22 de julho de 2018

Luxemburgo recorda Infanta Maria Ana de Bragança



Filha do Senhor Dom Miguel, casou no dia 22 de Junho de 1893 com Guilherme IV, Grão-duque do Luxemburgo.
Nos 125 anos da celebração do casamento, o Museu Nacional de História e Arte e a Casa Grã-Ducal, com o apoio da Embaixada de Portugal, organizam uma exposição focada na história de amor e nas consequências políticas que a união teve para o país, nomeadamente o acesso das mulheres ao trono.
Como o casal não teve filhos do sexo masculino, o pacto da família de Nassau foi alterado de forma a permitir o acesso das mulheres ao trono, em 1907.
Com a doença de Guilherme IV, pouco tempo depois de se ter tornado Grão-duque, Maria Ana de Bragança foi nomeada regente, passando a assumir um papel político determinante na vida do país.
Após a morte do marido, em 1912, sucede-lhe a filha mais velha, Maria Adelaide, seguindo-se a segunda filha do casal, a grã-duquesa Carlota, após uma crise política em 1918-1919.
Esta coroa dominada por mulheres, foi uma novidade num mundo político controlado por homens.
Da exposição, inaugurada no passado dia 9 de Julho pelo Grão-duque herdeiro Guilherme e a Grã-duquesa herdeira Stéphanie de Lannoy, faz parte a Banda das Três Ordens, que reúne as Grã-Cruzes das Antigas Ordens Militares de Cristo, de Avis e de Sant’Iago da Espada, criada por D. Maria I em 1789, emprestada pelo Palácio Nacional da Ajuda.
Este objecto tão importante para História Portugal, representa bem a importância da ligação entre os dois países, que hoje é reforçada por mais de 80.000 luso-luxemburgueses a viver naquele país. Uma relação de amor e amizade que começou no casamento da Infanta Maria de Bragança e dura até aos dias de hoje.

A Infanta Maria Ana de Bragança nasceu em Bronnbach, no dia 13 de Julho de 1861, onde vivia no exílio o Senhor Dom Miguel, bisavô do actual Duque de Bragança.
A bisavó do atual Grão-duque Henrique morreu em 1942, em Nova Iorque, com 81 anos, estando sepultada na Catedral do Luxemburgo.

Fonte: Causa Real

21 de julho de 2018

José Hermano Saraiva seis anos depois

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Passam 6 anos do seu desaparecimento e contudo ainda nos acompanha: os seus livros continuam a vender, a sua imagem continua a ser conhecida e os programas que ensinaram gerações continuam a ser transmitidos. Era simplesmente "o professor" - e talvez um dos poucos que merecia o título acima das vaidades.

Tinha um jeito natural de ser e uma harmonia calorosa no carácter. Foi durante décadas uma figura tão presente como aquele simpático familiar a quem sempre abrimos a porta. Ensinou-nos muito e despertou-nos a curiosidade. Sobretudo ensinou-nos a entender Portugal na sua dimensão secular e a descobrir os segredos mais profundos de um mundo imenso que se orgulha da identidade lusiada repartida pelos quatro cantos do mundo.

Hoje faz falta este tipo se compromisso com o ensino da história, um ensino livre de preconceitos e de ideologias.

Daniel Sousa

20 de julho de 2018

Novo capítulo

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16 de Julho de 1918, 22.30, Ekaterinburg
A czarina Alexandra descreve no seu diário um dia tranquilo de verão: licença de meia hora para passear, leituras bíblicas, o oficial bolchevique que veio trazer ovos para Alexis, jogo de cartas com o Czar antes de se deitar.
A página seguinte está em branco. Nessa noite acabou um capítulo mas não a História.


2013, São Petersburgo
O restauro de um grande quadro de Lenine, pintado em 1924, fez aparecer no verso um retrato de Nicolau II que se julgava desaparecido. Desobedecendo às ordens que tinha, correndo risco de vida, o pintor não quis destruir a imagem do seu Czar e cobriu-o com tinta solúvel em água, como se esperando por um novo capítulo em que a Rússia se reencontrasse com ela própria.
Ele sabia que há ligações que não se destroem por decreto.

O valor simbólico da Monarquia está todo aqui: uma relação entre um povo e o seu Rei que vai muito para além dos capítulos da história por mais violentos que sejam, o encarnar de uma cultura e de uma forma de vida, a certeza da continuidade de um povo.

É tudo isto que estes cem anos do assassinato da Família Imperial Russa também representam.


Teresa Côrte-Real
Vogal da Comissão Executiva da Causa Real

19 de julho de 2018

Leiria reclama o nascimento da Casa de Bragança e faz quatro dias de festa

O nascimento da Casa de Bragança é celebrado em mais uma edição de Leiria Medieval, que recorda um casamento histórico que terá tido lugar na cidade e que é festejado com quatro dias de festa, entre os dias 19 e 22.

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1401: Aqui nasceu a Casa de Bragança" é o título da recriação em 2018, que envolve centenas de figurantes em diversas ruas de Leiria. Pela primeira vez, realiza-se fora do Castelo de Leiria, que está a ser preparado para entrar em obras. Nesta edição, a animação desce à zona histórica da cidade.

O casamento entre D. Afonso de Portugal, filho de D. João I, e D. Beatriz Pereira de Alvim, filha de D. Nuno Álvares Pereira, é o tema escolhido, recordando a união que deu origem à Casa de Bragança, de que faz parte o actual herdeiro do trono de Portugal, D. Duarte Pio de Bragança.

O vereador da Cultura da Câmara de Leiria sublinha a oportunidade de recordar "um dos casamentos mais simbólicos de sempre, que deu origem à 'fundação' da Casa de Bragança, ocorrido precisamente aqui, em Leiria".

Para Gonçalo Lopes, as sucessivas edições da recriação têm "contribuído para afirmar a importância de Leiria na construção da nacionalidade portuguesa".

"Além de uma importância lúdica inegável - este é um dos eventos que mais atrai visitantes a Leiria - e de uma excelente oportunidade para o comércio realizar receitas adicionais beneficiando do forte afluxo de visitantes, há também uma vertente pedagógica que não deve ser ignorada", sublinha o vereador.

Leiria Medieval, garante Gonçalo Lopes, dá a conhecer "factos que poderão ser desconhecidos de muitos visitantes" através do trabalho de "uma equipa que investiga e prepara com grande antecedência cada edição, no sentido de lhe conferir o maior rigor histórico possível".

Por isso, o vereador da Cultura admite que a recriação em Leiria é "diferenciadora em relação a eventos do género realizados noutras regiões do país".

"Esse é um aspecto de que não abdicamos. Queremos que o Leiria Medieval seja assumido como um momento em que celebramos a nossa história e o contributo das gerações que nos antecederam para a edificação da nossa pátria".

A mudança de toda a organização para a zona histórica de Leiria, por impedimento do castelo, é encarada sem preocupação.

"Obviamente que a sua monumentalidade é sempre uma mais-valia para a concretização de eventos desta natureza. No entanto, não é utilizado nesta edição precisamente para que possa no futuro acolher este e outros eventos com melhores condições de conforto para os participantes e visitantes".

Gonçalo Lopes acredita que a mudança para o centro da cidade vai fazer desta edição "uma das mais participadas de sempre".

A festa da boda de D. Afonso e D. Beatriz explora novos cenários e terá entrada gratuita em 2018, o que "permitirá maior comunhão com a população" do que nas edições anteriores.

Ao longo dos quatro dias, Leiria Medieval contará com acampamentos militar e civil, animação deambulante, artesãos, gastronomia, danças medievais, místicos, música, dramatizações, e outras iniciativas.

No dia 21 à noite tem lugar o momento alto da festa, com a "celebração"do casamento de D. Afonso de Portugal com D. Beatriz Pereira de Alvim.

Fonte: DN

17 de julho de 2018

Um povo valente que entregou os seus filhos ao mar profundo

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Já a investigar para um novo trabalho que sairá em 2020, haja tempo, saúde e condições, desta vez sobre as sociedades nascidas dos descobrimentos e da expansão, detenho-me no manuscrito do diário de bordo de um navio da frota portuguesa da segunda metade do século XVIII, a nau Nossa Senhora da Viagem. Contrariando os lugares-comuns do suposto improviso, “aventura” e atitude a-científica dos portugueses, ali está condensado e aplicado um saber profundo, meticulosamente anotado e exprimindo o grande conhecimento náutico acumulado ao longo de séculos de navegação: as latitudes e longitudes, os fenómenos meteorológicos e o regime dos ventos, as correntes, o avistamento de animais marinhos e aves, a identificação de outras embarcações, respectivos pavilhões e nomes, as condições sanitárias da tripulação, a gestão da água e alimentos, a descrição dos portos de aguada; tudo anotado de hora a hora pelo redactor do diário. Neste imenso e infatigável trabalho de notação, detenho-me no registo de acidentes ocorridos na longa viagem de quarenta e três dias, de Lisboa à São Salvador, realizada em meados de 1762.

“Domingo, 29 de Agosto de 1762. Ontem, pelas três horas da tarde morreu o marinheiro Manuel Moreira. É o quarto que tem morrido depois de sairmos de Lisboa (…)”.

Folheio o diário desde o dia da partida e, depois, o diário de torna-viagem, de Fevereiro de 1763 e verifico que numa mera viagem de rotina e policiamento da rota do Brasil morreram oito tripulantes. Multipliquemos por cem, duzentos, trezentos e por mil estes números e ali está, sem rodriguinhos piegas, o custo humano dessa grandiosa, temerária e teimosa empresa portuguesa ultramarina que se prolongou por séculos e tocou todos os cantos do planeta. Quanto sacrifício verteu este povo nos caminhos do mar que foi palco da nossa grandeza e sepulcro de tantos Manuéis Moreira, quanta coragem silenciosa de homens simples e esquecidos teve esta nação de acumular para que hoje 300 milhões, do Brasil a Timor, se exprimam na nossa língua. É evidente que para muitos, tudo aquilo foi em vão, que prefeririam que aqui neste canto escalvado do sudoeste europeu tivéssemos ficado, europeus de terceira, transidos de medo entre a meseta hispânica e o oceano tenebroso. Esses, sim, não compreendem, não respeitam nem amam Portugal.

Miguel Castelo-Branco

16 de julho de 2018

UM EQUIVOCO CHAMADO MARCELO R.S.



“O Povo gosta, o povo quer, o povo tem!”
                                                  Carlos Félix

 Nas últimas eleições presidenciais ocorreu um fenómeno nunca visto: a população portuguesa foi votar para escolher entre os 10 candidatos que se apresentaram a sufrágio, aquele que seria, nos prazos constitucionais, o próximo Presidente da República, função também ela definida constitucionalmente.

    Deste modo os eleitores elegeram um doutorado em Direito, que passeou pelo jornalismo e pela política partidária, tendo assentado arraiais como comentador, onde preparou – nas barbas de toda a gente – a própria candidatura ao cargo de mais alto magistrado da Nação (pelo menos antigamente era assim que se dizia), para quando a oportunidade surgisse. E surgiu.[1]

    E a maioria dos eleitores (52%) que se dignaram ir votar, lá depositaram a sua cruzinha no actual inquilino do Palácio de Belém.

    Esqueceram-se que o homem é um hiperactivo, ligado à corrente em permanência e que quer ir a tudo e a todos, numa paráfrase mal engendrada da célebre frase dos Lusíadas “ e se mais mundo houvera, lá chegara”…

    Como se isto já não fosse problema suficiente, o senhor também quer comentar tudo e todos!

    Daqui resulta o equívoco de que, afinal, a população portuguesa julgando que tem um ser de carne e osso a exercer as “altas” funções de Chefe do Estado, na sua forma republicana – o que já de si não é grande coisa – passou a ter um comentador (se é que tal pode ser considerado uma profissão), em vez de.

    A questão que fica é esta: será que para as próximas eleições se irá mudar a Constituição, para que se deixe de eleger um Chefe de Estado e se eleja um “Comentador-Mor”?

    Cruel dilema.

    O que se passa assemelha-se a termos, por ex., eleito um carpinteiro para PR, que em vez de exercer a função (a tal que é “alta”), continuasse a fazer prateleiras, cadeiras e outro mobiliário e assentasse, quiçá, uma marcenaria em Belém…

     O senhor Presidente comenta tudo, o que se passa ou deixa de passar, inclusive os jogos da bola – esse mundo absolutamente desqualificado e pouco recomendável – e pelo meio viaja sofregamente (aproveitando para ler livros e tudo), como se não houvesse amanhã.

    Também para ir assistir a jogos da selecção (uma selecção que perdeu sobretudo por falta de atitude), aproveitando pelo meio, para dizer olá ao Presidente Putin – que deve ter ficado impressionado com esta nova maneira de fazer diplomacia – numa espiral de gastos e desconcertos em que nunca mais houve tino desde que o General Eanes abandonou o cargo.

    Desatinos que ninguém escrutina, nem estão interessados em escrutinar – deste modo o PR também não levanta objecções aos gastos perdulários dos deputados, dos membros do Governo e dos gabinetes dos senhores ministros, etc..
É um fartote!

    Foi ainda tirar uma foto com o Trump, apesar do Yankee gostar mais do “Twiter” do que de “selfies” e a melhor coisa que conseguimos saber (além da propaganda ao vinho da Madeira) foi que “fez criticas gestuais” quando o anfitrião da casa pintada de branco falava!

    O nosso comentador, perdão, Presidente, numa ânsia de consolar tudo e todos; “integrar”; aumentar a coesão (vá-se lá saber de quê); ser inclusivo, etc., anda numa fona participando em todas as manifestações religiosas (porque não as “seitas”?) – mesmo as que são insignificantes, não têm nada a ver com a nossa matriz cultural, ou até são suas inimigas; pendura roupa no Casal Ventoso (se quiser um dia passar lá por casa, não se acanhe, ok?); embarca numa cruzada estúpida, demagógica e perigosa, em querer trazer toda a casta de “migrantes” para dentro do país (não se esqueça de arranjar umas tendas para montar nos jardins do Palácio de Belém); condecora todo o bicho careta que lhe aparece pela frente, incluindo gente de mau porte que conspirou contra o país e permite-se participar numa “homenagem” a um cantor rock, cujo único mérito pessoal conhecido, foi ter conseguido recuperar-se do vício da droga, num espectáculo circense pimba, pífio e de muito mau gosto, para onde conseguiu arrastar (ou foram eles que se juntaram?) o Presidente da AR e o Chefe do Governo.

    Só faltou o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça…

    Será que o ilustre varão não se enxerga correndo o risco de, qualquer dia, ninguém o suportar e querer ouvir ou ver?

    Será que toda esta gente não tem a menor noção que a Dignidade dos cargos (permanentes) que ocupam (transitoriamente), necessita ser preservada e que eles não têm o direito, pela sua má conduta, de a pôr em causa?

    Será que não têm o menor escrúpulo sobre a “Gravitas” da antiga sociedade romana?

    Não há, entretanto, um único problema importante (um único) do País que seja devidamente equacionado, decidido e tratado.

    Tudo é desatino, desarticulação, corrupção, relativismo moral, negociatas.

    O resto é circo para empatar e entreter tolos, que é aquilo por que nos querem fazer passar.

    O pão, esse, continua a ser pago com o aumento da dívida (que é impagável…).

    Mas como o povo gosta, o povo quer, o povo tem…

    Que bela Democracia que temos.

    Para imbecis.


João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador


[1] Sem embargo nesta “democratíssima” sociedade em que vivemos deve referir-se que na contagem dos votos apuraram-se 51,17% de abstenções; 1,24% de votos nulos e 0,92% de votos brancos. Ora manda o mais elementar bom senso que qualquer eleição para valer, deveria contar com pelo menos 51% de votantes, entre a massa dos eleitores recenseados.


Fonte: O Adamastor

15 de julho de 2018

A Igreja Católica e os sectarismos

Seria lamentável que, por um excesso de nacionalismo, ou por sectarismo, a Igreja esquecesse que, desde a sua fundação, é católica, ou seja, universal.

Quatro notas definem a Igreja: é una, santa, católica e apostólica. É una porque foi só uma a Igreja fundada por Jesus Cristo, instituída na pessoa de Pedro e dos seus sucessores na primazia da caridade. É santa, porque santo é o seu divino Fundador, bem como santos são o fim e os meios que oferece aos seus fiéis que, chamados pelo baptismo à santidade, são, no entanto, pecadores. É católica, porque é universal na comunhão dos seus fiéis, sem ser de nenhuma nação, cultura ou raça, porque a todas abarca na confissão da única fé. E, por último, é apostólica, porque os seus bispos são sucessores daqueles doze primeiros discípulos de Cristo aos quais foi confiada a plenitude do sacerdócio.
Sendo católica, ou seja universal, a Igreja nunca se identificou com uma pátria, ao contrário do judaísmo, que é essencialmente nacionalista, nem com nenhuma cultura, como o islamismo, que tem uma especial relação com a língua árabe, pelo facto de o seu livro sagrado, o Corão, estar redigido nesse idioma, em que deverá preferencialmente ser lido e meditado, sem que deva ser traduzido.
Mas, apesar de ser universal, a Igreja católica tende a se inculturar, ou seja a adaptar-se às tradições legítimas do país ou região onde realiza a sua acção espiritual, sendo, portanto, portuguesa em Portugal; italiana em Itália, chinesa na China e angolana em Angola. Ao princípio não foi assim, porque os primeiros evangelizadores eram, por regra, missionários estrangeiros, como Paulo o foi em toda a Ásia menor, na Grécia e em Roma. Só num segundo momento foi possível estabelecer uma hierarquia e clero indígenas que, paulatinamente, substituíram a primeira geração de evangelizadores.
Mesmo depois de cristianizados, muitos países continuaram a receber missionários estrangeiros. Por exemplo, na segunda metade do século XX, vários padres holandeses – entre os quais o saudoso Padre Dâmaso – e irlandeses vieram para Portugal e cá se estabeleceram. Mais recentemente, sacerdotes africanos e até indianos têm suprido as carências do clero diocesano, insuficiente para as necessidades pastorais das dioceses portuguesas, nomeadamente do patriarcado de Lisboa. A realidade dos seminários Redemptoris Mater, da responsabilidade das comunidades neo-catecumenais, também veio enriquecer os presbitérios diocesanos com seminaristas oriundos de outros países e culturas que, depois de ordenados presbíteros, permanecem no país onde receberam a sua formação sacerdotal.
Assim sendo, será razoável que alguns desses padres, embora oriundos de outros países, venham a desempenhar funções de responsabilidade na diocese em que trabalham. Por exemplo, o actual reitor da universidade católica de Angola esteve, durante vários anos, à frente da paróquia lisboeta de São Mamede. Com o passar do tempo e a internacionalização do clero diocesano, não será de estranhar que algum padre de origem estrangeira venha a ser nomeado bispo em Portugal. Mas, estarão as nossas comunidades cristãs preparadas para aceitar uma tal eventualidade?
A verdade é que, se acontecer, um tal caso não seria inédito: segundo narram as antigas crónicas, Lisboa já teve um bispo inglês, quando os cruzados anglo-saxónicos ajudaram D. Afonso Henriques a reconquistar a cidade aos mouros. Mas também é certo que, sobretudo em regiões onde o sentimento nacionalista, ou regionalista, é mais forte, a possível nomeação de um bispo que não seja natural dessa terra não seria facilmente aceite. Pense-se, por exemplo, em Estados plurinacionais, como é a vizinha Espanha, onde seria impensável que fosse indigitado para bispo de uma diocese na Biscaia, ou na Catalunha, quem não fosse, respectivamente, basco ou catalão. Em Portugal, muito embora também existam regionalismos, nunca foi imprescindível que o bispo do Porto fosse tripeiro, nem que o arcebispo de Lisboa fosse alfacinha: os cardeais D. Manuel Gonçalves Cerejeira e D. António Ribeiro eram minhotos, sem que essa sua origem tivesse minimamente prejudicado o seu ministério patriarcal.
Contudo, é conveniente que o bispo, que deve conhecer bem as suas ovelhas, proceda, por regra, do clero nacional. Mas convém não esquecer que a Igreja, também a diocesana, é católica, ou seja universal. Quer isto dizer que não é uma Igreja nacional, nem muito menos regional ou provincial. Se, em geral, será razoável que o bispo proceda de um presbitério análogo ao que vai presidir, outras vezes será preferível que tenha outra origem, até porque, como se costuma dizer, santos de casa não fazem milagres. Aliás, era esta a razão por que os chamados ‘juízes de fora’ não eram, como o seu nome indica, da terra onde administravam justiça, porque alguém que fosse natural do lugar não ofereceria as garantias de isenção que se esperava e exigia do magistrado judicial.
Seria lamentável que, por um excesso de nacionalismo, ou um exagerado provincianismo, a Igreja esquecesse que, desde a sua fundação, é católica: o primeiro bispo de Roma era judeu, originário da Terra Santa, e o presente papa é argentino. Sendo o primeiro asiático e sul-americano o actual, nem sequer são europeus e, contudo, ninguém considerou que a sua longínqua origem fosse óbice para o desempenho do seu episcopado romano, ao qual corresponde, por inerência, a jurisdição sobre a Igreja universal.
Também é de saudar que a Igreja seja católica quanto aos seus carismas, desde que aprovados pela suprema autoridade eclesiástica, à qual compete garantir que as diversidades litúrgicas e pastorais não ofendem a comunhão eclesial. Neste sentido, a recente ordenação sacerdotal de um português, membro de um instituto religioso católico ligado à tradição e em perfeita união com a Santa Sé, deve ser vista como um sinal de abertura a outras legítimas sensibilidades litúrgicas e um enriquecimento do presbitério nacional. Não em vão o Papa Francisco é o primeiro jesuíta que é bispo de Roma e, neste sentido, é expressão da universalidade ecuménica da própria Igreja católica, que é una na multiplicidade orgânica dos seus dons.
Nesta aldeia global que é o mundo, a Igreja católica foi, certamente, a primeira experiência de comunhão. Há ainda algumas resistências à catolicidade eclesial, sobretudo onde predomina o clericalismo das ‘capelinhas’, sejam elas conservadoras ou progressistas, ou se olha com desconfiança para os ‘de fora’ do próprio grupo eclesial e se diabolizam outras formas válidas de viver a fé.
A reforma da Igreja em curso deve ser sobretudo uma reforma das mentalidades, para que as igrejas, paroquiais e diocesanas, sejam cada vez mais universais, ou seja católicas, na vivência de uma comunhão eclesial mais inclusiva e fraterna.
Fonte: Observador

14 de julho de 2018

D. Afonso de Bragança visitou o Banco Alimentar



D. Afonso de Bragança visitou o Banco Alimentar e esteve em contacto directo com aqueles que todos os dias ajudam a alimentar Portugal. 

O Príncipe da Beira teve a oportunidade de aprender como funciona esta instituição tão importante, tendo felicitado todos os intervenientes na organização.


Fonte: Causa Real

13 de julho de 2018

PARA QUEM GOSTA DE HISTÓRIA DO BRASIL

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Quando D. Pedro II do Brasil subiu ao trono, em 1840, 92% da população brasileira era analfabeta.
Em seu último ano de reinado, em 1889, essa porcentagem era de 56%, devido ao seu grande incentivo a educação, a construção de faculdades e, principalmente, de inúmeras escolas que tinham como modelo o excelente Colégio Pedro II.

    • A Imperatriz Teresa Cristina cozinhava as próprias refeições diárias da família imperial apenas com a ajuda de uma empregada (paga com o salário de D. Pedro II).

• (1880) O Brasil era a 4º economia do Mundo e o 9º maior Império da história.

• (1860-1889) A média do crescimento econômico foi de 8,81% ao ano.

• (1880) Eram 14 impostos, actualmente são 98.

• (1850-1889) A média da inflação foi de 1,08% ao ano.

• (1880) A moeda brasileira tinha o mesmo valor do dólar e da libra esterlina.

• (1880) O Brasil tinha a segunda maior e melhor marinha do Mundo, perdendo apenas para a da Inglaterra.

• (1860-1889) O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.

• (1880) O Brasil foi o maior construtor de estradas de ferro do Mundo, com mais de 26 mil km.

• A imprensa era livre tanto para pregar o ideal republicano quanto para falar mal do nosso Imperador.
       "Diplomatas europeus e outros observadores estranhavam a liberdade dos jornais brasileiros" conta o historiador José Murilo de Carvalho.
        Mesmo diante desses ataques, D. Pedro II se colocava contra a censura.  "Imprensa se combate com imprensa", dizia.

• O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de “O Guarani” foi sustentado por D. Pedro II até atingir grande sucesso mundial.

• D. Pedro II mandou acabar com a guarda chamada Dragões da Independência por achar desperdício de dinheiro público. Com a república a guarda voltou a existir.

• Em 1887, D. Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge.

• D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que 17 era fluente.

• A primeira tradução do clássico árabe “Mil e uma noites” foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.

• D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes.

• D. Pedro II fez um empréstimo pessoal a um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica nativa.

• A mídia ridicularizava a figura de D. Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. D. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais, mantinha a total
liberdade de expressão e nenhuma censura.

• D. Pedro II andava pelas ruas de Paris em seu exílio sempre com um saco de veludo ao bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enterrado com ele.


Fonte: Biblioteca Nacional RJ, IMS RJ, Diário de Pedro II, Acervo Museu Imperial de Petrópolis RJ, IHGB, FGV, Museu Nacional RJ, Bibliografia de José Murilo de Carvalho


Agradecimento especial ao Dr. Rui Coelho por nos ter enviado por mail este texto.

12 de julho de 2018

Touradas...



O partido dos animais e os seus peões de brega, Bloco e Verdes, querem proibir as touradas em Portugal. E chegam a invocar textos eclesiásticos, incluindo excomunhões papais, em defesa da sua tese! Embora tudo leve a crer que este súbito apego à religião seja coisa passageira. Na base da proibição está o sofrimento dos animais para além de alguns direitos que possam estar a ser violados. Por exemplo o direito a pastarem livremente na lezíria sem serem incomodados.

Não ocorreu ao partido dos animais (e plantas) que a lezíria, o pasto, a selecção natural, a bravura de um touro, e no vértice, o espectáculo taurino, tudo isso faz parte de um todo em que faltando uma das partes, deixa de existir. Deixa de existir na natureza. Ou seja, acabar com as touradas é acabar com os touros tal como existem hoje. Poderá talvez arranjar-se um jardim zoológico ou um museu para guardar a memória de uma espécie animal entretanto desaparecida. Mas não mais do que isso.

Mas há ainda um aspecto desta tentativa de proibição que não podemos deixar passar em claro. Refiro-me à própria proibição em si mesma, uma arrogância fascizante digna de nota! E começamos a resvalar para um país desconhecido onde meia dúzia de idiotas sediados nos partidos põem e dispõem das nossas vidas (ou dos nossos costumes) consoante lhes dá na gana. É preciso dizer basta a estes animais.




Fonte: Interregno