quinta-feira, 14 de maio de 2026

Quinta-Feira da Ascensão ou Dia da Espiga

Em Portugal, nesta Quinta-Feira da Ascensão, as pessoas iam para os campos em busca dos vários constituintes do Ramo da Espiga. Ramo que segundo reza a tradição será colocado atrás da porta principal de casa, local onde fica até ser substituído no ano seguinte. 

As Espigas devem ser sempre em número ímpar, e são a parte mais importante do ramo. Podem ser de trigo, centeio, aveia, ou qualquer outro cereal. Representam o pão, como a base do sustento da família, e a fecundidade. 

A Papoila, com a sua cor vibrante e quente, significa neste ramo o amor, e a vida. Sendo a parte mais garrida do ramo acaba por ser também aquele que mais se decai com o ano a passar, ao escurecer e secar. 

O Malmequer simboliza no ramo a riqueza e os bens terrenos. Isto pelo seu branco simbolizar a Prata, e ao mesmo tempo o amarelo simbolizar o Ouro. 

A Oliveira acaba por ter um duplo significado no Ramo da Espiga. Em parte significa a Paz, sendo que é um dos símbolos da Paz desde a antiguidade. Ao mesmo tempo é o símbolo da Luz, visto do seu óleo, azeite, se encherem as lâmpadas que alumiavam as casas. Sendo que esta Luz pode ser interpretada como o sentido divido da mesma, significando a sabedoria divina. 

O Alecrim, tal como a Oliveira é uma presença constante pelo mediterrâneo. Com o seu cheiro forte e duradouro, e sendo uma planta que resiste a quase tudo, simboliza no ramo a força e a resistência. Ao contrário da Papoila avançando no ano o seu cheiro vai-se aguentando, e a sua presença torna-se cada vez mais notada no ramo. 

A Videira é a representação do vinho, tão importante para a nossa cultura e tradição.

in Jornal de Mafra


quarta-feira, 13 de maio de 2026

31º ANIVERSÁRIO DO MATRIMÓNIO DE SS. AA. RR., OS SENHORES DUQUES DE BRAGANÇA

Hoje, dia 13 de Maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, comemora-se o aniversário de Matrimónio de SS.AA.RR., Os Senhores Duques de Bragança, Dom Duarte Pio e Dona Isabel.

Desejamos a Vossas Altezas as maiores felicidades e que Deus Vos Abençoe.

Que Nossa Senhora de Fátima esteja sempre presente no Amor, na Alegria e na Caridade dos Nossos Reis e Infantes.

VIVA O REI! VIVA A RAINHA!
VIVA A FAMÍLIA REAL!

3 acontecimentos marcantes no dia 13 de Maio de 1917

Há 109 anos, em lugares diferentes do Mundo, decorriam eventos que viriam a influenciar de modo decisivo o futuro da Humanidade: 

1 - 13 de Maio de 1917: Lenine, após o assassinato de uma professora de catequese e dos seus alunos, redige o "credo ateu" afirmando: "Já não há Céu, já não há Deus!"

2 - 13 de Maio de 1917: Nossa Senhora aparece pela primeira vez em Fátima aos três pastorinhos. No segundo segredo relevado pela Santíssima Virgem em Fátima está prometida a conversão da Rússia comunista.

3 - 13 de Maio de 1917: O Pe. Eugenio Pacelli é sagrado Arcebispo in partibus de Sardes, pelo Papa Bento XV, na Capela Sistina. 22 anos mais tarde foi eleito Papa e escolheu o nome Pio XII. Foi o primeiro Papa a ter uma ligação forte às aparições de Fátima, sendo conhecido nessa época como "Papa de Fátima". O Papa Pio XII viu o milagre do sol nos jardins do Vaticano no dia 30 de Outubro de 1950 às 16h.


terça-feira, 12 de maio de 2026

A proibição da Missa Tradicional é um abuso de poder

A liturgia romana tradicional da Missa foi a liturgia dos nossos antepassados. Foi a forma da Missa com que a maioria das nações europeias (excepto alguns países da Europa de Leste e os ritos ambrosiano e moçárabe), todas as nações americanas e a maioria das nações africanas, asiáticas e oceânicas foram evangelizadas.

«O que as gerações anteriores consideraram sagrado, permanece sagrado e grande para nós também» (Papa Bento XVI).

«O problema do novo Missal está em ter sido abandonada uma história sempre contínua, antes e depois de São Pio V, e na criação de um livro totalmente novo (embora compilado a partir de material antigo)» (Cardeal Joseph Ratzinger).

A «publicação [do novo Missal] foi acompanhada por uma espécie de proibição de tudo o que a precedeu, o que é inédito na história da liturgia e do direito eclesiásticos» (Cardeal Joseph Ratzinger).

«Posso afirmar com certeza, com base no meu conhecimento dos debates conciliares e da minha leitura repetida dos discursos dos Padres Conciliares, que isto [ou seja, a reforma tal como está agora no novo Missal] não corresponde às intenções do Concílio Vaticano II» (Cardeal Joseph Ratzinger).

A liturgia romana tradicional da Missa foi a liturgia de todos os Santos do rito latino que conhecemos pelo menos durante todo o último milénio; daí a sua antiguidade milenar. Embora comumente chamada Missa «Tridentina», a forma exacta da Missa já estava em uso vários séculos antes do Concílio de Trento, e esse Concílio pediu apenas que se canonizasse essa forma venerável e doutrinalmente segura da liturgia da Igreja Romana.

A liturgia romana tradicional da Missa tem a maior afinidade com os ritos orientais ao dar testemunho da lei litúrgica universal e ininterrupta da Igreja: «No Missal Romano de São Pio V, como em várias liturgias orientais, há orações muito belas através das quais o sacerdote expressa o mais profundo sentido de humildade e reverência perante os Mistérios Sagrados: elas revelam a própria substância da Liturgia» (Papa João Paulo II).

O Papa e os Bispos não têm, portanto, autoridade para proibir ou limitar tal forma venerável da Santa Missa, oferecida pelos Santos durante mais de mil anos, da mesma forma que o Papa ou os Bispos não teriam autoridade para proibir ou reformar significativamente a forma venerável do Credo Apostólico ou Niceno-Constantinopolitano, precisamente por causa do seu uso venerável, contínuo e milenar.

Cumprir a proibição abusiva dessa forma venerável da Missa dos Santos, emitida infelizmente por eclesiásticos, neste tempo de crise eclesial sem precedentes, constituiria uma falsa obediência.

O incumprimento das proibições da Missa Tradicional não torna, por esse facto, alguém cismático, desde que se continue a reconhecer o Papa e os Bispos, a respeitá-los e a rezar por eles.

Ao desobedecer formalmente a tal proibição inédita de um património inalienável da Igreja Romana, obedece-se de facto à Igreja Católica de todos os tempos e a todos os Papas que celebraram diligentemente e ordenaram a preservação dessa forma venerável e canonizada da Missa.

A proibição actual do rito tradicional da Missa é um fenómeno temporário e cessará. A Igreja Romana vive hoje uma espécie de exílio litúrgico, i. é., a Missa Tradicional foi exilada de Roma; no entanto, o exílio terminará, com certeza, um dia.

Como a Missa Tradicional tem sido usada de forma ininterrupta há mais de um milénio, santificada pela recepção universal ao longo do tempo, pelos Santos e pelos Pontífices Romanos, pertence ao património inalienável da Igreja Romana. Consequentemente, no futuro, os Pontífices Romanos reconhecerão sem dúvida uma vez mais e restabelecerão o uso dessa liturgia tradicional da Missa.

Os futuros Papas agradecerão a todos os sacerdotes e fiéis que, em tempos difíceis, apesar de todas as pressões e falsas acusações de desobediência, e num espírito de sincero amor pela Igreja e pela honra da Santa Sé, mantiveram e transmitiram o grande tesouro litúrgico da Missa tradicional às gerações futuras.

D. Athanasius Schneider in One Peter Five


domingo, 10 de maio de 2026

A conspiração do silêncio

No entanto, são mal conhecidos de grande público muitos dos nossos contra-revolucionários, como o Marquês de Penalva, D. Fr. Fortunato de S. Boaventura, Faustino José da Madre de Deus, e tantos mais [como o Pe. José Agostinho de Macedo]. De outros, só se tornaram divulgados aqueles escritos que ao Maçonismo triunfante parecia não defenderem doutrinas prejudiciais aos seus intentos, como sucedeu, por exemplo, com Oliveira Martins, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão. As obras desses autores, que, em oposição à corrente do século, combateram com ardor a desordem revolucionária e as suas consequências no nosso País, foram escrupulosamente atabafadas pelos corifeus da Soberania Popular. E assim, à volta de grandes nomes da nossa história e das letras pátrias, se fazia a conspiração do silêncio, no objectivo evidente de fugir a um debate que se afigurava de resultados pouco vantajosos, e também com o fim de que as gerações vindouras os viessem a ignorar.

Fernando Campos in prefácio a «Os Nossos Mestres, ou Breviário da Contra-Revolução», 1924


Fonte: Veritatis

sábado, 9 de maio de 2026

O caminho para o Plutocratismo


Enganam-se os humildes se nas promessas falaciosas do erro democrático supõem encontrar a realização das suas reivindicações justíssimas!

Um século inteiro de experiências dolorosas mostra-nos que nunca a sorte das classes pobres pode ser tratada e minorada pelos governos saídos do voto que são estruturalmente governos sujeitos, por defeito de origem, à venalidade e à corrupção.

A Propriedade e o Trabalho, constituindo a pedra angular da Família, constituem os alicerces inalienáveis da Nacionalidade.

Cosmopolita, mais fácil de se furtar às suas responsabilidades sociais, o Capital precisa de se restringir aos seus defeitos de relação entre a terra e o homem. Os desaforos do cambismo, envolvendo e universalizando a sociedade por meio da judiaria argentária, empurram-nos fatalmente para a dissolução do conceito supremo da Pátria. Impossibilitam por outro lado o operário de se hierarquizar como uma energia positiva e autónoma.

As democracias resultam daqui, agora e sempre, como as formas de governo mais aptas à supremacia da alta finança... A instabilidade do poder nos governos electivos e a sua conquista pela corrupção eleitoral torna-os por natureza regimes abertos como nenhuns outros às imposições do Plutocratismo.

António Sardinha em "Durante a Fogueira"

quinta-feira, 7 de maio de 2026

São Pio V contra a Sodomia

Esse horrendo crime, pelo qual cidades corruptas e obscenas foram queimadas pela condenação divina, nos enche de amarga dor e nos estimula veementemente a reprimi-lo com o máximo zelo possível.

Com toda razão o Quinto Concílio de Latrão estabelece que todo membro do clero apanhado na prática do vício contra a natureza, pelo qual a cólera de Deus caiu sobre os filhos da iniquidade, seja despojado das ordens clericais ou obrigado a fazer penitência em um mosteiro.

Para que o contágio de tão grande flagelo não se propague com maior audácia valendo-se da impunidade, que é o maior incentivo ao pecado, e para punir mais severamente os sacerdotes culpados desse nefando crime que não estejam aterrorizados com a morte da alma, determinamos que eles sejam entregues à severidade da autoridade civil, que faz cumprir a lei.

Portanto, desejando adoptar com maior rigor o que decretamos desde o início de nosso pontificado, estabelecemos que todo sacerdote ou membro do clero, seja secular ou regular, de qualquer grau ou dignidade, que cometa esse horrendo crime, por força da presente lei seja privado de qualquer privilégio clerical, de qualquer ofício, dignidade e benefício eclesiástico; e que, uma vez degradado pelo juiz eclesiástico, seja entregue imediatamente à autoridade civil para receber a mesma punição que a lei reserva aos leigos que se lançaram nesse abismo.

Papa Pio V in 'Horrendum Illud Scelus' (30/VIII/1568)


quarta-feira, 6 de maio de 2026

O Estado e a sua moral


Não vivemos apenas numa sociedade em que a alma já não é cristã, mas também onde a sua forma não o é mais. Nem a nossa moral pública está de acordo com a que o Estado tolera, nem nossa moral privada com a que se pratica à nossa volta…

Mas o mais grave é que não vivendo como os outros, deixamos de pensar como eles. Isto é o mais grave porque de todas as rupturas é a mais profunda. A desordem moral não é privilégio da nossa época; ela existiu sempre, mesmo na Idade Média, mas então era considerada como uma desordem, enquanto nos nossos dias se pretende instalar como a ordem instituída.

Não é o facto da sua ocorrência o que nos deve espantar; é o facto de que progressivamente se faz legalizar. Por outro lado, nada se lhe opõe; quando o Estado não reconhece nenhuma autoridade espiritual acima dele, não tem outro recurso a não ser o de “laissez-faire”, ou de decretar uma moral em seu proveito.

Etiènne Gilson em “Por uma ordem Católica”