14 maio 2021

Inicio do Ano Jubilar à Real Ordem de São de Miguel da Ala da Casa Real Portuguesa

 


No passado dia 08 de Maio de 2021, celebrou-se no Mosteiro de Alcobaça, o inicio do Ano Jubilar à Real Ordem de São de Miguel da Ala da Casa Real Portuguesa, a mais antiga Ordem Militar Equestre Portuguesa, e fundada pelo nosso Rei fundador, D. Afonso Henriques, assim, S.S. o Papa Francisco concedeu um Ano Jubilar da Real Ordem de São Miguel da Ala da Casa Real Portuguesa pelos 850 Anos da Fundação e 20º Aniversário da Real Irmandade com Indulgências que podem ser lucradas entre 8 de Maio de 2021 e 29 de Setembro de 2022 no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça - Sede Espiritual da Ordem desde 1171 -, no Santuário do Santíssimo Milagre de Santarém, nas Igrejas Paroquias de Fátima e de Ourém, na Regalis Lipsanotheca no Castelo de Ourém em Portugal - Sede do Secretariado da Real Irmandade de São Miguel da Ala -, no Santuário de Santiago de Compostela, no Mosteiro de Santa Maria de Osera em Espanha, no Santuário de São Miguel no Monte Gargano, Itália e em todos os outros Santuários dedicados a São Miguel Arcanjo.


Recordemos algumas palavras, que o Grão-Mestre Nato, da Real Ordem Militar e Equestre de São Miguel da Ala, S.A.R. o Senhor D. Duarte Pio de Bragança, Duque de Bragança, e Chefe da Casa Real Portuguesa, proferiu, em Fátima, no dia 10 de Junho de 2002, acerca da devoção exclusiva de Portugal ao Arcanjo São Miguel, Anjo de Portugal e da Paz:


" A nossa sociedade também parece estar hoje alegremente dominada por padrões de comportamento e contra-valores morais que pela primeira vez na história, são aceites como valores positivos.


O mal foi sempre praticado pelo homem, mas reconheciam-no como tal. Hoje o mal é apresentado como sendo o Bem."


13 maio 2021

26º ANIVERSÁRIO DO MATRIMÓNIO DE SS. AA. RR., OS SENHORES DUQUES DE BRAGANÇA

 


Hoje, dia 13 de Maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, comemora-se o aniversário de Matrimónio de SS.AA.RR., Os Senhores Duques de Bragança, Dom Duarte Pio e Dona Isabel.


Desejamos a Vossas Altezas as maiores felicidades e que Deus Vos Abençoe.


Que Nossa Senhora de Fátima esteja sempre presente no Amor, na Alegria e na Caridade dos Nossos Reis e Infantes.


VIVA O REI! VIVA A RAINHA!
VIVA A FAMÍLIA REAL!

Quinta-Feira de Ascensão - Dia da espiga



Nossa Senhora de Fátima

 


Oração – Nossa Senhora de Fátima


Nossa Senhora de Fátima, virgem poderosa, recorro à vossa proteção contra todos os assaltos do inimigo, pois vós sois o terror das forças malignas.
Eu seguro no vosso manto santo e me refúgio debaixo dele para estar guardado, seguro e protegido de toda violência, que principalmente nos dias de hoje tem atingido tantas famílias, vítimas de assalto, sequestros, ameaças e medo.
Mãe Santíssima, refúgio dos pecadores, vós recebestes de Deus o poder de esmagar a cabeça da serpente infernal e afugentar os demônios que querem acorrentar os filhos de Deus. Curvado diante de vós, venho pedir a vossa proteção hoje e cada dia da minha vida, para que vivendo na luz do Vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, eu possa depois desta caminhada terrena entrar na pátria celeste.

Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. Santa Maria Mãe de Deus rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte. Amém.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio agora e sempre. Amém.

Nossa Senhora de Fátima rogai por nós!


12 maio 2021

Princesa Santa Joana

 


Joana, filha de D. Afonso V e de D. Isabel, é uma figura incontornável de Aveiro. O feriado da cidade é no aniversário da sua morte (12 de Maio de 1490) e o seu nome foi dado a uma freguesia.

Quem é Santa Joana?


A princesa Joana nasceu em Lisboa, no Paço Real (que se perdeu no terramoto), e foi aclamada como princesa herdeira até ao nascimento do seu irmão, João. Cedo ficou órfã de mãe e a sua educação foi entregue à tia Filipa, irmã da mãe, e a Dona Beatriz de Menezes, dama de sua mãe. Sempre foi muito religiosa, nunca se interessou pela vida na corte, mas sempre cumpriu com as suas obrigações enquanto filha e irmã do rei. Diz-se que chegou a ser regente do reino em 1471, quando o pai e o irmão viajaram para Arzila. Quando regressaram a princesa Joana colocou as suas mais preciosas jóias, foi esperá-los ao desembarque, e pediu ao pai que lhe fosse permitido seguir a sua fé. A contragosto, o pai aceitou que fosse para o mosteiro de Odivelas, em 1472.

O mosteiro de Odivelas (onde estava a tia Filipa) e o de Santa Clara (onde o pai lhe recomendou que ficasse) não lhe enchiam as medidas. Joana queria um convento austero e encontrou-o nos dominicanos, em Aveiro, um convento feminino relativamente recente. Foi para lá jovem e nunca fez votos. Manteve uma vida igual às companheiras de convento, chegou mesmo a ser noviça e a vestir o hábito. A corte não a deixou professar, incutindo-lhe o peso de proteger a sucessão do trono. A tia achava que devia casar e assegurar descendência e o povo não a queria num convento tão pobre.

Abandonou o convento a 7 de Setembro de 1479, devido à peste, refugiando-se em Abrantes, e voltou 11 meses depois. Tornou a sair do convento em 1485, pela mesma razão, chamada pelo irmão a Alcobaça, voltando em 1486. Morreu aos 38 anos, em Aveiro. Criou no convento o seu sobrinho Jorge, filho bastardo de D. João II.

No seu percurso sempre ajudou os mais necessitados da cidade, que ficaram muito comovidos quando morreu de peste. O primeiro milagre que lhe foi atribuído tem a ver com a passagem do seu túmulo pelo jardim: diz-se que à passagem do túmulo pelo jardim surgiram imediatamente flores. A cidade sempre a chamou de Santa Joana, apesar de, oficialmente, ser apenas beata. Foi sepultada no coro e o seu primeiro túmulo foi oferecido pela Duquesa de Caminha, Ana Manique Lara. Foi beatificada em 1693 e D. Pedro II fez-lhe um mausoléu em jaspe, uma das peças mais bonitas e singulares do Museu Nacional de Aveiro, tal como a própria sala onde se encontra.



11 maio 2021

Napoleão: foi em Portugal que começou a queda


Cumprem-se hoje, 5 de Maio, 200 anos sobre a morte de Napoleão Bonaparte, o homem que veio da obscuridade, subiu às culminâncias, fez-se Imperador dos Franceses e morreu degredado numa ilha semi-desértica do Atlântico Sul.


Há um culto popular em torno de Napoleão e do 1.º Império, adesão que não se confina ao hexágono. Há estátuas e bustos celebrativos de Napoleão um pouco por todo o mundo e na Bélgica, Holanda, Itália, Canadá, Estados Unidos e México, activas associações de estudos incensam, entre a lenda e a realidade, a personalidade de Napoleão. Este sobrevive ao tempo, os seus aforismos, a petite histoire das suas paixões e anedotário são património comum, até das pessoas que não lêem; a sua aventura, das escarpas escalvadas da Córsega aos campos de Waterloo, da sagração a Santa Helena, surgem como irresistíveis histórias quase tocadas pelo fabuloso. Napoleão não deixa ninguém indiferente. A passagem pela história europeia de um homem desses, que se afirmava expoente da razão e em quem outros viram a história montada sobre um cavalo, continua a ser uma bela história.


Em 1809 e 1810 em Portugal, em 1812 na Rússia e em 1815 em Waterloo, a estrela de Napoleão empalideceu, congelou e estilhaçou-se. A derrota do Ogre, do Anti-Cristo, do Crocodilo Corso, da Besta Monstruosa, Novo Átila ou simplesmente Bonny para os britânicos – então satirizado como tronco de couve decepada, bilha partida, boneco esventrado - também convidava a interpretações providencialistas e dos desígnios de Deus, mudo desde 1789, em vão confiante no arrependimento dos homens, até finalmente se pronunciar, castigando aqueles que Dele se haviam afastado.


Entre o mito e a lenda, a propaganda e a caricatura, importa fazer a pergunta fatal. Quem derrotou Napoleão? Ora, Portugal, a Rússia e a sempre teimosa Inglaterra. Portugal foi o primeiro grande fracasso político e militar do Imperador. Há que lembrá-lo, sempre, pois, a quantos pensam [erradamente] que aquela partida da Família real para o Brasil foi um acto de cobardia. Não, se a família real portuguesa tivesse caído nas mãos de Junot, não teria havido resistência popular, heróica e desesperada, assim como não teria havido o levantamento nacional espanhol e a invasão de França pelos exércitos coligados. Se portugueses e russos não o tivessem detido, Napoleão teria triunfado e o curso da história teria sido diferente.


MCB


Fonte: Nova Portugalidade

Reconquista de Santarém e São Miguel Arcanjo

 



Em Santarém, a soleníssima festa da Aparição de S. Miguel, esclarecido patrono desta antiga e populosa Vila, em cujo feliz dia [8 de Maio] foi recuperada dos Bárbaros pelo ínclito Rei D. Afonso Henriques, acompanhado mais de seu católico zelo e confiança divina, que do numeroso exército de soldados e bélicos instrumentos, com que se achava naquela apertada ocasião, aparecendo no Céu à noite precedente à batalha sinais demonstrativos da famosa vitória, que no seguinte dia havia de alcançar dos inimigos da Fé. Arvorado então o Estandarte Real nas ameias de seus muros por três valerosos soldados, que no maior silêncio da noite, subiram a eles com admirável ousadia. Aberta a porta daquela inexpugnável praça com um martelo de ferro, que outros administraram de fora, entrou logo o S. Rei, e ajoelhado em terra, mãos e olhos no Céu, fez oração a Deus e uma breve fala aos seus, dizendo em alta voz, para que de todos fosse ouvido: Eia valentes Soldados, aqui tendes a vosso Rei e companheiro, não só para testemunha das façanhas que neste comenos obrardes, mas para exemplo do muito que estais obrigados a executar contra os inimigos da Igreja. Animados com estas fervorosas palavras, os Cristãos, invocando o Patrão de Espanha [Patrono da Península Ibérica], fizeram bravo estrago e carniceira lastimosa nos Mouros, avantajando-se entre todas, aquela invencível espada, banhada tantas vezes do Agareno sangue, executando tão inauditas proezas, que escurecem as mais célebres que publica a trombeta da fama, ouvindo-se por todas as partes desentoados gritos e alaridos, acrescentando este miserável labirinto a confusão das armas e obscuridade da noite, com que não havia quem se pudesse valer e dar a conselho, até que passados aos fios dos luzentes ferros os principais Mouros que lhe resistiram. Ao romper da alva, teve a duvidosa e travada peleja feliz remate em favor dos Cristãos. Porque no tempo que os invencíveis Portugueses, em companhia de seu vitorioso Rei, meneavam as armas temporais nas terras de sua conquista, contra esta vil e infame canalha, em defesa da liberdade Real e exaltação da Religião Católica, meneavam as espirituais, não somente S. Teotónio no Mosteiro de S. Cruz de Coimbra, com seus Cónegos, mas também S. Bernardo no de Claraval, com seus Monges, implorando cada qual o glorioso triunfo, que o S. Rei conseguiu de seus contrários e declarados inimigos de Cristo. E vendo ambos com os olhos do espírito o processo de combate pouco favorável aos nossos, apressaram as rogativas e preces, com maior veemência, até que se decretou no Consistório divino, ficasse o campo e a vitória pelas Armas Católicas. Passados 24 anos, veio el-Rei de Sevilha, Albaraque, sobre a dita Vila com poderosíssimo exército, e vendo-se o magnânimo Rei D. Afonso Henriques apertado, recorreu (como tinha de costume) ao Céu, negociando o feliz despacho por meio do Arcanjo S. Miguel (de quem era particular devoto) e saindo os nossos ao campo, animados de suas afectuosas palavras e alentados com o diviníssimo Sacramento do Altar, andando o esforçado Rei no maior conflito da batalha, apareceu a seu lado um Braço armado com asa no coto, que jogava as armas destrissimamente (insígnia com que ordinariamente se pinta este tutelar da Igreja Católica e defensor do povo Cristão) fazendo bravo estrago nos Mouros, com que brevemente a duvidosa vitória ficou pelo S. Rei, e reconhecendo a ele a tão soberano patrocínio, instituiu no Real Mosteiro de Alcobaça a Cavalaria da Ala, com particulares Constituições, debaixo da Regra de S. Bento, que perseverou somente enquanto viveu. Por estes e outros singulares benefícios, que por intercessão do S. Arcanjo, alcançou esta nobre Vila do Senhor dos exércitos, lhe levantou Ermida, aonde vai o Senado dela todos os anos neste dia [8 de Maio], com solene Procissão, render as graças das assinaladas vitórias que ali conseguiram as Lusitanas Armas dos inimigos da Fé, nos primórdios deste escolhido e santificado Reino de Portugal.


Pe. Jorge Cardoso in «Hagiológio Lusitano dos Santos e Varões ilustres em virtude, do Reino de Portugal e suas conquistas», Tomo III, 1666.


Fonte: Veritatis

10 maio 2021

Os católicos “devotos” que promovem activamente o aborto e querem a Eucaristia

Nas últimas semanas, alguns bispos e arcebispos americanos – Aquila, Cordileone, para citar apenas dois – disseram e escreveram que os católicos que promovam acções contrárias ao que a Igreja ensina, por exemplo, que promovam políticas abortistas, como está a fazer Joe Biden, patrocinado por Planned Parenthood, o maior promotor de abortos do mundo, devem abster-se de receber a Comunhão.       

O Arcebispo Aquila argumentou que a coerência eucarística requer que aqueles que participam da Eucaristia, incluindo os políticos católicos, estejam em comunhão com a Igreja. Ou seja, devem aderir ao ensinamento doutrinal e moral fundamental da Igreja. Não o fazer estaria em contraste com a exortação de São Paulo: «Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor».   

Poucas horas depois da publicação do artigo do Arcebispo Aquila, o Cardeal Blase Cupich escreveu-lhe uma carta na qual criticava o seu artigo. A crítica do cardeal não era, de forma alguma, pertinente ao que o Arcebispo Aquila havia escrito, mas permitiu-lhe fabricar uma crítica com a qual expressar a sua decepção. Por razões políticas, Blase Cupich, como outros da fileira McCarrick promovida pelo Pontífice reinante, nos Estados Unidos e no Vaticano, é a favor dos democratas e dos progressistas.     

A acusação que fazem a bispos como Áquila e Cordileone é a de politizar a Eucaristia. Mas, a partir do momento em que este assunto está muito vivo e presente em todos os países, Itália compreendida, é interessante notar o que escreve a esse propósito o P. Thomas Weinandy, um religioso capuchinho muito conhecido em âmbito académico.   

Weinandy diz que alguns bispos argumentam que não se deve recusar a Comunhão a tais políticos católicos porque fazê-lo significaria politizar a Eucaristia. Recusar-se a dar a Sagrada Comunhão a políticos católicos dissidentes, todavia, não é politizar a Eucaristia. A politização da Eucaristia ocorre no acto do político católico que se apresenta para receber a Comunhão, embora saiba que fazê-lo é contrário ao que a Igreja ensina.      

Àqueles que estão objectivamente em estado de pecado mortal, ou que discordam ou promovem posições contrárias ao ensinamento dogmático ou moral fundamental da Igreja, é proibido receber o corpo e o sangue de Jesus, porque se tornaram indignos de fazê-lo. Assim, esses políticos católicos, apresentando-se ao altar, estão a usar – e, portanto, a abusar – a Eucaristia para fins aparentemente políticos – para se apresentarem como católicos “devotos”.    

Em primeiro lugar, aqueles que são indiscutivelmente católicos devotos não precisam de se identificar como tal – é evidente a todos que o são. Em segundo lugar, quando um político dissidente afirma ser um católico devoto, imediatamente se sente que algo está errado. Os políticos católicos enfatizam a sua devoção – e os seus apoiantes ecoam a declaração – porque há algo no seu comportamento que é suspeito.   

E como manifestam a sua devoção? Vão à Comunhão! Ironicamente, tais políticos católicos fazem exactamente o que nenhum católico verdadeiramente devoto faria. A própria acção “devota” que realizam, de receber a Sagrada Comunhão, é uma declaração flagrante de que carecem de autêntica devoção católica.

Por fim, o padre Weinandy tenta justificar de uma certa maneira o seu comportamento: alguém declara ser católico devoto e recebe a Comunhão na esperança de que, de alguma forma, um dia, tudo correrá bem. Isso avizinha-se perigosamente a superstição “católica” sentimental. Mas conclui, no final, o que não pode ser negado em todo esse engano é a obra do diabo. Acima de tudo, quer politizar a Eucaristia – para reduzi-la ao marketing político. Nada poderia ser mais enganador do que políticos católicos “devotos” que causam estragos na Igreja Católica e bispos católicos que aprovam tal comportamento diabólico.         


Marco Tosatti


Fonte: Dies Irae

Um texto visa tornar o aborto um direito fundamental de acordo com a União Europeia

 Tradução Deus-Pátria-Rei

O Parlamento Europeu está a examinar uma proposta de resolução do eurodeputado Predrag Fred Matić. O texto visa tornar o aborto um direito fundamental de acordo com a União Europeia e remover todas as restrições à sua prática, incluindo a objecção de consciência por parte do pessoal médico. 

Agathe Villain (ECLJ) analisa o que está em jogo neste debate sobre o aborto, que terá lugar na próxima semana no Parlamento Europeu.


09 maio 2021

O catolicismo de hoje, mergulhado numa situação de ultra-laicismo, ignora a doutrina de Cristo Rei

 Tradução Deus-Pátria-Rei

Do Padre Claude Barthe em Res Novae

Nosso propósito neste artigo não é examinar projectos políticos que pudessem ter em vista, mesmo remotamente, um ideal do cristianismo, mas apenas examinar como o catolicismo hoje, mergulhado em uma situação de ultra-laicidade, considera ou antes ignora a doutrina de Cristo-Rei. Para compreender o formidável hiato histórico com que se depara, podemos comparar o símbolo expresso no nártex da Basílica de São Pedro em Roma, pela presença, à direita e à esquerda, das estátuas cavalheirescas de dois "padres do exterior", Constantino e Carlos Magno, demonstrando o que a Igreja esperava dos poderes civis cristãos: que fossem protectores da Igreja e introdutores dos seus povos ao reino eterno; e, inversamente, a recusa simbólica do Presidente Chirac, em Roma, em 29 de Outubro de 2004, de inserir na constituição da Europa a menção, embora quase vergonhosa por ser modesta, as suas "raízes cristãs".

A laicidade impossível

Rémi Brague no seu livro Sur la religion, que certamente traz elementos muito actuais ao debate sobre a presença invasora do Islão, expressa basicamente, de forma bastante radical, a negação que se tornou comum na doutrina de Cristo-Rei, que ele acha que nunca teve realidade. Segundo ele, “Igreja e estado nunca foram separados, porque nunca estiveram unidos”, então ele assume que o estado é inerentemente neutro. E de repente, ele toma em grande parte o termo "separação" do título da lei de 1905, que revogava as disposições da Concordata de 1801.

E ainda, os poderes religiosos e civis são inseparáveis ​​e distintos, como o natural é do sobrenatural, em que ambos exercem um domínio global sobre os mesmos indivíduos que não são esquizofrenicamente espirituais por um lado, e por outro lado, temporais, mais precisamente políticos, visto que são seres políticos como diz Aristóteles. Poderes inseparáveis ​​e distintos, e até certo ponto autónomos - ao contrário da fusão indistinta preconizada pelo Islão.

Além disso, prestando assim a César o que é de César e a Deus o que é Deus, o homem, em ambos os casos, obedece a um poder que vem de Deus (Rm 13: 1), na ordem natural para o governo da Cidade, e na sobrenatural para o governo da Igreja. Mas César (os detentores do poder civil), como pai de família, não pode ser neutro, tem deveres religiosos como pai da cidade e, como tal, deve criar todas as condições favoráveis ​​para deixar os responsáveis dele embarcar livremente no caminho da salvação eterna. Leão XIII, em Immortale Dei de 1 de Novembro de 1885, explica que o homem, destinado por Deus à bem-aventurança eterna que a Igreja lhe dá os meios para obter, também tem grande necessidade da Cidade terrena para alcançar a perfeição. De facto, é próprio da sociedade civil (na medida em que busca perseguir seu próprio fim, isto é, regular as realidades humanas segundo a lei de Deus), levar os membros da Cidade a liderar na terra “uma calma e vida pacífica ”(1Tm 2, 2), proporcionando-lhes o bem da paz, o respeito pelos justos, a estrutura de uma vida honesta. Quando, ao contrário, as instituições não se referem à lei de Cristo, é a salvação de muitos que está em perigo. E ainda pior, quando essas instituições se deram uma essência secular e hostil, pelo menos estranha por natureza à lei de Cristo.

Esta laicidade do estado hoje parece ser tão irreversível que as mentes mais bem-intencionadas vêm defender a liberdade do catolicismo em nome da laicidade, especificando que se referem a uma "boa" laicidade, como Patrick Buisson inspirando Nicolas Sarkozy com o conceito de “laicidade positiva” no seu discurso no Palácio de Latrão em 20 de Dezembro de 2007. Ele usou as palavras de Bento XVI que, numa mensagem de 17 de Outubro de 2005 a Marcello Pera, presidente do Senado italiano, defendeu " um Estado laico saudável “tendo que organizar” um laicismo positivo, que garanta a todos os cidadãos o direito de viver sua fé religiosa com uma liberdade autêntica ”.

A modernidade como cristianismo invertido

Na realidade, a modernidade aplicada às relações entre sociedade e religião: 

- deseja um estado neutro em questões religiosas, laico, isto é, ateu "tecnicamente". Esta neutralidade laica, resultante da Revolução Francesa, é tão contrária à natureza que os Estados resultantes das revoluções anglo-saxônicas há muito buscam acomodações (igrejas estatais, invocação de Deus na constituição) que são em última análise ilusórias quando o direito civil está sujeito ao relativismo do contrato social.

- Reduz a Igreja, no quadro deste laicismo, a ser uma associação espiritual ou filosófica entre as outras, na melhor das hipóteses a primeira dessas associações quando a religião dos católicos ainda é a da maioria dos cidadãos, segundo o que observou a Concordata assinada entre Bonaparte e a Santa Sé.

Os Estados anteriores à modernidade política, mesmo quando não católicos, garantiam as condições civis da vida religiosa. As estruturas que os substituíram, nomeadamente os modernos Estados laicos, inseridos no complexo emaranhado de poderes económicos e supra-estatais tão ateus como são também levados a organizar a vida civil da Igreja, porque está na ordem das coisas. Eles fazem isso tiranicamente, com mais ou menos violência. Quanto à palavra da Igreja, ela só é aceita - e ainda sujeita - para os católicos, como um regulamento de associação que se aplica apenas ad intra. O reino de Cristo só pode se expandir no segredo das mentes e corações dos crentes e deles somente, como se nem todos os homens fossem chamados a se tornarem discípulos de Cristo.

Mas tem mais. Na verdade, essa nova configuração vira como uma luva uma situação que existia no cristianismo. O Estado moderno, que nasceu da Revolução, assume uma posição saliente em relação às religiões e, portanto, em relação à religião de Cristo. Foi o que afirmou, de forma tão crua quanto estúpida na forma, Gérald Darmanin, Ministro do Interior da França, em 1 de Fevereiro de 2021, no France-Inter: "Não podemos mais discutir com quem se recusa a escrever em um pedaço de papel que são obviamente perfeitamente compatíveis com as leis da República, que a lei da República é superior à lei de Deus ”. Isso visava o islamismo, mas acertou no catolicismo. O Estado moderno toma o lugar da Igreja, não só porque organiza sozinho os ritos sociais públicos, mas sobretudo porque a expulsa em seu próprio benefício de áreas onde a sua palavra dada em nome de Cristo deve intervir legitimamente em nome da sociedade.

Catolicismo que renunciou

O que chamamos de "crise da saúde" mostrou quão profunda foi a mobilização do catolicismo para as liberdades modernas. Em todo o mundo, com graus e variações, mas também com algumas excepções finas, os episcopados nacionais têm se submetido às directrizes do estado relativas ao exercício do culto, sem defender o princípio de sua liberdade intrínseca (mesmo que signifique igualá-lo, em nome de o bem comum, regras de prudência sanitária). Na França, Itália e outros países, os bispos até anteciparam medidas governamentais restringindo ou proibindo o culto público, chegando mesmo a proibir a celebração de baptismos e casamentos por conta própria!

Não ocorreu, então, a nenhum Sucessor dos Apóstolos que tivesse um poder próprio, totalmente independente do poder de César, e a fortiori do “monstro frio” que emergiu da Revolução, no domínio espiritual, cabia a cada um dos bispos, e a ninguém mais, estabelecer as regras para o exercício do culto, é claro levando em consideração as outras necessidades - sanitárias neste caso - para o bem da cidade. Supondo que a epidemia de Covid se torne tão séria e dramática quanto a da Peste Negra no século 14, os bispos podem ter que decidir, a conselho das autoridades públicas, sobre a suspensão temporária do culto público. Mas apenas eles teriam o direito de fazê-lo.

Manter as "pretensões" da Igreja

As “aberturas” do Concílio Vaticano II estão na fonte “magisterial” desta atitude de resignação, ainda que já existisse na prática muito antes e de muitas maneiras. Quando a declaração Dignitatis humanæ sobre a liberdade religiosa em seu n. 2 afirmou que "todos os homens devem estar livres de toda coerção de indivíduos, bem como de grupos sociais e de qualquer poder humano, de modo que em questões religiosas ninguém seja forçado a agir contra sua consciência nem impedido de agir, dentro de limites justos , segundo a sua consciência, tanto em privado como em público, só ou associada a outrem ”, renunciou ao ideal de nação“ baptizada ”, ainda que esta nação, para evitar males maiores, aplique tolerância à propagação de outros cultos e outras doutrinas. A "hipótese", na altura do último concílio, tornou-se "tese", um retrocesso considerável do ponto de vista da confissão da fé, sendo o princípio mais geral dos direitos da Igreja abandonado. De repente, Dom de Moulins-Beaufort, presidente da CEF, pôde escrever em sua carta pública ao presidente Macron: “Nunca pedimos um privilégio ou uma isenção das regras comuns. Nós simplesmente pedimos que as regras comuns a toda a sociedade se apliquem a todos os cultos. " E continuou: “Ele [o Estado] deve zelar pela valorização dos órgãos intermediários, lembrando-os de suas responsabilidades”. A Noiva de Cristo está entre os "corpos intermediários" da sociedade nacional.

Já havíamos mencionado, em 19 de Maio de 2020 (https://www.resnovae.fr/la-liberte-intrinseque-du-culte-divin/), as relevantes observações do cientista político Olivier Roy, em artigo do Nouvel Observateur de 8 de Maio de 2020: “Ainda que a Igreja estivesse muito ciente de sua menorização na sociedade, acreditava que estava imune à crescente religiofobia. Ela agora leva na cara: a polícia está caçando massas "clandestinas", obviamente denunciadas pelos vizinhos, como se fossem "muçulmanos vulgares"! Ela acreditava que sua lealdade ao laicismo republicano manteria aquela primazia que até o protocolo republicano havia concedido a ela até agora [...] Como a Igreja está reagindo? Pois bem, precisamente por se apresentar como comunidade particular, a dos consumidores de bens sagrados: “queremos missa, confissão, hóstia”. Portanto, apela à liberdade religiosa consagrada na lei e na constituição: o direito não só de crença e opinião, mas também de prática em um quadro colectivo. Mas, ao reivindicar os direitos humanos e os direitos das minorias, não só confirma a sua marginalização, mas também a sua "auto-secularização" ".

Pelo contrário, a afirmação teórica dos direitos da Igreja é da maior importância hoje. Como um "pretendente" a uma coroa da qual é destituído - se é que hoje há príncipes que realmente o reivindicam -, a Igreja deve mostrar que nunca renuncia aos seus direitos nativos, disposta a aproveitar todas as oportunidades para os fazer valer. Fazendo o que é concretamente possível para exercê-los, aproveitando a liberdade que lhe é concedida por um aparelho político que os ignora, nunca deve negar a totalidade dos princípios - a afirmação da sua liberdade como Esposa de Cristo - recordando-os oportunamente, sobretudo exortando os católicos a se precaverem contra a tentação inerente ao uso “técnico” das liberdades modernas, que é a de aderir mais ou menos a essas liberdades.


Fonte: Le Salon Beige

08 maio 2021

FAZ MUITA FALTA O LATIM...

 


Eis uma explicação muito simples:

O vocábulo "maestro" vem do latim "magister" e este, por sua vez, do adjectivo "magis" que significa "mais" ou "mais que". Na antiga Roma o "magister" era o que estava acima dos restantes, pelos seus conhecimentos e habilitações!
Por exemplo um "Magister equitum" era um Chefe de cavalaria, e um "Magister Militum" era um Chefe Militar.
Já o vocábulo "ministro" vem do latim "minister" e este, por sua vez, do adjectivo "minus" que significa "menos" ou "menos que". Na antiga Roma o "minister" era o servente ou o subordinado que apenas tinha habilidades…

COMO SE VÊ, O LATIM EXPLICA A RAZÃO POR QUE QUALQUER IMBECIL PODE SER Ministro... mas não Maestro!

Este texto foi escrito em profundo desacordo e intencional desrespeito pelo novo Acordo Ortográfico

Fonte: Eduardo Amarante

Livro "Presos por um Fio Portugal e as FP-25 de Abril"

 


SINOPSE

Com Presos por um Fio chega-nos finalmente o relato livre e documentado de uma das páginas mais negras da história do Portugal recente. É o trabalho de investigação que vem resgatar do esquecimento colectivo a trágica tentativa de impor - pela força das armas e do terror - ao povo português um projecto político que ele explicita e reiteradamente rejeitara.

Estudo histórico que conta pela primeira vez toda a verdade sobre as FP-25 de Abril, Presos por um Fio é também uma chamada de atenção para como uma outra vez na história contemporânea portuguesa forças de extrema-esquerda passaram do combate político ao extermínio físico daqueles que considerava seus inimigos.


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07 maio 2021

Depois de Vós, Nós

 


‘Nada consubstancia melhor a ideia monárquica do que a simples frase, do ex-libris que era usado por D. Manuel II "Depois de Vós, Nós". A coroa estabeleceu princípios para servir a colectividade. Poderiam uns reis ter manifestado de uma maneira mais ou menos expressiva esse espírito, mas o que nós encontramos ao longo da monarquia é a ideia de serviço permanente: servir o Estado, administrar a justiça, providenciar na administração, valer aos necessitados, construir igrejas, abrir hospitais.’


Joaquim Veríssimo Serrão (Santarém, 8 de Julho de 1925 - Santarém, 31 de Julho de 2020) | Historiador português in ‘A Génese e o Valor da Monarquia em Portugal’, Lisboa, 1984