13 de junho de 2017

Santo António - Padroeiro Equi-Principal de Portugal



Sto. António nasceu em Lisboa a 15 de Agosto de 1195, e recebeu no Baptismo o nome de Fernando. De 15 anos, entrou no mosteiro de Cónegos Regrantes, em Santa Cruz de Coimbra, passando depois para a Ordem dos Frades Menores, onde não tardou a fazer-se conhecido como insigne e mui letrado nas ciências eclesiásticas, em especial na Escritura, de que foi mestre em Bolonha e Pádua. Morreu em 1231. Os seus numerosos milagres apressaram singularmente o processo da sua canonização. Foi inscrito no catálogo dos Santos por Gregório IX em 1232, e teve festa litúrgica em Pádua no primeiro aniversário da sua morte. Pio XII declarou-o Doutor da Igreja em 1944.


Fonte: Fidelissimus

12 de junho de 2017

O Príncipe de todos os portugueses

Dom Afonso_.JPG


No argumentário vasto do movimento monárquico consta a possibilidade, que só a Instituição Real confere, de criar uma identificação genuína entre os cidadãos e a Família Real, potenciada pela circunstância dos cidadãos verem os membros da sua Família Real crescerem, geração após geração.
Quando alguém nasce já tem um Príncipe com o qual se identificar e com quem pode crescer.
Olha-se para aquela Família e percebe-se que vivem as mesmas alegrias e anseios de qualquer famíla “comum”. Acabam por fazer parte de casa.

A identificação com o Rei, e com quem lhe sucederá, é absolutamnete natural e baseada num puro afecto de base familiar. A Família Real é a família de todos.
A vantagem é clara: a população ganha estima pessoal pelo seu Chefe de Estado, não tendo que recorrer a eleições para escolher o que já está escolhido desde sempre e permanentemente escrutinado pelo afecto verdadeiramente genuínio (não interesseiro, nem esporádico).

Este fim-de-semana, na Sé de Braga, tivemos a oportunidade de vivenciar esta familiaridade. O Príncipe da Beira, S. A. R o Senhor Dom Afonso de Santa Maria,  foi entronizado na Real Confraria de Santa Maria de Braga, criada na altura do seu Baptismo e com o único propósito de o servir, enquanto Príncipe que é um “servo dos servos”.  
A experiência de participar nesta cerimónia foi emocionante. Na verdade, quando a teoria passa à prática no plano das emoções, e tudo o que se relaciona com a Pátria está envolto em emoção, ficamos felizes e arrepiados. Ver o nosso jovem Príncipe, agora com 21 anos, assumir as suas responsabilidades na sua Confraria, transportou-nos para o dia em que foi Baptizado, 1 de Junho de 1996.
Recordo-me bem desse dia e da esperança que trouxe a todo o país. Eu, com 12 anos, senti a História renascer, o acordar de uma Nação maltratada por quase um século de três repúblicas. Esperança é dizer pouco. Esse dia foi e é fundamental para a minha crença num país que é capaz de sobreviver se souber aproveitar a sua Família Real.
Aquele momento na Sé de Braga, vivido neste 3 de Junho de 2017, fez-me sentir que de facto o Príncipe é de todos nós, porque do Berço à bravura dos 21 contou com o nosso olhar, estima, afecto e esperança. Continuará a contar.
Assim faz sentido dar a vida pela Pátria e por quem a representa com a legitimidade do afecto dos Portugueses.

Diogo Tomás Pereira
Membro da Comissão Executiva da Causa Real


Fonte: Causa Real

11 de junho de 2017

Pio XII, o Papa dos judeus

Durante a perseguição nazi contra os judeus, o Padre Joaquim Carreira, então reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma, tudo fez para os defender, seguindo o exemplo do Papa Pio XII.

No dia 30 de Maio passado, o Pontifício Colégio Português, em Roma, que aloja os padres lusitanos que, na cidade eterna, aprofundam a sua formação teológica, foi condecorado com a mais honrosa distinção concedida a instituições que, durante o regime nazi, protegeram judeus. Era então reitor dessa instituição, agora agraciada pela Fundação Raoul Wallenberg com o título de ‘Casa da Vida’, monsenhor Joaquim Carreira, que já foi declarado Justo entre as Nações, pelo Museu do Holocausto, em Jerusalém. O Padre Carreira não só pôs em risco a sua própria vida como também a de toda a comunidade de sacerdotes e seminaristas que então vivia no Colégio Português, para salvar outras vidas, nomeadamente a dos judeus que aí foram acolhidos.
A cerimónia, a que presidiu o cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, contou com a presença de Ruth Dureghello, presidente da Comunidade Hebraica de Roma, e do último refugiado ainda vivo, o socialista Dr. Luigi Priolo, que foi secretário-geral do senado italiano e que, sendo maçon, obviamente não é católico. Segundo o actual reitor, Priolo, que na altura era um jovem filho de um opositor do regime fascista italiano e, por isso, tinha a cabeça a prémio, tem muita estima pelo Colégio Português, porque sabe que lhe deve a vida. Há um mês e meio morreu outro dos protegidos pelo P. Joaquim Carreira, cuja filha declarou: “Nós devemos a nossa vida ao Colégio Português e às pessoas que lá viviam nessa altura. Se o meu pai não tivesse sido admitido, teria sido morto e nós não estaríamos aqui”.
Supõe-se que, durante a ocupação nazi da capital italiana, o Colégio Português albergou e defendeu, sob a bandeira nacional, uma meia centena de judeus que, graças a essa protecção, não foram deportados para campos de extermínio.
Não é de estranhar esta atitude solidária, se se tiver em conta que o Cristianismo nasceu no seio do judaísmo, não como uma sua derivação heterodoxa, mas como a sua plenitude, pela realização cabal das profecias messiânicas. Jean Marie Lustiger, cardeal arcebispo de Paris, já falecido, era judeu de origem polaca e, quando se converteu ao catolicismo, fez questão de sublinhar que não renegava as suas origens. Também a filósofa Edith Stein, que viria a ser canonizada como Santa Teresa Benedita da Cruz, nome que assumiu quando professou como religiosa carmelita descalça, também assim entendeu a sua conversão ao Cristianismo e, por isso, mesmo já sendo católica, acompanhava a sua mãe às celebrações religiosas na sinagoga. Aliás, precisamente por ser judia, emigraria para a Holanda, onde foi capturada pelo exército nazi, que a enviou para um campo de concentração, onde morreu, como tantos outros judeus e cristãos.
A perseguição contra os judeus pelo regime nazi foi ocasião para que muitos cristãos manifestassem a sua solidariedade para com esse povo fraterno. A distinção agora muito justamente outorgada ao Pontifício Colégio Português, em Roma, bem como o título de Justo entre as Nações conferido ao seu benemérito ex-reitor, monsenhor Joaquim Carreira, são uma prova desse bom relacionamento em circunstâncias particularmente dramáticas.
Mais significativa foi, contudo, a acção do Papa Pio XII que, ao contrário do que uma caluniosa campanha historicamente desprovida de qualquer fundamento quis fazer crer, nunca foi o ‘Papa de Hitler’. Muitos judeus, aliás, reconheceram-no na altura pois, como agora recordou o professor José Maria C. S. André: “de uma maneira geral, os líderes judaicos históricos, como o primeiro presidente de Israel, Chaim Weizmann, os ex-primeiros-ministros Golda Meir e Moshe Sharett, o rabino chefe de Israel, Isaac Herzog, e o secretário-geral do Congresso Hebraico Mundial, Leon Kubowitzky exprimiram o seu reconhecimento a Pio XII”.
Assim o testemunhou também Albert Einstein, em artigo publicado em plena perseguição nazi, na revista Time, em Dezembro de 1940: «Só a Igreja enfrenta verdadeiramente a campanha hitleriana de supressão da verdade. Até hoje, nunca me tinha interessado pela Igreja, mas agora sinto uma enorme estima e admiração pela Igreja, porque só ela tem a coragem de defender a verdade intelectual e a liberdade moral e de perseverar nesse combate. Aquilo que eu antes desprezava, agora admiro sem reservas». É óbvio que este seu apreço pela Igreja católica é um reconhecimento explícito da acção benemérita de Pio XII e de tantos sacerdotes, religiosos e leigos que, por obediência e fidelidade ao Papa, protegeram e salvaram inúmeros judeus, bem como outros inimigos dos regimes fascista e nazi.
Foi ainda graças ao apoio prestado pelo Papa Pio XII aos judeus que o então rabino de Roma, Eugenio Zolli, não só se converteu ao catolicismo, como quis ser baptizado com o nome próprio do pontífice que tudo fizera para salvar o seu povo da ameaça do holocausto. Se Pio XII tivesse sido, como alguns caluniosamente sugeriram, o ‘Papa de Hitler’, teria sido tão absurdo que Elio Toaff optasse pelo nome de Eugénio como se tivesse sido baptizado Adolf, ou Benito …
É pena que a memória deste pontífice continue refém de uma campanha ideológica não apenas profundamente anticristã como também anti-histórica, porque contrária à verdade dos factos: o cônsul israelita em Milão, Pinchas Lapide, disse que Pio XII “foi o instrumento de salvação de 700 mil, talvez até 860 mil hebreus que, de outra forma, teriam morrido às mãos dos nazis”.
É de esperar que, em breve, não só a própria Igreja exalte este bem-aventurado exemplo de justiça e de heróica solidariedade, mas também Israel, por elementar justiça e indeclinável dever de gratidão, reconheça o Papa Pio XII como Justo entre as Nações.
Fonte: Observador

10 de junho de 2017

Santo Anjo Custódio de Portugal



«Hoje a festa pagã de "Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas" apagou quase por completo a verdadeira festa "Santo Anjo Custódio de Portugal". Consequentemente, quem comemora aquela sem comemorar esta é PAGÃO, ou porta-se como tal. Assim me parece. Mas certamente muitos portugueses nunca se deram conta deste fenómeno.

Tal como as pessoas, as nações têm um anjo da guarda. O caso de Portugal é nisso bastante especial pois não há outro país que tenha culto público oficial ao seu Santo Anjo. Também é o único país a quem o seu Anjo Custódio apareceu como tal (em Fátima, aos três pastorinhos). E digo assim porque, evidentemente, S. Miguel Arcanjo apareceu não como Custódio de Portugal. E dou como exemplo a aparição que fez em 1750, aqui em Portugal também, à Irmã Antónia d'Astonaco (carmelita) a quem deu a devoção da Coroa Angélica, que vai ser aqui difundida (aprovação da devoção e reconhecimento da aparição feito pelos Papa Pio IX a 8 de agosto de 1851):

“O glorioso Arcanjo prometeu que quem o honrasse desta maneira antes da Sagrada Comunhão seria acompanhado à Sagrada Mesa [a “mesa” , ou “comungatório” é aquilo que hoje ainda restam em algumas igrejas que por ignorância costuma ser agora chamada de “grades” e que se situa uns depois do altar-retábulo e antes dos fiéis] por um Anjo de cada um dos nove coros. Prometeu também a quem rezasse todos os dias essas nove saudações a sua assistência e a dos Santos Anjos durante a vida, e que depois da morte os livraria do Purgatório a eles e aos seus parentes.” (Com autorização da Autoridade Eclesiástica – Lisboa)

A devoção e culto ao S. Miguel Arcanjo como Custódio do Reino de Portugal é tão antigo quanto o próprio Reino. O seu culto propagou-se para e com a recuperação dos territórios cristãos lusitanos sob patrocínio régio:

"S. Miguel Arcanjo. Foi sempre conhecido dos Portugueses por Anjo Custódio deste Reino, depois que o invicto Rei D. Afonso Henriques venceu com seu patrocínio a Albaraque nos campos de Santarem; e por isso lhe erigiu copiosas Capelas, assim na Igreja de Alcáçova da dita Vila, como nos Mosteiros de Danta Cruz de Coimbra, e Santa Maria de Alcobaça, onde seuas santas Imagens são veneradas, e milagrosas." (Agiológio Lusitano. Tomo III pag. 126)

“No ano de 1329, em que reinava D. Afonso IV, era Abade deste Mosteiro Paio da Vaia, e confessa dever de cento e dois jantares cada ano a D. Rodrigo Bispo de Tuy. Haverá cento e tantos que foi daqui Abade Diogo Anes Aranha, instituidor da Capela do Outeiro, de que falámos na Freguesia de Pacó. Deviam já ter suas anexas esta Freguesia, e as de S. João da Parada, e S. Lourenço do Cabrão, em que o Reitor apresenta Vigário, e dois dízimos, e outros fóros se fez a Comenda de Cristo, que tende trezentos mil reis. Tem esta Freguesia 120 vizinhos com um Reitor, que apresenta o Ordinário, e há nela uma Capela de S. Miguel o Anjo, Ermida antiga, que no tempo da Rainha D. Teresa se chamava S. Miguel de Veiga, e nela eram obrigados os Bispos de Tuy a cantar cada ano uma Missa por sua Alma, e pelos Reis seus sucessores. A esta Ermida vai a Camara dos Arcos no terceiro Domingo de Jullho, em que se festeja o Anjo Custódio, acompanhando o seu Mordomo, que sempre é mancebo nobre, e solteiro; dizem Missa; voltam a ensaiar os cavalos a Requeijó, onde lhes dão um refresco de doces. Chegam ao terreiro da Vila, ali correm suas parelhas, lançam canas, e fazem uma escaramuça dobrada, com perfeição grande. A Rainha D. Teresa, quando deu à Sé de Tuy este Mosteiro, deu-lhe mais a Igreja de S. Miguel de Aurega na ribeira do Lima, que devia então ser Paroquia.” (Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica do Famoso Reino de Portugal. LISBOA, ano 1706. pag. 228.)

D. Manuel com os Bispos do Reino solicitaram ao Papa Leão X a oficialização desta devoção já muito alastrada, ao que o Papa acedeu em 1504 com a instituição da Festa do Anjo Custódio do Reino de Portugal. O Rei determinou depois que em todas as igrejas esta festa fosse solenizada com grande devoção e maior solenidade: e que toda a sociedade estivesse realmente presente, desde os homens de maior responsabilidade até ao mais pequeno súbdito.


O culto tributado a S. Miguel Custódio de Portugal desde sempre teve um impacto forte nos lusitanos. Veja-se nas origens do Reino o significativo encontro desta devoção com aquele motivo de baptismo "Terras de Santa Maria":

“Com a muita concorrência de Romeiros, e devotos que vinham visitar a sagrada Imagem da Virgem Santa Maria, edificaram-se junto do seu Mosteiro algumas casas, que assim como podiam ser para acolhimento e agasalho dos que vinham a visitar esta Senhora, também podiam ser para morada de alguns seus devotos; e com elas foram fundadas contiguas umas com outras, lhe puseram o nome de Burgo, e a seus moradores o de Burgueses.Este foi o primeiro fundamento da nova Vila de Guimarães, e este o seu princípio, que foi muitos anos depois da Vila Velha, como tenho mostrado pelos Autores citados, e o reforça, e verifica esta verdade; que antes da Vila Velha experimentar suas ultimas ruinas, tinha jurisdição dividida da Nossa, e ambas eram governadas por diferentes Ministros; tanto assim, que ainda hoje numa Procissão, que costuma fazer todos os anos a Camara ao Anjo Custódio na terceira Dominga de Junho, que sai da igreja colegiada com o seu Cabido, e mais Clérigos da serventia dela, vão os Vereadores com suas varas em corpo de Camara acompanhados de seu Procurado, Misteres, e Escrivão, e os Ministros da Justiça, Corregedor, Provedor, e Juiz de fora, e entram na Vila Velha, e na sua Igreja de São Miguel reza o Cabido certas orações; e quando está Procissão sai da Colegiada, leva o Juiz de fora um pendão de cor vermelha, e nele um painel do Santo Anjo, e chegando ao distrito da Vila Velha, o entrega ao Vereador mais velho, em razão deste não poder entrar com vara alçada onde não tinha jurisdição; e de presente se está observando este estilo. “ (Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica do Famoso Reino de Portugal. LISBOA, ano 1706. pag. 7)

Apenas para reforçar esta última parte, na qual podemos ver que ser português implica ser cristão, olhemos agora um exemplo numa capela de S. Miguel Arcanjo Custódio de Portugal. Observe-se também como se nota toda uma estrutura bem articulada e de muitas matizes da sociedade católica:

“O Mestre da Capela serve a Capela do Anjo Custódio [no Hospital de Todos os Santos, em Lisboa], tem de obrigação Missa quotidiana por El-Rei D. Manuel, tem de ordenado sessenta e dois mil réis, a saber de Capelão quarenta, e dois para sobrepliz, dezasseis de mestre, quatro mil réis, e um moio de trigo para um tiple, e não o tendo não o haverá, tem mais um algueire de grão para a quaresma, um quarto de carneiro por dia de todos os Santos, outro pela Pascoa, e pelo Natal entra com os outros Capelões na repartição de um porco, tem mais cada sábado noventa réis para a barba.” (Livro das Grandezas de Lisboa; ano 1620. Lisboa. pag. 127)

A data da festividade nem sempre foi a mesma. É posterior a data fixa de 10 de Junho, sendo que antes calhava no terceiro Domingo de Julho ou Junho (o terceiro Domingo de Junho prevaleceu). Com o liberalismo, o séc. XIX viu cair esta fervorosa e esplendorosa festividade que sofreu ainda mais com o assalto dos republicanos ao Reino. Assim nos temos mantido com um 10 de Junho do "não sei quê", onde se enfiam por todo o lado as tolices da democracia e da república... bandeirinhas de papel pintado de verde e vermelho, criancinhas levadas a ver a parada dos militares da saudade dos tempos à séria.


Termino lembrando que, em Lisboa, o Corpus Christi tinha a procissão de tal grandeza como a Europa nunca vira, e que a do Santo Anjo Custódio de Portugal, por benefício Papal, equiparou-se-lhe.


Santo Anjo Custódio de Portugal, defendei-nos da Res Pública, defendei os portugueses republicanizados a acordarem do sono em que dormem. Libertai Portugal.»


Publicado por: Fidelissimus

9 de junho de 2017

Pastéis e selfies de Belém

pt-belem-1.jpg


Quando é que o sempre excitado afectuoso vai distribuir afectados afectos à pobre e desvairada gente que silenciosa e discretamente todos os dias e aos magotes chega ao aeroporto do Funchal? Já que está nos Açores, aproveite para fazer uma voltinha e aterre na Madeira, pois dentro de momentos terá mesmo de fazê-lo remediadamente aqui bem perto, na Portela.

Não, não vale a pena dizer que são apenas "turistas como quaisquer outros", ansiosos visitantes do busto que nem de longe faz lembrar o Cristiano Ronaldo.
Alguns deles são refugiados, perdão, retornados e talvez pela segunda vez nas suas vidas, irra!


Nuno Castelo-Branco


8 de junho de 2017

Investidura de Afonso de Bragança na Real Confraria de Santa Maria de Braga




















Finda a cerimónia religiosa na Sé de Braga, uma Tuna estudantil feminina (Tuna Feminina do ISCAPcanta para a Família Real Portuguesa.

Fotografias: Bruno de Castro | António Martins Mendes | Causa Real | TV Monarquia Portuguesa | João Távora | Tuna ISCAP | JMP e realbeiralitoral.blogspot.pt

7 de junho de 2017

Afinal, a Madeira já é outro país

retornados_1280x640_acf_cropped.jpg


É o que parece ser, a considerar os escritos ou ditos da autoria dos responsáveis políticos, uma espécie de herdeiros do governador Pôncio Pilatos. A tina de águas turvas onde insistem em lavar as mãos, é comprovada quase diariamente pelos silêncios embaraçados ou por recomendações indirectas, aquelas que após tecerem os considerandos que já ouvimos noutros tempos ..."os portugueses e luso-descendentes aqui nasceram, foram educados, têm as suas famílias, casas e empregos", logo indicam aquilo que para o esquema aqui vigente é mais aconselhável: ..."façam-se à vidinha e procurem outras paragens se não quiserem ficar na Venezuela".
Foi exactamente o que a catrefa de agentes civis ou militares disse em Luanda, Lourenço Marques, Bissau e outras localidades, quando perante eles se ergueu a evidente ameaça da deportação de centenas de milhar de nacionais. Nunca é demais voltarmos à carga, pois ponto por ponto, trata-se de uma repetição de factos. Aconteceu o que sabe por única responsabilidade e total culpa das autoridades então mandantes em Lisboa. Agora até se dão ao luxo de indicarem os receptores da desgraça de inegáveis nacionais portugueses, atrevendo-se mesmo a aconselhar como destino o Brasil - que se encontra numa excelente situação interna e externa -, a França, Espanha e até a América de perna-aberta do Sr. Trump que exautoram cada vez que tenham ou não uma oportunidade para tal.  Como se sobre estes países exercessem qualquer tipo de soberania, mesmo que moral.

Desde que não venhas para cá, podes fazer o que te apetecer!, eis a mensagem subliminar. Se assim não é, tal é a impressão que eles, os luso-venezuelanos, têm acerca dos nossos dirigentes que ali desembarcam para conversações.

Já vimos, ou pior ainda, já sofremos isto "naquele tempo que eles prefeririam jamais ter acontecido". Os mesmos argumentos, o mesmo laissez-faire, a mesma descarada inépcia ditada não se sabe bem porquê que suspeitamos ser a cíclica reserva mental que corrói aquelas pobres cabeças cheias de vento. Pior ainda, são exactamente os mesmos partenaires, ansiosos por não terem de se dar ao trabalho de accionarem gabinetes que já existem para outras finalidades, como o CPR e tudo o que à volta disto tem girado: gabinetes de estudos, boas vontades, entusiasmos de hora de telejornais, ditos espirituosos em S. Bento e sobretudo, os fundos comunitários que destinam a outros alvos. Sim, "aqueles" em que estão a pensar.

Se não é assim, assim parece, apesar da nossa compreensão pela desejável moderação no deixar passar da informação. A prudência é inimiga do medo.
Portugal não deve ver os luso-venezuelanos como um potencial perigo, mas sim como a reedição da oportunidade que outrora teve, quando à Metrópole arribaram centenas de milhar de pessoas em muitíssimo pior situação, se é que isto é possível, do que aqueles que para cá não só querem, como terão mesmo de vir. Já não se trata de um imaginado se, mas daquele indesejado  quando. Julgá-los como alvo fácil da desbragada reacção política, é um erro, mais um a juntar a todas as outras superstições.

O governo regional da Madeira, honra e glória lhe seja votada, tem feito tudo o que é possível para arrecadar com a parte de leão desta catástrofe nacional. Catástrofe, dada a inércia evidente das autoridades centrais, apertadas entre os seus negócios e o compromisso oficial para com o governo de Caracas que, há que dizê-lo uma vez mais e sem rebuçados para a garganta, tem sido um bom amigo das autoridades de Lisboa, sejam elas as dos executivos da esquerda, como as dos executivos da direita.

Já não se trata de negócios de loja & conveniência, mas sim de vidas a prazo, as que por mais irritante que isso possa ser para o politicamente correcto que por cá faz cátedra, pertencem à nossa família nacional, mesmo aquelas que apenas falem a língua da pátria-mãe num arrevesado de portunhol.

Devem ser estes refugiados prontamente auxiliados e sobretudo, terem a sensação de serem bem-vindos. Ora, uma vez mais repetindo a história - para alguns deles quiçá pela segunda vez -, tal não está a acontecer.


Repitamos então o acima dito, isto não está a acontecer. Digamos desassombradamente do que se trata, a palavra chave que é o repetitivo tabu deste regime, são refugiados e ainda por cima, nacionais.

Refugiados!

Se pensam que a substituição do actual regime General Tapioca poder  rapidamente dar o lugar a um novo-antigo regime General Alcazar, precisamente aquele que provocou a ascensão irreversível do chavismo, preparem-se então, pois qualquer coisa em que surja como cabeça um qualquer Sr. Capriles, demorará décadas até a Venezuela remotamente poder comparar-se ao que era em 1975, quando ainda por ali imperava o sr. Carlos Andrés Pérez. Décadas, na melhor das hipóteses.

Têm sido as nossas autoridades uma indigesta entremeada de timidez, medo, desleixo e barco de cavername carcomido e convés sem bússola. Isto, para não dizermos algo infinitamente pior. É o que tem transparecido semana após semana.

Convém insistirmos nesta tecla até que algo seja bastante visível e evidente. Em momento de tecnologias da informação e imagens a cores, já não há como esconder os factos.

Como se disse um dia a respeito de outro assunto, agora trata-se de ..."para Portugal e em força!"


Nuno Castelo-Branco