31 de maio de 2017

Desmitificar a Monarquia – Parte I



São muitos os mitos que foram criados como forma de depreciar o regime de Monarquia. Algumas dessas construções alegóricas negam-se a si próprias – pelo absurdo -, mas outras cumpre clarificar para que não sobeje qualquer dúvida, ficção ou historieta sobre a benignidade e mérito de um sistema de governo Monárquico.
Devido ao uso de instrumentos como a censura, devido a frequentemente envolver interesses políticos, financeiros de pessoas determinadas, criou-se – no estado das coisas republicano que assola este país há mais de 106 anos – uma fabulação em torno do assunto que só o bom uso da realidade histórica pode mostrar a Verdade! De facto, ‘A Verdade é apenas uma perspectiva’ – evocamos o célebre Pensamento do Imperador Marco Aurélio para dissertar sobre a mentira que os dirigentes republicanos pespegaram durante um século e uns pozinhos.
Em primeiro lugar, ao contrário do que foi gravado com mentira, o derrube da Monarquia e consequente implantação revolucionária do regime republicano não resultou de uma vontade comum, nem de uma emanação popular. Na 46ª eleição geral, 37ª eleição da 3ª vigência da Carta que se realizou a 28 de Agosto de 1910 – portanto, as últimas eleições do constitucionalismo monárquico -, estavam recenseados 695 471 eleitores, e a ida às urnas traduziu-se numa vitória com 58% dos votos (89 deputados) para os Governamentais do chamado bloco liberal Monárquico de Teixeira de Sousa, mas sobretudo numa VITÓRIA DOS PARTIDOS MONÁRQUICOS expressa nuns retumbantes 91% (33% – 51 Deputados p/ o bloco conservador das oposições monárquicas; 15% – 20 deputados regeneradores apoiantes de Campos Henriques; 13% – 23 deputados progressistas; 3% – 5 dep. franquistas; 2% – 3 dep. nacionalistas ), contra uns meros e incipientes 9% (14 deputados) do Partido Republicano Português.
De facto, longe de ser um partido engrandecido pelos militantes e agregador de uma vasta multidão de simpatizantes, o Partido Republicano Português era um grémio ou se preferirem um redil com uma pequena chusma de simpatizantes, isto é, não passavam de republicanos sem público!
A essa parca abrangência popular juntava-se a falta de organização e a incompetência do seu directório, ele próprio enredado em lutas intestinas.
O PRP não era um partido que arrastava multidões, como quer fazer crer a negação histórica de quem conta a sua historieta. Pode-se constatar pelos resultados das Eleições Gerais realizadas no Reino de Portugal entre 1878 e 1910 que o Partido Republicano Português não passava da insipiência, e que a sua pequena franja de admiradores se concentrava sobretudo nas zonas urbanas de Lisboa e Porto – que até não eram tão densamente povoadas como presentemente.
O partido republicano português só alcançou os seus melhores resultados a partir do Ultimatum e da Revolução republicana brasileira, factores que concorreram para que crescesse e mesmo assim, como se verifica, não muito, pois o seu zénite eleitoral foram de uns meros 9% na 46ª e última eleição geral do Reino de Portugal, que se realizou a 28 de Agosto de 1910. Desta forma não pode ser declarado, por quem quiser ter o mínimo de probidade e honestidade intelectual na leitura da História, que o 5 de Outubro de 1910 se tratou de um movimento popular.
Atiram que a Monarquia não é democrática, mas não pega… em lado nenhum!
Em primeiro lugar o Rei de Portugal identificou-se sempre com a vontade declarada de todo o Reino. Em Portugal, até se pode dizer, que nunca a Monarquia fez defesa da teoria medieval da origem divina do poder régio, mas sim que este resultava de um pacto entre a Comunidade de Portugueses e o Rei – por isso, no caso particular de Portugal, e sempre tal aconteceu desde o próprio Rei Fundador Dom Afonso Henriques, o Rei é Aclamado e nunca imposto! Ou seja, apesar do Príncipe herdeiro suceder ao Rei falecido existe uma participação popular que ratifica essa sucessão sendo que esse passo é o acto jurídico que verdadeiramente faz o Novo Rei.
‘É a tradição portuguesa de autodeterminação a partir da base social dos Três Estados. É a consciência de serviço ao Reino, que nunca será extirpado sequer pelas formas mais extremas de absolutismo.’
Assim a legitimação dos Reis resulta destes receberem o poder do Povo para governar sob a condição tácita de reinar bem. O Rei é um funcionário da Nação e, por isso, o Povo pode livremente destroná-lo, se ele não cumprir qualquer das obrigações inerentes ao seu cargo. O Rei injusto seria um castigo, mas a Nação não é obrigada a sofrê-lo e por isso mesmo o Monarca deve ser deposto por Cortes Gerais. É a represtinação do preceito do direito visigótico de que o Rei tem de reinar rectamente: Rex eris, si recte facias, si non facias, non eris; e que depois foi plasmado nas Constituições do Reino de Portugal.
Primeiro eram as Cortes, depois o Parlamento que dispunham de meios que iam desde a cessação das regalias reais, passando pela instituição de uma Regência, chegando até os extremos da destituição do Monarca.
Hoje, também, não há lugar a Monarquias Absolutas, pois o Rei será um de diferentes órgãos do Estado e que exercerá os poderes que lhe estarão consagrados na Lei Fundamental do País.
Existem pelo menos dois tipos diferentes de Monarquias Constitucionais no mundo contemporâneo: Executiva e Cerimonial.
Nas Monarquias executivas, o monarca exerce o poder executivo de forma significativa, embora não absoluta. Por outro lado, nas Monarquias cerimoniais, o monarca não governa e por isso não influência a política directa; mas dentro desta última o Monarca pode ter funções estritamente cerimoniais ou possuir poderes de reserva, o chamado Poder Moderador.
Desta forma, a existência de um Rei acrescenta aos três poderes já procedentes do século XVIII – legislativo, executivo e judicial -, um quarto poder, o moderador exercido plena e livremente pelo Rei, que apesar de não governar, vela pelo funcionamento dos demais poderes. O artigo 71.º da Carta Constitucional de 1826 estatuía: ‘O Poder Moderador é a chave de toda a organização política e compete privativamente ao Rei, como Chefe supremo da Nação, para que incessantemente vele sobre a manutenção da independência, equilíbrio e harmonia dos mais Poderes Políticos’.
A Monarquia em Portugal até foi sempre um modelo único: primeiro com um Rei Aclamado e fonte dos três poderes, mas não de forma absoluta, e depois na Monarquia Constitucional sobre a forma de governo de uma Monarquia Parlamentar, que assentava na legitimidade democrática. Hoje a Monarquia em Portugal até sublimaria a democracia, pois os órgãos que efectivamente exerceriam o poder político conquistariam a sua legalidade e legitimidade das eleições por sufrágio directo e universal. Assim sendo, originariamente, o poder residiria no Povo, contudo exercer-se-ia sob a forma de governo monárquico. Nas Monarquias Constitucionais contemporâneas cabe ao primeiro-ministro, que é o chefe de governo, exercer o poder executivo efectivo, mas o titular originário do poder executivo será o Rei que o cede ao PM, mas que o poderá orientar se o político eleito não governar no interesse do bem da coisa comum!
A realidade comprovou a importância da Monarquia como um freio aos políticos eleitos que poderiam procurar obter poderes maiores aos atribuídos pela Constituição e, assim, em último caso, como uma ressalva contra a ditadura. Este contrapeso resulta de que uma coisa só é superada quando se actua de modo a que tal coisa forme com o seu contrário uma unidade: é a tese e a antítese de Hegel. Para haver uma anulação de uma força negativa política tem que haver uma força positiva capaz de a equilibrar. Ora só um Rei tem essa força e consegue de forma eficaz desempenhar essa função.
Tal não acontece com outro Chefe de Estado que não seja um Monarca, uma vez que há a grande vantagem do Rei enquanto entidade real independente, não eleito, não representar qualquer partido político e seus sectários e com tal não suster qualquer agenda política, podendo assim com o seu Poder Moderador proteger a estabilidade dentro da pluralidade politico-social do país, obstando à perturbação causada pela política que degenere. Acima de tramas partidárias, independente de um calendário político, de promessas eleitorais, sem relações suspeitas com oligarquias, sem solidariedade activa com políticos – pois o Rei não tem partido -, sem diligências a favor de clientelas eleitorais e financiadores de campanhas que esperam obter benefícios e dividendos do seu ‘investimento’, o Rei terá a tranquilidade e a legitimidade para actuar como moderador entre as várias facções políticas ou demais grupos da sociedade civil e interpor-se como cautela da democracia. Um Monarca jamais se resumirá a um patrono de uma legislatura.
De facto, o poder moderador do Monarca habilita-o a negar poder a quem dele pudesse abusar! É necessário que o exercício do poder deixe de ser equívoco e passe a ser realizado de acordo, não só com o mínimo ético, mas, ainda mais além, que se identifique com a moral. Não se deve separar nem opor Moral e Política, uma vez que o bem-ser regula sempre o bem-fazer. É necessário apagar a diferença que existe actualmente entre eles. Não pode subsistir o Poder pelo Poder, com a frustração da Moral, mas sim unir-se os dois conceitos, para se alcançar o soberano bem da Nação.
Um Rei exprime a virtude da dedicação ao bem comum e tem uma superior consciência dos assuntos nacionais, representando da forma mais ética possível a Nação; a Comunidade confia no Rei e revê-se nele, e quererá seguir-lhe o exemplo o que vai fazer repercutir nas instituições democráticas essa ordem. Deste modo, o regime da Monarquia é assim contrário à dissimulação, adversa aos interesses e lobbies partidários, económicos e financeiros e isso influiu no progresso das instituições, que auxiliadas pelo Rei tornam as suas intenções livres da obscuridade e da contradição dos actos.
Assim, é na Monarquia que a Democracia se realiza mais intensa e profundamente. De resto, sete dos dez Países com maior índice de democracia são Monarquias Constitucionais, com a Noruega em 1.º lugar, seguida da Suécia em 2.º, a Nova Zelândia em 4.º e da Dinamarca em 5.º – só para citar alguns exemplos. Ora, das 135 repúblicas que existem no Mundo apenas 53 são democracias, pelo que república está muito longe de ser sinónimo de democracia.
Além disso, o Parlamento deverá ser eleito por um sistema verdadeiramente democrático de listas abertas para que o cidadão-eleitor possa fazer a sua opção em função de figuras que reconhece e que poderá demandar, em caso disso, distinto do presente sistema eleitoral que não permite aos eleitores objectivamente eleger os seus deputados, pois estes são seleccionados pelos partidos. Ora, as forças vivas da sociedade têm que estar representadas no Parlamento! Durante a Monarquia Constitucional, os Deputados da Nação recebiam os Cidadãos nos Passos Perdidos assim é chamado o Corredor que dá acesso à Sala das Sessões do Parlamento, e o nome resultou de aí ficarem uns e outros a deambular enquanto falavam. Além disso, nesse tempo era natural os assistentes nas galerias interromperem as Sessões a fim de protestar e de colocarem questões. Afinal, havia a premissa que a Câmara Baixa das Cortes representava o Povo que era Soberano e que assim sendo tinha o direito de interromper as Sessões.
Implantada a República, cessaram esses direitos!
Mas as Cortes tinham ainda uma Câmara Alta; hoje não seria dos Pares, mas composta por membros reconhecidos pelo seu valor, por representantes da sociedade, e que serviriam como um travão ao domínio do poder legislativo pelos políticos eleitos ou quando muito, em caso de maiorias absolutas, ao ímpeto legislativo que possa desacautelar o bem comum.

Miguel Villas-Boas

30 de maio de 2017

28º Aniversário da RAL

Foto de Real Associação de Lisboa.


No passado dia 20 de Maio a Real Associação de Lisboa celebrou o seu 28º aniversário com mais um tradicional passeio convívio, que desta vez incluiu uma visita ao Palácio de Queluz, património com estreita ligação à Casa Real Portuguesa e à História de Portugal, seguido de um almoço presidido por S.A.R. o Senhor Dom Duarte e de um animado passeio de eléctrico entre a Vila de Sintra e a Praia das Maçãs. Para nos guiar na visita matinal, tivemos uma vez mais a grata satisfação de contar com a colaboração do Senhor Professor Hélder Carita, nome incontornável da História da Arquitectura em Portugal.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.

Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


Foto de Real Associação de Lisboa.


29 de maio de 2017

Tomar celebra Dia Mundial Da Criança dedicado aos Descobrimentos com a presença de SS.AA.RR., Os Duques de Bragança


A cidade de Tomar vai celebrar o Dia Mundial Da Criança, que se assinala no próximo dia 1 de Junho, com um cortejo com 2 mil crianças, entre os 3 e 10 anos, dedicado à temática dos Descobrimentos: Tomar Berço dos Descobrimentos.

Os quadros do cortejo, que pretende destacar o papel de Tomar e da Ordem de Cristo na epopeia das Descobertas, passam por “O Atlântico Desconhecido Para lá do Bojador”, “As Caravelas do Infante D. Henrique apoiado na Ordem de Cristo”, “Diogo Cão e as Viagens de Exploração da Costa Ocidental Africana”, “O Cabo da Boa Esperança e o Adamastor”, e “Índia, Brasil e Macau”.

As crianças irão usar fatos alusivos aos temas de forma a representar os diversos povos, bem como a fauna dos oceanos e dos continentes representados nesta evocação histórica, e haverá ainda carros alegóricos e música ao vivo.

As celebrações começam pelas 10h30 com o cortejo: Tomar Berço dos Descobrimentos, e continuam pelas 15h00 com a realização da regata Vai de Vela no Nabão, com barcos miniatura criados por alunos do 2º Ciclo, que farão um percurso entre a ponte do Mouchão e a Levada. Estes barcos serão ainda premiados pela criatividade e a capacidade de recriação das embarcações dos Descobrimentos.


A iniciativa é do Município de Tomar, numa associação com as escolas e a comunidade local, e vai contar entre os convidados com a presença de D. Duarte Pio de Bragança e D. Isabel de Bragança, que vão assistir ao desfile que terá lugar nos Paços do Concelho.


28 de maio de 2017

Medjugorje: solução à vista?

Para um cristão a investigação sobre as supostas aparições de Medjugorge faz sentido, pois deve conhecer a solidez das suas convicções e estar preparado para responder a quem lhe pedir razão da espera

Entre os dias 24 de Junho e de 3 de Julho de 1981 supõe-se que ocorreram, em Medjugorge, na ex-Jugoslávia, sete aparições de Nossa Senhora, que depois terão tido continuidade até ao presente, mas só em relação a uma das videntes. Mas, não obstante os trinta e seis anos entretanto decorridos, Medjugorge continua a ser um tema polémico para muitos católicos.
Enquanto alguns fiéis, nomeadamente os que fizeram a experiência de peregrinar até esse local, defendem com unhas e dentes as aparições, as autoridades eclesiais, embora valorizando os abundantes frutos espirituais aí verificados, têm algumas reservas quanto à autenticidade do acontecimento. Logo que o fenómeno supostamente sobrenatural se verificou, deu azo a um conflito institucional entre os franciscanos, que geriam a paróquia de Medjugorje e eram partidários acérrimos das aparições, e o então bispo diocesano, que nunca deu o seu aval às ditas visões ou aparições marianas.
À medida que a tensão foi crescendo – um dos franciscanos mais envolvido no caso deixou depois a sua Ordem e também o ministério sacerdotal – e o fenómeno adquiriu dimensão internacional – são muitos os milhares de católicos que todos os anos peregrinam a Medjugorje – a Santa Sé chamou a si a questão, que já tinha largamente ultrapassado o âmbito da jurisdição do respectivo bispo diocesano e, até, da correspondente conferência episcopal. Sem se pronunciar de forma definitiva sobre as supostas visões ou aparições, nem sobre as alegadas mensagens de Nossa Senhora, que os devotos de Medjugorje divulgavam diariamente durante anos a fio, a Santa Sé limitou-se a proibir as peregrinações oficiais, sem contudo impedir que, privadamente, os fiéis católicos aí se pudessem dirigir e rezar.
Um novo passo foi agora protagonizado pelo Papa. Com efeito, Francisco, na conferência de imprensa que, no passado dia 13, deu no avião que o levou de Portugal a Itália, pronunciou-se sobre este caso, a pedido de um jornalista italiano.
O Santo Padre recordou a clássica distinção entre a ‘revelação pública’ e as ‘revelações privadas’: enquanto a primeira faz parte da fé eclesial e deve ser crida por todos os fiéis, as segundas não são objecto da fé da Igreja, mesmo quando a autoridade eclesial as aprova, como aconteceu com Lourdes e Fátima.
Para efeito deste possível reconhecimento, como também lembrou o Papa Francisco durante a viagem de regresso a Roma, Bento XVI nomeou uma comissão ad hoc, sob a presidência do Cardeal Ruini, que foi durante muitos anos o vigário do Papa para a diocese de Roma, de que o romano pontífice é, por inerência, o bispo.
Esta comissão, de que também faziam parte mais cinco cardeais, o conhecido psicanalista Tony Anatrella, vários teólogos, antropólogos, canonistas e psicólogos, entre outros especialistas, teve por missão “recolher e examinar todo o material” sobre Medjugorje. A comissão reuniu 17 vezes, entre 17 de Março de 2010 e 17 de Janeiro de 2014, e estudou toda a documentação existente no Vaticano, na paróquia de Medjugorje e também nos arquivos dos serviços secretos da ex-Jugoslávia. Também ouviu os seis videntes e outras testemunhas, tendo-se deslocado, em Abril de 2012, ao local das aparições. Foi também incumbida de apresentar um ‘relatório pormenorizado’ sobre o caso; o seu parecer sobre ‘a sobrenaturalidade, ou não,’ das visões; bem como sugerir possíveis “soluções pastorais” para o local.
Em princípios de 2014, esta comissão transmitiu ao Papa Francisco as suas conclusões, que suscitaram algumas dúvidas por parte da Congregação para a Doutrina da Fé, a qual decidiu enviar as conclusões da comissão Ruini a todos os membros da sua quarta secção – assim chamada por se reunir às quartas-feiras – para que cada um dos seus membros desse o seu parecer. O Santo Padre, quando informado deste expediente, decidiu avocar o assunto, para impedir que, por assim dizer, se pusesse em hasta pública o relatório do Cardeal Ruini, que o próprio Papa Francisco considera muito bom. Em carta endereçada ao prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, o Santo Padre exigiu que esses pareceres teológicos lhe fossem enviados directamente.
Segundo o Papa Francisco, há três dúvidas a esclarecer sobre Medjugorge: as primeiras aparições, as mensagens actuais e a questão pastoral.
Quanto às aparições iniciais, o grupo de trabalho presidido pelo Cardeal Ruini emitiu o seguinte veredicto: treze votos favoráveis ao reconhecimento da sobrenaturalidade das sete primeiras aparições, um voto contrário e um voto suspensivo. Não obstante a aprovação, quase unânime, dessas visões, a opinião do Papa Francisco não parece ser tão favorável, na medida em que, a bordo do avião que o levava de regresso a Roma, disse: “sobre as primeiras aparições, quando [os videntes] eram novos, o relatório diz, mais ou menos, que se deve continuar a investigar”.
A comissão constatou uma diferença clara entre o início do fenómeno e o seu posterior desenvolvimento, pelo que deliberou por separado as duas questões: primeiro, pronunciou-se sobre as 7 primeiras aparições, entre 24 de junho e 3 de julho de 1981; e, depois, emitiu o seu parecer sobre os fenómenos posteriores. A comissão deu por provado que as seis crianças videntes eram psicologicamente normais e não foram influenciadas pelos franciscanos, nem pela paróquia ou por qualquer outra pessoa ou entidade. A comissão também descartou a hipótese de que as aparições sejam de origem demoníaca.
Mais crítica é a opinião do Papa Francisco em relação aos fenómenos posteriores, sobre os quais a comissão Ruini também expressou muitas dúvidas. A este propósito, disse o Papa argentino na dita conferência de imprensa aérea: “Eu, pessoalmente, sou mais ‘mau’ [do que a comissão Ruini]: eu prefiro a Senhora Mãe, a nossa Mãe, em vez da ‘Senhora-chefe de estação dos correios e telégrafos’, que todos os dias manda uma mensagem à mesma hora … esta não é a Mãe de Jesus! Estas supostas aparições não têm o mesmo valor. Digo-o como minha opinião pessoal”.
Não obstante estas reticências, a comissão Ruini pronunciou-se favorável ao levantamento da proibição de peregrinações oficiais a Medjugorje – 13 votos a favor, entre os 14 membros presentes – e sugeriu, por maioria, a transformação da paróquia num santuário mariano pontifício, “dependente da Santa Sé”. Uma proposta motivada por ‘razões pastorais’: o atendimento espiritual dos milhões de peregrinos que continuamente afluem a essa paróquia.
O Papa Francisco, depois de ter examinado o relatório Ruini e os pareceres dos membros da Congregação para a Doutrina da Fé, nomeou o arcebispo polaco Henryk Hoser, como “enviado especial da Santa Sé” para a questão pastoral de Medjugorje. Neste verão, Hoser deverá concluir a sua investigação e, depois, o Papa Francisco tomará a decisão final.
Para qualquer ateu ou agnóstico, pode parecer exagerado todo o imenso trabalho que Medjugorge tem significado para tantas autoridades eclesiais e científicas, desde o Santo Padre até aos cardeais, bispos, teólogos, canonistas, sociólogos, psicanalistas, etc. Para um cristão, todo este trabalho faz sentido, não só porque o confirma na fé e na solidez das suas convicções e devoções (cfr. Lc 1, 4), mas também porque o habilita para responder, com argumentos teológicos e científicos, a quem lhe pedir razão da sua esperança (cfr. 1 Pd 3, 15).
Fonte: Observador

26 de maio de 2017

Gonçalo Ribeiro-Telles aos 95: um visionário utópico

Por Vasco Rosa



Paladino do bom senso dos ecologistas, mestre de muitos arquitectos paisagistas e grande referência dos monárquicos portugueses desde 1974, Gonçalo Pereira Ribeiro-Telles celebra, neste 25 de Maio, 95 anos do seu nascimento. O aniversário não foi registado, da mesma maneira que autarcas e outros decisores públicos e políticos encolhem os ombros à lição deste visionário utópico, cujo desvelo pela terra portuguesa não encontra rival. Devemos-lhe jardins urbanos muito aprazíveis, a ideia de hortas urbanas, a protecção legal da reserva natural e dos parques naturais, e também a frontal denúncia dos empórios do betão, da celulose e da energia, acerca dos quais escreveu há já trinta anos — premonitoriamente — que “as perspectivas de cada um destes poderes económicos, comandados ou comandando interesses privados, profissionais e corporativos, influenciando serviços do Estado, são meramente sectoriais e não se integram numa visão global do desenvolvimento do país” (itálicos meus).
Como muitas vezes acontece, a melhor maneira de homenagear pensadores (e Gonçalo Ribeiro-Telles foi-o também; veja-se o seu Para Além da Revolução, Salamandra, 1985) é lê-los. Por isso, além de recomendar o recente Textos Escolhidos, um livro organizado pelo arquitecto Fernando Santos Pessoa e publicado pela Argumentum, e de A Árvore em Portugal — esgotado, talvez apareça numa biblioteca, num alfarrabista —, escrito em parceria com o seu mestre Francisco Caldeira Cabral (Assírio e Alvim, 1999) e bibliografia essencial em cursos de paisagismo, fomos buscar ao fundo das prateleiras dois textos de Ribeiro-Telles que merecem atenção.
LER ARTIGO COMPLETO EM:

25 de maio de 2017

SAR, A Senhora D. Isabel de Bragança visita o Santuário de Fátima todos os anos a 13 de Maio, data em que se casou



Foi a 13 de Maio de 1995 que D. Isabel e D. Duarte de Bragrança se casaram. Todos os anos, no aniversário de casamento, o casal passa o dia no Santuário de Fátima.
Este ano, em que comemoram 22 anos de casados, não será excepção e será também a oportunidade para os duques de Bragança participarem nas comemorações do Centenário das Aparições de Fátima, que contam com a visita do Papa Francisco.
Apesar do entusiasmo geral em relação ao chefe da Igreja católica, D. Isabel de Bragança defende que o Papa não revolucionou o Vaticano.
“O Papa não veio mudar a Igreja. Cada Papa, como cada pessoa, tem o seu modo próprio de ser. Isso é uma riqueza para a Igreja. Há quem se identifique mais com um do que com outro e, por isso, seja mais entusiasta de um Papa específico. Porém, a igreja é isso mesmo, somos todos nós. Por isso é que temos de agradecer a todos os chefes da Igreja que têm passado pela nossa vida. Aprendemos sempre alguma coisa com os seus exemplos, com as diferentes perspectivas, as suas personalidades”, explica.
A duquesa de Bragança diz que o chefe do Vaticano “tem conseguido aproximar muita gente da Igreja, através da sua maneira de ser e com a sua devoção à misericórdia de Deus”.
“O Papa Francisco trouxe, entre muitas coisas, o coração! Uma das coisas que me chocou quando vim do Brasil foi encontrar na Europa tantos corações endurecidos. Só na Europa é que, quando alguém diz que tem fé, é automaticamente considerado um intelectual de segunda categoria, como se a fé fosse incompatível com a inteligência. No mundo inteiro não há esse complexo. Foi sobretudo isso que eu tanto procurava e que encontrei neste Papa: uma naturalidade muito própria e uma alegria contagiante”, justifica.
O Papa vem a Fátima como mero peregrino e não como chefe de Estado.
“É bom ser-se peregrino. É uma caminhada que fazemos, em que, durante o percurso, nos preparamos para um encontro mais íntimo e pessoal com Nossa Senhora. Mas poderia ser também uma visita de chefe de Estado, uma vez que Nossa Senhora continua rainha de Portugal”, refere a mulher de D. Duarte. 

Fonte: Lux

Ascensão do Senhor - Quinta-feira de espiga

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24 de maio de 2017

XXIII Congresso da Causa Real

Já e conhecido o Programa do XVIII Congresso da Causa Real, na Colunata Eventos do Bom Jesus – Braga, a realizar no próximo dia 3 de Junho.

A manhã será reservada para assuntos internos da Causa Real, nomeadamente alterações estatutárias e aprovação do relatório de actividades, e de tarde terá lugar a conferência “Utilidade para Portugal da institucionalização do papel representativo da Casa Real Portuguesa”.
Oradores:

Ascenso Simões, Deputado do PS
Nuno Melo, Eurodeputado do CDS-PP
Paulo Teixeira Pinto, antigo Presidente da Causa Real

Apresentação de Tomás Moreira, Vice-Presidente da Causa Real, e moderação de António de Souza-Cardoso.

Pelas 17h30m, Missa e Cerimónia de Investidura de S.A.R. o Senhor Dom Afonso, Príncipe da Beira, na Real Confraria de Santa Maria de Braga.

O Encerramento do Congresso decorrerá no Jantar Real, pelas 20h30m, e logo de seguida mais um momento comemorativo na Festa Azul e Branca.

No dia seguinte, dia 4, o encontro está marcado no Torneio de Tiro aos Pratos no Clube de Tiro de Braga.

Como participar:
Congressistas – 25 EUR (almoço incluído)
Congressistas da JMP – 15 EUR (almoço incluído)
Observadores – 5 EUR (sem almoço, este tem um custo de 25 EUR)
Os pagamentos devem ser feitos através do IBAN: PT 50 0036 0038 9910 0538 7355 0

Deve enviar um e-mail com a indicação da qualidade em que participa no Congresso e com o comprovativo de pagamento, para realassociacaobraga@gmail.com. Utilizar o mesmo e-mail para obter mais informações.

Nota: os Observadores podem acompanhar os trabalhos do Congresso desde o início e não é condição obrigatória ser associado da Causa Real.

22 de maio de 2017

Sobre Espanha e a Restauração de 1640



Pela morte formosíssima de D. Sebastião, em Alcácer Quibir, em 1578, o trono de Portugal ficou virtualmente vago, pois o Cardeal D. Henrique, pelo seu estado e pela sua idade, não podia assegurar a continuidade da dinastia. E pelo seu falecimento em 1580, a Corôa portuguesa, ocupada desde o seu início, em 1128, pelo Rei de Portugal, estava à mercê do mais forte: o mais forte era, nesse tempo, D. Filipe II de Castela. E o Estado português teve que suportar a afronta de passar a ser dirigido e governado pelo Rei castelhano.

Durou a afronta, que ainda hoje nos vexa e revolta, sessenta anos...

Em 1640, Portugueses leais, na Nobreza, no Clero e no Povo, agrupado à volta do Duque de Bragança, D. João, português de melhor têmpera, e diplomata da melhor escola, repetiram a façanha dos seus Antepassados de 1128.

Se estes repeliram e expulsaram da terra portuguesa, os galegos e leoneses seus inimigos, os portugueses de 1640 repeliram e expulsaram os castelhanos, tão seus inimigos, ou mais do que os outros.

«Que es esto, portugueses, onde está vuestra fidelidad?» – perguntava, pasmada, a Duquesa de Mântua, vice-Rainha de Portugal, em 1 de Dezembro de 1640, aos Nobres que lhe tinham invadido o Palácio.

E os Nobres, muito serenos, pela boca de D. Carlos de Noronha, responderam-lhe que estivesse quietinha, para não terem de lhe faltar ao respeito.

«A mi? Como?!» – retorquiu, irada, a Duquesa. E, sereno, D. Carlos de Noronha, a tranquilizá-la, e em linguagem de hoje: «Como? Baldeando V. A. por uma dessas janelas fora...»

É das páginas mais bonitas da nossa história, essa que se escreveu em 1 de Dezembro de 1640, – com valentia, com elegância, com habilidade, com um desprezo soberano pela morte.

À frente de todos, e a destacar-se pela acção prudente e firme, a figura varonil, bem desenhada, bem personalizada, do Duque de Bragança que uma História ignóbil, apostada a desvirilizar Portugal, a envergonhar Portugal de si mesmo, a desacreditar Portugal, nos ensinou a ter como figurino de poltrões.

Que fez o Duque de Bragança?

Responda, por mim, um homem insuspeito – insuspeito porque despido de toda a espécie de ambições; insuspeito, porque superiormente culto; insuspeito, porque de feitio avesso a lisonjas, antes acusado de excessivamente azedo nos seus juízos – Joaquim de Vasconcelos, erudito notável:

«Restaurar o reino em todo o sentido, reorganizar a administração, restabelecer as finanças, criar os complicados elementos de defesa, reconquistar quase todas as possessões de África e todo o Brasil, criar a Junta Geral do Comércio, negociar alianças valiosas, tudo isto em dezasseis anos... parece-nos uma obra digna de admiração e do nosso respeito, ainda que não fossem conhecidas as circunstâncias dificílimas em que estes trabalhos foram executados».

É este o D. João IV que os factos, as realidades, autorizam e levam a criar, e não o que formam as calúnias e misérias que aquela História anti-portuguesa tem forjado a seu respeito.

Foi D. João IV vítima dessa História infame. E com ele, a nobre Dinastia de Bragança, que, a despeito do desventurado D. Afonso VI, personagem ainda insuficientemente definida e, portanto, deformadamente julgada, se mostrou digna continuadora da acção admirável das dinastias suas predecessoras.

A Restauração começou em 1 de Dezembro de 1640. Mas foi uma rude e longa campanha que durou vinte e sete anos – desde aquela data até 13 de Fevereiro de 1668, e ocupou três reinados, os de D. João IV, D. Afonso VI e os três primeiros tempos de D. Pedro II.

Portugal aureolou-se de glória militar, – pelas notáveis vitórias alcançadas nos campos de batalha; de glória cívica, – pela tenacidade que revelou, pelo espírito de sacrifício de que deu exemplo constante; e de glória diplomática – pela posição que conquistou nas chancelarias europeias.

Como em 1128, como em 1383, como em 1580 – o inimigo está na fronteira de leste. Use ele as máscaras que usar; seja ele o arauto de que ideologias quiser; revista ele a forma política que revestir, o vizinho de leste é sempre o inimigo.

D. Afonso I sujeitou-o à sua espada, obrigando-o a reconhecer o nosso direito e a respeitar-nos; D. João I e o Condestável obrigaram-no a beijar o pó de Aljubarrota e a fugir desvairado para além das fronteiras; os generais da Restauração – naqueles campos famosos das linhas de Elvas, do Canal, de Montes Claros, derrotaram-no em sucessivos combates. Inimigo vencido – mas não convencido.

Pode, às vezes, dar-nos a impressão de adormecido ou desinteressado, com as unhas encolhidas, quase inofensivo. Não nos iludamos! O inimigo está vencido, mas não está convencido. E a toda a hora, seja qual fôr a sua posição no quadro dos acontecimentos do mundo, – ele vive da saudade indominada de 1580 a 1640, e da esperança de recomeçar 1580.

Desgraçadamente, cá dentro, há quem lhe alimente essa saudade, e lhe fortaleça essa esperança, sob o disfarce traiçoeiro da Aliança Peninsular ou da Hispanidade.

Devemos aos Humanistas – espíritos internacionalizados, isto é, desnacionalizados, cidadãos do mundo e não das suas pátrias, devemos, aos Humanistas do século XVI, esse conceito perigoso e falso do Hispanismo. Até o nosso Camões se deixou seduzir pelo canto da sereia maldita.

Perdão! Portugal nunca foi Espanha; foi sempre Portugal!

Quando D. Afonso VII se proclamou Imperador, em Toledo, em Junho de 1135, passou a designar-se nos diplomas da sua Chancelaria, «totius Hispanie Imperator», ou «Imperator hispaniorum», ou «hispaniarum Imperator»; e este título que Afonso VIII transformou em «Ispanorum rex», mostra claramente que Portugal não fazia parte das Espanhas, nem da Espanha, e os portugueses não pertenciam à grei dos espanhóis.

De resto, o termo Hispania, tão simples, à primeira vista, é muito mais complicado do que se supõe. Em muitos documentos dessa época, denomina-se Hispania tudo o que na Península está ainda em poder dos mouros. São vulgares as expressões de Hispania ou venire de Hispania ou ire de Hispania, como referindo-se a terras da Península ainda não conquistadas por cristãos. E Petter Rassow que isto nos revela, acrescenta que «Valencia, Murcia, Cordoba, y Malaga son las partes o terras de Hispania».

Seja como fôr, o que é indiscutível é que Portugal era Portugal, e nunca, ninguém, na Idade Média, concebeu a Espanha como abrangendo também Portugal, nem os Reis desse tempo, dizendo-se «de Hespanha», se supunham de Portugal.

Foi preciso que viessem os Humanistas do século XVI, com as suas invencionices, para que se criasse um conceito colectivo de Hispanidade, que prendesse no mesmo elo, ou fundisse no mesmo sangue, a Espanha e Portugal, como se entre uma e outro não houvesse um abismo que ninguém pode transpôr.

Esse conceito colectivo despertou ultimamente, na pena de António Sardinha, e na acção proselítica do desventurado Ramiro de Maeztu, assassinado canibalescamente pelas hordas vermelhas de Madrid, mas é preciso fazer-lhe frente, e negar-lhe passaporte de trânsito em terras de Portugal.

Compreendo que ele seduza o inimigo tradicional de Portugal; espíritos portugueses não pode seduzi-los, uma vez que não estejam doentes.

Não! A leste o inimigo – contra quem devemos ter sempre preparadas as nossas forças, as nossas energias, as nossas vontades, e as nossas vidas. Isto não significa que lhe queremos mal: quer dizer, sim, que nos queremos bem a nós próprios...

E o que acabo de dizer não se opõe a que possamos observar certos momentos de entendimento ou colaboração, como durante a última guerra de Espanha, ou como na hora que passa. Esses momentos são filhos de tendências pessoais deste ou daquele governante: não reflectem sentimentos colectivos. Tivemos desses momentos, depois de 1128 – o que não impediu 1385; voltamos a tê-los posteriormente, e nem por isso escapamos a 1580. É que acima das atitudes pessoais deste ou daquele homem de Estado – estão as condições psicológicas e as tradições históricas dos Povos, que nos impõem a verificação permanente das realidades, e nos defendem dos perigos das ilusões ocasionais.


Alfredo Pimenta in «A Fundação e a Restauração de Portugal», 1940.


Fonte: Veritatis

21 de maio de 2017

«Temos Mãe!»

É natural que os pais se alegrem com os êxitos dos seus filhos, mas não é comum que assumam as suas culpas quando sofrem a tristeza de um filho os ferir com a indignidade de um comportamento criminoso

Não foi sem emoção que ouvi, no dia 13 de Maio, no recinto do santuário de Fátima, como muitos outros milhares de fiéis, as palavras do Papa Francisco: “queridos peregrinos, temos Mãe, temos Mãe! Agarrados a Ela como filhos, vivamos da esperança que assenta em Jesus (…). Seja esta esperança a alavanca da vida de todos nós! Uma esperança que nos sustente sempre, até ao último suspiro!”
Do que é ser mãe fala um desconhecido episódio que, depois de reveladas as três partes do segredo de Fátima – a visão do inferno, a conversão da Rússia depois da sua consagração ao Imaculado Coração de Maria e o atentado mortal contra ‘o bispo vestido de branco’ – bem poderia ser considerado como um novo segredo de Fátima. Não é que eu tenha sido vidente de qualquer aparição ou visão sobrenatural, mas fui confidente de um facto que está relacionado com a primeira vinda de São João Paulo II à Cova da Iria e que não me consta que já tenha sido revelado.
Corria o ano de 1982 e, em acção de graças por ter sobrevivido ao atentado que sofrera no dia 13 de Maio de 1981, em plena praça de São Pedro, em Roma, São João Paulo II veio a Fátima, em igual data do ano seguinte, para agradecer a protecção que, nesse dia, aniversário da primeira aparição mariana na Cova da Iria, Nossa Senhora lhe dispensara, salvando-lhe a vida. Mas, já em Fátima, viria a acontecer um lamentável incidente: um cidadão espanhol, Juan Fernández Krohn, envergando a batina sacerdotal, aproximou-se do Santo Padre com uma arma branca. Graças à pronta intervenção das forças de segurança, o atentado não resultou e o seu autor foi rapidamente imobilizado e retirado do local.
Juan Fernández Krohn nasceu em 1948 e frequentou o Seminário de Ecône, na Suíça, onde foi ordenado presbítero pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, mas rapidamente se desvinculou dessa organização tradicionalista. Pelo facto de ter atentado contra o romano pontífice, ficou automaticamente excomungado, ou seja fora da Igreja Católica, da qual eventualmente já se excluíra ao aderir ao movimento integrista do cismático bispo francês. Depois do seu atentado contra o Papa foi condenado, por um tribunal português, a seis anos de prisão mas, cumprida apenas metade da pena, foi libertado e expulso do território nacional. Estabeleceu-se então na Bélgica e, tendo já abandonado o ministério sacerdotal, que praticamente nunca exerceu, trabalhou como jornalista.
Pouco mais haveria a dizer sobre este triste episódio desta tão triste personagem, se não fosse um desenvolvimento ocorrido num dos dias seguintes ao da sua falhada tentativa de assassinar São João Paulo II. O facto foi-me então relatado por uma testemunha ocular, entretanto já falecida, mas como não corro o perigo de trair a confiança em mim depositada, nem de cometer nenhuma inconfidência, nada obsta a que, trinta e cinco anos depois, aqui o revele.
Num dos dias seguintes ao do frustrado atentado contra São João Paulo II, um muito discreto casal espanhol bateu à porta da Nunciatura Apostólica, em Lisboa, onde se alojou o Santo Padre durante a sua estada no nosso país. O semblante de ambos era grave, pesaroso até e a sua atitude era tão reservada, que deles não se apercebeu a comunicação social. Eram os desolados pais do frustrado assassino que, logo que souberam pela imprensa do acto tresloucado do seu filho, quiseram vir, pessoalmente, pedir perdão ao Papa. Nada os obrigava a fazê-lo, porque o autor do atentado era maior e, por isso, os seus progenitores não tinham qualquer responsabilidade naquele seu acto criminoso. A natureza infamante da acção até tornava compreensível que, pelo contrário, se tivessem remetido a um compreensível silêncio ou mesmo ocultassem um parentesco que, naquelas tão penosas circunstâncias, era particularmente vergonhoso. Mais pôde, contudo, o seu enorme sentido de justiça e de dignidade que, quanto mais os honra, tanto mais acusa o seu filho, cuja actuação desmerecia aqueles pais.
É compreensível que os pais se alegrem com os êxitos dos seus filhos, porque são seus também. Mas não é tão comum que assumam as suas culpas, que deem a cara quando sofrem a tristeza de um filho os ferir com a indignidade de algum comportamento criminoso. Estes pais, não obstante a sua imensa dor por saber que um seu filho atentara contra o Santo Padre, não se esconderam num cómodo anonimato, antes fizeram sua a culpa dele e tiveram a valentia de pedir perdão pelo seu hediondo crime.
Assim faz também a Igreja com os seus filhos pecadores: não os enjeita nem abandona na hora da desonra porque, como boa mãe que é, os acolhe e perdoa, se verdadeiramente arrependidos. Mais pode o seu amor à verdade e a sua caridade, do que a sua autoestima ou imagem pública.
Como dizia o Papa Francisco, na conclusão da sua homilia na celebração eucarística da canonização de Francisco e Jacinta Marto, a Igreja “brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor”. Numa palavra, quando “o rosto jovem e belo da Igreja”, se manifesta não como poderosa organização, mas como mãe.
Fonte: Observador

20 de maio de 2017

A Esperança é monárquica

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A Realeza, como parte integrante da Nação, é fiadora da continuidade histórica. A situação presente do Mundo e, em especial, da Europa, exige, muito mais do que noutras épocas de tranquilidade e de isolamento, a presença do Rei.
Não pensemos, no entanto que, em face das tendências novas, o papel do Rei seja um papel negativo de polícia de costumes políticos. É, antes, uma função nobremente positiva, a que lhe compete: a função integradora, tanto num sentido estático como num sentido dinâmico, de tudo quanto pode servir ao bem comum nacional.
Os mesmos valores que, lançados no corpo da Nação sem a presença do Rei, poriam em risco a saúde colectiva, podem contribuir para o progresso da comunidade, sempre que a Realeza os receba, coordene e oriente.

Henrique Barrilaro Rua
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19 de maio de 2017

A monarquia é o regime mais natural



O mais bem ordenado é o natural; pois, em cada coisa, opera a natureza o melhor. E todo o regime natural é de um só. Assim, na multidão dos membros, há um primeiro que move, isto é, o coração; e nas partes da alma, preside uma faculdade principal, que é a razão. Têm as abelhas um só rei [rainha], e em todo o universo há um só Deus, criador e governador de tudo. E isto é razoável. De facto, toda a multidão deriva de um só. Por onde, se as coisas de arte imitam as da natureza, e tanto melhor é a obra de arte quanto mais busca a semelhança do que é da natureza, importa seja o melhor, na multidão humana, o governar-se por um só.

São Tomás de Aquino in «Do Reino ou Do Governo dos Príncipes ao Rei do Chipre».


Fonte: Veritatis