quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Comportamento padrão de adolescentes “elgebetizados”


Com a Lei n.º 38/2018, o Despacho n.º 7247/2019 e agora o copy-paste do despacho na Proposta de Lei n.º 332/XV, Portugal copia o que de pior se vai passando um pouco por todo o mundo ocidental e, quando se fala de crianças, que, supostamente, e depois de muita doutrinação ideológica, sofrem de disforia de género, o critério dos pais só é ouvido e tomado em conta SE coincidir com o “sentimento profundamente sentido”, ainda que surgido repentinamente e nunca antes percebido, do seu filho.

Do contrário, caso tentem ajudar o filho a perceber o que realmente se passa e não se ajoelhem diante da nova identidade auto-determinada pelos petizes, a ameaça estatal de lhes retirar toda e qualquer autoridade paternal/maternal sobre os seus filhos e de os sentar ao banco dos réus recai sobre eles.

Perante este ataque sem tréguas à família, o que é que os pais precisam saber sobre o comportamento dos seus filhos, que, repentinamente, passam a identificar-se como “trans”, e os ataques que virão, caso não venerem a auto-determinação deles?  

Dr.ª Lisa Littman criou um questionário com noventa perguntas, distribuiu-o entre 256 pais que tinham visto os seus filhos adolescentes, que nunca antes haviam manifestado qualquer sintoma de Transtorno da Identidade Sexual [Disforia de Género], identificarem-se repentinamente como transgénero e estas são algumas das conclusões:

  1. Mais de 80% dos adolescentes eram mulheres (sexo biológico), com uma idade média de 16,4 anos;
  2. No momento de anunciar a sua transgeneridade, a maioria vivia em casa dos pais;
  3. A grande maioria tinha tido zero indicadores de disforia de género na infância (além de não cumprirem universalmente o requisito das seis características da disforia de género em crianças);
  4. Quase um terço dos adolescentes não parecia em absoluto sofrer de disforia do género, segundo os pais, antes de anunciarem ser “trans”;
  5. A maioria havia recebido um ou mais diagnósticos psiquiátricos, e quase metade auto-mutilava-se antes de a “disforia de género” aparecer;
  6. 41% havia expressado uma orientação sexual não heterossexual antes de se identificar como “transgénero”;
  7. 47,4% tinha sido formalmente avaliado como um aluno especialmente dotado;
  8. 70% dos adolescentes pertencia a um grupo no qual, pelo menos um amigo “saíra do armário” como “transgénero”. Em alguns grupos, a maioria dos amigos havia-se declarado “transgénero”;
  9. Antes de anunciar a sua identidade “transgénero”, mais de 65% dos adolescentes havia aumentado o uso das redes sociais e o tempo que passavam online;
  10. Entre os pais que conheciam a situação social dos seus filhos, mais de 60% disse que o anúncio trouxe consigo um aumento da popularidade;
  11. Mais de 90% dos pais questionados eram brancos;
  12. Mais de 70% dos pais tinha um título universitário;
  13. Mais de 85% dos pais disseram apoiar o direito ao casamento das parelhas homossexuais;
  14. Mais de 88% dos pais questionados disseram apoiar os direitos das pessoas “transgénero”;
  15. Menos de 13% dos pais acreditavam que a saúde mental do adolescente tinha melhorado após a identificação como “transgénero”;
  16. Mais de 47% disse que a saúde mental do seu filho havia piorado.

Acusações aos pais

  1. 64% dos pais haviam sido classificados como “transfóbicos” ou “intolerantes”, pelos seus filhos, por razões como: discordar da criança acerca da sua auto-avaliação como “transgénero”; recomendar que o filho se dê mais tempo para averiguar se os sentimentos de “disforia de género” persistem; chamar o seu filho pelo pronome equivocado; dizer-lhe que é pouco provável que as hormonas ou as cirurgias o ajudem; chamar o seu filho pelo seu nome de nascimento, ou recomendar-lhe que, antes de se submeter à “transição” médica, trabalhe outros problemas de saúde mental subjacentes.

Pais, entendam: NUNCA ANTES os indivíduos que sofriam de disforia de género haviam “saído do armário”, como “trans”, em função do estímulo dos amigos e depois de se saturar nas redes sociais. NUNCA ANTES a identificação como “transgénero” havia precedido as experiências da disforia de género em si.

Perseguição a quem contraria a narrativa

Duas semanas depois da publicação do estudo da Dr.ª Littman, e em resposta ao protesto dos activistas, a PLoS One (revista científica da Biblioteca Pública de Ciência) anunciou que levaria a cabo uma revisão posterior à publicação do seu trabalho e que se faria uma “correcção”. A Drª Littman foi vítima de uma série de revisões. Em Março de 2019, sete meses depois da publicação inicial, a PLoS One divulgou a “correcção” de Littman. Nenhum dos resultados havia mudado.

Mas, a Dr.ª Littman pagou o preço de ter enfrentado o lóbi “elgebetista”. Acusando-a de fanatismo anti-trans, os activistas inundaram a página de Twitter da PLoS One e afirmaram que a Dr.ª Littman havia, deliberadamente, recolhido toda a informação de pais conservadores pertencentes a grupos anti-trans, quando, de facto, mais de 85% dos pais se haviam identificado como apoiantes dos direitos lgbtetc.

Os jornalistas, pressionados pelos activistas (e alguns deles activistas), precipitaram-se sobre ela com “bidões de gasolina” nas mãos. Um estudante de pós-graduação e autoproclamado “activista transgénero”, do departamento da Universidade Brown da Dr.ª Littman[3], denegriu-a na imprensa e publicou um artigo no qual a acusava de estar motivada por preconceitos. Outros activistas transgénero acusaram-na de ter ferido pessoas com o seu artigo. Qualificaram o seu trabalho como “perigoso” e insistiram que poderia conduzir os adolescentes, que se identificavam como transgénero, a “piores resultados de saúde mental”. Pressionada, e com a desculpa de que o trabalho da Dr.ª Littman poderia “desacreditar os esforços em apoiar os jovens transgénero”, a Universidade de Brown retirou o seu próprio comunicado de imprensa, a favor do artigo, do seu site.

Médicos activistas perseguiram a Drª Litttman até ao Departamento de Saúde de Rhode Island, onde ela trabalhava, em part-time, como consultora médica em projectos relacionados com a saúde de grávidas e bebés prematuros. Alegando que ela havia escrito um artigo “prejudicial” para as jovens transgénero, os activistas denunciaram-na ao seu empregador e exigiram que o Departamento de Saúde “pusesse um fim imediato à sua relação laboral com a Dr.ª Littman”.

Os activistas queriam a cabeça da Dr.ª Littman numa bandeja. O Departamento de Saúde deu-lha e ela perdeu a sua consultoria remunerada.

E por cá? Sabe quantos profissionais de saúde enfrentam queixas na Ordem, por não se ajoelharem ao lóbi lgbtetc? Quantos se calam, com receio de perder o seu ganha-pão?


*Artigo baseado no livro: Dano Irreversível – A loucura transgénero que seduz as nossas filhas, de Abigail Shrier, que tem vindo a resistir a várias tentativas de censura.


Maria Helena Costa

Fonte: Inconveniente

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Comunicado do Arcebispo Viganò sobre as sanções canónicas impostas ao Padre Frank Pavone

 



Tradução Deus-Pátria-Rei


Agere sequitur esse. Isso é o que a filosofia escolástica nos ensina: a acção de todo ser depende da natureza desse ser. Segue-se que as acções de uma pessoa são consistentes com quem ela é. Encontramos confirmação deste princípio de ontologia nas sanções canónicas recentemente impostas pela Santa Sé ao padre Frank A. Pavone, um conhecido e apreciado padre pró-vida, que há décadas está envolvido na luta contra o horrível crime de aborto. Se um Dicastério Romano decidir electrocutar um padre com redução ao estado leigo, acusando-o de blasfémia e impedindo-o de ter a possibilidade de se defender legalmente em um processo canónico; e se, ao mesmo tempo, decisões análogas não são tomadas em relação ao clero notoriamente herético, corrupto e fornicador, não é descabido perguntar se tal acção persecutória revela um espírito perseguidor, e se uma acção contra um bom padre que lutou contra o aborto revela o ódio do perseguidor ao Bem e aos que lutam por ele. Este castigo injusto e ilegítimo torna-se ainda mais odioso à medida que nos aproximamos do Santo Natal, se considerarmos que matando crianças inocentes, o Inimigo do género humano quer matar o Menino-Rei.

A seita bergogliana eclipsa a Igreja Católica com sua ocupação arrogante de cargos de liderança e abusa escandalosamente de sua autoridade para um propósito oposto àquele para o qual Nosso Senhor, chefe da Igreja, a destinou. Não há área da doutrina, da moral, da disciplina ou da liturgia que não tenha sido objecto de sua acção vandalizadora. Nada é salvo do pouco que restou após sessenta anos de demolição sistemática pelo trabalho do Concílio Vaticano II, e o que sobrevive como uma lembrança em ruínas das glórias do passado está sob constante ameaça de devastação nova e pior.

É evidente, então, que o Sinédrio Romano – cujos trabalhos confundem até mesmo os mais cautelosos intérpretes dos assuntos do Vaticano – visa perseguir os bons e promover os maus. O caso da "excomunhão" do padre Pavone é a enésima demonstração de que esse objectivo é perseguido com feroz teimosia, tanto para alimentar um clima de terror entre o clero para forçá-lo à obediência servil e temerosa, quanto para criar desorientação e escândalo entre os fiéis e aqueles que ainda consideram a Igreja como ponto de referência moral. Tudo isto acontece no preciso momento em que o padre jesuíta Marko Ivan Rupnik, condenado por gravíssimos crimes canónicos que acarretam a pena de excomunhão latæ sentiiæ, vê a sua sentença canónica revogada pelo seu colega e compatriota jesuíta que vive em Santa Marta; e enquanto a Cúria Romana está infestada de personagens desagradáveis ​​que são notórios sodomitas e fornicadores heréticos e corruptos. Os acólitos bergoglianos se distinguem desta forma: quanto mais graves seus crimes, mais prestigiosos são os cargos que ocupam.

Diante desta violação dos princípios mais básicos de justiça e prudência governamental, juntamente com a flagrante determinação dos mais altos níveis da Hierarquia de agir contra mentem legis, é necessário que cardeais e bispos compreendam as gravíssimas consequências de seu silêncio cúmplice , e que levantem corajosamente a voz para defender a parte sã do corpo eclesial. Este dever é imposto pelo respeito pela Verdade Católica que foi violada, pela honra da Santa Madre Igreja que foi humilhada por seus próprios prelados, e pela salvação eterna das almas que foi ameaçada pelas palavras e acções de maus pastores que usurpam uma autoridade que não lhes pertence, mas que pertence a Cristo Rei e Sumo Sacerdote, Cabeça do Corpo Místico.

Se servir a Igreja e defender a vida de criaturas inocentes nestes tempos de apostasia constitui um crime digno de revogação do estado clerical, enquanto promover o aborto e a ideologia de género e violar virgens consagradas não é passível de excomunhão, então o padre Pavone deveria tomar como motivo de orgulho esta vergonhosa decisão do Vaticano, recordando as palavras do Nosso Salvador: Bem-aventurados sois vós quando sois injuriados, perseguidos e 'todo o mal se pronunciar contra vós, mentindo, por minha causa (Mt 5,11). E aquele que se fez cúmplice nesta perseguição contra os bons deve tremer ao pensar no julgamento que o espera. Deus non irridetur – Não nos rimos de Deus (Ga 6,7).


Carlo Maria Viganò, Arcebispo


Fonte: REGNUMGALLIAEREGNUMMARIAE

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Duas faces da mesma moeda

 


Se na teoria progressista a fase marxista surge como um estádio superior à fase «burguesa», uma vez que tenta dar nova lógica e reformular problemas concretos que não encontram solução nos quadros mentais e materiais do capitalismo, o certo é que, na prática, a ideologia marxista não passa de uma tentativa de complementar a ideologia demoliberal, divergindo apenas nos meios que consagra para a obtenção dos fins últimos. Na realidade, o marxismo defende os mesmos objectivos que o liberalismo político: a felicidade material do indivíduo na terra, equitativamente distribuída por todos os homens até à igualdade universal. É precisamente na instrumentação da igualdade real dos homens que as doutrinas racionalistas divergem.

António Marques Bessa in «Ensaio sobre o fim da nossa Idade», 1978


Fonte: Veritatis

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

D. João IV – Rei e Músico: Autor de 'Adeste Fideles'

 

O “Adeste Fideles”, canção de Natal, mundialmente conhecido pelo título de 'Hino Português', foi escrito e composto por El-Rei D. João IV de Portugal, a exemplo de muitas outras obras, na escola de música que fundou no Paço Ducal dos Bragança, em Vila Viçosa. Foram encontrados dois manuscritos desta obra, datados de 1640, no Palácio Ducal de Vila Viçosa, que era a Casa Peregrina e propriedade dos Duques de Bragança.

Os ingleses atribuíram, erroneamente, a autoria desse hino a John F. Wade que não pode ter composto a partitura, uma vez que o seu manuscrito está datado ulteriormente, de 1760, pelo que Wade se limitou a traduzir o Hino Português, como de resto era designado à época, tentando usurpar os louros a El-Rei Dom João IV de Portugal.

Ao tema Adeste fideles foi dado o nome de “Portuguese Hymn” em várias publicações inglesas, uma vez que esta composição era cantada na capela da Embaixada de Portugal em Londres, que até à legalização do culto católico na Inglaterra, com a promulgação da “Acta de Ajuda Católica” de 1829, era um dos únicos locais em que podia ser celebrada uma missa católica em território britânico.

Facilmente se repõe a verdade, pois além dos dois manuscritos da obra, e que são anteriores à versão de 1760 feita por Wade, existem mais provas do talento musical d’El-Rei: uma é o ensaio 'Defesa da Música Moderna’, de 1649, ano em que El-Rei Dom João IV requereu a Roma a aprovação universal da música instrumental no culto da igreja católica; outra prova é um outro famoso trabalho musical de Dom João IV, o “Crux fideles”, uma composição ainda hoje usada nos serviços eclesiásticos, comprovando-se desta forma o virtuosismo do Rei como renomado músico.

Acresce que, o ritmo de Adeste Fideles é claramente de origem portuguesa, pois pela subtileza, delicadeza e leveza da melodia assemelha-se ao ritmo popular da Ciranda, além de outras modalidades populares de Portugal, hoje tradicionais, em todos os Povos Lusófonos.

Miguel Villas-Boas
Fontes: “D. João IV, Músico”, de Luís de Freitas Branco, Fundação Casa de Bragança, 1956; e “El-Rei D. João IV, Príncipe Músico e Príncipe da Música”, pelo Académico Mário de Sampaio Ribeiro, Academia Portuguesa de História, Lisboa 1958
Adeste Fideles (Letra e Música: El-Rei D. João IV de Portugal)
Adeste fideles læti triumphantes,
Venite, venite in Bethlehem.
Natum videte
Regem angelorum:
Venite adoremus (3x)
Dominum.
Deum de Deo, lumen de lumine
Gestant puellæ viscera.
Deum verum, genitum non factum.
Venite adoremus (3x)
Dominum.
Cantet nunc 'Io', chorus angelorum;
Cantet nunc aula cælestium,
Gloria! Soli Deo Gloria!
Venite adoremus (3x)
Dominum.
Ergo qui natus die hodierna.
Jesu, tibi sit gloria,
Patris aeterni Verbum caro factum.
Venite adoremus (3x)
Dominam
triunfante
Adeste fideles laeti triumphantes

domingo, 25 de dezembro de 2022

O Natal por Santo Agostinho

 


«Chama-se dia do Natal do Senhor a data em que a Sabedoria de Deus se manifestou como criança e a Palavra de Deus, sem palavras, imitou a voz da carne. A divindade oculta foi anunciada aos pastores pela voz dos anjos e indicada aos magos pelo testemunho do firmamento. Com esta festividade anual celebramos, pois, o dia em que se realizou a profecia: A verdade brotou da terra e a justiça desceu do céu (Sl 84,12)». 

Santo Agostinho


sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Estamos sendo f...?

 Tradução Deus-Pátria-Rei


Perdoem-me por renunciar ao vocabulário politicamente correcto (bem, faço o que posso) a que costumo usar neste site. Mas isso está começando a ficar demais.

Até que ponto e por quanto tempo as pessoas acreditarão nas mentiras que estão constantemente sendo despejadas nas suas cabeças?

Ou seja, quando eles vão parar:

> de recusar ver uma ligação na acumulação de desastres que durante uma década resultaram nos MESMOS sintomas, MESMAS privações de liberdade para o cidadão médio (que pede mais, o que mostra o quão eficaz tem sido a propaganda) e convergir todos para o MESMO objectivo, que é mantê-lo permanentemente no terror: estados de emergência sucessivos e/ou concomitantes, cito em ordem, terrorismo, saúde, clima e, buquê final anunciado para este início de 2023, energia?

> de resignar-se à limitação da liberdade de expressão, através dos neo-conceitos falaciosos de fake news e conspiração (visando desacreditar qualquer discurso fora do sistema), e não apenas nas redes sociais; fazendo com que a maioria dos que têm oportunidade de se exprimir se alinhe à narrativa imposta, por espírito de manada, mas sobretudo por medo da morte social ou profissional, ou mesmo de processo judicial (os raros jornalistas que se atrevem a exprimir são aqueles que não têm mais nada a perder, geralmente por causa de sua idade e, em todo caso, seu público é limitado)?

> de concordar em carregar sobre eles o sentimento de culpa que permitirá que nossos príncipes descartem suas responsabilidades em nossas costas?


Fonte: Benoit & Moi

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Pela pena de morte

 São muitas as pessoas, infelizmente, que são contra a pena de morte. Essas pessoas fazem muitas objeções à pena capital. Rebateremos as mais comuns.


1ª objecção: Não pode haver pena de morte porque podem acontecer erros e acabar-se matando inocentes.
Resposta: Segundo esse argumento, tudo o que contém algum risco de erro é ilegítimo. Se esse argumento procedesse, deveriam ser proibidos o avião e o automóvel, porque acontecem vários acidentes por ano e muitos inocentes morrem. "Abusus non tollit usum" (o abuso não tolhe o uso), é uma máxima do Direito absolutamente verdadeira. Caso contrário, a vida em sociedade seria impossível.


2ª objecção: Um erro não justifica outro.
Resposta: a objecção normalmente parte do pressuposto de que a pena de morte é um erro, sem se dar ao trabalho de provar isso.
Se assim fosse, a mãe não poderia bater no filho quando ele faz alguma travessura, já que bater é errado e não poderia ser usado para corrigir outro erro.
Dever-se-iam extinguir as cadeias, porque os erros dos criminosos não justificariam outro erro que é o cárcere forçado.
E assim por diante...


3a. objecção: Só Deus pode tirar a vida. E Ele ordenou: "Não matarás".
Resposta: Então, a Bíblia estaria errada quando diz: "O que ferir um homem querendo matá-lo, seja punido de morte" (Êxodo 21,12). "O que ferir o seu Pai ou sua Mãe seja punido de morte" (Êxodo 21,15). "Aquele que tiver roubado um homem, e o tiver vendido, convencido do crime, morra de morte"(Êxodo 21,16).
Na verdade, a ordem divina "Não matarás" significa que ninguém pode matar sem motivo, sem razão. Não impede o assassinato em legítima defesa. Ora, a pena de morte nada mais é do que a legítima defesa da sociedade contra o criminoso.
Se a objeção procedesse, não haveria previsão da pena de morte na Bíblia.


4ª objecção: A Igreja Católica é contra a pena de morte
Resposta: A Igreja sempre ensinou que a pena de morte é legítima. Ela não poderia ir contra o que a Bíblia ensina de modo tão explícito.
Vários santos defenderam a pena capital, entre eles: São Jerónimo, o doutor máximo das Escrituras, Santo Agostinho, São Pio V, São Pio X e São Tomás, o maior doutor da Igreja.
Quem se opõe à pena de morte não é a Igreja, mas alguns padres e bispos.
São Paulo ensinou que a pena de morte é legítima: "Paulo, porém, disse: Estou diante do Tribunal de César, é lá que devo ser julgado; nenhum mal fiz aos Judeus, como tu sabes muito bem. E, se lhes fiz algum mal ou coisa digna de morte, não recuso morrer..." (Actos XXV, 10-11).
São Paulo afirma que existem acções que são dignas de morte. É, portanto, favorável à pena capital. Diz ainda, em outra passagem: "Os quais, tendo conhecido a justiça de Deus, não compreenderam que os que fazem tais coisas são dignos de morte; e não somente quem as faz, mas também quem aprova aqueles que as fazem" (Rom I, 32).


5ª objecção: Não se pode punir os criminosos com a morte. Ninguém tem esse direito.
Resposta: É necessário punir os faltosos. A justiça manda "dar a cada um o que é seu".
Quando um ladrão rouba uma pessoa, cometeu uma injustiça e a vítima, além da sociedade, é "credora" desse ladrão. Então, para se fazer justiça, o ladrão deve pagar. Restituir o que subtraiu à vítima e pagar uma pena.
Por isso sempre se diz: "O criminoso está em dívida com a sociedade", "Já paguei minha dívida com a sociedade".
Os maus devem ser punidos, é o que ensina São Tomás na "Suma contra os gentios", em que cita algumas passagens da Bíblia:
Diz o Apóstolo: "Não sabeis que um pouco de fermento corrompe a massa?" (ICor 5, 6e13), acrescentando logo após: "Afastai o mal de vós". Referindo-se à autoridade terrestre, diz que: "Não sem razão leva a espada, é ministro de Deus, punidor irado de quem faz o mal" (Rm 13,4). Diz S. Pedro: "Sujeitai-vos a toda criatura humana por causa de Deus; quer seja rei, como soberano; quer sejam governantes, como enviados para castigar os maus, também para premiar os bons" (1Pd 2,13-14).
De acordo com essas passagens, a punição é necessária, e os governantes têm o direito de punir.
A pena deve ser proporcional ao agravo. Desse modo, para uma infracção leve devemos ter uma pena leve, para uma infracção média, uma pena média, e para uma infracção grave, por exemplo, um assassinato, devemos ter uma pena forte, que é justamente a pena de morte.
Por isso a Bíblia elenca vários crimes que são dignos de morte.


6ª objecção: A pena de morte não resolverá nada. Os EUA são a prova disso.
Resposta: Resolve sim. Primeiro porque um condenado com a pena capital não cometerá crimes novamente. Segundo, porque nos países onde ela existiu, no decorrer da história, sempre houve baixa criminalidade.
Por exemplo, na França. Em Paris, entre 1749 e 1789 - quarenta anos - aconteceram apenas DOIS assassinatos.
E hoje em dia, nos países que aplicam a pena máxima - como é o caso dos países árabes e de Singapura - há baixíssima criminalidade.
Nos EUA, se não houvesse pena de morte haveria ainda mais crimes. Além disso, o sistema americano é imperfeito; há poucas condenações e os processos são demorados demais.
Em New York a criminalidade está despencando e um dos motivos é a aprovação da pena de morte.


7ª objecção: É uma falta de caridade com o criminoso. É contra os princípios cristãos.
Resposta: Pelo contrário. Como ensina São Tomás, o ódio perfeito pertence à caridade. A pena de morte na verdade é caridosa. Quando aplicada a um criminoso irrecuperável, ela impede que ele cometa mais crimes, ou seja, impede que cometa mais pecados.
Como dizia São Domingos Sávio, "é preferível morrer a cometer um pecado mortal".
Além disso, a pena capital, é uma excelente oportunidade para que o criminoso se arrependa de seus crimes e ofereça sua vida como pagamento de seus pecados.
O criminoso, no corredor da morte, tem uma rara oportunidade de salvar-se, bastando arrepender-se e confessar a um sacerdote antes da execução.


8a. objecção: Não se pode abreviar a vida porque existe a possibilidade de uma graça futura ou de um arrependimento futuro.
Resposta: Ora, para Deus não existe tempo. Se tal pessoa deveria receber uma graça no futuro, Deus "anteciparia" tal graça.
Por outro lado, a Justiça não pode trabalhar com meras "hipóteses" ou "suposições".
Na argumentação de São Tomás, o perigo de um criminoso para a sociedade é maior do que a chance dele se converter, e por isso deve ser eliminado.


9a. objecção: Jesus Cristo foi contra a pena de morte
Resposta: Jesus Cristo é Deus. Deus é o autor mediato da Bíblia. Se a pena de morte fosse errada, não haveria previsão na Sagrada Escritura.
No Novo Testamento há várias passagens pró pena de morte: S. João XIX, 10-11: "Então disse-lhe Pilatos: Não me falas? Não sabes que tenho poder para te crucificar, e que tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Tu não terias poder algum sobre mim se te não fosse dado do alto...". Ou seja, Deus deu a Pilatos, autoridade constituída, o direito de aplicar a pena de morte. É claro que com Nosso Senhor, Pilatos usou mal esse direito. E no Apocalipse: Apoc XIII, 10: "Quem matar à espada importa que seja morto à espada".


10ª objecção: As pessoas que defendem a pena de morte assim o fazem porque não serão elas as executadas. Se um filho dessas mesmas pessoas estivesse no corredor da morte seriam as primeiras a protestarem contra a pena capital.
Resposta: Se esse raciocínio fosse verdadeiro, teríamos de acabar com todas as penas, porque quem comete um crime não quer ser condenado, mesmo que tenha defendido a pena para esse crime. O argumento equivale a dizer: "As pessoas que defendem a pena de cárcere forçado assim o fazem porque não serão elas as prisioneiras. Se um filho dessas mesmas pessoas estivesse preso seriam as primeiras a protestarem contra a prisão".


11a. objecção: Quem é contra o aborto, não pode ser a favor da pena de morte.
Resposta: Raciocínio torto esse, totalmente "non sense". Somos a favor de punir bandidos, e não inocentes que nunca fizeram nada. Esse raciocínio é o equivalente a dizer: "quem é contra prender uma criança durante 10 anos numa cela, não pode ser a favor de prender um criminoso por 10 anos numa cadeia".
A tese contrária é verdadeira "Quem é a favor do aborto não pode ser contra a pena de morte". Se alguém defende o assassinato de uma criança inocente, não poderá ser contra a execução de um bandido.
Infelizmente, hoje em dia, há várias pessoas que são favoráveis ao assassinato intra-uterino (aborto) e são contra a pena de morte. É o cúmulo do "non sense".


12ª. objecção: Se no passado ela poderia estar certa, a pena de morte hoje em dia não tem mais cabimento. A tendência do mundo é de acabar com ela, não podemos impedir a evolução das coisas. A pena de morte não é compatível com um mundo civilizado.
Resposta: De acordo com esse raciocínio as tendências do mundo moderno são todas excelentes e inatacáveis.
Entretanto, hoje a tendência é de que os partidos neo-nazistas cresçam. Então, esses partidos estariam certos? A tendência é o deficit público aumentar. Então, o deficit é bom? A tendência é o trânsito aumentar, a criminalidade aumentar.
"Tendências" não significam nada, podem ser ruins ou boas.
Não existe "evolução" para a verdade.
É justamente hoje em dia que precisamos mais da pena de morte, porque há mais crimes.
Civilizado é um mundo com baixa criminalidade e não um mundo em que se mata por nada.


13ª. objecção: As penas devem ser educativas, para recuperar o criminoso, e não para vingar.
Resposta: Toda a pena é vindicativa. A recuperação do criminoso está em segundo plano.
O primeiro dever do Estado é proteger a sociedade, e não recuperar o indivíduo. O todo vale mais que a parte.
Ademais, a pena de morte é extremamente educativa para todo mundo.


14ª objecção: A maioria das pessoas é contra a pena de morte.
Resposta: Não é verdade. A maioria das pessoas é a favor da pena capital.
Nos EUA em torno de 75%, no Brasil deve ser também. Bastaria um plebiscito para confirmar esse dado.


15ª. objecção: Não se pode punir os criminosos com a pena capital porque a culpa é da sociedade. A pobreza é que causa a criminalidade. São traumas psicológicos que causam o crime.
Resposta: Então, a Igreja estaria errada quando ensina que existe o livre arbítrio e, por causa dele, podemos escolher entre o bem e o mal.
Os crimes existem em função da maldade humana que escolhe o mal em vez do bem.
Se a sociedade fosse a culpada, não poderia haver Direito, não poderia haver nenhum tipo de repressão. O próprio Direito Civil seria inútil, pois, todo o inadimplente poderia alegar que não pagou por culpa da sociedade, e o credor não poderia cobrá-lo.
O mesmo aconteceria com os "traumas psicológicos".
Dizer que a pobreza causa a criminalidade é dizer que todo pobre é ladrão. Ou seja, é uma frase preconceituosa.
Se fosse assim, a Índia, um dos países mais pobres do mundo, seria o mais violento. Entretanto, é um país com baixa criminalidade.

***

     A proibição da pena de morte não tem suporte lógico nenhum. Não existe argumentação eficiente contra a pena capital.

     O que explica as pessoas serem contra ela, além de uma visão totalmente falsa da caridade, é o sentimentalismo, no fundo materialista, representado por frases como estas: "não se pode punir", "devemos ter piedade do assassino", "coitado do bandido".

     Nenhum pastor, em sã consciência, trocaria um rebanho de ovelhas por um lobo. Ele não hesitaria em matar o lobo.

     O nosso triste mundo do século XX, porém, preserva o lobo e mata as ovelhas.

     O pior é que nós somos as ovelhas...


Fonte: MONTFORT Associação Cultural

http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/pelapena/

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Totalitarismo democrático

 

Talmon filia o nascimento desta concepção na revolução intelectual operada na segunda metade do século XVIII. Nessa época, um sector da filosofia ocidental, conclui que «as condições resultantes da fé, tempo e costumes, nas quais tinham vivido até então, eles e os seus antepassados, eram anti-naturais e tinham que ser substituídas por normas uniformes, deliberadamente planeadas, naturais e racionais».
No essencial, a democracia totalitária assenta na ditadura como método de imposição da utopia. A sociedade perfeita, o reino da vitória, é o fim supremo da acção humana e política. Para a instaurar, todos os meios são bons, todas as resistências devem ser esmagadas. Os Niveladores, os Jacobinos, os Bolcheviques, instauraram, ou tentaram instaurar, modelos de totalitarismo democrático: para que venha o Paraíso, a República dos Iguais, ou a Sociedade sem Classes, matam-se refractários, cortam-se cabeças, criam-se campos de reeducação e apetrecham-se hospitais psiquiátricos. A sociedade política não é um quadro de regras de jogo e compromissos, mas um instrumento, um degrau, um ensaio no caminho para a sociedade final, perfeita e acabada. Começa-se em Rousseau e acaba-se no Arquipélago Gulag, com uma lógica intrinsecamente perfeita.

António Marques Bessa e Jaime Nogueira Pinto in «Introdução à Política», 1977


Fonte: Veritatis

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Concerto de Natal - Essences Voices - 21 de Dezembro - 21h - Coimbra

 


O Departamento de Música e o Museu da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra convidam V. Ex.ª para o concerto de Natal do grupo Essences Voices, que terá lugar na Capela da Irmandade (Rua de Sobre Ribas, 49), no próximo dia 21 de Dezembro, pelas 21h.

 

Sob a direção da Maestrina Carla Pais, serão interpretadas peças desta quadra natalícia, como o Choral n.º 7 da Cantata BWV 140 de Bach, o Avé Maria de Mendelssohn e de Biebl, peças de Natal de Tomás Vitória, Howells, Carrapatoso e José Firmino, não esquecendo os típicos 'Angels Carols' e 'For unto us child is born'. do Messias de Handel.

 

Será um concerto a não perder, com vozes excecionais, acompanhadas por órgão e violoncelo, um programa fantástico e cantores de qualidade com carreira internacional reconhecida.


Venha celebrar o Natal connosco!

 

Aconselha-se a reserva de lugares, que deverá ser feita para o e-mail essencevoices@gmail.com.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

"Há 2 anos que assistimos a um golpe de estado global, no qual uma elite financeira e ideológica conseguiu controlar parte dos governos nacionais, instituições públicas e privadas, os média, o judiciário, políticos e líderes religiosos. "

 


1). Há dois anos que assistimos a um golpe de estado global, no qual uma elite financeira e ideológica conseguiu controlar parte dos governos nacionais, instituições públicas e privadas, a comunicação social, o judiciário, políticos e líderes religiosos.

2). Tudo isso, sem distinção, foi escravizado por esses novos mestres que garantem poder, dinheiro e afirmação social a seus cúmplices.

3). Os direitos fundamentais, que até ontem foram apresentados como invioláveis, foram pisados em nome de uma emergência: hoje uma emergência de saúde, amanhã uma emergência ecológica, e depois disso uma emergência na Internet.

4). Esse golpe de estado global priva os cidadãos de qualquer possibilidade de defesa, uma vez que os poderes legislativo, executivo e judicial são cúmplices da violação da lei, da justiça, e o propósito para o qual eles existem.

5). É um golpe de estado global, porque esse ataque criminal contra cidadãos se estende a todo o mundo, com excepções muito raras. É uma guerra mundial, onde todos nós somos inimigos, mesmo aqueles que inconscientemente ainda não entenderam o significado do que está acontecendo.

6). É uma guerra travada não com armas, mas com regras ilegítimas, políticas económicas perversas e limitações intoleráveis dos direitos naturais.

7). Organizações supranacionais, financiadas em grande parte pelos conspiradores deste golpe de estado, estão interferindo no governo de nações individuais e na vida, relacionamentos e saúde de biliões de pessoas.

8). Eles estão fazendo isso por dinheiro, certamente, mas ainda mais para centralizar o poder e estabelecer uma ditadura planetária. É a Grande Redefinição do Fórum Económico Mundial, a Agenda 2030 das Nações Unidas.

9). É o plano da Nova Ordem Mundial, na qual uma República Universal escraviza todos e uma Religião da Humanidade cancela a Fé em Cristo.

10). Diante desse golpe de estado global, é necessário formar uma Aliança Anti-Globalista internacional, que reúne todos aqueles que querem se opor à ditadura, que não têm intenção de se tornar escravos de um poder sem rosto,

11). que não estão dispostos a cancelar sua própria identidade, sua própria individualidade, sua própria fé religiosa. Se o ataque for global, a defesa também deve ser global.

12). Apelo a governantes, líderes políticos e religiosos, intelectuais e todas as pessoas de boa vontade, convidando-os a se unirem em uma Aliança que lance um manifesto anti-globalista, refutando ponto a ponto os erros e desvios da distopia da Nova Ordem Mundial

13). e propondo alternativas concretas para um programa político inspirado no bem comum, nos princípios morais do cristianismo, nos valores tradicionais, na protecção da vida e na família natural,

14). a protecção dos negócios e do trabalho, a promoção da educação e pesquisa e o respeito pela criação.

15). Essa Aliança Anti-Globalista terá que reunir as Nações que pretendem escapar do jugo infernal da tirania e afirmar sua própria soberania, formando acordos de colaboração mútua com nações e povos

16). que compartilham seus princípios e o desejo comum de liberdade, justiça e bondade. Terá que denunciar os crimes da elite, identificar os responsáveis, denunciá-los aos tribunais internacionais e limitar seu poder excessivo e influência prejudicial.

17). Terá que impedir a acção dos lobbies, sobretudo lutando contra a corrupção de funcionários do Estado e daqueles que trabalham no sector de informação, e congelando o capital usado para desestabilizar a ordem social.

18). Nas nações onde os governos são subservientes à elite, eles serão capazes de estabelecer movimentos populares de resistência e comités de libertação nacional, incluindo representantes de todos os sectores da sociedade que propõem uma reforma radical da política,

19). inspirado pelo bem comum e firmemente oposto ao projecto neo-malthusiano da agenda globalista.

20). Convido todos aqueles que desejam defender a sociedade cristã tradicional a se reunir em um fórum internacional, a ser realizado o mais rápido possível, em que representantes de várias nações se reúnem para apresentar uma proposta séria, concreta e clara.

21). Meu apelo é feito aos líderes políticos e aos governantes que se preocupam com o bem de seus cidadãos, deixando de lado os antigos sistemas de partidos políticos e a lógica imposta por um sistema escravizado ao poder e ao dinheiro.

22). Chamo as nações cristãs juntas, de leste a oeste, convidando Chefes de Estado e as forças saudáveis das instituições, economia, trabalho, universidades, cuidados de saúde e informações para ingressar em um projecto comum, interrompendo os sistemas antigos

23). e deixando de lado as hostilidades desejadas pelos inimigos da humanidade em nome de dividir et impera. Não aceitamos as regras de nossos adversários, porque elas são feitas precisamente para impedir que reagamos e organizemos uma oposição eficaz e incisiva.

24). Exorto as Nações e seus cidadãos a se aliarem sob a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, o único Rei e Salvador, o Príncipe da Paz. Em víncipes de signo hoc.

25). Vamos fundar esta Aliança Anti-Globalista, vamos dar um programa simples e claro, e libertemos a humanidade de um regime totalitário que reúne em si os horrores das piores ditaduras de todos os tempos.

26). Se continuarmos a adiar, se não entendermos a ameaça que paira sobre todos nós, se não reagirmos, organizando-nos em uma resistência firme e corajosa, esse regime infernal que se estabelece em todos os lugares não poderá ser interrompido.

27). E que Deus Todo-Poderoso nos ajude e nos proteja.

Arcebispo Carlo Maria Viganò


domingo, 18 de dezembro de 2022

O Presidente da República condecorou Amílcar Cabral…


“A falta de personalidade das elites portuguesas constitui um perigo nacional permanente”.
Artur Ribeiro Lopes
(in “Política”, 141)
 

Marcelo Rebelo de Sousa, na sua qualidade de Presidente da República (que de portuguesa, já tem pouco), foi em visita oficial a Cabo Verde – o que faz recorrentemente, como se fosse tomar uma bica ao café da esquina – e, entre outras actividades, que não deixaram de incluir a visualização do jogo Portugal x Marrocos e respectiva verborreia de comentários – procedeu à condecoração de Amílcar Cabral, com a “Ordem da Liberdade”, em cerimónia ocorrida na Universidade da Cidade do Mindelo, no dia 10 de Dezembro.

E não deixa de ser curioso referir desde já, que a cerimónia se passa em Cabo Verde, sendo que Amílcar Cabral nasceu na antiga província portuguesa da Guiné.

A cerimónia passou praticamente despercebida na comunicação social, que maioritariamente faz (muitas vezes “frita”) a cabeça ao comum dos portugueses.

Convém, para começo de hostilidades, situar os leitores com a figura de Amílcar Cabral – que seguramente 90% da actual população portuguesa, não faz a remota ideia de quem seja (não, não é, ou foi, jogador de futebol) e, talvez por isso, fosse agora relembrado. Ódio velho, não cansa, como diz sabiamente a sabedoria popular.

Amílcar Lopes da Costa Cabral (o nome não desmente a sua portugalidade) nasceu em Bafatá, a 12 de Setembro de 1924 e morreu (assassinado) a 20 de Janeiro de 1973, em Conacri, capital da Guiné com o mesmo nome, e ex-colónia francesa tornada independente, em 1958.

Está sepultado na Fortaleza de São José da Amura, em Bissau, construída pelos portugueses em meados do século XVIII.1

Era filho de Juvenal Lopes Cabral, nascido em Cabo Verde e de Iva Pinhel Évora, nascida na Guiné de ascendência Cabo Verdiana.

Quando tinha oito anos de idade, mudou-se para Santa Catarina, na Ilha de Santiago (no meu tempo de jovem ninguém acabava a 4ª classe sem saber estes nomes todos de cor) e depois para o Mindelo, na Ilha de São Vicente (nomes tipicamente africanos, como se pode constatar…) onde terminou, em 1943, o curso liceal no Liceu Gil Eanes – como se sabe um nome tipicamente crioulo, onde os “colonialistas” portugueses procuravam que a população local permanecesse na escuridão da ignorância…

Mais tarde, em 1945, conseguiu uma bolsa de estudo (imagine-se só a discriminação que existia!), vindo frequentar o Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, onde se formou nessa disciplina.

Sabe-se que passou a adoptar a matriz ideológica marxista e conspirou em Lisboa com alguns opositores ao Regime Político vigente no País (hoje conhecidos como “antifascistas”) e contactou vários estudantes de outros territórios ultramarinos portugueses que habitavam na conhecida “Casa dos Estudantes do Império” (vejam que até tinham uma “casa” para se albergar enquanto estudavam!) entretanto transformada num antro de subversão, onde imperavam as teses da “negritude” e outras de semelhante jaez. Debaixo do nariz das autoridades. E depois os portugueses é que são racistas…

Trabalhou ainda dois anos na Estação Agrícola de Santarém, sendo contratado pelo Ministério do Ultramar como adjunto dos Serviços Agrícolas e Florestais da Guiné, tendo regressado a Bissau em 1952. É, pois, de pasmar, os maus tratos de que foi alvo…

A páginas tantas zanga-se com a situação existente, a modos por ter ganho a antipatia do Governador Melo e Alvim – aparentemente por um motivo menor, a criação da “Associação Esportiva, Recreativa e Cultural da Guiné” – e resolve mudar-se para Angola, onde ajuda a criar o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), em 1956. Já no ano anterior participou na Conferência de Bandung (quem lhe terá pago as viagens?) e envolve-se no Movimento Afro-Asiático. Em 1959, juntamente com Aristides Pereira, Luís Cabral (seu irmão), Fernando Fortes, Júlio de Almeida e Elisée Turpin fundou um partido político (clandestino), que advogava a independência da Guiné e Cabo Verde, o PAIGC, que logo, em 1959, participa na greve do porto do Pidjiguiti, em Bissau; instala-se em países vizinhos, recruta gente, mune-se de uns manuais de subversão comunistas e começa a usar de violência contra os naturais que não os quisessem seguir (que sempre foram a grande maioria) e todas as estruturas representativas do Estado Português, nomeadamente as forças militares existentes e as enviadas de reforço, para manter a ordem e segurança no território.

Tudo apoiado por estados comunistas inimigos de Portugal (que lhes forneciam o apoio político e a logística), a que se juntaram alguns ditos ocidentais, que nunca foram amigos dos portugueses. Portugueses que se tinham estabelecido na Guiné há mais de 500 anos, sendo que muitas das etnias lá existentes chegaram depois de nós…

A luta armada na Guiné começou em 23 de Janeiro de 1963, com o ataque ao quartel das forças militares estacionadas em Tite.

Em Cabo Verde e até 1974 – data em que toda a situação foi posto em causa e não por ocorrências havidas em África, mas em Lisboa – nunca tinha sido disparado um tiro, ou havido qualquer distúrbio.

Parece que o pensamento mais relevante de Amílcar Cabral foi esta espécie de “boutade”, “a nossa luta não é contra o povo português, mas sim contra o colonialismo português”.

Dá vontade de rir, então durante quase 600 anos toda a Nação Portuguesa, nobres, burgueses, plebeus, religiosos militares e marinheiros, todos, deslocaram-se e fixaram-se, permanentemente por todo o lado, mas para o mal agradecido, agora medalhado, pelos vistos o povo português tinha ficado na “metrópole” e só os colonialistas (não os colonizadores) é que foram para África, a Ásia e as Américas, segundo ele (e agora também o nosso inquilino de Belém), explorar os desgraçados que por lá viviam – o que, naturalmente, também inclui Cabo Verde, onde não vivia ninguém…

Gostava até que me pudessem explicar como se faria a diferença entre o Dr. Baltazar Rebelo de Sousa – que até foi Governador – Geral de Moçambique e pai do actual PR português, certamente um empedernido “colonialista”, e o filho do mesmo, um tal Marcelo Rebelo de Sousa – o qual, estranhamente, nunca cumpriu o serviço militar – que virou um viçoso “anticolonialista” uns anos depois de a situação ter mudado. Isto para já não falar na confusão propositada entre os termos “colonização” e “colonialismo”, que são realidades bem diferentes.2

Deve ser por isso que agora o Governo Português (que de português tem, também, muito pouco) está a elaborar uma lista de “objectos de arte”, trazidos – como dizem – das ex-colónias, passíveis de serem “devolvidos” para o seu local de origem. Uma situação verdadeiramente escabrosa e intolerável!

Ora foi este personagem (o tal de Cabral), aliás, assassinado por gente do seu próprio partido, que o Presidente da República do que resta dos portugueses foi condecorar, a título póstumo, à portuguesíssima cidade do Mindelo, com a Ordem da Liberdade! Salve-se isso, pois trata-se de uma condecoração perfeitamente desqualificada pelo modo como tem sido atribuída. Não passa de um pendericalho a que não se atribui qualquer respeito ou valor. Imaginem a gravidade se a escolha tivesse recaído por exemplo, na ordem de Cristo…3

Por último deve-se pensar ainda na lógica desta homenagem, já que originalmente o PAIGC se destinava à independência da Guiné e Cabo Verde, mas onde os quadros superiores políticos e militares eram ocupados por Cabo-verdianos e os guineenses forneciam a maioria dos combatentes e eram os que andavam no mato. Cedo se geraram tensões e purgas, que exacerbaram a animosidade natural que o preto tem pelo mestiço e vice – versa, e que se prolongaram por todo o período de guerrilha. Por isso não é de estranhar que, após o golpe de estado ocorrido em 1980, em que Nino Vieira destronou o irmão de Amílcar Cabral, o “ramo cabo-verdiano tenha rompido com o PAIGC, dando origem ao PAICV (Partido para a Independência de Cabo Verde), assim se dando origem a dois países e não a um.

Em súmula, vamos a ver se consigo sintetizar este acto (grave) digno de uma ópera bufa e revelador de absoluto desnorte (de um ponto de vista nacional, que é aquele que exclusivamente nos interessa).

O PR (será que a Assembleia da República também o autorizou a fazer isto?) vai, com o dinheiro dos contribuintes, a país dito estrangeiro (sem nunca se ter cumprido qualquer acto verdadeiro de descolonização), aterrar no meio de uma cerimónia que em nada nos diz respeito – será que foi convidado ou se fez de convidado? – condecorar um ex-cidadão português, que traiu a sua Pátria, por defender por palavras e actos, a maioria dos quais violentos, a secessão de uma parte do território nacional, sendo por isso um traidor – a definição nem sequer é minha, está plasmada em qualquer código penal, incluindo aquele actualmente em vigor em Portugal – que criou um partido político que praticou a subversão, a guerrilha, o terrorismo e nos emboscava as tropas.4

Justifica a condecoração considerando, corrijam-me se estou errado, serem os actos atrás apontados como louváveis e por lamentar que “não chegou a Chefe de Estado por uns meses”!

E faz e diz isto tudo, em “nome de Portugal”.

Pois senhor presidente, eu como português e oficial da Força Aérea com os seus deveres e direitos em dia, sinto-me ultrajado, abomino e não me revejo nos seus actos. A mim jamais me representará.

E deixo aos leitores qualificar um chefe de estado que condecora traidores ao seu próprio país.

Uma pergunta ainda (entre muitas possíveis): os militares portugueses que estiveram prisioneiros do PAIGC – em prisões que faziam parecer o Tarrafal, uma estância de férias – em Conacri, e libertados na audaciosa operação “Mar Verde” e que ainda estão vivos, como reagirão a esta condecoração? Ou será que ainda vão ser julgados e condenados por terem andado a combater os guerrilheiros de Amílcar Cabral? Sim, porque só pode…

Resta aos bons portugueses (é o mínimo) que receberam alguma venera deste Presidente, a devolvam e àqueles que, por ventura, venham no futuro a ser agraciados, o recusem. Há que ter alguma vergonha na cara.

A situação do país é confrangedora e revoltante. E há muito que vivemos uma “alucinação” colectiva.

Afinal este triste caso, é apenas mais um episódio da realidade.


João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto aviador (Ref.)


1 A Fortaleza actual (a primitiva remonta a 1696) foi construída em 1753, conforme planta de Frei Manuel de Vinhais Sarmento, com alterações introduzidas, em 1766, de autoria do Coronel Manuel Germano da Mota.

2 Ainda gostava de ver a cara do Dr. Baltazar, se pudesse ver o seu filho entregar esta condecoração…

3 A “Ordem da Liberdade” é uma ordem honorífica portuguesa, criada a 4 de Outubro de 1976, e que se destina a distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da Civilização em prol da dignificação do homem e à causa da Liberdade. Eu sinceramente ignoro o que Amílcar Cabral fez em prol da Civilização (a não ser o que possa ter aprendido sobre Agronomia; idem sobre a dignificação do Homem, a não ser o sofrimento que as suas “tropas” infligiram nas populações e tropas portuguesas, e quanto à liberdade, resta saber se isso tem a ver com alguma causa portuguesa. Não parece que teve nada. Por isso tal suposta distinção pode fazer sentido em quem se apossou do poder, mais tarde na Praia, ou em Bissau, mas nunca a um qualquer órgão de soberania português.

4 ARTIGO 308, TRAIÇÃO À PÁTRIA: Aquele que, por meio de usurpação ou abuso de funções de soberania: a) Tentar separar a Mãe – Pátria ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira todo o território português ou parte dele; ou b) Ofender ou puser em perigo a independência do País; é punido com pena de prisão de 10 a 20 anos.


Fonte: Inconveniente