terça-feira, 30 de novembro de 2021

Da Legitimidade de D. João IV - A Restauração da Legalidade

 


Após 60 anos sem Rei português e sobre o domínio espanhol, o descontentamento era transversal a toda a Sociedade portuguesa. A Corte estava em Madrid e a Nobreza via os poucos cargos de administração que, ainda, sobravam no Reino de Portugal – e que, outrora, haviam sido dos seus antepassados -, preenchidos pelos ocupantes estrangeiros; além disso, os aristocratas portugueses eram obrigados a alistar-se no exército espanhol suportando a expensas suas todas as despesas, e os que a sua idade já desobrigava da prestação obrigatória do serviço militar retiraram-se para a província, onde viviam nos seus Paços e solares subsistindo com o mínimo de dignidade que impunham os pergaminhos de família.
Também, a Burguesia estava desiludida e em rota de colisão com a pobreza, pois em consequência da belicosidade castelhana com as demais nações europeias, os territórios e navios portugueses eram atacados e saqueados, ficando os corsários Ingleses, Franceses e Holandeses – com quem anteriormente comerciavam proveitosamente -, com os produtos originários dessas terras. Assim, comércio e respectivo lucro haviam caído a pique.
Apesar da insurreição de Évora, chamada a Revolta do Manuelinho, em 1637, não ter derrubado o Governo pró-Castela de Lisboa, consequência da repressão das tropas castelhanas que vieram em seu auxílio e que evitaram logo ali a revolução, já ninguém podia mudar o curso das vontades independentistas portuguesas.

A justificação dos direitos dinásticos de D. João II de Bragança era facilmente demonstrável:
D. João de Bragança nasceu, em Vila Viçosa, a 19 de Março de 1604 e, com a morte do pai, em 29 de Outubro de 1630, torna-se D. João II, 8.° Duque de Bragança – recorde-se que a Sereníssima Casa de Bragança teve a sua fundação em Dom Afonso I, filho natural de Dom João I e de Inês Pires, uma mulher solteira, tendo sido legitimado pelo Rei que lhe concedeu o título de Conde de Neiva e, depois de casado com D. Beatriz Pereira Alvim, recebe do sogro, D. Nuno Alvares Pereira, o Condado de Barcelos, assim como todas as terras e património que esteve na base da Casa de Bragança; mais tarde, já na regência do seu meio-irmão Dom Pedro (Duque de Coimbra), D. Afonso recebeu o título de Duque de Bragança, e que por ser uma Casa cujo 1.º Duque era filho de Rei, os Duques têm numeração tal como os Reis.
Recorde-se que extinta a Casa de Avis, o trono de Portugal passou para Filipe II de Espanha, I de Portugal, e que originou a 3.ª Dinastia, a Filipina ou dos Habsburgos. Filipe I de Portugal era filho de Dona Isabel de Portugal, irmã do Cardeal-Rei e de Dom João III, e portanto neto do Rei Dom Manuel I de Portugal.
Mas entende-se, que, de acordo com a Lei Fundamental da Nação Portuguesa e o Direito Consuetudinário portugueses que Filipe, sendo um Príncipe estrangeiro, não tinha direito ao trono português, tanto mais que havia, segundo estas leis do Reino um candidato natural e legítimo: Dona Catarina, Duquesa de Bragança, e tal como Filipe I, neta d’ El-Rei Dom Manuel I, e que, segundo as Leis Portuguesas, as mulheres tinham direitos de sucessão desde que não casassem com estrangeiros. Ora, Dona Catarina de Bragança contraiu matrimónio com D. João I de Bragança e o seu primogénito D. Teodósio II, foi o 7.º Duque de Bragança, que por sua vez foi o pai de Dom João II de Bragança.

Então, secretamente, começou a congregar-se, quando a noite já ia alta, um grupo de 40 e tal Nobres, que viriam a ser denominados de Conjurados. Nas suas reuniões, no Palácio dos Almadas, propriedade do então titular, Dom Antão de Almada, 7.º Conde de Avranches, o grupo patriótico português nascido clandestinamente, começou a analisar e engendrar a melhor forma de revolta contra o domínio castelhano. Principiaram então a tecer uma revolta que tivesse garantias de êxito, e que pretendia repor a legalidade no Trono de Portugal o que se verificaria com a assumpção dos direitos dinásticos de D. João II de Bragança. Como a justificação destes direitos era facilmente demonstrável, pois, pelo benefício da representação, era em D. João II de Bragança – trineto de Dom Manuel I de Portugal - que recaíam os direitos dinásticos que haviam sido usurpados à sua avó, a Infanta Dona Catarina de Portugal, Duquesa de Bragança. Por tudo isto, já em 1635, por altura do casamento de Dom Francisco de Mello, 3.º Marquês de Ferreira, D. João II de Bragança foi recebido como um Rei a ser, em Évora.
Eclode, então, uma revolta na Catalunha, também, contra o centralismo do Conde-Duque de Olivares. A 7 de Junho de 1640, o Rei Filipe IV convoca Dom João II de Bragança para o assistir na viagem à Catalunha e colaborar na campanha de repressão que ia empreender. O Duque de Bragança enjeitou a convocação de Filipe IV, no que foi seguido por muitos nobres portugueses que receberam idêntica intimação, recusando-se também a obedecer a Castela.
No Palácio dos Almadas, os Conjurados decidiram indigitar um deles para se encontrar com o Duque de Bragança, no Paço Ducal de Vila Viçosa.
Como ficara decidido, na famosa reunião que agregara os célebres Conjurados, o encontro entre Pedro de Mendoça Furtado e o ainda hesitante Dom João II de Bragança acontece na segunda quinzena de Outubro, e o Duque é instigado a assumir o seu dever de defesa da autonomia portuguesa, assumindo a Coroa de Portugal sob pena da Restauração seguir em frente e Portugal se tornar uma República Aristocrática, a exemplo da, então, República de Veneza. Dom João II de Bragança mostra-se favorável à Restauração e a assumir a Coroa do Reino e o Trono dos Maiores, mas reserva uma resposta definitiva para depois de umas consultas com o Marquês de Ferreira, o Conde de Vimioso, o secretário António Paes Viegas e a própria Duquesa de Bragança, D. Luísa de Gusmão. Todos se mostrando favoráveis, Dom João II de Bragança decide, assim, apoiar incondicionalmente o coup!
A 10 de Novembro, o Duque entrega a João Pinto Ribeiro duas cartas com instruções: uma para D. Miguel de Almeida e outra para Pedro de Mendoça Furtado, que as recebem em 21 desse mês.
Era necessário apoio do Povo e também do Clero! Ora, os novos impostos lançados sem a autorização das Cortes empobrecia a população, e isso, também, se repercutia nos donativos à Igreja. Assim, a restauração seria do interesse dos Três-Estados. Faltava escolher o dia certo.
Somavam-se hesitações quanto ao dia perfeito para o golpe da Restauração, mas a 30 de Novembro, Dom João II de Bragança confirma a data do dia seguinte para a revolta: ‘A sua vida, sendo necessária, havia de ser a primeira que se desse pela liberdade da Pátria’, disse o futuro Rei Dom João IV, O Restaurador.
Foi, então, agendada a revolução para o 1.º de Dezembro.

Miguel Villas-Boas

Imagem: El-Rei D. João IV de Portugal "o Rei Restaurador", Obra de Domenico Duprà, Óleo sobre tela - Coleção/Acervo do Paço Ducal de Vila Viçosa

Bandeira da Restauração

 


A Bandeira da Restauração, também conhecida como “Bandeira de D. João IV”, vigorou de 1640 a 1683. Foi instituída logo após o fim do domínio espanhol que durou de 1580 até 1 de Dezembro de 1640, dia em que foi Restaurada a Independência.
O objectivo foi caracterizar o ressurgimento do Reino de Portugal, independente, sob os auspícios da Casa de Bragança.
A orla azul alia, à ideia de Pátria, o culto de Nossa Senhora da Conceição, que passou a ser a Padroeira de Portugal, no ano de 1646.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Participação nas cerimónias do 1º de Dezembro - Grupo dos Amigos de Olivença

 


No próximo 1.º de Dezembro comemoram-se 381 anos da Restauração da Independência. Em 1640, Olivença, recebendo com júbilo a notícia da Restauração, foi das primeiras povoações a aclamar D. João IV como seu legítimo soberano, saudando a liberdade conquistada, logo no dia 5 de Dezembro. De novo e como sempre, os oliventinos fizeram respeitar a divisa que lhe fora outorgada pelos Reis de Portugal:
NOBRE, LEAL E NOTÁVEL VILA DE OLIVENÇA.
O Grupo dos Amigos de Olivença, denunciando em todas as circunstâncias a ocupação estrangeira daquela parcela do território nacional, participará, como sempre, nas comemorações nacionais do Dia da Restauração. O 1.º de Dezembro, marco decisivo em quase nove séculos de história, exige de todos a capacidade de interpretar e conduzir o nosso presente, criando e defendendo as condições de afirmação constante e permanente da identidade e independência de Portugal.
Assim como os oliventinos não esquecem Portugal, também Portugal não esquece e não pode esquecer Olivença. A ocupação de Olivença por Espanha, em violação da História, da Cultura, da Moral e do Direito, permanece como ofensa indigna e actual que exige de todos os portugueses e, em particular, dos órgãos de soberania e dos responsáveis políticos, uma actuação mais decidida na sustentação dos interesses e direitos nacionais.
Apelando à participação cívica de todos os portugueses na exigência da retrocessão do território oliventino, o Grupo dos Amigos de Olivença, convida todos os seus associados e apoiantes a integrarem a comitiva desta Associação que se concentrará, no dia 1.º de Dezembro, às 9:30 horas, em frente à Casa do Alentejo, na Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa, dali saindo para comparecer nas cerimónias públicas que terão lugar às 10:00 horas, na Praça dos Restauradores.
Apelamos à participação de todos!
Levantando as nossas bandeiras, faremos saber que:
OLIVENÇA É TERRA PORTUGUESA!


sábado, 27 de novembro de 2021

Covid, até onde isso vai? - Onda após onda, isso nos leva à deriva

 



Tradução Deus-Pátria-Rei

A quarta onda de covid anunciada com alarde pelos média [ndt: na França, já não estamos falando da quinta?]; a terceira vacina em seis meses prescrita para quase todos com uma campanha intensa; a taxa de 90% de vacinados apontada como novo limiar de imunidade, após 70% e 80% nos últimos meses; o terceiro ano de pandemia e emergência que se anuncia com certeza e apreensão: é possível duvidar de que algo está errado, que as autoridades públicas, políticas, administrativas e de saúde, e seus apaniguados da comunicação social, fracassaram retumbantemente em enfrentar o desafio de contágio e tratamento, considerando que a barra ainda está elevada e a salvação ainda recuada? Ou deve toda a responsabilidade, toda a atenção e toda a condenação estar voltada para a minúscula minoria que não foi vacinada e que está se rebelando contra o passe verde, com protestos que a própria comunicação social considera sem importância e reunindo dois infelizes descascados?

Nesta pandemia, decidi suspender todo o julgamento, pois não me considerava capaz de expressar opiniões claras e autorizadas sobre o assunto ou de indicar soluções alternativas; com todas as perplexidades que nunca deixei de cultivar, continuei relutantemente a seguir as prescrições e proibições impostas. Com apenas uma recomendação: ampliar ao invés de restringir os campos de pesquisa e experimentação, não se limitar às vacinas, mas investir mais em tratamentos para erradicar ou neutralizar o vírus. Em suma, atacar o covid em várias frentes, a montante e a jusante. Pessoalmente, minha estratégia de sobrevivência era evitar todos os programas de televisão sobre o assunto e mudar de canal assim que aparecesse a imagem piedosa do virologista de plantão e dos 101 virologistas assistentes. Não tenho intenção de ensinar a ninguém seu ofício. Portanto, não tenho nenhuma tese preconcebida, nenhuma solução alternativa, nenhum desejo de conspirar.

Mas quando acordamos na manhã de 5 de Novembro de 2021 e vemos que a manchete dos principais jornais e meios de comunicação italianos é sobre a quarta onda, sobre o euroterrorismo, sobre o perigo que vem do Oriente (onde, aliás, os doze países europeus culpados de querer restabelecer as fronteiras para conter a imigração já estão em observação), então dizemos a nós mesmos: basta, não podemos mais continuar, não podemos manter a humanidade em uma gaiola de terror, obrigações e proibições por tanto tempo, mudando continuamente os objectivos a serem alcançados, e jogando toda a responsabilidade sobre os poucos que não seguem os caminhos obrigatórios. Se, depois de vinte meses, um vírus não for erradicado apesar de 80% da população ser vacinada, e mesmo duas vezes, se o covid ainda for virulento e perigoso, queremos dizer que estamos diante de uma derrota, até mesmo um fracasso sem precedentes das classes dominantes e das forças de saúde, farmacêuticas e administrativas? A multiplicação de dúvidas nesta fase é mais do que legítima: o caminho percorrido sem nenhum "se" ou "mas", imposto a quatro quintos da população, sabendo que metade do quinto restante é constituído por crianças, foi mesmo o certo? Um vírus que passa de dois anos, diga-me porque não sei, tem precedentes? Ou, se quiserem, vou reformular a pergunta: é concebível que na madrugada do terceiro ano de covid ainda seja necessário implantar, intensificar e amplificar vacinas, controles e alertas, sem considerar soluções alternativas ou complementares ? E, beirando a blasfémia, o sacrilégio contra o deus da vacina: e se houvesse uma ligação entre as variantes e as vacinas, a despeito das manifestações de que o contágio atinge principalmente os que não foram vacinados? Devemos considerar normal que os virologistas continuem seu trabalho e se projectem não no próximo ano, mas até em 2023, o que foi uma forma proverbial de indicar um futuro distante, prevendo que eles nos darão naquele ano uma vacina multitarefa, global e prodigiosa, incluindo uma gripe? Se depois de seis meses estivermos na terceira vacina, depois de 24 meses estaremos na décima segunda dose? Entramos em um terror em série, um golpe universal, uma fraude colossal ou o quê? Perante um fracasso tão flagrante, surgem dúvidas legítimas, nomeadamente a de ter trilhado o caminho errado, além de ter confiado em caminhos de saúde e farmacêuticas errados ou inadequados.

A tragédia, devo admitir, é que não estamos em posição de propor outra solução orgânica, e que não temos os poderes, a palavra, os meios e as condições para indicar outros caminhos ou corrigir os caminhos actuais.

No entanto, devemos acompanhar de perto essa passagem delicada em que o regime de vigilância sanitária se estende automaticamente a outras esferas civis, culturais, políticas e sociais. A onda de repressão e autoritarismo que está varrendo é impressionante, vai para além das fronteiras da saúde e está se espalhando por toda parte. Blackouts nas redes sociais, intimidação, censura em todos os lugares e novas restrições são anunciadas em todas as áreas. Digo isso por experiência própria. Se você considerar que as redes sociais são, para o bem ou para o mal, o único lugar onde a dissidência privada se torna pública, isso é extremamente sério. Basta tocar em certos assuntos "sensíveis" ou supostamente "sensíveis", até mesmo argumentar, sem insultar ninguém ou simplificar demais com teses "ultrajantes", você é imediatamente censurado e punido. E você não pode culpar ninguém porque lhe dirão que o instigador é o algoritmo, então a censura é anónima, como a gangue de sequestradores. Anónimo, como o covid. Em todo caso, a culpa não é de quem usa esses agentes anónimos para canalizar e controlar pessoas, mas sim do acaso ou da técnica.

Se não há muito que fazer ou dizer na área da saúde, pelo menos vigiemos as fronteiras da nossa liberdade, da nossa dignidade e dos nossos direitos. Fiquemos atentos aos costumes, às máscaras ideológicas e aos excessos das "ondas" sanitárias.

Bruno Lauzi cantou: "onda após onda, o mar nos levará à deriva, à mercê de um bizarro e malvado destino"...


MV, La Verità (6 Novembro de 2021)


Fonte: Benoit & Moi

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

SAR, O Senhor D.Duarte, Duque de Bragança, esteve presente no lançamento do livro 'Genealogia das Coisas: um Baú de Memórias'

 


No dia 13 de Novembro, houve mais uma sessão da Academia Portuguesa de Ex-Líbris, desta vez dedicada, na íntegra, ao Lançamento do novo livro da Académica e Delegada em Braga, Dra. Alexandra Pereira de Castro, intitulado 'Genealogia das Coisas: um Baú de Memórias'. 

A sessão foi presidida por S.A.R. Dom Duarte, Duque de Bragança, a sessão foi aberta pela presidente da Academia, Ana Cristina Martins, Investigadora e Professora do IHC-Polo da Universidade de Évora, perante mais de seis dezenas de participantes. 

A apresentação do livro ficou a cargo do Prof. Doutor José Luiz Foureaux de Souza Júnior, Titular Jubilado de Literatura Comparada da Universidade Federal de Ouro Preto, do Dr. Vitor Escudero, da Academia Nacional de Belas Artes, e da própria autora. A sessão contemplou ainda um momento de poesia dita por Ester Pereira de Castro, filha da autora.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

22º ANIVERSÁRIO DE S. A. O INFANTE D. DINIS DE SANTA MARIA

 


SUA ALTEZA SERENÍSSIMA O INFANTE Dom Dinis de Santa Maria Miguel Gabriel Rafael Francisco João, 4º duque do Porto, nasceu a 25 de Novembro de 1999.

Para o nosso Infante Bem-Amado, que hoje celebra o seu aniversário, pedimos a Deus que lhe dê longa Vida, Saúde, Sucesso, Felicidade e muito Amor e desejamos que todos os dias o Seu Anjo da Guarda O proteja e guie.


VIVA O DUQUE DO PORTO!

VIVA A FAMÍLIA REAL!

VIVA PORTUGAL!

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Família: O Último Reduto Contra a Tirania

 



Enquanto houver uma mãe que ensine os filhos a fazer o sinal da cruz, um pai que eduque os seus rapazes no dever de defender as raparigas, um avô que conte aos netos as histórias de um Portugal glorioso que deu mundos aos mundo, a agenda progressista que nos tentam impor não triunfará. Por isso a liberdade da família, sobretudo a liberdade de educar, é um alvo a abater.

A família é o primeiro espaço de liberdade e o último reduto contra a tirania. Num país livre o Estado é o garante da liberdade família. Não um adversário, mas um aliado. Porque a família é o garante de uma sociedade livre, é do interesse do Estado defender esta realidade. Pelo contrário, num país tirânico, o Estado procura substituir-se à família, sobretudo na educação.

A sociedade moderna está construída para que as crianças sejam depositadas ao cuidado da escola. Os miúdos são para ser entregues à 8h levantados às 19h, enquanto os pais trabalham. E se em algum momento se levanta o problema entre carreira e filhos, a solução é sempre aumentar o tempo em que as crianças ficam entregues à escola, nunca é permitir que os pais tenham mais tempo para os filhos.

E neste ponto liberais e socialistas andam de mãos dadas. O individualismo liberal, que manda colocar a carreira à frente da família, encontra apoio total no sonho socialista de ter as crianças entregues à escola tanto tempo quanto possível.

Garantir o monopólio da educação é essencial para impor uma agenda cultural. Por isso é preciso que as crianças vão para a escola aos três anos, que lá fiquem o máximo tempo possível, e que os pais não tenham qualquer intervenção na escola. As crianças devem ir para a escola que o Estado manda, aprender o que o Estado decide. E os pais, ou tem dinheiro para o ensino privado, ou então devem submeter-se em total obediência.

Lutar pela liberdade da família, sobretudo pela liberdade de educar, é hoje a luta política mais importante. Retirem às famílias a liberdade de educar durante dez anos e não será preciso retirar mais nenhuma liberdade para ter um Estado totalitário.

Por isto é que o caso da família Mesquita Guimarães é tão importante. Evidentemente que no cerne desta luta estão dois rapazes concretos, vítimas da brutalidade ideológica do ministério da educação, por quem é justo lutar. Mas a luta que esta família trava de forma tão corajosa é de todas as famílias.

A família Mesquita Guimarães apenas quer educar os seus filhos sem ter o Estado a doutriná-los sobre a versão oficial da cidadania. E isso não pode ser permitido. Dois alunos brilhantes chumbados, uma família exemplar investigada pelo tribunal, um pai humilhado nas redes sociais. Os defensores da suposta agenda tolerante não podem tolerar uma família livre, não vão outra seguir-lhes o exemplo. Portanto é preciso esmagar os Mesquita Guimarães, impor-lhe um tal preço pela sua liberdade que sirva de aviso a todas as famílias.

Esta violência é lhes imposta porque a família se recusa a ser doutrinada pelo Estado. Vão recuar dois anos porque o Estado considera que dois miúdos, bons alunos, bem integrados, respeitadores e educados, são obrigados a submeter-se à noção de cidadania dos mandarins da 5 de Outubro.

Felizmente os Mesquitas Guimarães tem demonstrado uma coragem exemplar. Perseguidos, vexado e humilhados pelo poder do mundo, não quebram. Querem um exemplo de cidadania? É olhar para esta família que não cede nem um milímetro na defesa da sua liberdade e na defesa dos direitos dos seus filhos. Num país onde tudo se resolve com um jeitinho, com uma pequena cedência, com um fechar de olhos, esta família mantém-se firme.

A luta dos Mesquita Guimarães é uma luta essencial não apenas para todos os que querem educar livremente a sua família, mas para todos os que defendem a liberdade. Apoiá-los é por isso um dever de todos os que acreditam numa sociedade livre.

José Seabra Duque, Jurista


Fonte: Notícias Viriato

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Convite para a apresentação no PORTO do livro 75 ANOS A SERVIR PORTUGAL

 


Prezado(a) Consócio(a),

O Grupo dos Amigos de Olivença e o autor têm o prazer de convidar V. Exa. para a apresentação do livro 75 ANOS A SERVIR PORTUGAL - Os órgãos sociais do Grupo dos Amigos de Olivença de Humberto Nuno de Oliveira, que terá lugar no dia 27 de Novembro (sábado), pelas 15:30 na Casa do Infante, Rua da Alfandega 10, no PORTO.
O evento contará com a presença do autor e o livro será apresentado pelo Tenente-Coronel José Brandão Ferreira.
Este livro acompanha cronologicamente a evolução dos órgãos sociais do nosso Grupo, nos seus primeiros 75 anos de existência, contextualizando os mesmos e, acompanhando-os de notas explicativas quando tal se justifica.
Um livro que ajuda a desmistificar algumas ideias feitas sobre o GAO e que permitirá encontrar nomes surpreendentes da sua História de combate pela integridade territorial de Portugal.
A sessão é organizada pelos Grupo dos Amigos de Olivença.
Convidam-se todos os associados e suas famílias a marcarem presença no evento.
 
 
Contamos com a sua presença!


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

55º ANIVERSÁRIO DE S.A.R., A SENHORA DONA ISABEL DE BRAGANÇA

 


Neste dia abençoado por Deus, desejamos a Vossa Majestade longa Vida, Saúde, Paz, Amor e Alegria junto da Vossa Real Família, Bem-Amada por todos nós.

Que Deus A Guarde e lhe dê toda a força para vencer.

Feliz Aniversário.


VIVA A NOSSA RAINHA!

VIVA A FAMÍLIA REAL!

VIVA PORTUGAL!

domingo, 21 de novembro de 2021

O Arcebispo Viganò apela à constituição de uma Aliança Antiglobalista

 



O Arcebispo Carlo Maria Viganò, antigo Núncio Apostólico nos Estados Unidos da América, acaba de lançar um apelo internacional que visa, no seguimento dos contínuos ataques às Nações e aos cidadãos, a constituição formal de uma Aliança Antiglobalista. A pedido do ilustre prelado, o portal Dies Iræ traduziu e disponibiliza, em exclusivo para língua portuguesa, o texto integral do apelo.


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16 de Novembro de 2021


Há dois anos que assistimos a um golpe de estado mundial, no qual uma elite financeira e ideológica conseguiu apoderar-se de parte dos governos nacionais, das instituições públicas e privadas, dos meios de comunicação social, da magistratura, dos políticos e dos líderes religiosos. Todos, sem distinção, são subservientes a estes novos senhores que asseguram poder, dinheiro e afirmação social aos seus cúmplices. Os direitos fundamentais, que até ontem nos eram apresentados como invioláveis, são espezinhados em nome de uma emergência: hoje sanitária, amanhã ecológica, depois de amanhã informática.  

Este golpe de estado global priva os cidadãos de qualquer possibilidade de defesa, uma vez que os poderes legislativo, executivo e judicial são cúmplices da violação da lei, da justiça e do fim para o qual existem. E é um golpe global porque este atentado criminoso contra cidadãos estende-se a todo o Mundo, salvo raríssimas excepções. É uma guerra mundial, onde os inimigos somos todos nós, mesmo aqueles que, involuntariamente, ainda não compreenderam o alcance do que está a acontecer. É uma guerra travada não com armas, mas com normas ilegítimas, miseráveis políticas económicas e intoleráveis limitações dos direitos naturais.       

Organismos supranacionais, financiados, na sua maioria, pelos conspiradores deste golpe de estado, interferem no governo das Nações individuais e na vida, nas relações e na saúde de biliões de pessoas. Fazem-no por dinheiro, certamente, mas ainda mais para centralizar o poder, de modo a estabelecer uma ditadura planetária. É o Great Reset do World Economic Forum, a Agenda 2030 da ONU. É o plano da Nova Ordem Mundial, em que uma República Universal torne todos escravos e uma Religião da Humanidade apague a Fé em Cristo.      

Diante deste golpe de estado global, ocorre constituir uma Aliança Antiglobalista internacional, que recolha todos aqueles que se querem opor à ditadura, que não têm qualquer intenção de se tornarem escravos de um poder sem rosto, que não estão dispostos a apagar a própria identidade, a própria individualidade, a própria fé religiosa. Se o ataque é global, global também deve ser a defesa.        

Apelo aos governantes, aos líderes políticos e religiosos, aos intelectuais e a todos os homens de boa vontade, convidando-os a reunir-se numa Aliança que lance um manifesto antiglobalista, refutando, ponto por ponto, os erros e os desvios da distopia da Nova Ordem Mundial e propondo alternativas concretas para um programa político inspirado no bem comum, nos princípios morais do Cristianismo, nos valores da tradição, na protecção da vida e da família natural, na protecção dos negócios e do trabalho, na promoção da educação e da investigação, no respeito pela Criação.           

Esta Aliança Antiglobalista deverá reunir as Nações que desejem escapar ao jugo infernal da tirania e afirmar a sua soberania, celebrando acordos de recíproca colaboração com os Estados e os povos que partilham os seus princípios e o desejo veemente de liberdade, justiça e bem. Deverá denunciar os crimes da elite, apontar os responsáveis por eles, denunciá-los aos tribunais internacionais, limitar o seu excessivo poder e as nefastas influências, deverá impedir a acção dos lobbys, em primeiro lugar, combatendo a corrupção dos funcionários do Estado e dos trabalhadores da informação, e congelando os capitais utilizados para desestabilizar a ordem social.

Nas Nações onde os governos são subservientes à elite, poderão constituir-se movimentos populares de resistência e comités de libertação nacional, com representantes de todos os sectores da sociedade que proponham uma reforma radical da política, inspirada pelo bem comum e firmemente oposta ao projecto neomalthusiano da agenda globalista.        

Convido todos aqueles que querem defender a sociedade cristã tradicional a reunirem-se num fórum internacional, a realizar o mais rapidamente possível, no qual representantes de várias Nações se reúnam para apresentar uma proposta séria, concreta e clara. O meu apelo é dirigido aos líderes políticos e governantes que se interessam pelo bem dos seus cidadãos, deixando para trás os velhos esquemas partidários e as lógicas impostas por um sistema escravizado ao poder e ao dinheiro. Apelo às Nações cristãs, de Oriente a Ocidente, convidando os Chefes de Estado e as forças sãs das instituições, da economia, do trabalho, da universidade, da saúde e da informação a aderirem a um projecto comum, desmanchando os esquemas e pondo de lado as hostilidades queridas pelos inimigos da humanidade em nome do divide et impera. Não aceitemos as regras do adversário, porque são feitas, precisamente, para nos impedir de reagir e de organizar uma oposição eficaz e incisiva.       

Chamo as Nações e os cidadãos a aliar-se sob a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, o único Rei e Salvador, Príncipe da Paz. In hoc signo vinces.

Fundemos esta Aliança Antiglobalista, dêmos-lhe um programa simples e claro, e libertemos a humanidade de um regime totalitário que reúne em si os horrores das piores ditaduras de todos os tempos. Se demorarmos mais, se não compreendermos o perigo que nos ameaça, se não reagirmos, organizando-nos numa resistência firme e corajosa, este regime infernal, que está a ser estabelecido em todo o lado, não pode ser travado.        

E que Deus Omnipotente nos assista e nos proteja.           

 Carlo Maria Viganò, Arcebispo    
antigo Núncio Apostólico nos Estados Unidos da América


Fonte: Dies Iræ

sábado, 20 de novembro de 2021

Os monárquicos regressaram à CML pela porta da frente

 


No passado dia 11 de Novembro teve lugar, na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa, sob a égide da Real Associação de Lisboa, o lançamento do livro "Memórias de um Roialista" da autoria de Tomás Moreira, testemunho reflexivo tendo como base cerca de 40 anos dedicados ao serviço da Causa Real.


Em sessão presidida por João Távora, Presidente da Real Associação de Lisboa, a obra foi apresentada pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira.


Três sugestivos momentos das várias intervenções como que condensaram o espírito da reunião: o Presidente da Real Associação de Lisboa expressou a gratidão sentida pelos monárquicos com o honroso acolhimento nos Paços do Concelho, sendo que desta vez lhes foram franqueadas as portas da frente, quando da última se ficaram pela varanda. Já Rui Moreira, explanando sobre as razões da sua adesão à tradição monárquica, recordou o episódio ocorrido em 2012 aquando da decisão tomada com o seu amigo Manuel Sampaio Pimentel, também ele monárquico, de concorrer à Câmara Municipal do Porto, pediu autorização ao Senhor Dom Duarte para essa empresa, questão a que SAR prontamente respondeu “recomendando que a ganhasse”.


O autor da obra "Memórias de um Roialista" encerrou a sessão explicando o sentido e alcance do neologismo “roialista”, o qual pretende descrever o fenómeno (e a necessidade de sobre ele construir projecto político), da existência dum significativo reconhecimento público da importância da Casa Real portuguesa independentemente da questão do regime vigente.


De entre o público numeroso, destacou-se, para além da presença do prefaciador da obra, Augusto Ferreira do Amaral, a expressiva representação da Juventude Monárquica. Várias personalidades da vida pública portuguesa associaram-se à ocasião (ex-governantes como Luís Mira Amaral, por exemplo).


Quis acompanhar o evento o Chefe da Casa Real Portuguesa, Dom Duarte de Bragança, que foi recebido nos Paços do Concelho pelo Secretário-Geral da Câmara Municipal de Lisboa, Alberto Laplaine Guimarães.


Veja o álbum fotográfico do evento aqui

Veja  o vídeo integral aqui


Fonte: Real Associação de Lisboa

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Na CARAS desta semana, Duques de Bragança contam como se adaptam à independência dos filhos

 


Discretos na sua maneira de estar, D. Duarte e D. Isabel de Bragança poucas vezes dão entrevistas. Contudo, recentemente, posaram com Afonso, de 25 anos, Maria Francisca, de 24, e Dinis, de 22, revelando-se um casal unido e com uma grande proximidade com os filhos.

Esta sessão fotográfica foi também uma oportunidade para que o Duque de Bragança, de 76 anos, nos desse declarações sobre a família feliz que começou a construir no dia 13 de Maio de 1995, data em que o seu casamento com D. Isabel de Herédia, hoje com 54 anos, foi celebrado no Mosteiro dos Jerónimos, na presença de representantes de várias casas reais europeias com as quais têm laços familiares.





quinta-feira, 18 de novembro de 2021

O Activismo na base do Marxismo

 


Doutrina Católica
De acordo com a doutrina católica, o fundamental a tudo é o ser. Do ser provém a natureza da coisa, da natureza provém a acção: «agere sequitur esse», «a acção segue o ser». Daí se deduz que é importante o conhecimento da natureza das coisas. Quem conhece a natureza das coisas sabe agir. Eis a razão por que nós meditamos. Pela meditação conhecemos a verdade. Do conhecimento da verdade nasce a acção.

Teoria Marxista
Ao marxista não interessa o conhecimento teórico da essência das coisas, pois que as coisas não têm ser fixo. Não lhe interessa o valor do ser e da verdade, e sim o valor da eficiência e acção.
Este ponto é fundamental para compreender o marxismo. O marxismo não procura organizar uma sociedade conforme a natureza humana. Ele não admite a natureza humana como algo de fixo, que sirva de norma absoluta, que tenha que ser assim e não de outro modo. Como o homem pode ser modificado na sua essência pelo trabalho, pela acção, o papel que na sociologia e na teologia tem o ser, a natureza, é abandonado definitivamente. Para a concepção marxista o factor decisivo é a acção. Para o católico, a experiencia e a acção devem realizar aquilo que a inteligência conhece como verdadeiro e bom. A vontade segue a inteligência, a consciência. No marxismo dá-se o contrário.
Ouvi o que diz Lenine: «A concepção da prática da vida é que deve determinar a concepção fundamental da teoria do conhecimento» («Matérialisme et empiriocriticisme», Edit. Sociales, Paris, p. 123).
Para o católico a palavra de ordem é: «Vive como pensas!». Para o marxista é: «Pensa como vives!».
«Uma das particularidades do materialismo dialéctico é o seu carácter prático, sublinhando-se o facto de que a teoria depende da prática, o facto de que o fundamento da teoria é a prática, e que, por sua vez, a teoria é a prática... O critério da verdade não pode ser senão a prática social. O ponto de vista da prática é o ponto de vista primordial, fundamental da teoria marxista dialéctica do conhecimento» (Mao Tsé-Tung, «Oeuvres Choisies», Edit. Sociales, Paris, tomo I, pp. 349-350).
Não há, portanto, «doutrina» propriamente dita.
«Resulta pois que no marxismo não existe a filosofia, e sim a acção, que a filosofia se confunde com a acção mesma, uma vez que ela só afirma o que a acção a obriga a afirmar, de tal sorte que não há filosofia sem acção marxista, que a acção revolucionaria é da própria essência da filosofia, porque a missão da filosofia é realizar a mais eficaz acção material. Para um comunista consciente do seu marxismo, o comunismo não é uma verdade... o marxismo é uma acção» (Jean Daujat, «Connaître le Communisme», p. 25).
A prática é a única regra da prática, a acção é a única regra de acção. O ideal absoluto é obter a acção material levada ao máximo, ao paroxismo de eficiência e vigor.

D. Geraldo de Proença Sigaud in «Carta Pastoral sobre a seita comunista, seus erros, sua acção revolucionária e os deveres dos católicos na hora presente», 1963


Fonte: Veritatis

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

«O nome, o programa e a eleição do Papa Francisco parecem-se todos com os frutos das cuidadosas e calculadas manobras da máfia», sugere Julia Meloni

 


Particularmente ao longo do último meio século, a eleição dos Sumos Pontífices tem suscitado muitas controvérsias, alimentado paixões e provocado longas e, na maioria das vezes, inconclusivas discussões. É inegável a pressão que diversos grupos têm levado a cabo para influenciar e condicionar a acção vaticana, sendo conhecida a máfia de São Galo, a ala ultraprogressista da Igreja em que se contavam nomes como os dos Cardeais Martini, Silvestrini e Bergoglio, o actual Papa Francisco. Para contribuir para esta ampla e complexa questão, a cronista Julia Meloni, que se tem dedicado ao estudo específico do grupo de São Galo, publicou recentemente a obra A Máfia de São Galo – Expondo o grupo reformador secreto dentro da Igreja, ainda não disponível em português, a que o portal Dies Iræ já teve acesso. Ao longo das cerca de duas centenas de páginas, a autora faz revelações que ajudarão o leitor a compreender alguns dos factores que têm fortemente contribuído para a profunda crise que abala a Igreja Católica. O portal Dies Iræ entrevistou, em exclusivo, Julia Meloni, tendo agora o grato prazer de oferecer o resultado da entrevista aos seus leitores.          


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1. Permita-nos, antes de mais, que lhe agradeçamos pela grande honra que nos concede ao dar-nos esta entrevista em exclusivo. O que a levou a escrever o livro A Máfia de São Galo – Expondo o grupo reformador secreto dentro da Igreja?     

Fiquei fascinada e perturbada pela máfia de São Galo desde que li, pela primeira vez, O Papa Ditador, de Henry Sire, cujo primeiro capítulo é sobre a máfia. Depois de escrever uma série de artigos relacionados com a máfia para a Crisis Magazine, comecei a pensar em como não existia um minucioso livro de investigação da máfia em inglês e como precisávamos de um cronista para reunir o que sabemos sobre a máfia e contar a sua história.         

2. O seu novo livro é um precioso contributo para a complexa questão da eleição dos Pontífices do último meio século e para a presumível influência que grupos, como a máfia de São Galo, têm tido em tão delicados processos. O título que deu ao primeiro capítulo da obra, Guerra, é bastante intrigante. De que guerra estamos a falar e que tipo de armas são usadas pelos seus artífices?     

O título da primeira parte do livro – Guerra – alude a um episódio do segundo capítulo, Silvestrini. Aí ficamos a saber que um cardeal anónimo se deparou com o cérebro da máfia, o Cardeal Achille Silvestrini, na noite da eleição do Papa Bento XVI, em 2005. Segundo o cardeal anónimo, Silvestrini parecia derrotado e dava a impressão de declarar uma espécie de guerra contra Bento.         

O resto da primeira parte deixa claro como era esta guerra e quais eram as suas armas. Ficamos a saber, por exemplo, que se crê que Silvestrini divulgou um diário do conclave que deturpava o número de votos para Bento, a fim de o desestabilizar. Ficamos também a saber que três outros membros da máfia estavam a travar as suas próprias guerras: o Cardeal Carlo Maria Martini, que queria um novo concílio, o Cardeal Walter Kasper, que queria subversivamente enfatizar a igreja local, e o Cardeal Godfried Danneels, que queria travar uma guerra contra a Humanæ Vitæ.        

3. A certa altura, refere que Jorge Mario Bergoglio, surpreendentemente considerado por muitos, aquando da sua elevação ao cardinalato, um conservador, foi apresentado, pelo Cardeal Carlo Maria Martini, falecido Arcebispo de Milão, ao grupo de São Galo. Todavia, mais adiante, refere que havia um conflito entre Bergoglio e Martini, ambos jesuítas, dado que este segundo seguia claramente a linha do célebre P. Pedro Arrupe, s.j., ao passo que o argentino seria mais “moderado”. Nas vésperas da eleição do Cardeal Joseph Ratzinger, a máfia de São Galo, reunida no apartamento do Cardeal Achille Silvestrini, considerou Bergoglio o melhor candidato a assumir a Sede de Pedro. Contudo, tal não aconteceu, tendo sido eleito o “braço direito” de João Paulo II. Na sua opinião, Martini ficou mais descansado com a eleição de Ratzinger do que com a de Camillo Ruini. Não será que também ficou satisfeito por Bergoglio, o seu “cordial opositor” dentro da máfia, não ter sido eleito na altura?     

Penso que Martini, com base nas provas que temos de Nicholas Diat, certamente não quis apoiar Bergoglio e, portanto, deve ter sentido algum alívio quando o latino-americano não foi eleito. E, sim, vários observadores do Vaticano sugerem que Martini preferiu transferir os seus votos para Ratzinger, no final, para evitar um resultado pior – nomeadamente, a ascensão de Ruini ao Papado.

4. É possível demonstrar desde quando esse grupo de cardeais começou a reunir-se em São Galo? Nesse começo, já tinham uma agenda definida ou essa foi aumentada e corrigida com o tempo?    

A narrativa oficial, articulada na biografia do Cardeal Godfried Danneels, é que a máfia de São Galo começou a reunir-se por volta de 1996. No entanto, astutos observadores do Vaticano, como Maike Hickson, salientaram que um grupo chamado Conselho das Conferências Episcopais Europeias (CCEE) funcionou efectivamente como uma espécie de precursor da máfia porque dois dos seus presidentes – Basil Hume e Martini – tornaram-se membros da máfia. 

Em termos da agenda da máfia, sabemos que já tinham utilizado o CCEE como uma espécie de estrutura de poder alternativa ou «magistério paralelo», como aponta Maike Hickson. Sabemos também que apenas alguns anos após as suas reuniões oficiais, em 1999, Martini estava a levantar o tema de um novo concílio. Assim, não é difícil supor que a sua agenda tenha sido, em grande parte, definida desde o início. De facto, ficamos a saber, com a biografia de Danneels, que a essência do seu programa era simplesmente a comum oposição a Ratzinger.      

5. O desaparecido Arcebispo de Malinas-Bruxelas, Cardeal Godfried Danneels, um dos integrantes do grupo de São Galo, referiu-se a esse como uma “máfia”. No linguajar comum, o termo “máfia” é associado a uma organização criminosa. Considera que esses cardeais “conspiravam” para impor um programa de governo ao Pontífice que saísse eleito do Conclave?          

A autodesignação como “máfia” é, certamente, uma curiosa e reveladora escolha. Estavam claramente a traçar uma revolução na Igreja – um programa específico que começou com a proposta de Kasper sobre a Comunhão para os divorciados e recasados civilmente. Temos amplas provas de que Martini e outros tinham codificado esta agenda ao longo de muitos anos. Quanto à forma como a iriam implementar, é evidente que uma pessoa específica deveria executar o programa da máfia: Bergoglio. Assim, é revelador que, por exemplo, poucos dias após a sua eleição, o Papa Francisco elogiou especificamente o Cardeal Walter Kasper, pondo em marcha o antigo plano da máfia para prosseguir a proposta de Kasper.   

6. No dia 1 de Março de 2013, uma dúzia de dias antes da eleição de Francisco, o ainda Cardeal Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires, visitou e jantou com o Cardeal Cormac Murphy-O’Connor, na altura já Arcebispo emérito de Westminster. No dia seguinte, um cardeal, que se manteve no anonimato, disse à comunicação social que seriam suficientes quatro anos de pontificado de Bergoglio para «mudar as coisas». Rapidamente Murphy-O’Connor augurou que o argentino, no caso de ser eleito Pontífice, como veio a acontecer, se pudesse manter no cargo durante muitos mais anos. Crê que a eleição de Francisco I foi o concretizar dum plano maquiavélico de São Galo?

Há provas copiosas, reunidas no meu livro, que mostram que o Cardeal Murphy-O’Connor e outros ex-alunos da máfia empurraram para a eleição de Bergoglio em 2013. Um detalhe curioso que eu gosto de salientar é este: como é que o Papa Francisco obteve o seu nome? Todos conhecemos a história de como o Cardeal Hummes disse a Bergoglio, aquando da sua eleição, para não esquecer os pobres, e assim Bergoglio pensou espontaneamente no nome “Francisco”. Mas, de facto, o Cardeal Danneels apelava repetidamente a um novo Francisco já nos anos 90 e apenas algumas semanas antes do conclave de 2013. Assim, o nome, o programa e a eleição do Papa Francisco parecem-se todos com os frutos das cuidadosas e calculadas manobras da máfia.

7. Acredita que a renúncia de Bento XVI ao Papado, anunciada a 11 de Fevereiro de 2013, contou com o apoio e também com a influência do grupo de São Galo? Segundo nos é dado saber, o Papa Ratzinger terá conversado com Martini, já em meados de 2011, sobre a eventualidade da renúncia ao Pontificado. Bento XVI não foi suficientemente capaz de afastar os lobos que tanto parecia temer e a que se referiu, a 24 de Abril de 2005, na homilia de início do Ministério Petrino? Ou, pior, ter-se-á Bento XVI deixado rodear desses lobos?

A resignação de Bento é um enigma, mas parece que o papa alemão era uma pessoa de confiança que estava rodeada de lobos. O que o livro relata é o seguinte: primeiro, que Martini se gabou de ter várias reuniões privadas com Bento em 2011 e em 2012; segundo, que disse a um confidente, em 2012, que esperava que Bento se demitisse «em breve»; terceiro, que o confessor de Martini contou que, em Junho de 2012, Martini disse a Bento para resignar; quarto, que Martini disse ao seu confidente que um novo conclave poderia muito bem eleger o cardeal conservador Angelo Scola. E, por isso, colocam-se algumas questões: será que Martini, no mínimo, ajudou a assegurar a Bento que abdicar era a decisão certa, se Bento já estava a planear resignar? Ou será que a influência de Martini era ainda mais ominosa do que isto? O livro é deliberadamente contido na interpretação destas provas, permitindo ao leitor dar sentido a estes factos. 

8. Uma vez que a Constituição Apostólica Romano Pontifici eligendo, de Paulo VI, publicada a 1 de Outubro de 1975, proíbe qualquer injunção exterior para influenciar a eleição de um novo Papa, como qualificaria a máfia de São Galo?   

Os parêntesis do livro colocam a questão do tipo de sanções em que podem ter incorrido os ex-alunos da máfia devido às suas actividades sombrias. Sobre esta questão, adiro aos especialistas nesta área.    

9. Nos anos 70 do século passado, o Cardeal Walter Kasper, muito próximo de Bergoglio e da máfia, levou a cabo uma autêntica cruzada em prol da admissão dos adúlteros à Sagrada Comunhão. Com Amoris Lætitia, em 2016, Francisco vem defender, de forma inequívoca, ainda que igualmente engenhosa, esta prática sacrílega. É mais uma vitória para São Galo e para Kasper ou, pelo contrário, não passa de uma tentativa de Bergoglio contentar aqueles que o sustentam sem realmente se comprometer?         

Peritos do Vaticano, como Sandro Magister, relataram durante algum tempo que o então Cardeal Bergoglio tinha a prática de dar a Comunhão a cada pessoa que se apresentava para a receber. Magister sugeriu que esta era uma razão poderosa pela qual a máfia de São Galo estava interessada no latino-americano para papa. Por isso, creio que o Papa Francisco não estava apenas a tentar pacificar os seus apoiantes com Amoris Lætitia; pelo contrário, no texto usa a dissimulação para fazer avançar uma prática em que ele mesmo está comprometido.          

10. Ainda em relação a Amoris Lætitia, há quem defenda que se trata de um verdadeiro “testamento” do Cardeal Martini. Qual é a veracidade desta teoria?          

Penso que é bem verdade. O historiador Roberto de Mattei argumentou convincentemente que a essência de Amoris Lætitia está contida no «último testamento» de Martini – a entrevista final que deu, publicada, em 2012, imediatamente após a sua morte. Nesse testamento, Martini falou especificamente de levar os sacramentos aos divorciados e aos recasados civilmente, prefigurando, assim, o ressurgimento da proposta de Kasper nos sínodos sobre a família e, depois, em Amoris Lætitia.        

11. Numa entrevista, divulgada em 2009, Martini indicava que as prioridades para a revolução na Igreja seriam, por esta ordem, o divórcio, o celibato sacerdotal e a relação entre a hierarquia eclesiástica e a política. Dois desses aspectos estão resolvidos ou, pelo menos, em vias de resolução – o divórcio e a relação entre a Igreja e a política –, quanto mais não seja por meio de um desvio no que toca ao cumprimento do Magistério imutável da Igreja. O recente encontro entre Bergoglio e Biden é disso uma prova evidente. O que faltará para que este triplo programa possa ser devidamente concluído?  

No livro, defendo que a realização deste programa é uma questão de “paciência” e de “tempo”, para pedir emprestados os títulos dos meus dois últimos capítulos. Por exemplo, apesar de ainda não termos uma “solução” subversiva para a questão do celibato sacerdotal, o modus operandi dos revolucionários é avançar de forma incrementada e astuta. No entanto, não é claro se terão tempo suficiente para realizar os seus conluios.        

12. Ao longo do livro, em mais de uma passagem, refere-se ao tempo. No que toca ao futuro, nomeadamente à sucessão de Bergoglio, que influência poderá ainda ter o que resta da máfia de São Galo? E, claro, quem poderá ser o nome mais consensual dentro do grupo?   

Embora a maioria dos membros da máfia tenha falecido – com a notável excepção do Cardeal Kasper –, as suas ideias vivem em vários companheiros de viagem e protegidos. Mesmo que a máfia não se encontre actualmente em segredo nos bastidores, o seu espírito viverá ao ar livre, especialmente desde que o Papa Francisco nomeou tantos dos cardeais que escolherão o seu sucessor. Em termos de quem poderá ser esse sucessor, o meu palpite é que será um vencedor inesperado.       

13. Por fim, o que podemos esperar de toda esta situação complexa que tem abalado e descredibilizado o Papado com polémica atrás de polémica?

“Motus in fine velocior”, como diz o velho ditado. Como presumivelmente estamos perto do fim do pontificado do Papa Francisco, as coisas parecem estar a acelerar com o devastador texto Traditionis Custodes e o sínodo 
à Martini” sobre a sinodalidade. Devemos rezar, jejuar e falar para que os planos dos revolucionários não se concretizem.


Fonte: Dies Iræ