21 de maio de 2018

O Brasil como prolongamento americano de Portugal

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A vida parece ter sido aqui incomparavelmente mais suave, mais acolhedora das dissonâncias sociais, raciais, e morais. Nossos colonizadores eram, antes de tudo, homens que sabiam repetir o que estava feito ou o que lhes ensinara a rotina. Bem assentes no solo, não tinham exigências mentais muito grandes e o Céu parecia-lhes uma realidade excessivamente espiritual, remota,
póstuma, para interferir em seus negócios de cada dia.

A isso cumpre acrescentar outra face bem típica de sua extraordinária plasticidade social: a ausência completa, ou praticamente completa, entre eles, de qualquer orgulho de raça. Ao menos do orgulho obstinado e inimigo de compromissos, que caracteriza os povos do Norte.

Essa modalidade de seu caráter, que os aproxima das outras nações de estirpe latina e, mais do que delas, dos muçulmanos da África, explica-se muito pelo fato de serem os portugueses, em parte, e já ao tempo do descobrimento do Brasil, um povo de mestiços.

Ainda em nossos dias, um antropólogo distingue-os racialmente dos seus próprios vizinhos e irmãos, os espanhóis, por ostentarem um contingente maior de sangue negro. A isso atribui o fato de os indígenas da África Oriental os considerarem quase como seus iguais e de os respeitarem muito menos de que aos outros civilizados.

Assim, afirma, para designar os diferentes povos da Europa, os suaíles discriminam sempre: europeus e portugueses. Neste caso o Brasil não foi teatro de nenhuma grande novidade. A mistura com gente de cor tinha começado amplamente na própria metrópole.

Já antes de 1500, graças ao trabalho de pretos trazidos das possessões ultramarinas, fora possível, no reino, estender a porção do solo cultivado, desbravar matos, dessangrar pântanos e transformar charnecas em lavouras, com o que se abriu passo à fundação de povoados novos."

Sergio Buarque de Holanda - Raízes do Brasil

19 de maio de 2018

E D. Duarte, estaria preparado para ter uma nora de Hollywood? “Absolutamente, não”



A Rua dos Duques de Bragança, em Lisboa, deve o seu nome ao palácio da família aristocrata portuguesa, a mesma de que descende D. Duarte. Sem palácio, mas com uma casa num terceiro andar na dita rua, o duque, com 73 anos, recebe as visitas com o mínimo de cerimónia. “Vou pedir pizzas”, exclama. Dito e feito: meia hora depois, estavam três em cima da mesa, bem como pratos, talheres (à vontade não é à vontadinha) e um sortido de bebidas: uma coca-cola, uma cerveja artesanal e três sidras, duas delas de frutos vermelhos.
O casamento do princípe Harry e de Meghan Markle é já no sábado — D. Duarte, herdeiro da coroa portuguesa e um dos vários monarcas europeus não reinantes, tem as suas maiores afinidades distribuídas por outros reinos que não o de sua majestade, Isabel II. É onde estão os “primos”, como diz. Holanda, Luxemburgo, Bélgica, Áustria, Baviera e por aí em diante, só para termos uma amostra de como estas árvores genealógicas são complexas e cheias de nós cegos.
Há 23 anos, foi o próprio casamento do duque que deu que falar. Três mil convidados, uma igreja monumental, a dos Jerónimos, preceitos protocolares até mais não, e uma multidão de gente à porta com direito a acepipes e ecrãs. Até convites falsos houve, uma verdadeira festa. Este fim de semana, D. Duarte e D. Isabel não vão a Windsor.
D. Duarte tem três filhos: Afonso, o mais velho, tem 22 anos, Maria Francisca já tem 21 e o mais novo, Dinis, tem 18. Não será completamente despropositado antecipar o próximo casamento real português. Por cá, a febre com a realeza pode não ser nem metade da dos ingleses, mas é preciso admitir que de um conto de fadas (ou de príncipes e princesas) todos precisamos de vez em quando.
Como é que anda a sua relação com a família real britânica?
Tenho uma relação próxima com o príncipe Eduardo e com o príncipe Carlos. Eu e o Príncipe Eduardo trabalhamos juntos num programa internacional chamado Prémio Duque de Edimburgo, que em Portugal se chama Prémio Infante D. Henrique, do qual sou o presidente honorário. Com o Príncipe Carlos tenho-me encontrado em várias ocasiões e tido conversas muito interessantes, nos aniversários dele, etc… Gostei muito da Camila, pareceu-me uma mulher interessantíssima, inteligente e muito culta. Tivemos uma conversa muito interessante.
Quando é que esteve, pela última vez, num evento oficial da família real?
Em primeiro lugar, costumo estar nas reuniões do grupo de apoio ao Prémio Duque de Edimburgo. Convidam-me duas vezes por ano para encontros muito interessantes que acontecem no Palácio de St. James, em Londres, ou em vários outros palácios históricos. São pessoas que dão uma contribuição para o prémio. Neste caso, um senhor do Porto, muito simpático, pagou a minha contribuição vitalícia. Depois, há aniversários e casamentos de outras famílias, dos meus primos. A minha bisavó materna foi a princesa Isabel, filha de D. Pedro II do Brasil, uma senhora interessantíssima, mas esse lado da família não é assim tão numeroso. O meu bisavô paterno foi o rei D. Miguel e descendem dele os reis da Bélgica, os grã-duques do Luxemburgo, os príncipes do Liechtenstein e mais uma dúzia de famílias reais europeias. É curioso porque se criou uma rede de solidariedade familiar muito forte, as pessoas gostam muito de se encontrar e de conviver.
Foi convidado para o casamento do príncipe Harry?
Não.
Mas estava à espera de ser?
Não. Pessoalmente, não conheço a lista de convidados, mas imagino que seja muito mais pessoal do que política. No casamento do príncipe herdeiro, a lista foi sobretudo política, com governantes, Commonwealth, casas reais reinantes e com os amigos pessoais. Neste, julgo que será muito mais à base de relações pessoais. Não estou a ver a família a convidar figuras políticas, provavelmente porque a rainha achou que o casamento devia ser mais familiar.
Isso por ser o casamento do número seis na linha de sucessão, certo?
Sim, não tem peso nenhum. Tem um peso mediático muito simbólico pelo facto da rapariga ser de origem africana, mista. Isso tem um impacto muito grande em todas as comunidades que não são de ascendência europeia. Imagino que estejam muito contentes com isso. Os ingleses têm tido a habilidade de aproveitar circunstâncias que, à primeira vista, saem fora do comum e de lhes dar uma mensagem política inteligente.
Nesse sentido, acha que a família real faz um balanço positivo deste casamento?
Creio que sim. Quer dizer, conversando em particular com ingleses, percebe-se que há muitos, obviamente, muito chocados. Aliás, nesse aspeto, os ingleses nunca foram conhecidos pela sua tolerância. Tudo o que não seja inglês… Mesmo que fosse uma rapariga escocesa já iam discutir, quanto mais uma americana, meio africana. Acho eu. Lembro-me de uma história de um amigo cujo filho ia casar com uma escocesa. E ele dizia: “Esta coisa de o meu filho ir casar com uma mestiça”. “Mestiça?” “Sim, com uma escocesa”. E isto só porque não era bem inglesa.
Portanto, se não fosse Meghan Markle, este casamento passaria mais despercebido.
Estes casamentos são um ótimo negócio para Inglaterra, não é? Vão imensos turistas, vendem-se imensas lembranças, fazem-se selos de correio. Mas acho que estão a fazer um esforço para não dar a impressão de que, por ser com esta, o casamento é menos solene, para não parecer que há menos entusiasmo. Ou então, foi o governo a dizer que convinha aproveitar o momento para distrair as pessoas do Brexit. Para as relações com os Estados Unidos, por exemplo, o casamento é certamente muito bom. A grande preocupação do Estados Unidos é que não haja qualquer tipo de discriminação e isto mostra uma modernidade da Inglaterra, por aceitar bem um casamento destes. Podia ser mais chocante, mas até está dentro de uns certos limites, apesar de tudo.
Mas hoje as pessoas já olham para as famílias reais de forma diferente. Acha que a casa real britânica tem contribuído para esta mudança de perspectiva?
Há uma caricatura muito engraçada de uma artista inglesa em que se vê o príncipe Philip desmaiado no chão e a rainha a dizer: “Philip, querido, ela é Markle, não é Merkel”. Acredito que deve ser bastante chocante para a rainha e para o príncipe Philip que o neto case com uma rapariga divorciada e já com uma história de vida complicada. Mas aceita-se. Porquê? Porque faz parte da cultura da nossa época. E o que acontece é que, em todas as alturas, as famílias reais se adaptaram sempre aos valores culturais da sua época, tentando moderá-los, tentando dar exemplos de outro tipo de comportamento mais clássico. Mas acabam por se adaptar e isso é uma constante histórica. Na Idade Média, os reis participavam nas batalhas, porque tinham de ser guerreiros. Na Renascença, preocupavam-se muito com a cultura, com o progresso e com a ciência, eram os valores da época. Hoje em dia, qual é o valor aparentemente mais fundamental? É a democracia. Então as famílias reais fazem casamentos muito democráticos. Também aconteceu na Suécia e na Noruega. A própria rainha de Espanha é um exemplo. Até agora, a força e o prestígio da instituição monárquica tem sabido ultrapassar problemas que surgiram, às vezes por falta de preparação das rainhas e dos príncipes que casam com elas. Já o marido da rainha da Holanda, o príncipe Bernardo, teve um problema muito complicado porque recebeu dinheiro de uma indústria americana para favorecer a compra de uns aviões. A reação dos holandeses foi: “Coitada da rainha que tem de aturar a estupidez deste marido”.
Considera então que a monarquia britânica soube lidar com essas transformações.
Há um filme chamado “A Rainha” que retrata isso muito bem. O facto de a população dos países onde há monarquias vibrar imenso e sentir-se muito próxima dos problemas das famílias reais mostra exatamente a importância da instituição. Ninguém  fica muito preocupado se a filha do Presidente da República se divorcia, por exemplo. No entanto, existe uma ligação afetiva que dá uma face humana ao Estado e que nos leva a considerar o Estado não só como aquela máquina dos políticos e dos cobradores de impostos, mas com qualquer coisa de humano. Os presidentes inteligentes e competentes, como o nosso actual ou como foi o general Ramalho Eanes, sabem interpretar isso e sabem perceber que o que o povo quer de um presidente é que ele tenha o comportamento de um rei.
Voltando à comparação com o divórcio da filha de um presidente, porque é que há menos tolerância? É porque a monarquia está intrinsecamente associada a determinados valores e a república não?
Por um lado sim, é isso. Por outro lado, porque é uma ligação familiar. Os povos conhecem os seus reis desde sempre. São muitas gerações, em geral. Qual é o inconveniente principal das monarquias? É exatamente essa ligação afetiva muito forte que, quando as coisas correrem mal, causa também perturbação e infelicidade às populações. Houve, recentemente, o caso de uma monarquia em que as coisas correram muito mal, o Nepal. Aparentemente, tinha havido ali um assassinato dentro da família real, foi um drama enorme e o país acabou por cair nas mãos dos maoistas. São casos extremamente raros. O Japão tem uma monarquia de 2000 anos, com a mesma dinastia, e nunca teve um drama com a família real. Pelo menos, que se saiba. Deve ter havido mas foram abafados. Quando as coisas correm mal, como foi o caso da princesa Diana, há um drama nacional. Nós temos dramas parecidos, mas com o futebol.
Mas, para alguém que tinha entrado em cena há relativamente pouco tempo, a princesa Diana teve um grande impacto, interferindo mesmo na relação dos britânicos com a Rainha. Na história das monarquias europeias, há um pré e um pós princesa Diana?
Depois desse drama, houve uma sondagem em que se perguntou ao povo inglês se, caso a Inglaterra se tornasse numa república, quem é que seria o candidato mais provável. O segundo foi o Richard Branson e o número um foi o príncipe Carlos. De facto, a popularidade do príncipe Carlos não teve nada a ver com aquilo que veio nos jornais. Os jornais estiveram muito hostis contra ele, mas na verdade fabricaram muito o drama. Eram dominados por grupos económicos e o que aconteceu foi que a alta finança inglesa estava muito incomodada com as posições que o príncipe Carlos estava a assumir em defesa dos mineiros, da arquitetura rural e da justiça e fizeram aquela campanha toda para desestabilizá-lo. Ele também se prestou, obviamente. Hoje, toda a imprensa quer que ele abdique e seja o filho, mas acho que isso não vai acontecer.
Esteve no casamento de William, em 2011?
Não. Casamentos de famílias reais fui ao da Holanda, Luxemburgo, Bélgica, Marrocos, Jordânia e de outras famílias reais não reinantes na Europa, da Áustria, Baviera. É onde estão os nossos primos, os familiares mais chegados. Ah, e da Dinamarca, sou muito amigo da família real dinamarquesa.
Imagina, nestes momentos, como será quando um dos seus filhos casar?
Atenção dos media vai haver, de certeza. Impõe-se também saber se o casamento é em Portugal ou no estrangeiro, porque, normalmente, os casamentos são a convite da família da noiva. O importante para eles é que seja um casamento equilibrado, com pessoas do mesmo meio cultural e, sobretudo, que haja uma identidade espiritual, fundamental para um casamento ser feliz. Os outros aspectos são menos importantes. Quando o marido ou a mulher têm vergonha de coisas que o outro faz, porque acha que é ridículo ou que é possidónio, ou que dá mau aspecto, já é um problema cultural. Pelo que tenho visto a nível internacional, quando o nível cultural é semelhante, a raça tem muito pouca importância. Vejo casamentos muito felizes de europeus com africanos ou asiáticos, porque conseguiram ter uma identidade e valores espirituais semelhantes, mesmo com religiões diferentes. Aliás, acho que hoje em dia o racismo tem muito pouco a ver com a raça propriamente dita, tem a ver com a cultura. Lembro-me, por exemplo, do tempo português em Angola. Havia casamentos mistos que funcionavam lindamente bem porque, precisamente, eram pessoas que tinham o mesmo nível cultural, fosse ele popular ou erudito.
É essa a expectativa que deposita nos seus filhos, que escolham alguém do mesmo nível cultural?
Exactamente.
Tendo em mente a possibilidade de não casarem com aristocratas.
Pois, exactamente. O importante é que os maridos e as mulheres dos meus filhos percebam que, ao entrarem na nossa família, assumem obrigações e que não podem fazer o mesmo que fariam se estivessem noutra família qualquer. Têm que ter uma certa responsabilidade para com o país. Se estivessem noutra família qualquer, a prioridade era somente ter sucesso na vida, sem se preocuparem muito com outras causas. No nosso caso, espero que mantenham esse sentido de responsabilidade para com Portugal e para com o futuro do país.
E está preparado para a possibilidade de ser uma atriz ou um ator de Hollywood?
Absolutamente, não. Deve ser muito problemático ver a mulher ou o marido na cama com outro, deve ser muito complicado. E deve ser quase como estar casado com um piloto de linha aérea, sempre fora de casa.
Quem é que acha que vai casar primeiro?Não faço ideia, só espero que não sigam o exemplo do pai.
Imagina os portugueses a acompanharem esse momento, tal como agora vemos no Reino Unido?
Bem, o nosso casamento teve mais sucesso do que alguns casamentos reais europeus. Todas as pessoas que convidei vieram, o que foi um problema. Contava que muitos não viessem, pela distância geográfica ou por opções políticas, e acabei por ter 40 presidentes de câmara e metade eram do Partido Comunista, não estava à espera que viessem assim tão entusiasticamente. Depois, também vieram convidados de países longínquos, da Nova Guiné, da Austrália, de África. Tivemos de fazer uma receção no claustro dos Jerónimos, depois da missa. Na parte de fora, havia imensa gente a ver. Com a ajuda de amigos, organizou-se uma festa de rua com comidas, bebidas e música. Tínhamos ecrãs grandes lá fora. Não digo que vá ser um casamento tão espetacular como o nosso… Não faço ideia, tudo depende da situação. Se os portugueses estiverem em crise, então a festa vai ser muito grande. Se estiverem todos muito bem, de barriga cheia, então talvez seja um pouco mais discreta.
Mas acha que a mobilização será a mesma?
Creio que sim. Também depende do orçamento, não é? Não vou convidar tanta gente. No nosso estiveram 3000 e depois houve os que não tinham sido convidados. Falsificaram convites. Houve situações muito cómicas. Pessoas que eram conhecidas dos jornais e que os seguranças, por isso, deixaram passar, mas que não tinham sido convidadas, receberam convites falsos. Houve quem tivesse falsificado convites e mandado para algumas personalidades conhecidas, entre as quais a Lili Caneças. Eu não conhecia a senhora, não tinha razão nenhuma para convidá-la. Na altura, vieram perguntar-me o que fazer e eu deixei entrar. O Mário Soares foi o último a entrar, ainda o recebi. Quando cheguei, estava com o meu irmão Miguel. Vínhamos num carro descapotável e com uma escolta voluntária dos alunos do Colégio Militar. Na altura, havia uma campanha para o uso do cinto de segurança e perguntaram se podiam usar uma imagem para essa promoção. Dissemos que sim, claro. Mal entrámos no carro, pusemos o cinto. No final, as pessoas ficaram muito ofendidas porque acharam que tínhamos vendido as imagens.

Fonte: Observador

18 de maio de 2018

O Rei do Açúcar - Simão Gonçalves da Câmara, o Magnífico

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Neto do grande João Gonçalves Zarco, 3° Capitão-Donatário do Funchal, foi Simão Gonçalves da Câmara (Funchal, 1460 – Matosinhos, 1530) uma das referências do seu tempo e um nome imortal da gesta portuguesa.

Nascido na rica família que detinha a Capitania do Funchal, foi homem de riquezas incontáveis que usou no engrandecimento da sua terra e do seu país.

Fidalgo culto e cavalheiresco, participou e financiou várias expedições que garantiram o poderio lusitano no Norte de África, nomeadamente em Safim, Azamor, Arzila, Castelo Real, Cabo de Gué, Mazagão, Ceuta e Tânger demonstrando sempre lealdade e coragem moral e física, inclusive quando, indisposto com uma inquirição do Rei D. Manuel I ao seu governo da Capitania, pretendeu exilar-se em Espanha: tendo conhecimento no caminho de que Arzila se encontrava sitiada, a ela rumou para ajudar na sua defesa, atirando para trás das costas o que considerava uma ofensa à sua honra, acto valoroso e patriótico que acabou reconhecido pelo Rei.

No seu tempo o Funchal foi elevado a cidade (1508) e a Diocese (1514), remontando a essa época a o início da construção da magnífica Sé que ainda serve a Ilha da Madeira.

Dono de uma magnífica fortuna que lhe advinha dos rendimentos madeirenses, especialmente os da cana sacarina que no seu tempo transformou o arquipélago Atlântico no grande fornecedor de açúcar do mercado europeu, ficou conhecido por “o Magnífico” pela liberalidade e sumptuosidade com que viveu.

Exemplo disso é a famosa representação enviada à Corte Papal em agradecimento pela bula com que Leão X elevou o Funchal a Diocese: para além da enorme e rica delegação, das muitas riquezas da Ilha enviadas, de um belo puro sangue árabe, mandou Simão, o Magnífico que fossem construídas estátuas em alfenim de todo o Colégio Cardinalício em tamanho natural, mostrando assim a riqueza e arte dos madeirenses no trabalho da pasta de açúcar, e impressionando decisivamente a Cúria, onde seu filho D. Manuel de Noronha serviria como secretário papal, apenas dela saindo para tomar posse como Bispo de Lamego.

Em 1528, querendo descansar dos seus trabalhos, renunciou ao governo da Capitania na pessoa do seu filho mais velho, retirando-se para Matosinhos onde veio a falecer em 1530.

Esta sua representação, encomendada como era costume madeirense na época nas melhores oficinas flamengas, terá sido feita – possivelmente - já pelo seu filho, João Gonçalves da Câmara. Conhecida por “Triptíco de Santiago Menor e de São Filipe”* (1527-1531), é atribuída a Pieter Coecke van Aelst, e apresenta no painel central os dois apóstolos, enquanto que nos laterais são representados Simão Gonçalves da Câmara e seus filhos (à esquerda) e D. Isabel Silva e suas filhas (à direita), imortalizado assim a memória do poderio e riqueza daquele a quem com toda a propriedade poderemos chamar "o Rei do Açúcar".

LRP

17 de maio de 2018

O Dia em que o Rei faz anos

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Quis o destino que o chefe da Casa Real Portuguesa, o senhor Dom Duarte de Bragança nascesse naquele que é hoje oficialmente o Dia Internacional da Família. Por sinal, a Família Real Portuguesa constituiu a melhor propaganda para o modelo familiar tal como eu o usufrui: um projecto perene, crivo cultural com história própria, território protector do grande monstro igualitário da cultura dominante para a formação de seres críticos e livres.

De facto a família assim entendida atravessa uma profunda crise: cada vez há menos casamentos, no sentido da formação de novas “casas”. Segundo a Pordata, no ano passado, das poucas crianças nascidas, mais de metade terão sido fora do casamento. Também no meu círculo noto que são cada vez mais frequentes as relações amorosas “liberais” prolongadas, assumidas com um pé dentro e com outro fora da casa dos pais. Ironicamente são as famílias sobreviventes o porto de abrigo desses deambulantes jovens adultos, eternos filhos pródigos que adiam compromissos, por troca dum prato de lentilhas ou um smartphone de última geração, símbolo da sua “liberdade individual”. Toda a precariedade dos vínculos dos dias de hoje convida a uma sociedade de indivíduos isolados e frágeis com pertenças difusas, efémeras. 

É também em virtude da minha profunda crença num modelo de sociedade fundada em famílias livres e orgulhosas da sua história que eu sou tão convictamente monárquico. Nesse sentido os meus votos de parabéns ao senhor Dom Duarte é reforçado pelo orgulho que tenho na Família Real e que tão bem reflecte o modelo das minhas mais profundas convicções. Longa vida ao rei dos portugueses! 

João Távora

16 de maio de 2018

Arrogância mundialista e humildade da Portugalidade

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Não há códigos sociais e institucionais universais. Só quem desconhece ou despreza os códigos dos outros se pode surpreender com coisas destas. O Ocidente tem de reaprender a viver com as diferenças civilizacionais e não ousar ensinar os outros a macaquear fórmulas nossas, importantes para nós, mas que para outros não passam de ofensas. Certamente que na aldeia global dos propagandistas da pseudoformose exigida pelos mundialistas - com bombas e corpos expedicionários, se necessário - um aperto de mão, um afago na cabeça de uma criança, umas patorras em cima de uma mesa, um beijo, uma conversa sobre doenças ou dinheiro; tudo isso faz parte da civilização. Ora, para os outros que não são como nós, coisas dessas são tidas como exibição de grosseria. Durante muito tempo - demasiado tempo - não nos preocupamos e eles fingiam, calavam ou disfarçavam o mal-estar. Agora, isso acabou.

Ao longo dos anos em que vivi na Ásia, apercebi-me que os europeus (pomposamente chamados expatriados, pois recusam a palavra imigrante) ali faziam tudo, sem nunca se preocuparem em abrir um vulgar dos and dont's. No fundo, esses insignificantes sátrapas julgam que estar num país é conhecer um outro mundo: o inglês que leva como prenda uma garrafa de vinho ao casal marroquino amigo, o "expatriado" que no Irão exige que os seus convidados comam a chouriçada na brasa, o europeu que obriga o chinês a comer o coelho à caçadora, ou aquele outro - vi com os olhos que a terra há-de comer - que insistia em falar sobre as intimidades da família real aos tailandeses; tudo isso faz parte do reportório infindo de patetices que acaba por sair caro à nossa imagem de ocidentais. Já nem falo, claro, da imposição dos horários e dos regimes laborais, do dia de descanso, do tipo de regime político, da exigência de leis sobre o divórcio, da contracepção, das regras de urbanismo, dos modelos de ensino, da ideia de natureza, da maioridade legal, do "trabalho infantil", da "idade legal para o casamento", dos prémios de produtividade e dos 13.º e 14.º vencimentos, dos "rendimentos mínimos garantidos", das objecções de consciência... uma lista que nos ocuparia em fastidioso elencar de diktats.

Num desses debates descabelados que bem podiam ser substituídos por uma hora de música clássica, um dos vociferadores terminou o estendal canoro falando dos "países civilizados", referindo-se à Europa e aos EUA, contraponto de "países bárbaros" como o Irão, a Índia, a China e, porque não, à Rússia. Esquecia-se o bípede que o Irão carrega 4000 anos de civilização às costas, a China 5000 e a Índia para mais de 8000.

Como foi diferente a construção da Portugalidade. O seu sucesso, plasmado neste sentimento de pertença ao mundo, mas profundamente vinculado a uma forma precisa de pensar e de agir, permitiu que esta civilização se fizesse com materiais diversos e que do Brasil a Goa, de Bombaim a Macau, homens e mulheres comuns, com percursos culturais e civilizacionais diferentes, construíssem algo de absolutamente novo que foi, e sê-lo-á cada vez mais no futuro, a solução mais inteligente e humana aos problemas do mundo.

MCB


15 de maio de 2018

73º ANIVERSÁRIO DE S.A.R., O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA

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Sua Alteza Real, Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança nasceu na Suíça mas em território português: na Embaixada de Portugal em Berna, a 15 de Maio de 1945. Teve por padrinhos Sua Santidade o Papa Pio XII e por madrinha a Rainha Dona Amélia de Orleans e Bragança, então viúva de D. Carlos I, Rei de Portugal.

Desejamos a Vossa Alteza muitas Felicidades, Saúde, Paz e Longa Vida. Que Deus continue a Guarda-lo, a Protege-lo e Iluminá-lo. Agradecemos toda a dedicação para com Portugal e os Portugueses.

Feliz aniversário para o nosso Rei Bem-Amado junto da nossa Querida Família Real.

Que Deus O ajude a fazer da Pátria o Reino que todos sonhamos.


VIVA O REI!
VIVA A FAMÍLIA REAL!
VIVA PORTUGAL!

14 de maio de 2018

O precedente do Intendente

A principal riqueza de uma nação não está nos seus bens patrimoniais, mas no aprumo e dignidade moral dos titulares dos órgãos de soberania e de todos os seus cidadãos.

Diogo Inácio de Pina Manique teve azar. Apesar de mecenas da pintura e da escultura, como promotor de um colégio de Belas Artes, em Roma; de excelente e caridoso protector da infância desvalida, como fundador da benemérita Casa Pia; de espírito culto e científico, no dizer insuspeito da Academia das Ciências; ficou para a História, principalmente para a História de cunho liberal, como um vulgar e cruel esbirro. Atribui-se ao Intendente Geral da Polícia da Corte e Reino a repressão brutal das sociedades secretas, nomeadamente a maçonaria; dos vates libertinos, como Bocage; e dos costumes licenciosos, que certamente perseguiu, mas esquece-se que, entre outras obras, deve-se-lhe a iluminação de Lisboa, os primeiros censos populacionais, a construção – recorrendo ao mecenato e em apenas seis meses! – do Teatro de São Carlos, as escolas de cirurgia que fundou em Londres e Edimburgo, o urbanismo moderno da povoação que, em sua honra, se passou a chamar Manique do Intendente, etc.
Não obstante o seu talante autoritário, que é certamente criticável, foi um raro exemplo de rectidão no desempenho dos seus inúmeros cargos na administração do Estado: juiz desembargador do Paço, administrador geral da Alfândega de Lisboa e feitor-mor de todas as alfândegas de Portugal, Intendente Geral da Polícia da Corte e Reino, Chanceler-Mor do Reino, etc.
Desta sua ignorada virtude pública dão conta duas cartas que constam no seu processo pessoal, no Arquivo Histórico Militar.
A primeira, subscrita por um tal Francisco José da Costa, reza assim: «Ilustríssimo Senhor Diogo Inácio de Pina Manique: Vossa Senhoria, por uma condição particular do seu génio, tem dispensado comigo urbanas demonstrações, que me têm empenhado muito (…). Tive ocasião de ter uma carruagem de quatro rodas, sem a prevenção de cómoda cocheira para o seu reguardo [sic]. Roguei ao criado de Vossa Senhoria e meu companheiro que a quisesse meter na cocheira das suas casas: isto consegui por bondade do mesmo criado (…). Eis aqui porque eu vou suplicar a Vossa Senhoria (…) o desvanecimento de que a mesma carruagem possa ter o préstimo de servir para os criados de Vossa Senhoria e sua nobre família (…)».
Ou seja, o incauto autor desta epístola, entre muitos salamaleques e untuosas cortesias, à conta de uma inverosímil falta de estacionamento para uma sua «carruagem de quatro rodas», introduziu-a sub-repticiamente, com a cumplicidade de um criado do Intendente, nas cocheiras de Pina Manique, para uso deste, dos seus serviçais e da «sua nobre família»! Na realidade, procurava deste modo conquistar a benevolência do Intendente pois, aceitando Diogo Inácio o empréstimo, a título gratuito, da carruagem que Francisco José da Costa punha à sua inteira disposição, para seu serviço pessoal e de seus familiares e servidores, o Intendente ficaria de algum modo obrigado a retribuir-lhe a amabilidade, talvez decidindo a seu favor alguma questão de que Costa fosse parte e que Pina Manique devesse resolver.
É provável que Francisco José da Costa, sabendo da rectidão moral do Intendente, por demais conhecida, pensasse que a astúcia de o não fazer destinatário de uma escandalosa oferta, mas apenas beneficiário do uso de uma carruagem, para si e sua família, seria suficiente para ultrapassar os escrúpulos morais do Intendente, que não era corruptível por preço algum. Mas, nem assim, logrou perverter o impoluto magistrado. A resposta do Intendente não se fez esperar: não conhece tibiezas, nem cobardes condescendências, porque fulmina, com polida violência – maça de ferro com punhos de renda! – o atrevimento do venal capitalista que, com tão interesseiro préstimo, procurava corromper a imaculada folha de serviços do Intendente.
Ei-la: «Snr. Francisco José da Costa: Não posso deixar de estranhar a Vossa Mercê a lembrança que teve de, por este meio, querer macular-me, pois há 32 anos que tenho a honra de servir a Sua Majestade e, pela misericórdia de Deus, ainda não tive a baixeza de aceitar oferta alguma, e fico sumamente sentido desta sua lembrança, que é supor de mim ser de um génio baixo, e capaz de ser ganhado [sic] por este meio; e assim logo Vossa Mercê mandará conduzir a carruagem sem a menor perda de tempo, nem demora alguma, que do contrário me obrigará a praticar algum excesso desagradável, e menos vantajoso a Vossa Mercê. Desejo, que Vossa Mercê chegasse das Caldas restabelecido, e me permita muitas ocasiões de agradar-lhe, a) Diogo Inácio de Pina Manique».
Note-se que, na medida em que não se tratava de uma oferta, mas apenas de um empréstimo, o Intendente poderia ter aceite a liberalidade do sujeito, sem incorrer em nenhum ilícito criminal. Contudo, em termos éticos – nem sempre o que é legal é moral! – não era aceitável tal prática. Também não é eticamente admissível, mesmo que seja juridicamente lícito, que um banqueiro receba, a título pessoal, presentes de alguém que é devedor à entidade que gere; que um ministro aceite favores de um banqueiro ou empresário cuja acção deve fiscalizar, ou de um clube desportivo que não cumpre as suas obrigações fiscais; que um deputado aufira dois subsídios pela mesma razão, ou indique como sua uma casa em que não reside, para poder receber o subsídio de deslocação correspondente a essa falsa morada …
A resposta de Diogo Inácio de Pina Manique é uma boa lição para todos os que exercem funções governativas ou legislativas, têm a seu cargo a administração da justiça ou especiais responsabilidades sociais, sejam eles ministros, deputados, juízes, autarcas, banqueiros ou empresários. Portugal é um país de inúmeras riquezas, mas o principal tesouro de uma nação não está nos seus bens patrimoniais, mas no aprumo e dignidade moral dos titulares dos seus órgãos de soberania e de todos os seus cidadãos.
Fonte: Observador

13 de maio de 2018

23º ANIVERSÁRIO DO MATRIMÓNIO DE SS. AA. RR., OS SENHORES DUQUES DE BRAGANÇA

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Hoje, dia 13 de Maio, comemora-se o aniversário de Matrimónio de SS.AA.RR., Os Senhores Duques de Bragança, Dom Duarte Pio e Dona Isabel.


Desejamos a Vossas Altezas as maiores felicidades e que Deus Vos Abençoe e acompanhe na dedicação a Portugal e a todos os Portugueses.


Que Nossa Senhora de Fátima esteja sempre presente no Amor, na Alegria e na Caridade dos Nossos Reis e Infantes.


VIVA O REI! VIVA A RAINHA!
VIVA A FAMÍLIA REAL!

Nossa Senhora de Fátima

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