terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O centralismo

"Centralização significa a absorção de toda a actividade dos corpos intermediários e mesmo dos indivíduos pelo Estado. Esta absorção cresce desde a famosa francesada de 1789 até hoje, de modo que é possível dizer que hoje todos os Estados são tiranias.
O maior ladrão de qualquer Estado é o Governo. O publicista Bertrand de Jouvenel, no seu denso tratado "O Poder", compreende que essa absorção é inevitável no Estado, que o crescer é essencial ao Estado. Deveria ter acrescentado a condicionante: a menos que outro não o impeça.
Com efeito, a função natural dos poderes parciais e relativos - Família, Município, Grémio, Dinheiro, Universidade, Exército - é limitar o poder, em si açambarcador, do Poder Central.
Hoje em dia o Estado faz de tudo excepto muitas vezes o que deveria fazer. De sapateiro a construtor de casas, o Estado mete-se em tudo."
Leonardo Castellani no prólogo do livro "Nociones de comunismo para católicos", de Enrique Elizalde


domingo, 22 de fevereiro de 2026

Roteiros Reais - Visita ao Museu da Cidade de Lisboa, no Palácio Pimenta

A Real Associação de Lisboa retoma os seus Roteiros Reais no próximo dia 28 de Fevereiro (Sábado) pelas 10:30hs para uma visita ao Museu da Cidade de Lisboa, no Palácio Pimenta.

Esta será uma oportunidade de visitar o Palácio Pimenta, um solar do séc. XVIII situado no Campo Grande, e conhecer a evolução da cidade desde a pré-história até ao séc. XX. Os pontos principais da exposição incluem uma maqueta de Lisboa anterior ao terramoto de 1755, os jardins com cerâmicas de Bordallo Pinheiro e uma rica colecção de azulejos, pintura e arqueologia.

Esta visita tem lugares limitados e terá um custo de 10,00€ por pessoa. Para mais esclarecimentos e inscrições, contacte-nos através do endereço secretariado@reallisboa.pt, pelo telefone 213 428 115 ou presencialmente na nossa sede de 2ª a 6ª feira no NOVO HORÁRIO entre as 14:00hs e as 17:00hs.

Contamos consigo!

Fonte: Real Associação de Lisboa

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Das sagradas Quinas

Em algumas memórias antigas e particularmente no livro das Armas composto por António Soares de Albergaria, se acha que as Armas antigas do Reino de Portugal eram uma Cidade branca em campo azul, sobre ondas verdes e douradas, em memória do Porto de Gale que lhe deu princípio, junto da foz do Rio Douro. Cessaram estas Armas tanto quando o Conde D. Henrique entrou no Senhorio de Portugal, porque este Príncipe usou algum tempo de um escudo branco somente, sem figura nem divisa alguma. Depois assentou no escudo uma Cruz azul, daquele feitio a que na frase de Armaria chamam Potetea. Destas mesmas Armas usou seu filho el-Rei D. Afonso Henriques, até que Cristo Senhor nosso, querendo fundar no Reino de Portugal uma Monarquia singularmente Sua, no ano de mil cento e trinta e nove do Seu Nascimento, estando o dito Príncipe recolhido na sua tenda, na noite antecedente à batalha em que venceu cinco Reis Mouros e lhes tomou cinco bandeiras e cinco escudos, lhe apareceu cercado de resplendores, e depois de lhe prometer grandes vitórias contra os infiéis, lhe deu com o título de Rei suas cinco Chagas por Armas, e os trinta dinheiros porque foi vendido aos Judeus. Seguiu-se ao outro dia a vitória e foi aclamado Rei de Portugal o Príncipe D. Afonso Henriques, não só pelo exército, mas pelos povos nas Cortes que logo celebrou em Lamego; e fazendo solene juramento em Coimbra deste sucesso a vinte e nove de Outubro, ano de mil cento cinquenta e dois, mandou a seus descendentes que trouxessem por Armas cinco escudos postos em Cruz, e em cada um deles os trinta dinheiros; Timbre a Serpente de Moisés, por ser figura de Cristo. Por diferentes modos organizaram este escudo das Armas os Reis antigos de Portugal, até que ultimamente el-Rei D. João II o formou pela ordem com que hoje o vemos, e em campo de prata cinco escudos azuis postos em Cruz; e em cada escudo cinco dinheiros de prata em aspa. Representam os cinco escudos as cinco Chagas, e estes contados segunda vez com os vinte e cinco dinheiros, fazem trinta, porque foi vendido Cristo aos Judeus. El-Rei D. Afonso III lhe acrescentou por orla sete castelos de prata em campo de sangue, que são as Armas do Reino do Algarve.

Pe. D. Rafael Bluteau in «Vocabulário Português e Latino», Tomo VII, 1720


Fonte: Veritatis

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Santa Jacinta Marto

Há 106 anos, no dia 20 de Fevereiro de 1920, foi para o Céu Jacinta Marto, a mais nova dos Pastorinhos de Fátima:

“Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo. Quando Lho digo muitas vezes, parece que tenho um lume no peito, mas não me queimo.

Se eu pudesse meter no coração de toda a gente o lume que tenho cá dentro no peito a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria.”

Santa Jacinta Marto (Memórias da Irmã Lúcia)


Quaresma

O Dilúvio durou 40 dias e 40 noites...
foi a preparação para uma nova humanidade.

Durante 40 anos esteve Israel no deserto...
a caminho da Terra Prometida.

Durante 40 dias fizeram penitência os Ninivitas...
antes de receberem o perdão de Deus.

Durante 40 dias e 40 noites caminhou Elias...
até chegar à Montanha de Deus.

Durante 40 dias e 40 noites Moisés e Jesus jejuaram...
no início da Missão.

Assim os 40 dia da Quaresma,
são também um tempo especial
de conversão e renovação,
de preparação para a Páscoa.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

SAR O Duque de Bragança foi recebido na Quinta da Vigia pelo Presidente do Governo Regional, Dr. Miguel Albuquerque

S.A.R. o Duque de Bragança foi recebido na Quinta da Vigia pelo Presidente do Governo Regional, Dr. Miguel Albuquerque.

O Senhor D. Duarte encontra-se na Região Autónoma da Madeira por ocasião das cerimónias de distinção de jovens madeirenses com o The Duke of Edinburgh’s International Award Portugal.

Fonte: Casa Real Portuguesa

SAR O Duque de Bragança foi recebido em audiência pela Presidente Assembleia Legislativa da Madeira, Dra. Rubina Leal

S.A.R. O Duque de Bragança foi recebido ontem em audiência pela Presidente Assembleia Legislativa da Madeira, Dra. Rubina Leal.

Durante o encontro foi sublinhada a relevância do programa do The Duke of Edinburgh’s International Award, que há mais de seis décadas desafia e capacita jovens em todo o mundo.

Na Região Autónoma da Madeira, o Prémio mantém-se ativo e em crescimento desde 2010, um exemplo concreto de aposta na formação integral e no potencial das novas gerações.

O The Duke of Edinburgh’s Award (ou Prémio Internacional do Duque de Edimburgo em Portugal) é um programa mundial de desenvolvimento pessoal e juvenil, fundado em 1956 pelo Príncipe Philip do Reino Unido, que desafia jovens de 14 a 24 anos a completarem atividades voluntárias, físicas, de competências e de aventura para ganharem autoconfiança, resiliência e competências para a vida.  Em Portugal, o Duque de Bragança é o seu presidente.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

São Teotónio, o primeiro santo português


18 de Fevereiro é dia de São Teotónio, o santo que ajudou a fundar Portugal. São Teotónio nasceu em Valença, em 1082, tendo sido criado pelo seu tio-avô e Bispo de Coimbra, D. Crescónio. Formado em Teologia e Filosofia em Coimbra e Viseu, tornar-se-ia Prior da Sé desta cidade em 1112.

Peregrinou por duas vezes à Terra Santa. Quando regressou da primeira, foi-lhe oferecido o Bispado de Viseu, que recusou. Ao voltar da segunda, em 1131, fundou com outros dez homens de grande virtude o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, tornando-se o seu primeiro prior, revelando-se um membro eminente e muito admirado, nomeadamente por São Bernardo de Claraval.

Em 1153 o Papa Adriano IV quis fazer de São Teotónio Bispo de Coimbra, seguindo o legado do seu tio-avô, mas o santo recusou.

São Teotónio assumir-se-ia desde cedo como um fervoroso apoiante da independência portuguesa, inclusive como conselheiro de D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal. Tido como homem muito respeitado e de grande valor, terá sido ele a convencer o Rei a libertar milhares de moçárabes que tinham sido feitos cativos na sequência da guerra de Reconquista realizada pelas tropas portuguesas.

São Teotónio foi um importante participante no processo político-religioso que culminaria com o reconhecimento da independência de Portugal pelo Papa Alexandre III em 1179, com a bula “Manifestis Probatum”.

Falecido a 18 de Fevereiro de 1162, não chegaria a assistir a tal momento marcante da História portuguesa, tendo sido sepultado numa capela do Mosteiro de Santa Cruz, junto do túmulo de D. Afonso Henriques.

Em 1163, um ano após a sua morte, o Papa Alexandre III canonizou-o, fazendo de São Teotónio o primeiro santo português. O seu culto foi espalhado pelos agostinianos um pouco por todo o mundo, sendo até aos dias de hoje o santo padroeiro da cidade de Viseu e da respectiva diocese. É ainda padroeiro da sua terra natal, Valença.

No concelho de Odemira, uma extensa freguesia foi também baptizada com o nome do santo, que é também seu padroeiro. A Igreja Católica celebra-o no dia da sua morte, 18 de Fevereiro.

Miguel Louro in 'Nova Portugalidade'