10 de setembro de 2011

Só se ama o que se conhece


Ontem tive o prazer, a sorte e a honra de co-entrevistar Gonçalo Ribeiro Telles, a pretexto da reorganização dos municípios, tema da actual agenda política. A idade do arquitecto pouco menos (catorze anos) é do que a soma das idades dos dois que o ouviam, preocupadíssimo com a situação do país enquanto território, a desqualificação dos políticos e autarcas e até com a falácia da universidade. Para ele, nada do que se projecta fazer vai ao fundo do assunto, coloca o dedo na ferida, que a cada ano piora. Continua atento aos flagelos país afora. Trouxe escritos antigos, com as suas ideias claras sobre um ordenamento baseado nas regiões naturais e no saber acumulado que a História demonstra. Não conheço em Portugal ninguém como ele, que contra o vento fala com acerto e saber técnico do que precisa ser feito para reverter um caminho de clara destruição da nossa terra, que tendo impacto suicidário é sobretudo ignorante e ambicioso de lucros imediatos. Uma ideia fica: só se ama o que se conhece. E sem ouvir os sábios, estudar as ciências, ter visão comparativa, ninguém pode decidir seja o que for em que domínio for. E como não conhecem/estudam a sua terra, os políticos não podem amá-la, o que significa protegê-la. Constroem-se estradas que vão dar a sítio nenhum, como a certa altura disse o João. — Ouvindo Ribeiro Telles, dei-me conta que a sua tão intensa relação de pertença só podia advir de ser ele monárquico: causa ou consequência disso, pouco importa!

Vasco M. Rosa

Fonte: Corta-Fitas

1 comentário:

Carlos Gomes disse...

"Constroem-se estradas que vão dar a sítio nenhum..." - pelo contrário, as estradas que estão a ser construídas, tal como as linhas férreas, vão direitinhas às principais cidades espanholas, colocando Portugal e as suas cidades na periferia daquelas. O Plano Rodoviário Nacional, à semelhança do plano ferroviário, visam "integrar" Portugal em Espanha, tornando Lisboa um arrabalde de Madride e o Porto em relação a Vigo. Mais ainda, visam abrir os portos de Lisboa, Setúbal e Sines a Espanha. Trata-se do processo iberista a concretizar-se a prazo não imediato, tal como actualmente se faz sempre que se pretende resolver um litígio internacional...