Mossos d’Esquadra.
Afinal, que lhes falta ou que mais querem?! Participar, como nação, nos torneios de futebol?! Não ter que hastear a bandeira espanhola, junto à catalã?! Mas estas aspirações valem uma tão grave confrontação social e recessão económica, como a que a acção dos independentistas já está a provocar?!
Não deixa de ser paradoxal, senão mesmo contraditório, que os independentistas catalães queiram deixar de ser espanhóis, mas não queiram deixar de ser europeus. De certo modo, a Espanha é uma espécie de ‘união europeia’: essa foi a sua génese histórica e é ainda a sua realidade política, porque é um conjunto de várias nacionalidades unidas por uma estrutura supranacional. Se não querem ser espanhóis, para não ter que subsidiar os andaluzes, como se diz, como hipotético novo membro da União europeia, a Catalunha aceitará contribuir para o desenvolvimento das nações europeias mais carenciadas?!
À Igreja não compete ser a favor ou contra a independência da Catalunha, porque esta é, obviamente, uma questão opinável. Mas deve ser sempre pela concórdia e pela paz, como disseram o Papa Francisco e os bispos espanhóis, na nota de 27-9-2017 da comissão permanente da respectiva Conferência Episcopal. O independentismo catalão pode ser uma justa aspiração, mas pode não ser, se for expressão do orgulho e da falta de solidariedade de alguns catalães, que ameaçaram a paz e a prosperidade da própria Catalunha e das restantes regiões espanholas. O egoísmo dos povos – recorde-se o nacional-socialismo alemão – não é virtuoso: a doutrina social da Igreja sempre louvou o patriotismo, mas sempre condenou o nacionalismo, como expressão que é do orgulho nacional.
O protestante rei Henrique IV de Navarra teve de se converter ao catolicismo, para aceder ao cristianíssimo trono francês. A ele se atribui a famosa frase: ‘- Paris vale bem uma missa!’ Também a Catalunha vale bem uma missa, embora uma missa valha muito mais do que Paris, ou a Catalunha. É necessário que todos os catalães, quaisquer que sejam as suas opções ideológicas, renunciem à violência, de facto ou verbal, e se empenhem em fazer da sua convivência uma ‘missa’, ou seja, uma experiência de comunhão. Se assim não for, a missa será de requiem … pela Catalunha!
Fonte: Observador

5 de novembro de 2017

A Morte de um Rei

O fogo que consumiu a totalidade do Pinhal de Leiria não foi apenas um fogo num pinhal igual a tantos outros, foi o Fim de um certo Portugal que poderá não mais voltar se nos mantivermos calados perante a calamidade que infesta o nosso País há décadas .Foi um fogo de dimensão nacional, um entre outros quinhentos incêndios que despoletaram no mesmo dia, consumiu pessoas, vilas, cidades, aldeias e acima de tudo consumiu a História de um País com quase 900 anos de existência.O Portugal que plantou o pinhal de Leiria foi o Portugal de D. Dinis que se opôs com um pequeno Reino à perseguição dos Templários ,apoiada por toda a Europa, foi o Portugal que planeou os Descobrimentos a décadas de tal plano ser sequer imaginável , foi o Portugal onde não se admitia e tolerava tudo em troca de riqueza, foi o Portugal que transformou um pequeno pobre e periférico Reino medieval numa fonte de civilização que se espalhou pelos quatro cantos do Mundo  , o império mais longo da História. A destruição do Pinhal de Leiria, a sua tolerância é a Morte de um Rei, de todos eles de todos nós portugueses de um certo Portugal que já apenas morava nos livros de História. Não é preciso ser monárquico para perceber isto.





3 de novembro de 2017

Quinta dos Marqueses de Alegrete - Roteiros Reais



No próximo dia 11 de Novembro às 10:00 voltamos aos nossos Roteiros Reais com o nosso associado Joel Moedas Miguel desta vez com uma visita guiada à Quinta dos Marqueses de Alegrete, na Charneca do Lumiar - Campo das Amoreiras, 94 - 1750-025 Lisboa.

O ponto de encontro é no local, e o custo da vista é de 10,00€ por pessoa estando o número máximo de participantes limitado a 40 pessoas.

Em 1687 El-Rei D. Pedro II atribui o título de Marquês de Alegrete a Manuel Teles da Silva, 2º Conde de Vilar Maior, pela sua participação como um dos 40 Conjurados de 1640, pela sua dinâmica nas Guerras da Restauração e como Embaixador de Portugal. A ele se deve a construção da Quinta Alegre, destinada a quinta de recreio da família às portas de Lisboa. Depois dele, a sua descendência aumentou e redecorou a casa, sendo um excelente exemplar da arquitectura e das artes decorativas do séc. XVIII.
Para mais esclarecimentos e inscrições contacte-nos através do endereço secretariado@reallisboa.pt, pelo telefone 21 342 81 15 ou presencialmente na nossa Sede nos horários habituais.

2 de novembro de 2017

Ainda sobre aquele rio de mentiras da RTP 2 - Fernando Rosas: a impostura do marxista que nega Marx

1. Corre presentemente na RTP-2 um programa da autoria de Fernando Rosas intitulado História a História - África e que se apresenta com a pretensão de oferecer um quadro terrífico do impacto da presença portuguesa em África nos séculos XIX e XX. Confiado a um historiador ideologicamente comprometido e que pouco ou nada sabe de África, História a História é um exercício desonesto, anti-científico e declaradamente anti-português na análise do último século do sistema luso-africano. Para Rosas, ferido de parcialidade, cegueira, incontida má-fé e pobreza extrema nas fontes historiográficas e bibliografia datada de que se socorre, a colonização portuguesa constituiu um desastre para o conjunto dos povos por ela tocados.

2. Rosas é um marxista - que o seja - mas o seu discurso, feito de respingos de Basil Davidson (autor de O Fardo do Homem Negro) e de clichés retirados do movimento da chamada negritude, corrente literária e emocional que entre as décadas de 1940 e 1960 fez furor entre os independentistas africanos, constituiu, afinal, uma profunda contradição com o método de análise marxista, sua periodização histórica, tipos de sociedade, modos de produção e dinâmicas que o materialismo histórico oferecia para a compreensão evolutiva das sociedades. É sabido que Marx e Engels tinham de África uma visão eurocêntrica, própria do século XIX, considerando as culturas e sociedades africanas estáticas, petrificadas, despóticas e irrelevantes, pelo que a colonização europeia surgia como uma necessidade para a integração do continente negro nos sendeiros do progresso. Se fosse coerente, Rosas entenderia a colonização como um processo de integração de África na vida planetária e veria nos métodos da colonização um queimar de etapas que levaria à mudança do modo de produção primitivo, antigo ou feudal (consoante as regiões africanas) em modo de produção capitalista. Rosas parece querer esquecer que, em Marx, a chamada acumulação primitiva de capital accionada pela colonização - implicando uso da força de trabalho, instituição da propriedade privada e monetarização económica - teriam necessariamente efeitos chocantes nas sociedades expostas a súbita mudança. Marxista, Rosas deixa de o ser para carpir as dores de um processo. Fá-lo, porém, com evidente má-fé.

3. Para um marxista coerente - que Rosas não é - não seria necessário ir a África para estudar as dores dos períodos de transição de formas "arcaicas" de organização social e económica para o capitalismo. Seria importante lembrar que a Inglaterra exerceu sobre o seu próprio povo aquilo de que Rosas vem cinicamente acusar os portugueses. O povo inglês foi, lembremo-lo, submetido durante mais de duzentos anos ao processo de acumulação primitiva de capital pelos industriais capitalistas, embaratecimento do custo do trabalho e até a formas de trabalho forçado a extremos que nunca se verificaram em África. Na Grã-Bretanha, durante quase dois séculos, as "mais-valias" que os capitalistas retiraram do trabalho dos trabalhadores excederam largamente as práticas colonialistas. Ao quadro de exploração oferecido por Charles Dickens nos seus romances, importa lembrar as famosas workhouses, centros de detenção destinados a pobres, onde milhões de britânicos foram confinados sem retribuição salarial e onde cerca de três milhões terão perecido por doença, maus-tratos e fadiga extrema.

4. Ora, na colonização da África portuguesa, tal "processo primitivo de acumulação primitiva" de capital foi curto. Terá começado por volta do início do século XX com o chamado regime do indigenato e terminou em inícios da década de 1960. Portugal conseguiu em sessenta anos em África aquilo que os britânicos realizaram ao longo de 200 anos; realizar uma dupla revolução económica e social que tratou de instaurar o capitalismo e a cidadania plena, finalmente alcançada em 1961, quando o bilhete de identidade de cidadão português foi atribuído a todas as populações dos territórios portugueses africanos. A passagem da uma economia de grandes lucros para os detentores dos meios de produção para uma economia distributiva, ou seja, de repartição da riqueza e dos bens em benefício das populações, alcançou na África portuguesa resultados nunca alcançados em economias africanas. Nem mesmo a África do Sul, o país mais rico de África, o conseguiu, dadas as características segregacionistas e racistas próprias do regime do Apartheid. A análise estatística do desenvolvimento social e humano atingido em Angola e Moçambique no início da década de 1970, oferece o quadro de um imenso sucesso de integração. Portugal tinha, em 1970, o melhor sistema de ensino do continente, o melhor sistema de saúde, a melhor legislação de inclusividade, as melhores práticas de favorecimento e ascensão social e, até, o mais rápido processo de harmonização social.

Miguel Castelo-Branco