12 de junho de 2018

SAR, O Senhor D. Duarte Pio: "Os carteiristas respeitam-me"



O duque de Bragança garante andar muito de transportes públicos e gostar de poupar. Acredita ainda que o Estado português desperdiça recursos com obras de luxo e que a monarquia ganhava em Portugal se houvesse um referendo.



D. Duarte Pio acredita que a monarquia ganhava em Portugal se houvesse um referendo e defende que o Estado português desperdiçou os seus recursos com obras de luxo. Em entrevista ao Sol, o duque de Bragança afirmou ainda andar sempre de transportes públicos e garantiu: "Os carteiristas do 28 já me cumprimentam".
"Viajo sempre em classe turística nos aviões. No comboio vou em primeira classe por causa do sossego, mas uso muito os transportes públicos. Às vezes apanho o 28, mas tenho de ter cuidado. Felizmente, os carteiristas respeitam-me", contou D. Duarte. "Uma vez estava na estação de Metro dos Restauradores e no meio da multidão senti uma mão enfiada na minha gabardine e dei um grito ao homem. Ele disse-me: 'Ai, desculpe, não vi quem era'. Os carteiristas do 28 já me cumprimentam".

Questionado sobre a sua educação, o duque de Bragança afirmou que o seu pai acreditava que gastar mal algum recurso era pecado. "Fico muito chocado quando vejo o Estado a desperdiçar os seus recursos com obras de luxo", disse. A Expo'98, "que foi paga por todos nós com os nossos impostos", é um dos exemplos dados pelo duque de Bragança. "O país não ganhou nada com aquilo. O Centro Cultural de Belém é um monstro construído em frente aos Jerónimos com o nosso dinheiro. O país está cheio de rotundas e de obras monstruosas com o Palácio da Justiça", continuou.

Apesar de garantir ter "toda a consideração pelo professor Cavaco Silva", a governar quando algumas dessas grandes obras foram construídas, D. Duarte acredita que "ele não percebeu isso. Não percebeu que esse investimento não era reprodutivo".

Convencido que Marcelo Rebelo de Sousa actua "como um rei", o duque de Bragança acredita ainda que Portugal beneficiava com uma monarquia.

"Ele actua como se fosse um rei. É uma pessoa inteligente, culta, com uma boa formação ética e percebe aquilo que o povo português gosta de ter num chefe de Estado", disse sobre o Presidente da República. No entanto, acredita que Portugal beneficiaria em ter um rei. "Os primeiros anos da República foram revoluções, golpes... A II República foi paz e tranquilidade e um certo progresso económico, mas em regime não democrático. A III República voltou à democracia e regressou a instabilidade económica e política. Entrámos em falência várias vezes, tivemos crises e problemas muito complicados", defendeu D. Duarte. 

Questionado sobre se faria sentido ouvir os portugueses relativamente à questão da monarquia, o duque de Bragança acredita que sim. "Claro que o resultado resultaria muito da honestidade da pergunta. Se perguntarem se 'é a favor do regresso ao regime vigente em Portugal antes de 1910' é óbvio que o resultado seria muito mau. Mas se a pergunta for honesta estou convencido de que a monarquia ganha em Portugal", garantiu.


Fonte: Sábado

Sem comentários: