14 de novembro de 2014

SAR, O Senhor D. Duarte de Bragança nos 500 anos de Foral de Vieira do Minho

A Câmara Municipal de Vieira do Minho comemora a 15 de Novembro de 2014, 500 anos da outorga do Foral pelo Rei D. Manuel I. Um momento de aproximação da população Vieirense com sua história e identidade local do concelho.

 
O programa comemorativo, que conta com a presença de D. Duarte de Bragança, herdeiro da Casa Real Portuguesa, tem início, sexta-feira, dia 14 de Novembro, no Auditório Municipal, com um concerto comemorativo.
No dia em que se assinala a passagem de cinco séculos sobre a atribuição do Foral pelo Rei D. Manuel I, estão previstas várias actividades para comemorar esta importante data para o Concelho de Vieira do Minho.
As actividades iniciam pelas 9h00 com animação de rua e desfile das Bandas Filarmónicas de Vieira do Minho e Vilarchão, seguindo-se o ato solene, com o hastear de bandeiras em frente aos Paços do Concelho onde terá lugar a Guarda de Honra dos Bombeiros Voluntários de Vieira do Minho e interpretação do Hino Nacional tocado pela Banda Filarmónica de Vilarchão e Banda Filarmónica de Vieira do Minho e cantado pelo Coro da Universidade Sénior.
A Cerimónia Solene irá decorrer no Salão Nobre dos Paços do Concelho, pelas 10h30 e contará com as intervenções da Presidente da Assembleia Municipal, Drª Neli Pereira, do Presidente da Câmara Municipal, Engº António Cardoso, de D. Duarte Bragança, representante da Casa Real Portuguesa.
A cerimónia integra, ainda a atribuição do prémio ao vencedor do concurso “Pintar Vieira”. Pelas 11h30 será inaugurado um monumento evocativo dos 500 anos de Foral.
Pelas 12h00, a comitiva procederá, também à inauguração do monumento erigido em memória dos Combatentes do Concelho.

12 de novembro de 2014

JANTAR DOS CONJURADOS 2014



Irá realizar-se no próximo dia 30 de Novembro, no Hotel Palácio Estoril, o tradicional Jantar dos Conjurados, promovido pela Causa Real.

Este evento, como em anos anteriores, assinala a importância e o significado da Restauração da Independência de Portugal, acontecimento histórico que os monárquicos portugueses gostam de celebrar com a sua Família Real.

Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte lerá a Mensagem aos Portugueses às 20:00, seguindo-se o jantar com a Família Real.


As inscrições poderão ser feitas na Real Associação de Lisboa, só sendo consideradas as inscrições efectivamente pagas.

Os ingressos têm o valor de:

40,00 eur - Adultos
20,00 eur - Jovens (até aos 25 anos de idade, para os primeiros 100 ou membros da Juventude Monárquica Portuguesa)

Poderão ser pagos na sede de Segunda a Quinta-feira, das 15:00 às 18:00 ou através de transferência bancária para:

NIB - 0018 0003 3394 1220 0202 6 / IBAN - PT50 0018 000333941220020 26 BIC - TOTAPTPL, enviando depois o comprovativo de pagamento.


Contamos consigo!

A Direcção da Real Associação de Lisboa
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Tlf.: (+351) 21 342 81 15
Horário de atendimento: segunda a quinta-feira das 15:00 às 17:30, sexta-feira das 10:00 às 12:45

11 de novembro de 2014

Monarquia ou República: porque não podemos escolher?


O Partido Popular Monárquico apresentou à Assembleia da República um Projecto de Resolução em que recomendava aquilo que, para muitos portugueses, se tornou uma necessidade óbvia e urgente: a alteração da Constituição de forma a permitir o sufrágio livre e directo do regime político – Monarquia ou República – em que queremos viver.
O Projecto, apresentado pelo deputado regional açoriano Paulo Estêvão, depois de previamente aprovado pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, foi rejeitado pela presidente do Parlamento nacional, Assunção Esteves, com base em pretextos regulamentares.
Em causa está, mais uma vez, um pequeno parágrafo da Constituição em vigor, que há anos vem sendo contestado nos meios monárquicos (e até em meios republicanos menos facciosos): a alínea b) do Artigo 288º. Na passagem referente aos “limites materiais” impostos em caso de revisão constitucional, esta – diz a lei fundamental – “terá de respeitar” a “forma republicana de governo”. Os contestatários sugerem a simples alteração de uma palavra: que a lei fundamental consagre, em alternativa, “a forma democrática do Estado”.
A luta pela alteração daquele parágrafo da Constituição vem de longe. Logo que a versão inicial foi aprovada, em 1976, vários constitucionalistas e inúmeros políticos contestaram a consagração do regime republicano como obrigatório – mais ainda, como incontestável, já que a lei expressamente proíbe qualquer alteração constitucional que o ponha em causa.
Ao longo dos anos, os partidos do centro-direita têm tratado a questão com algum embaraço: por um lado, não desejam incomodar as forças e figuras do sistema que fazem finca-pé no republicanismo constitucional; por outro, é inegável que o artigo 288º é a negação da própria democracia, ao impedir o povo (teoricamente “soberano”) de escolher o regime político que bem entender.
Nem os exemplos do Brasil e da Austrália, que organizaram referendos sobre o regime (em 1993 e 1999, respectivamente), amaciou o coração de pedra do jacobinismo nacional. O famigerado Artigo continua por rever.
No início do corrente ano, o presidente da Comissão Política Nacional do PPM, Paulo Estêvão, que é igualmente deputado à Assembleia Legislativa dos Açores, iniciou uma nova campanha em favor da revisão constitucional. “Qual é o medo, meus senhores?”, perguntou então. “Em democracia, ninguém é dono do voto de ninguém. Deixem o povo português pronunciar-se sobre a natureza do regime. Não se façam donos da vontade dos portugueses”.
Mas não bastava protestar: uma iniciativa legislativa concreta e fundamentada teria de ser tomada no Parlamento. Não dispondo de representação na AR, o PPM decidiu alcançar o mesmo fim por outros meios. Assim, por proposta sua, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores decidiu no início de Outubro recomendar à Assembleia da República “que promova as alterações necessárias ao sistema político, de forma a permitir o directo e livre sufrágio do Povo Português em relação à natureza republicana ou monárquica do Estado”. Escassos dias depois, a presidente da Assembleia da República indeferia “a admissibilidade do Projecto de Resolução”.
Fonte: O Diabo

Dia de São Martinho

10 de novembro de 2014

Judas Iscariotes e os católicos a 95%

Um fiel que seja um professor incompetente, um fiscal corrupto, um empresário desonesto, um marceneiro negligente, um estudante cábula, não é só um mau profissional é também e sobretudo um mau cristão

Era uma vez um empresário de sucesso, que se gabava de ser 95% católico. Quando alguém lhe perguntou a razão dessa percentagem, explicou:
– É que é com os restantes 5% que me governo!
A história, como diriam os italianos, si non è vera, è bene trovata. De facto, retrata quem, dizendo-se cristão, não vive, na sua actividade profissional, as exigências éticas da fé em Cristo. São, talvez, praticantes de alguns ritos, certamente necessários para uma coerente vida cristã, mas não de certos princípios morais, que são essenciais para um católico. São até capazes de dar à Igreja, uma vez por outra, uma esmola avultada, mas esquecem que a sua principal contribuição deveria ser o testemunho da sua integridade moral.
Toda a gente reconhece, com razão, que não faz sentido que um católico não vá à missa dominical, mas nem todos detectam a incoerência de quem reduz a vivência da sua fé à participação semanal na eucaristia e não honra, na sua vida pessoal, profissional e social, as implicações morais da religião que diz professar. É uma falácia afirmar que é preferível não ir à igreja e viver a caridade, do que ir à missa e não cumprir o mandamento novo, porque é óbvio que uma falta não se pode justificar com um acto virtuoso, por mais leve que aquela seja, ou mais santo que este possa ser, ou parecer. Mas pode-se dizer, sem exagero, que uma crença, mais do que para celebrar religiosamente uma vez por semana, é para viver todos os dias.
Um fiel que seja um professor incompetente, um fiscal corrupto, um empresário desonesto, um marceneiro negligente, ou um estudante cábula, não é, apenas, um mau profissional, mas também e sobretudo um mau cristão. A qualidade do trabalho é condição necessária para a realização humana e espiritual do trabalhador e, consoante a perfeição técnica e ética da sua obra, assim é quem a realiza. Como dizia Etienne Gilson, foi a fé e a geometria que elevaram as sés da Idade Média. Sem religião, não haveria catedrais, mas sem trabalho também não. Só um labor de excelência pode ser, efectivamente, um acto de louvor a Deus e uma obra de arte.
A um funcionário público, a um advogado, ou a um comerciante cristão pede-se, em primeiro lugar, que seja honesto, sério, competente. Não basta que realize o seu trabalho com amor, porque também os ladrões amam … sobretudo os bens alheios!
Há já alguns anos, um jornalista estrangeiro foi a Varsóvia, onde ficou espantado com a devoção dos polacos. Quando o disse ao Cardeal Glemp, a quem também comentou que lhe tinham roubado a carteira, o então arcebispo de Varsóvia fez-lhe notar que a religiosidade cristã de um povo não se mede apenas pela sua participação em actos de culto, mas também e principalmente pela sua prestação ética: é este o critério que permite distinguir a verdadeira fé cristã dos seus sucedâneos, a religião genuína da mera beatice de sacristia. Caso contrário, poder-se-ia incorrer na hipocrisia do assaltante que, na quaresma, não fumava … mas roubava, claro!
Há erros de gestão que, certamente, revelam falta de competência, mas também má formação moral. A inépcia técnica não se pode desculpar sem se ser cúmplice das suas consequências éticas. Quem, por incúria, leva uma empresa à falência, é moralmente responsável pelas gravosas consequências sociais desse fracasso. Não se trata apenas de um infortúnio dos negócios, mas de uma grave irresponsabilidade moral, que não pode, nem deve, ficar impune.
Também de Judas Iscariotes se poderia dizer que era 95% cristão: deixou tudo para seguir o Mestre, ouviu os seus sermões, participou nas suas orações, assistiu aos seus milagres, etc. Mas, à margem da sua vida de apóstolo, São João esclarece que roubava e não se importava com os pobres. Porque era avarento e ladrão, vendeu Cristo por trinta dinheiros. O pouco que lhe faltou para ser verdadeiramente cristão – os tais 5%! – chegou e sobrou para trair Jesus e cair na desesperação.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
OBSERVADOR | 2014.11.08

Fonte: Povo

9 de novembro de 2014

REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU CELEBROU OS 623 ANOS D'EL REI D. DUARTE I















623º ANIVERSÁRIO D'EL REI DOM DUARTE

A REAL DE VISEU COMEMOROU, NO PASSADO DIA 31 DE OUTUBRO, COM A PRESENÇA DE ENTIDADES CONVIDADAS.
DEPOSIÇÃO DE RAMO DE FLORES NA ESTÁTUA DO REI.
PALESTRA " D. DUARTE E A ARTE DE SER PORTUGUÊS" PELO DR JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO

8 de novembro de 2014

Jantar dos 25 anos da Real Associação de Lisboa

Realizou-se no passado Sábado o jantar comemorativo dos 25 anos da Real Associação de Lisboa que decorreu no Palácio de Barbacena, tendo sido presidido por Suas Altezas Reais os Duques de Bragança, tendo também contado com a presença de S.A.R. o Príncipe da Beira.

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O Presidente da Direcção da Real Associação de Lisboa, Nuno Pombo, na sua intervenção, lembrou que, para os monárquicos, muito mais importante do que a Monarquia é Portugal, sublinhando que “não gostamos do nosso país porque somos monárquicos, antes é pelo amor que devotamos a Portugal que defendemos a Instituição Real, que é de uma validade intemporal. Serviu a fundação de um Estado soberano com 900 anos de história. Mobilizou todo um povo na construção de uma comunidade pluricontinental e multicultural e há-de continuar a inspirar muitas e boas realizações.”

Com a presença de numerosos associados e de antigos presidentes desta estrutura regional da Causa Real, este emotivo acontecimento serviu igualmente para dar posse aos recém-criados núcleos de Odivelas e do Sul do Tejo, que serão presididos por Abílio Santos e por António Jorge de Albuquerque, respectivamente, e para distinguir com a medalha de sócia benemérita a Senhora D. Teresa de Castro Simas pelo donativo de um relevante acervo bibliográfico de doutrina monárquica, que integrou a livraria do 4.º conde de Castro, com o qual a Real Associação de Lisboa constituirá uma biblioteca especializada.

Veja aqui o álbum fotográfico

Fonte: Real Associação de Lisboa

7 de novembro de 2014

SAR, O Senhor D.Duarte de Bragança esteve presente na 5ª Convenção Biomarine no Estoril


S.A.R. Dom Duarte de Bragança com S.A.S. Alberto II do Mónaco


"Conhecemos melhor o espaço do que o mar", referiu Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, no Centro de Congressos do Estoril, no início dos trabalhos da 5.ª Biomarine Business Convention. Um encontro internacional de negócios que reúne mais de 300 CEO e executivos de cerca de 30 países para proporcionar o debate em torno do futuro das indústrias de bio recursos marinhos, uma área cada vez mais importante dentro da “economia azul”. Além de painéis sobre a biotecnologia azul, os participantes vão ter a oportunidade de realizar encontros bilaterais fundamentais para desenvolver negócios num sector que vale mais de 133 milhões de euros.

A abertura contou com a presença do Príncipe Alberto do Mónaco que desafiou os presentes a serem lúcidos, reconhecendo a escassez actual de recursos; responsáveis, assumindo que é preciso encontrar soluções a curto e médio prazo; e inovadores, encontrando novas formas de proteger os nossos mares e promovendo um crescimento azul sustentável.

6 de novembro de 2014

São Nuno de Santa Maria, rogai por nós!

O Santo Carmelita de nacionalidade Portuguesa, canonizado em 2009, por Bento XVI e cuja Memória hoje celebramos, nasceu recebendo o nome de Nuno Álvares Pereira em 24 de Junho de 1360, filho natural de D. Álvaro Gonçalves Pereira (Prior da Ordem de S. João do Hospital), e de Iria Gonçalves do Carvalhal, sendo legitimado pelo Rei D. Pedro, quando tinha apenas a idade de um ano. Já adolescente, na idade de treze anos, entrou na corte de D. Fernando, sucessor de D. Pedro e armado cavaleiro e escolhido para escudeiro da Rainha, D. Leonor Teles. Nuno gostava de ler as novelas da cavalaria, e tomou para seu modelo o cavaleiro Galaaz, predisposto a uma vida de castidade. No entanto, acabou por ceder á vontade dos pais, contraindo matrimónio com uma senhora, D. Leonor de Alvim, já viúva, do casamento resultando três filhos, sobrevivendo apenas Dona Beatriz, ou Dona Brites.

Dona Leonor veio a falecer em Janeiro de 1388, dando a Nuno Álvares Pereira as condições, por ele fortemente desejadas, para uma vida de perfeita castidade. Entretanto, adestrado nas artes de guerra, salientou-se, pela coragem e argúcia em diversos episódios bélicos, anteriores à crise dinástica de 1383-1385, crise essa determinada pelos problemas da sucessão régia, derivados da morte do rei D. Fernando. Diversos eram os pretendentes mas nenhum agradava ao povo, porque, de uma forma ou de outra, Portugal teria um castelhano por Rei, e, por isso, a preferência era dada a um filho bastardo de D. Pedro I, D. João, Mestre da Ordem de Aviz, que encontrou em Nuno o seu principal colaborador, e estratega, contra a sujeição do Reino a Castela em defesa da íntegra independência portuguesa. No triénio de 1383 a 1385 os seus sucessos de guerreiro foram ímpares, sendo nomeado Condestável do Reino. Em face das suas virtudes heróicas e religiosas, desde muito cedo recebeu do povo o título de Santo Condestável.

Sendo um guerreiro, não foi por vocação bélica, mas por defesa de valores que ele considerava primaciais: por um lado, o amor á Pátria e a lealdade ao monarca escolhido pelo povo, D. João I, por outro lado, o espírito da cruzada, face à posição de Castela, que optara pela obediência ao papa de Avinhão (durante o Grande Cisma do Ocidente), enquanto Portugal se manteve leal a Roma, de onde ter direito ao título de Nação Fidelíssima. Por conseguinte, a gesta heróica do Condestável teve em vista, de forma especial, a unidade da Igreja na obediência romana.

As virtudes militares não o levaram a esquecer as virtudes cardeais, sobretudo a caridade. São muitos os testemunhos coevos sobre a caridade que praticava com os adversários, não os considerando inimigos, mas apenas opositores. No final de várias batalhas, ele mesmo ordenava os seus militares que tratassem dos mortos e sobretudo dos adversários feridos em combate, aos quais protegia da espontânea revolta popular. Isto é: fez a guerra em nome da paz.

Ainda guerreiro, era conhecido por ser um homem de fé e de oração, raro iniciando uma peleja sem antes se recolher em oração, sem pressa de combate.

Em reconhecimento dos serviços prestados ao País e ao Reino, foi largamente premiado pelo Rei D. João I com a oferta de muitos bens, sobretudo terras e povoações, com direito a foros e outras benesses, tornando-se o homem mais rico de Portugal a seguir ao Rei.

À medida que os deveres bélicos o deixavam mais livre, e já coberto de glórias, iniciou uma nova fase de vida, em 1393, partilhando com os seus companheiros de armas algumas das numerosas terras que lhe tinham sido doadas. Preconizando para si mesmo uma vida de oração e de contemplação, iniciou, em 1389, numa das colinas de Lisboa, a construção de um convento, com Igreja de estilo gótico que chegou a ser tida como a mais bela da cidade.

Deu ao Convento o nome de Nossa Senhora do Vencimento, em acção de graças pelas suas vitórias e, poucos anos depois (decerto 1397), escolheu para habitantes do novo Convento os frades Carmelitas que, nessa época, só dispunham de uma comunidade, em Moura, no Sul de Portugal.

Para Governo e sustento da nova comunidade de Lisboa, que veio a ser a mais importante, fez a doação de um valioso património, reservando-se o direito de ser ele a administrar esse património, enquanto vivo fosse. Em 1423, celebrando-se o I Capítulo Provincial dos Carmelitas portugueses, D. Nuno fez a doação definitiva da igreja e convento de Lisboa à Ordem do Carmo, nela professando como donato, recusando mesmo o título de Frei, gostando de ser chamado Nuno, simplesmente Nuno.

Desprendido dos bens materiais, desejou realizar três intenções: mendigar o sustento pelas ruas da cidade, não consentir outro título que não fosse Nuno, e sair de Portugal para viver onde fosse desconhecido. Não foi preciso sair, porquanto D. João e D. Duarte lhe estabeleceram uma pensão para seu sustento, pensão essa que, ao fim e ao cabo, Nuno de Santa Maria distribuía pelos pobres e necessitados que á porta do convento se aglomeravam, ganhando, entre o povo, o título de Pai dos Pobres.

Afastado do estrépito das batalhas, procurando no essencial a justiça e, no resto, o amor, a sua figura faz-nos lembrar Elias e a sua espada de fogo, em defesa do Deus único e verdadeiro. A piedade, a resolução, a confiança, a fé viva, o zelo, a oração poderosa e a contemplação, já se acham na pessoa do cavaleiro, destinado a tornar-se um Galaaz, não da guerra, mas do Carmelo, procurando combater o bom combate (2 Tm., 4,7). O herói revela-se a caminho da santidade, confirmando a regra de que o verdadeiro herói é o Santo. Já antes de professar na Ordem do Carmo, que preferiu em vista do seu altíssimo culto por Maria, Mãe de Jesus, Nuno dera provas de pureza e de castidade, de silêncio e de oração, praticando as virtudes teologais e cardeais, em prova da renúncia à sedução do mundo.

Todavia, os carismas que se tornam mais palpáveis são os do despojamento e da pobreza. Desprende-se de toda a propriedade material, torna-se pobre e vive como pobre para os pobres. Assim o viu o autor da Crónica do Condestável: “apartou-se a servir a Deus em estado de pobre”. Uma opção de radical significado, algo fundamentada na dialéctica pobreza/riqueza, em que assumiu serem, os pobres, o tesouro dos ricos.

Frequentando os sacramentos, o seu cordial amor pela Virgem do Monte Carmelo levou-o a promover o culto mariano, mediante a devoção pelo significado do Escapulário. Com efeito, começou por convidar pessoas do seu conhecimento, tanto nobres como pobres, a reunirem-se para a prática devocional do Escapulário, dando origem à primeira Confraria de Leigos em Lisboa, chamada “Confraria do Bentinho”, origem da futura Ordem Terceira Secular. Foi, portanto, um pró cere militante, ou mesmo fundador, do movimento do laicado carmelita.

Três ideais distintos definem o perfil de São Nuno: a imitação de Galaaz, em defesa das causas nobres, da justiça e da paz; o amor à terra dos seus, a Pátria; e, por fim, a absoluta imersão na vida religiosa, sempre motivada por uma razão transcendente, resumida no ideal do serviço de Deus.Beatificado em 1918, pelo Papa Bento XV, é agora canonizado pelo Santo Padre Bento XVI, deste modo se confirmando tanto a antiguidade do culto como o provado exercício das virtudes heróicas.

Modelo para a Juventude, servo dos pobres, o seu exemplo desafia os tempos modernos para ser imitado, ao menos na essencial prática, a caridade activa, expressa na Obra intitulada “Caldeirão do Beato Nuno”, destinada a auxiliar os mais necessitados. A canonização servirá, não só para dispor a sua imagem nos altares, mas também, e sobretudo, para um novo desafio, porventura a expressar na associação de toda a Família Carmelita, (abrangendo as Ordens, os sodalícios das Ordens Terceiras e as Confrarias Populares), associação essa destinada a bem fazer a favor dos pobres, incluindo os muitos dos povos lusófonos em busca de saúde e do modo de vida. Ou seja: renovar a opção pelos pobres e sedentos de pão, de caridade e de justiça.

Jesué Pinharanda Gomes

Fonte: A Saúde da Alma


Oremos:

Senhor nosso Deus, que destes ao bem-aventurado São Nuno de Santa Maria a graça de combater o bom combate e o tornastes exímio vencedor de si mesmo, concedei aos Vossos servos que, dominando como ele as seduções do mundo, com ele vivam para sempre na Pátria Celeste.

Por Cristo, Nosso Senhor.

5 de novembro de 2014

A "sífilis" de Dom Luís ou de médico e louco, todos temos um pouco


Hoje, ao sair de casa, recebi o Destak. Para além de publicidade, aquele que poderia ser um jornalinho formativo, oferece pouco mais que sumário noticiário requentado; um verdadeiro desperdício de papel, ofendendo a consciência ambientalista de qualquer um.

Ora, entre a frioleira ali estampada, vinha um textinho sobre o último livro de Paulo Drumond Braga - que até tem obra interessante e séria - sobre as doenças dos nossos reis. Diz o Doutor Braga de forma apodítica ter falecido Dom Luís em consequência da sífilis. Não havendo nosografias de D. Luís, interroguei-me sobre a pertinência de tal atrevimento. Sabemos que a sífilis terciária, último estádio da doença, se caracteriza pela exibição de padecimentos insusceptíveis de ocultação, tais como, cegueira, dermafitoses, paralisia, espasmos e até loucura. O diagnóstico feito pelo Doutor Braga - que eu saiba não pode exercer medicina, pois não é médico - contraria todas as evidências. Dom Luís, que sofria de cancro na bexiga, deslocou-se à Europa em busca de tratamento. No decurso dessa longa digressão, sofrendo dores lancinantes, não deixou de oferecer a sua presença a todas as homenagens que lhe foram prestadas, dando provas de enorme coragem e presença de espírito. Outra prova que refuta liminarmente a suspeita de sífilis foi-nos dada por Fialho de Almeida, que era médico e (ainda) republicano. Dias após o falecimento do Rei, Fialho escreveu um texto (republicado pelo meu pai há duas décadas) que não alude a qualquer vestígio de sífilis. Fialho era médico e republicano, pelo que não teria deixado de sugerir a causa do óbito. Intrigado, folheei as causas da morte dos reis de Portugal, de Montalvão Machado, não havendo ali a mais leve alusão. Assim, depreendo tratar-se de inverdade que pretende assentar arraiais de verdade histórica. Não ceder ao sensacionalismo parece ser, pois, ponto de honra deontológico para qualquer historiador. Infelizmente, não foi o caso.

Miguel Castelo-Branco

Fonte: Combustões