7 de novembro de 2011

Por que sou Monárquico em 2011?

Não sou Monárquico por uma questão familiar. Nem sequer por tradição familiar.

Formei-me Monárquico, primeiro gostando desde a primeira vez que peguei num simples manual de História de Portugal, da nossa História e fiquei chocado, para não dizer horrorizado, pelo facto da Monarquia Portuguesa ter acabado de uma forma tão brutal como acabou e já com aquela idade, 12 anos, pela primeira vez me apercebi do lado negro, da falta de brilho, da falta de glória que todo o período republicano foi testemunha.

De facto, tinha acabado o Reino de Portugal e começado a República Portuguesa. Que estranho nome este de “República Portuguesa”, como se um País fosse um mero objecto decorativo e o que de ora em diante importava era a construção de uma espécie de nova Ordem.

Fui evoluindo, é claro, com o aprofundamento do estudo, não só da Monarquia Portuguesa mas também das Monarquias Europeias. Começou-me a fascinar a História das Dinastias que governaram na Europa durante séculos e o Património que deixaram aos seus Povos. Património que é, hoje, cultivado pelos Povos que considero civilizados e desprezado pelos Povos que querem intransigentemente apagar a sua Memória, mudando nomes de ruas, obras públicas, etc.

Entretanto, em 1995, casaria em Lisboa, Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança com Sua Alteza Real a Senhora Dona Isabel de Herédia e Bragança, Duquesa de Bragança Consorte, e claro, tive todo o entusiasmo próprio já de quem já sabia muito bem o que daí para a frente iria defender. Uma Monarquia para Portugal. Questionava-me: se a Espanha aqui bem ao lado tem uma Monarquia Democrática, porquê que Portugal também não pode ter?

Depois descobri que nós Portugueses, estamos proibidos desde a aprovação da Constituição de 1976 e depois com as suas sucessivas Revisões Constitucionais, de poder escolher livremente em que regime podemos viver, porque existe um artigo dessa mesma Constituição que nos vede tal possibilidade: nos Limites Materiais de Revisão Constitucional, Artigo 288.ºb). E perguntava-me: Porquê que não podemos ter um Rei? E fui desenvolvendo esta pergunta. Porquê que os Cidadãos que pagam os seus impostos e que todos deveriam ser tratados com igualdade, não podem se a República entrar em crise mudar para uma Monarquia? Seremos obrigados a viver sempre em República? Se não for a actual será a IV República? Para mim não fazia o menor sentido, nem presentemente continua a fazer. E esta situação, de facto, somando-ao Regicídio e tendo por base a fantástica Monarquia que tivemos, claro que com os seus altos e baixos, o que é normal, mas que dava enorme brilho a Portugal, revoltei-me, tornei-me num Contra-revolucionário. Tornei-me num Monárquico intransigente e lutador pela Restauração de Portugal, pela Monarquia.

Mas ainda faltava a base política. Conheci ao longo destes anos pessoas muito interessantes dos mais variados quadrantes da Sociedade e das várias origens Monárquicas, uns mais liberais do que outros, mas todos Leais ao Senhor Dom Duarte de Bragança e aprendi imenso com eles. Formei-me na Doutrina Monárquica Contemporânea. Prezando o direito à reversibilidade do regime em qualquer circunstância, a liberdade de opinião e o sufrágio universal, com uma Chefia de Estado Hereditária e ao mesmo tempo sujeita à confirmação das Cortes e seguindo as normas da futura Constituição da Monarquia.

Hoje, considero que evoluí de uma forma bastante positiva. Com uma Licenciatura em História e no último ano de Mestrado em Ciência Política, consegui adquirir os conhecimentos que me faltavam para consolidar melhor as minhas ideias sobre o que realmente desejo para Portugal. E hoje, olhando para o estado actual do meu querido País, estou ainda mais entusiasmado com a ideia de poder assistir à mudança que Portugal tanto necessita e que tarda. Mas também tenho a plena consciência de que só poderá acontecer com a plena vontade do Povo Português que terá que primeiro saber o que é que estamos a tratar e a defender para o nosso futuro colectivo.

Trata-se de uma Monarquia Democrática Parlamentar. Trata-se de restaurar a confiança pública nos nossos políticos e governantes e trata-se acima de renovar o nosso País, dando esperança para as próximas gerações de Portugueses.

O nosso País está muito mal tratado. O Povo Português foi traído pelas amarguras da História dos últimos 101 anos de três regimes republicanos. Arrisco-me a dizer, 3 ditaduras, uma pior que a outra. Se a I República instaurou o medo e a coação, a II República calou o Povo, e a III República, tornou-se traidora à Pátria, a partir do momento que começou a condenar a produção nacional ao belo prazer das fortes economias estrangeiras, não criando um equilíbrio na balança comercial.

A Monarquia reina.

A Respública é governada pelos eleitos.

Não existe, na Monarquia Democrática o culto do “chefe” como existiu nos regimes autoritários de direita e de esquerda que existiram no século XX. Na Monarquia Democrática o que existe, de facto, é o amor-próprio de se ser Cidadão de um determinado País, ter orgulho na sua História e Património e procurar preservá-lo.

Todos os Povos são responsáveis pelo seu futuro. Se nós não podemos escolher o regime que pretendemos, temos que dizer à República que ela não tem nenhuma legitimidade democrática para estar onde está e que tem que ir a votos, em referendo. E se o Povo aceitar a República em Referendo, eu próprio aceitarei a vontade da maioria, assim como espero que o sentimento seja igual, se vencer a Monarquia, como espero do fundo do meu coração.

Diariamente procuro ajudar no melhor possível, com o Projecto Democracia Real, a Causa Real a difundir a Mensagem Monárquica aos Portugueses. Criei um Projecto Democracia Real que já existe, com os seus altos e baixos, é um facto, há 7 anos. Hoje, mais do que nunca, acredito neste projecto e acredito que poderá ser um instrumento decisivo para o futuro da Causa em Portugal.

Assim Deus me ajude.

Viva o Rei!

Viva Portugal!

David Garcia

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