sábado, 7 de fevereiro de 2026

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

“Nenhum vento é favorável se não souberes qual o porto para onde deves navegar.” 

Séneca (4 AC-65 AC)

“A tolerância e a falta de interesse são as últimas virtudes de uma sociedade moribunda.” 

Aristóteles, mestre de Alexandre “O Grande” (384 AC – 322 AC)

Impus a mim mesmo, por razões várias, mas sobretudo por “fastio”, a pronunciar-me sobre as eleições (ainda) em curso. Mas, como por um acaso, reuni meia dúzia de “apontamentos”, lá me decidi a juntar-lhes algum nexo descritivo e fazer disso pasto de leitura de algum leitor mais guloso por ouvir dizer coisas que raramente são ouvidas, na descabelada corrente mediática, que nos cerca, assalta e nos tenta revolver e condicionar as entranhas cognitivas e elencar a alma com as mais funestas ferramentas de manipulação de massas.

Gostaram desta tirada?

Pois jamais (penso eu de que) a poderiam ouvir da boca de um qualquer candidato ou de quem anda metido em campanhas deste tipo…

Comecemos pelo que não é (ainda) óbvio:

Esta eleição devia ser escusada pois devíamos viver em Monarquia. O 5 de Outubro de 1910 (não o de 1143), foi uma desgraça (mais uma) que nos calhou em graça, e não devia ter acontecido.

E quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga.

Aliás, há eleições a mais (para PR; para as Legislativas; para as Autárquicas; as específicas das Regiões Autónomas, para o Parlamento Europeu; quando a AR é dissolvida, etc., uff!) a que se tem de juntar os prazos curtos entre as mesmas. Ou seja, ninguém governa, nada se pode fazer em continuidade temporal, anda-se permanentemente em campanha eleitoral e não há sossego; além de que tudo custa uma fortuna e representa um esforço e trabalho não produtivo. E algum negócio.

E não contentes com isto, sobretudo no caso vertente, a campanha, que devia decorrer quando está previsto na lei (4 a 16/1/26), começou muitos meses antes, até do PR ter anunciado a data de 18 de Janeiro para a primeira volta (30/10/25); apenas teve uma paragem porque, entretanto, fomos brindados com umas eleições legislativas extra, dado o governo ter caído…

O que está discriminado na Constituição da República (que, de resto, deve ser objecto de alterações profundas) relativamente a quem pode concorrer a PR parece-me que deve ser revisto. Isto é, não deve haver apenas, três condições para permitir uma candidatura: ser português nascido em Portugal; ter 35 anos ou mais e recolher um mínimo de 7.500 assinaturas consideradas válidas, segundo a lei.

Nem sequer é necessário apresentar um registo criminal ou provar que passou com distinção no exame da antiga 4ª classe ou equivalente (sendo que hoje é difícil encontrar essa equivalência…), a malha tem de ser mais apertada. Mas no polo oposto chega-se ao ponto de fazer assassinatos de carácter na via pública e a fazer chicana com a vida íntima de candidatos.

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As eleições são uma mentira a vários títulos: primeiro essa ideia da “igualdade de oportunidades” é uma história que só “contaram pra você”, dado só poderem concorrer os muito ricos (outros também podem, mas não têm hipóteses de fazer nada…) ou aqueles que são apoiados com fundos de algum “filantropo”, ou amigos que lhe deem mesadas. 

Cuidado, porém, normalmente quem paga quer mandar ou tirar daí dividendos (ou seja, cada um de nós arrisca-se não a votar num candidato, mas sim em quem o apoia…).

Os únicos que têm dinheiro para apoiar candidatos são os Partidos Políticos, logo a maioria dos candidatos saem destas hostes. Ou seja, é mais do mesmo. Quer dizer, estamos cada vez mais afundados numa partidocracia…

O PR ser o “Presidente de todos os portugueses” – como quase todos berram a plenos pulmões – é outra falácia: vai ser sempre dos portugueses de uma ou mais “facção” contra outra ou outras.

Mesmo com toda a campanha efectuada mais o “escrutínio” dos órgãos de comunicação social, o verdadeiro conhecimento das pessoas que se candidatam, por parte da generalidade dos eleitores, estimo que seja muito fraco.

Ou seja, as pessoas votam no que desconhecem.

Chamam a isto “Democracia”.

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Sobre a campanha:

- Não vou apoiar ou deixar de apoiar um determinado candidato (embora estou certo de que no fim de lerem o que escrevo saberem qual será a minha opção) pois todos nós temos de ouvir e entender o que os candidatos defendem e não a fazer ruído sobre o que se passa ou a tentar falar por eles;

- A campanha acaba por ser – para quem a segue minimamente – um “massacre” televisivo. Notícias a mais (e frenéticas), misturadas com propaganda e demagogia, são desinformação. Os órgãos de comunicação social parecem que se atropelam uns aos outros em todo este âmbito;

- O aspecto do candidato, se é alto ou baixo, simpático ou antipático, bonito ou feio, (se tira selfies!) etc., aparenta ter mais importância que os seus reais conhecimentos e virtudes. É da natureza humana. Daí haver candidatos e eleitores que apostam mais na aparência do que na substância;

- Qualquer incidente imprevisto no caminho da campanha eleitoral, pode deitar tudo a perder, daí que, por norma, aparecem sempre umas “bombas” atiradas para a contenda em alturas específicas, ou por desespero de um candidato; da sua “entourage” ou até, de outrem;

- As sondagens podem ter impactos positivos ou negativos no comportamento dos eleitores e dos candidatos, mas têm sempre o condão de influenciar, o que pode levar a distorções na percepção do eleitorado e da “máquina” de apoio aos candidatos. Tudo isto deve ser bem “mastigado” para que o exercício das sondagens seja devidamente regulamentado a fim de não desvirtuar a livre escolha do eleitorado;

- Deverá haver um limite para o número de candidaturas à eleição (nem que se tenha que optar a um escrutínio prévio, qualquer) sob pena do “sistema” se tornar ingerível;

- Os comentadores devem analisar o que se passa, não fazer campanha por este ou aquele;

- Os votantes têm de pensar pela sua cabeça, não pela cabeça de outros;

- Do mesmo modo os jornalistas que apoiem algum dos candidatos e queira fazer campanha eleitoral por algum deles, deve suspender profissionalmente as suas funções e assumir-se como apoiante de um ou outro, a título pessoal;

- Deviam ser evitados, proibidos, até, ataques pessoais e insultos; tem de se discutir ideias, não atacar pessoas.

- Finalmente a campanha devia concentrar-se nos aspectos que dizem respeito às funções presidenciais, não a tornar-se um debate sobre tudo e mais alguma coisa. O tema mais importante para um PR é a questão de como ele pensa e irá actuar para garantir o que é mais importante para o país: a defesa da independência e soberania de Portugal e a preservação da identidade da Nação Portuguesa; sendo que uma não se mantém sem a outra.

Ninguém falou sobre isto (nunca falam…)!

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Aproveito para listar as maiores ameaças (internas e externas) que se vislumbram (algumas são de sempre e vão e vêm):

- A falta de personalidade das elites nacionais (quer isto dizer que é preciso pensar em português e ter vontade em ser português – chama-se a isto “Patriotismo” – grande parte dela vende a alma a “internacionalismos” vários(tal representa um perigo nacional permanente…);

- O Federalismo Europeu e o Iberismo;

- A falta de segurança no país (Forças Armadas à míngua; Forças de Segurança sem autoridade; Serviço de Informações embrionário; exercício da “Justiça” aplicado a outro “mundo”, ineficaz e ineficiente; aumento da criminalidade;

- Instrução Pública (a que chamam educação) medíocre, desnacionalizada, indisciplinada, nivelada por baixo e cheia de valores errados; um desastre completo e extenso;

- Sociedade com grandes falhas éticas e morais (a Moral passou a ser relativa) no seu comportamento; desregramento e corrupção transversal, a atingir níveis do chamado “terceiro mundo”;

- “Invasão” de imigrantes completamente desregrada e desproporcionada com intuitos que se podem considerar “diabólicos”, por parte de quem permitiu, favoreceu e incentivou. A Nação Portuguesa e a sua matriz cultural poderão diluir-se rapidamente. O que se está a passar representa a maior ameaça à nossa existência como Nação no concerto dos povos, e a curto prazo. Não estou a exagerar, aliás, entra pelos olhos dentro, de um cego – que são os que não querem ver; 

- Alienação, por venda ou cedência, do património nacional: não são só as empresas, sobretudo as estratégicas, é o próprio solo, um destes dias não haverá um quilómetro quadrado em mãos portuguesas. 

A lista podia continuar. Manda, pois, o senso comum que se escolham candidatos a eleições, sejam elas quais forem – já que é o sistema que está em vigor – quem melhor possa e queira, emendar o extenso rol de desastres em que estamos metidos, para já não falar na parte financeira que é pedra de toque de tudo onde se mexer.

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Gostava para finalizar que os leitores reparassem numa coisa e que é esta: nos últimos, vá lá, 45 anos, existe um facto “curioso” que é o de, praticamente, todos os cidadãos portugueses, que ocuparam os cargos de PR, PM, Presidente da AR e outros altos cargos (incluindo internacionais), terem ido a uma ou mais reuniões do “Grupo de Bilderberg”. A maior parte destes nossos compatriotas (ou terão passado a apátridas?) foram, aparentemente, escolhidos e indicados por outro compatriota nosso, chamado Pinto Balsemão (recentemente falecido), neste espaço de tempo.

Por isso não é preciso ser bruxo para se saber quem é que, à partida, irá ser (ou poderia ter sido) a próxima personalidade que se sentará em Belém.

Os grandes arautos do sistema democrático continuam a badalar que “o povo é quem mais ordena”.

Coitados, nunca andaram tão longe da verdade. E talvez nem se dêem conta.

João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador (Ref.)

Fonte: O Adamastor

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Comunicado de S.A.R. o Duque de Bragança

Lisboa, 1 de Fevereiro de 2026

É com tristeza que acompanho as notícias dramáticas que chegam da região de Leiria e de outras zonas do nosso país como Ourém, duramente atingidas pela passagem devastadora da tempestade.

As imagens de destruição, as árvores caídas, as casas danificadas, as infraestruturas arrasadas e, sobretudo, a perda irreparável de vidas humanas deixam-nos a todos em estado de choque e de luto. Às famílias que choram os seus entes queridos, em particular as que perderam vidas no distrito de Leiria, manifesto o meu mais profundo pesar e a minha mais sincera solidariedade. Nada pode reparar tamanha dor, mas saibam que não estão sós neste momento de aflição.

Quero também dirigir uma palavra de gratidão e reconhecimento a todos os que, nestas horas difíceis, demonstram o melhor do caráter português: os bombeiros, os elementos da Proteção Civil, os militares, os agentes de segurança, os voluntários, os vizinhos, os desconhecidos que se unem para limpar escombros, distribuir água, alimentos e apoio. A vossa coragem, generosidade e espírito de entreajuda são a luz que ilumina este cenário de escuridão e ruína.

A nossa família está solidária com as populações afetadas e com as autoridades que trabalham incansavelmente na recuperação. Que este momento de adversidade nos recorde a força da união nacional e nos inspire a reconstruir, juntos, o que a natureza destruiu.

A todos os leirienses e a todos os portugueses que sofrem as consequências desta catástrofe, envio uma mensagem de esperança e de confiança no futuro. A resiliência do nosso povo já superou muitas provações ao longo da história; superará também esta.

Que Deus conforte os enlutados, proteja os que trabalham no terreno e nos dê a todos forças para reerguer o que foi abatido.

Dom Duarte de Bragança


Fonte: Casa Real Portuguesa

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Evocação do Aniversário da Rainha Santa Isabel

No próximo dia 11 de Fevereiro, assinala-se mais um aniversário do nascimento terreno de Santa Isabel, Infanta de Aragão, Rainha de Portugal e Padroeira da cidade de Coimbra.

No seu programa de comemoração das datas mais significativas da vida terrena de Santa Isabel de Portugal e da devoção que lhe é prestada, a Confraria da Rainha Santa Isabel vai evocar no dia 11 de Fevereiro o Aniversário natalício de Santa Isabel de Portugal, mandando celebrar às 18h00 desse dia, na Igreja da Rainha Santa Isabel, Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em CoimbraMissa de acção de graças pela exemplar vida acontecida da Padroeira da cidade de Coimbra, celebração que será presidida pelo Capelão da Confraria, Pe. Manuel Carvalheiro. 

 

No Sábado anterior, dia 7 de Fevereiro, às 21h15, na Igreja da Rainha Santa Isabel, inicia-se a comemoração do aniversário da Padroeira da cidade de Coimbra:

 Coro Litúrgico da Imaculada Conceição, de Tentúgal, dará voz ao concerto meditado “Amores de Isabel”, no qual o canto se eleva a oração e a oração se faz escuta do Alto, que será uma homenagem da cidade à sua Padroeira.

Serão evocados os três amores que sustentaram a alma da Santa Rainha: 

- a Eucaristia, alimento do seu quotidiano espiritual; 

- o Espírito Santo, luz e conselho nos caminhos da vida; 

- a Imaculada Conceição, Mãe puríssima a quem confiou o santuário da sua vida interior.


A entrada é livre!


Espera-se a presença de todos no Santuário de Santa Isabel de Portugal nesta evocação em louvor da Padroeira da cidade de Coimbra.

Com os melhores cumprimentos,

Pela Mesa Administrativa da Confraria da Rainha Santa Isabel,

Joaquim Leandro Costa e Nora

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

UM DEBATE CINZENTO

A expectativa não era grande. Do confronto de dois demagogos poder-se-ia esperar um debate mais acalorado, mas o relativismo desta partidocracia, acorrentou-os a lugares-comuns, à defesa do regime, à manutenção ou maquilhagem de uma constituição, sobre a qual pesa a quase total impossibilidade de acção presidencial; ao uníssono de ambos, na definição liberal de nação e no tratamento a dar aos futuros infiéis que entrarão pelas nossas fronteiras, ou relativa aos que ilegalmente já cá estão, pouco mais se constou.
A discussão centrou-se depois, no significado dos apoios que cada um tem, do porquê da “direita caniche”, apoiar um candidato socialista e desdenhar o outro, em nome da falsidade humanista e adivinhação progressista, outro, que seguiu o curto e eficaz caminho dos ciganos e infiéis, na sua escalada ao poder, chocando-se com seu elevado custo para o erário público. Às massas cretinizadas só lhes resta, portanto, o aplauso, ou o insulto.
Um debate cinzento, de dois populistas, desprovidos de ideias, incondicionais adeptos da partidocracia e cujos valores e princípios não ultrapassam o relativismo de fundamento democrático em que vivemos. Sobre a família, a moral da sociedade, sua condução para o Bem, ou no mínimo, para a aristotélica e imanente felicidade, nem uma palavra. Ambos como bons liberais, abraçam a velha máxima liberal de Kant, “discutam quanto quiserem e sobre o que quiserem, mas obedeçam! “.
Recordando as palavras de Alberto Ruiz Galarreta, ambos não passam de hipóteses.
Como tal e porque uma hipótese, só consegue abranger do bem menor ao mal maior, exige da nossa parte o uso da inteligência e da razão para sairmos deste vicioso círculo do mal menor, impele-nos ao retomar do Estado confessional, obriga como solução, a saída urgente desta república partidocrata, para que se possa abraçar a Tese, essa sim, perfeitamente coincidente com o Bem.
E o primeiro passo passa por rejeitar este sufrágio, da mentira da soberania popular, falsidades absolutas do culto partidocrático. O resto do caminho, cabe-nos a nós e ao vigor de gerações vindouras que já se aprumam para o combate.
Por Deus, Pátria e Rei
Valentim Rodrigues

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

São assim os socialistas

Os inimigos mais perigosos da sociedade são, sem dúvida, os socialistas, porque tendem à destruição da mesma sociedade. Rebuçados no manto hipócrita do amor popular, passam a vida prégando igualdadefraternidade e democracia, acirrando os ânimos do povo contra toda a propriedade, que apelidam roubo. E o povo, ao ouvir adular suas paixões, acredita na mentirosa sinceridade de seus oradores, prorrompendo muitas vezes em aplausos e aclamações, sem se lembrar que o que ele aplaude é o egoísmo e a ambição de poucos, que debaixo de belas aparências, ocultam os seus interesses e vergonhosos instintos.
É prova disto o célebre propagador do socialismo científico, Frederico Engels, falecido este ano em Londres. Discípulo de Carlos Marx, e continuador de suas obras, repetia sem cessar as fogosas palavras de seu mestre: «O capital vem ao mundo jorrando sangue e lodo por todos os poros, desde os pés até à cabeça».
Ninguém acreditaria que este campeão da democracia tinha bolsa própria, quando ainda só o nome de próprio o arrebatava em cóleras e iras.
O capital, eis o inimigo, que a todos apontava e contra o qual todo se desfazia em invectivas baptizando-o com os apelidos de roubo da sociedade, suor do pobre, sangue do operário, e mais epítetos que não falecem no vocabulário socialista. Mas a hipocrisia foi desvendada, porque ao abrir-se o testamento do célebre socialista, verificou-se que possuía uma fortuna em bens móveis de 623.875 francos e em bens imóveis 620.975, isto é, 1.244.840 francos (cerca de 224.073$000 reis).
Eis aí um dos chefes mais conspícuos, um dos partidários mais entusiastas, um dos mais incansáveis apóstolos do socialismo, que deixa ao morrer mais de 224 contos de reis! Não era o amor do pobre que o fazia invectivar o capital, mas o baixo e ruim vício do egoísmo, da ambição e mil outros lhe acendiam o ânimo contra a legítima propriedade.
Amigos destes tem muitos também o nosso povo português, os quais não cessam de lhe falar em liberdade, igualdade e fraternidade para melhor o enganar e iludir.

«Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 1º Ano, Nº 12, Dezembro de 1895

Fonte: Veritatis

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O Integralismo Lusitano e a contemporaneidade

Da esquerda para a direita, em pé: Ruy Ulrich, Hipólito Raposo, Luís de Almeida Braga e José Pequito Rebelo; sentados: António Sardinha, Vasco de Carvalho, Luís de Freitas Branco, Xavier Cordeiro e Alberto Monsaraz

Comecemos por reconhecer a particularidade de o pensamento político português no século XX ser profundamente marcado pela questão monárquica, na ressaca duma revolução republicana e da violência tirânica que se lhe seguiu, mas também da experiência traumática da decadência do liberalismo que culmina em 1908 com a brutal decapitação da monarquia pela atrocidade do terrorismo. O poder cairia na rua, e durante quase dezasseis anos seguidos prevaleceria um clima de guerra civil às mãos dos radicais republicanos e suas milícias.

Ora, a prevalência do debate e pensamento político produzido em Portugal na primeira metade do século XX, conhecido como Integralismo Lusitano, é um caso à parte na cena europeia. Inspirado no tradicionalismo monárquico de Charles Maurras, no contexto político português actual a sua evocação ganha uma nova densidade quando se observa o seu núcleo monárquico. António Sardinha, Hipólito Raposo, Alberto Monsaraz, João do Amaral, José Pequito Rebelo e Almeida Braga pensaram o integralismo como uma reacção orgânica e comunitária à erosão da tradição, tendo a monarquia como pedra angular de um modelo alternativo ao centralismo, ao individualismo e ao materialismo do liberalismo moderno.

Para António Sardinha, a monarquia não era apenas uma forma de governo, mas a expressão mais acabada da continuidade histórica portuguesa, um “regresso às fontes vivas da Pátria”. Defendia que só uma monarquia tradicional poderia garantir a harmonia entre poder central e autonomia local, abrigando a pluralidade municipalista que distinguia a tradição lusa. Hipólito Raposo ia além, afirmando que a monarquia “é a instituição suprema que recolhe e representa o sentimento nacional, acima dos interesses transitórios das facções”. A defesa do município, neste contexto, não se opunha ao trono, mas encontrava nele o garante da descentralização e da verdadeira liberdade das comunidades.

No pensamento integralista, o ideal monárquico entrelaça-se com a centralidade da família e do cristianismo. Monsaraz frisava que “a monarquia é a família ampliada”, sustentando que a estabilidade social repousa sobre vínculos de sangue, tradição e fé — elementos reforçados pelo trono, que dessa lógica é primeiro exemplo. João do Amaral evocava a monarquia como “escudo e espelho dos lares portugueses”, enquanto Pequito Rebelo insistia que “sem a monarquia cristã, Portugal perde a alma e a raiz colectiva”. Almeida Braga, por sua vez, via no cristianismo a inspiração e a legitimidade últimas da realeza portuguesa, fonte de autoridade moral e coesão nacional.

O integralismo, ao propor a restauração monárquica, opunha-se frontalmente ao paradigma liberal e individualista que triunfou com a República. Os integralistas criticavam a atomização social, a instabilidade política e a erosão das solidariedades naturais impostas pelo racionalismo moderno. Uma tese bastante actual, diga-se. Contudo, esta visão não é isenta de tensões: ao defender um modelo orgânico, hierárquico e hereditário, o integralismo entra em contradição com os ideais contemporâneos de igualdade, participação democrática e autonomia individual. O dilema permanece actual: poderia uma monarquia tradicional dialogar com as exigências de uma sociedade plural e aberta, ou representará sempre um regresso irrealizável ao passado?

Dito de outra forma: poderia algum dia esta construção intelectual tão lógica e harmónica elaborada durante décadas pelos mais brilhantes pensadores portugueses, por vezes sumptuosamente poética, aplicar-se à madrasta e cruel realidade que se nos impôs? A resposta está patente nesta citação de António Sardinha retirada da Teoria da Nobreza recentemente publicada na Biblioteca Crítica Fundamental da revista Crítica XXI: “(Nós os integralistas) Não somos conservadores, dada a passividade que a palavra ordinariamente traduz. Somos antes renovadores, com a energia e a agressividade de que as renovações se acompanham sempre. O nosso movimento é fundamentalmente um movimento de guerra. Destina-se a conquistar, e nunca a captar. Não nos importa, pois, que na exposição dos pontos de vista que preconizamos se encontrem aspectos que irritem a comodidade inerte dos que em aspirações moram connosco paredes-meias.“ Este é o problema que não consigo superar: não acredito em políticas implantadas pela força.

No entanto, creio convictamente que reflectir sobre o integralismo lusitano é importante, desde logo como imprescindível património intelectual português, mas porque a proposta dos seus fundadores permanece provocatória: sugerem que só uma ordem monárquica, fundamentada no municipalismo, na família e no cristianismo, poderá restaurar o sentido de comunidade e continuidade. Nada mais actual, nestes tempos de atomização social, desvanecimento das nacionalidades e hiperindividualismo. De resto, a tensão entre tradição e modernidade desafia-nos a imaginar formas renovadas de pertença, onde o legado monárquico se possa cruzar, criticamente, com os valores emergentes da liberdade individual e do pluralismo social.

Porque o nosso destino não está traçado.

João Távora


Fonte: Real Associação de Lisboa

domingo, 1 de fevereiro de 2026

O País Primeiro!

Portugal Acima de Tudo!

‘As dificuldades que encontramos no nosso caminho não devem ser para nos assustar ou fazer recuar, mas sim para as encarar com firmeza. Com calma, firmeza e boa vontade, e essas qualidades creio que as temos, vencer-se-á esta campanha e se o fizermos, como confiadamente acredito, poderemos então descansar um pouco com a consciência de termos feito alguma coisa útil e de termos bem servido o nosso País.’

– S.M.F. El-Rei Dom Carlos I de Portugal in ‘Cartas D’El Rei D. Carlos I a João Franco Seu Último Presidente do Conselho’

Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

sábado, 31 de janeiro de 2026

Príncipe Real D. Luís Filipe – A Grandeza Que Nos Roubaram


Príncipe Real D. Luís Filipe de Bragança

(n. 21/03/1887 – m. assassinado 01/02/1908)

‘Como nós nos não podemos aperceber do movimento da Terra, por nela estarmos, o Príncipe Real [Dom Luís Filipe] não se apercebia de que Portugal, para vir a ser Grande, até o tinha a Ele’!

– António Carlos Coelho V.B. Vasconcellos Porto, Ministro da Guerra D’El-Rei D. Carlos I (1908) in ‘A Marcha Para O Renascimento – El-Rei D. Carlos e o seu Reinado’ sobre SAR O Senhor Dom Luís Filipe de Bragança, 5.º Príncipe Real de Portugal, 4.º Príncipe da Beira e 22.º Duque de Bragança

Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

MISSA DE SUFRÁGIO POR EL-REI D.CARLOS I E PELO PRÍNCIPE REAL D.LUIZ FILIPE - Coimbra

A Real Associação de Coimbra informa que no próximo Domingo, dia 1 de Fevereiro, pelas 19,00 horas, será celebrada na Igreja do Centro Pastoral Irmã Lúcia, ao Loreto, em Coimbra, Missa de Sufrágio por Sua Majestade, El-Rei Dom Carlos I, e Sua Alteza Real, o Príncipe Real Dom Luiz Filipe.


Convidam-se todos os Portugueses a estarem presentes neste piedoso acto em memória do Soberano e do Herdeiro da Coroa de Portugal.

Que Deus guarde Portugal e a Família Real!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Da importância da abstenção

A elevada taxa de abstenção nas eleições presidenciais de 18 de Janeiro, que atingiu 48%, revela uma preocupante falta de adesão dos portugueses ao modelo de Chefia de Estado vigente. Acrescente-se ainda que mais de 3% dos votos foram brancos ou nulos, indicando que a maioria dos cidadãos não se sente representada por este sistema, onde o Chefe de Estado é tradicionalmente escolhido entre líderes partidários. Estes números não surgem do nada, reflectem uma tendência de distanciamento crescente entre eleitores e instituições políticas nacionais.

Pela minha parte estou vivamente empenhado que o número de votos brancos e nulos suba substancialmente na segunda volta, reforçando e explicitando essa posição passiva.

No entanto não coloco as expectativas demasiado altas, pois sei que demasiada gente vive inebriada na contenda eleitoral do próximo dia 8. É natural, pois há décadas que se habituaram ao nosso sistema político que tudo reduz a disputas sectárias entre “nós e eles”. Nasceram e cresceram na guerra fratricida entre “direita” vs “esquerda”, um jogo viciante que entre nós tudo envenena, um jogo fácil a que tantos portugueses reduzem a sua participação cívica nos destinos da Pátria, perpetuando a fractura social que desincentiva o envolvimento dos cidadãos nas causas públicas. Curiosamente, é nos países mais desenvolvidos, onde não se perde tempo com esta coisa de eleições presidenciais, que a população mais intervém, através dos organismos e instituições dos seus países. Por exemplo, na Suécia e na Noruega, onde não há eleições presidenciais, a participação cívica é incentivada por meio de conselhos locais e associações comunitárias, resultando em níveis de envolvimento superiores a 70% segundo dados da OCDE.

Talvez fosse conveniente promover debates públicos sobre modelos diferentes de Chefia de Estado e colocar à consideração popular reformas que permitam outra solução.

Torna-se necessário enviar um sinal, a coerência é um assunto importante.

João Távora


Fonte: Real Associação de Lisboa