sábado, 4 de julho de 2026

Santa Isabel, a Rainha Santa

Princesa da casa real aragonesa, Dona Isabel nasce em 1270. Casa por procuração com o rei D. Dinis na cidade de Barcelona, em Fevereiro de 1281, mas Coimbra só recebe o casal régio em Outubro do mesmo ano. De pronto se estabelece uma profunda empatia com aquela que viria a ser a sua futura padroeira.

Desde cedo, o carácter filantrópico e de pacificadora da rainha é posto em evidência. Destacam-se alguns dos seus actos miraculosos e as intervenções de mediadora na discórdia entre D. Dinis e o seu meio-irmão, o Infante D. Afonso. Nos anos de 1319 e 1324, intervém para pôr fim aos incidentes do marido com o filho D. Afonso. Mais tarde, ao ter conhecimento da desavença entre o futuro rei D. Afonso IV, e o seu neto, D. Afonso XI de Castela, desloca-se a Estremoz para a sua última tentativa de reconciliação. Adoecendo nessa localidade alentejana, acaba por falecer a 4 de Julho de 1336, sem ter conseguido levar a bom termo a sua missão pacificadora.

Este pequeno retábulo, considerado o primeiro ex-voto português, foi encomendado por um professor universitário, como forma de agradecer o auxílio da Rainha Santa na cura da paralisia de que padecia uma sua sobrinha, freira da comunidade monástica de Celas. Nele se representa Santa Isabel com as rosas e o milagre propriamente dito, bem como a sua acção de amparo aos mais desprotegidos. Em plano de fundo, descobre-se uma vista geral de Coimbra renascentista, com destaque para o Paço Real e o Mosteiro de Santa Clara.

A rainha é sepultada em Coimbra, no Convento de Santa Clara, conforme vontade expressa em testamento, repousando inicialmente num belíssimo túmulo de pedra esculpido no séc. XIV por Mestre Pero para, mais tarde, já no século XVII, ser trasladada para novo túmulo em prata, exposto na capela-mor do novo Mosteiro de Santa Clara.

Hoje, o monumento funerário encontra-se próximo do retábulo-mor da nova Igreja de Santa Clara de Coimbra, na companhia da venerada imagem da Rainha Santa, executada por Teixeira Lopes em 1896.Após a sua canonização ser oficializada pela Igreja de Roma, os restos mortais da Rainha Santa foram trasladados para uma nova morada final. O novo túmulo em prata foi mandado fazer em 1614 pelo Bispo-Conde de Coimbra, D. Afonso de Castelo Branco.

A sua figura de Rainha Santa ficou indissociavelmente ligada ao auxílio e fundação de mosteiros e à protecção dos mais desfavorecidos, sendo por isso querida em vida e venerada como santa, logo após a sua morte. Oficialmente, a consagração dá-se com a beatificação, a 15 de Abril de 1516, por Leão X, vindo a ser canonizada por Urbano VIII, em 25 de Maio de 1625.

Após a morte de D. Dinis, em 1325, e antes de fixar residência no paço anexo ao Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, a rainha efectuou uma peregrinação a Santiago de Compostela. Segundo a tradição, Dona Isabel oferece ao Apóstolo Santiago alfaias litúrgicas, jóias e paramentos religiosos, recebendo das mãos do arcebispo compostelano o bordão de peregrina, em forma de tau, que se encontra à guarda da Irmandade de Santa Clara.

Durante a abertura do túmulo da Rainha Santa, ocorrida em 1612, com o objectivo de proceder à recolha de provas para a sua canonização, repousava junto do seu corpo o báculo e o bordão de peregrina a Santiago de Compostela, oferecido em 1325 pelo arcebispo compostelano. A peça foi colocada, no século XVII, num receptáculo de prata, em forma de balaústre, encontrando-se à guarda da Irmandade da Rainha Santa Isabel.

Uma vez viúva, a rainha passa a envergar o hábito de clarissa sem tomar os votos, desfazendo-se dos seus adornos. De alguns mandou fazer ornamentos e alfaias religiosas, enviando-as a várias igrejas, enquanto às rainhas de Portugal, Castela e Aragão ofereceu diversas jóias.

O legado de Dona Isabel de Aragão constitui um pequeno tesouro no panorama da ourivesaria sacra medieval, embora integre uma peça de uso pessoal, o colar de ouro e pedras preciosas ( inv. 6037). De acordo com a lenda, as freiras clarissas emprestavam-no aos doentes para ajudar à cura, sendo usado, em particular, pelas parturientes.

O acervo compreende também um relicário de coral (inv. 6036) que combina a excelência das formas irregulares e naturais do coral com as várias técnicas de trabalhar a prata, associando também a douradura à utilização repetida dos esmaltes. Ostentando os símbolos heráldicos de Portugal e de Aragão, o relicário repousa sobre dois leões de vulto pleno. Esta peça tinha o seu culminar na desaparecida representação do Calvário, plasmado nas figuras de Cristo, da Virgem e de S. João. A eleição da forma tripartida surge como alusão ao Mistério da Santíssima Trindade.

Do denominado “tesouro” consta ainda uma rara escultura da Virgem com o Menino (inv. 6034), singular quer pelas dimensões, quer pelos ornamentos e gemas aplicadas. É uma escultura isenta, assente sobre três leões, que recorre mais uma vez à utilização do símbolo heráldico real no cinto, em esmalte, como forma de afirmação de poder. O acervo compreende também um relicário de coral (inv. 6036) que combina a excelência das formas irregulares e naturais do coral com as várias técnicas de trabalhar a prata, associando também a douradura à utilização repetida dos esmaltes. Ostentando os símbolos heráldicos de Portugal e de Aragão, o relicário repousa sobre dois leões de vulto pleno. Esta peça tinha o seu culminar na desaparecida representação do Calvário, plasmado nas figuras de Cristo, da Virgem e de S. João. A eleição da forma tripartida surge como alusão ao Mistério da Santíssima Trindade.

Pertencente também ao legado da Rainha Santa é a cruz de jaspe sanguíneo e prata ( inv. 6035). Desta cruz processional destaca-se o magnífico nó hexagonal, onde, mais uma vez, estão inscritas as armas da Rainha. A temática escolhida enquadra-se no catecismo Cristológico — de um lado o Calvário, do outro Cristo rodeado pelo Tetramorfo, representação simbólica dos quatro evangelistas. 

 in museumachadocastro.pt

Fonte: Senza Pagare

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Anúncio de noivado de SA O Infante D. Dinis, Duque do Porto

A Casa Real Portuguesa divulgou hoje através de um comunicado o noivado do Infante D. Dinis de Bragança com a Condessa Anna Schaffgotsch von und zu Kynast und Greiffenstein, Baronesa de Trachenberg

Comunicado

Suas Altezas Reais os Duques de Bragança tem o prazer de anunciar o noivado do seu filho, Sua Alteza o Infante D. Dinis de Bragança, Duque do Porto, e da Senhora Condessa Anna Schaffgotsch von und zu Kynast und Greiffenstein, Baronesa de Trachenberg.

Sua Alteza e a Senhora Condessa Anna Schaffgotsch ficaram noivos em Lisboa, este mês. O Infante D. Dinis informou Suas Altezas Reais os Duques de Bragança e outros membros próximos da sua família.

Mais detalhes sobre o dia do casamento serão anunciados oportunamente.

Sintra, 29 de Junho de 2026

Nota Biográfica

Condessa Anna Schaffgotsch

A Condessa Anna Schaffgotsch von und zu Kynast und Greiffenstein, Baronesa de Trachenberg, nasceu em Viena, na Àustria, a 17 de Fevereiro de 2002, e é filha de Marie e Maximilian, condes Schaffgotsch von und zu Kynast und Greiffenstein, Barões de Trachenberg. Tem três irmãos.

Anna Schaffgotsch é licenciada em Economia e Ciências Sociais pela Universidade de Economia e Gestão de Viena (WU), complementando a sua formação com certificações em Gestão Imobiliária e Gestão em Saúde. Actualmente, está a especializar-se na área da educação e vai prosseguir os seus estudos em Educação Comparativa na University College London..

Ao longo do seu percurso profissional, desempenhou funções administrativas como Office Assistant e Personal Assistant no Viennese Children’s Theatre, adquirindo experiência em comunicação, organização, contabilidade, investigação, gestão de eventos, redes sociais e apoio administrativo. Também colaborou em projetos europeus de educação e sustentabilidade.

Paralelamente, possui vasta experiência no acompanhamento de crianças e jovens, através de campos de férias, cuidados privados e trabalho voluntário com pessoas com deficiência na Roménia. Estas experiências reforçaram as suas competências interpessoais, capacidade de liderança e adaptação a diferentes contextos.

Anna destaca-se pela sua dedicação, resiliência e forte capacidade de organização, comunicação e resolução de problemas. É fluente em inglês, tem o alemão como língua materna, fala italiano e continua a desenvolver as suas competências linguísticas.

Actualmente está a realizar um estágio num programa de educação da ONG Lisbon Project Association, em Lisboa.

Nota Biográfica

Duque do Porto

S.A. o Infante D. Dinis de Bragança, Duque do Porto, nasceu em Lisboa, a 25 de Novembro de 1999. É estudante de Ciência Política e Relações Internacionais, com um percurso académico orientado para os Estudos Europeus e os Negócios Estrangeiros. A sua formação combina um percurso na licenciatura em Ciências Sociais pela Vrije Universiteit Brussel com posteriores estudos na Universidade Católica Portuguesa, refletindo um forte interesse pelas relações internacionais e pela política europeia.

Profissionalmente, foi cofundador e sócio da Caravela Consulting, onde prestou consultoria estratégica a entidades públicas e privadas, com especial enfoque em comércio internacional, investimento, relações institucionais e formulação de políticas. Desenvolveu também experiência na gestão de clientes e na promoção de parcerias internacionais.

Realizou ainda estágios em organizações internacionais e no Parlamento Europeu, participando em projetos de cooperação internacional, desenvolvimento sustentável, preparação de candidaturas a financiamentos e apoio à atividade legislativa. Estas experiências permitiram-lhe trabalhar com entidades governamentais e organizações multilaterais em diversos contextos internacionais.

Destaca-se pelas competências em análise de políticas públicas, comunicação intercultural e coordenação institucional, complementadas pela fluência em português e inglês, bem como conhecimentos de francês, espanhol e italiano.

Sintra, 29 de Junho de 2026


Fonte: Monarquia Portuguesa

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Dia de São Pedro e São Paulo

O dia de hoje é para nós dia sagrado, porque nele celebramos o martírio dos apóstolos São Pedro e São Paulo. Não falamos de mártires desconhecidos. A sua voz ressoou por toda a terra e a sua palavra até aos confins do mundo. Estes mártires deram testemunho do que tinham visto: seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade.

São Pedro é o primeiro dos Apóstolos, ardentemente apaixonado por Cristo, aquele que mereceu ouvir estas palavras: E Eu te digo que tu és Pedro. Antes dissera ele: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo. E Cristo respondeu-lhe: E Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Sobre esta pedra edificarei Eu a mesma fé de que tu dás testemunho. Sobre a mesma afirmação que tu fizeste: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, edificarei Eu a minha Igreja. Porque tu és Pedro. «Pedro» vem de «pedra»; não é «pedra» que vem de «Pedro». «Pedro» vem de «pedra», como «cristão» vem de «Cristo».

O Senhor Jesus, antes da sua paixão, escolheu, como sabeis, os discípulos a quem chamou Apóstolos. Entre estes, só Pedro mereceu representar em toda a parte a personalidade da Igreja inteira. Porque sozinho representava a Igreja inteira, mereceu ouvir estas palavras: Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus. Na verdade, quem recebeu estas chaves não foi um único homem, mas a Igreja única. Assim se manifesta a superioridade de Pedro, porque ele representava a universalidade e unidade da Igreja, quando lhe foi dito: Dar-te-ei. Era-lhe atribuído nominalmente o que a todos foi dado. Com efeito, para que saibais que a Igreja recebeu as chaves do reino dos Céus, ouvi o que o Senhor diz noutro lugar a todos os seus Apóstolos: Recebei o Espírito Santo. E logo a seguir: Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos.

No mesmo sentido, também depois da ressurreição, o Senhor confiou a Pedro o cuidado de apascentar as suas ovelhas. Na verdade, não foi só ele, entre os discípulos, que recebeu a missão de apascentar as ovelhas do Senhor. Mas, referindo-se Cristo a um só, quis insistir na unidade da Igreja. E dirigiu-se a Pedro, de preferência aos outros, porque entre os Apóstolos, Pedro é o primeiro.

Não estejas triste, ó Apóstolo. Responde uma vez, responde outra vez, responde pela terceira vez. Vença por três vezes a tua profissão de amor, já que três vezes o temor venceu a tua presunção. Tens de soltar por três vezes o que por três vezes ligaste. Solta por amor o que ligaste pelo temor. E assim, uma vez e outra vez e pela terceira vez, o Senhor confiou a Pedro as suas ovelhas.

Num só dia celebramos o martírio dos dois Apóstolos. Na realidade, os dois eram como um só; embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; seguiu-o Paulo. Celebramos a festa deste dia para nós consagrado com o sangue dos dois Apóstolos. Amemos e imitemos a sua fé e a sua vida, os seus trabalhos e sofrimentos, o testemunho que deram e a doutrina que pregaram.

Santo Agostinho, Sermão 295

domingo, 28 de junho de 2026

O rei que deu praias a todos

D. Luís assinou o decreto que declarou públicos os areais portugueses, popularizou as idas ao mar dentro da alta sociedade e transformou Cascais num retiro real de veraneio.

Se hoje há quem questione a legitimidade de colocar um chapéu de sol à frente de uma área concessionada, ponha dificuldades no acesso às praias de Grândola ou recorra aos tribunais para reclamar que cinco praias da Arrábida são privadas, para a monarquia a questão de saber a quem pertenciam as praias resolveu-se de forma bem mais simples.” Em 1864, D. Luís I decretou que “são do domínio público, imprescritível, os portos de mar e praias, os rios navegáveis e flutuáveis com as suas margens, os canais e valas, portos artificiais e docas existentes ou que de futuro se construam”. Arrumou-se assim a discussão: as praias tornaram-se públicas.

É certo que na altura ir à praia não era uma actividade massificada como hoje. Tomar banhos de mar era uma actividade maioritariamente reservada às camadas mais endinheiradas da sociedade. Ia-se à praia vestido da cabeça aos pés, para mitigar a exposição solar, numa actividade exclusivamente matutina e vespertina, de forma a evitar os períodos de maior calor. Mas não havia dúvidas sobre a quem pertenciam as praias. Eram de todos.

O destino predilecto da casa de Bragança para ir a banhos era a vila de Cascais, que se começou a desenvolver para satisfazer as necessidades dos banhistas que ali chegavam vindos da capital. O período de maior desenvolvimento da vila deu-se a partir de 1867, com a primeira visita da Rainha D. Maria Pia a Cascais, mas foi apenas a partir de 1870 que a localidade passou a ser o destino predilecto de veraneio da família real, que se acomodava no Paço Real de Cascais, substituindo as habituais idas a Sintra.

D. Luís, apelidado o Popular, foi o responsável por cultivar os hábitos balneares da família. Era um homem de vários interesses: tocava violoncelo, fazia traduções de Shakespeare e tinha um imenso fascínio pelo mar, daí ter dedicado tanta atenção à oceanografia, o estudo dos oceanos, paixão que o seu filho mais velho, o futuro rei D. Carlos, partilhava.

A exposição Memórias da Praia da Corte, com curadoria do historiador João Miguel Henriques, conta que D. Luís e D. Maria se banhavam na praia da Ribeira, enquanto os filhos preferiam a antiga Boca do Asno (atual praia da Rainha), por ser mais resguardada do vento. Os dias de praia passavam, além das óbvias idas ao mar pela manhã, por passeios até ao Guincho e ao Estoril, onde a realeza e a corte faziam piqueniques, praticavam vela, remo e pesca.

Quando os hábitos balneares da família real se popularizaram, a restante elite da sociedade, como os duques de Loulé e os duques de Palmela, passou a acompanhar os reis nas idas ao mar. O escritor Ramalho Ortigão descreveu no seu guia para banhistas As Praias de Portugal, de 1876, que a ida ideal de Lisboa para Cascais, “o mais belo dos passeios permitido ao habitante de Lisboa”, devia ser feita de madrugada: acordar “às cinco horas da manhã” de um domingo em Setembro e entrar no “vapor” que fazia a ligação da capital à vila, que custava “dez tostões”, partir no comboio das 7h e admirar as paisagens do comboio com o “binóculo” que se levava de casa. A ligação ferroviária entre Cascais e o Cais do Sodré, ainda hoje em exploração, só foi completada em 1895.

A morte do Rei

Depois da morte de D. Luís, aos 50 anos, em 1889, precisamente em Cascais, a Rainha acabou por abandonar a residência cascalense e passou a ir para um pequeno palácio no Monte Estoril. Já para D. Carlos, as tradicionais visitas a Cascais continuaram. Fez obras no Paço da Cidadela e mandou construir o primeiro laboratório português de biologia marinha, inaugurado em 1896. Uma das vistas habituais na enseada de Cascais era o seu iate – Amélia, nomeado em homenagem à rainha. Foi também D. Carlos que impulsionou o desenvolvimento das atividades desportivas na vila, como a vela, o ténis e o remo.

Para a família real, a partir do reinado de D. Carlos, a temporada balnear abria a 28 de Setembro, no dia do seu aniversário e estendia-se pelo mês de Outubro, até à abertura da temporada no Teatro S. Carlos. O jornal Sol descreve as idas do rei a Cascais: “A bandeira nacional era hasteada no mastro da praia, anunciando a presença do monarca. O fato de banho às riscas que lhe cobria os ombros e chegava aos joelhos era vestido e despido na barraca real aí instalada.”

A partir dos anos 30 do século XX, Cascais começou a perder importância para o Estoril, devido aos projetos do empresário Fausto de Figueiredo, como a construção do Palace Hotel e do Casino Estoril. Mas o País nunca mais deixou de ir à praia.

Com Ana Taborda

Fonte: Monarquia Portuguesa

sábado, 27 de junho de 2026

Centralização e representação

Ao assentarem a legitimidade do governo nas paixões e tendências individuais, os princípios do regime liberal e democrático destruíram a harmonia que assegurava a convivência dos homens em sociedade.

Esquecida a verdadeira religião como fundamental para a vida em comum, sendo substituída pela vontade popular, muitas vezes até com o apoio de alguns eclesiásticos, os caprichos de uma inconstante ambição política conduziram-nos a um centralismo de Estado avassalador que destruiu as nossas peculiaridades e costumes tradicionais e seculares.

À medida que a pulverização ou massificação se vai tornando maior, mais cresce o processo centralizador e menos se pode falar de representação.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Família Real Portuguesa no concerto de encerramento do Festival de Sintra


SS.AA.RR. os Duques de Bragança, S.A.R. o Príncipe da Beira e S.A. o Duque do Porto estiveram  presentes no concerto de encerramento do Festival de Sintra, que se realizou no Auditório Olga de Cadaval, em Sintra. S.A.R. a Duquesa de Bragança foi a Presidente da Comissão de Honra do Festival, a convite do Presidente da Câmara Municipal de Sintra, Dr. Marco de Almeida.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Gala das Rosas da Confraria da Rainha Santa Isabel - 27 de Junho, 21 horas, no auditório do Colégio da Rainha Santa Isabel, Coimbra

 

No próximo Sábado, dia 27 de Junho, a partir das 21 horas, no auditório Ana Maria Javouhey, do Colégio da Rainha Santa Isabel, em Coimbra,  a Confraria da Rainha Santa Isabel vai iniciar as festas em louvor da Padroeira da cidade de Coimbra, por si organizadas neste ano de 2026, com a realização da Gala das Rosas.

   A Gala das Rosas é um sarau cultural organizado pela Confraria nos anos pares, composto pela actuação de grupos artísticos de  instituições amigas da Irmandade, que se juntam num evento para ajudar a própria Confraria a anunciar as festas em louvor da Rainha Santa Isabel e a recolher um fundo de tesouraria indispensável para a organização das festas religiosas. 

     Convidam-se todas as pessoas interessadas na realização das festas religiosas a assistir a esta Gala das Rosas, ajudando a Confraria da Rainha Santa Isabel.

A entrada custa 10 rosas.

Com os melhores cumprimentos,
Joaquim Costa e Nora

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Nascimento João Baptista descrito maravilhosamente por Santo Agostinho

A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: isto tem, sem dúvida, uma explicação. E se não a soubermos dar tão bem, como exige a importância desta solenidade, pelo menos meditemos nela mais frutuosa e profundamente. João nasce de uma anciã estéril; Cristo nasce de uma jovem virgem.

O pai de João não acredita que ele possa nascer e fica mudo; Maria acredita, e Cristo é concebido pela fé. Eis o assunto que quisemos meditar e prometemos tratar. E se não formos capazes de perscrutar toda a profundeza de tão grande mistério, por falta de aptidão ou de tempo, aquele que fala dentro de vós, mesmo em nossa ausência, vos ensinará melhor. Nele pensais com amor filial, a ele recebestes no coração, dele vos tornastes templos.

João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o antigo e o novo. O próprio Senhor o chama de limite quando diz: A lei e os profetas até João Batista (Lucas 16, 16). Ele representa o antigo e anuncia o novo. Porque representa o Antigo Testamento, nasce de pais idosos; porque anuncia o Novo Testamento, é declarado profeta ainda estando nas entranhas da mãe. Na verdade, antes mesmo de nascer, exultou de alegria no ventre materno, à chegada de Maria. Antes de nascer, já é designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele. 

Tudo isto são coisas divinas, que ultrapassam a limitação humana. Por fim, nasce. Recebe o nome e solta-se a língua do pai. Relacionemos o acontecido com o simbolismo de todos estes fatos.

Zacarias emudece e perde a voz até o nascimento de João, o precursor do Senhor; só então recupera a voz. Que significa o silêncio de Zacarias? Não seria o sentido da profecia que, antes da pregação de Cristo, estava, de certo modo, velado, oculto, fechado? Mas com a vinda daquele a quem elas se referiam, tudo se abre e torna-se claro. 

O facto de Zacarias recuperar a voz no nascimento de João tem o mesmo significado que o rasgar-se o véu do templo, quando Cristo morreu na cruz. Se João se anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta-se a língua, porque nasce aquele que é a voz. Com efeito, quando João já anunciava o Senhor, perguntaram-lhe: “Quem és tu?” (João 1,19). E ele respondeu: “Eu sou a voz do que clama no deserto” (João 1,23). João é a voz; o Senhor, porém, no princípio era a Palavra (João 1,1). João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna.

Santo Agostinho in Sermão 293, 1