8 de dezembro de 2019

Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, Rainha de Portugal - Dia da Mãe


Em todas as fases da História de Portugal, Nosso Senhor concedeu à nação lusa especiais graças de predilecção. E que maior graça de predilecção poderia prodigalizar, senão uma intensíssima devoção a Nossa Senhora, devoção essa que é o sinal dos predestinados?

Já vimos nos capítulos anteriores como a devoção mariana marcou profundamente a história lusa.

Desde a fundação do Reino, essa devoção estava presente de modo insigne: na cura milagrosa, atribuída a Nossa Senhora de Cárquere, de D. Afonso Henriques menino, primeiro Rei e homem-símbolo do Portugal nascente; no relacionamento com Santa Maria de Claraval, a quem Portugal foi consagrado como feudatário, como feudatário também foi de São Pedro Apóstolo; em incontáveis invocações que acompanharam passo a passo o esforço dos primeiros reis, para livrar o território luso do inimigo agareno.

Uma vez expulso o invasor, veio um período de guerras intestinas, no qual também esteve bem marcada a devoção a Maria Santíssima. Nesse período brilhou, como estrela de brilho magnífico, a virtuosíssima Rainha Santa Isabel, que perfumou toda a História de Portugal. Princesa da Casa Real de Aragão, com apenas 9 anos de idade foi para Portugal, onde completou a sua educação para a vida e sobretudo para a santidade.

Vieram depois as guerras para assegurar a independência e – bem incomparavelmente mais alto – a fidelidade à Santa Sé Romana. Também nessa fase foram muitas as devoções mariais; Nossa Senhora da Vitória, Santa Maria do Assumar, Nossa Senhora do Carmo, Santa Maria de Agosto, a Imaculada Conceição. Como homem-símbolo do Portugal dessa fase, sem dúvida se destaca o Santo Condestável.

Seguiu-se a fase das Navegações. Por toda a superfície da Terra os portugueses foram erigindo igrejas a Nossa Senhora, desde a primeira delas, em Ceuta, até o remotíssimo e tão querido e sofrido Timor, cuja Catedral, em Díli, é também consagrada a Nossa Senhora, sob a invocação da Imaculada Conceição. Homens-símbolos não faltam nesse período, desde o Infante D. Henrique com a Ínclita Geração, até, no crepúsculo dessa era de glória, o inigualável Rei D. Sebastião.

Na triste fase em que Portugal perdeu sua independência – e na perda dessa independência, como também em Alcácer-Quibir, causa próxima da perda, como não ver um castigo da Providência pelas infidelidades de seus filhos portugueses? – foi em Vila Viçosa que se concentraram as esperanças de Restauração. Vila Viçosa foi, com efeito, um foco de intensíssima devoção marial, que se irradiava para o Alentejo, para todo o Portugal continental e ultramarino. Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa foi, pode-se dizer, símbolo e penhor da Restauração. Foi a seus pés, sob seu olhar e não sem sua milagrosa protecção que se consumou em 1640 a Restauração.

Com o natural reerguer-se da nação, seguiu-se uma era de grande esplendor marial. São desse tempo a consagração do Reino a Nossa Senhora e o juramento da Universidade de Coimbra, de defender o privilégio da Imaculada Conceição.

Em todos os primeiros sete séculos da História de Portugal, sempre os reis estiveram à frente do imenso movimento global das almas em direcção a Nossa Senhora – com excepção, infelizmente, do período pombalino e, de certa forma, dos monarcas liberais do século passado, que pagaram pesado tributo aos erros do seu tempo.

O Brasil muito se beneficiou com a devoção a Nossa Senhora trazida pelos portugueses. Além do Padroado de Nossa Senhora da Conceição, literalmente incontáveis são as igrejas e capelas, sob as mais diversas invocações, consagradas no Brasil por obra dos portugueses. Essa terna e filial devoção a Nossa Senhora é precisamente um dos maiores benefícios que Portugal trouxe ao Brasil.

Já no século XX, precisamente sete anos após a instalação de uma república laica e persecutória da Igreja, Nossa Senhora Se dignou aparecer em Fátima e tomar a Terra de Santa Maria como pedestal de cima do qual falou ao mundo inteiro.

Na terceira aparição, a 13 de Julho de 1917, depois de mostrar aos três videntes o Inferno, disse a Virgem:

"Vistes o Inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração.

Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.

A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo dos seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.

Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

Em Portugal se conservará sempre o Dogma da Fé, etc.

Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo".

Trata-se de uma mensagem sumamente séria, sumamente grave, mensagem profética e anunciadora de dias terríveis que ainda estão por vir. Mas mensagem que, em meio à tragédia, contém duas promessas de um valor inestimável: "Por fim o meu Imaculado Coração triunfará", e "Em Portugal se conservará sempre o Dogma da Fé".

A primeira dessas promessas é de âmbito mundial, sem dúvida; a segunda, mais restrita a Portugal, embora tenha sido formulada depois, de certa forma se ordena à primeira. De facto, só se pode entender a conservação do Dogma da Fé em Portugal como um elemento do triunfo global do Imaculado Coração de Maria, ou até como um meio para tal triunfo.

É muito bonito ver que, 800 anos depois de Ourique, em última análise Nossa Senhora veio reafirmar a mesma promessa de aliança que seu filho fizera a D. Afonso Henriques. Portugal parecia ter esquecido dela... mas Nossa Senhora veio lembrá-la.

"Quase todos os portugueses estamos convencidos de que Ela veio a esse coração de Portugal, que é Fátima, retomar o padroado da nossa terra, que pareceu quererem arrebatar-Lhe. Aquela, a quem a Igreja chama a Virgem fiel, não abandonou os que queriam abandoná-La" – disse o Cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira em 1946, quando se comemoravam os 300 anos da consagração de D. João IV.

Meio século depois [1996], tais palavras permanecem actualíssimas.

Armando Alexandre dos Santos in «O Culto de Maria Imaculada na Tradição e na História de Portugal».

Fonte: Veritatis

7 de dezembro de 2019

Conversas Reais com Miguel Metelo de Seixas



A Real Associação de Lisboa regressa aos Jantares Tertúlia "Conversas Reais" já no próximo dia 12 de Dezembro, quinta-feira, pelas 20:00hs, tendo como convidado o presidente do Instituto Português de Heráldica Miguel Metelo de Seixas, para uma conversa informal subordinada ao tema “Entre tradição e norma: a questão da correcta representação das Armas Nacionais”, no restaurante Parlatório (Rua de São Bento, 334).

O preço do jantar é de 20,00€ por pessoa e poderá reservar comodamente o seu lugar aqui, ou contactar-nos através do endereço secretariado@reallisboa.pt, pelo telefone 21 342 81 15 ou presencialmente na nossa sede, no novo horário de atendimento: de segunda a sexta-feira das 11:00 às 14:00.
Contamos com a sua presença!

6 de dezembro de 2019

Programa das celebrações do dia da Imaculada Conceição em Vila Viçosa

Conheça o programa das celebrações do dia da Imaculada Conceição em Vila Viçosa


Novena Preparatória de 29 de Novembro a 7 de Dezembro
21h – Terço e pregação
Dia 3 de Dezembro
21h – Celebração Penitencial
Dia 4 de Dezembro
15h30 – Celebração da Santa Unção
Dia 6 de Dezembro
14h30 – Encontro das crianças de Vila Viçosa com Nossa Senhora
Dia 7 de Dezembro
17h – Acolhimento aos Peregrinos no Santuário
18h30 – Eucaristia com Bênção das Grávidas
21h – Encerramento da Novena
 – Procissão das Velas á volta do Castelo
– Vigília de Oração
8 de Dezembro
Dia da Padroeira
9h30 – Acolhimento de peregrinos e recitação do Terço a cargo das Confrarias de Nossa Senhora da Conceição
11h – Eucaristia da Solenidade da Imaculada Conceição presidida por S. Ex.ª Reverendíssima o Senhor Arcebispo de Évora D. Francisco Senra Coelho
14h30 – Recitação do Rosário a cargo da Mesa das Confrarias de Nossa Senhora da Conceição
15h – Início da Procissão em Honra de Nossa Senhora da Conceição pelas ruas de Vila Viçosa
17h – Final da Procissão e Eucaristia da tarde
18h30 – Acto de Consagração e Encerramento das Solenidades

4 de dezembro de 2019

O Brasil também celebra o 1º de Dezembro, pois sem a Restauração de Portugal não haveria Brasil hoje

A imagem pode conter: céu e ar livre

Militares brasileiros hasteiam a bandeira da Restauração do Primeiro de Dezembro de 1640. Quando a Liberdade veio, não germinou somente no Portugal europeu: espalhou-se daqui para todos os pontos do império em extraordinária prova de unidade de anseios e de esperanças. Quando soou o brado libertador, todos os portugueses de todos os continentes, excepto os de Ceuta, responderam ao apelo e marcharam para a batalha. Toda a Portugalidade se levantou; a Restauração foi dos portugueses de cá e dos de além-mar: dos luso-brasileiros, dos luso-angolanos, dos luso-moçambicanos, dos indo-portugueses. Todos lutámos pela Liberdade, e fomos todos, juntos, que a readquirimos. Que nunca o esqueçamos.


3 de dezembro de 2019

SAR, D. Duarte Pio diz que pode ser o momento para "equacionar a adoção do voto obrigatório"


Não a considera "a solução ideal", mas justifica-a com a abstenção e distanciamento dos jovens face à política. O Duque de Bragança falou no "Jantar dos Conjurados", em que se comemorou uma data histórica.

O Herdeiro do trono português, D. Duarte Pio, defendeu este sábado que se deve equacionar a adopção do voto obrigatório em eleições para combater a “forte abstenção” e “a desilusão” dos portugueses em relação à política.
“Os mais recentes actos eleitorais mostram um elevado descontentamento do eleitorado relativamente às forças políticas tradicionais”, refere a mensagem do Duque de Bragança, por ocasião do aniversário da restauração da independência de Portugal, lida no “Jantar dos Conjurados”, que decorre na véspera do feriado nacional.
Segundo D. Duarte Pio, a forte abstenção dos portugueses em todos os actos eleitorais mostra descontentamento e “desilusão por parte dos cidadãos”, sinais que considera “visíveis nas gerações jovens, que não se sentem representadas”.
Por isso, e porque a situação “poderá degenerar em consequências graves no futuro”, D. Duarte Pio admite que este poderá ser “o momento para, em Portugal, se equacionar o voto obrigatório ao mesmo tempo que as instituições do regime se reabilitam e moralizam”.
Embora considere que não é “a solução ideal”, o Duque de Bragança defende que a medida “poderá contribuir para o aumento do interesse dos portugueses pela causa política”.
Na sua mensagem, o Herdeiro do trono português diz estar preocupado com “uma debandada dos jovens para o estrangeiro por falta de condições de vida, considerando que o país está a “deixar escapar” um “activo muito valioso”.
No mesmo sentido, defende a adopção de políticas que defendam as famílias e promovam a natalidade, “através de medidas de apoio social, inteligentes”.
Além disso, D. Duarte Pio deixa também uma crítica velada ao facto de o debate sobre a eutanásia regressar ao parlamento no próximo ano, na sequência de projectos que os partidos Bloco de Esquerda, PAN e PS pretendem apresentar.
“Para além de se verificar uma dramática baixa de natalidade em Portugal, vemos agora uma perversa lógica de facilitar e antecipar a morte, ao invés de se promoverem os cuidados paliativos que permitem um fim de vida tranquilo e natural”, critica.
D. Duarte Pio lamenta que os portugueses assistam “por todo o lado às limitações do Estado”, seja através de “intermináveis listas de espera para consultas, cirurgias e outros actos médicos”, seja por “notícias de situações de negligência por parte de estruturas do Estado em Tancos, em Pedrógão ou no rio Tejo”, ou ainda por “situações de corrupção” das “chamadas elites” que não têm consequências, porque a justiça é “demasiado lenta”.
O Duque de Bragança considera ainda “pouco explicável a situação de degradação das forças de segurança”.
Apesar de sublinhar o “tanto [que estas forças] têm dignificado Portugal”, D. Duarte Pio lamentou o “desinteresse crescente” de que têm sido alvo.
Outro dos assuntos a que defende dever ser dada atenção é o das mudanças climáticas, referindo que “o pensamento monárquico dá prioridade aos valores permanentes da pátria, enquanto outros estão mais preocupados em manter o poder nas próximas eleições”.
Apesar das preocupações, D. Duarte Pio acredita que Portugal “continua a ser um país aberto ao mundo”, onde muitas empresas querem investir, e que tem “uma enorme capacidade de acolhimento de comunidades de imigrantes.
“Numa fase da Europa em que existe uma crise dos refugiados e em que poderes europeus pouco fazem para a resolver, quero saudar a figura do indefectível monárquico que foi Aristides Sousa Mendes que, contrariando instruções recebidas, salvou a vida a muitos milhares de refugiados que procuravam escapar ao holocausto”, conclui.
Fonte: Observador

2 de dezembro de 2019

1° de Dezembro – Dia da Restauração da Independência


Não fora o facto da ânsia de liberdade ir fazer eclodir, por fim, a revolta na capital, aquele dia 1 de Dezembro do ano de 1640, em tudo se assemelhava a um normal dia de Outono, pois a cidade de Lisboa acordara para o rame-rame habitual: os coches a rolarem com as senhoras da nobreza que se dirigiam para a missa, os operários das diversas guildas a desempenharem os seus mesteres, as tabernas com os habitués. Mas sentia-se o odor a mistério e a conspiração no ar! E os avisados, de quando em vez, desligavam-se da rotina dos seus afazeres e olhavam em volta procurando desenvolvimentos.
Assomaram então no Paço da Ribeira, como que surgidos de uma bruma que nem havia, o grupo patriótico dos 40 e tal Conjurados, entre eles, D. Antão de Almada – Conde de Avranches -, D. Miguel de Almeida – o de maior idade -, Francisco de Mello e seu irmão Jorge de Mello. Também, além de outros, António Saldanha, Pedro de Mendoça Furtado, Fernão Telles de Menezes, D. Manrique da Silva, Bernardim de Távora e o Dr. João Pinto Ribeiro.
Às 9h15m certas, invadiram o palácio da Duquesa e dominaram-lhe, facilmente a Guarda Alemã; o Povo, que entretanto se juntara por passa a palavra e que desemborcara serpenteando de todos os lados, seguindo o Crucifixo do Padre Nicolau, ficou a aguardar no Terreiro do Paço o sinal de que a revolução tinha sido bem-sucedida, o que ocorreria com a defenestração de Miguel de Vasconcellos.
Miguel de Vasconcellos e Brito, Senhor do Morgado da Fonte Boa, era um oportunista político, tornando-se odiado pela nobreza e pelo povo por, sendo português, trair a sua Pátria e colaborar com a representante real servindo assim por interposta pessoa um Príncipe estrangeiro, Miguel de Vasconcellos seria a primeira e justa vítima da Restauração.
Aproximando-se o Natal do ano 1640, como a maioria dos castelhanos partira para Espanha, na capital portuguesa, ficaram a Duquesa de Mântua, a espanhola que, desde 1634, ocupava o cargo de Vice-rainha de Portugal, e o seu Secretário de Estado, o português Miguel de Vasconcellos e Brito. Margarida de Sabóia, Duquesa consorte de Mântua, era filha de Carlos Emanuel I, Duque de Sabóia e da Infanta Catarina Micaela de Espanha o que fazia dela neta materna de Felipe II – Felipe III de Espanha, o Rei-planeta – e prima direita de Felipe III – IV de Espanha. Esse parentesco fazia da Duquesa de Mântua um importante membro da família imperial dos Áustria ou Habsburgos, e por meio de uma aliança matrimonial casou com o futuro duque Francisco IV de Mântua e de Montferrat. Para esta nomeação na qual exerceu as funções de vice-rei de Portugal, em dependência do rei de Espanha, valeram-lhe as relações de parentesco real, mas, pela sua importância, devem ser reconhecidos os esforços de Diogo Soares, do Conselho de Portugal na capital espanhola, valido do Conde-Duque de Olivares e parente de Miguel de Vasconcellos que, em 1635, foi nomeado Secretário de Estado de Portugal, encarregando-se do governo do Reino.
Após, penetrarem no palácio, os patrióticos conspiradores procuraram pelo insidioso traidor, mas do secretário de estado nem sinal. E por mais voltas que dessem, não encontravam Miguel de Vasconcellos. Já tinham percorrido os salões, os gabinetes de trabalho, os aposentos do ministro, e nenhum sinal da criatura.
Ora acontece que Miguel de Vasconcellos, espantadiço, quando se apercebeu que não podia fugir, encolhera-se num armário fechado por dentro, com uma arma em riste. Mas o tamanho do armário era diminuto e o fugitivo, ao tentar posição mais confortável, remexeu-se lá dentro, restolhando a papelada lá guardada, denunciando-se.
Foi quanto bastou para os Conjurados patriotas rebentarem a porta e o crivarem de balas. Era hora de dar o sinal ao Povo atirando o traidor pela janela fora!
Ainda antes, os Conjurados proclamaram “Rei” Dom João II de Bragança, aos gritos de:
“Liberdade! Liberdade! Viva El-Rei Dom João IV!”
Depois de D. Miguel de Almeida gritar à janela do Paço Real, “o Duque de Bragança é o nosso legítimo Rei!”, ocorreu, então, a célebre defenestração sendo o corpo de Miguel de Vasconcellos arremessado pela janela, caindo, ressupino, no meio de uma multidão enfurecida que acicatou sobre o cadáver todo o ódio acumulado por 60 anos de ocupação, cometendo verdadeiras atrocidades. Depois de ofendido pela turba justiceira, o destroço – que outrora constituiu um corpo – foi deixado in loco na marca da queda para ser desgastado e corroído pelos cães – sinal da mais genuína profanação e destino merecido por todos os traidores da Pátria.
A Duquesa de Mântua, abandonada pela guarnição castelhana, tentou, em vão, aplacar os ânimos do povo amotinado na Praça. Terá sido neste transe que, diante dos Conjurados, tentando assomar à janela do Paço para pedir a lealdade do povo, D. Carlos de Noronha, um dos líderes da sublevação, lhe terá remetido a frase:
“Se Vossa Alteza não quiser sair por aquela porta, terá que sair pela janela…”.
Temendo o mesmo destino, o de ser defenestrada como Miguel de Vasconcellos e Brito, isolada e sem apoios locais, a Duquesa, foi aprisionada nos seus aposentos.
Eram 9h30m do 1.º de Dezembro de 1640 e a Revolução, que pôs fim ao domínio castelhano de seis décadas, durou um curtíssimo quarto de hora e foi imediatamente apoiada por muitas comunidades urbanas e concelhos rurais em todo o país.
A 6 de Dezembro, D. João II, Duque de Bragança, desembarcaria na Casa da Índia e, como um César vitorioso, entraria triunfante, em Lisboa, para o seu desfile perante a ovação e os “Vivas!” de todos.
Viv’á Restauração! Viv’ó 1.° de Dezembro! Viva Portugal Independente!
Miguel Villas-Boas

1 de dezembro de 2019

Mensagem de S.A.R. o Senhor D. Duarte de Bragança | 1 de Dezembro de 2019



Mensagem de S.A.R. o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, que foi proferida no Jantar dos Conjurados, que se realizou na Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em Lisboa, a 30 de Novembro de 2019.

30 de novembro de 2019

D. Catarina de Bragança – O Chá em Inglaterra e Muito, Muito Mais


A 25 de Novembro de 1638 nascia D. Catarina de Bragança, Infanta de Portugal e Rainha de Inglaterra ao casar, em 1662, com o Rei Carlos II e que foi responsável pela introdução, em Inglaterra, do Chá e Muito Mais.
Em 1661, a Rainha regente D. Luísa de Gusmão, digníssima viúva d’El Rei Dom João IV, o Restaurador, declarou em Cortes o contrato nupcial, aprovado pelo Conselho de Estado, do casamento da Infanta Dona Catarina Henriqueta de Portugal com o Rei Carlos II de Inglaterra. Seguiu-se um contrato de paz, com artigos muito curiosos, publicado no Gabinete histórico, de Frei Cláudio da Conceição, onde vem a descrição do real consórcio:
«0 nosso augusto Soberano Lorde Carlos II, pela Graça de Deus, rei da Grã-Bretanha, França e Irlanda, Defensor da Fé e a Ilustríssima Princesa D. Catarina, Infanta de Portugal, filha do falecido D. João IV, e irmã de D. Afonso, presente rei de Portugal, foram casados em Portsmouth na quinta-feira, vigésimo segundo dia de Maio, do ano do N. Sr. de 1662, 14.º do reinado de SM, pelo R. R. F. in G. Gilbert, Bispo Lorde de Londres, Deão da Real Capela de Sua Majestade na presença de grande parte da nobreza dos domínios de Sua Majestade e da de Portugal.»
Dona Catarina não foi uma rainha popular em Inglaterra por não ter descendência e por ser católica – o que a impediu de ser coroada -, mas uma infanta nascida e criada no seio de uma família real ilustrada, culta; educada nos costumes e hábitos tradicionais portugueses não podia deixar de ter uma influência indelével na nação que, apesar de tudo, a não acolhera. Assim, entre muitos hábitos e práticas que levou, ficará, para sempre, como a responsável pela introdução do chá em Inglaterra. De facto, Dona Catarina levou como dote os territórios de Bombaim (actual Mumbai) e Tânger – ganhando assim a Inglaterra o início de um Império -, mas muito mais.

Natural da China, o chá foi introduzido na Europa pelos portugueses no século XVI. Assim, este foi um hábito que Dona Catarina levou de casa e que continuou a seguir em Inglaterra, organizando reuniões de senhoras a meio da tarde na qual se bebericava a famosa e reconfortante bebida.

O hábito de beber chá já existiria, num período em que a Companhia das Índias Orientais o estava a vender abaixo do preço comercializado pelos Holandeses e o anunciava como uma panaceia para a apoplexia, epilepsia, catarro, cólica, tuberculose, tonturas, pedra, letargia, enxaquecas e vertigem – um verdadeiro cura tudo e mais alguma coisa -, mas foi Dona Catarina de Bragança que o transformou na “instituição” que os ingleses hoje conhecem por “Chá das Cinco”, o tão famoso quanto imprescindível “five o’clock tea”. Bom, na realidade o chá não era tomado às cinco, mas sim às quatro, e o nome chá em inglês é TEA , ora essa palavra é oriunda do português pois referia-se ao nome dos barcos que o transportavam e que eram chamados de ‘Transporte de Ervas Aromáticas’.

Acresce que, o consumo deste produto era apanágio das esferas mais altas da sociedade. Em consequência, também, surgiu a expressão: “Ter falta de chá!”, dirigida a alguém que não tem educação ou que não tem maneiras, uma vez que o chá era originariamente consumido por famílias nobres, presumidamente mais sofisticadas. Hoje, claro que numa sociedade burguesa e plutocrata, em que o dinheiro é o mote, não está garantido que haja na alta-roda muito chá, até porque podem-no não ter tomado em pequeno!

Assim, Dona Catarina de Bragança deixou pelo menos a Inglaterra a rotina de beber chá que se tornou um dos hábitos tipicamente britânicos, mas que não foi o único: deixou, também, o costume do consumo da geleia de laranja. A compota de laranja que os ingleses designam de “marmelade”, usando, erroneamente, o termo português marmelada, foi levada pela Infanta portuguesa que recebia regularmente as remessas de cestas de laranjas enviadas pela mãe, algumas das quais azedavam na viagem. Dona Catarina conservara o costume português de fazer compotas e, curiosamente, a Rainha de Inglaterra servia a sua vingançazinha ao guardar a compota de laranjas doces para si, para as suas damas de companhia e amigas e a de laranjas amargas para as inimigas, particularmente, para as concubinas de Carlos II.

Mas a revolução cultural que Dona Catarina, Infanta de Portugal e Rainha de Inglaterra, operou na Corte inglesa não ficou por aqui. Também lá introduziu o uso dos talheres – pois antes disso os ingleses, mesmo a realeza e a aristocracia mais fina, comiam com as mãos, levando os alimentos à boca com três dedos (polegar, indicador e médio) da mão direita. Apesar de o garfo já ser conhecido só era usado para trinchar ou servir, ora na Corte Portuguesa, que à época ditava o bem ser, Catarina estava habituada a utilizá-lo para levar os alimentos à boca e, em breve, todos começaram a seguir o exemplo da Rainha portuguesa de Inglaterra.

Também foi Dona Catarina a introduzir o tabaco em Terras de Sua Majestade e em breve todos os ingleses passaram a andar de caixinha de rapé no bolso do colete.

Há já muito tempo que, em Portugal, se utilizavam pratos de porcelana para comer, ora em Inglaterra, ainda comiam em pratos de ouro ou de prata, muito menos higiénicos e que não conservavam a refeição quente; ora com a Infanta de Portugal a utilizar a ‘fine china’, a partir de aí, o uso de louça de porcelana generalizou-se, também, por lá.

Era hábito na Corte portuguesa os saraus em que se ouvia ópera, ora como Dona Catarina levara no seu séquito uma orquestra de músicos portugueses, foi por sua mão que se ouviu a primeira ópera em Inglaterra, legando dessa forma mais uma importante herança cultural.
E não é que a Infanta e Rainha da Casa de Bragança ainda lançou moda para equitação.

E haveria Império britânico sem o fabuloso dote de Dona Catarina de Bragança que para além da uma exorbitante quantia em dinheiro incluía ainda a cidade de Tânger, no Norte de África e a ilha de Bombaim, na Índia?! Pelo que, depois de receber a importante e estratégica Bombaim dos portugueses, o monarca inglês rei Carlos II autorizou a Companhia das Índias Orientais a adquirir mais territórios, nascendo, desse modo, o Império Britânico!

Por último, deram o seu nome a um bairro da Colónia de Nova Iorque (ainda não existiam os EUA) – Queens -, onde existe uma estátua de D. Catarina de Bragança.
Imagem: Óleo de Peter Lely (1618-1680) | Royal Collection Trust
Miguel Villas-Boas

29 de novembro de 2019

Duque de Bragança visita Moscovo e é condecorado pela Grã-Duquesa Maria Vladimirovna



O Duque de Bragança visitou Moscovo durante alguns dias a convite da Familia Imperial Russa.

O motivo principal da visita foi o renovado  fortelecimento dos laços fraternos seculares que existem entre a Casa Real Portuguesa e a Casa Imperial Russa.

Nesta ocasião, Dom Duarte de Bragança recebeu da Grã-Duquesa Maria Vladimirovna, amiga de longa data, a Ordem de Santo André, a mais alta condecoração Imperial.

O Chefe da Casa Real Portuguesa  retribuiu o gesto com o conferimento da Grã-Cruz da Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa ao Grão - Duque George filho da Grã- Duquesa .

Durante a cerimónia, organizada pela International Russian Assembly, que teve lugar no Palácio Tsaritsinio  foram condecorados com outras Ordens Imperiais Russas várias personalidades Russas entre as quais deputados, ministros, bispos e conhecidos beneméritos.

A Grã-Duquesa da Russa Maria Vladimirovna, que reside em Madrid visitou Portugal em 2003, fez questão de lembrar aos presentes que os laços de amizade entre as famílias vêm desde o tempo da Imperatriz Catarina, a Grande, que estabeleceu com a Rainha D. Maria I de Portugal um Tratado de Amizade e Cooperação no campo militar, económico e cultural.





Fonte: Lux