domingo, 13 de setembro de 2026

Aparição de Nossa Senhora de Fátima a 13 de Setembro

A Irmã Lúcia, nas suas Memórias, descreve do seguinte modo a aparição de Nossa Senhora a 13 de Setembro de 1917:

Ao aproximar-se a hora, lá fui, com a Jacinta e o Francisco, entre numerosas pessoas que a custo nos deixavam andar. As estradas estavam apinhadas de gente. Todos nos queriam ver e falar. Ali não havia respeito humano.

Numerosas pessoas, e até senhoras e cavalheiros, conseguindo romper por entre a multidão que à nossa volta se apinhava, vinham prostrar-se, de joelhos, diante de nós, pedindo que apresentássemos a Nossa Senhora as suas necessidades. Outros, não conseguindo chegar junto de nós, chamavam de longe:

– Pelo amor de Deus! peçam a Nossa Senhora que me cure meu filho, que é aleijadinho!
Outro:
– Que me cure o meu, que é cego!
Outro:
– O meu, que é surdo!
– Que me traga meu marido...
– ... meu filho, que anda na guerra!
– Que me converta um pecador!
– Que me dê saúde, que estou tuberculoso!
Etc., etc.

Ali apareciam todas (as) misérias da pobre humanidade. E alguns gritavam até do cimo das árvores e paredes, para onde subiam, com o fim de nos ver passar. Dizendo a uns que sim, dando a mão a outros para os ajudar a levantar do pó da terra, lá fomos andando, graças a alguns cavalheiros que nos iam abrindo passagem por entre a multidão.

Quando agora leio, no Novo Testamento, essas cenas tão encantadoras da passagem de Nosso Senhor pela Palestina, recordo estas que, tão criança ainda, Nosso Senhor me fez presenciar, nesses pobres caminhos e estradas de Aljustrel a Fátima e à Cova de Iria, e dou graças a Deus, oferecendo-Lhe a fé do nosso bom Povo português. E penso: se esta gente se abate assim diante de três pobres crianças, só porque a elas é concebida misericordiosamente a graça de falar com (a) Mãe de Deus, que não fariam, se vissem diante de si o próprio Jesus Cristo?

Bem; mas isto não era nada chamado para aqui. Foi mais uma distracção da pena que me escapou para onde eu não queria. Paciência! Mais uma coisa inútil; não na tiro, para não inutilizar o caderno. Chegámos, por fim, à Cova de Iria, junto da carrasqueira e começamos a rezar o terço com o povo.

Pouco depois, vimos o reflexo da luz e a seguir Nossa Senhora sobre a azinheira.

 – Continuem a rezar o terço, para alcançarem o fim da guerra. Em Outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, S. José com o Menino Jesus para abençoarem o Mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia.

– Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, dum surdo-mudo.
– Sim, alguns curarei; outros não. Em Outubro farei o milagre, para que todos acreditem. E começando a elevar-se, desapareceu como de costume.

sábado, 12 de setembro de 2026

Festa do Santíssimo Nome de Maria


A Festa do Santíssimo Nome de Maria, no dia 12 de Setembro, é uma data tradicional da Igreja Católica com profundo significado espiritual e histórico. A celebração começou na cidade espanhola de Cuenca, em 1513, como reconhecimento especial ao nome de Maria.

Inicialmente, foi uma comemoração local, mas logo se espalhou por toda a Espanha e depois, por influência da vitória cristã na Batalha de Viena em 1683, tornou-se uma festa universal, graças ao Papa Inocêncio XI. Nessa batalha, o rei polonês Jan Sobieski entregou suas tropas à protecção de Nossa Senhora e, ao atribuir a vitória à sua intercessão, o Papa estendeu a festa para toda a cristandade como ação de graças.

Ao longo da História, a festa passou por várias modificações de data e extensão: celebrada inicialmente a 15 de Setembro, passou para 17, com o Papa Sisto V, e, posteriormente, foi alargada à Arquidiocese de Toledo e a toda Espanha. Também recebeu permissão em ordens religiosas específicas e, finalmente, após a vitória de Viena, entrou no calendário universal da Igreja Católica.

O dia é marcado por Missas solenes, ladainhas e devoções especiais ao Nome de Maria, incluindo procissões e atos de consagração. Muitos fiéis rezam o Rosário, meditam sobre as virtudes de Nossa Senhora - fé, humildade, obediência.

Tradicionalmente, neste dia, invoca-se a protecção de Nossa Senhora sobre a Igreja, as Nações e as famílias. Em Roma, por exemplo, uma das igrejas do Fórum de Trajano é dedicada especialmente ao Nome de Maria.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O MUNICIPALISMO - Declínio e Morte (parte IV e última)


CONCLUINDO

É a trágica crueza do fogo que, no seu crepitar, para além de destruir vidas e de reduzir sonhos a cinzas, também faz rebentar a máscara deste modernismo revolucionário, que transformou homens em escravos nómadas, destruiu o património familiar pela quebra dos vínculos e que no seu frio combate a Deus, transformou uma Sociedade viva, forte e dirigida para o Absoluto, num somatório de indivíduos, assimilados em massas cretinizadas, indiferentes a tudo e todos, perdidos em florestas de betão.
Contudo, essa estrutura fundiária que antecedeu e serviu de braseiro ao nascimento de Portugal, ainda existe.

A rede composta pelas pequenas propriedades de exploração familiar, apesar de suja e coberta por um matagal, fruto do seu abandono, recusa-se a desaparecer. E é do próprio modernismo revolucionário na admissão do seu eterno erro original, que vão surgindo as vozes que apontam o abandono das terras, como mais um dos seus inúmeros pecados originais.

Tomemos, por isso, como missão, o rasgar das fontes que saciarão essa “sede insensata pelo Absoluto” que a todos sempre nos dominou. Sejamos aquele pequeno grupo de homens, que indiferentes à marcha dos tempos, levam a Sociedade ao caminho que nunca deveria ter abandonado.

Retomemos a alegria e a pujança do Municipalismo. Retomemos Portugal!

Por Deus, Pátria e Rei!

Valentim Rodrigues


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Natividade de Nossa Senhora

Esta Senhora faz hoje 2042 anos. Nesta pintura aparece a fazer o que sempre fez: apontar e mostrar o caminho para o Seu filho, Jesus.

Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Ámen.


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

SAR D. Afonso de Bragança na cerimónia que assinalou os 130 anos da primeira campanha oceanográfica portuguesa, iniciada pelo Rei D. Carlos I

O Príncipe da Beira esteve presente na cerimónia que assinalou os 130 anos da primeira campanha oceanográfica portuguesa, iniciada pelo Rei D. Carlos I, em 1896.

A cerimónia, promovida pelo IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera, realizou-se no dia 1 de Setembro, a bordo do Navio de Investigação Mário Ruivo, em Lisboa, e marcou também o início de uma nova campanha oceanográfica no âmbito da Directiva-Quadro Estratégia Marinha.

Durante o evento foi realizada, ao largo de Oeiras, a primeira estação de amostragem da nova campanha. O navio Mário Ruivo foi recentemente alvo de um investimento de cerca de sete milhões de euros, destinado ao reforço das suas capacidades científicas e operacionais.

A celebração contou ainda com a presença do Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, do Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, do Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, entre outras entidades ligadas ao mar e à investigação científica.

130 anos depois, o legado de D. Carlos I continua vivo, através da ciência, da monitorização e da conservação do oceano português.

Fotografias: IPMA


domingo, 6 de setembro de 2026

O MUNICIPALISMO - Declínio e Morte (parte III)


PRIMEIRA REPÚBLICA

Sem surpresa, mantem-se na peugada centralizadora da revolução liberal de 1834, sem qualquer evolução de nota, vítima que é do caos político, da guerra que assolou a Europa e porque no fundo, ela mais não é que o corolário lógico da “República Coroada” derrubada pela força, em 1910.

A nota a salientar, é a forte “governamentalização” da administração local. Os governadores civis estavam na base de pactos clientelares que asseguravam a vitória do partido democrático – que venceu, nas zonas rurais, quase todas as eleições de 1910 a 1926. (Manuel Baiôa – Elites e Poder a crise do sistema liberal em Portugal e Espanha 1918-1931).

Este “ocupar de cadeiras” tinha como primeira marca, não a qualidade, nem o serviço prestado às comunidades, mas a cor política de republicanos hierarquizados, em função da subserviência ao cacique local, ou à sua actividade revolucionária.

ESTADO NOVO

Apesar de querer recuperar as corporações e recusar o sufrágio universal como forma predilecta da electividade municipal, o certo é que não se afasta do modelo liberal.

As corporações não se assumem como corpos de base da sociedade, com o objectivo de subsidiariedade Cristã, de enriquecimento das comunidades promovendo o seu caminho para o Bem Comum, mas como meras organizações mercantis marcadas pela plutocracia que as dominava.

Assim todos os lugares de relevo nas freguesias, câmaras e distritos eram nomeados pelo governo, vincando a organização herdada da revolução liberal.

É mantida assim, em toda a estrutura municipal, o controlo e a absoluta centralização do poder, nascidos da revolução liberal e da I República.

III REPÚBLICA

Com a Revolução de 74 retoma-se a elegibilidade dos cargos municipais e de freguesias, muito embora a nomeação dos candidatos sujeitos a eleição dependa, não da vontade das populações, mas em exclusivo das cúpulas partidárias, reforçando o Absolutismo, como imagem de marca destes “Estados de Direito Democrático”.

Permanece uma organização política, não muito diferente da República coroada e da I República: baseia-se numa forte plutocracia partidária, onde os cargos de topo de institutos do estado e de empresas satélite, são distribuídos em função da voracidade das suas hostes. Um novo facto assume particular importância, o poder económico passa a ser determinante e influente na vida e decisões do próprio governo.

Nos municípios, o papel do governador civil vai sendo reduzido até ao seu completo desaparecimento e as freguesias prosseguem o seu calvário de desvirtuamento e de retirada de poder, numa total dependência e subordinação às câmaras municipais e estas em relação ao poder central.

Confirma-se a total destruição dos governos e liberdades comunitárias, que no seu labor concorriam para um Bem comum. Agora é o governo central, quem se sobrepõe e controla até à exaustão todas as comunidades, num esmagador centralismo e com governos de poder ilimitado.

Por Deus, Pátria e Rei!

Valentim Rodrigues


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O MUNICIPALISMO - Declínio e Morte (parte II)


REVOLUÇÃO LIBERAL

É em 1834, que pela última vez se fez uso da delegação concelhia, para a nomeação dos representantes municipais em Cortes. Contudo, todo este processo, que desde a constituição do Reino, sempre decorreu de uma forma natural, onde a voz das comunidades se elevava para conselho do Rei, é propositadamente manchado pelo Absolutismo liberal.

É nas palavras do insuspeito José Valdez, que encontramos os indícios da habitual mentira liberal, que se arrasta até aos dias de hoje:“… imprensa sob censura, os prefeitos e subprefeitos,(nomeados pelo governo), usaram de suborno e violência para a vitória das listas governamentais… “.

18 de Julho de 1835 é a data que marca a destruição do Municipalismo.

O seu Carrasco, Mouzinho da Silveira, impõe um modelo importado da França revolucionária, profundamente centralista e burocrático, com um único objectivo: - a centralização do poder para um controlo total e efectivo das comunidades, baseado em três linhas essenciais:

- Destruição das liberdades municipais
- Desmembramento da organização municipal, através da criação de uma nova administração com poucas províncias, cujos responsáveis pelos distritos e municípios são nomeados directamente pelo governo: - os Governadores Civis.
- Criação de uma estrutura legislativa pesada, ininteligível, alimentada por uma torrente incessante de novas leis, decretos e normas, garante de uma centralização total do poder.

Mouzinho da Silveira, mais não faz do que recuperar as lições nefastas de Marquês de Pombal: o capitalismo e industrialismo; o absolutismo do “o quero, posso e mando”, agora justificado pelo engano do sufrágio universal e a proibição como norma, sempre em nome da liberdade, empurrando Portugal para o malfadado “individualismo económico”.

Como Almeida Garret dirá, já no final da sua vida, “Assim se reformou esta desgraçada terra a machado!”

DESAMORTIZAÇÃO LIBERAL

A desamortização liberal consistiu na nacionalização dos bens da Igreja e sua revenda a uma burguesia endinheirada e cosmopolita; o fim das liberdades forais e dos terrenos de cultivo comunitário teve um efeito desastroso que ainda hoje ecoa:

- Ao transformar em assalariados, as famílias de agricultores que trabalhavam essas terras em seu proveito, privou-os de um rendimento gerado pela sua actividade, lançando-os numa espiral de fome e miséria ao serem vítimas de exíguos salários.

- Inicio de outro conhecido “problema estrutural”, o dos baixos salários

Perante as dificuldades, reforça-se o êxodo para as cidades, com alguma expressão no sec. XIX e bem mais acentuada no sec. XX, ao qual se junta o flagelo da emigração, que na segunda metade desse século era, primeiro, dirigida para o Brasil e EUA e depois para a Europa, só sofrendo uma interrupção no período correspondente à 1ª grande guerra.

Este abandono da terra e êxodo exponencial para as grandes cidades estão na origem de outro, modernamente chamado, “problema estrutural”…

Por Deus, Pátria e Rei!

Valentim Rodrigues