23 de abril de 2017

A Páscoa não é para todos

Não sei o que seja mais terrível: se estes atentados contra os cristãos do próximo Oriente, que se sucedem a um ritmo acelerado e com efeitos devastadores, se a aparente indiferença do Ocidente.

Este ano, por uma muito feliz coincidência, a celebração da Páscoa católica coincidiu com a ortodoxa mas, apesar de quase todos os cristãos, nomeadamente os destas duas principais Igrejas, terem festivamente comemorado a gloriosa ressurreição de Jesus Cristo no mesmo dia, nem todos os cristãos tiveram direito a celebrar a festa mais importante do calendário litúrgico. Com efeito, a comunidade copta foi, no passado Domingo de Ramos, mais uma vez, alvo de dois criminosos atentados terroristas, cuja autoria foi reivindicada pelo Daesh, o auto-proclamado Estado islâmico.
Não sei o que seja mais terrível: se estes atentados, que se sucedem a um ritmo cada vez mais acelerado e com efeitos sempre mais devastadores, se a aparente indiferença do Ocidente, como já aqui foi referido em muito oportuna crónica de Rui Ramos: O Cristianismo arrancado pelas raízes. É natural que os europeus sintam mais os crimes ocorridos no continente, embora o Cairo não esteja longe do sul da Europa. Mas é estranho que, quando se trata de um terrorismo que se propõe o genocídio dos cristãos egípcios – os coptas assassinados foram-no, única e exclusivamente, por serem cristãos – um tal crime não suscite maior indignação por parte dos governos e dos povos europeus que, historicamente, devem ao Cristianismo o melhor da sua cultura e dos seus valores civilizacionais.
Os coptas representam, aproximadamente, dez por cento dos 92 milhões de egípcios: ‘copta’ quer dizer, precisamente, ‘egípcio’, porque são os mais antigos habitantes do país, anteriores à chegada dos muçulmanos, no século VII depois de Cristo. O Egipto, que foi cenário de inúmeros episódios da história bíblica, desde o exílio dos judeus, no tempo de José e seus irmãos, até à sua libertação por Moisés, foi também o único país, para além da Palestina, em que Jesus Cristo viveu, logo após o seu nascimento e até à morte de Herodes quando, com Maria e José, regressou à Terra Santa e se estabeleceu em Nazaré. Segundo a tradição, o Egipto conheceu o Cristianismo graças à pregação de São Marcos, evangelista, que terá sido bispo de Alexandria, o segundo maior patriarcado da cristandade primitiva, logo após Roma.
A designação copta tanto se aplica a cristãos ortodoxos como católicos; os primeiros, que se separaram da Igreja Católica depois do Concílio de Calcedónia, são a quase totalidade dos coptas e estão sob a autoridade do patriarca de Alexandria que, desde 2012, é o papa Tawadros II. A Igreja Católica copta conta apenas com algumas centenas de milhares de fiéis, mas também há igrejas coptas protestantes, bem como inúmeras comunidades coptas na diáspora, sobretudo na Austrália, nos Estados Unidos da América e no Reino Unido.
Como minoria cristã num país maioritariamente islâmico, os coptas têm sido objecto de inúmeras perseguições. Quando a Irmandade Muçulmana ganhou as eleições realizadas depois da queda de Mubarak, agravou-se consideravelmente a situação dos cristãos no Egipto, o que explica o seu apoio ao General Abdul al-Sisi, agora no poder.
O papa copta, Tawadros II, presidiu às celebrações pascais na sua catedral de São Marcos, na cidade do Cairo, com a maior simplicidade possível, por respeito às vítimas e ao luto das suas famílias. Dadas as circunstâncias, a celebração pascal ficou limitada à celebração da Eucaristia.
Nos ataques do passado Domingo de Ramos, uma semana antes da Páscoa, protagonizados por terroristas islâmicos do Daesh, contra igrejas coptas em Tanta e Alexandria, morreram 45 fiéis. Não são, contudo, uma novidade: em Dezembro passado, um combatente suicida do Estado Islâmico fez-se explodir em plena igreja copta do Cairo, matando 29 fiéis. Em Fevereiro de 2015, numa praia da Líbia, os jihadistas decapitaram 21 cristãos coptas. Já nesta semana há a lamentar, de um ataque do Daesh nas imediações do mosteiro de Santa Catarina, no sopé do Monte Sinai, uma vítima mortal e quatro feridos.
Os atentados do primeiro dia da Semana Santa ocorreram apenas três semanas antes da programada visita apostólica do Papa Francisco ao Egipto, prevista para os dias 28 e 29 de Abril e que se mantém. Mais uma vez, o Papa Francisco é uma voz solitária na defesa da liberdade religiosa e dos mais elementares direitos humanos, nomeadamente dos que, por serem uma minoria, como acontece com os cristãos no Médio Oriente, estão mais à mercê das forças políticas e religiosas dominantes.
Se os assassinados tivessem sido 45 jornalistas, teriam saído à rua edições especiais, com grandes tarjas negras na primeira página, e ter-se-ia aberto uma subscrição pública a favor das suas famílias. Se, para maior desgraça, houvesse menores entre as vítimas, atapetar-se-iam as ruas das capitais europeias com ursinhos de peluche e outros brinquedos, em sua memória, porque é justo e necessário denunciar todas as injustiças contra crianças. Se fossem activistas das minorias alternativas, não haveria artista, poeta, actor ou cançonetista que, em solidariedade com as vítimas, não usasse um lacinho preto ao peito. Se fosse uma equipa de futebol, todos os jogos dessa jornada se iniciariam com uns minutos de silêncio. Se fossem todos cidadãos do mesmo país, decretava-se o luto nacional, punha-se a bandeira a meia haste e enchiam-se as praças com pequenas velas e flores em sua honra. Mas, como são tão só crianças, mulheres e homens cristãos, encolhem-se os ombros e diz-se apenas: “Coitados!”
Ante a perseguição aos cristãos, talvez haja ateus e agnósticos, ou até outros crentes que respirem de alívio, por não serem, ainda, o alvo do ódio terrorista dos fundamentalistas islâmicos. A esses convém recordar as dramáticas palavras do pastor protestante Martin Niemölder que, como opositor do nazismo, foi prisioneiro no campo de concentração de Dachau: “Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque eu não era social-democrata. Quando levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque eu não era judeu. Quando me levaram a mim, já não havia ninguém que pudesse protestar…”
Fonte: Observador

22 de abril de 2017

Igreja/História: Os Santos de Portugal



Francisco e Jacinta Marto vão juntar o seu nome a uma lista que começa antes do início da nacionalidade

Os futuros santos Francisco e Jacinta Marto vão juntar o seu nome a uma lista que começa antes do início da nacionalidade portuguesa, numa cerimónia presidida pelo Papa Francisco, a 13 de Maio, naquela que é a primeira canonização de sempre em Portugal.
Antes de 1143, há registo de vários Santos (nalguns casos figuras com história pouco documentada) que demonstram a implantação que, desde bem cedo, o catolicismo teve em Portugal, como São Manços (primeiro Bispo de Évora, séc. I), São Vítor de Braga (mártir do séc. I), São Dâmaso (Papa do séc. IV que alguns afirmam ter nascido em Guimarães), São Sisenando (Diácono e mártir do séc. IX, nascido em Beja), São Rosendo (Bispo do séc. X, nascido em Santo Tirso) ou Santa Senhorinha (beneditina do séc. X, de Vieira do Minho).
Desta fase há a destacar a vida e obra de três bispos de Braga, os Santos Martinho de Dume, Frutuoso e Geraldo.
Após a independência, contam-se entre os fiéis canonizados pela Igreja Católica estão várias figuras de Portugal: São Teotónio, Santo António de Lisboa, a rainha Santa Isabel, Santa Beatriz da Silva, São João de Deus, São Gonçalo Garcia, São João de Brito e D. Nuno Álvares Pereira- São Nuno de Santa Maria, o santo condestável.
A última canonização de uma figura portuguesa da Igreja Católica tinha acontecido a 14 de Janeiro de 2015, quando o Papa Francisco proclamou como santo o padre José Vaz (1651-1711), nascido em Goa, então território português.
Outros santos católicos estão ligados à história de Portugal, ainda que não tenham nascido no país: a 16 de Janeiro de 1220 morreram degolados em Marrocos os franciscanos italianos Vital, Berardo, Pedro, Acúrsio, Adjuto e Otão, mais tarde denominados como Santos Mártires de Marrocos, com festa litúrgica a 16 de Janeiro; os seus restos mortais foram enviados para Portugal pelo infante D. Pedro.
São Lourenço de Brindes, capuchinho italiano que morreu a 22 de Julho de 1619, em Lisboa, foi canonizado por Leão XIII em 1881 e, em 1959, foi proclamado Doutor da Igreja pelo Papa João XXIII.
No próximo dia 15 de Outubro vai ser canonizado no Vaticano o sacerdote português Ambrósio Francisco Ferro, que integra o grupo dos chamados “protomártires do Brasil”, mortos nas perseguições anticatólicas, do século XVII, por tropas holandesas.

21 de abril de 2017

Fátima: Francisco o «místico» e Jacinta «novelo de amor»

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Fátima, 20 abr 2017 (Ecclesia) – O padre Aventino Oliveira conviveu na sua juventude com os pais de Francisco e Jacinta Marto, que vão ser canonizados pelo Papa Francisco em Fátima, no dia 13 de maio.
Em entrevista à Agência ECCLESIA, o religioso dos Missionários da Consolata destaca a confiança que Olímpia de Jesus e Manuel Pedro Marto, conhecido como Ti’Marto, sempre tiveram nos seus filhos, na veracidade do testemunho que deram, acerca das Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria.
“O Ti Marto era um homem muito espiritual, não sabia ler nem escrever, mas era muito espiritual, e de facto ele acreditou nas aparições desde o primeiro dia, porque dizia: ‘a maneira como eu eduquei os meus filhos eles não eram capazes de inventar uma história destas”, recorda.
Enquanto jovem seminarista e sacerdote, nas décadas de 1940 e 1950, o padre Aventino Oliveira acompanhou de perto a evolução do Santuário de Fátima e a consolidação da devoção a Nossa Senhora de Fátima.
Esteve durante muitos anos nos Estados Unidos da América, onde desempenhou um papel importante na propagação da Mensagem de Fátima e da espiritualidade dos dois futuros santos portugueses.
Com base no relato dos pais e nos testemunhos da época, o padre Aventino Oliveira traça um retrato dos dois irmãos e pastorinhos, destacando em primeiro lugar o apego à oração de Francisco.
“O Francisco era muito calmo, e tornou-se um místico. Ele viu como o Anjo adorou a Eucaristia nas Aparições e entrou-lhe esta ideia da adoração e passava tempo sozinho na igreja a adorar o Santíssimo”, salienta.
Quanto a Jacinta, o sacerdote dos Missionários da Consolata destaca o seu espírito de sacrifício, em favor da conversão das almas.
“A Jacinta era um novelo de amor, uma coisa incrível. Amor pelos pecadores, sempre a escolher, a inventar sacrifícios para que muitas outras pessoas viessem a conhecer a Deus”, acrescenta.
O padre Aventino Oliveira, de 84 anos, integrou o primeiro grupo de seminaristas formados por João de Marchi, sacerdote italiano que trouxe os Missionários da Consolata para Portugal.
João de Marchi que escreveu o livro ‘Era uma Senhora mais brilhante que o Sol’, hoje já na sua 26.ª edição, baseado em entrevistas a familiares dos três pastorinhos e videntes de Fátima, Francisco, Jacinta e Lúcia, e também no testemunho da própria Lúcia, neste caso em maio de 1946.
O padre Aventino Oliveira destaca a canonização de Francisco e Jacinta Marto, que vai ser presidida pelo Papa Francisco no Santuário de Fátima, a 13 de maio deste ano, como um marco na história da Igreja Católica universal e em Portugal.
“É a primeira de crianças não-mártires, portanto é uma primeira mundial e na Igreja Católica, de canonização de crianças”, completou.

20 de abril de 2017

Abaixo a república!

Isto assim não serve, depois do BES agora é o Monte Pio, os outros bancos já foram, vivemos numa realidade virtual, com um presidente e um primeiro ministro a porem água na fervura com medo de dizer a verdade aos portugueses! E a verdade tem a ver com o regime porque foi este regime que fabricou esta nomenclatura e os interesses que lhe estão subjacentes. Interesses que se cruzam, misturam, que estão por todo o lado e tudo contaminam. É a constituição que os protege e quando não é ela, aparece sempre um juiz ou uma juíza para fazer o serviço. Agora há muita gente indiciada, poeira para os olhos, porque o mais certo é ninguém ser condenado. Aliás teriam que condenar primeiro os de cima, os vários presidentes, que por mais livros que escrevam não se livram de responsabilidades. O estado da nação é este. Uma nação à deriva que nem estratégia tem para o futuro! E não havendo futuro garante-se o presente através de lugares e tachos na função pública. Em contra ciclo europeu (e mundial) vamos ensaiando uma experiência socialista fora de prazo! E que só pode acabar mal. Em termos geopolíticos, e contrariando o destino, optamos pelo continente enquanto a nossa velha aliada se faz ao largo! Já demos esta matéria e foi um desastre...

E assim, a palavra de ordem e única palavra de esperança para qualquer português é: - abaixo o regime que nos sufoca! Abaixo a república! Democraticamente, claro. E se a bendita constituição o permitir!


Saudações monárquicas


JSM


Fonte: Interregno

19 de abril de 2017

SAR, D. Duarte de Bragança com antigos alunos do Colégio Militar



Comemorações do 3 Março no Real Clube Tauromáquico Português

No passado dia 6 Abril 2017, os sócios do Real Clube Tauromáquico Português, Antigos Alunos do Colégio Militar, reuniram-se num almoço na sede deste clube em Lisboa, para comemorar o 3 Março.

O almoço foi presidido pelo Antigo Aluno Duarte Pio de Bragança - 97/1960.

As fotos foram gentilmente cedidos pelo Filipe Soares Franco - 62/1963.

A reunião, decorreu em ambiente de muita animação e camaradagem e foi encerrada com o habitual zacatraz colegial.

Presenças:
Atrás, de pé, da esquerda para a direita: João de Barahona Núncio (175/1945), Rui Carp (536/1960), José Luís Bessa (73/1955), António Sobral (112/1950), Duarte Pio de Bragança (97/1960), Filipe Soares Franco (62/1963), Manuel de Lucena (405/1953), Pedro Cudell (3/1961) e Eurico Paes (306/1957).

Em posição de “firmeza”, à frente, da esquerda para a direita: Isaías Gomes Teixeira (197/1977), José António Corrêa d
e Sá (228/1959) e Miguel Félix António (302/1972)



Publicado por: Família Real Portuguesa

18 de abril de 2017

6.500 assinam petição

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Ultrapassa já as 6.500 mil assinaturas a petição lançada a meados de Março, que propõe alterações à ‘Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português’ por causa do relacionamento protocolar devido ao Duque de Bragança.
Porque o Duque de Bragança, D. Duarte Pio, enquanto descendente e representante dos Reis de Portugal, é regularmente convidado a participar em eventos oficiais, sendo-lhe habitualmente conferido um tratamento de particular respeito, apesar de isso não estar previsto no protocolo do Estado, eis a razão da petição que propõe a inclusão do Duque de Bragança na Lei do Protocolo do Estado, a exemplo do que já acontece com as altas entidades estrangeiras, diplomáticas, religiosas, universitárias e parceiros sociais.
De acordo com o texto associado à petição ‘monárquica’, o relacionamento protocolar devido ao Duque de Bragança deverá ser especificado na Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português, acrescentando um novo Artigo 34º: “1 - O chefe da Casa de Bragança, quando convidado para cerimónias oficiais, deverá ser tratado como convidado especial da entidade que tiver, por virtude da mais alta precedência protocolar, a presidência. 2 – Ao cônjuge do chefe da Casa de Bragança é atribuído lugar equiparado ao mesmo, quando esteja a acompanhá-lo.”
Na Madeira, o monárquico arquitecto João Cunha Paredes tem divulgado a petição, na expectativa da mesma reunir um maior apoio.
Entre as personalidades que apoiam esta petição, sobressaem deputados (do CDS e do PSD), presidentes de Câmara, ex-governantes e professores universitários.

Fonte: dnoticias.pt

17 de abril de 2017

JC não serve para gestor de recursos humanos

Não destituir Pedro, depois da sua tripla negação, era pior do que pôr ao leme da Igreja o comandante do Costa Concórdia. Era negligenciar o bem da Igreja. Contudo JC manteve Pedro como CEO da Igreja.

Há já alguns anos, escandalizei alguns devotos com uma publicação intitulada “Os defeitos de Maria”. Soube depois que o livro, apesar do prólogo de um cónego, o nihil obstat de outro e o imprimatur do vigário-geral do patriarcado de Lisboa, não entrou em certas casas. Decerto que esses escandalizados fiéis, se me vissem por perto, me teriam borrifado com água benta, coisa que só não aconteceu porque tive a feliz ideia de, com todo o respeito, me borrifar para esse seu escrúpulo. Nem sei o que me teria acontecido se tivesse tido o atrevimento do Cardeal vietnamita F. X. Nguyen van Thuan, falecido com fama de santidade, que ousou dizer que, o que mais admirava em Jesus Cristo – JC para os amigos – eram os seus defeitos!
Ainda que de forma modesta, não queria deixar de contribuir, este sábado de Aleluia, para esse maior amor a JC, precisamente pelo mais cabal conhecimento de alguns dos seus defeitos, qual a sua manifesta incompetência em questões de recursos humanos.
A equipa que formou, com aqueles doze homens, os apóstolos, já não foi um acerto, se se tiver em conta que, entre eles estava o traidor, Judas Iscariotes. Os outros, diga-se de passagem, também não eram muito melhores: na final, que se jogou no monte Calvário, todos desertaram, com a excepção de João, o discípulo adolescente, o único que ficou, com Maria e algumas mulheres, junto à Cruz do Senhor.
Mais grave ainda foi a escolha do capitão da equipa, um tal Simão, a quem ele teve a infelicidade de mudar o nome para Pedro pois, como depois se viu, a fortaleza não era, valha o paradoxo, o seu forte. De facto, apesar de ter jurado antes morrer do que ser infiel ao seu Mestre, a verdade é que Simão, no espaço de poucas horas, negou, por três vezes, JC!
Se Pedro tivesse negado Cristo diante de Anás e Caifás, ou de Pôncio Pilatos, ou ainda do rei Herodes, mesmo que não se pudesse justificar a sua infidelidade, poder-se-ia compreender a sua fraqueza. Mas a sua cobardia foi diante da porteira, de um parente de Malco – aquele a quem Pedro cortara a orelha que o Senhor curou naquela que foi, pela certa, a sua última cura milagrosa e a primeira operação plástica da história – e de outras pessoas sem poder para o acusar, prender ou matar. Mesmo assim, Pedro negou, três vezes, ser discípulo de JC. Depois, desapareceu na noite, para só reaparecer na madrugada do primeiro dia da semana, o da ressurreição do Mestre.
Nesse dia Jesus, depois de se encontrar com as santas mulheres que foram ter ao sepulcro, bem como com Maria Madalena, que o confundiu com o jardineiro do horto onde estava a sepultura, apareceu também a Pedro, antes ainda de comparecer diante dos restantes apóstolos, com a excepção de Tomé, que estava ausente e, por isso, só viria a acreditar na ressurreição do Mestre uma semana depois, quando viu e tocou, com as suas mãos incrédulas, as chagas do crucificado.
O que aconteceu, nessa aparição particular a Simão, ninguém sabe nada, porque os Evangelhos são omissos sobre este particular. Mas é fácil imaginar o que JC deveria então ter dito ao desleal capitão de equipa:
– Simão! Como sabes, depois de eu te ter prevenido da tua tripla negação, que tu protestaste com juramento, a verdade é que me traíste por três vezes. Se dois amarelos já dão direito à expulsão do campo, três faltas graves é demais! Tens que compreender que a Igreja não pode ser pior do que a equipa de Canelas que, por menos do que isso, expulsou um jogador do seu plantel. Tem que haver alguma moralidade e um mínimo de competência! Como estás arrependido, eu perdoo-te e continuamos amigos, mas já não tens condições para ser o capitão da equipa. Desculpa, mas sobrevalorizei-te quando que te promovi a CEO. Foi erro meu: nunca deverias ter deixado a pesca!
Para Pedro, a despromoção, para além de lógica e justa, seria até um alívio, mas quem ocuparia o seu lugar?! Nosso Senhor teria então que escolher um novo capitão para a equipa apostólica. Mas nem isso parecia difícil:
-Aproveitei estes dias no sepulcro para rever os vossos currículos: João é, sem dúvida, o melhor! Repara que, apesar de jovem, foi o único que não fugiu da Cruz e, por isso, foi a ele que confiei a minha Mãe. Aproximam-se tempos de perseguição para a Igreja, que só terminarão no fim do mundo, e João, que é mais novo e forte do que tu, é mais capaz de lhes fazer frente. Os cristãos dificilmente obedeceriam a um apóstolo que, como tu, me negou três vezes e a quem até chamei Satanás (cf. Mt 16, 23), mas a ele respeitarão, porque foi o meu confidente, também na última ceia quando lhe disse, só a ele, o nome do traidor. Sim, João é o apóstolo que tem o perfil ideal para ser o primeiro Papa!
Qualquer sofrível gestor dos recursos humanos teria procedido deste jeito, destituindo Simão, dada a sua manifesta deslealdade e incompetência, e nomeando, para capitão da equipa, João. Manter Pedro, depois do seu triplo falhanço, era pior do que pôr ao leme da Igreja o comandante do Costa Concórdia! Era apostar no naufrágio da barca na sua viagem inaugural, qual Titanic! Era negligenciar, de forma grave, o bem das almas! Era comprometer definitivamente, a Igreja e o seu projecto de salvação universal!
E, contudo, Jesus manteve Pedro como CEO da Igreja! Mais pôde o seu amor e compaixão do que a inabilidade e traição do apóstolo! Também hoje, é com outros Pedros pecadores, que Jesus quer continuar a sua aventura de amor e redenção.
Obrigado, Senhor, por nos teres convocado para a tua equipa! Nós, que nem na pior da última distrital teríamos direito a jogar, graças a ti, Mister, pertencemos à selecção! Bendita e louvada seja, pelos séculos dos séculos, a tua incompetência em recursos humanos!
Fonte: Observador