sábado, 25 de abril de 2026

Dia de São Marcos, Apóstolo e Evangelista

São Marcos era filho de Maria de Jerusalém, em cuja casa São Pedro se refugiou depois de ser libertado do cárcere (cf. At 12, 12). Era primo de Barnabé. Acompanhou o São Paulo na sua primeira viagem a Roma (cf. Col 4, 10) e esteve próximo dele durante a sua prisão em Roma (Fm 24). 

Depois, tornou-se discípulo de São Pedro, de cuja pregação se fez intérprete no Evangelho que escreveu (cf. 1 Pe 5, 13). O seu Evangelho é comumente reconhecido como o mais antigo, utilizado e completado por São Mateus e por São Lucas. Parece que também os grandes discursos da primeira parte do Atos dos Apóstolos são uma retomada e desenvolvimento do Evangelho de São Marcos, a partir de Mc 1, 15. É-lhe atribuída a fundação da Igreja de Alexandria. 

São Marcos amava Nosso Senhor sem qualquer reserva; estava maduro para o Martírio. Os seus sucessos e os progressos da Fé exasperavam os pagãos, e em particular os sacerdotes de Serapis. Apoderaram-se dele durante a solenidade da Páscoa do ano 68. Fizeram-no sofrer durante dois dias um horrível suplício, arrastando-o com cordas por terrenos pedregosos dos subúrbios de Buroles; mas o amor é mais forte do que a morte, e o Santo bendizia a Nosso Senhor e dava-Lhe graças por ter sido julgado digno de sofrer por seu amor. 

Durante a noite que separou os dois dias de torturas, o Santo foi reconfortado por visitas celestes. Foi primeiro um Anjo, que lhe disse: "Marcos, servo de Deus e chefe dos ministros de Cristo, no Egipto, o vosso nome está escrito no livro da vida, e as Potências celestes virão em breve procurar-vos para vos conduzirem ao Céu". Depois, apareceu-lhe o próprio Nosso Senhor, como o tinha conhecido na Galileia: "A paz esteja convosco, Marcos Nosso evangelista", diz-lhe; depois desapareceu. Esta palavra de encorajamento bastava. São Marcos foi de novo arrastado e dilacerado pelas pedras, enquanto bendizia a Deus: "Meu Deus, nas vossas mãos entrego a minha alma". 

São Jerónimo in 'A vida de São Marcos Evangelista'

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Pio XII sobre a gesta portuguesa

A fé católica, como foi em certo modo a linfa vital, que alimentou a Nação portuguesa desde o berço, assim foi, se não a única, certamente a principal fonte de energia, que elevou a vossa Pátria ao apogeu da sua glória de nação civil e nação missionária, «dilatando a fé e o império». Refere-o a história e os factos o atestam.

Efectivamente, quando os filhos de D. João I lhe pediram, que autorizasse a primeira expedição ultramarina, que havia de levar à libertação de Ceuta, o grande e piedoso monarca, antes de mais nada, quis saber deles, se a empresa seria ou não útil ao serviço de Deus. Como esta, todas as empresas seguintes tiveram igualmente por fim principal a propagação da fé, daquela fé que animara «a Cruzada do Ocidente» e as Ordens militares na épica luta contra o domínio dos Mouros.

Nas caravelas que, arvorando o níveo pendão rubricado com a cruz de Cristo, levavam os intrépidos descobridores lusíadas às praias ocidentais da África e das Ilhas adjacentes, navegavam também os Missionários, «para atraírem as nações bárbaras ao jugo de Cristo», como se exprimia o grande pioneiro da expansão colonial e missionária portuguesa, o Infante D. Henrique, o Navegador.

O príncipe dos descobridores portugueses, Vasco da Gama, quando levantava âncoras para iniciar a sua venturosa viagem das Índias, levava consigo dois Padres Trinitários, um dos quais, depois de ter pregado o evangelho com zelo apostólico aos povos da Índia, havia de coroar o seu laborioso apostolado com o martírio. O sangue deste e doutros heróicos Missionários portugueses foi naquelas remotas paragens, como sempre e em toda a parte o sangue dos mártires, semente de cristãos; e os seus luminosos exemplos foram para todo o mundo católico, mas em primeiro lugar para seus generosos compatriotas chamamento e estímulo ao apostolado missionário.

Viu-se então, – precisamente quando urna série de funestos acontecimentos arrancava grande parte da Europa do grémio da Igreja, que com tanta sabedoria e carinho materno a tinha educado, – viu-se Portugal com a nação irmã, a Espanha, abrir à mística Esposa de Cristo imensas regiões desconhecidas, e trazer ao seu regaço materno, em compensação dos miseramente perdidos, filhos inumeráveis nos vastos continentes da África, Ásia e América. Dioceses e paróquias, seminários e conventos, hospitais e orfanotrófios surgiram e se multiplicaram naquelas terras, a demonstração da perene vitalidade da Igreja católica, pela qual o divino Fundador incessantemente intercede, e na qual o Espírito Paráclito opera incessantemente, mesmo nas horas mais trágicas.

Mas donde veio «que vós, por muito poucos que sejais, muito façais na santa cristandade»? Donde veio a Portugal a força para abraçar no seu domínio tantas plagas da África e da Ásia, e estendê-lo ainda às terras longínquas da América? Donde, se não daquela ardente fé do Povo Lusitano, cantada pelo seu maior poeta, e da sabedoria cristã dos seus governantes, que fizeram de Portugal um dócil e precioso instrumento nas mãos da Providência, para a realização de obras tão grandiosas e benéficas?

De facto, em quanto os Albuquerques, os Castros e outros varões igualmente assinalados, conscientes da própria responsabilidade, governam com rectidão e prudência as diversas colónias portuguesas, e prestam auxílio e protecção aos zelosos pregoeiros da fé, que grandes monarcas, como D. João III, se empenham em mandar aqueles países, então Portugal impõe-se à admiração do mundo inteiro pela potência do seu império e por sua gigantesca obra civilizadora.

Papa Pio XII in encíclica «Saeculo exeunte octavo», 13 de Junho do ano 1940


Fonte: Veritatis

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O Estado Tradicional é orgânico e não totalitário


É diferenciado, articulado e admite zonas de autonomia parcial. Coordena e faz participar na unidade superior forças a que reconhece liberdade. Precisamente porque é forte, não tem necessidade de recorrer à centralização mecânica: esta só é reclamada se for preciso controlar uma massa informe e atómica de indivíduos e de vontades, o que, no entanto, faz com que a desordem não possa ser verdadeiramente eliminada, mas contida provisoriamente.

Segundo Walter Heinrich, o Estado autêntico é "omnia potens", não "omnia facens", pois detém no centro um poder absoluto que pode e deve fazer valer sem entraves em caso de necessidade ou de decisões últimas e que vai além do fetichismo do chamado “Estado de direito”. Não intervém em tudo, não impõe a vida de caserna (no sentido negativo), nem conformismo nivelador em lugar de reconhecimento livre e lealdade, como não procede a intervenções impertinentes e imbecis do domínio público ou estatal no domínio privado. A imagem tradicional corresponde à gravitação natural de sectores e unidades parciais em redor de um centro que governa sem constrangimentos que actua por prestígio de uma autoridade que certamente pode recorrer à força, mas da qual se abstém o mais possível. A prova da força efectiva do Estado é dada pela margem concedida à descentralização parcial e racional. A ingerência sistemática do Estado não pode ser um princípio, a não ser que se trate de socialismo de Estado tecnocrático e materialista.

Por contraste, a missão essencial do Estado autêntico é criar um determinado clima geral, em certo sentido imaterial, como foi próprio a todos os regimes da época precedente. É a condição necessária para que tal sistema, onde a liberdade é sempre o factor fundamental, tome forma de modo praticamente espontâneo e funcione de maneira justa, com um mínimo de intervenções rectificadoras.

terça-feira, 21 de abril de 2026

CRITICA XXI . NÚMERO 14 . INVERNO 2026


Neste número 14 da Crítica XXI, referente ao Inverno de 2026, Jaime Nogueira Pinto, em “De que falamos quando falamos de valores europeus?”, faz uma pré-publicação do livro Valores Europeus: Uma Longa História, a lançar pela Dom Quixote no fim de Maio. Nele procura, numa perspectiva de História das Ideias, identificar e avaliar os valores que fizeram e vão fazendo a Europa.

José Maria Cortes em “O que Prometeu não cumpriu” fala dos limites antropológicos do político e da dificuldade de concretização entre “bens sociais” conflituantes.

Em “Patrimonialismo Positivo”, Orlando Lima procura identificar a “cultura estratégica da nação brasileira” para concluir, citando Raymundo Faoro, que “o Brasil é, na sua essência, um país patrimonialista”. Uma realidade que às vezes as instituições não querem reconhecer.

H.P. Lovecraft é um escritor muito especial: João Vaz discute as ideias políticas do autor de The Strange Affair of Charles Dexter Ward, identificando no mestre do mistério e do terror um “conservadorismo estético” que entronca em autores como Edmund Burke e Roger Scruton, acabando numa clara nostalgia e reinvenção do passado.

Em “A ONU, o uso da força e o Direito Internacional” Manuel Almeida Ribeiro analisa o momento actual da sociedade internacional, entre uma “ordem internacional liberal” em crise e uma nova ordem de grandes poderes que ainda não se consolidou.

Carlos Maria Bobone em “O Negro” faz uma análise histórica e político-cultural daquilo que habitualmente se designa como “cultura negra”. Para o autor do ensaio, tema da capa desta edição de Crítica XXI, é falsa a “grelha de esquerda que inseriu a cultura negra no ciclo dos oprimidos”, transformando-a numa “versão mais colorida da luta de classes”.

Continuando com a história das instituições portuguesas, Rui Ramos escreve sobre Manuel de Arriaga, o “fidalgo de democracia que inventou a Presidência da República”, desmistificando as narrativas incensatórias da Primeira República e revelando a resistência de Arriaga ao autoritarismo jacobino de Afonso Costa.

Este número conta ainda com duas notas críticas de Miguel Freitas da Costa (O Plano de David Graham e Para lá do Muro de Katja Hoyer) e uma de Jaime Nogueira Pinto (Tudo Sobre Deus de José Eduardo Agualusa); Jorge Costa Braga escreve sobre “Os Três séculos d’O Leopardo” analisando o livro de Lampedusa, o filme de Visconti, e a nova minissérie da Netflix.

DIRECÇÃO JAIME NOGUEIRA PINTO E RUI RAMOS

domingo, 19 de abril de 2026

Como rezar o Regina Caeli

Durante o tempo pascal, que vai do Domingo de Páscoa até ao Pentecostes, em vez da Oração do Anjo (Angelus) reza-se o Regina Caeli, para sublinhar a alegria cristã pela ressurreição de Nosso Senhor.

Português:

V. Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!
R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!
V. Ressuscitou como disse, Aleluia!
R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!
V. Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Oremos. Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, a graça de alcançarmos pela protecção da Virgem Maria, Sua Mãe, a glória da vida eterna. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor. Ámen.

Latim:

V. Regina caeli, laetare, alleluia.
R. Quia quem meruisti portare, alleluia.
V. Resurrexit, sicut dixit, alleluia.
R. Ora pro nobis Deum, alleluia.
V. Gaude et laetare, Virgo Maria, alleluia.
R. Quia surrexit Dominus vere, alleluia.


Oremus. Deus, qui per resurrectionem Filii tui, Domini nostri Iesu Christi, mundum laetificare dignatus es: praesta, quaesumus; ut per eius Genetricem Virginem Mariam, perpetuae capiamus gaudia vitae. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.


sábado, 18 de abril de 2026

Uma mudança força sempre a novas alterações


Os que acreditam poder movimentar-se na máquina da mudança, não podem parar o seu curso porque, mesmo atirando-se para a frente, apenas conseguem esquivar-se e adiar o declínio catastrófico, pois o equilíbrio torna-se cada vez mais difícil.

O homem ao ignorar as leis do Universo e do seu Criador, desencadeou forças que não domina e, ao não ter uma consciência clara dos seus desígnios, proporcionou a catástrofe actual e está a preparar uma muito pior para o futuro.

Sob o pretexto de libertar o homem das suas velhas amarras, para o conseguir e à medida que lhe dá forma, o Estado absorve todas as instituições, tirando o poder às formas de vida prestáveis, impondo uma condição social em que todos os membros da ordem da estrutura fluem de cima para baixo, partindo do centro estatal.

Destruída a construção que vai de baixo para cima, desapareceram para o Estado as limitações que, desde baixo e conforme a ordem da natureza, lhe eram impostas pelas autonomias dos corpos sociais com as suas liberdades e franquias jurídico-políticas.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

IV Prémio Marquês de Rio Maior para a Agricultura

A Real Associação do Ribatejo tem a honra de convidar V. Exas para estar presente na cerimónia de entrega do IV Prémio Marquês de Rio Maior para a Agricultura, que terá lugar no próximo dia 18 de abril de 2026 às 11.30h , no Salão Nobre da Câmara Municipal de Santarém, seguido de um almoço no Clube de Santarém.

Nesta edição, o prémio será atribuído ao Eng.º Luís Vasconcellos e Souza, em reconhecimento pelo seu notável contributo para o desenvolvimento e valorização da agricultura portuguesa.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

O homem do futuro


“A lei continua a ser, não importa o quanto vazia de conteúdo nem o quanto afastada do Direito Natural, o supremo árbitro... O Direito Natural é suspeito de origem religiosa e metafísica, inadequado para uma sociedade pragmática e pluralista...

Os conceitos de bem e mal estão deteriorados, os valores são decretados pela lei positiva. Um exemplo apelativo é-nos dado quando se legaliza o aborto e por isso é bem.

Somos testemunhas da clara vitória do legalismo sobre a ética. As raízes não estão no que é permanente, mas num suposto futuro onde, em breve, se espera que desponte um novo tipo humano. Um homem estandardizado que tenha assimilado completamente o direito positivo, objecto de manipulação sociológica, com todas as suas mudanças subsequentes”.

Thomas Molnar em “O Direito Natural e o Direito Positivo no Mundo Anglo-Saxão”. Conferência pronunciada na “II Jornadas Hispânicas de Direito Natural”, Córdoba, Set./1998
 

Fonte: Causa Tradicionalista