Segundo Walter Heinrich, o Estado autêntico é "omnia potens", não "omnia facens", pois detém no centro um poder absoluto que pode e deve fazer valer sem entraves em caso de necessidade ou de decisões últimas e que vai além do fetichismo do chamado “Estado de direito”. Não intervém em tudo, não impõe a vida de caserna (no sentido negativo), nem conformismo nivelador em lugar de reconhecimento livre e lealdade, como não procede a intervenções impertinentes e imbecis do domínio público ou estatal no domínio privado. A imagem tradicional corresponde à gravitação natural de sectores e unidades parciais em redor de um centro que governa sem constrangimentos que actua por prestígio de uma autoridade que certamente pode recorrer à força, mas da qual se abstém o mais possível. A prova da força efectiva do Estado é dada pela margem concedida à descentralização parcial e racional. A ingerência sistemática do Estado não pode ser um princípio, a não ser que se trate de socialismo de Estado tecnocrático e materialista.
Por contraste, a missão essencial do Estado autêntico é criar um determinado clima geral, em certo sentido imaterial, como foi próprio a todos os regimes da época precedente. É a condição necessária para que tal sistema, onde a liberdade é sempre o factor fundamental, tome forma de modo praticamente espontâneo e funcione de maneira justa, com um mínimo de intervenções rectificadoras.