29 de maio de 2018

Memórias da História em Torres Novas

Foto de Memórias da História.


Torres Novas no século XV 

Em redor do núcleo urbano primitivo, a muralha da cerca da vila havia sido reconstruída no século imediatamente anterior. A feira já se fazia na “Praça Nova” (que ocupava metade da área da atual “praça Cinco de Outubro”): assim se chamava já em 1502, exatamente porque era um elemento urbanístico recente, em oposição à “Praça Velha” (atual Largo da Botica, que era um pouco maior que o atual largo), fruto da modernização urbanística levada a cabo, presume-se, pelo alcaide D. Diogo Fernandes de Almeida, influenciado certamente pelas modernas transformações das vilas e cidades mais nobres do país, iniciadas ainda durante o reinado de D. João II. 
Havia, ainda no território da vila e seu termo mais próximo, várias igrejas: a de Santa Maria, a do Salvador, a de Santiago e a de São Pedro. Existiam também a capela dos Anjos — que pertencia à rainha Dona Leonor de Lencastre, mulher do rei D. João II— e a capela do Espírito Santo, na rua Direita, depois rua das Freiras (atual Rua Cândido dos Reis). 
No Rossio do Carrascal, atual largo das Forças Armadas, existia já uma igreja de invocação de São Gregório Magno e que, sensivelmente meio século depois, seria o núcleo da edificação do Convento do Carmo. Já fora de portas, a antiga capela do Vale. 
Da vila, era alcaide o ilustre fidalgo Dom Diogo Fernandes de Almeida, aio do filho bastardo do Rei D. João II, D. Jorge de Lencastre. Seu pai, D. Lopo de Almeida, também havia sido alcaide da vila e a família era proprietária das casas no largo do Paço e dos moinhos do Caldeirão, por doação de Dom João II, em 1482, entre outras propriedades em Torres Novas. 
Anos antes, em 1438, tinham sido realizadas na vila as Cortes do Reino, no adro da igreja de Santiago, para resolver a questão da regência após a morte de D. Duarte e a menoridade de D. Afonso V. 

Mestre António 

Mestre António é o nome por que ficou na história este médico a quem os cronistas chamam fisiquo e solorgiam. De origem judaica, nasceu em Torres Novas no bairro da judiaria, onde hoje se situam a rua Atriz Virgínia, largo da rua Nova e rua Nova de Dentro (Santiago). Físico-mor de D. João II, dele foi também afilhado. Além de físico, tinha bons conhecimentos de filosofia, matemática e história, e foi autor de diversos textos. 
Casou duas vezes: a primeira, com Catarina Lopes, de quem teve dois filhos, Francisco Lopes, físico do Rei Filipe I e Nicolau Lopes, também físico, e a segunda com Constança Fernandes. Os seus filhos e mulheres foram sepultados na extinta capela dos Anjos. Morreu em Torres Novas, em data não conhecida. 
É nome de rua, no bairro do Babalhau, por deliberação da Câmara Municipal, de 23 de Fevereiro de 1988. 


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