5 de abril de 2018

Sabia que os portugueses foram os primeiros europeus no Tibete?

Foto de Nova Portugalidade.


Nascido na região de Castelo Branco por volta de 1580, ano em que Portugal parecia morrer, António de Andrade ingressou cedo na Companhia de Jesus. Com 20 anos, abandonou Coimbra, onde iniciara os estudos, e tomou o caminho da Índia. Chegado a Goa, completou no Colégio de São Paulo a sua formação. Aí foi ordenado sacerdote e logo tornado peão do largo esforço de missionação que Portugal desenvolvia no Oriente. Até 1624, António manteve-se em Agra, cidade que albergava a corte mogol e uma importante missão jesuítica.

Interessando-se pelos rumores relativos à existência de monarquias cristãs para lá dos Himalaias, António de Andrade abandonou Agra em 1624. Fê-lo acompanhando um outro jesuíta português, Padre Manuel Marques, com quem venceu os "desertos de neve" que separam a Índia do Tibete e penetrou, exausto mas invicto, aquele país. No Tibete, o jesuíta não encontrou cristãos, mas foi honrado com uma faustosa recepção pelas autoridades. Factor de confusão foram os ídolos adorados pelos autóctones, que António pensou serem iconografia cristã.

Desfeito o equívoco, os jesuítas esbeleceram-se em Tsaparang, capital do poderoso reino tibetano de Guge, e lá fizeram erguer uma pequena, conquanto bem provida e muito solicitada, missão cristã. O empreendimento parecia promissor, mas acabaria destruído pouco depois. António de Andrade abandonou-o em 1628, quando regressou a Agra em busca de novos apoios aos esforços de evangelização que animava no Tibete. Dois anos mais tarde, Tsaparang acabaria cercada, tomada e destruída pelo rei de Ladakh, Senge Namgyal. António de Andrade, que de Agra se dirigiu a Goa, não mais voltaria a ver os companheiros. Destino ainda mais infeliz foi o que sofreu Manuel Marques, enviado pelas autoridades da Companhia de volta ao Tibete para lá reconstruir a missão. Em 1640, já perto do seu destino, o padre seria raptado por bandoleiros. Ainda lhe foi permitido que escrevesse aos irmãos jesuítas um sentido pedido de ajuda cujos resultados, contudo, se revelariam insatisfatórios. Manuel Marques não mais voltaria a ser visto.

Rafael Pinto Borges

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