quinta-feira, 3 de abril de 2025

Crítica XXI - NÚMERO 10 . INVERNO 2025

Este número 10 da Crítica XXI (Inverno 2025) abre com um artigo de Jaime Nogueira Pinto, “O Aprendiz”, em que é feita a análise das fontes do pensamento e acção de Donald Trump a partir suas referências a antecessores na presidência dos Estados Unidos, que reclama como seus inspiradores – de Andrew Jackson a Ronald Reagan, mas também a políticos como Alexander Hamilton. O “empresário” do famoso programa televisivo “O Aprendiz”, que avaliava e despedia aprendizes, ou o vilão retratado no recente filme biográfico do mesmo nome, que vemos como aprendiz de malvadez a crescer no mundo dos negócios, avalia aqui presidentes e revela-nos o que aprendeu com eles.

A partir da leitura de Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski, Gonçalo de Almeida Ribeiro reflecte sobre Deus, o Mal, o ateísmo, as contradições que marcam este eterno problema de crentes e não crentes: como conciliar um Criador bom e perfeito, ou até uma criação também assim, com os horrores e desconcertos da História e da Vida?

Miguel Morgado estuda as várias famílias liberais, aqui particularmente os “neoliberais”; é um conceito não apenas académico, mas também, ou sobretudo, político, por isso, polémico e passível de análises contraditórias. As divisões entre as várias escolas liberais e neoliberais foram e permanecem profundas, mesmo entre os “puros dos puros” da Escola de Viena, de von Mises e Hayek, e os liberais de Chicago, de Milton Friedman, que não deixaram de reconhecer que as instituições da economia, dependiam, em última análise, de instituições políticas e jurídicas como o Banco Central.

Também analisando o liberalismo contemporâneo, Rafael Pinto Borges, em “Do liberalismo antidemocrático ao tecno-cesarismo” considera criticamente a degradação do processo de representação democrática das sociedades euroamericanas actuais e a consequente vaga alternativa nacional-populista, que procuram combater a todo o custo. O Estado pós-liberal está em crise: será o tecno-cesarismo a alternativa, como uma forma repressiva de defesa?

A África aparece como um continente que combina uma demografia explosiva com a existência de recursos energéticos e mineiros abundantes e uma estatalidade tardia e deficiente. José Francisco Pavia traça um retrato desta “África no século XXI”, das raízes dos seus problemas à posição dos grandes poderes extracontinentais em relação ao Continente.

Ainda no terreno africano, José Luís Andrade investiga um tema interessante na História da colonização e do conflito das potências europeias na África pós-conferência de Berlim e nas vésperas da Grande Guerra. “A espionagem alemã no sul de Angola (1880-1916)” é uma interessante memória da África que foi parte de Portugal e das Áfricas da partilha colonial, que o autor continuará a desenvolver no próximo número.

Continuando com a sua análise, aqui na Crítica XXI, da História do séc. XIX e do liberalismo em Portugal, Rui Ramos, em “Duas ideias de nação (Portugal 1820-1834)”, sistematiza as ideias de nação em conflito no princípio do século XIX. Tanto liberais como absolutistas se diziam partidários da “nação”, porém, a ideia que tinham de nação era filosófica e politicamente muito diferente.

Nas Notas Críticas, João Pedro Marques escreve sobre o livro de Maria Madalena Brito, The Slave is a Human Person, revelando o pensamento de um jesuíta do século XVI, Fernão Perez, bem avançado e crítico para o seu tempo; Jaime Nogueira Pinto chama a atenção para a publicação do Dicionário Crítico da Revolução Liberal, obra que considera essencial para estudar e entender o tempo da chegada e introdução do liberalismo em Portugal; e Eurico de Barros assinala uma nova edição de Le Lotus Bleu, de Hergé, com as aventuras de Tintim na China. Finalmente, Miguel Freitas da Costa refere a obra colectiva Crepúsculo do Império: Portugal e as guerras da descolonização, orientada por João Vieira Borges e Pedro Aires Oliveira, um livro polémico sobre um tempo mais que polémico.


DIRECÇÃO JAIME NOGUEIRA PINTO E RUI RAMOS


Fonte: Crítica XXI

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Coro da Universidade Nova de Lisboa na Igreja da Rainha Santa Isabel, em Coimbra - concerto "Anoitecer" - 6 de Abril de 2025

No seu programa de abertura dos seus espaços a manifestações culturais, a Confraria da Rainha Santa Isabel vai acolher no próximo dia 6 de Abril, às 16h30, "O Coro da Nova", Coro da Universidade Nova de Lisboa, que vem apresentar em Coimbra um dos seus concertos da temporada de Páscoa, este ano dedicado ao tema "Anoitecer".

Este concerto realiza-se na Igreja da Rainha Santa Isabel, Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, sendo "O Coro da Nova" dirigido pelo maestro Diogo Gonçalves e conta com a participação do pianista e organista Nicholas McNair.


A entrada é livre.


A Confraria da Rainha Santa Isabel conta com a participação atenta de todos!

terça-feira, 1 de abril de 2025

Há 103 anos foi para o Céu o Beato Carlos de Áustria

Carlos Francisco José Luís Humberto Jorge Oto Maria foi o último Imperador do Império Austro-Húngaro. Morreu no dia 1 de Abril de 1922 em Portugal, na ilha da Madeira. O seu corpo está sepultado nessa ilha, na igreja de Nossa Senhora do Monte.

Beato Carlos de Áustria, rogai por nós.

segunda-feira, 31 de março de 2025

Os Reis Não Tinham Criados


Uma das mistificações que se constroem em torno da Monarquia é de que a Família Real era servida por uma imensidão de criados e logo as imaginações viajam para produções cinematográficas de época e divagam fantasiando serventes de perucas e librés a restolhar. Ora este é um caso em que a realidade não supera de todo a ficção, pois os Reis, as Rainhas, os Príncipes eram auxiliadas pelo pessoal da Casa Civil e pelos oficiais às ordens. Assim, esses ‘criados’ próximos do Rei eram apenas os nobres da maior estirpe, assim como as Damas de companhia das Rainhas. Os nobres de mais elevada titularia estavam ao serviço pessoal do Rei, uns com cargos específicos na Corte, outros em sistema de rotatividade.

Por exemplo, imagine-se um banquete e o Rei a ser servido à mesa: quem serve o Monarca no prato é um Duque, a quem a terrina do consommé foi passada por um Marquês, e quem veio com a peça de louça com as vitualhas do início da Porta até à mesa foi um Conde, após um Visconde receber à porta da cozinha. Desse modo, também, não era um/a criado/o que servia o chá à Rainha, pois quem servia chá à Rainha era uma Marquesa.

Por isso o cargo de Aio, por exemplo, do Rei Dom Luís I foi o 1° Visconde e 1° Conde da Carreira; o Mordomo-mor da Casa Real, que transportava o característico símbolo da sua autoridade, o bordão de marfim com um castão de ébano esculpido com a forma da cabeça de uma mulher africana, no reinado de Dom Carlos I foi o 5° Conde de Sabugosa, o médico dos Reis era o Conde de Mafra, o secretário era o Conde de Arnoso, o estribeiro-mor era o Marquês  de Faial, o alferes-mor era o Conde de São Lourenço; as Damas da Senhora Rainha Dona Amélia eram as Ex.mas Duquesa de Palmela, a Senhora Marquesa de Unhão e D. Isabel Saldanha da Gama (Ponte); o secretário D’El-Rei Dom Manuel II foi o 6° Marquês de Lavrado, etc.

Aliás, quando havia solenidades ou visitas de Monarcas ou outros Chefes de Estado estrangeiros, era necessário contratar, temporariamente, para esse efeito pessoal para as carruagens, para as recepções do Palácio, numa tentativa de adequar os meios e não manter uma estrutura onerosa para o Erário.

São, ainda, muitas as manifestações de humildade para com, inclusive, o pessoal menor da Casa do Paço: recorde-se um episódio quando El-Rei Dom Carlos permanecia até altas horas no seu estúdio de pintura, pintando os maravilhosos pastéis que nos legou, e que quando saía para se dirigir para os aposentos descalçava as botas para estas não fazerem o soalho ranger e acordar o oficial às ordens que entretanto adormeceram na antessala; ou então, aquele dia do ano em que o Rei e o Príncipe Real serviam a sopa aos monges do Mosteiro de Mafra.

Apanágio da Realeza: – Servir! Sempre servir… até à morte e até depois dela… pelo exemplo!

Hoje, por cá usam o património e grande séquito, e, cúmulo da generosidade, em nosso nome!

E é paradoxal, mas sobretudo confrangedor, estes políticos sempre prontos a pigarrear que são republicanos e depois desfazerem-se em tantos salamaleques diante dos Reis estrangeiros!

Miguel Villas-Boas

Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

domingo, 30 de março de 2025

O espírito da Quaresma nos anos jubilares

A maior parte das pessoas ignora ou esqueceu o que é a Quaresma. No entanto, o Catecismo Maior, de São Pio X, era muito claro, definindo-a como «um tempo de jejum e de penitência instituído pela Igreja por tradição apostólica». No parágrafo seguinte, São Pio X explica a sua finalidade: «Dar-nos a conhecer a obrigação que temos de fazer penitência ao longo de toda a nossa vida; imitar, de algum modo, o rigoroso jejum de quarenta dias que Jesus Cristo fez no deserto; preparar-nos, por meio da penitência, para celebrar santamente a Páscoa» (n. 36).

Muitas vezes, porém, para os bons católicos que não esquecem a Quaresma, esta reduz-se a algumas práticas ascéticas: jejum, mortificações, esmola, certamente louváveis e sempre recomendadas pela Igreja, mas não suficientes para nos transmitir o espírito da Quaresma, que é, sobretudo, desapegarmo-nos mais profundamente do pecado e abraçarmos com maior generosidade a vontade de Deus.

Bento XVI, na sua Mensagem para a Quaresma de 2009, recorda que, nas primeiras páginas da Sagrada Escritura, o Senhor ordena ao homem que se abstenha de consumir o fruto proibido: «Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás» (Gn 2, 16-17). Comentando a ordem divina, São Basílio observa que “o jejum foi ordenado no Paraíso” e “o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão”. Portanto, ele conclui: “O ‘não comas’ e, portanto, a lei do jejum e da abstinência” (cf. Sermo de jejunio: PG 31, 163, 98).» «Portanto, se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor “de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal”, com o jejum o crente deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e misericórdia.» (Mensagem de 11 de Dezembro de 2008).

O espírito de penitência manifesta-se, antes de qualquer outra prática, no esforço de nos conformarmos com a vontade de Deus em todos os momentos, mesmo dolorosos e humilhantes da nossa vida. A 26 de Março de 1950, por ocasião da Quaresma do Grande Ano Santo, Pio XII dirigiu-se aos fiéis nos seguintes termos: «Saber suportar a vida! É a primeira penitência de todo o cristão, a primeira condição e o primeiro meio de santidade e de santificação. Com aquela dócil resignação que é própria de quem acredita num Deus justo e bom, e em Jesus Cristo mestre e guia dos corações, abraçai com coragem a cruz quotidiana, muitas vezes dura. Levando-a com Jesus, o seu peso torna-se leve».

O esforço de unir a nossa vontade à vontade de Deus precede toda a prática ascética. É por isso que Jesus sublinha a razão profunda do jejum, estigmatizando a atitude dos fariseus, que observavam escrupulosamente as prescrições rituais impostas pela lei, mas cujo coração estava longe de Deus. O verdadeiro jejum, explica o Divino Mestre, consiste antes em fazer a vontade do Pai celeste, que «vê no segredo e recompensar-te-á» (Mt 6, 18). Ele mesmo dá o exemplo, respondendo a Satanás, no final dos quarenta dias passados no deserto, que «nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4, 4). «O verdadeiro jejum – conclui Bento XVI – tem, portanto, como finalidade comer o “verdadeiro alimento”, que é fazer a vontade do Pai» (cf. Jo 4, 34).

Aquele que ama a vontade do Pai detesta o pecado, que é a violação da lei divina. E assim, neste tempo de Quaresma do Jubileu de 2025, como não fazer nossas as palavras que Pio XII dirigiu aos fiéis de todo o mundo para os preparar para a Quaresma no Jubileu de 1950: «Medi, se os vossos olhos e o vosso espírito o suportam, com a humildade de quem talvez deva reconhecer-se em parte responsável, o número, a gravidade, a frequência dos pecados no mundo. Obra do próprio homem, o pecado polui a terra e desfigura a obra de Deus como uma mancha impura. Pensemos nos inumeráveis pecados privados e públicos, ocultos e evidentes; pecados contra Deus e a Sua Igreja; contra nós próprios, na alma e no corpo; contra o próximo, especialmente contra as criaturas mais humildes e indefesas; pecados contra a família e a sociedade humana. 

Alguns deles são tão inauditos e hediondos, que são necessárias novas palavras para os indicar. Pese-se a sua gravidade: dos cometidos por mera leviandade e dos premeditados e friamente perpetrados, dos que arruínam uma única vida ou se multiplicam em cadeias de iniquidade até se tornarem a maldade de séculos ou crimes contra nações inteiras. Comparai, à luz penetrante da fé, este imenso amontoado de baixeza e de cobardia com a santidade resplandecente de Deus, com a nobreza do fim para que o homem foi criado, com os ideais cristãos pelos quais o Redentor sofreu a dor e a morte; e depois dizei se a justiça divina pode ainda tolerar tal deformação da Sua imagem e dos Seus desígnios, tal abuso dos Seus dons, tal desprezo da Sua vontade e, sobretudo, tal escárnio do sangue inocente do Seu Filho.

Vigário daquele Jesus que derramou a última gota do Seu sangue para reconciliar o género humano com o Pai celeste, Cabeça visível daquela Igreja que é o Seu Corpo Místico para a salvação e santificação das almas, exortamos-vos a sentimentos e obras de penitência, para que seja dado por vós e por todos os Nossos filhos e filhas do mundo inteiro o primeiro passo para a efectiva reabilitação moral da humanidade. Com todo o ardor do Nosso coração paterno, pedimos-vos o arrependimento sincero dos pecados passados, a plena detestação do pecado e a firme resolução de vos arrependerdes; suplicamos-vos que alcanceis o perdão divino pelo sacramento da confissão e pelo testamento de amor do divino Redentor; suplicamos-vos, enfim, que alivieis a dívida da pena temporal devida aos vossos pecados pelas múltiplas obras de satisfação: orações, esmolas, jejuns, mortificações, de que o próximo Ano Santo oferece fácil oportunidade e convite».

Professor Roberto de Mattei in Corrispondenza Romana (publicado em atrevimentos.pt)

Fonte: Senza Pagare

sábado, 29 de março de 2025

O SISTEMA POLÍTICO E O COMPORTAMENTO DOS PARTIDOS

 “O público, como todos os soberanos, como os reis, os povos e as mulheres, não gosta que se lhes diga a verdade”. 

Alexandre Dumas 

O Governo caiu. Com um encolher de ombros. 

O sistema político democrático – como é entendido no Ocidente e em Portugal – assume na sua doutrina, que os Partidos Políticos (PP) são “estruturantes” da Democracia. Ou seja sem PP não há Democracia. Não vamos hoje discutir este “entendimento”, mas observar o comportamento dos ditos partidos, um nome, aliás, assaz infeliz. 

Devemos começar por fazer uma pergunta e responder-lhe: para que servem os PP, qual o seu objectivo primordial? Pois o objectivo número um – e ao qual todos os demais se subordinam – é tomar o Poder e mantê-lo.  

Como o Poder – nas democracias – é legitimado pelo voto popular, segue-se que a maioria, senão a totalidade, do esforço de qualquer PP se resume a tentar convencer o eleitorado a votar no seu programa e nas suas figuras de proa.  

E se, porventura, os partidos existentes que se reclamam da doutrina marxistaleninista, ou outros – que prevêem a via revolucionária para a tomada do poder (na verdade qualquer via…) – se dedicam à subversão da sociedade ou do Estado e mantêm capacidades para serem usadas nesse âmbito, tal é assunto de especulação, normalmente à boca pequena, pois raramente estes temas são abordados nos liberalíssimos órgãos de comunicação social, ou no Parlamento, etc. 

E, de facto, se o objectivo primeiro dos PP, não fosse conseguir o Poder, não se justificava a sua existência. Manter o Poder é, a seguir, a tarefa fundamental, pois permite alargar a sua influência e distribuir lugares e prebendas pelos seus filiados (de que existe uma sofreguidão insaciável), condição sine qua non para garantir alguma lealdade canina nas hostes, sem o que despontarão “tendências”, “dissidências”, “alas críticas”, “renovadores”, etc., sempre efusiva e democraticamente saudadas, mas que constituem uma dor de cabeça que enjoa qualquer dirigente partidário, só de pensar nelas. 

Ora quem está no Poder, não o quer abandonar e, por isso, fará tudo por lá se manter. A primeira coisa que faz é ocupar o maior número de lugares possível; depois tenta arranjar maneira de condicionar a comunicação social e arranjar uma parafernália enorme de propaganda e relações públicas; na sequência distribuem negócios pelos amigos, verdadeiros ou putativos – isto é fundamental para garantir apoios e aumentar os réditos do saco azul partidário; a seguir começam a mentir - leia-se Alexandre Dumas – até porque as pessoas, de um modo geral, gostam que se lhes minta (só aceitam a verdade em tempos de catástrofes extremas…). O início das promessas começa aqui. Como é preciso garantir o voto, é só facilidades, mais direitos, mais obras, mais subsídios, quiçá a lua. Ninguém quer ouvir falar em sacrifícios, deveres, trabalho, disciplina, organização, hierarquia, restrições, etc.  

Pelo meio vasculham-se mutuamente para ver quem denuncia, por cima, ou por baixo da mesa, os podres existentes reais ou inventados, para solapar a credibilidade dos diferentes actores que se digladiam na “arena” política. 

A partir daqui a economia definha, os costumes relaxam-se, o crime aumenta, a corrupção instala-se. As crises internacionais e os “azares” que sempre acontecem agravam o descalabro.  

Resulta de tudo uma espécie de guerra civil larvar e omnipresente que impede qualquer governo da cidade… O ambiente fede. 

Finalmente, como não sabem fazer mais nada senão isto – o sistema parece que não se regenera – começam a pedir dinheiro emprestado. A partir daqui está tudo estragado e é uma questão de tempo para ser o próprio regime a ser posto em causa. 

Vejamos agora os partidos que estão na oposição. Como o objectivo é, recorda-se, chegar ao Poder, têm que ser contra (até por princípio!), o governo em funções, suportado por um ou mais partidos (o sistema tende para cada vez haver mais partidos, pois eles não são “inteiros”…); têm que o desacreditar, apresentar soluções diferentes, etc. Tudo isto resume-se, por norma, numa política de bota abaixo e em fazer demagogia, abusando das promessas. Quem tem meios para isso, provoca greves, cortes de estrada, manifestações nas ruas e campanhas de propaganda. Os mais fundamentalistas põem bombas. 

Quando, após mais uma campanha eleitoral, longa, desgastante e cara (e com o uso e abuso, as pessoas já não as suportam!), a oposição chega ao Poder, faz exactamente o que os anteriores fizeram com algumas nuances de circunstância, ou novidades de marketing. A seguir pedem mais dinheiro emprestado. 

Andamos nisto desde 1820, com um intervalo de 48 anos (onde também verdadeiramente só houve uns nove anos de acalmia), e várias guerras civis, pelo meio. E muitas bancarrota. 

Quando o dinheiro emprestado, normalmente usado no pagamento da dívida e não em investimento reprodutivo, atinge uma certa soma, o descalabro financeiro passa do endividamento na razão aritmética, para a geométrica e a seguir para o crescimento exponencial. Ora nenhum partido está em condições de inverter esta tendência não só porque é contra a lógica de funcionamento do sistema (como se pagariam as promessas?), como a oposição não permitiria. Só haveria “solução” se houvesse um amplo consenso partidário e aceitassem governar juntos. Ora isso é, justamente aquilo que, novamente, a lógica do sistema mais repele, porque uma vez (por hipótese), isso conseguido, deixariam de ser necessários os partidos… Os tais que são estruturantes da Democracia. 

Como casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, e a fome é má conselheira, diz o povo, não o Dumas, podem os leitores facilmente ajuizar, onde é que tudo isto se arrisca sempre a descambar, após uma palete de confusões e desgraças, que hão-de (estão) a suceder no entretanto. 

E, ao contrário do que convencionaram, não é certo, que em Democracia, há sempre solução para tudo. E, pelo que se tem visto, não tem sido solução para nada, pois não há sossego nem se resolve um único problema do país. 

João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador (Ref.)  


Fonte: O Adamastor

sexta-feira, 28 de março de 2025

SAR D. Afonso de Bragança na Procissão do Senhor Jesus dos Passos da Graça

23 de Março de 2025:

Milhares de pessoas juntaram-se, na tarde deste domingo, à Procissão do Senhor Jesus dos Passos da Graça, numa manifestação pública de fé.
A celebração, que assinala o período da Quaresma, é uma das mais antigas de Lisboa, realizando-se desde 1587.
Este ano voltou a fazer o percurso original, desde a Igreja de São Roque até à Igreja da Graça.
SAR, O Senhor D. Afonso de Bragança esteve presente.

quinta-feira, 27 de março de 2025

O ímpio Diderot e o Catecismo Romano

Qual é o melhor livro? A esta pergunta dá uma resposta, digna de ponderação, Diderot. Foi ele um dos primeiros corifeus da filosofia ímpia do século passado. Não ousou confiar de ninguém a educação de sua filha única, menina de dez anos; ele mesmo tomou sobre si esse cuidado, ensinando-lhe o Catecismo.
Um amigo de Diderot, certa ocasião, deu com ele a ensinar o Catecismo a sua filha.
– Que quer isso dizer, exclamou ele, então tu ensinas o Catecismo a tua filha? Estás em teu juízo perfeito?
Diderot, que só com seus amigos queria ser ímpio, não, porém, na presença de sua filha, franziu o sobrolho, e respondeu com gravidade: «Se conhecesse melhor livro para fazer de Maria uma menina respeitosa e terna, boa mulher e digna mãe de família, ensinar-lho-ia; em verdade, porém, não conheço no mundo livro que tudo isto possa fazer como o Catecismo; oxalá que, para a felicidade dela e minha, creia, ame e pratique tudo o que ele ensina!»

«Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 1º Ano, Nº 11, Novembro de 1895


Fonte: Veritatis

terça-feira, 25 de março de 2025

In Annuntiatione Beate Mariæ Virgine

Hoje a Igreja comemora o dia da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora. Esse episódio marcante para toda a Humanidade é descrito numa das mais bonitas passagens da Sagrada Escritura:

Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo

Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim

Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?»

O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus

Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela.

São Lucas 1, 26-38

29º Aniversário de SAR, O Senhor D. Afonso de Bragança, Príncipe da Beira

Desejamos ao nosso Príncipe Real, Saúde, Paz, Harmonia e muito Amor com toda a Nossa Querida Família Real, no mais belo exemplo de União e Tradição.

 Que Deus o guie e ilumine naquela que desejamos seja uma longa vida cheia de sucesso.


VIVA SUA ALTEZA REAL DOM AFONSO, PRÍNCIPE REAL!

VIVA A FAMÍLIA REAL!

VIVA PORTUGAL!

segunda-feira, 24 de março de 2025

Da consideração de si mesmo

1. Não podemos confiar muito em nós, porque frequentemente nos faltam a graça e o critério. Pouca luz temos em nós e esta facilmente a perdemos por negligência. De ordinário também não avaliamos quanta é a nossa cegueira interior. A miúde procedemos mal e desculpamo-nos, o que é pior. Às vezes move-nos a paixão, e pensamos que é zelo.
 
Repreendemos nos outros as faltas leves, e descuidamo-nos das nossas maiores. Bem depressa sentimos e ponderamos o que dos outros sofremos, mas não se nos dá do que os outros sofrem de nós. Quem bem e retamente avaliasse as suas obras não seria capaz de julgar os outros com rigor.

2. O homem interior antepõe o cuidado de si a todos os outros cuidados, e quem se ocupa de si com diligência facilmente deixa de falar dos outros. Nunca serás homem espiritual e devoto, se não calares dos outros, atendendo a ti próprio com especial cuidado.
 
Se de ti só e de Deus cuidares, pouco te moverá o que se passa por fora. Onde estás, quando não estás contigo? E, depois de tudo percorrido, que ganhaste se esqueceste a ti mesmo? Se queres ter paz e verdadeiro sossego, é preciso que tudo mais dispenses, e a ti só tenhas diante dos olhos.

3. Portanto, grandes progressos farás, se te conservares livre de todo cuidado temporal; muito te atrasará o apego a alguma coisa temporal. Nada te seja grande, nobre, aceito ou agradável, a não ser Deus mesmo ou o que for de Deus. Considera vã toda a consolação que te vier das criaturas.
 
Imitação de Cristo


domingo, 23 de março de 2025

Verdadeira Liberdade do Povo Só com Rei

‘A liberdade do Povo salva-se na liberdade do Rei. Porque a liberdade do Rei consiste em estar preso à Nação, em fazer com ela um mesmo corpo.
A liberdade que enche os discursos e os jornais de um século romântico é uma falsa liberdade, porque não tem sentido.
Nega-se a natureza humana e, em seguida, afirma-se que o homem é inteiramente livre. Destroem-se as associações, centraliza-se a administração e, sobre as ruínas de toda a obra de séculos, lançam o homem, inteiramente livre... de si próprio.
Procura-se tirar todo o poder concreto à Realeza, única força social igualmente interessada na defesa de todas as outras, e ao mesmo tempo proclama-se a liberdade como convite ao domínio do mais forte.
(…) A liberdade do Rei é inseparável da liberdade dos Portugueses, mas esta só pode encontrar garantia perfeita e sentido adequado na liberdade do Rei.’
Barrilaro Ruas, Henrique | Político e doutrinador monárquico in ‘O Drama de um Rei’, Lisboa, 1971