sexta-feira, 9 de outubro de 2026

O povo é soberano...

«O povo é soberano – dizem – a sua vontade é a suprema lei, os seus direitos a mais sagrada de todas as coisas sagradas, a sua realeza a mais legítima e justificada, a sua autoridade o centro de toda a acção política, o seu poder o princípio de onde todos os outros derivam».
O povo é soberano... Mas o certo é que, quando o povo se levanta em Paris, em Barcelona, em Turim, é bombardeado e metralhado impiedosamente.
O povo é soberano; mas esmagam-no com tributos, contribuições, exigências de toda a sorte.
O povo é soberano; mas o egoísmo e ambição das nações arranca-lhe dos braços os filhos estremecidos, privando o lar doméstico dos mais doces de seus sorrisos, e a agricultura dos mais robustos e activos trabalhadores, para imolá-los desapiedada e inutilmente na carnificina feroz de um campo de batalha.
O povo é soberano; mas deixam-no vegetar idiota na inconsciência da estupidez e da ignorância religiosa e moral.
O povo é soberano; mas escasseiam-lhe os géneros de primeira necessidade; os que pode haver à mão, só lhe são fornecidos por preços exorbitantes e irrazoáveis, e esses mesmos são adulterados, falsificados, corrompidos, nocivos à saúde.
O povo é soberano; mas soberano desmoralizado, que pôs a consciência em almoeda, vendendo-se, a troco do mais pequeno favor, ao primeiro aventureiro que se apresente à boca da urna eleitoral.
Dantes o povo não era soberano; mas pagava menos tributos, não era comido com pesadas contribuições, tinha o direito – que hoje lhe contestam, ou de que não o deixam fruir em paz – de viver pobre mas honradamente do fruto de seu trabalho; não era soberano, mas não morria à míngua, pois nas portarias dos conventos achou sempre socorro pronto à miséria, nem lhe escasseava o pão do espírito, porque os frades lhe abriam escolas gratuitas, e lhe patenteavam os tesouros riquíssimos de suas opulentíssimas bibliotecas; não era soberano, mas era assistido cuidadosa e desveladamente de todos os socorros da religião, tinha a consoladora fé numa vida futura, alentava-a a esperança do Céu.
Hoje... fizeram-no soberano, mas tudo isso lhe roubaram!
Um dia, o bom Jesus foi entregue, por um discípulo ingrato, aos mais encarniçados de seus inimigos; estes arrancaram-lhe ignominiosamente os seus vestidos, vergastaram-no desapiedados, retalharam-lhe as carnes a pungentes açoites, deram-lhe bofetadas, cuspiram-lhe no rosto, vendaram-lhe a face divina; e depois puseram-lhe aos ombros – à guisa de manto real – um farrapo de púrpura velha e gasta, por diadema de realeza enterraram-lhe na cabeça uma coroa tecida de espinhos, e deram-lhe por ceptro uma cana. E, passando ante ele, ajoelhavam e diziam: Salve, Rei dos Judeus!
Se fosse lícito o paralelo, eu não duvidaria afirmar que a cena dolorosa do Pretório é reproduzida em nossos dias pelos modernos liberais revolucionários e demagogos, que proclamam a soberania do povo do mesmo modo que os fariseus de então proclamavam a do Filho de Deus. Tiram-lhe o pão, tiram-lhe os haveres, tiram-lhe a paz, tiram-lhe a consciência, tiram-lhe a crença em Deus, tiram-lhe a fé numa vida futura, tiram-lhe a esperança do Céu, e depois bradam-lhe:
– Levanta-te, povo, que és rei!...
Ironia pungente! Supremo escárnio! Impudência e desvergonha inauditas!...

«Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 6º Ano, Nº 15, Março de 1900


Fonte: Veritatis

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

A necessidade de resistir

“Resistir firmemente na luta contra o mal. Não admitir jamais compromissos. Preferir perder tudo, vida, salário, condição de existência, antes que sacrificar a própria consciência”.

Alexander Soljenitsin


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Lepanto: quando Nossa Senhora derrotou o Império Otomano

A 7 de Outubro de 1571, a Armada Católica, composta de aproximadamente 200 galeras, concentrou-se no golfo de Lepanto, onde D. João d’Áustria mandou hastear o estandarte enviado pelo Papa e bradou: “Aqui venceremos ou morremos” e deu a ordem de batalha contra os muçulmanos, seguidores de Maomé, os quais, liderados pelo Pachá Ali, pareciam, a princípio, levar a melhor, por serem em maior número e pela estratégia adoptada. 

Após 10 horas de batalha, houve o prodigioso evento: de repente e de maneira inexplicável, tendo em vista a situação de quase vitória dos inimigos de Cristo, da Igreja e do Ocidente, os muçulmanos, apavorados, bateram em retirada... Mais tarde, alguns muçulmanos, prisioneiros de guerra, confessaram que uma brilhante e majestosa Senhora aparecera no céu, ameaçando-os e incutindo-lhes tanto medo, que entraram em pânico e começaram a fugir. Ao verem os muçulmanos em fuga, os Cristão renovaram as forças e reverteram o resultado da batalha.

Enquanto isto, a Cristandade em peso rogava o auxílio da Rainha do Santíssimo Rosário. O Papa São Pio V, em Roma, pedia aos Católicos que redobrassem as preces e foi atendido. Formaram-se Confrarias do Rosário que promoviam procissões e orações nas igrejas, suplicando a vitória da Armada Católica. O Pontífice, grande devoto do Rosário, teve, no momento em que a batalha chegava ao seu desfecho milagroso, uma visão sobrenatural, em que viu a vitória da Armada Católica e, imediatamente, exultando de alegria, voltou-se para quem estava com ele e exclamou: “Vamos agradecer a Jesus Cristo a vitória que acaba de conceder à nossa esquadra”. 

A confirmação da visão chegou apenas na noite do dia 21 de Outubro, quando o aviso escrito chegou a Roma. Em memória da estupenda intervenção de Maria Santíssima, o Papa dirigiu-se em procissão à Basílica de São Pedro, onde cantou o Te Deum e introduziu a invocação 'Auxílio dos Cristãos' na Ladainha de Nossa Senhora. E para perpetuar essa extraordinária vitória da Cristandade, foi instituída a festa de Nossa Senhora da Vitória, que, dois anos mais tarde, tomou a denominação de festa de Nossa Senhora do Rosário. 

Com o objectivo que se recordasse para sempre que a Vitória de Lepanto se deveu à intercessão da Senhora do Rosário, o Senado Veneziano mandou pintar um quadro representando a batalha naval com a seguinte inscrição: “Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii victores nos fecit”. (Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes, mas a Virgem Maria do Rosário é que nos deu a vitória).

in farfalline.blogspot.pt


segunda-feira, 5 de outubro de 2026

5 de Outubro de 1143 – Independência de Portugal

Em 5 de Outubro de 1143 foi realizada a Conferência de Zamora, na cidade leonesa homónima.
Tratou-se de uma conferência de paz organizada pelo Arcebispo de Braga Dom João Peculiar e que teve como intervenientes Dom Afonso Henriques e o seu primo D. Afonso VII de Leão e Castela, sob os auspícios do enviado papal, o Cardeal Guido de Vivo.
Desta Reunião, vulgarmente conhecida por Tratado de Zamora, resultou a INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL!
De facto e de direito, Portugal faz 875 anos e como tal não começou há 108 anos, isso foi a república portuguesa! Antes, durante 771 anos existiu o Reino de Portugal e dos Algarves. Portugal, País forjado à espadada e valentia por Reis e heróis extraordinários. O Reino de Portugal e depois, também, dos Algarves, e depois, também, d’Aquém e d’Além-Mar, com o seu desejo oceânico fruiu o Mundo e esses tempos de Glória de Portugal, não podem ser encarados como meras recordações, ecos ensurdecidos, pois em Monarquia ultrapassamos sempre as crises: granjeamos a Nação Portucalense, expulsamos os sarracenos, sobrevivemos à ocupação castelhana, às Invasões Napoleónicas com a sua política de delapidação e terra-queimada, sobrevivemos a Ultimatos e guerrilhas
Por isso, hoje, 5 de Outubro, os Monárquicos, e os Portugueses em geral, celebram o nascimento do Reino de Portugal, em 1143.
Neste Acordo de Zamora, ficou assente que Afonso VII de Castela e Leão concordava com a transformação do Condado Portucalense em Reino de Portugal com Dom Afonso Henriques com o título de ‘Rex Portucalensis’– Rei de Portugal, embora continuasse, apesar do reconhecimento da Independência, como vassalo do Rei de Castela e Leão, que se intitulava Imperador da Hispânia. Porém, caso único entre todos os Reis da Ibéria, Dom Afonso Henriques nunca prestou essa vassalagem. A partir desta data, Dom Afonso Henriques passou a enviar ao Papa remissórias declarando-se vassalo lígio e comprometendo-se a enviar anualmente uma determinada quantia em ouro, pelo que, em 1179, o Papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum, reconheceu Dom Afonso Henriques como Rex.
Alexandre Herculano escreveu que “o imperador reconheceu o título de rei que seu primo tomara, e que este recebeu dele o senhorio de Astorga, considerando-se por essa tenência seu vassalo. Não é menos provável que, ainda como rei de Portugal ficasse numa espécie de dependência política de Afonso VII, o imperador das Espanhas ou de toda a Espanha, como ele se intitulava nos seus diplomas”. Todavia, na Bula acima referida, o Papa ao aceitar que Dom Afonso Henriques lhe preste vassalagem directa, reconhece não só, definitivamente, a independência do Reino de Portugal, como o Rei de Portugal fica livre de prestar vassalagem ao Rei de Leão e Castela, imperador de toda a Espanha, porque nenhum vassalo podia ter dois senhores directos.

Viv’ó Rei! Viv’á Monarquia!
VIVA PORTUGAL Independente e Soberano!

Miguel Villas-Boas

Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

domingo, 4 de outubro de 2026

São Francisco de Assis

Hoje é dia do grande Francisco de Assis, que está bem longe do hippie pacifista que nos é apresentado hoje em dia. São Francisco encontrou em Jesus Cristo o único Amor que, nesta Terra, merece ser amado. Viveu a pobreza de forma radical e levou a penitência a sério.

Foi o primeiro santo a receber os estigmas. De nenhum outro vieram tantas ordens e comunidades como de São Francisco. Foi diácono permanente (celibatário, como todos eram) por julgar não ter dignidade para ser sacerdote. Sobre eles, escreveu:

«Devíamos também jejuar e abster-nos dos vícios e pecados e da quantidade exagerada de comida e bebida e ser Católicos. Devíamos também ir às Igrejas com mais frequência e reverenciar os sacerdotes não por eles mesmos, se forem pecadores, mas por causa do seu trabalho e administração do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que eles oferecem no altar e recebem e administram a outros.

E saibamos todos também que ninguém pode ser salvo a não ser pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e pelas santas palavras do Senhor que os sacerdotes dizem e anunciam e distribuem e que só eles podem administrar e não outros.» (Epistola ad Fideles II)

sábado, 3 de outubro de 2026

SAR O Duque de Bragança em entrevista ao podcast Geração 40

Entrevista concedida por S.A.R. o Duque de Bragança ao jornalista Júlio Isidro, no âmbito do podcast Geração 40.

SAR D. Duarte Pio de Bragança nasceu no exílio, mas construiu em Portugal uma vida marcada pela tradição, pelo serviço militar e pela defesa de causas como a autodeterminação de Timor e a protecção do ambiente. Este é o seu percurso, contado na primeira pessoa no Geração 40, podcast de Júlio Isidro.


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

883.º ANIVERSÁRIO DE PORTUGAL em Coimbra - 5 de Outubro, às 11h00 - Na Igreja do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra

883.º ANIVERSÁRIO DE PORTUGAL

 

 

EM 5 DE OUTUBRO DE 1143 NASCEU PORTUGAL!

 

         É em 5 de Outubro de 1143, com o Tratado de Zamora e na presença do Legado Pontifício, Cardeal Guido de Vico, que D. Afonso VII de Leão reconhece a existência de um novo Estado, PORTUGAL.

 

Esta declaração de PORTUGAL como REINO INDEPENDENTE infelizmente não é comemorada oficialmente no próprio País.

 

PORTUGAL deve ser o único País do Mundo que não celebra oficialmente a data da sua INDEPENDÊNCIA.

 

A REAL ASSOCIAÇÃO DE COIMBRA tem comemorado todos os anos, em cada dia “5 de OUTUBRO”, o ANIVERSÁRIO da FUNDAÇÃO da NACIONALIDADE, mandando celebrar no Mosteiro de SANTA CRUZ, em Coimbra, MISSA sufragando a alma de D. Afonso Henriques e dos seus descendentes e prestando homenagem junto ao túmulo do Rei Fundador.


Neste ano de 2026, a Missa celebrar-se-á pelas 11:00 horas, na Igreja do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.    

 

Na mesma Cerimónia será igualmente sufragada a alma de todos os associados e simpatizantes da Real Associação de Coimbra falecidos no último ano.

 

       Após a Eucaristia, pelas 12h00 realizar-se-á a evocação da efeméride junto aos túmulos dos Reis Fundadores (D. Afonso Henriques e D. Sancho I).

 

Convidam-se todos os Portugueses a participar nas Comemorações do 883.º ANIVERSÁRIO da INDEPENDÊNCIA de PORTUGAL, em Coimbra.

 

FAÇAMOS DO ANIVERSÁRIO DE PORTUGAL uma data que UNA OS PORTUGUESES!

 

VIVA PORTUGAL! 


O Presidente da Real Associação de Coimbra,

Manuel Barata Tovar

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Comunicado da Casa Real Portuguesa sobre a morte de Nuno Albuquerque Gaspar

SAR D. Duarte de Bragança, Duque de Bragança e chefe da Casa Real Portuguesa, fez um comunicado sobre a morte de Nuno Albuquerque Gaspar.


Foi com grande tristeza que recebemos a notícia da morte prematura do Nuno Albuquerque Gaspar.

O Nuno Albuquerque era um monárquico convicto e amigo da nossa família, tendo estado sempre presente nos principais momentos.

Um grande fotógrafo, registou inúmeras fotografias nossas ao longo de muitos anos sempre com enorme simpatia e disponibilidade.

Guardaremos com muita amizade a sua memória.

As nossas orações estão com o Nuno e com a sua família neste momento tão difícil.

D. Duarte de Bragança


Fonte: Casa Real Portuguesa

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Exorcismo de São Miguel Arcanjo escrito pelo Papa Leão XIII

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

Ó gloriosíssimo Príncipe da milícia celeste, Arcanjo S. Miguel, defendei-nos na nossa luta e nosso combate contra os principados e as potestades, contra os governantes deste mundo tenebroso, contra a perversidade espiritual em lugares elevados.

Vinde em auxilio do homem, que Deus criou imortal, à sua imagem e semelhança, e resgatou por grande preço da tirania do diabo. Combatei neste dia a batalha do Senhor, junto com os santos anjos, como já haveis combatido o líder dos anjos orgulhosos, Lúcifer, e o seu exército apóstata, que não tinham poder para vos resistir, nem tinham mais lugar no Céu. Mas aquela antiga e cruel serpente, chamada de demónio ou Satanás, que seduz todo a orbe, foi mandada para o abismo com todos os seus anjos.

Eis que o primordial inimigo e assassino do homem se ergueu veementemente. Transformado em anjo da luz, ele vagueia com toda a multitude de espíritos malignos, invadindo a terra em ordem a extirpar dela o nome de Deus e do Seu Cristo, para, deleitando-se, matar e atirar para a perdição eterna as almas destinadas à coroa da eterna glória.

Este malvado dragão derrama, como torrente imunda, o veneno da sua malícia sobre o homem de mente depravada e coração corrompido; o espirito da mentira, da impiedade e da blasfémia; o odor pestilento da luxúria e de todo o vício e iniquidade.

Estes astutos inimigos encheram e inebriaram com ódio e amargura a Igreja, a esposa do Cordeiro Imaculado, e deitaram as suas mãos impiedosas sobre as suas posses mais sagradas. Onde se encontra a Sede do Santo Apóstolo Pedro e Cátedra da Verdade para ser luz do mundo, eles elevaram um trono da sua abominável impiedade, com o desígnio iníquo de que quando o Pastor é abatido, as ovelhas se dispersam.

Erguei-vos então, ó General invencível, auxiliai o povo de Deus contra os ataques que irrompem dos espíritos perdidos e trazei-nos a vitória.

A Santa Igreja venera-vos como protector e patrono; glorifica-vos como a sua defesa contra os poderes malignos deste mundo e do inferno; a vós Deus confiou as almas do homem para serem estabelecidas na beatitude celeste. Intercedei junto do Deus da paz para que Ele esmague Satanás sob os nossos pés, tão conquistado que não consiga mais prender os homens em cativeiro e magoar a Igreja.

Oferecei as nossas orações à vista do Altíssimo, para que elas possam rapidamente alcançar-nos as misericórdias do Senhor; e derrubando o dragão, a antiga serpente, que é o demónio e Satanás, tornai-o novamente cativo no abismo, para que ele não possa mais seduzir as gentes. Ámen