01 fevereiro 2023

1 de Fevereiro de 1908 – Regicídio

 


Regicídio – Mataram o Rei e o Príncipe Real!

Completam-se hoje 115 anos sobre o mais trágico magnicídio da História de Portugal, episódio que haveria de ficar para sempre conhecido como Regicídio, pois, a 1 de Fevereiro de 1908, Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Carlos I de Portugal e o Príncipe Real Dom Luís Filipe de Bragança foram assassinados, respectivamente aos 44 e aos 20 anos, num atentado terrorista perpetrado pela Carbonária, organizado em conjunto por esta organização terrorista, pela maçonaria, por republicanos do Partido Republicano Português e dissidentes do Partido Progressista. Nele morreram não só um Rei e um Príncipe, mas a Esperança de toda uma Nação, pois foi dali que veio todo o Mal.

A unidade na Maçonaria permitiu a formação de uma organização secreta sediciosa e armada, a Carbonária, que, liderada por Luz de Almeida, alistava grupos de civis que treinava nas técnicas de combate urbano e anarquista e procedia ao recrutamento de fidelidades nos quartéis entre os marinheiros, soldados e os sargentos. Apoiada pelo próprio grão-mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, lançou-se mesmo em atentados bombistas como os dos anarquistas João Borges e José do Valle.

A Carbonária foi uma organização terrorista secreta, oriunda de Itália, e que se instalou em Portugal em 1822. Era paralela da Maçonaria, embora sem vínculo orgânico à Maçonaria Portuguesa, não obstante utilizava algumas lojas do então Grande Oriente Lusitano Unido para aquartelar os seus órgãos superiores, os seus membros eram na maioria também maçons, e colaborou oficialmente com esta Obediência para a tentativa de revolução republicana falhada de 28 de Janeiro de 1908 – conspiração urdida pelos republicanos, pela Carbonária e pelos dissidentes progressistas -, para o Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, e, para a implantação da República, em 5 de Outubro de 1910. A Carbonária era uma organização política, mas de cariz armado, uma espécie de brigada de artilharia, inimiga da Monarquia, do clero e das congregações religiosas. A Carbonária impunha aos seus filiados que ‘possuíssem ocultamente uma arma com os competentes cartuchos’.

O órgão supremo da Carbonária Portuguesa era a Venda Jovem-Portugal, tão secreta que os seus membros não se conheciam uns aos outros e que apenas se reunia em caso de deliberações importantes. O seu Presidente honorário era o Grão-Mestre que era o único dos seus membros que comunicava com a Alta-Venda e que assistia a todas as sessões deste órgão. Continuando com a descrição do organigrama da organização, a Alta-Venda era composta pelo Grão-Mestre eleito na Venda Jovem-Portugal e mais quatro Bons Primos nomeados e escolhidos por este de entre os membros da Carbonária Portuguesa. Este era o órgão de gestão da Carbonária Portuguesa e o seu pólo dinamizador principal.

Na Carbonária havia quatro graus: Rachador, Aspirante, Mestre e Mestre Sublime. Os filiados tratavam-se por Primos e por Tu, havendo entre eles sinais de reconhecimento e palavras especiais, e, nas sessões apresentavam-se sempre todos de capuz geralmente negro ou com a cara encarvoiçada, para dificultar a exposição dos chefes, mas os quais, todavia, conheciam os seus homens. O estandarte carbonário era vermelho e verde e nele estava representado um Estrela de Cinco Pontas, que encima o Globo Terrestre e três pontinhos, dispostos em forma triangular com o vértice na parte inferior.

Do lado político formou-se ainda um comité revolucionário composto pelos dissidentes do Partido Progressista, Visconde da Ribeira Brava e Alpoim, e, os republicanos Afonso Costa e Alexandre Braga, entre outros e que era conhecido pelo Grupo dos 18. Prepararam então a revolução.

Tudo servia de desculpa para denegrir o governo e o Rei: a questão dos adiantamentos, isto é, das supostas dívidas da Casa Real ao Estado; a greve académica de Coimbra em Março de 1907, com o falso pretexto da reprovação de um candidato a Doutoramento em Direito; que João Franco governava em ditadura – ora acontece que depois de quebrado o apoio dos progressistas, passou a governar à turca, mas tratou-se de uma ditadura apenas administrativa, pois era impossível governar com o Parlamento que não funcionava; havia forte especulação de que Dom Carlos I intervinha muito na governação, ora, por causa da inoperância das instituições, designadamente o parlamento enredado no quiproquó do rotativismo, o Rei era, na prática, obrigado a exercer o poder real por vezes de forma significativa, embora sujeito pela Constituição a actuar no conselho do Gabinete – ou isso ou o País parava enredado no jogo rotativista! D. Carlos, foi até menos intervencionista que o regente D. Pedro, Duque de Bragança, depois de 1834, ou que D. Maria II e Dom Pedro V; os rivais, de resto, menos que uma ditadura, temiam a hipótese de uma nova forma de reinar, capaz de confirmar um caminho novo para o regime, limpo de toda a ferrugem que encardia a engrenagem da máquina.

Aliás, tudo parecia resolver-se, até porque o partido de João Franco alcança os acordos indispensáveis com os círculos eleitorais de maneira a garantir a desejada maioria, e são marcadas eleições para o parlamento, o que poria fim à ditadura administrativa e permitiria regressar a um cenário de normalidade e equilíbrio parlamentares.

A Família Real encontrava-se em Vila Viçosa desde 6 de Janeiro, no Paço Ducal dos Braganças, e que era tanto do gosto do Rei que apreciava o bucolismo e a vida simples e rural. Só Dom Manuel, após uma curta estadia, apressara a sua vinda para Lisboa com o objectivo de se preparar para os exames da Escola Naval.

Dia 28 de Janeiro de 1908 foi a data escolhida pelo comité revolucionário para a revolução pelas armas, mas um inconfidência de um dos conspiradores fez chegar a notícia da sublevação às autoridades que actuaram de imediato: António José de Almeida, Luz de Almeida, João Chagas, França Borges, João Pinto dos Santos e Álvaro Poppe foram presos imediatamente. Afastados estes, a chefia e orientação do coup recaiu sobre Afonso Costa, mas com a rápida intervenção das forças da ordem comandadas pelo general Malaquias de Lemos, acabou detido juntamente com Egas Moniz e o Visconde da Ribeira Brava de armas na mão, no Elevador da Biblioteca, de onde contavam chegar à Câmara Municipal para proclamar a república. José Maria de Alpoim conseguiu fugir para Espanha. As tropas por agora mantiveram-se fiéis ao regime e Machado dos Santos não conseguiu sublevar o quartel da Marinha em Alcântara, nem Cândido dos Reis apoderar-se do cruzador São Miguel.

João Franco extrapola e decide usar mão-de-ferro preparando um decreto-lei de excepção vaticinando o exílio para o estrangeiro ou a expulsão para as colónias, sem julgamento, de indivíduos que fossem pronunciados em tribunal por atentado à ordem pública e segurança do Estado. El-Rei hesitou, mas reflectindo, após insistência de Franco anui: ‘Cada vez temos mais necessidade acabar com agitação. Aprovo resolução tomada’. Dom Carlos assina o Decreto de 31 de Janeiro que prevê a deportação dos que atentassem contra a segurança do Estado. O Monarca terá, então, dito: ’assino a minha sentença de morte!’. Mesmo assim decide regressar a Lisboa no dia seguinte, para não pensarem que o Rei se escondia.

Quem não parara de se movimentar na sombra era a Carbonária que, com a conivência do mencionado comité revolucionário, urdia um atentado para assassinar a Família Real desde 1907, data em que, numa deslocação a Paris, um grupo de republicanos decidira numa reunião com revolucionários anarquistas franceses, num Café da Boulevard Poissonière, assassinar o presidente do Conselho e o Monarca português! Houve depois vários encontros para preparar o atentado, sendo o último na madrugada desse dia 1 de Fevereiro de 1908, nos Olivais, onde uns primos da Carbonária, simultaneamente membros de uma loja maçónica não regularizada, decidem avançar com a impiedade. Decidem assassinar, primeiro o Rei Dom Carlos I, depois o Príncipe Real Dom Luís Filipe, depois o Infante Dom Manuel e, finalmente, a Rainha Dona Amélia.

A Família Real deixou Vila Viçosa às 11h00 de 1 de Fevereiro de 1908 e Dom Carlos I, Dona Amélia e Dom Luís Filipe viajaram de comboio até ao Barreiro onde apanharam o vapor Dom Luís.

Estava uma tarde linda, solarenga e vestida de azul, Dom Manuel, o Infante Dom Afonso, os conselheiros que compunham o governo e vários dignitários e áulicos da Corte, esperavam no cais fluvial de Lisboa o vapor que trazia a Família Real. Dom Carlos I, Dona Amélia e Dom Luís Filipe desembarcam às 17h10m no Terreiro do Paço. Dona Amélia é oblatada com um ramo de flores por uma rapariguinha, Dom Carlos desce de seguida e combina com João Franco reunião no Paço. Trocam-se rapapés vagarosos entre Dom Carlos e o Ministro da Guerra Vasconcellos Porto, e Dom Luís Filipe, o último a descer, vai entretendo boa parte dos 80 elementos que os esperavam, até que o Conde de Figueiró faz saber que as carruagens estavam prontas – pois, ao contrário da insistência do estribeiro-menor Coronel Alfredo Albuquerque, El-Rei decidira que seguiria num laudau de capota descida, prescindindo, dos automóveis. Sobem a carruagem aberta que os levaria às Necessidades. De acordo com o Protocolo, Dona Amélia subiu primeiro e ocupou o lugar à esquerda de frente, Dom Carlos o da direita, Dom Manuel de costas à esquerda e Dom Luís Filipe defronte ao Rei.

Foi um cortejo fúnebre aquele que, a 1 de Fevereiro de 1908, saiu da estação e evoluía em marcha lenta num laudau de capota descida e um pouco destacado da comitiva, e sem grandes medidas de segurança – apenas com uns batedores a cavalo tomando a dianteira e o oficial às ordens a cavalo a ladear o Rei.

O laudau seguia já nas arcadas à esquerda do Terreiro do Paço, no Ministério da Fazenda, na Praça do Comércio, quase a dobrar para a Rua do Arsenal, quando um tiro e um grito de ordem, ‘A Eles!!!’, se ouviram. O Duque de Beja, o Infante Dom Manuel, olhou perscrutante e reparou num indivíduo de densas barbas negras e de varino, no passeio: era o Manuel Buiça! O facínora de olhar vítreo abriu o capote e retirou uma carabina, atirou as faldas do varino para os ombros e correu numa fúria homicida a aproximar-se da carruagem real; já na rua ajoelhou-se à forma de atirador – com um joelho no chão e a coronha da Winchester – que lhe havia dado o Ribeira Brava, que a havia comprado na Espingardaria Central -, encostada ao ombro! Manuel dos Reis Silva Buiça, professor primário, fixou o olhar duro e frio no Rei e disparou usando como alvo a gola vermelha do capote do pequeno uniforme de Marechal-General do Exército que o Rei envergava! A poderosa bala de calibre 44 acertou em cheio no Rei Dom Carlos, atravessando-lhe o corpo, fracturando a coluna vertebral e saindo pelo maxilar inferior, o Rei faz um esgar, mas abateu-se de seguida, morto. Buiça continuou a fuzilar El-Rei, o que fez o Príncipe Real D. Luís Filipe, já recuperado do espanto sacar do Colt e disparar 3 tiros na direcção dos cinco terroristas – parece que atingiu José Nunes; Alfredo Costa surgiu por trás do Rei e disparou-Lhe a Browning FN sobre a nuca, depois colocou o pé direito no apoio de subida do landau e elevou-se ficando ao nível da Família Real, disparando sobre o corpo inerte e tombado de costas do Monarca português. Dom Luís Filipe disparou sobre o terrorista, mas os solavancos fazem-no errar o alvo. Enquanto isso, a Rainha Dona Amélia aos gritos de ‘Infames!’, armada do ramo de flores ofertado à chegada por uma criança, flagelava corajosamente o Costa, mas em vão, pois Alfredo Luís Costa virou-se para o Príncipe Real e disparou-lhe em cheio no esterno, mas não mortalmente. O Príncipe Real não negou a varonia que lhe era reconhecida e corajoso descarregou as restantes 4 balas do Colt no Costa que cai morto da carruagem. Ao ver isso, o Buiça que continuava a espingardearia atingindo Dom Manuel no braço direito, virou-se para Dom Luís Filipe e disparou sobre o já jovem Rei, que não reinaria, pois foi atingido em cheio na face esquerda com uma bala que lhe atravessou a cabeça e sai pela nuca, matando-o. Estava consumado o magnicídio!

O tenente Francisco Figueira trespassou, então, o Buiça com a espada e pôs-lhe um fim. Ainda restavam três terroristas, mas graças à acção do Marquês de Lavradio e do Visconde de Asseca que se colocam a servir de escudo e do sangue-frio do cocheiro Bento Caparica, que mesmo ferido, à brida toda dispara os ginetes em direcção ao Arsenal, os intentos assassinos dos carbonários não conseguem completar o plano gizado e Dom Manuel e Dona Amélia sobrevivem. Os outros carbonários, acabaram, também, às mãos do sabre ou da pistola da guarda.

Uma mulher do povo exclamou, em pranto:

‘- Mataram agora o Rei!’
‘Mataram o Rei! Mataram o Príncipe Real!’

Eram 17h20m, a terrível notícia espalhou-se pela capital. Estava consumada a tragédia do Regicídio!

A Monarquia estava ferida de morte pelos golpes desta tragédia!

‘O meu Pai… o meu Irmão!!!!’, exclamou o filho de Rei e irmão de Príncipe Real.

O Rei morreu… duas vezes!!! Dom Manuel era o novo Rei, obrigava-o o dever do trono e destino dos Reis: reinar sobre a morte de quem lhe deu vida!

É um relato doloroso e gráfico, aquele que se fez do Regicídio, mas necessário para que se possa constatar com toda a justiça a brutalidade do assassinato e o sofrimento das vítimas, dos Mártires Reais.

Miguel Villas-Boas

‘À noite, nas Necessidades, o Conselho de Estado reunido persuade o novo Rei, Infante Dom Manuel, a afastar João Franco e a formar ministério novo. Faz-se a vontade ao inimigo, abatem-se bandeiras perante o crime. «Os regímenes sucumbem e desaparecem, menos pela força do ataque que pela frouxidão da defesa» – dirá o próprio João Franco. Resume, muito exactamente, um jornal, meses depois: – «O Rei morreu na tarde de 1 de Fevereiro, no Terreiro do Paço. A Monarquia morreu nessa noite, no Paço das Necessidades», precisamente quando a Realeza se erguia unida a um governo sério e forte. Eliminado da cena e lançado para o exílio o único homem de pulso, não há em torno de Dom Manuel II senão os velhos homens dos partidos, sempre envolvidos em querelas de vaidades, sempre obcecados pelo fito de conquistar o mando para si e para os seus amigos. Os partidos que aquele chamara de “rotativos”, aproveitam-se assim da inexperiência bem-intencionada do Infante adolescente para voltarem ao mesmo “regabofe”, depois dos esforços do Rei e do seu 1º Ministro para fazerem de Portugal um país decente.’

António Sardinha | Político anti-maçónico e anti-iberista, historiador, poeta, ensaísta e doutrinador português

Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

31 janeiro 2023

Missa de sufrágio pelas almas de El-Rei Dom Carlos I e do Príncipe Dom Luiz Filipe - Viana do Castelo

 


Na passagem do 115.º Aniversário do regicídio, a Real Associação de Viana do Castelo cumpre o doloroso dever de mandar celebrar uma missa de sufrágio pelas almas de Sua Majestade El-Rei Dom Carlos I e de Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luiz Filipe, no próximo dia 1 de Fevereiro (Quarta-feira), pelas 18h00, na Sé Catedral de Viana do Castelo.


Contamos com a sua presença!

D. Carlos I: O Sonho De Renascimento Pátrio

 


‘Quanta vez O ouvi descrever a esperança de edificar um futuro grandioso para a Pátria. (…)

É claro que El-Rei não tinha a ilusão que esse sonho florisse de todo no Seu Reinado. Obras dessas não se realizam na vida de um homem. D. Manuel I foi precedido por D. João II. D. Carlos olhava para diante, a sua aspiração estava para lá da sua vida: era esse o seu melhor mérito.

E conscientemente, tenazmente, ia lançando as bases do engrandecimento pátrio, preparando o apogeu para o reinado do Seu amado Filho. Par que o Príncipe Real fosse o seu consciente e seguro continuador, o glorioso herdeiro da Sua obra, o facetador que havuia de dar o último toque de cinzel no Seu sonho d’oiro, El-Rei, de passo que preparava a força interior que era o exército, e no exterior o ambiente de consideração, com as suas viagens e as suas óptimas relações pessoais com todos os tronos da Europa: de caminho que preparava um Povo, para as nobres alegrias do futuro, educava-lhe um Rei que incarnasse e guiasse esse Povo, nos últimos trechos da marcha para o renascimento. (…)

Mas D. Carlos educava o Príncipe Real não à Sua imagem, e sim à imagem do seu ideal de Rei. Queria-Lhe todas as virtudes que torna legendário um trono, e d’Ele tudo quanto havia de bom e grande havia repassado para o Filho.

O Príncipe sabia que o Pai lhe estava preparando uma grande Pátria. O muito amor por seu Pai era, a par da admiração de filho, a profunda, consciente gratidão de Português, que assistia ao engrandecimento incessante de trabalho de patriota. (…)

Afectuoso e educado como seu Pai, em El-Rei D. Carlos tinha um retrato do que é a cortesia e o respeito, dentro do afecto. (…)

Como nós nos não podemos aperceber do movimento da Terra, por nela estarmos, o Príncipe Real não se apercebia de que Portugal, para vir a ser grande, até o tinha a Ele! Do que o Príncipe se apercebia, d’olhos gratos e enlevados, era do que muitos ainda hoje se não apercebem, – do grande Rei que estava sendo El-Rei D. Carlos, e de que florescente época de Renascimento para que o seu reinado nos estava encaminhando.’

António Coelho Vasconcellos Porto, Ministro da Guerra D’El-Rei D. Carlos I (1908) in ‘A Marcha Para O Renascimento – El-Rei D. Carlos e o seu Reinado’, Jornal ‘O Correio – Semanário Monarchico’, 1 de Fevereiro de 1913.

Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

30 janeiro 2023

Príncipe Real D. Luís Filipe – A Grandeza Que Nos Roubaram

 


SAR O Senhor Dom Luís Filipe de Bragança, 5.º Príncipe Real de Portugal (jurado herdeiro do Trono, em Maio de 1901), 4.º Príncipe da Beira, 14.° Duque de Barcelos e 22.º Duque de Bragança (n. 21/03/1887 – m. assassinado 01/02/1908)

Era [Príncipe Real Dom Luís Filipe de Bragança] uma figura de arrebatar!

‘Era uma figura de arrebatar! Tanto El-Rei como S. M. a Rainha tinham esta preocupação na educação do Príncipe: que Sua Alteza bem merecesse da Pátria pelo que valesse, pelos seus méritos e virtudes. E o Príncipe foi o que Suas Majestades desejavam. Eu vi despontar, naquela alma portuguesa, todos os grandes sentimentos da nacionalidade. Era português na linguagem, imprevisto e delicado como um literato nato, reflexivo (as suas respostas nos exames, dadas depois de meditar, aldeados da Corte que assistia, a cabeça entre as mãos!) e espirituoso, subjectivo e cavalheiresco, enlevado e simples. E desde tamanino, dois traços magistrais e característicos vincaram definitivamente a figura do Príncipe: a ternura pelo Rei e o culto pelo Reino! Toda a nobreza que um grande sentimento demanda, no Príncipe a havia.
O Príncipe [D. Luís Filipe] sabia que o Pai [D. Carlos I] lhe estava preparando uma grande Pátria. O muito amor por seu Pai era, a par da admiração de filho, a profunda, consciente gratidão de Português, que assistia ao engrandecimento incessante de trabalho de patriota. 
O sentimento patriótico tão característico no Príncipe Real, o seu espírito eminentemente culto fizeram-no entrar admiravelmente na realização dessa ideia que o alto senso político d’El-Rei D. Carlos imediatamente aprovara.
Da forte personalidade do Príncipe Real emanava um singular atracção: a amenidade do trato e a seriedade do carácter, a alegre comunicabilidade da sua mocidade eram outros tantos elementos da simpatia que despertava. (…) Como nós nos não podemos aperceber do movimento da Terra, por nela estarmos, o Príncipe Real [Dom Luís Filipe] não se apercebia de que Portugal, para vir a ser grande, até o tinha a Ele!’

General Conselheiro António Coelho V.B. Vasconcellos Porto | Ministro e secretário de Estado dos Negócios da Guerra (Mai. 1906 – Fev. 1908) e Ministro e secretário de Estado interino dos Negócios da Marinha e Ultramar (Jun. – Set. 1907) no Ministério de João Franco Castello-Branco, no reinado D’El-Rei D. Carlos I, in ‘A Marcha Para O Renascimento – El-Rei D. Carlos e o seu Reinado’


Fonte: Plataforma de Cidadania Monárquica

29 janeiro 2023

MISSA POR ALMA DE S.M. EL-REI D. CARLOS I, E DE S.A.R. O PRÍNCIPE REAL D. LUIZ FILIPE - PORTO

 

Como é devido e tradicional, a Real Associação do Porto, no dia 1 de Fevereiro próximo manda celebrar Missa por Alma de Sua Majestade o Rei Dom Carlos e de Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luís Filipe.
A Missa será na Igreja de São João Baptista da Foz do Douro, pelas 18h30, presidida pelo Cónego Jorge Teixeira da Cunha.

Evocamos assim os 115 anos do trágico e medonho Regicídio em que foram assassinados o Chefe de Estado de Portugal e o seu Herdeiro, em 1908.

Contamos com uma forte presença de Associados da Real Associação do Porto e de Monárquicos.

28 janeiro 2023

A ignorância é pecado? São Tomás de Aquino responde

 


A ignorância difere da nesciência em que significa a simples negação da ciência. Por isso, pode-se dizer daquele a quem falta a ciência de alguma coisa, que não a conhece. Desse modo Dionísio afirma haver nesciência nos anjos. 

A ignorância implica uma privação de ciência, a saber, quando a alguém falta a ciência daquelas coisas que naturalmente deveria saber. Entre essas coisas há as que se é obrigado a saber, isto é, aquelas sem o conhecimento das quais não se pode fazer correctamente o que é devido. Assim, todos são obrigados a saber, em geral, as verdades da fé e os preceitos universais da lei. 

E cada um em particular, o que diz respeito ao seu estado e sua função. Ao contrário, há coisas que não se é obrigado a saber, se bem que seja natural sabe-las, por exemplo, os teoremas da geometria, e excepto em certos casos, os acontecimentos contingentes.

Evidentemente todo aquele que negligencia ter ou fazer o que é obrigado ter ou fazer, peca por omissão. Portanto, por causa de uma negligência, a ignorância das coisas que se devia saber é um pecado. Mas não se pode imputar a alguém como negligência o não saber o que não se pode saber. 

Por isso, essa ignorância é chamada invencível, porque nenhum estudo a pode vencer. Como tal ignorância não é voluntária, porque não está em nosso poder rechaçá-la, por isso ela não é um pecado. Por aí se vê que a ignorância invencível nunca é um pecado. Mas a ignorância vencível é, se ela se refere ao que se deve saber. Mas, ela não o é, se se refere ao que não se é obrigado a saber. 

Suma Teológica I-II, q.76, a.2

27 janeiro 2023

Prémio Príncipe da Beira Ciências Biomédicas abriu candidaturas para a edição 2022/2023

 


O Prémio Príncipe da Beira Ciências Biomédicas, instituído pela Fundação Dom Manuel II, representada pelo Duque de Bragança, em conjunto com o Grupo de Investigação 3B’s - Universidade do Minho e o Município de Guimarães, abriu candidaturas para a edição 2022/2023.

O prémio, no valor de 15 mil euros, visa distinguir um(a) investigador(a), português ou estrangeiro, com currículo de excelência na área das Ciências Biomédicas, com menos de 40 anos à data de apresentação da candidatura, e visa apoiar um plano de trabalho científico a realizar numa instituição de I&D nacional e/ou estrangeira(s).

As candidaturas devem ser apresentadas até 31 de Março de 2023.

A avaliação das candidaturas é realizada por um Júri designado pela Fundação Dom Manuel II, o Município de Guimarães e o Grupo de Investigação 3B’s- Universidade do Minho.

Fonte: Guimarães Digital

25 janeiro 2023

Regicídio - Missa de Sufrágio 2023 (01 de Fevereiro 19:00) - Lisboa

 


Na passagem de mais um ano sobre o trágico regicídio, a Real Associação de Lisboa cumpre o doloroso dever de mandar celebrar uma missa de sufrágio pelas almas de Sua Majestade El-Rei Dom Carlos I e de Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luiz Filipe, no próximo dia 1 de Fevereiro (Quarta-feira), pelas 19:00, na Igreja de São Vicente de Fora, com a Celebração Eucarística a cargo do Reverendo Padre Gonçalo Portocarrero de Almada. 


Terminada a Missa terá lugar a romagem ao Panteão Real, onde Suas Altezas Reais deporão uma coroa de flores junto aos túmulos reais. A cerimónia encerrará com uma sessão de cumprimentos, junto à sacristia.


Para mais esclarecimentos contacte-nos através do endereço secretariado@reallisboa.pt, pelo telefone 213 428 115 ou presencialmente na nossa sede de segunda a sexta-feira das 11:00 às 14:00. 


É importante a presença de todos, contamos consigo!

24 janeiro 2023

Suécia abandona tratamentos baseados em “ideologia de género”: “falta evidência científica confiável”

Enquanto, neste “paraíso” socialista empobrecido e atrasado, na Assembleia da República, a maioria de esquerda vai aprovando e impondo leis para que crianças sejam submetidas a bloqueadores de puberdade por volta dos 10 anos, hormonas do outro sexo aos 14 anos, cirurgia a qualquer momento entre 13 e os 18 anos, e se prepara para “criminalizar “práticas de conversão”, com o objectivo de obrigar os profissionais de saúde a praticar a “afirmação de género” nos seus pacientes, ou seja: se uma criança chega ao psicólogo ou ao psiquiatra e lhe diz que se sente um rapaz preso no corpo de uma menina, o psicólogo só pode dar-lhe os parabéns pela coragem de “sair do armário” e apoiar tratamentos cujos efeitos secundários são: osteoporose no início da idade adulta, doença cardiovascular com risco de vida, esterilidade permanente e maior propensão para o suicídio.

Na Suécia, o Socialstyrelsen [Conselho Nacional Sueco de Saúde e Bem-Estar (NBHW)] publicou novas directrizes de tratamento para jovens com disforia de género, que instruem explicitamente os médicos a evitar o uso de drogas/medicamentos. O suporte psicossocial deve ser a primeira linha de tratamento. Citando a falta de evidências científicas como motivo para a tomada de decisão, o NBHWA informa:

“A prescrição de bloqueadores de puberdade e de outros tratamentos hormonais a pessoas trans com menos de 18 anos deve parar.”

As novas directrizes não são juridicamente vinculativas, mas, na Suécia, os conselhos hospitalares são obrigados a levar em consideração a publicação do Socialstyrelsen para as melhores práticas. Esta decisão segue-se a uma mudança ocorrida em 2021, que eliminou o uso de bloqueadores da puberdade e hormonas do outro sexo para tratar jovens com possível disforia de género. De acordo com o NBHW:

“O suporte psicossocial, com vista a ajudar os menores a conviver com o desenvolvimento do seu corpo na puberdade, sem medicamentos, precisa [voltar] a ser a primeira opção na escolha dos cuidados de saúde. […] Actualmente, os riscos dos tratamentos de supressão da puberdade com análogos de GnRH [hormona bloqueadora da puberdade] e o tratamento com hormonas de afirmação de género superam os benefícios potenciais e os tratamentos [com bloqueadores da puberdade, hormonas do outro sexo e cirurgia] só devem ser oferecidos em casos excepcionais”.

A Sociedade sem fins lucrativos para Medicina do Género Baseada em Evidências (SEGM) informou: “O NBHW acredita que “a disforia de género, e não a identidade de género (baseada na ideologia de género), deve determinar o acesso aos cuidados e tratamentos”.

Esta actualização altera significativamente a conduta dos órgãos de saúde suecos adoptada até 2015, que se baseava principalmente nas directrizes da World Professional Transgender Health Association [Associação Profissional Mundial de Saúde Transgénero (WPATH)].

Desde então, e de acordo com o SEGM: “A WPATH tem vindo a ser denunciada internacionalmente, por profissionais médicos e de saúde mental, por causa da sua “adesão a visões ideológicas não apoiadas por evidências, exclusão de preocupações éticas e descaracterização da ciência básica”.

As três principais razões, que levaram o NBHW a mudar as políticas de saúde, foram: 1) a falta de evidências científicas confiáveis, 2) o aumento de casos de “destransição”, com um número cada vez maior de pessoas a quererem voltar ao seu sexo de nascimento, e 3) um aumento enorme e inexplicável de casos de disforia de género juvenil, especialmente em adolescentes sem história prévia de sofrimento sexual.

Actualmente, as autoridades de saúde da Suécia, Finlândia e Reino Unido, fazem parte de um crescente consenso internacional que defende que os menores com disforia de género devem ser tratados, em primeiro lugar e como sempre haviam sido, com psicoterapia, e não com drogas/medicamentos e cirurgias, pois, já se sabe que adolescentes que usam hormonas do outro sexo após os bloqueadores da puberdade ficarão inférteis e que a cirurgia para remover os testículos ou os ovários irá torná-las permanentemente estéreis e não será reversível.

Resumindo: Os países pioneiros nas políticas identitárias e nos tratamentos de afirmação do género, onde a ideologia de género foi imposta à Escola e à sociedade há mais tempo, já perceberam que:

  1. Urge devolver aos profissionais de saúde aquilo que é da sua competência. No caso, é preciso voltar ao que era feito antes de a ideologia se impor às boas práticas de saúde mental.
  2. O aumento enorme e inexplicável de casos de disforia de género juvenil, especialmente em adolescentes sem história prévia de sofrimento sexual, precisa de ser urgentemente analisado e explicado.
  3. O uso de bloqueadores da puberdade e hormonas do outro sexo, para tratar jovens com possível disforia de género, traz graves riscos para a saúde e não garante que a saúde mental desses jovens melhore, antes pelo contrário.
  4. Ideologia não é ciência. “Identidade de género” e “disforia de género” são coisas diferentes.
  5. A saúde das crianças não pode ser tratada de acordo activismos lgbtetc e políticas identitárias, impostas aos profissionais de saúde, mas sim de acordo com a ciência e as boas práticas de saúde mental.

Por isso, já em 2021, a Suécia eliminou o uso de bloqueadores da puberdade e de hormonas do outro sexo para tratar jovens com possível disforia de género.

Entretanto, por cá, o Ministério da Educação não quer saber de nada disso e insiste em usar o site de Educação para a Cidadania para promover a ideologia de género. Para isso, o site contém vídeos do canal do Youtube “The Guys Cuddle Too” (“os rapazes também se abraçam”), criados e apresentados por dois transsexuais, que incentivam claramente as crianças a usar hormonas e a amputar partes saudáveis do corpo, usando o seu próprio exemplo e afirmando que todos esses tratamentos são perfeitamente reversíveis e que não há quase ninguém a arrepender-se de ter “mudado de sexo”, a exigir que os profissionais de saúde sejam “afirmativos de género” e que sejam as crianças/adolescentes (o público-alvo dos vídeos) a auto-diagnosticar e exigir o próprio tratamento, contra tudo e contra todos, até porque eles estão disponíveis para os ajudar.

É o Portugal socialista, sempre na cauda da Europa, a copiar e a infligir à sociedade os males já diagnosticados nos países dos quais copiaram e importaram a moda, mas que insiste no erro e avança teimosamente para a destruição dos mais vulneráveis e, claro, da família. Até quando?


Maria Helena Costa

Fonte: Inconveniente

23 janeiro 2023

Braga recebeu visita de SS. AA. RR. D. Duarte Pio e D. Afonso de Bragança

 


A cidade de Braga recebeu, este sábado, a visita de SAR D. Duarte Pio, Duque de Bragança, e do seu filho, SAR D. Afonso de Bragança. Na ocasião, a Junta de São Vicente endereçou o convite ao Duque e ao filho para uma visita à Igreja da freguesia que se encontra a celebrar o Padroeiro.

Para D. Duarte Pio, esta foi “uma feliz ocasião de vir cá na altura da romaria”, manifestando agrado com todo o ambiente em volta da celebração em honra de São Vicente.


Por sua vez, D. Afonso de Bragança, frisou que tem uma forte ligação à cidade, uma vez que foi baptizado na Sé Catedral de Braga.

“Sempre tive uma forte ligação com a cidade de Braga. Gosto muito de vir cá visitá-la. Infelizmente, não venho com tanta frequência devido à dificuldade do tempo, pois é uma viagem de ida e volta de um dia, mas gosto muito de vir cá onde sou sempre muito bem recebido, tanto eu como o meu pai e o resto de minha família. É uma ligação que nunca tenciono largar”, disse o filho de D. Duarte Pio.

Para Daniel Pinto, presidente da Junta de Freguesia de São Vicente, esta visita “foi uma feliz coincidência”. “A Real Associação de Braga quis realizar o Almoço de Reis em Braga e acabou por realizar aqui em São Vicente. Daí, desafiei a Real Associação para poder trazer D. Duarte à nossa Igreja e é um gosto enorme que ele possa vivenciar um pouco da nossa romaria. É pena não poder ficar para a procissão, mas já é um marco importante deixar aqui a sua marca naquilo que é um objectivo comum de fazermos a intervenção e de recuperarmos este património”, disse o autarca, que deixou a sua gratidão pela presença do Duque de Bragança.

No final da visita à Igreja, D. Duarte Pio e D. Afonso de Bragança assinaram uma telha para a cobertura da Igreja de São Vicente. A visita foi promovida pela Real Associação de Braga que realizou um almoço de reis no Solar de Infias, em São Vicente.

Fonte: Braga TV

Conferência “Aeroporto de Lisboa (Portela) - 80 anos de serviço (Parte II)”

 

22 janeiro 2023

Impera descolonizar a intelectualidade nacional do marxismo

Um museu, de acordo com a definição dada pelo dicionário Priberam, é um lugar destinado ao estudo das ciências e das artes e que tem actividade museológica ou especial interesse turístico devido ao seu valor artístico, patrimonial ou histórico.

Ontem pude ouvir uma conferência com Lonnie G. Bunch III intitulada de “Racismo na praça pública: o papel dos museus em conversas difíceis, mas necessárias”. Bunch é um historiador que, pelo Smithsonian Institution, fomentou a criação do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana. Esta conferência foi dinamizada pela Culturgest, uma entidade cultural financiada maioritariamente pela Caixa Geral de Depósitos (entenda-se, financiada maioritariamente pelos nossos impostos).

Como estudante de História, foi interessante ouvir de um colega que leva mais tempo de investigação e trabalho na área do que eu dizer e concordar que os brancos – em especial os portugueses – são “maus” por terem permitido e fomentado a escravatura negra ao longo do Atlântico. Que Lisboa e os seus monumentos deveriam ser recontados sob a perspectiva africana. E que o grande objectivo do museu que ajudou a criar seria mostrar a escravatura e como ela foi racista.

Mas, terá sido a escravatura racista? Não é preciso estudar-se História em grande profundidade ou ter uma vasta carreira de investigação histórica para se saber que os maiores comerciantes de escravos eram muçulmanos. Que as próprias elites tribais africanas vendiam escravos. Que os escravos por excelência na Europa, durante um período de tempo considerável, eram os escravos eslavos. A escravatura só é racista quando foi praticada por brancos europeus que comercializavam africanos? Interessante que estas afirmações sejam feitas ou apoiadas por alguém que é racista ele próprio – recentemente o Smithsonian esteve envolvido numa polémica por considerar que o trabalho árduo e o pensamento racional são “cultura branca”. Como se os não brancos fossem incapazes de trabalhar arduamente pensarem racionalmente…

Sobre este tema, vi o Instituto Trezeno, do qual faço parte e representei nesta conferência, perguntar que direito teria Lonnie G. Bunch de moralizar o racismo tendo em conta o seu próprio racismo. Aparentemente foi uma conversa difícil, mas não necessária, visto que desconversou e não respondeu. Também considerou “difícil” e “desnecessária” a pergunta feita sobre se iria aos países da África meridional falar sobre o racismo das sociedades que discriminam os brancos (tal como acontece na África do Sul). Além de “difícil” e “desnecessária”, foi ainda considerada “desonesta”. A História é feita com questões. A melhor História é feita com as perguntas difíceis e necessárias efectivamente – e não apenas com aquelas que nos convêm, como parece ter sido o caso.

Além de me entristecer a desonestidade intelectual que pude assistir, entristece-me mais que os impostos dos portugueses sejam usados para financiar estas conferências que tenho a certeza que muitos não tiveram conhecimentos e que muitos não se revêm nas palavras ditas. E que a Culturgest possa abrir portas – com o dinheiro dos portugueses – a conferências que diminuem o nosso país e legado histórico, sendo, assim, tendenciosa e politizada. Entristece-me também que tenha sido admitido por uma das moderadoras, Paula Cardoso, que o Ministério da Cultura negoceia em privado a passagem do espólio histórico recolhido ao longo dos anos de volta aos seus países de origem. Das muitas questões que este facto levanta, creio que a mais relevante será o porquê de ser feito em privado. Será para uma “melhor negociação” ou será porque a maioria dos portugueses, independentemente da sua cor de pele, não se reveria nessa medida? Acredito, ao contrário do Smithsonian Institution, que todos somos capazes de trabalho árduo e pensamento racional – não será isto uma afronta contra os que, com o seu trabalho árduo, pagam impostos e cujo pensamento racional se iria opor a esta medida? Numa aula, José Varandas disse que a História tem um tempo e um espaço. Devolver o espólio, seja de um modo mais ou menos honesto, faz com que não respeitemos o tempo (os séculos em que os Descobrimentos e a expansão marítima se deram), nem o espaço (Lisboa e Portugal – englobando os territórios pelo mundo fora – como um dos pólos globalizantes e multiculturais desse período).

Por fim, na resposta à última questão que lhe foi feita, Bunch afirma que o seu objectivo é criar uma nova geração de activistas. Presumo que quis dizer que fossem activistas a favor de uma deturpação da História. Deste lado, diria que criou uma que fará precisamente o contrário: investigar e lutar pelo ensino de uma História fiel à realidade.


Cátia Borges

Fonte: Inconveniente