sábado, 9 de maio de 2026

O caminho para o Plutocratismo


Enganam-se os humildes se nas promessas falaciosas do erro democrático supõem encontrar a realização das suas reivindicações justíssimas!

Um século inteiro de experiências dolorosas mostra-nos que nunca a sorte das classes pobres pode ser tratada e minorada pelos governos saídos do voto que são estruturalmente governos sujeitos, por defeito de origem, à venalidade e à corrupção.

A Propriedade e o Trabalho, constituindo a pedra angular da Família, constituem os alicerces inalienáveis da Nacionalidade.

Cosmopolita, mais fácil de se furtar às suas responsabilidades sociais, o Capital precisa de se restringir aos seus defeitos de relação entre a terra e o homem. Os desaforos do cambismo, envolvendo e universalizando a sociedade por meio da judiaria argentária, empurram-nos fatalmente para a dissolução do conceito supremo da Pátria. Impossibilitam por outro lado o operário de se hierarquizar como uma energia positiva e autónoma.

As democracias resultam daqui, agora e sempre, como as formas de governo mais aptas à supremacia da alta finança... A instabilidade do poder nos governos electivos e a sua conquista pela corrupção eleitoral torna-os por natureza regimes abertos como nenhuns outros às imposições do Plutocratismo.

António Sardinha em "Durante a Fogueira"

quinta-feira, 7 de maio de 2026

São Pio V contra a Sodomia

Esse horrendo crime, pelo qual cidades corruptas e obscenas foram queimadas pela condenação divina, nos enche de amarga dor e nos estimula veementemente a reprimi-lo com o máximo zelo possível.

Com toda razão o Quinto Concílio de Latrão estabelece que todo membro do clero apanhado na prática do vício contra a natureza, pelo qual a cólera de Deus caiu sobre os filhos da iniquidade, seja despojado das ordens clericais ou obrigado a fazer penitência em um mosteiro.

Para que o contágio de tão grande flagelo não se propague com maior audácia valendo-se da impunidade, que é o maior incentivo ao pecado, e para punir mais severamente os sacerdotes culpados desse nefando crime que não estejam aterrorizados com a morte da alma, determinamos que eles sejam entregues à severidade da autoridade civil, que faz cumprir a lei.

Portanto, desejando adoptar com maior rigor o que decretamos desde o início de nosso pontificado, estabelecemos que todo sacerdote ou membro do clero, seja secular ou regular, de qualquer grau ou dignidade, que cometa esse horrendo crime, por força da presente lei seja privado de qualquer privilégio clerical, de qualquer ofício, dignidade e benefício eclesiástico; e que, uma vez degradado pelo juiz eclesiástico, seja entregue imediatamente à autoridade civil para receber a mesma punição que a lei reserva aos leigos que se lançaram nesse abismo.

Papa Pio V in 'Horrendum Illud Scelus' (30/VIII/1568)


quarta-feira, 6 de maio de 2026

O Estado e a sua moral


Não vivemos apenas numa sociedade em que a alma já não é cristã, mas também onde a sua forma não o é mais. Nem a nossa moral pública está de acordo com a que o Estado tolera, nem nossa moral privada com a que se pratica à nossa volta…

Mas o mais grave é que não vivendo como os outros, deixamos de pensar como eles. Isto é o mais grave porque de todas as rupturas é a mais profunda. A desordem moral não é privilégio da nossa época; ela existiu sempre, mesmo na Idade Média, mas então era considerada como uma desordem, enquanto nos nossos dias se pretende instalar como a ordem instituída.

Não é o facto da sua ocorrência o que nos deve espantar; é o facto de que progressivamente se faz legalizar. Por outro lado, nada se lhe opõe; quando o Estado não reconhece nenhuma autoridade espiritual acima dele, não tem outro recurso a não ser o de “laissez-faire”, ou de decretar uma moral em seu proveito.

Etiènne Gilson em “Por uma ordem Católica”


terça-feira, 5 de maio de 2026

Comédias no Vaticano

“Em Cristo já somos um só, em virtude do Baptismo”.  Sendo assim, reverendíssima “Arcebispa” considerada, surrealisticamente, primaz da Comunidade Anglicana, embora nenhum dos seus ministérios seja (validamente) sacramental, não só pela sua condição feminina, mas também em virtude da ausência da sucessão Apostólica, a que se deveu reunirmo-nos nessa ecuménica comédia circense porque “anunciamos o mesmo Cristo”, independentemente das diferenças, que presumindo exprimir de um modo único e exemplar uma fantasiosa união singular, num imaginário dualismo, de um único Cristo, encarnado varão e mulher com a pretensão demoníaca delirante de sedutoramente persuadir uma existência real de uma identidade mono-alteridade crística deduzindo uma falsíssima compenetração complementar desmentida pala Revelação que afirma claramente a inimizade e incompatibilidade radical entre Cristo e o Anticristo.
 
Mas, uma vez que são um só, pelo Baptismo, vossa reverendíssima advoga alucinatoriamente que essa igualdade baptismal permite ou admite um cristo favorável e incentivador do aborto provocado, das autodenomidadas uniões corporalmente afecto-efectivas do mesmo sexo, e muitas outras coisas malignas. 

A Igreja Católica, isto é, a Religião Verdadeira, impelida pelas Palavras de Cristo, Seus milagres, curas de enfermos, exorcismos, ensinamentos, enfim, toda a Sua vida, morte, ressurreição e ascensão aos céus, não se atreve a corromper nem contrariar a Sua Revelação Salvífica e salutar. 

De modo que também parece extremamente excessivo dar uma falsa bênção com a cooperação de um bispo (Cardeal?) que, inclinando a cabeça devotamente, se persignou.

Padre Nuno Serras Pereira

segunda-feira, 4 de maio de 2026

A Monarquia Tradicional Católica e a liberal são contrárias e opõem-se


A Monarquia liberal é uma panóplia de contradições de facto, direito, origem e desenvolvimento, de organização, lugar, tempo, nome e doutrina.

A monarquia pura moderada pela lei fundamental, permanentemente combatida ao mesmo tempo que a Igreja, mas apenas vencida a prazo, foi sempre igual a si própria em magnificência e solidez. Contrariamente o aborto liberal usurpou um símbolo indivisível e único a favor dos partidos liberalóides que se aborrecem reciprocamente e cujo lema é a divisão que os come e leva à ruína.

Para o liberal, a Monarquia Tradicional é um trapo velho de pedinte, enquanto a monarquia liberal é uma coisa muito nova, mas esquecem-se que a árvore por eles plantada foi regada com sangue português e não deu frutos.

G. K.

domingo, 3 de maio de 2026

SAR A Senhora Duquesa de Bragança e SA D. Dinis de Bragança na despedida do grupo Bandidos do Cante


S.A.R. a Duquesa de Bragança e S.A. o Duque do Porto estiveram na despedida do grupo Bandidos do Cante, que vai representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção 2026. Esta iniciativa, que teve lugar no Kaffehouse, em Lisboa, foi organizada pelo Embaixador da Áustria, Christoph Meran, uma vez que a Áustria será o país anfitrião do festival este ano.

sábado, 2 de maio de 2026

Santo Atanásio: "Eles possuem os templos, vós a tradição da Fé apostólica"

No tempo da heresia ariana, Santo Atanásio de Alexandria, bispo, Padre da Igreja famoso por lutar quase sozinho contra esta heresia espalhada pelo mundo, escreveu uma carta aos católicos fiéis que perduravam, consolando-os.

Que Deus vos console. Sei ainda que não apenas vos entristece o meu exílio, mas também o facto de que enquanto eles [os arianos] obtiveram as igrejas através da violência, nesse entretanto vós fostes expulsos de vossos lugares. Eles então possuem os templos; vós, em troca, a tradição da Fé apostólica. É bem verdade que eles estão nas igrejas, mas fora da verdadeira Fé; enquanto vós estais fora dos edifícios, sem dúvida, mas a Fé está dentro de vós. Consideremos o que é maior, o edifício ou a Fé? Claramente a Fé verdadeira. Quem então perdeu mais, ou quem possui mais? Aquele que detém o edifício ou aquele que detém a Fé? Sem dúvida o edifício é bom, se a Fé Apostólica é pregada lá. Ele é santo se o Santo habita lá.

Porém, benditos são aqueles que pela fé estão na Igreja, habitam sobre os fundamentos da Fé e têm plena satisfação. Mesmo o grau mais elevado da fé, que entre vós permanece inabalável. Porque ela vos chegou da Tradição Apostólica, e frequentemente a execrável inveja desejou destruí-la, mas não foi capaz. Pelo contrário, eles é que se alijaram [da Fé] ao tentar destruí-la. Por isso é que foi escrito: "Vós sois o Filho do Deus vivo", Pedro confessou isso por revelação do Pai, e ouviu, "Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus."

Portanto, ninguém jamais prevalecerá contra a vossa Fé, meus queridíssimos irmãos. Porque se algum dia Deus vos devolver as igrejas (e pensamos que Ele o fará) ainda sem essa restauração das igrejas a Fé vos basta. E, falando sem as Escrituras, devo falar com muita veemência, é bom trazê-los para o testemunho das Escrituras, lembrem-se de que o Templo sem dúvida estava em Jerusalém; o Templo não estava deserto, forasteiros o invadiram, daí também o Templo estando em Jerusalém, aqueles exilados desceram para a Babilónia por decisão de Deus, que os provava, ou melhor, corrigia; enquanto lhes manifestava, em sua ignorância, punição [através] de inimigos sanguinários. 

E os forasteiros sem dúvida tinham a posse do Templo, mas não conheciam o senhor do Templo, ao passo que Ele não respondeu nem falou; eles foram abandonados pela verdade. E precisamente uma Fé tão viva supre para vós, por agora, a falta dos templos. Que proveito, então, tiraram eles do Templo?

Pois vejam que aqueles que detêm o Templo são acusados pelos que amam a Deus de torná-lo um covil de ladrões, e de transformar loucamente o Lugar Santo numa casa de comércio e numa casa de negócios judiciais para si mesmos, a quem era ilegal adentrá-lo. São essas coisas e outras piores ainda que ouvirmos daqueles que vieram de lá, caríssimos. Entretanto, realmente, eles crêem possuir a igreja, mas estão fora dela. E eles julgam-se na verdade, mas estão exilados e cativos e não obtêm vantagem da igreja. Porque a verdade das coisas é julgada…

Carta de Santo Atanásio aos fiéis perseguidos pelos arianos (356 d.C.)


sexta-feira, 1 de maio de 2026

Humberto Delgado: Oposição Genuína ou Símbolo Conveniente?

 

Neste episódio, revisitamos a figura de Humberto Delgado para além das leituras automáticas e das versões cristalizadas. Quem foi realmente o homem por trás do símbolo? E o que pertence à história — ou à narrativa construída depois dela? Um episódio para pensar Portugal com profundidade e espírito crítico.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Santíssimo Milagre de Santarém

No ano de 1247, vivia em Santarém uma pobre mulher, a quem o marido muito ofendia, andando desencaminhado com outra. Cansada de sofrer, foi pedir a uma bruxa judia que, com os seus feitiços, desse fim à sua sorte.

Prometeu-lhe esta remédio eficaz, para o que necessitava uma Hóstia Consagrada. Depois de naturais hesitações, consentiu no sacrilégio a pobre mulher; foi à Igreja de Santo Estêvão, confessou-se e pediu Comunhão. Recebida a Sagrada Partícula, com suma cautela a tirou da boca, embrulhando-a no véu. Saiu prestes, da Igreja, e encaminhou-se para a casa da feiticeira. Mas, então, sem que ela o notasse, do véu começou a escorrer Sangue, que, visto por várias pessoas, as levou a perguntar à infeliz que ferimentos tinha que tanto sangue jorravam. Confusa em extremo, corre logo para casa, e encerra a Hóstia Miraculosa numa das suas arcas.

Passou o dia, entretanto, e, à tarde, voltou o marido. Alta noite, acordam os dois, e vêem a casa toda resplandecente. Da arca saíam misteriosos raios de luz. Inteirado o homem do acto pecaminoso da mulher, de joelhos, passaram o resto da noite, em adoração.

Mal rompeu o dia, foi o pároco informado do prodígio sobrenatural. Espalhado o sucedido, meia Santarém acorreu pressurosa a contemplar o Milagre. A Sagrada Partícula foi então levada, processionalmente, para a Igreja de Santo Estêvão, onde ficou conservada dentro de uma espécie de custódia feita de cera. Mas, passado tempo, ao abrir-se o Sacrário para expor à adoração dos fiéis o Santo Milagre, como era costume, encontrou-se a cera feita em pedaços, e, com espanto, se viu estar a Sagrada Partícula encerrada numa âmbula de cristal, miraculosamente aparecida.

Esta pequena âmbula foi colocada numa custódia de prata dourada onde ainda hoje se encontra. No ano de 1997, por decisão do 1º Bispo de Santarém, D. António Francisco, a Igreja de Santo Estêvão foi elevada a Santuário do Santíssimo Milagre de Santarém.

in santissimomilagredesantarem.pt