sábado, 30 de dezembro de 2023

Providência

Providência é a acção pela qual Deus conserva e governa o mundo que criou, dirigindo todos os seres ao fim que se propôs. A existência da Providência é-nos revelada pela ordem que reina no mundo. À Providência divina não pertence evitar defeitos, corrupções e coisas más, nem mesmo os pecados dos homens; nem a imutabilidade de Deus exclui a necessidade da oração. Tudo o que acontece, quer por necessidade quer por vontade, está regulado pela divina Providência, embora misteriosamente para nós, em ordem ao fim do Universo, ao fim primário da criação, que é a glória de Deus. A este fim se vão encaminhando todos os seres, dirigidos, ou pelas leis naturais ou pela moção da graça.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.


Nota: A divina Providência é representada por um olho triangular, símbolo cristão que depois foi usurpado e profanado pela seita maçónica, ao ponto de hoje se crer amiúde tratar-se de um símbolo maçónico.


Fonte: Veritatis

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

D. Athanasius Schneider convoca uma Cruzada Mundial de Oração

Cruzada Mundial de Oração em honra do Imaculado Coração de Maria, implorando uma intervenção Divina para a crise da Igreja

Nossa Senhora em Fátima deu-nos, para o nosso tempo, como meio espiritual eficiente para obter favores Divinos especiais a oração do Rosário e a prática dos Cinco Primeiros Sábados.

A prática dos Cinco Primeiros Sábados consiste no seguinte: no primeiro Sábado de cinco meses consecutivos, receber o sacramento da Confissão e a Sagrada Comunhão, rezar o Terço e meditar durante quinze minutos pelo menos sobre um dos quinze mistérios do Rosário, com a intenção de reparar os pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Face à tremenda crise que actualmente aflige a Igreja Católica, a Confraria de Nossa Senhora de Fátima lança uma cruzada espiritual mundial que consiste na oração diária do Santo Terço e na prática dos Cinco Primeiros Sábados, para implorar, através do Imaculado Coração de Maria, a ajuda e intervenção de Deus, especialmente na Santa Sé em Roma.

Esta cruzada espiritual começará no primeiro Sábado de janeiro de 2024 (6 de Janeiro) e terminará no primeiro Sábado de Dezembro de 2024 (7 de Dezembro).

8 de Dezembro de 2023, Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria

Christopher P. Wendt, Diretor Internacional da Confraria de Nossa Senhora de Fátima
+ Dom Athanasius Schneider, Assistente Espiritual da Confraria de Nossa Senhora de Fátima, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana


quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

O ideal social da Maçonaria em 1906

Rasgadamente e sem rebuços a Gazzetta Ticinese expõe esse ideal, nos seus elementos positivos e negativos, isto é, o que querem destruir e o que querem plantar os Irm∴

Querem destruir, ou não querem:
– «Nada de baptismos de crianças.»
– «Nada de primeiras comunhões.»
– «Nada de casamentos religiosos.»
– «Nada de Sacramentos aos moribundos.»
– «Nada de escolas católicas.»

Parte positiva:
«Queremos» – diz a mesma Gazzetta – «substituir:»
– «O Baptismo por uma cerimónia civil perante a respectiva autoridade civil.»
– «A primeira comunhão pelos bailes de crianças de ambos os sexos.»
– «O casamento religioso pelo amor livre.»
– «Os sacramentos aos moribundos pela guarda maçónica dos solidários em torno dos doentes.»
– «Os funerais religiosos pela cremação.»
– «As escolas católicas pelas escolas neutras e mistas, que preparem os jovens e donzelas para o futuro matrimónio (!), nas quais escolas se lhes ensine a rebelarem-se contra a estultícia do pudor ensinada pelos católicos.»

Muito bem, assim é que é! Tudo bem claro, para que seja um facto a chamada liberdade de eleição. Efectivamente, mais claro que isto só em França, em presença dos factos, ou então... no Manual da Política da Maçonaria Portuguesa; – perdão! enganei por conexão de ideias, queria dizer... no «Manual Político do Cidadão Português».

Apesar, porém, de todas estas claridades, uma coisa há aqui que eu não compreendo. Não compreendo como é que, com um critério extremadamente positivista, se possam combater os sacramentos. Efectivamente, sob esse ponto de vista, o que são eles? Meras cerimónias completamente inofensivas, tanto mais que em grande parte dos casos, essas cerimónias nem sequer são compreendidas pelo que recebe o sacramento, não podendo por conseguinte influir, como facto externo, na mente do indivíduo. Por exemplo, no baptismo, não raro, na primeira comunhão, no matrimónio até, e frequentemente nos últimos sacramentos ministrados aos moribundos. É isto, a cerimónia externa, que a Maçonaria combate? Evidentemente, não é. «Sabemos» – afirmava há bem pouco, num discurso, um mação graduado – «sabemos onde estão as fontes de vida do Catolicismo, por isso o nosso ataque será eficaz.»

Quando a Maçonaria ataca os sacramentos, dá-nos uma prova da sua eficacidade, valor e influência na vida da Igreja, isto é, da sociedade cristã.

A Maçonaria crê, pois, mas para combater; muitos católicos crêem, mas para desprezar. É menos nocivo aquele combate, que este desprezo.

Aqueloutro expediente das escolas neutras (anti-religiosas) e mistas, onde os jovens e donzelas aprendendo a rebelar-se contra a estultícia (sic) do pudor ensinado pelos católicos, se preparem para o futuro matrimónio, é de um alcance prodigioso para o melhoramento das raças, sob o ponto de vista físico e moral, e de uma consonância admirável com as afirmações da fisiologia. É talvez devido à prática e adopção destes ensinamentos que em França, onde aquela rebelião contra o pudor cristão está assaz vulgarizada, a população vai aumentando prodigiosamente, e a raça se vai melhorando num sentido de prometer reproduzir o primitivo tipo simiano. É também talvez pelo mesmo motivo, que dos alcances saem as mães mais robustas, modelares e úteis à sociedade quanto à prolificação.

«Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 12º Ano, Nº 20, Agosto de 1906


Fonte: Veritatis

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

SS. AA. RR., Os Senhores Duques de Bragança na Procissão da Imaculada Conceição em Vila Viçosa

No dia 8 de Dezembro, assinalou-se  a solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria no Santuário Nacional da Padroeira de Portugal, em Vila Viçosa.

Como é tradição todos os anos, os Duques de Bragança marcaram presença na procissão.


segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

O Santo Natal segundo o Catecismo Maior de São Pio X

1. O que é a festa do santo Natal? O santo Natal é a festa criada para celebrar a memória do tempo do nascimento de Jesus Cristo.

2.  Entre  outras  particularidades  o  que  é  mais  especial  no  santo  Natal? No Santo Natal, entre todas as outras particularidades, há duas coisas especiais:1º que os ofícios divinos são celebrados na noite precedente, segundo antigo costume da Igreja nas vigílias :2º  que todos os sacerdotes celebram três Missas.

3. Por que a Igreja quis conservar o costume de celebrar de noite os ofícios de Natal? A Igreja quis manter o uso de celebrar de noite os ofícios de Natal para renovar, com profunda gratidão, a memória daquela noite em que o Divino Salvador deu início, com seu nascimento, à obra de nossa redenção.

4. Que propõe a Igreja à nossa consideração no Evangelho da primeira Missa de Natal? No evangelho da primeira Missa de Natal, a Igreja propõe--nos considerar que a Santíssima Virgem, em companhia de S. José,  foi  de  Nazaré  até  Belém  para  o  recenseamento,  segundo  as ordens do imperador, e não encontrando outro albergue, ela deu a luz a Jesus em um estábulo e colocou-o num presépio, ou seja, em uma manjedoura para animais.

5. E no evangelho da segunda Missa? No  evangelho  da  segunda  Missa  propõe  à  nossa  consideração a visita feita a Jesus Cristo por alguns pobres pastores, a quem um anjo anunciara o nascimento do Salvador.9. E o Evangelho da terceira Missa? No evangelho da terceira Missa a Igreja nos leva a considerar como este menino, que nasceu da Virgem Maria no tempo, é desde toda a eternidade o Filho de Deus.

6.  O  que  pretende  a  Igreja  ao  propor  à  nossa  consideração  os  mistérios das três Missas de Natal? Ao propor à nossa consideração os mistérios das três Missas de Natal, a Igreja quer que agradeçamos ao Divino Redentor por ter-se feito homem para nossa salvação, reconhecendo-lhe — com os pastores — e O adoremos como verdadeiro Filho de Deus, atendendo aos ensinamentos que tacitamente Ele nos dá com as circunstâncias de seu nascimento.

7. Que nos ensina Jesus Cristo com as circunstâncias de seu nascimento? Com as circunstâncias de seu nascimento, Jesus Cristo nos ensina a renunciar às vaidades do mundo e estimar a pobreza e o sofrimento.

8. Temos a obrigação de ouvir três missas na festa de Natal? Na festa de Natal, somos obrigados a ouvir uma só missa, no entanto, é bom ouvir todas as três para conformar-nos melhor com as intenções da Igreja.

9. O que devemos fazer no santo Natal para conformar-nos plenamente com as intenções da Igreja? No santo Natal devemos fazer essas quatro coisas:

1º    prepararmo-nos  na  véspera  com  um  recolhimento  maior do que de costume;
2º  procurar grande pureza por meio de uma boa confissão e um vivo desejo de receber o Senhor;
3º  assistir, se nos é possível, os ofícios divinos da noite anterior e as três Missas, meditando o mistério que se celebra;
4º  empregarmos esse dia, tanto quanto nos seja possível, em obras de piedade cristã.


sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

D. João IV – Rei e Músico


O “Adeste Fideles”, canção de Natal, mundialmente conhecido pelo título de 'Hino Português', foi escrito e composto por El-Rei D. João IV de Portugal, a exemplo de muitas outras obras, na escola de música que fundou no Paço Ducal dos Bragança, em Vila Viçosa. Foram encontrados dois manuscritos desta obra, datados de 1640, no Palácio Ducal de Vila Viçosa, que era a Casa Peregrina e propriedade dos Duques de Bragança.

Os ingleses atribuíram, erroneamente, a autoria desse hino a John F. Wade que não pode ter composto a partitura, uma vez que o seu manuscrito está datado ulteriormente, de 1760, pelo que Wade se limitou a traduzir o Hino Português, como de resto era designado à época, tentando usurpar os louros a El-Rei Dom João IV de Portugal.

Ao tema Adeste fideles foi dado o nome de “Portuguese Hymn” em várias publicações inglesas, uma vez que esta composição era cantada na capela da Embaixada de Portugal em Londres, que até à legalização do culto católico na Inglaterra, com a promulgação da “Acta de Ajuda Católica” de 1829, era um dos únicos locais em que podia ser celebrada uma missa católica em território britânico.

Facilmente se repõe a verdade, pois além dos dois manuscritos da obra, e que são anteriores à versão de 1760 feita por Wade, existem mais provas do talento musical d’El-Rei: uma é o ensaio 'Defesa da Música Moderna’, de 1649, ano em que El-Rei Dom João IV requereu a Roma a aprovação universal da música instrumental no culto da igreja católica; outra prova é um outro famoso trabalho musical de Dom João IV, o “Crux fideles”, uma composição ainda hoje usada nos serviços eclesiásticos, comprovando-se desta forma o virtuosismo do Rei como renomado músico.

Acresce que, o ritmo de Adeste Fideles é claramente de origem portuguesa, pois pela subtileza, delicadeza e leveza da melodia assemelha-se ao ritmo popular da Ciranda, além de outras modalidades populares de Portugal, hoje tradicionais, em todos os Povos Lusófonos.

Miguel Villas-Boas


Adeste Fideles (Letra e Música: El-Rei D. João IV de Portugal)
Adeste fideles læti triumphantes,
Venite, venite in Bethlehem.
Natum videte
Regem angelorum:
Venite adoremus (3x)
Dominum.
Deum de Deo, lumen de lumine
Gestant puellæ viscera.
Deum verum, genitum non factum.
Venite adoremus (3x)
Dominum.
Cantet nunc 'Io', chorus angelorum;
Cantet nunc aula cælestium,
Gloria! Soli Deo Gloria!
Venite adoremus (3x)
Dominum.
Ergo qui natus die hodierna.
Jesu, tibi sit gloria,
Patris aeterni Verbum caro factum.
Venite adoremus (3x)
Dominam
triunfante
Adeste fideles laeti triumphantes

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

15 de Dezembro de 1640 - Aclamação D’El-Rei D. João IV


A Aclamação D’El-Rei Dom João IV de Portugal ocorreu a 15 de Dezembro de 1640.

Consumado o golpe palaciano no qual os Conjurados restauraram a Independência do Reino de Portugal, El-Rei João IV, vindo de Vila Viçosa, chegou a Lisboa na noite de 6 de Dezembro. Nos dias seguintes, enquanto se preparava a cerimónia da Aclamação e o Rei se ocupava dos assuntos de Estado, houve festejos, procissões e iluminações públicas.

E eis que chegou o Dia da Aclamação.

Logo cedo, na manhã de 15 de Dezembro de 1640, o novo monarca saiu dos seus aposentos no Paço da Ribeira, acompanhado dos Grandes Titulares da sua Corte, de oficiais da Casa Real e de Bispos, até ao local onde deveria decorrer a Cerimónia de Aclamação.

A abrir a comitiva real estavam os Porteiros, oficiais da Casa Real, e que eram os responsáveis por abrir e fechar as portas do palácio, função essa bastante simbólica. Os Porteiros traziam consigo duas insígnias que os distinguiam. Em primeiro viriam os Porteiros de Cana por portarem instrumentos de sopro rústicos, denominados por Cana. De seguida viriam os Porteiros da Maça, responsáveis por transportar nos ombros um bastão para assinalar a chegada dos convidados, a Maça.

Após a chegada dos Porteiros ao local da aclamação do monarca vinham os oficiais da Casa Real responsáveis pela Armaria, ou seja eram responsáveis pela distribuição e regulamentação das armas e brasões da nobreza. Estas estavam distribuídos em três níveis de forma hierárquica. Primeiro vinham os três Reis de Armas, que representavam os três domínios mais importantes do Império Português: Portugal, Algarve e Índia. De seguida vinham os três Arautos que representavam as, então, mais importantes cidades do Reino: Lisboa, Silves e Goa. Por último vinham os três Passavantes, que representavam as vilas mais importantes: Santarém, Lagos e Cochim. Todos deveriam vestir cotas de armas, uma capa sobre as vestes, que os diferenciava pela posição onde o escudo real estava bordado. Os Reis de Armas traziam bordado no peito com a coroa, os Arautos traziam ao peito no lado direito sem a coroa e os Passavantes traziam ao lado esquerdo sem a coroa.

O cortejo real prosseguia com a passagem dos Moços da Câmara e dos Moços Fidalgos. Os Moços da Câmara eram jovens que provinham das famílias mais influentes e possuíam funções na Câmara Real (aposentos do rei). O Moço Fidalgo era basicamente aquele que convive com o Rei no seu quotidiano. Após a passagem dos Moços passaria o Corregedor do Crime da Corte e Casa.

No fim da passagem destas figuras maiores da Monarquia Portuguesa deveriam passar os membros da nobreza, os Grandes Titulares da Corte (Marqueses, Condes, Viscondes e Barões) e eclesiásticos (Bispos). Todos iam a "descoberto" (sem chapéu ou barrete na cabeça) e formando duas alas, a dos seculares e a dos religiosos. No meio destas alas seguiam os oficiais da Casa Real transportando as suas insígnias. De seguida vinha o recém-nomeado Ministro Secretário de Estado, e imediatamente vinha o Meirinho Mor que trazia uma vara branca, sua insígnia privativa. Este era um oficial de justiça, responsável pela aplicação da lei aos membros da Nobreza e fidalgos – e que de acordo com a tradição era ofício pertença do Conde de Viana.

O Bispo Capelão Mor (responsável pela capela real) acompanhava o Meirinho Mor. Após estes seguia o cortejo: o Alferes Mor, que trazia a Bandeira Real enrolada. No fim deste seguia o Capitão da Guarda Real (responsável pela guarda pessoal do rei).

A Guarda Real dos Archeiros estaria no exterior do edifício onde decorreria a cerimónia de Aclamação.

A cerimónia aconteceu num grande teatro de madeira erguido e guarnecido de magníficos e ricos panejamentos, adjacente à engalanada varanda do Paço da Ribeira. Nesse décimo quinto dia do mês de Dezembro de mil seiscentos e quarenta, as mais altas e influentes figuras a nível nacional, os membros da Família Real e por último a figura central da cerimónia, El-Rei, tomaram o seu lugar no teatro de madeira. Dom João IV vinha ricamente vestido com o manto real, seguro na cauda por um Conde e pelo Gentil Homem da Câmara Real. Junto ao monarca estava a Rainha D. Luísa de Gusmão, o herdeiro ao trono o Príncipe D. Teodósio - ainda vivo à data -, o Infante D. Afonso e a Infanta D. Catarina e, ainda, os oficiais privados (os Camaristas) do Rei. Muito próximo ao Rei no seu lado esquerdo estava o Mordomo-mor da Casa Real. Este desempenhava as funções mais importantes de toda a Casa Real Portuguesa e ao seu lado, mas mais afastado, estava o Ministro Secretário de Estado. No mesmo lado esquerdo estavam posicionados, em ala e mais afastados, o Meirinho-mor e os Marqueses e por último os Grandes da Corte e outros oficiais da Casa Real. Ao seu lado direito estavam os seus herdeiros e o corpo religioso.

Antes de o soberano se sentar no trono real foi-lhe dado o ceptro que segurou com a mão direita, a coroa real foi colocada ao seu lado esquerdo. Dom João IV, pela derradeira vez, cingia na cabeça a Coroa dos Reis de Portugal que haveria de oferecer a Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, em 1646, pela protecção concedida durante a Restauração, coroando-a Rainha de Portugal – nas coroações de outros monarcas que haveriam de se seguir, durante a Cerimónia de Aclamação a Coroa Real seria sempre acomodada numa almofada vermelha (cor real) ao lado do novo Rei, como símbolo real, e não na cabeça do monarca.

Após os convidados estarem todos acomodados deu-se oficialmente início à Aclamação do Monarca. Neste momento o Secretário de Estado avisa o Rei de Armas para pronunciar a prática a El-Rei. O Rei de Armas brada o seguinte:

‘Ouvide, ouvide, ouvide, estai atentos!’

Dito isto o Reposteiro-Mor colocou diante do monarca uma cadeira rasa com uma almofada e outra para o Rei se ajoelhar. Na cadeira rasa (pequena mesa) o Bispo Capelão-Mor coloca o missal aberto e o crucifixo de prata. O alto prelado ajoelha-se junto ao trono juntamente com dois Bispos que servem de testemunhas do juramento que El-Rei iria fazer. O monarca então de joelhos coloca o ceptro na mão esquerda e o missal e a cruz na mão direita e repete as palavras que o Secretário, que também estava de joelhos, lhe diz para repetir:

‘Juro e prometo com a graça de Deus vos reger, e governar bem, e direitamente, e vos administrar direitamente justiça, quanto a humana fraqueza permite; e de vos guardar vossos bons costumes, privilégios, graças, mercês, liberdade, e franquias, que pelos Reis meus predecessores vos foram dados, outorgados e confirmados.’

Dito este jura, o Secretário de Estado lê em voz alta o Juramento, Preito e Homenagem que os convidados deveriam jurar ao monarca:

‘Juro aos Santos Evangelhos tocados corporalmente com a minha mão, que eu recebo por nosso Rei, e senhor verdadeiro, e natural, o muito alto, e muito poderoso, o fidelíssimo Rei, nosso Senhor Dom João o Quarto, e lhe faço preito, e homenagem segundo o foro destes reinos.’

Feito o juramento por parte dos convidados, o Alferes-Mor desenrola o Estoque Real e o Rei de Armas disse em voz alta para beijarem a mão do soberano. Feito isto, o Secretário-geral diz aos convidados que o Monarca aceita os juramentos feitos a Ele e assim o diz:

‘El-Rei, nosso Senhor, aceita os juramentos, preitos e homenagens que os Grandes, Títulos Seculares, Eclesiásticos, e mais pessoas da nobreza que ao estarem presentes, agora lhe fizestes.’

Declarada a aceitação, o Alferes-Mor e Condestável, D. Francisco de Mello, agitando a Bandeira desenrolada declara a fórmula de Aclamação do Monarca:

‘Real, Real, Real! Pelo mui alto e muito poderoso e excelente Príncipe, Rei e Senhor Dom João IV de Portugal!’

Feito isso, dirigem-se para a multidão que os contemplava e o Rei de Armas declara:

‘Ouvide, ouvide, ouvide, e estai atentos.’

E o Alferes Mor de seguida repete:

‘Real, Real, Real! Pelo mui alto e muito poderoso e excelente Príncipe, Rei e Senhor Dom João IV de Portugal!’

Ao que se lhe seguiram todos os outros presentes fazendo um coro que fez vibrar o palanque.
Finalmente, Dom João IV foi erguido e aclamado solenemente: estava inaugurada a 4ª Dinastia Portuguesa, a Dinastia de Bragança.

Finalmente a comitiva real dirigiu-se, acompanhada da população efusiva, em direcção ao Paço Real, momento que marca o fim das cerimónias de Aclamação do monarca Português.

Viv'á Restauração!

Viva Portugal Soberano e Independente!

Miguel Villas-Boas

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

SS. AA. RR. Os Senhores Duques de Bragança visitam Olivença


Na sequência da sua passagem por Vila Viçosa para as comemorações da Imaculada Conceição no dia 8 de Dezembro, no sábado, os Duques de Bragança fizeram uma curta incursão a Olivença, onde visitaram alguns dos mais simbólicos monumentos portugueses desta vila.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

5 virtudes de São José para o Advento

São José pode ajudar-nos a viver um Advento mais frutuoso. Meditamos sobre cinco virtudes extraordinárias deste maior grande santo para que possamos viver um resto de Advento mais sério e um Natal mais profundo


1. Silêncio. Nem uma única vez na Sagrada Escritura ouvimos uma palavra do grande São José. Este silêncio de São José é muito eloquente. Ensina-nos uma atitude fundamental para entrar em oração profunda: o silêncio. Se somos constantemente bombardeados por barulho é impossível ouvir a Palavra de Deus, o Espírito Santo que fala connosco na suave brisa do silêncio. O silêncio de São José ensina-nos também a importância do exemplo. Devemos provar a nossa autenticidade por palavras, mas também pelas nossas acções. São José ensinou o mundo pelo modo santo como viveu. Que ele seja um exemplo para nós.

2. Oração. São José era um homem de oração. Que papel extraordinário desempenhou na história da salvação. Ele era o esposo de Maria, a Mãe de Deus, e também o pai adoptivo de Jesus, o Filho do Deus vivo. São José ensinou, realmente, Jesus a falar e a dirigir-Se a Deus como “Abba” - o que significa “Papá”. Em certo sentido, São José ensinou Jesus a usar palavras humanas para falar com o Pai Celestial - isso é oração. Portanto, se São José ensinou Jesus a orar, quão mais poderia ensinar-nos a rezar se pedissemos a sua ajuda. Comecemos agora: São José, ensina-nos a rezar!

3. Coragem e masculinidade. Numa sociedade em que muitos homens fogem das obrigações para com as mulheres, filhos e família e se voltam para os vícios e a vida fácil quando confrontados com as dificuldades, São José brilha como modelo de coragem e fortaleza. Ele viajou muitos quilómetros com frio e vento, para encontrar apenas rejeição. Ele encontrou refúgio num abrigo de animais para o nascimento de Jesus. Ele levantou-se cedo para fugir para o Egipto, salvando o Menino Jesus das ameaças cruéis e assassinas do Rei Herodes. Diante de tantas dificuldades, São José ergueu-se e enfrentou os obstáculos com coragem viril. Que os homens da geração actual ergam o olhar para o homem de Deus amável e corajoso: o bom São José.

4. Fornecer e proteger. São José protegeu e proveu a Sagrada Família. Ele era um trabalhador esforçado - exercendo o ofício de carpinteiro. Ele ganhou o pão através do suor da sua testa. Pensava não em si mesmo, mas em como poderia prover e proteger da melhor forma a família que Deus confiou aos seus cuidados. Ao nos aproximarmos do Natal, imploremos ao bom São José que providencie e proteja a nossa vida espiritual. Materialismo, consumismo, hedonismo são os deuses da cultura actual. Tudo isso sufoca a espiritualidade. As orações de São José podem ajudar-nos a olhar além do comprar, ter e possuir. Ele pode ajudar-nos a perceber que a verdadeira alegria e felicidade não vêm de ter coisas mas de possuir Deus. Ter o Menino Jesus em nossos braços e em nossos corações vale mais do que todo o dinheiro e bens do mundo inteiro. O bom São José pode-nos ensinar esta lição simples mas profunda!

5. São José, Nossa Senhora e Jesus. Para chegar a uma devoção verdadeira e autêntica a Maria, o bom São José pode servir de ponte poderosa. Além do próprio Jesus, ninguém na Terra conheceu, compreendeu, acalentou e amou mais a Santíssima Virgem Maria do que o bom São José. Dirijamo-nos ao Bom São José e imploremos-lhe a graça de um maior conhecimento e amor a Maria, sua amada esposa. Depois, dirijamo-nos a São José e imploremos-lhe a graça do conhecimento íntimo de Jesus, para que amemos Jesus com mais fervor e sigamos Jesus mais de perto. Além de Maria, ninguém conhecia Jesus melhor na Terra do que o bom São José. A Sagrada Família só se completa quando os três membros são reconhecidos, honrados e amados. Que as orações do bom São José abram os nossos corações aos imensos tesouros que Deus reservou para nós neste tempo do Advento. 

Sam Guzman in Catholic Exchange 


segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

O ABORTO CLIMÁTICO

“A repressão deve ser imediata e enérgica; tanto quanto baste, mas que não sobre.

De tal maneira que aqueles que prevaricam não tenham vontade de repetir e os que presenciaram não tenham desejos de imitar”.

General Farinha Beirão

(Comandante – Geral da GNR, de 1927 a 1939)

No pretérito dia 6 de Dezembro dirigia-me, pelas 08:10, para uma das placas de estacionamento do Aeródromo de Tires (da responsabilidade da Câmara Municipal de Cascais) a fim de efectuar um voo de instrução com um aluno, de uma das várias escolas de pilotagem existentes no aeródromo (e existem cerca de duas dezenas de outras empresas na mesma área).

Fui então informado que, por razões desconhecidas, a Torre não estava a autorizar qualquer avião a pôr em marcha; não havia estimativa para quando tal seria possível e que se devia contactar as “operações do aeródromo” para futuras informações.

Mas pouco depois (“hélas”) já se sabia o motivo: um grupo de “activistas climáticos” – quem teria inventado este nome aparentemente respeitável? – tinha entrado no aeródromo, cortado a rede de segurança (um acto ilícito); chegado perto de um jacto particular de pequena dimensão (outro acto ilícito); pintado o avião com uma qualquer tinta vermelha (mais um acto ilícito), após o que se acorrentaram à aeronave (idem para o ilícito, com laivos de acto histérico – ou será uma nova forma de masoquismo?).

Presume-se que as forças de segurança presentes no aeródromo tenham actuado conforme o regulamentado e como se tratava de uma ocorrência que punha em causa a segurança do mesmo e não se sabendo, na altura, a sua extensão e gravidade, parou-se toda a actividade aérea e não sei se mais alguma outra.

Pelas 09:20 apareceu uma equipa especial de intervenção da PSP a fim de melhor se lidar com a ocorrência.

Seguiu-se a costumeira apresentação da rapaziada detida, à autoridade judicial adequada ao caso, o qual por norma envia os “activistas” para casa na paz do senhor, a aguardar uma qualquer acção posterior. Passados uns dias a cena repete-se algures.

A Comunicação Social faz ampla cobertura do ocorrido, tendo o cuidado de passar as mensagens destes transtornados mentais, ao mínimo pormenor. Estão pois a colaborar com a infracção…

As operações de voo no aeródromo foram retomadas pelas 10:00. No, entretanto, foram cancelados ou retardados dezenas de voos e é possível que alguns aviões que se dirigissem ao aeródromo tenham tido de divergir para outros locais. Não fui indagar se outras actividades foram prejudicadas, mas de tudo resultaram prejuízos bastantes; missões que não se cumpriram; alteração do fluir normal da vida; distracção de meios policiais, enfim, a perda de tempo e dinheiro.

Quem vai indemnizar pelos prejuízos causados? Os pais dos imberbes? Naturalmente que deviam; a Autarquia? E quem indemniza a Autarquia?

A direcção do aeródromo por não conseguir garantir a segurança das instalações? Hum, difícil de acontecer; além disso o ónus deve ser colocado no infractor.

Os “delinquentes” climáticos (um nome que lhes assenta melhor)? Duvido, podiam trabalhar toda a vida, que não ganhariam para tal. Além do que com o actual sistema judicial altamente permissivo, nada se consegue que jeito tenha.

Vai ser considerado um “azar” derivado de imponderáveis que não dominamos? Provavelmente, apesar de não caber nesse âmbito...

É pois fundamental que todos os prejudicados apresentem queixa nas instâncias competentes a fim de serem ressarcidos dos prejuízos que tiveram e se faça Justiça e não se ande sempre no exercício deletério do Direito…

Estamos perante um comportamento de um grupo de “fanatizados” por uma causa que mal entendem, organizados numa coisa chamada “climáxico” ao que parece maioritariamente constituídos por menores que, em vez de estarem na escola a aprender algo de útil (tarefa difícil de realizar nos dias que correm…); fazer desporto, divertirem-se, crescerem e prepararem-se para a dureza da vida que vão enfrentar dentro em breve, andam entretidos a tentar fazer a vida negra ao comum dos cidadãos na esperança infantil, de que vão mudar o mundo ou parar as eventuais alterações do clima. E sem darem conta, andam a ajudar os “lobbies” dos negócios relacionados com a chamada “transição energética”! E que tudo o que andam a fazer se vai voltar contra eles.

Será que não lhes passa pela cabeça que os protestos devem ser feitos dentro da lei e sem prejudicarem terceiros?

A situação resolvia-se facilmente com alguns tabefes e palmadas, se é que têm superfície corporal desenvolvida suficiente para os suportar e uns meses de trabalho comunitário duro (já agora não ficava mal ficarem proibidos de viajar de avião durante meia dúzia de anos) ao mesmo tempo que se metia na prisão (uma prisão, não um hotel de três estrelas…) os putativos grupelhos políticos ditos de esquerda (melhor dizendo “esquerdopatas”) que lhes andam a lavar o cérebro e depois os enviam para a “cabeça do touro”.

E não seria má ideia também, ponderar-se a proibição de participação em qualquer manifestação pública de qualquer cidadão com menos de 18 anos. Afinal os que ainda não atingiram essa idade (convencionada como a “maioridade”), não são cidadãos na plena posse de todos os direitos e deveres. E os direitos devem adquirir-se apenas depois de os deveres cumpridos.

Como faz cá falta o General Farinha Beirão.

Fazia-o já Ministro da Administração Interna e da Justiça. Pelo menos.


João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador (Ref.)


Fonte: O Adamastor

domingo, 17 de dezembro de 2023

D. João IV é recebido em Lisboa por toda a Corte

Sendo chegados a Vila Viçosa Pedro de Mendonça e Jorge de Melo com a notícia da felicidade com que se conseguira, como já dissemos, a gloriosa empresa da aclamação do Senhor Rei Dom João IV, vendo quanto convinha o partir logo para Lisboa, se meteu em um coche, acompanhado nele do Marquês de Ferreira e do Conde de Vimioso (que também chegaram, depois de haverem solenemente aclamado a El-Rei em Évora) e de Pedro de Mendonça e Jorge de Melo; e a cavalo, de alguns criados da sua Casa. Sem mais tropas que o seguissem, partiu o novo Rei para Lisboa a tomar posse de um Reino, que os Reis de Castela, formidáveis a todo o mundo, dominaram sessenta anos, e haviam pretender restaurar, como a pedra mais preciosa da sua Coroa. Chegando a Aldeia Galega [hoje Montijo] achou muitos Fidalgos e outras pessoas Eclesiásticas e seculares, que o esperavam; a todos recebeu benignamente, e na manhã deste dia [6 de Dezembro], em quinta-feira, se embarcou, e pelas nove horas chegou à Ponte da Casa da Índia, sendo salvado com três descargas de artilharia do Castelo e Fortalezas da Cidade, que fizeram pública a nova da sua chegada. Correu logo ao Paço toda a Nobreza a beijar-lhe a mão, e ao Terreiro tanta multidão de povo com tão grande alvoroço e tão repetidas vozes alegres, que por instantes era necessário chegar El-Rei às janelas para satisfazer as demonstrações d tão leais Vassalos. Na tarde do mesmo dia beijaram a mão a El-Rei todos os Tribunais. De noite esteve toda a Cidade iluminada e festiva com repiques dos sinos, salvas de artilharia, aclamações e vivas do povo; O que tudo sendo observado por um Fidalgo Castelhano, que se achava em Lisboa, disse: Es posible que se quita un Reino a El-Rey Don Felipe com solas luminarias y vivas, sin más Exercito, ni poder? Gran señal y efeto sin duda del brazo omnipotente de Dios. El-Rei Dom Filipe, quando lhe chegou a notícia desta gloriosa aclamação, disse: Perdí el brazo derecho de mi Imperio. Não quis Deus que fosse braço de alheio corpo o Reino que criara para cabeça de outros Reinos, conforme o que disse ao nosso primeiro Rei, falando-lhe da Cruz no Campo de Ourique: que queria nele e em sua descendência estabelecer para Si um Império. Volo in te et in semine tuo Imperium mihi stabilire.

A matutina luz, serena e fria
As Estrelas do Pólo já apartava,
Quando na Cruz o Filho de Maria
Mostrando-se a Afonso o animava.
Camões, Canto 3, Oitava 45.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744


Fonte: Veritatis

sábado, 16 de dezembro de 2023

Crítica XXI - número 5, Outono de 2023

Neste número de Crítica XXI (Outono de 2023), o quinto publicado e o primeiro do segundo ano da revista, Jaime Nogueira Pinto em “A Direita e as direitas: Contra-revolucionários e conservadores” ocupa-se da identificação e caracterização das famílias direitistas, descrevendo identidades e diferenças entre contra-revolucionários e conservadores; fá-lo através da análise do pensamento de alguns dos seus representantes – Joseph de Maistre, Louis de Bonald e Juan Donoso Cortés, para os contra-revolucionários; e René de Chateaubriand, Alexis de Tocqueville e Edmund Burke para os conservadores.

Em “A Nação e a sua Imagem”, Francisco Carmo Garcia estuda o conceito e a importância política da Nação, a partir da teoria schmittiana, sempre uma chave-mestra para o entendimento do político na idade contemporânea.

Em “Dádiva Familiar”, Daniela Silva analisa os sinais de ruptura e permanência da instituição da Família no mundo euroamericano de raiz cristã e expõe o que, na sua perspectiva, seria recomendável.

Em “Introdução ao Conservadorismo” Miguel Morgado traz a debate o significado dos termos “conservador” e “conservadorismo” na teoria e na realidade políticas de hoje. O tema não pode ser mais actual já que o termo “conservative”, em voga desde sempre no mundo e na direita anglo-saxónica, encontra algumas dificuldades na sua tradução para as direitas de tradição euro-continental.

Mas se a conceptologia à direita é complexa, à esquerda também assistimos a alguns movimentos tectónicos. A Nova Esquerda dos anos 60 e 70 do século passado, marcada pelo neo-marxismo e pela substituição gradual e subtil da vulgata estaliniana por um Marx revisto e aumentado por Gramsci e pela Escola de Frankfurt, não para de envelhecer perante as novidades das esquerdas do momento. Patrícia Fernandes em “O Wokismo não existe?”, reflecte sobre a intensificação das exigências culturais do paradigma identitário e a sua extensão a todos os níveis da vida política e cultural, na detecção e punição de agressões cada vez mais “micro”.

Em “Um Fidalgo à frente da Esquerda Radical – Saldanha entre 1820 e 1834” Rui Ramos centra-se em João Carlos de Saldanha, duque de Saldanha, figura chave do liberalismo português. Na linha dos ensaios sobre o século XIX português que tem vindo a publicar na Crítica XXI, Rui Ramos lança sobre o homem e a época um olhar singular e rigoroso.

“Afinal vale a pena ler Jordan Peterson?” é a pergunta de Carlos Maria Bobone a respeito do intelectual anti-correcção política que se tornou um fenómeno de popularidade. Reconhecendo a contradição, o autor acaba por concluir que a divulgação da filosofia não terá só desvantagens.

As Notas Críticas abrem com uma crónica de Miguel Freitas da Costa sobre o Manifesto Comunista de 1848, de Marx e Engels e a sua actualidade. Com o colapso da União Soviética e depois da passagem da China para o capitalismo de direcção central, podia pensar-se que o marxismo era um sistema político acabado. Mas não. Renasce e ninguém parece interessado em pedir contas aos seus novos seguidores pelas tragédias do passado.

O revisionismo das personagens e das histórias da BD clássica e da literatura infantil é hoje uma nota obrigatória, com a Disney ou a reedição censurada de autores como Roald Dahl. Spirou, a popular criatura de Rob-Vel, Jijé e Franquin também não escapou. Eurico de Barros dá conta do sucedido em “O assassinato de Spirou ou a descaracterização radical de um clássico da banda desenhada”.

Também em Notas Críticas, José Lorêdo Filho, em “Gonçalves Dias e o luso-brasilismo”, evoca a poesia de Gonçalves Dias no segundo centenário do seu nascimento em 23 de Agosto de 1823, em Caxias, no Maranhão, considerando-o um representante e um bom produto da luso-tropicalidade. Miguel Freitas da Costa recorda os quase oitenta anos de Casablanca, um filme que não envelheceu. Jaime Nogueira Pinto faz a recensão da breve biografia de Abel Chivukuvuku de José Eduardo Agualusa; um livro que, a propósito do carismático ex-dirigente da UNITA, conta uma história breve mas incisiva da Angola Independente.

Finalmente, em “O Mundo Livre de Louis Menand” Carlos Maria Bobone faz a recensão do longo compêndio de Menand sobre essa paisagem larga e recortada por acidentes e surpresas que é a “cultura ocidental” nos tempos da Guerra Fria.

DIRECÇÃO JAIME NOGUEIRA PINTO E RUI RAMOS


Fonte: Crítica XXI