30 de abril de 2017

Fátima (1): Aparições ou visões?

Ainda não foi o centenário da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima e já abundam as alegadas ‘desmitificações’ do fenómeno ocorrido na Cova da Iria, agora reduzido a uma mera narrativa, que cada qual reinterpreta a seu bel-prazer. Os factos ocorreram de 13 de Maio a 13 de Outubro de 1917, tendo por protagonistas três crianças: os irmãos Francisco e Jacinta Marto, que o Papa Francisco vai muito felizmente canonizar no próximo dia 13, e a prima deles, Lúcia dos Santos, que foi a relatora das aparições.
Para alguns, tudo não passou de um embuste político-religioso, para que foram aliciadas umas criancinhas analfabetas que, a troco de sabe-se lá o quê, se prestaram a ser videntes de mirabolantes aparições celestiais. Para outros, é evidente que a manobra teve mãozinha clerical e intenção marcadamente antirrepublicana, em tempos em que a Igreja Católica era ferozmente perseguida pelos Afonsos Costas deste país. Também os há que, embora afirmando-se fiéis, olham com desdém para este tipo de fenómenos, que reprovam em nome da sua impoluta racionalidade, mais livre-pensadora do que verdadeiramente católica. É caso para perguntar: afinal, em que ficamos?!
Quem ler as Memórias da Irmã Lúcia, a vidente que sobreviveu e relatou os acontecimentos extraordinários ocorridos na Cova da Iria em 1917, percebe de imediato que, se alguma pressão sofreram aquelas três crianças, quer por parte do seu pároco, quer ainda por parte das suas famílias – que, para o efeito, até recorreram a vias de facto! – foi precisamente no sentido de as obrigar a desmentir as aparições. Também as zelosas autoridades públicas tudo fizeram para obrigar os videntes a se desdizerem ou, pelo menos, revelarem o segredo que lhes tinha sido dito pela sua celestial interlocutora.
A própria Igreja portuguesa, de início, não reagiu positivamente às aparições. Só a 13 de Maio de 1922 se iniciou a investigação canónica relativa aos acontecimentos de Fátima, que concluiu oito anos e meio depois, a 13 de Outubro de 1930, com a aprovação do culto e das aparições, que não constituem, contudo, matéria de fé.
Neste sentido, o Padre Anselmo Borges, em entrevista ao Expresso, a 16-4-2017, afirmou: “Posso ser um bom católico e não acreditar em Fátima, porque não é um dogma”. É verdade que Fátima não é, nem nunca poderá ser, um dogma, mas é pouco provável que possa ser um “bom católico” quem não aceita o veredicto da hierarquia eclesial em relação a estas aparições, até porque a totalidade da mensagem atribuída à ‘Senhora mais brilhante do que o sol’ é de uma total e irrepreensível coerência evangélica. Aliás, nenhuma revelação particular, como é o caso, pode ser reconhecida pela Igreja se não for absolutamente coincidente com a fé católica.
O P. Anselmo Borges igualmente declarou: “É preciso também distinguir aparições de visões. É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima. Uma aparição é algo objetivo. Uma experiência religiosa interior é outra realidade, é uma visão, o que não significa necessariamente um delírio, mas é subjectivo.”
A distinção entre aparições e visões não é nenhuma novidade pois, como recordou Bento XVI, quando era cardeal perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé, “a antropologia teológica distingue, neste âmbito, três formas de percepção ou «visão»: a visão pelos sentidos, ou seja, a percepção externa corpórea; a percepção interior; e a visão espiritual (visio sensibilisimaginativaintellectualis). É claro que, nas visões de Lourdes, Fátima, etc, não se trata da percepção externa normal dos sentidos: as imagens e as figuras vistas não se encontram fora no espaço circundante, como está lá, por exemplo, uma árvore ou uma casa. Isto é bem evidente, por exemplo, no caso da visão do inferno (descrita na primeira parte do «segredo» de Fátima) ou então na visão descrita na terceira parte do «segredo», mas pode-se facilmente comprovar também noutras visões, sobretudo porque não eram captadas por todos os presentes, mas apenas pelos «videntes». De igual modo, é claro que não se trata duma «visão» intelectual sem imagens, como acontece nos altos graus da mística. Trata-se, portanto, da categoria intermédia, a percepção interior que, para o vidente, tem uma força de presença tal que equivale à manifestação externa sensível” (Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Comentário teológico, in A mensagem de Fátima, 26-6-2000).
Assim sendo, não oferece dúvidas que, de facto, Nossa Senhora não apareceu, em sentido técnico, na Cova da Iria. Que se tenha tratado de uma visão e não de uma aparição não permite, contudo, afirmar que foi, como disse o P. Anselmo Borges, apenas uma “experiência religiosa interior” dos videntes, nem que, mesmo não sendo “necessariamente um delírio”, teria sido contudo algo meramente “subjectivo”.
Bento XVI, no seu já citado comentário teológico à mensagem de Fátima, esclarece: “Este ver interiormente não significa que se trata de fantasia, que seria apenas uma expressão da imaginação subjectiva. Significa, antes, que a alma recebe o toque suave de algo real mas que está para além do sensível, tornando-a capaz de ver o não-sensível, o não-visível aos sentidos: uma visão através dos «sentidos internos». Trata-se de verdadeiros «objectos» que tocam a alma, embora não pertençam ao mundo sensível que nos é habitual”. Atente-se aos termos usados pelo Cardeal Ratzinger para descrever as ‘aparições’ de Fátima: não “se trata de fantasia”, nem de “uma expressão da imaginação subjectiva”, mas de “algo real”, de “verdadeiros ‘objectos’”!
Prossegue Bento XVI, no seu Comentário teológico: “Como dissemos, a «visão interior» não é fantasia” – ao contrário do que o termo ‘visão imaginativa’, usado por D. Carlos Azevedo, na sua entrevista ao Público, no passado dia 21, poderia levar a crer – “mas uma verdadeira e própria maneira de verificação. Fá-lo, porém, com as limitações que lhe são próprias. Se, na visão exterior, já interfere o elemento subjectivo, isto é, não vemos o objecto puro mas este chega-nos através do filtro dos nossos sentidos que têm de operar um processo de tradução; na visão interior, isso é ainda mais claro, sobretudo quando se trata de realidades que por si mesmas ultrapassam o nosso horizonte”.
Nada tem de muito surpreendente este esclarecimento se se tiver em conta que, também no Evangelho, se recorre com frequência a metáforas que facilitam a compreensão dos mistérios da fé: é óbvio que o inferno não pode ser fogo, nem o céu um banquete e, quando Jesus diz que ele é “a videira verdadeira” (Jo 15, 1), não se está a atribuir a si mesmo uma natureza vegetal, mas apenas a sugerir que, da mesma forma como os ramos estão unidos ao tronco e dele recebem a vida, assim também os cristãos em graça estão enxertados em Cristo, de quem lhes vem a energia que alimenta a sua vida sobrenatural.
“Isto” – prossegue o Cardeal Ratzinger – “é patente em todas as grandes visões dos Santos; naturalmente vale também para as visões dos pastorinhos de Fátima. As imagens por eles delineadas não são de modo algum mera expressão da sua fantasia, mas fruto duma percepção real de origem superior e íntima”. Portanto, se se trata, como explica Bento XVI, de uma “percepção real de origem superior e íntima” e “não são de modo algum mera expressão da sua (deles, pastorinhos) fantasia”, impõe-se a conclusão óbvia: o seu valor não é menor do que se se tivesse tratado, em sentido técnico, de autênticas aparições, pois “tem uma força de presença tal que equivale à manifestação externa sensível”. Razão que explica também que a Conferência Episcopal Portuguesa, na sua nota pastoral sobre o centenário de Fátima (Fátima, Sinal de Esperança para o nosso tempo, Carta pastoral no Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, 2016), mantenha o uso do termo “aparições”, mesmo não sendo o tecnicamente mais preciso. Também o inquilino se refere à casa em que vive como sendo sua, embora juridicamente não seja o seu proprietário.
Como sintetizou o então Cardeal Secretário de Estado, Ângelo Sodano, na celebração eucarística da beatificação de Jacinta e Francisco Marto, na Cova da Iria, a 13-5-2000, presidida por São João Paulo II, “a visão de Fátima refere-se sobretudo à luta dos sistemas ateus contra a Igreja e os cristãos e descreve o sofrimento imane das testemunhas da fé do último século do segundo milénio. É uma Via Sacra sem fim, guiada pelos Papas do século vinte.”
Fonte: Observador

29 de abril de 2017

O MITO DE ARISTIDES SOUSA MENDES,OS NOVOS HERÓIS E O ANIVERSÁRIO DE ABRIL…

 “Navegar é preciso, viver não é preciso”;
“Ó Portugal, hoje és nevoeiro…”
“Senhor, falta cumprir-se Portugal!”.

Fernando Pessoa


            O Mito de Aristides Sousa Mendes (ASM) que o actual PR resolveu agitar de novo, ao condecorá-lo no passado dia 3 de Abril, a propósito do 63º aniversário do seu passamento (!), também se pode relacionar com a efeméride anual do golpe de estado militar, florido a cravos, que virou revolução, conduzida pelo PC (fazemos apócope do segundo “P”, pois chamar “português” a uma organização subversiva, que esteve ao serviço de uma potência estrangeira, desde 1921 - a URSS - causa-nos alguns pruridos) e anarquizada por outras forças de extrema - esquerda.
            
Após o incompleto 25 de Novembro de 1975, assentou arraiais, um regime úbere em mazelas, baseado numa Constituição peca, palavrosa e até antidemocrática, regime que se sedimentou através de distribuição de dinheiro emprestado e muitos negócios ruinosos e corruptos.
            
Lavaram o cérebro aos cidadãos através de muita mentira política, social e histórica, e estribilhos de grande efeito sonoro e “progressista”, como “liberdade”, “antifascismo”, “abaixo a reacção”, “democracia”, “modernidade”, “direitos e mais direitos”, etc..
            
Sem nunca se ter intuído e interiorizado o verdadeiro significado dos termos, doutrinas e conceitos.
            
E sem nunca terem julgado ninguém![1]
            
As pessoas passaram, de facto, a viver melhor mas com riqueza que não produziram, não lhes pertencia e pelo desbarato de todas as reservas acumuladas. Que não eram pequenas.
            
Sem embargo, o regime não tinha heróis.
            
Passado o fugaz deslumbre dos “capitães” – cuja maioria nunca se deu conta verdadeiramente daquilo em que se metera – e de dois generais que emergiram do golpe, Spínola e Costa Gomes que, célere, foram promovidos a Marechais.
            
Direi que indevidamente, o primeiro por ter ajudado a desencadear um evento que não conseguiu controlar e que o ultrapassou e, ainda, pela vaidade que lhe embotou o senso; o segundo por falta de carácter e lealdade, como as duas alcunhas por que era conhecido, tão bem ilustram: “rolha” e “judas”. (Ainda hoje ninguém sabe ao certo o que é que este oficial de cavalaria – que não gostava de montar a cavalo – foi, na realidade, e para quem “trabalhou”).
            
Ambos por terem grandes responsabilidades na leviana destruição de um conceito de Nação Portuguesa que tinha cerca de 600 anos.
            
Sem embargo de o terem obrado defender militarmente, com uma competência técnica acima da média.
            
Porém, o que falta ao actual regime em heróis sobra-lhe em traidores, desertores, infamados e desclassificados.
            
A legião de corruptos perde-se de vista bem como os de vira - casacas (assim a modos como os “adesivos”, no dia 6 de Outubro de 1910…).
            
Fora isto, restavam uns pseudo heróis de pacotilha, que se tinham entretido a colocar bombas nas ruas, ou a tentar prejudicar o esforço de guerra; assaltar bancos e piratear aviões e navios (entretanto recompensados com pensões e medalhas).
            
Seguiu-se um general que tinha participado no golpe de estado de 28 de Maio de 1926, servido com extremoso entusiasmo o regime que se seguiu e depois veio a atraiçoar, por razões menos nobres.
            
Já o encafuaram no mausoléu de Santa Engrácia, mas só foi fazer má companhia aos que lá estão.
            
Espero que, ao menos, não o tenham colocado ao lado do Aquilino Ribeiro…
            
Restam as “Catarinas Eufémias” da propaganda leninista, agora transmutada na subversão mais adequada à psicologia da burguesia, com origem no Gramsci e na Escola de Frankfurt. Mesmo assim o PC não simpatiza nada com esta moda…[2]
            
Além disto o regime nasceu aviltado por uma Junta de Salvação Nacional que não fez (e não conseguiu fazer) nada do que se tinha proposto – o célebre Programa do MFA – e rapidamente se alienou.
            
Um regime, cujos próceres, infligiram ao próprio país uma derrota política e militar, quando se estava a controlar e a ganhar a guerra em todas as frentes e que estava a ser combatida de uma forma competente e patriótica, como já não se assistia desde que Afonso de Albuquerque entregara a alma ao criador, frente a Goa, em 1515 (e mesmo este fartou-se de ser atraiçoado em Lisboa…).
            
E não contentes em terem provocado uma debandada de pé descalço, vergonhosa, ainda ficaram ufanos dela![3]
            
A Primeira República tinha-se fundado num crime de regicídio, num levantamento armado civil/militar, ilegal, organizado por um Partido legalmente constituído (o Partido Republicano) e por uma organização paramilitar clandestina – a Carbonária – mancomunada com aquele e com o Grande Oriente Lusitano. Regime que nunca se referendou.
            
A Terceira República alicerçou-se na tragédia inominável da “Descolonização” e na utopia dos “amanhãs que cantam”, atroando os ares com a cançoneta da liberdade. A liberdade dos cemitérios.
            
Vivemos melhor? Materialmente vive-se melhor, é certo. Mas temos uma dívida impagável, crescemos em média 1,5% a 2% ao ano, temos 10% de desemprego 120.000 emigrantes/ano e demografia negativa.
            
E deixámos de ser donos do nosso destino (afinal onde está a liberdade?).
            
Mas vivemos melhor…
            
O que não quer dizer que se não houvesse golpe de estado em 25/4/74, também não o conseguisse - mos.
            
Pelo menos, na altura, o país crescia a 7% (no Ultramar era mais); o escudo era a 6ª moeda mais forte do mundo e estava escorada em 850 toneladas de ouro e 50 milhões de contos em divisas).
            
O desemprego era quase inexistente bem como a dívida externa. Não havia dificuldade de crédito e os recursos eram imensos…
            
Esquecia-me de dizer que tudo isto acontecia “apesar” de existirem 230.000 homens em armas, espalhados por quatro continentes e quatro oceanos e a combater há 14 anos em três teatros de operações distintos (Angola, Moçambique e Guiné).
            
Convenhamos que o prato da balança era mais favorável…
            
Na altura o “espelho” da Nação era o Exército.
            
Agora o espelho (muito baço e riscado) é o futebol.
            
Daí não ser de estranhar que muitos dos “heróis” estejam a ele associados.
            
E nem vou entrar nos aspectos morais e cívicos que impregnam a sociedade que este regime enformou e promoveu.
            
Havia pois, uma necessidade desesperada, de arranjar um herói.
            
ASM caiu neste cenário como mel na sopa.
            
E que perfil ideal lhe arranjaram: perseguido pelo Regime “obscurantista “do Estado Novo e pelo “tenebroso” chefe de governo que o edificara; um desobediente por uma justa causa; um homem corajoso que se manteve fiel à sua consciência; um humanista; um lutador pela paz; uma alma sofrida por uma causa humanitária; um injustiçado que acabou na miséria; enfim, um justo. E só tardiamente reconhecido! [4]
            
A sua mistificação continua pois, de vento - em - popa e ainda há muito a esperar deste filão, sobretudo se tiver a ajuda de uns rabis fervorosos e uns católicos ingénuos (alguns nada ingénuos).
            
É caso para o Pessoa, se fosse vivo e observasse o quadro, afirmasse:
            
-“Olha, toda a gente a querer viver e ninguém a querer navegar”;
           
 -“Eh pá continua uma morzeta dos diabos, não vejo nada…”;
            
-“Ó Portugal, quando é que tu te cumpres?”
            
Ainda não é a hora…



João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador


[1] Minto, houve um “julgamento” do Almirante Tenreiro e absolveram-no.
[2] A pobre da Catarina (outro mito) não tinha nada a ver com qualquer protesto nem era militante de coisa alguma. Estava no sítio errado, na altura errada e morreu acidentalmente, com uma bala perdida da pistola-metralhadora do comandante da força da GNR presente, Tenente Carrajola, que caiu no chão e se disparou inadvertidamente. Consta que os militares quotizaram-se, até, para pagar o funeral à vítima.
[3] Enfim, este aspecto até acaba por ser o mais mirabolante de tudo o que se passou!...
[4] Sobre este personagem favor ler o artigo “São Seguidas”, que publiquei em 14/4/17.


Fonte: O Adamastor

28 de abril de 2017

Ontem...

Ontem (25 de Abril), foi mais um dia desencorajante, um dia para não ver nada em português, para evitar ouvir portugueses, um dia adequado para escrever memórias, ir tratar dos animais ou regar as plantas Um dia passageiro, um dia insuportável. Insuportável para muitos mas não para a nomenclatura republicana. Tenho para mim que quem o celebra é porque lucrou pessoalmente com ele. Pois é difícil defender que um país completamente dependente do exterior possa festejar em conjunto o que quer que seja. Se ao menos toda essa dívida acumulada tivesse sido melhor distribuída! Seria ainda assim uma pobre desculpa para as gerações que no futuro a terão de pagar mas era apesar de tudo uma justificação! Porém, estamos a falar do país mais desigual da união europeia! A mãe dessa desigualdade afrontosa tem um nome e vários apelidos. Quem não a conhece bem confunde-se e trata-a pelos apelidos! Reclama, face à injustiça que sente, contra a corrupção, contra a fraude, contra o abuso do poder sem se dar conta que combate contra moinhos de vento! O nome dela verdadeiro é república, neste caso a terceira que já levamos, e tal como as duas anteriores tem os mesmos apelidos!


Saudações monárquicas


JSM


Fonte: Interregno

26 de abril de 2017

25 de abril de 2017

5ª Romaria de São Nuno de Santa Maria

Romaria de São Nuno de Santa Maria


São Nuno de Santa Maria estará em destaque na quinta edição da romaria que se realiza em sua honra de 28 a 30 de Abril em Cernache do Bonjardim. A Cerimónia Militar com as relíquias de Nuno Álvares Pereira, os cortejos, as recriações históricas, os concertos, a eucaristia e o mercado com produtos locais, são alguns dos pontos altos da romaria.

Promovida conjuntamente pela Câmara Municipal da Sertã e pela União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais, esta romaria pretende perpetuar a memória e o legado de Nuno Álvares Pereira, nas diferentes vertentes da sua vida enquanto homem, guerreiro e santo. Natural de Cernache do Bonjardim, constitui exemplo ímpar de dedicação à Igreja e aos mais necessitados, nos seus últimos anos de vida, e de estratega, guerreiro e defensor de Portugal.

O programa inicia-se no dia 28 de Abril, sexta-feira, às 22 horas com o concerto da Banda Militar do Exército, na Igreja do Seminário das Missões em Cernache do Bonjardim. No dia seguinte, 29 de Abril, sábado, às 10h15m terá lugar a recepção das entidades oficiais na sede da União de freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais, a que se seguirá o momento do descerramento do busto em memória de Diamantino Calado Pina, antigo Presidente da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais.

Às 11 horas, terá lugar a Cerimónia Militar presidida por General Chefe do Estado-Maior do Exército, junto à estátua de D. Nuno Álvares Pereira: inicia-se com Guarda de Honra a Alta Entidade, chegada das relíquias de Nuno Álvares Pereira, seguindo-se a cerimónia de homenagem aos mortos, com deposição de Coroas de Flores, evocação histórica e alocução do Presidente da Câmara Municipal da Sertã, finalizando com o desfile militar. Refira-se que as relíquias de Nuno Álvares Pereira virão sob escolta militar diretamente da Igreja do Santo Condestável, em Lisboa. A sua chegada será um momento solene, visto que passou mais de meio século desde a vinda a Cernache do Bonjardim, em 1960, por ocasião das Comemorações Condestabrianas.

Às 13 horas, decorrerá a animação de rua e, cerca das 14 horas, terá início a Recriação Histórica alusiva a Nuno Álvares Pereira, que acontecerá em quatro momentos e quatro locais distintos: Capela de Nossa Senhora dos Remédios, Cruzeiro do Outeiro da Lagoa, Igreja do Nesperal e Cernache do Bonjardim.

Às 18 horas tem continuidade a animação de rua e o início da decoração do Mural em Honra de Nuno Álvares Pereira.

Às 22 horas, a Igreja do Seminário das Missões acolhe o Concerto de Fado Lírico com as vozes de Carlos Guilherme, Teresa Tapadas e Filipa Lopes, acompanhados ao piano por Pedro Vieira de Almeida.

No domingo, 30 de Abril, às 6h30m, partirá da Alameda da Carvalha, na Sertã um grupo de peregrinos em direcção a Cernache do Bonjardim. Dinamizada pela Academia Sénior da Sertã, esta caminhada é aberta à população de todas as idades e não carece inscrição. O seu percurso irá passar pelo Cruzeiro do Outeiro da Lagoa, Igreja Matriz do Nesperal, finalizando em Cernache do Bonjardim. Ao longo do percurso, quem se cruzar com os peregrinos será naturalmente convidado a juntar-se à caminhada.

Às 9h30m, as artérias da Vila de Cernache do Bonjardim serão percorridas pela arruada da Associação os Tambores de Casal da Madalena. Às 10 horas terá início o cortejo religioso, seguido pela Eucaristia com Guarda de Honra ao Altar na Igreja do Seminário das Missões.

Às 13 horas, as Relíquias de Nuno Álvares Pereira iniciam o percurso de regresso a Lisboa. Às 14 horas terá continuidade a animação de rua, seguida pelo 34.º Festival de Folclore do Rancho Folclórico e Etnográfico de Cernache do Bonjardim. O Mercado Municipal de Cernache do Bonjardim acolherá os concertos de Key-Love às 21 horas e Zézé Fernandes às 22 horas.

Figura indelével da História de Portugal, Nuno Álvares Pereira nasceu em 1360, nos Paços do Bonjardim, em Cernache do Bonjardim, Concelho da Sertã. Filho de D. Álvaro Gonçalves Pereira e Iria Gonçalves, Nuno Álvares Pereira foi nobre, guerreiro e carmelita e apoiou as pretensões de D. João Mestre de Avis (D. João I) à coroa, tendo desempenhado um papel decisivo durante a crise de 1383-1385: as vitórias nas batalhas de Atoleiros, Aljubarrota e Valverde garantiram a consolidação da independência portuguesa face ao reino de Castela.

Após o falecimento de sua esposa, Nuno Álvares Pereira ingressou na Ordem dos Carmelitas em 1423, no Convento do Carmo que mandara construir em Lisboa, para cumprir um voto. Tomou o nome de Irmão Nuno de Santa Maria. Faleceu a 1 de Novembro de 1431. Foi beatificado em 1918 pelo Papa Bento XV e canonizado a 26 de Abril de 2009 como São Nuno de Santa Maria pelo Papa Bento XVI, em Roma.

24 de abril de 2017

A propósito de Senhor Dom Duarte e o Protocolo do Estado

dduarte.gif


O deputado socialista Ascenso Simões reconheceu na sua coluna da passada quarta-feira aqui no jornal i que a petição que por estes dias decorre online para a inclusão do Chefe da Casa Real Portuguesa no Protocolo de Estado “(…) não se apresenta recheada de problemas políticos ou institucionais, uma vez que D. Duarte é conhecido como herdeiro da coroa” e que “(…) o protocolo do Estado deve acomodar uma norma que permita aos mais altos representantes do Estado conferirem a D. Duarte, por tudo o que representa, uma dignidade única em circunstâncias especiais? A nossa opinião vai no sentido positivo.” Tirando a menorização dos monárquicos que pelos vistos Ascenso Simões execra, estamos de acordo com tudo o mais no seu artigo e é precisamente no sentido que afirma que a petição surge. De facto esta iniciativa não pretende "monarquizar" o regime republicano que nos coube em azar, e muito menos "republicanizar" a Instituição Real como receiam alguns monárquicos. A petição não pretende atribuir aos Duques de Bragança nenhum lugar na lista de precedências existente, essas constam do art.º 7.º da Lei e não se lhe pede alteração. O que se pede é que o representante dos reis de Portugal, quando convidado para qualquer cerimónia, nela tenha o estatuto honroso e digno, de "convidado especial", estatuto que não altera a lista das precedências do Protocolo. Implica apenas, e não é pouco, uma especialíssima relevância a conceder a um convidado que é, pelo que na verdade representa, “especial”. 

De resto as Reais Associações são por natureza e vocação uma “mixórdia”, no sentido de “misturada”, como lhes chama Ascenso Simões. Representam grupos heterogéneos, transversais, e por isso, talvez elas possam ser vistas pelos seus detractores como “mixórdias”. De facto as Reais Associações assentam na diversidade de que é feito o nosso país, nas várias regiões em que estão inseridas. Elas não se dirigem a um grupo em particular, facção ideológica, classe social ou elite cultural, antes se dirigem a todos os que não se conformam com a república a que chegámos em 1910 e que gostariam ver restaurados os valores permanentes da nossa portugalidade. Ora acontece que esses valores não sendo propriedade de ninguém, são seguramente protagonizados pelo Senhor Dom Duarte. 

Finalmente, os defeitos que atribui aos monárquicos como eu, não nos impede de querermos ser cada vez mais e melhores. É por isso que estamos a trabalhar todos os dias.


João Távora


23 de abril de 2017

A Páscoa não é para todos

Não sei o que seja mais terrível: se estes atentados contra os cristãos do próximo Oriente, que se sucedem a um ritmo acelerado e com efeitos devastadores, se a aparente indiferença do Ocidente.

Este ano, por uma muito feliz coincidência, a celebração da Páscoa católica coincidiu com a ortodoxa mas, apesar de quase todos os cristãos, nomeadamente os destas duas principais Igrejas, terem festivamente comemorado a gloriosa ressurreição de Jesus Cristo no mesmo dia, nem todos os cristãos tiveram direito a celebrar a festa mais importante do calendário litúrgico. Com efeito, a comunidade copta foi, no passado Domingo de Ramos, mais uma vez, alvo de dois criminosos atentados terroristas, cuja autoria foi reivindicada pelo Daesh, o auto-proclamado Estado islâmico.
Não sei o que seja mais terrível: se estes atentados, que se sucedem a um ritmo cada vez mais acelerado e com efeitos sempre mais devastadores, se a aparente indiferença do Ocidente, como já aqui foi referido em muito oportuna crónica de Rui Ramos: O Cristianismo arrancado pelas raízes. É natural que os europeus sintam mais os crimes ocorridos no continente, embora o Cairo não esteja longe do sul da Europa. Mas é estranho que, quando se trata de um terrorismo que se propõe o genocídio dos cristãos egípcios – os coptas assassinados foram-no, única e exclusivamente, por serem cristãos – um tal crime não suscite maior indignação por parte dos governos e dos povos europeus que, historicamente, devem ao Cristianismo o melhor da sua cultura e dos seus valores civilizacionais.
Os coptas representam, aproximadamente, dez por cento dos 92 milhões de egípcios: ‘copta’ quer dizer, precisamente, ‘egípcio’, porque são os mais antigos habitantes do país, anteriores à chegada dos muçulmanos, no século VII depois de Cristo. O Egipto, que foi cenário de inúmeros episódios da história bíblica, desde o exílio dos judeus, no tempo de José e seus irmãos, até à sua libertação por Moisés, foi também o único país, para além da Palestina, em que Jesus Cristo viveu, logo após o seu nascimento e até à morte de Herodes quando, com Maria e José, regressou à Terra Santa e se estabeleceu em Nazaré. Segundo a tradição, o Egipto conheceu o Cristianismo graças à pregação de São Marcos, evangelista, que terá sido bispo de Alexandria, o segundo maior patriarcado da cristandade primitiva, logo após Roma.
A designação copta tanto se aplica a cristãos ortodoxos como católicos; os primeiros, que se separaram da Igreja Católica depois do Concílio de Calcedónia, são a quase totalidade dos coptas e estão sob a autoridade do patriarca de Alexandria que, desde 2012, é o papa Tawadros II. A Igreja Católica copta conta apenas com algumas centenas de milhares de fiéis, mas também há igrejas coptas protestantes, bem como inúmeras comunidades coptas na diáspora, sobretudo na Austrália, nos Estados Unidos da América e no Reino Unido.
Como minoria cristã num país maioritariamente islâmico, os coptas têm sido objecto de inúmeras perseguições. Quando a Irmandade Muçulmana ganhou as eleições realizadas depois da queda de Mubarak, agravou-se consideravelmente a situação dos cristãos no Egipto, o que explica o seu apoio ao General Abdul al-Sisi, agora no poder.
O papa copta, Tawadros II, presidiu às celebrações pascais na sua catedral de São Marcos, na cidade do Cairo, com a maior simplicidade possível, por respeito às vítimas e ao luto das suas famílias. Dadas as circunstâncias, a celebração pascal ficou limitada à celebração da Eucaristia.
Nos ataques do passado Domingo de Ramos, uma semana antes da Páscoa, protagonizados por terroristas islâmicos do Daesh, contra igrejas coptas em Tanta e Alexandria, morreram 45 fiéis. Não são, contudo, uma novidade: em Dezembro passado, um combatente suicida do Estado Islâmico fez-se explodir em plena igreja copta do Cairo, matando 29 fiéis. Em Fevereiro de 2015, numa praia da Líbia, os jihadistas decapitaram 21 cristãos coptas. Já nesta semana há a lamentar, de um ataque do Daesh nas imediações do mosteiro de Santa Catarina, no sopé do Monte Sinai, uma vítima mortal e quatro feridos.
Os atentados do primeiro dia da Semana Santa ocorreram apenas três semanas antes da programada visita apostólica do Papa Francisco ao Egipto, prevista para os dias 28 e 29 de Abril e que se mantém. Mais uma vez, o Papa Francisco é uma voz solitária na defesa da liberdade religiosa e dos mais elementares direitos humanos, nomeadamente dos que, por serem uma minoria, como acontece com os cristãos no Médio Oriente, estão mais à mercê das forças políticas e religiosas dominantes.
Se os assassinados tivessem sido 45 jornalistas, teriam saído à rua edições especiais, com grandes tarjas negras na primeira página, e ter-se-ia aberto uma subscrição pública a favor das suas famílias. Se, para maior desgraça, houvesse menores entre as vítimas, atapetar-se-iam as ruas das capitais europeias com ursinhos de peluche e outros brinquedos, em sua memória, porque é justo e necessário denunciar todas as injustiças contra crianças. Se fossem activistas das minorias alternativas, não haveria artista, poeta, actor ou cançonetista que, em solidariedade com as vítimas, não usasse um lacinho preto ao peito. Se fosse uma equipa de futebol, todos os jogos dessa jornada se iniciariam com uns minutos de silêncio. Se fossem todos cidadãos do mesmo país, decretava-se o luto nacional, punha-se a bandeira a meia haste e enchiam-se as praças com pequenas velas e flores em sua honra. Mas, como são tão só crianças, mulheres e homens cristãos, encolhem-se os ombros e diz-se apenas: “Coitados!”
Ante a perseguição aos cristãos, talvez haja ateus e agnósticos, ou até outros crentes que respirem de alívio, por não serem, ainda, o alvo do ódio terrorista dos fundamentalistas islâmicos. A esses convém recordar as dramáticas palavras do pastor protestante Martin Niemölder que, como opositor do nazismo, foi prisioneiro no campo de concentração de Dachau: “Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque eu não era social-democrata. Quando levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque eu não era judeu. Quando me levaram a mim, já não havia ninguém que pudesse protestar…”
Fonte: Observador

22 de abril de 2017

Igreja/História: Os Santos de Portugal



Francisco e Jacinta Marto vão juntar o seu nome a uma lista que começa antes do início da nacionalidade

Os futuros santos Francisco e Jacinta Marto vão juntar o seu nome a uma lista que começa antes do início da nacionalidade portuguesa, numa cerimónia presidida pelo Papa Francisco, a 13 de Maio, naquela que é a primeira canonização de sempre em Portugal.
Antes de 1143, há registo de vários Santos (nalguns casos figuras com história pouco documentada) que demonstram a implantação que, desde bem cedo, o catolicismo teve em Portugal, como São Manços (primeiro Bispo de Évora, séc. I), São Vítor de Braga (mártir do séc. I), São Dâmaso (Papa do séc. IV que alguns afirmam ter nascido em Guimarães), São Sisenando (Diácono e mártir do séc. IX, nascido em Beja), São Rosendo (Bispo do séc. X, nascido em Santo Tirso) ou Santa Senhorinha (beneditina do séc. X, de Vieira do Minho).
Desta fase há a destacar a vida e obra de três bispos de Braga, os Santos Martinho de Dume, Frutuoso e Geraldo.
Após a independência, contam-se entre os fiéis canonizados pela Igreja Católica estão várias figuras de Portugal: São Teotónio, Santo António de Lisboa, a rainha Santa Isabel, Santa Beatriz da Silva, São João de Deus, São Gonçalo Garcia, São João de Brito e D. Nuno Álvares Pereira- São Nuno de Santa Maria, o santo condestável.
A última canonização de uma figura portuguesa da Igreja Católica tinha acontecido a 14 de Janeiro de 2015, quando o Papa Francisco proclamou como santo o padre José Vaz (1651-1711), nascido em Goa, então território português.
Outros santos católicos estão ligados à história de Portugal, ainda que não tenham nascido no país: a 16 de Janeiro de 1220 morreram degolados em Marrocos os franciscanos italianos Vital, Berardo, Pedro, Acúrsio, Adjuto e Otão, mais tarde denominados como Santos Mártires de Marrocos, com festa litúrgica a 16 de Janeiro; os seus restos mortais foram enviados para Portugal pelo infante D. Pedro.
São Lourenço de Brindes, capuchinho italiano que morreu a 22 de Julho de 1619, em Lisboa, foi canonizado por Leão XIII em 1881 e, em 1959, foi proclamado Doutor da Igreja pelo Papa João XXIII.
No próximo dia 15 de Outubro vai ser canonizado no Vaticano o sacerdote português Ambrósio Francisco Ferro, que integra o grupo dos chamados “protomártires do Brasil”, mortos nas perseguições anticatólicas, do século XVII, por tropas holandesas.

21 de abril de 2017

Fátima: Francisco o «místico» e Jacinta «novelo de amor»

Resultado de imagem para pastorinhos canonizados


Fátima, 20 abr 2017 (Ecclesia) – O padre Aventino Oliveira conviveu na sua juventude com os pais de Francisco e Jacinta Marto, que vão ser canonizados pelo Papa Francisco em Fátima, no dia 13 de maio.
Em entrevista à Agência ECCLESIA, o religioso dos Missionários da Consolata destaca a confiança que Olímpia de Jesus e Manuel Pedro Marto, conhecido como Ti’Marto, sempre tiveram nos seus filhos, na veracidade do testemunho que deram, acerca das Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria.
“O Ti Marto era um homem muito espiritual, não sabia ler nem escrever, mas era muito espiritual, e de facto ele acreditou nas aparições desde o primeiro dia, porque dizia: ‘a maneira como eu eduquei os meus filhos eles não eram capazes de inventar uma história destas”, recorda.
Enquanto jovem seminarista e sacerdote, nas décadas de 1940 e 1950, o padre Aventino Oliveira acompanhou de perto a evolução do Santuário de Fátima e a consolidação da devoção a Nossa Senhora de Fátima.
Esteve durante muitos anos nos Estados Unidos da América, onde desempenhou um papel importante na propagação da Mensagem de Fátima e da espiritualidade dos dois futuros santos portugueses.
Com base no relato dos pais e nos testemunhos da época, o padre Aventino Oliveira traça um retrato dos dois irmãos e pastorinhos, destacando em primeiro lugar o apego à oração de Francisco.
“O Francisco era muito calmo, e tornou-se um místico. Ele viu como o Anjo adorou a Eucaristia nas Aparições e entrou-lhe esta ideia da adoração e passava tempo sozinho na igreja a adorar o Santíssimo”, salienta.
Quanto a Jacinta, o sacerdote dos Missionários da Consolata destaca o seu espírito de sacrifício, em favor da conversão das almas.
“A Jacinta era um novelo de amor, uma coisa incrível. Amor pelos pecadores, sempre a escolher, a inventar sacrifícios para que muitas outras pessoas viessem a conhecer a Deus”, acrescenta.
O padre Aventino Oliveira, de 84 anos, integrou o primeiro grupo de seminaristas formados por João de Marchi, sacerdote italiano que trouxe os Missionários da Consolata para Portugal.
João de Marchi que escreveu o livro ‘Era uma Senhora mais brilhante que o Sol’, hoje já na sua 26.ª edição, baseado em entrevistas a familiares dos três pastorinhos e videntes de Fátima, Francisco, Jacinta e Lúcia, e também no testemunho da própria Lúcia, neste caso em maio de 1946.
O padre Aventino Oliveira destaca a canonização de Francisco e Jacinta Marto, que vai ser presidida pelo Papa Francisco no Santuário de Fátima, a 13 de maio deste ano, como um marco na história da Igreja Católica universal e em Portugal.
“É a primeira de crianças não-mártires, portanto é uma primeira mundial e na Igreja Católica, de canonização de crianças”, completou.

20 de abril de 2017

Abaixo a república!

Isto assim não serve, depois do BES agora é o Monte Pio, os outros bancos já foram, vivemos numa realidade virtual, com um presidente e um primeiro ministro a porem água na fervura com medo de dizer a verdade aos portugueses! E a verdade tem a ver com o regime porque foi este regime que fabricou esta nomenclatura e os interesses que lhe estão subjacentes. Interesses que se cruzam, misturam, que estão por todo o lado e tudo contaminam. É a constituição que os protege e quando não é ela, aparece sempre um juiz ou uma juíza para fazer o serviço. Agora há muita gente indiciada, poeira para os olhos, porque o mais certo é ninguém ser condenado. Aliás teriam que condenar primeiro os de cima, os vários presidentes, que por mais livros que escrevam não se livram de responsabilidades. O estado da nação é este. Uma nação à deriva que nem estratégia tem para o futuro! E não havendo futuro garante-se o presente através de lugares e tachos na função pública. Em contra ciclo europeu (e mundial) vamos ensaiando uma experiência socialista fora de prazo! E que só pode acabar mal. Em termos geopolíticos, e contrariando o destino, optamos pelo continente enquanto a nossa velha aliada se faz ao largo! Já demos esta matéria e foi um desastre...

E assim, a palavra de ordem e única palavra de esperança para qualquer português é: - abaixo o regime que nos sufoca! Abaixo a república! Democraticamente, claro. E se a bendita constituição o permitir!


Saudações monárquicas


JSM


Fonte: Interregno

19 de abril de 2017

SAR, D. Duarte de Bragança com antigos alunos do Colégio Militar



Comemorações do 3 Março no Real Clube Tauromáquico Português

No passado dia 6 Abril 2017, os sócios do Real Clube Tauromáquico Português, Antigos Alunos do Colégio Militar, reuniram-se num almoço na sede deste clube em Lisboa, para comemorar o 3 Março.

O almoço foi presidido pelo Antigo Aluno Duarte Pio de Bragança - 97/1960.

As fotos foram gentilmente cedidos pelo Filipe Soares Franco - 62/1963.

A reunião, decorreu em ambiente de muita animação e camaradagem e foi encerrada com o habitual zacatraz colegial.

Presenças:
Atrás, de pé, da esquerda para a direita: João de Barahona Núncio (175/1945), Rui Carp (536/1960), José Luís Bessa (73/1955), António Sobral (112/1950), Duarte Pio de Bragança (97/1960), Filipe Soares Franco (62/1963), Manuel de Lucena (405/1953), Pedro Cudell (3/1961) e Eurico Paes (306/1957).

Em posição de “firmeza”, à frente, da esquerda para a direita: Isaías Gomes Teixeira (197/1977), José António Corrêa d
e Sá (228/1959) e Miguel Félix António (302/1972)



Publicado por: Família Real Portuguesa

18 de abril de 2017

6.500 assinam petição

Resultado de imagem para d duarte de bragança

Ultrapassa já as 6.500 mil assinaturas a petição lançada a meados de Março, que propõe alterações à ‘Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português’ por causa do relacionamento protocolar devido ao Duque de Bragança.
Porque o Duque de Bragança, D. Duarte Pio, enquanto descendente e representante dos Reis de Portugal, é regularmente convidado a participar em eventos oficiais, sendo-lhe habitualmente conferido um tratamento de particular respeito, apesar de isso não estar previsto no protocolo do Estado, eis a razão da petição que propõe a inclusão do Duque de Bragança na Lei do Protocolo do Estado, a exemplo do que já acontece com as altas entidades estrangeiras, diplomáticas, religiosas, universitárias e parceiros sociais.
De acordo com o texto associado à petição ‘monárquica’, o relacionamento protocolar devido ao Duque de Bragança deverá ser especificado na Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português, acrescentando um novo Artigo 34º: “1 - O chefe da Casa de Bragança, quando convidado para cerimónias oficiais, deverá ser tratado como convidado especial da entidade que tiver, por virtude da mais alta precedência protocolar, a presidência. 2 – Ao cônjuge do chefe da Casa de Bragança é atribuído lugar equiparado ao mesmo, quando esteja a acompanhá-lo.”
Na Madeira, o monárquico arquitecto João Cunha Paredes tem divulgado a petição, na expectativa da mesma reunir um maior apoio.
Entre as personalidades que apoiam esta petição, sobressaem deputados (do CDS e do PSD), presidentes de Câmara, ex-governantes e professores universitários.

Fonte: dnoticias.pt

17 de abril de 2017

JC não serve para gestor de recursos humanos

Não destituir Pedro, depois da sua tripla negação, era pior do que pôr ao leme da Igreja o comandante do Costa Concórdia. Era negligenciar o bem da Igreja. Contudo JC manteve Pedro como CEO da Igreja.

Há já alguns anos, escandalizei alguns devotos com uma publicação intitulada “Os defeitos de Maria”. Soube depois que o livro, apesar do prólogo de um cónego, o nihil obstat de outro e o imprimatur do vigário-geral do patriarcado de Lisboa, não entrou em certas casas. Decerto que esses escandalizados fiéis, se me vissem por perto, me teriam borrifado com água benta, coisa que só não aconteceu porque tive a feliz ideia de, com todo o respeito, me borrifar para esse seu escrúpulo. Nem sei o que me teria acontecido se tivesse tido o atrevimento do Cardeal vietnamita F. X. Nguyen van Thuan, falecido com fama de santidade, que ousou dizer que, o que mais admirava em Jesus Cristo – JC para os amigos – eram os seus defeitos!
Ainda que de forma modesta, não queria deixar de contribuir, este sábado de Aleluia, para esse maior amor a JC, precisamente pelo mais cabal conhecimento de alguns dos seus defeitos, qual a sua manifesta incompetência em questões de recursos humanos.
A equipa que formou, com aqueles doze homens, os apóstolos, já não foi um acerto, se se tiver em conta que, entre eles estava o traidor, Judas Iscariotes. Os outros, diga-se de passagem, também não eram muito melhores: na final, que se jogou no monte Calvário, todos desertaram, com a excepção de João, o discípulo adolescente, o único que ficou, com Maria e algumas mulheres, junto à Cruz do Senhor.
Mais grave ainda foi a escolha do capitão da equipa, um tal Simão, a quem ele teve a infelicidade de mudar o nome para Pedro pois, como depois se viu, a fortaleza não era, valha o paradoxo, o seu forte. De facto, apesar de ter jurado antes morrer do que ser infiel ao seu Mestre, a verdade é que Simão, no espaço de poucas horas, negou, por três vezes, JC!
Se Pedro tivesse negado Cristo diante de Anás e Caifás, ou de Pôncio Pilatos, ou ainda do rei Herodes, mesmo que não se pudesse justificar a sua infidelidade, poder-se-ia compreender a sua fraqueza. Mas a sua cobardia foi diante da porteira, de um parente de Malco – aquele a quem Pedro cortara a orelha que o Senhor curou naquela que foi, pela certa, a sua última cura milagrosa e a primeira operação plástica da história – e de outras pessoas sem poder para o acusar, prender ou matar. Mesmo assim, Pedro negou, três vezes, ser discípulo de JC. Depois, desapareceu na noite, para só reaparecer na madrugada do primeiro dia da semana, o da ressurreição do Mestre.
Nesse dia Jesus, depois de se encontrar com as santas mulheres que foram ter ao sepulcro, bem como com Maria Madalena, que o confundiu com o jardineiro do horto onde estava a sepultura, apareceu também a Pedro, antes ainda de comparecer diante dos restantes apóstolos, com a excepção de Tomé, que estava ausente e, por isso, só viria a acreditar na ressurreição do Mestre uma semana depois, quando viu e tocou, com as suas mãos incrédulas, as chagas do crucificado.
O que aconteceu, nessa aparição particular a Simão, ninguém sabe nada, porque os Evangelhos são omissos sobre este particular. Mas é fácil imaginar o que JC deveria então ter dito ao desleal capitão de equipa:
– Simão! Como sabes, depois de eu te ter prevenido da tua tripla negação, que tu protestaste com juramento, a verdade é que me traíste por três vezes. Se dois amarelos já dão direito à expulsão do campo, três faltas graves é demais! Tens que compreender que a Igreja não pode ser pior do que a equipa de Canelas que, por menos do que isso, expulsou um jogador do seu plantel. Tem que haver alguma moralidade e um mínimo de competência! Como estás arrependido, eu perdoo-te e continuamos amigos, mas já não tens condições para ser o capitão da equipa. Desculpa, mas sobrevalorizei-te quando que te promovi a CEO. Foi erro meu: nunca deverias ter deixado a pesca!
Para Pedro, a despromoção, para além de lógica e justa, seria até um alívio, mas quem ocuparia o seu lugar?! Nosso Senhor teria então que escolher um novo capitão para a equipa apostólica. Mas nem isso parecia difícil:
-Aproveitei estes dias no sepulcro para rever os vossos currículos: João é, sem dúvida, o melhor! Repara que, apesar de jovem, foi o único que não fugiu da Cruz e, por isso, foi a ele que confiei a minha Mãe. Aproximam-se tempos de perseguição para a Igreja, que só terminarão no fim do mundo, e João, que é mais novo e forte do que tu, é mais capaz de lhes fazer frente. Os cristãos dificilmente obedeceriam a um apóstolo que, como tu, me negou três vezes e a quem até chamei Satanás (cf. Mt 16, 23), mas a ele respeitarão, porque foi o meu confidente, também na última ceia quando lhe disse, só a ele, o nome do traidor. Sim, João é o apóstolo que tem o perfil ideal para ser o primeiro Papa!
Qualquer sofrível gestor dos recursos humanos teria procedido deste jeito, destituindo Simão, dada a sua manifesta deslealdade e incompetência, e nomeando, para capitão da equipa, João. Manter Pedro, depois do seu triplo falhanço, era pior do que pôr ao leme da Igreja o comandante do Costa Concórdia! Era apostar no naufrágio da barca na sua viagem inaugural, qual Titanic! Era negligenciar, de forma grave, o bem das almas! Era comprometer definitivamente, a Igreja e o seu projecto de salvação universal!
E, contudo, Jesus manteve Pedro como CEO da Igreja! Mais pôde o seu amor e compaixão do que a inabilidade e traição do apóstolo! Também hoje, é com outros Pedros pecadores, que Jesus quer continuar a sua aventura de amor e redenção.
Obrigado, Senhor, por nos teres convocado para a tua equipa! Nós, que nem na pior da última distrital teríamos direito a jogar, graças a ti, Mister, pertencemos à selecção! Bendita e louvada seja, pelos séculos dos séculos, a tua incompetência em recursos humanos!
Fonte: Observador