18 de junho de 2018

Portugalidade - Um ideal de todos

Foto de Nova Portugalidade.


A Portugalidade é transversal. Como civilização dos 300 milhões de homens e mulheres de cultura lusíada, ela é de todos: de esquerda ou de direita, conservadores, socialistas ou liberais, monárquicos ou republicanos, todos podem - e todos devem - nela reconhecer-se. A NP convida para debaterem a Portugalidade Raul Almeida, ex-deputado do CDS à Assembleia da República, e Ricardo Lima, presidente do Instituto Mises Portugal e destacado blogger n'O Insurgente. Estão todos convidados.


17 de junho de 2018

“Quem sou eu para julgar?”

No dia 29 de Julho de 2013, por ocasião de mais uma das suas viagens apostólicas, o Papa Francisco, em resposta a um jornalista, afirmou algo muito surpreendente: “Se uma pessoa é gay e busca Deus, quem sou eu para o julgar?”. A frase, que a muitos escandalizou, foi depois amplamente divulgada, não só como uma suposta alteração copernicana da doutrina moral católica, mas também como uma canonização do relativismo: se o Papa se declara incompetente numa questão doutrinal, quem se pode atrever a julgar o que quer que seja?! Todas as questões morais pareciam ficar, portanto, relegadas para o nível da consciência de cada um e ninguém, nem sequer o vigário de Cristo, teria legitimidade para formular um juízo moral sobre uma matéria doutrinal. Mas, será mesmo assim?!
Antes de mais, importa fixar exactamente os termos da afirmação, porque nem sempre o que se diz ter sido afirmado pelo Papa é o que Francisco efectivamente disse. Com efeito, não é o mesmo dizer “quem sou eu para o julgar?” do que afirmar “quem sou eu para julgar?”. No primeiro caso, manifesta-se a impossibilidade de fazer um juízo moral sobre alguém; no segundo, afirma-se a incompetência do papa em relação a um tema doutrinal de natureza moral. É verdade que a editora da Santa Sé, a Libreria Editrice Vaticana, editou em 2016 um livro que recolhe pensamentos do actual Papa e que se intitula “Chi sono io per giudicare?” (há uma edição portuguesa, com o mesmo título, “Quem sou eu para julgar?”, da Editora Nascente). Contudo, não consta que tenha sido essa a frase pronunciada pelo Papa Francisco que, na resposta ao jornalista que o interrogou a 29 de Julho de 2013, afirmou “quem sou eu para o julgar”.
O Santo Padre é o supremo juiz da Igreja universal. Esta prerrogativa papal foi expressamente conferida por Cristo, quando disse a Pedro: “dar-te-ei as chaves do reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu” (Mt 16, 19). Se Pedro e os seus sucessores podem ligar e desligar, é evidente que têm que julgar doutrinas e comportamentos morais.
Na parábola do juiz iníquo (cf. Lc 18, 1-8), o magistrado não é injusto porque decide erradamente, mas porque se abstém de julgar. Um papa que, por absurda hipótese, entendesse que não deveria julgar as questões morais, estaria a incumprir gravemente as suas obrigações e, assim sendo, seria também ele um juiz iníquo. Se um determinado comportamento, ou doutrina, não é compatível com a fé, os fiéis devem ser advertidos disso pelos seus pastores, sob pena de estes serem cúmplices dos seus pecados e, em última instância, responsáveis até pela sua condenação eterna. Seria razoável que, em relação à pedofilia, o papa ou um bispo dissesse: quem sou eu para julgar?!
A propósito deste terrível escândalo, felizmente já debelado na Igreja católica, alguns bispos foram criminalmente responsabilizados por não terem denunciado os sacerdotes que, com o seu conhecimento, abusaram de menores, pois deveriam tê-los impedido de cometer esses crimes. Portanto, a omissão do dever de julgar e de agir em consequência, por quem tem a obrigação de o fazer, não só é uma grave culpa moral como também um crime punível pela lei.
Mas nenhum leigo, religioso, padre, bispo ou mesmo papa, tem competência para julgar moralmente ninguém: só Deus o pode fazer. A Igreja afirma, por exemplo, que roubar é pecado, mas ninguém está legitimado moralmente para dizer de outrem que é ladrão, porque uma tal acusação pressupõe que o dito sabia o que estava a fazer e queria fazê-lo. Portanto, se o cliente, que está à minha frente no supermercado, tira um produto à venda e o põe no bolso, eu posso dizer que o fez, mas não posso dizer que ‘roubou’ esse objecto. Com efeito, pode ser o dono do estabelecimento, ter autorização para proceder desse modo, ou agir em estado de necessidade; pode ser um demente, ou uma criança e, portanto, irresponsável; ou até ter a intenção de pagar esse bem, quando chegar à caixa. Dizer que alguém roubou não é nunca uma mera constatação de facto, porque implica o conhecimento de que o alegado ladrão sabia o que estava a fazer e queria fazê-lo. Ora só o próprio e Deus têm esse conhecimento, pelo que mais ninguém está habilitado para formular um tal juízo.
Mesmo quando o fiel se confessa, não é a Igreja, nem sequer o confessor, que o julga, mas o próprio, pois há-de ser o penitente a acusar-se das faltas para as quais pede absolvição e penitência. A função do confessor, embora seja de certo modo judicial, como recorda São João Paulo II na Exortação Apostólica pós-sinodal ‘Reconciliação e Penitência na missão actual da Igreja’, é primordialmente pastoral, ou medicinal. De facto, o confessor deve averiguar a culpa do penitente, bem como a autenticidade do seu arrependimento e a sinceridade do seu propósito de emenda, mas em ordem à sua conversão e futura vida cristã. Ou seja, para que não peque mais (cf Jo 8, 11).
Segundo o Papa Francisco, “é possível que uma pessoa, no meio de uma situação objectiva de pecado, subjectivamente não seja culpável, ou não o seja plenamente, e possa viver na graça de Deus” (Amoris laetitia, 305), pelo que se impõe o discernimento de cada caso. Por regra, uma situação objectiva de pecado indicia a respectiva culpa, mas há excepções.
No ‘Frei Luís de Sousa’, de Almeida Garrett, D. Madalena de Vilhena comete adultério porque, pressupondo a morte do marido, D. João de Portugal, desaparecido em Alcácer-Quibir, casa com Manuel de Sousa Coutinho, que virá depois a ser frei Luís de Sousa. Tendo decorrido 35 anos desde a batalha em que D. João tinha participado, sem que mais nada dele se soubesse, declarou-se a sua suposta morte. A partir desse momento, D. Madalena podia, moral e canonicamente, celebrar um novo casamento, o que fez com Manuel de Sousa Coutinho. Mas, como o marido ainda estava vivo, incorreu em adultério, muito embora sem culpa sua, nem pecado. Claro que estes casos são muito excepcionais mas, se nem todos os que vivem maritalmente com quem não é o seu cônjuge canónico, são adúlteros, muito embora esta seja a regra, não se pode considerar como tal o fiel que vive com quem não está casado pela Igreja. Nem julgar quem é homossexual e que tem todo o direito, e talvez até mais necessidade, dos cuidados pastorais que a Igreja oferece a todos os seus fiéis.
Nos ensinamentos do Papa Francisco, é recorrente a comparação da Igreja a um hospital de campanha. Num hotel, ou clube, só se espera um bom acolhimento e serviço, mas num hospital quere-se ser curado, mesmo que com algum custo e sofrimento. Todos os fiéis cristãos somos pecadores e, por isso, esperamos que os nossos pastores, ou seja os médicos das nossas almas, sejam verdadeiros nos seus diagnósticos e não nos enganem em relação ao nosso estado espiritual. Pedimos-lhes também que sejam eficazes e, se possível, compassivos, nos tratamentos necessários à nossa salvação.
Fonte: Observador

16 de junho de 2018

Nuno Álvares Pereira - Percursos de um Herói

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No dia 27 de Junho, pelas 18h30, a Nova Portugalidade organiza na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa a conferência "Nuno Álvares Pereira - Percursos de um Herói". 

Teremos como oradora Ana Isabel Líbano Monteiro, historiadora e biógrafa desse português que foi soldado, soldado que foi santo e santo que salvou Portugal na sua hora de maior fraqueza. A sala da conferência será muito brevemente anunciada. Estão todos convocados.


14 de junho de 2018

Visita ao Palácio da Mitra - Santo Antão do Tojal



No próximo dia 16 de Junho, pelas 10:00, a Real Associação de Lisboa realiza mais um Roteiro Real desta vez para uma visita ao Palácio da Mitra - Santo Antão do Tojal (Loures).

O Palácio da Mitra foi mandado construir pelo primeiro Patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida, entre 1728 e 1732, no lugar do antigo Palácio dos Arcebispos que já existia desde o séc. XIII. O seu conjunto arquitectónico, que inclui o Paço do Patriarca, o Palácio-Fonte e a Igreja/Capela do Patriarca, é único no contexto do urbanismo rural português. Nesta visita, vamos ter o privilégio de entrar num espaço privado e descobrir este exemplar único da arquitectura barroca, onde se destacam uma série de azulejos emblemáticos do séc. XVIII, as figuras de convite, escultura com mármores de Carrara ao gosto italiano e um jardim/horta onde ainda se conservam os pombais.

Esta visita, guiada pelo nosso associado Joel Moedas Miguel, tem lugares limitados e um custo de € 15,00 por pessoa. O ponto de encontro será no terreiro fronteiro ao Palácio.

Para mais esclarecimentos e inscrições, contacte-nos através do endereço secretariado@reallisboa.pt, pelo telefone 21 342 81 15 ou presencialmente na nossa Sede nos horários habituais.*
* No caso de ser atingida a lotação da visita, é dada prioridade aos associados da Real Associação de Lisboa.

12 de junho de 2018

SAR, O Senhor D. Duarte Pio: "Os carteiristas respeitam-me"



O duque de Bragança garante andar muito de transportes públicos e gostar de poupar. Acredita ainda que o Estado português desperdiça recursos com obras de luxo e que a monarquia ganhava em Portugal se houvesse um referendo.



D. Duarte Pio acredita que a monarquia ganhava em Portugal se houvesse um referendo e defende que o Estado português desperdiçou os seus recursos com obras de luxo. Em entrevista ao Sol, o duque de Bragança afirmou ainda andar sempre de transportes públicos e garantiu: "Os carteiristas do 28 já me cumprimentam".
"Viajo sempre em classe turística nos aviões. No comboio vou em primeira classe por causa do sossego, mas uso muito os transportes públicos. Às vezes apanho o 28, mas tenho de ter cuidado. Felizmente, os carteiristas respeitam-me", contou D. Duarte. "Uma vez estava na estação de Metro dos Restauradores e no meio da multidão senti uma mão enfiada na minha gabardine e dei um grito ao homem. Ele disse-me: 'Ai, desculpe, não vi quem era'. Os carteiristas do 28 já me cumprimentam".

Questionado sobre a sua educação, o duque de Bragança afirmou que o seu pai acreditava que gastar mal algum recurso era pecado. "Fico muito chocado quando vejo o Estado a desperdiçar os seus recursos com obras de luxo", disse. A Expo'98, "que foi paga por todos nós com os nossos impostos", é um dos exemplos dados pelo duque de Bragança. "O país não ganhou nada com aquilo. O Centro Cultural de Belém é um monstro construído em frente aos Jerónimos com o nosso dinheiro. O país está cheio de rotundas e de obras monstruosas com o Palácio da Justiça", continuou.

Apesar de garantir ter "toda a consideração pelo professor Cavaco Silva", a governar quando algumas dessas grandes obras foram construídas, D. Duarte acredita que "ele não percebeu isso. Não percebeu que esse investimento não era reprodutivo".

Convencido que Marcelo Rebelo de Sousa actua "como um rei", o duque de Bragança acredita ainda que Portugal beneficiava com uma monarquia.

"Ele actua como se fosse um rei. É uma pessoa inteligente, culta, com uma boa formação ética e percebe aquilo que o povo português gosta de ter num chefe de Estado", disse sobre o Presidente da República. No entanto, acredita que Portugal beneficiaria em ter um rei. "Os primeiros anos da República foram revoluções, golpes... A II República foi paz e tranquilidade e um certo progresso económico, mas em regime não democrático. A III República voltou à democracia e regressou a instabilidade económica e política. Entrámos em falência várias vezes, tivemos crises e problemas muito complicados", defendeu D. Duarte. 

Questionado sobre se faria sentido ouvir os portugueses relativamente à questão da monarquia, o duque de Bragança acredita que sim. "Claro que o resultado resultaria muito da honestidade da pergunta. Se perguntarem se 'é a favor do regresso ao regime vigente em Portugal antes de 1910' é óbvio que o resultado seria muito mau. Mas se a pergunta for honesta estou convencido de que a monarquia ganha em Portugal", garantiu.


Fonte: Sábado

11 de junho de 2018

Uma profecia de São João Paulo II

A Igreja do terceiro milénio tem o dever de conter esta nova invasão muçulmana. Não com as armas, mas com a fé vivida integralmente.

Quando o jovem sacerdote Karol Wojtyla foi chamado à nunciatura, para que lhe fosse comunicada a sua nomeação episcopal, fez uma pergunta inédita ao núncio:
– Um bispo pode fazer esqui?
O representante diplomático do Papa ficou surpreendido com a questão, que nunca até então lhe tinha sido feita por nenhum outro candidato ao episcopado. Mas não lhe faltou presença de espírito quando respondeu ao futuro São João Paulo II:
– É a primeira vez que alguém me faz esta pergunta, mas uma coisa posso-lhe assegurar: um bispo não pode fazer mal esqui!
A verdade é que Karol Wojtyla veio a ser um óptimo bispo esquiador, um excelente cardeal esquiador e, até, um santo papa esquiador!
Eleito vigário de Cristo com 58 anos e uma óptima saúde, João Paulo II procurava, quando as suas obrigações lho permitiam, fazer uma escapadela para praticar esqui numa estância não muito longe de Roma, perto de Áquila. Para o efeito, costumava pernoitar na sede de verão do seminário internacional da prelatura do Opus Dei, que era posta à sua disposição para esse efeito. Aí, sem outras presenças que não fossem os membros da sua reduzida comitiva, bem como o pessoal que assegurava o serviço doméstico e cuja descrição era absoluta, João Paulo II podia descansar e esquiar à vontade, sem ser importunado pelos ‘paparazzi’, nem pelo fervor dos fiéis.
Um jovem economista italiano, Mauro Longhi, também esquiador, acompanhou São João Paulo II nessas excursões, que aconteceram quatro ou cinco vezes por ano, de 1985 até 1995. Mais tarde, foi ordenado sacerdote e nomeado membro da congregação vaticana para o clero. Actualmente exerce o ministério sacerdotal no norte de Itália.
Foi a propósito da última festa litúrgica de São João Paulo II que Monsenhor Longhi proferiu uma conferência sobre Karol Wojtyla, no ‘Eremo dei Santi Pietro e Paolo’, em Bienno, no norte de Itália. Nessa ocasião, revelou uma surpreendente profecia de São João Paulo II, que lhe foi referida pelo próprio, durante uma pausa de uma dessas excursões: “Vejo a Igreja do terceiro milénio afligida para uma praga mortal. Chama-se Islão. Invadirão a Europa”.
Esta impressionante confidência do Papa que veio do Leste teve lugar em Março de 1993, quando nada fazia ainda prever a avalanche de muçulmanos que, entretanto, entraram na Europa, tendo já uma presença dominante em muitas cidades e regiões do Ocidente. Não é por acaso que Maomé foi, entre os recém-nascidos em Bruxelas, o nome masculino mais vezes registado no ano transacto.
Ainda a propósito desta visão, Mons. Longhi disse que, nessa ocasião, o último Papa a ser canonizado, afirmou: “Invadirão a Europa, a Europa será arruinada, uma sombra do que foi outrora. Vocês, Igreja do terceiro milénio, têm o dever de conter esta invasão. Mas não com as armas, que não serão suficientes, mas com a fé vivida integralmente.”
Não é novidade para ninguém que São João Paulo II era um místico. Desde jovem sacerdote, foi protagonista de fenómenos extraordinários, que eram apenas do conhecimento de poucas pessoas. Uma delas era um seu compatriota e grande amigo, o cardeal Andrzej Maria Deskur que, em conversa com Mons. Longhi, disse que São João Paulo II falava com Jesus e via também o rosto de sua Mãe, Maria. Segundo a mesma fonte, essa graça foi-lhe concedida na sua primeira Missa, no dia 2 de Novembro de 1946, quando o recém-ordenado Padre Karol Wojtyla celebrou a Eucaristia, em sufrágio pela alma de seu pai, na cripta de São Leonardo, na catedral de Wawel, em Cracóvia, a diocese de que era arcebispo e cardeal quando foi eleito bispo de Roma.
Mons. Longhi também foi testemunha de algumas graças especiais concedidas a São João Paulo II, durante as suas breves estadias na modesta casa em que se alojava sempre que ia esquiar: às vezes ficava, “ajoelhado, horas a fio, num desconfortável banco de madeira, em frente ao sacrário” da capela. Nalguma ocasião, Longhi surpreendeu-o de noite, falando em voz alta com Jesus e com Nossa Senhora.
São João Paulo II, não obstante o seu inicial vigor físico, perdeu depois muitas das suas faculdades motoras, embora tenha mantido até ao fim uma extraordinária lucidez. Numa ocasião em que a sua mão tremia – era já um sintoma da doença de Parkinson – disse, resignado:
– Meu caro Mauro, é a velhice!
Longhi, tirando importância à tremura, quis ser simpático com João Paulo II:
– Não, Santo Padre! Vossa Santidade ainda é jovem!
Wojtyla era muito realista e não gostava de ser adulado e, por isso, retorquiu:
– Não é verdade! Se digo que estou velho é porque estou velho!
O Papa Wojtyla era um lutador e um resistente, que fez frente à ditadura comunista no seu país. Foi também o principal artífice da pacífica libertação dos países de Leste, mas não era, de modo nenhum, partidário de guerras santas, nem muito menos de uma nova cruzada contra o Islão. Foi, precisamente, São João Paulo II quem teve a iniciativa de reunir, em Assis, os representantes de todas as religiões, muçulmanos incluídos, para os comprometer com a causa da paz.
São João Paulo II é também o Papa do terceiro segredo de Fátima, que nele se cumpriu, tal como, muitos anos antes, tinha sido dito aos três videntes. Em 1917, Nossa Senhora disse também que “em Portugal, conservar-se-á sempre o dogma da fé”. Se Maria o disse como algo excepcional, que apenas acontecerá no nosso país, é porque no resto da Europa não será assim. Estaria a ‘Senhora mais brilhante do que o Sol’ a aludir à profecia de São João Paulo II, em relação aos outros países europeus?! A história, a seu tempo, o dirá.
Fonte: Observador

10 de junho de 2018

10 de Junho: Anjo de Portugal



A pedido de el-rei Dom Manuel e dos bispos portugueses, o Papa Leão X instituiu em 1504 a festa do Anjo Custódio do Reino, cujo culto era já antigo em Portugal.
Oficializada a celebração, Dom Manuel enviou alvarás aos municípios a determinar que as festas em honra do nosso Anjo da Guarda fossem comemoradas com a maior solenidade. Na festa do Anjo de Portugal deveriam participar todas as autoridades e instituições das cidades e vilas, além de todo o povo.
Esta celebração teve o seu esplendor durante os séculos XVI, XVII e XVIII, quando Portugal também teve o seu apogeu, e decaiu no século XIX quando Portugal também decaiu pelo liberalismo, em 1834.
Por determinação das Ordenanças Manuelinas a festa do Anjo de Portugal era equiparada à festa do Corpo de Deus, a maior festa religiosa em Portugal, na qual toda a nação portuguesa afirma a sua Fé perante o Santíssimo Sacramento.
De acordo com o testemunho dos Pastorinhos de Fátima, em 1916 o Anjo de Portugal apareceu diversas vezes a anunciar as aparições de Nossa Senhora nesta sua Terra de Santa Maria, dando aos Pastorinhos a comunhão com "o preciosíssimo corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo" como ele próprio declarou.
O culto do Anjo de Portugal teve o seu maior brilho nas cidades de Braga, Coimbra e Évora, e manteve-se na arquidiocese de Braga, onde se celebrava a 9 de Julho.
No papado de Pio XII a festa do Anjo de Portugal foi restaurada para todo o País e transladada para o dia 10 de Junho a fim de que o Dia de Portugal fosse também o Dia do Anjo de Portugal.
Da generalizada devoção ao Anjo de Portugal dão testemunho muitas representações, sendo especialmente notáveis as imagens do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e da Charola do Convento de Cristo, em Tomar, a pintura da Misericórdia de Évora e a iluminura do Livro de Horas de Dom Manuel.
O Anjo de Portugal é, até hoje, o único Anjo da Guarda de um país com culto público oficializado e foi o único Anjo da Guarda de uma nação que apareceu aos homens.


Fonte: Veritatis

9 de junho de 2018

SAR, O Senhor D. Duarte de Bragança em Montalegre



Dom Duarte Pio de Bragança presidiu à conferência, realizada nos Paços do Concelho, subordinada ao tema "Couto Misto - Caminho Privilegiado". Uma sessão concorrida onde o Chefe da Casa Real Portuguesa não disfarçou a satisfação pela recepção que teve ao mesmo tempo que deixou os mais rasgados elogios à postura do povo barrosão.


Orlando Alves | Presidente da Câmara de Montalegre

«Foi uma sessão simpática de boas-vindas, onde a Câmara de Montalegre cumpriu o papel de anfitriã que lhe cabe. Estivemos ao nível daquilo que nos é exigido e demos a boas-vindas a uma outra forma de representação do Estado. Alguém que tem particular carinho pela nossa terra. Já esteve cá várias vezes e deixa sempre a promessa de voltar. Abrimos o salão nobre para recebermos alguém que representa um regime que há 100 anos foi abolido em Portugal. Dom Duarte Pio de Bragança é uma pessoa com elevada cultura, um herdeiro ao troco que se interessa pela questão da estética e beleza arquitectónica de Portugal como fez questão de vincar no seu discurso».
 
Dom Duarte Pio de Bragança | Chefe da Casa Real Portuguesa

«É uma ocasião muito bonita e muito interessante numa terra que, para além das qualidades de toda a população, está muito bem representada pelo actual Presidente da Câmara que defende acerrimamente os valores, a tradição e o progresso da sua terra. É sempre uma emoção vir a esta região. É fundamental manter a beleza arquitectónica de cada região. Uma vez destruída é muito difícil recuperá-la. Perde-se o interesse turístico e a identidade cultural. Nesse aspecto temos os piores exemplos de toda a Europa. A apresentação sobre o território do Couto Misto foi muito interessante. Seria um atractivo cultural e turístico. Existem algumas semelhanças com o caso de Olivença. Nomeadamente quando Espanha coloca a questão de que Gibraltar deveria ser devolvida a Espanha. Nesse sentido, Olivença deveria ser devolvida a Portugal. São situações políticas parecidas mas cada uma com as suas especificidades. Creio que o reconhecimento da identidade do território do Couto Misto seria uma vantagem muito grande para a população local».
 
Dario Carreira | Palestrante

«O nosso objectivo é colocar a questão do Couto Misto na ordem do dia, nomeadamente na perspectiva portuguesa. Muita da informação que foi apresentada não está a ser transmitida e não há conhecimento disso. Fazemos um esforço para repormos a verdade porque a dignidade é muito preservada pelos barrosões. Aproveitamos a presença de Dom Duarte para lhe transmitirmos isso. Muita gente ouve falar deste assunto só pelo que é dito do lado espanhol».