quinta-feira, 23 de abril de 2026

O Estado Tradicional é orgânico e não totalitário


É diferenciado, articulado e admite zonas de autonomia parcial. Coordena e faz participar na unidade superior forças a que reconhece liberdade. Precisamente porque é forte, não tem necessidade de recorrer à centralização mecânica: esta só é reclamada se for preciso controlar uma massa informe e atómica de indivíduos e de vontades, o que, no entanto, faz com que a desordem não possa ser verdadeiramente eliminada, mas contida provisoriamente.

Segundo Walter Heinrich, o Estado autêntico é "omnia potens", não "omnia facens", pois detém no centro um poder absoluto que pode e deve fazer valer sem entraves em caso de necessidade ou de decisões últimas e que vai além do fetichismo do chamado “Estado de direito”. Não intervém em tudo, não impõe a vida de caserna (no sentido negativo), nem conformismo nivelador em lugar de reconhecimento livre e lealdade, como não procede a intervenções impertinentes e imbecis do domínio público ou estatal no domínio privado. A imagem tradicional corresponde à gravitação natural de sectores e unidades parciais em redor de um centro que governa sem constrangimentos que actua por prestígio de uma autoridade que certamente pode recorrer à força, mas da qual se abstém o mais possível. A prova da força efectiva do Estado é dada pela margem concedida à descentralização parcial e racional. A ingerência sistemática do Estado não pode ser um princípio, a não ser que se trate de socialismo de Estado tecnocrático e materialista.

Por contraste, a missão essencial do Estado autêntico é criar um determinado clima geral, em certo sentido imaterial, como foi próprio a todos os regimes da época precedente. É a condição necessária para que tal sistema, onde a liberdade é sempre o factor fundamental, tome forma de modo praticamente espontâneo e funcione de maneira justa, com um mínimo de intervenções rectificadoras.

terça-feira, 21 de abril de 2026

CRITICA XXI . NÚMERO 14 . INVERNO 2026


Neste número 14 da Crítica XXI, referente ao Inverno de 2026, Jaime Nogueira Pinto, em “De que falamos quando falamos de valores europeus?”, faz uma pré-publicação do livro Valores Europeus: Uma Longa História, a lançar pela Dom Quixote no fim de Maio. Nele procura, numa perspectiva de História das Ideias, identificar e avaliar os valores que fizeram e vão fazendo a Europa.

José Maria Cortes em “O que Prometeu não cumpriu” fala dos limites antropológicos do político e da dificuldade de concretização entre “bens sociais” conflituantes.

Em “Patrimonialismo Positivo”, Orlando Lima procura identificar a “cultura estratégica da nação brasileira” para concluir, citando Raymundo Faoro, que “o Brasil é, na sua essência, um país patrimonialista”. Uma realidade que às vezes as instituições não querem reconhecer.

H.P. Lovecraft é um escritor muito especial: João Vaz discute as ideias políticas do autor de The Strange Affair of Charles Dexter Ward, identificando no mestre do mistério e do terror um “conservadorismo estético” que entronca em autores como Edmund Burke e Roger Scruton, acabando numa clara nostalgia e reinvenção do passado.

Em “A ONU, o uso da força e o Direito Internacional” Manuel Almeida Ribeiro analisa o momento actual da sociedade internacional, entre uma “ordem internacional liberal” em crise e uma nova ordem de grandes poderes que ainda não se consolidou.

Carlos Maria Bobone em “O Negro” faz uma análise histórica e político-cultural daquilo que habitualmente se designa como “cultura negra”. Para o autor do ensaio, tema da capa desta edição de Crítica XXI, é falsa a “grelha de esquerda que inseriu a cultura negra no ciclo dos oprimidos”, transformando-a numa “versão mais colorida da luta de classes”.

Continuando com a história das instituições portuguesas, Rui Ramos escreve sobre Manuel de Arriaga, o “fidalgo de democracia que inventou a Presidência da República”, desmistificando as narrativas incensatórias da Primeira República e revelando a resistência de Arriaga ao autoritarismo jacobino de Afonso Costa.

Este número conta ainda com duas notas críticas de Miguel Freitas da Costa (O Plano de David Graham e Para lá do Muro de Katja Hoyer) e uma de Jaime Nogueira Pinto (Tudo Sobre Deus de José Eduardo Agualusa); Jorge Costa Braga escreve sobre “Os Três séculos d’O Leopardo” analisando o livro de Lampedusa, o filme de Visconti, e a nova minissérie da Netflix.

DIRECÇÃO JAIME NOGUEIRA PINTO E RUI RAMOS

domingo, 19 de abril de 2026

Como rezar o Regina Caeli

Durante o tempo pascal, que vai do Domingo de Páscoa até ao Pentecostes, em vez da Oração do Anjo (Angelus) reza-se o Regina Caeli, para sublinhar a alegria cristã pela ressurreição de Nosso Senhor.

Português:

V. Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!
R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!
V. Ressuscitou como disse, Aleluia!
R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!
V. Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Oremos. Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, a graça de alcançarmos pela protecção da Virgem Maria, Sua Mãe, a glória da vida eterna. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor. Ámen.

Latim:

V. Regina caeli, laetare, alleluia.
R. Quia quem meruisti portare, alleluia.
V. Resurrexit, sicut dixit, alleluia.
R. Ora pro nobis Deum, alleluia.
V. Gaude et laetare, Virgo Maria, alleluia.
R. Quia surrexit Dominus vere, alleluia.


Oremus. Deus, qui per resurrectionem Filii tui, Domini nostri Iesu Christi, mundum laetificare dignatus es: praesta, quaesumus; ut per eius Genetricem Virginem Mariam, perpetuae capiamus gaudia vitae. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.


sábado, 18 de abril de 2026

Uma mudança força sempre a novas alterações


Os que acreditam poder movimentar-se na máquina da mudança, não podem parar o seu curso porque, mesmo atirando-se para a frente, apenas conseguem esquivar-se e adiar o declínio catastrófico, pois o equilíbrio torna-se cada vez mais difícil.

O homem ao ignorar as leis do Universo e do seu Criador, desencadeou forças que não domina e, ao não ter uma consciência clara dos seus desígnios, proporcionou a catástrofe actual e está a preparar uma muito pior para o futuro.

Sob o pretexto de libertar o homem das suas velhas amarras, para o conseguir e à medida que lhe dá forma, o Estado absorve todas as instituições, tirando o poder às formas de vida prestáveis, impondo uma condição social em que todos os membros da ordem da estrutura fluem de cima para baixo, partindo do centro estatal.

Destruída a construção que vai de baixo para cima, desapareceram para o Estado as limitações que, desde baixo e conforme a ordem da natureza, lhe eram impostas pelas autonomias dos corpos sociais com as suas liberdades e franquias jurídico-políticas.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

IV Prémio Marquês de Rio Maior para a Agricultura

A Real Associação do Ribatejo tem a honra de convidar V. Exas para estar presente na cerimónia de entrega do IV Prémio Marquês de Rio Maior para a Agricultura, que terá lugar no próximo dia 18 de abril de 2026 às 11.30h , no Salão Nobre da Câmara Municipal de Santarém, seguido de um almoço no Clube de Santarém.

Nesta edição, o prémio será atribuído ao Eng.º Luís Vasconcellos e Souza, em reconhecimento pelo seu notável contributo para o desenvolvimento e valorização da agricultura portuguesa.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

O homem do futuro


“A lei continua a ser, não importa o quanto vazia de conteúdo nem o quanto afastada do Direito Natural, o supremo árbitro... O Direito Natural é suspeito de origem religiosa e metafísica, inadequado para uma sociedade pragmática e pluralista...

Os conceitos de bem e mal estão deteriorados, os valores são decretados pela lei positiva. Um exemplo apelativo é-nos dado quando se legaliza o aborto e por isso é bem.

Somos testemunhas da clara vitória do legalismo sobre a ética. As raízes não estão no que é permanente, mas num suposto futuro onde, em breve, se espera que desponte um novo tipo humano. Um homem estandardizado que tenha assimilado completamente o direito positivo, objecto de manipulação sociológica, com todas as suas mudanças subsequentes”.

Thomas Molnar em “O Direito Natural e o Direito Positivo no Mundo Anglo-Saxão”. Conferência pronunciada na “II Jornadas Hispânicas de Direito Natural”, Córdoba, Set./1998
 

Fonte: Causa Tradicionalista

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Apresentação do livro “Coimbra Isabelina: Memórias da Rainha Santa Isabel"

No próximo dia 19 de Abril de 2026, pelas 17 horas, na Sala do Capítulo do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, será apresentada a obra “Compêndio Histórico –_Coimbra Isabelina: Memórias da Rainha Santa Isabel_", da autoria do Confrade Doutor Francisco Manuel Relva Pereira.

     A obra está prefaciada pela Confreira Doutora Carlota Miranda Urbano, Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que fará a respectiva apresentação.

     A Confraria da Rainha Santa Isabel e a Liga dos Amigos da Confraria da Rainha Santa Isabel associam-se ao lançamento desta obra sobre a Padroeira da cidade de Coimbra, obra que é da autoria de um Confrade desta Irmandade, convidando todos os Irmãos e Irmãs da Confraria, bem como todos os devotos da Rainha Santa Isabel a participarem nesta apresentação.

     A entrada é livre!