terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O centralismo

"Centralização significa a absorção de toda a actividade dos corpos intermediários e mesmo dos indivíduos pelo Estado. Esta absorção cresce desde a famosa francesada de 1789 até hoje, de modo que é possível dizer que hoje todos os Estados são tiranias.
O maior ladrão de qualquer Estado é o Governo. O publicista Bertrand de Jouvenel, no seu denso tratado "O Poder", compreende que essa absorção é inevitável no Estado, que o crescer é essencial ao Estado. Deveria ter acrescentado a condicionante: a menos que outro não o impeça.
Com efeito, a função natural dos poderes parciais e relativos - Família, Município, Grémio, Dinheiro, Universidade, Exército - é limitar o poder, em si açambarcador, do Poder Central.
Hoje em dia o Estado faz de tudo excepto muitas vezes o que deveria fazer. De sapateiro a construtor de casas, o Estado mete-se em tudo."
Leonardo Castellani no prólogo do livro "Nociones de comunismo para católicos", de Enrique Elizalde


domingo, 22 de fevereiro de 2026

Roteiros Reais - Visita ao Museu da Cidade de Lisboa, no Palácio Pimenta

A Real Associação de Lisboa retoma os seus Roteiros Reais no próximo dia 28 de Fevereiro (Sábado) pelas 10:30hs para uma visita ao Museu da Cidade de Lisboa, no Palácio Pimenta.

Esta será uma oportunidade de visitar o Palácio Pimenta, um solar do séc. XVIII situado no Campo Grande, e conhecer a evolução da cidade desde a pré-história até ao séc. XX. Os pontos principais da exposição incluem uma maqueta de Lisboa anterior ao terramoto de 1755, os jardins com cerâmicas de Bordallo Pinheiro e uma rica colecção de azulejos, pintura e arqueologia.

Esta visita tem lugares limitados e terá um custo de 10,00€ por pessoa. Para mais esclarecimentos e inscrições, contacte-nos através do endereço secretariado@reallisboa.pt, pelo telefone 213 428 115 ou presencialmente na nossa sede de 2ª a 6ª feira no NOVO HORÁRIO entre as 14:00hs e as 17:00hs.

Contamos consigo!

Fonte: Real Associação de Lisboa

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Das sagradas Quinas

Em algumas memórias antigas e particularmente no livro das Armas composto por António Soares de Albergaria, se acha que as Armas antigas do Reino de Portugal eram uma Cidade branca em campo azul, sobre ondas verdes e douradas, em memória do Porto de Gale que lhe deu princípio, junto da foz do Rio Douro. Cessaram estas Armas tanto quando o Conde D. Henrique entrou no Senhorio de Portugal, porque este Príncipe usou algum tempo de um escudo branco somente, sem figura nem divisa alguma. Depois assentou no escudo uma Cruz azul, daquele feitio a que na frase de Armaria chamam Potetea. Destas mesmas Armas usou seu filho el-Rei D. Afonso Henriques, até que Cristo Senhor nosso, querendo fundar no Reino de Portugal uma Monarquia singularmente Sua, no ano de mil cento e trinta e nove do Seu Nascimento, estando o dito Príncipe recolhido na sua tenda, na noite antecedente à batalha em que venceu cinco Reis Mouros e lhes tomou cinco bandeiras e cinco escudos, lhe apareceu cercado de resplendores, e depois de lhe prometer grandes vitórias contra os infiéis, lhe deu com o título de Rei suas cinco Chagas por Armas, e os trinta dinheiros porque foi vendido aos Judeus. Seguiu-se ao outro dia a vitória e foi aclamado Rei de Portugal o Príncipe D. Afonso Henriques, não só pelo exército, mas pelos povos nas Cortes que logo celebrou em Lamego; e fazendo solene juramento em Coimbra deste sucesso a vinte e nove de Outubro, ano de mil cento cinquenta e dois, mandou a seus descendentes que trouxessem por Armas cinco escudos postos em Cruz, e em cada um deles os trinta dinheiros; Timbre a Serpente de Moisés, por ser figura de Cristo. Por diferentes modos organizaram este escudo das Armas os Reis antigos de Portugal, até que ultimamente el-Rei D. João II o formou pela ordem com que hoje o vemos, e em campo de prata cinco escudos azuis postos em Cruz; e em cada escudo cinco dinheiros de prata em aspa. Representam os cinco escudos as cinco Chagas, e estes contados segunda vez com os vinte e cinco dinheiros, fazem trinta, porque foi vendido Cristo aos Judeus. El-Rei D. Afonso III lhe acrescentou por orla sete castelos de prata em campo de sangue, que são as Armas do Reino do Algarve.

Pe. D. Rafael Bluteau in «Vocabulário Português e Latino», Tomo VII, 1720


Fonte: Veritatis

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Santa Jacinta Marto

Há 106 anos, no dia 20 de Fevereiro de 1920, foi para o Céu Jacinta Marto, a mais nova dos Pastorinhos de Fátima:

“Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo. Quando Lho digo muitas vezes, parece que tenho um lume no peito, mas não me queimo.

Se eu pudesse meter no coração de toda a gente o lume que tenho cá dentro no peito a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria.”

Santa Jacinta Marto (Memórias da Irmã Lúcia)


Quaresma

O Dilúvio durou 40 dias e 40 noites...
foi a preparação para uma nova humanidade.

Durante 40 anos esteve Israel no deserto...
a caminho da Terra Prometida.

Durante 40 dias fizeram penitência os Ninivitas...
antes de receberem o perdão de Deus.

Durante 40 dias e 40 noites caminhou Elias...
até chegar à Montanha de Deus.

Durante 40 dias e 40 noites Moisés e Jesus jejuaram...
no início da Missão.

Assim os 40 dia da Quaresma,
são também um tempo especial
de conversão e renovação,
de preparação para a Páscoa.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

SAR O Duque de Bragança foi recebido na Quinta da Vigia pelo Presidente do Governo Regional, Dr. Miguel Albuquerque

S.A.R. o Duque de Bragança foi recebido na Quinta da Vigia pelo Presidente do Governo Regional, Dr. Miguel Albuquerque.

O Senhor D. Duarte encontra-se na Região Autónoma da Madeira por ocasião das cerimónias de distinção de jovens madeirenses com o The Duke of Edinburgh’s International Award Portugal.

Fonte: Casa Real Portuguesa

SAR O Duque de Bragança foi recebido em audiência pela Presidente Assembleia Legislativa da Madeira, Dra. Rubina Leal

S.A.R. O Duque de Bragança foi recebido ontem em audiência pela Presidente Assembleia Legislativa da Madeira, Dra. Rubina Leal.

Durante o encontro foi sublinhada a relevância do programa do The Duke of Edinburgh’s International Award, que há mais de seis décadas desafia e capacita jovens em todo o mundo.

Na Região Autónoma da Madeira, o Prémio mantém-se ativo e em crescimento desde 2010, um exemplo concreto de aposta na formação integral e no potencial das novas gerações.

O The Duke of Edinburgh’s Award (ou Prémio Internacional do Duque de Edimburgo em Portugal) é um programa mundial de desenvolvimento pessoal e juvenil, fundado em 1956 pelo Príncipe Philip do Reino Unido, que desafia jovens de 14 a 24 anos a completarem atividades voluntárias, físicas, de competências e de aventura para ganharem autoconfiança, resiliência e competências para a vida.  Em Portugal, o Duque de Bragança é o seu presidente.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

São Teotónio, o primeiro santo português


18 de Fevereiro é dia de São Teotónio, o santo que ajudou a fundar Portugal. São Teotónio nasceu em Valença, em 1082, tendo sido criado pelo seu tio-avô e Bispo de Coimbra, D. Crescónio. Formado em Teologia e Filosofia em Coimbra e Viseu, tornar-se-ia Prior da Sé desta cidade em 1112.

Peregrinou por duas vezes à Terra Santa. Quando regressou da primeira, foi-lhe oferecido o Bispado de Viseu, que recusou. Ao voltar da segunda, em 1131, fundou com outros dez homens de grande virtude o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, tornando-se o seu primeiro prior, revelando-se um membro eminente e muito admirado, nomeadamente por São Bernardo de Claraval.

Em 1153 o Papa Adriano IV quis fazer de São Teotónio Bispo de Coimbra, seguindo o legado do seu tio-avô, mas o santo recusou.

São Teotónio assumir-se-ia desde cedo como um fervoroso apoiante da independência portuguesa, inclusive como conselheiro de D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal. Tido como homem muito respeitado e de grande valor, terá sido ele a convencer o Rei a libertar milhares de moçárabes que tinham sido feitos cativos na sequência da guerra de Reconquista realizada pelas tropas portuguesas.

São Teotónio foi um importante participante no processo político-religioso que culminaria com o reconhecimento da independência de Portugal pelo Papa Alexandre III em 1179, com a bula “Manifestis Probatum”.

Falecido a 18 de Fevereiro de 1162, não chegaria a assistir a tal momento marcante da História portuguesa, tendo sido sepultado numa capela do Mosteiro de Santa Cruz, junto do túmulo de D. Afonso Henriques.

Em 1163, um ano após a sua morte, o Papa Alexandre III canonizou-o, fazendo de São Teotónio o primeiro santo português. O seu culto foi espalhado pelos agostinianos um pouco por todo o mundo, sendo até aos dias de hoje o santo padroeiro da cidade de Viseu e da respectiva diocese. É ainda padroeiro da sua terra natal, Valença.

No concelho de Odemira, uma extensa freguesia foi também baptizada com o nome do santo, que é também seu padroeiro. A Igreja Católica celebra-o no dia da sua morte, 18 de Fevereiro.

Miguel Louro in 'Nova Portugalidade'


Quarta-feira de Cinzas: o dia em que tudo muda

O mundo estava ontem ocupado com os seus prazeres, enquanto os verdadeiros filhos de Deus tomavam uma alegre despedida dos regozijos: mas nesta manhã tudo muda. O solene anúncio feito pelo profeta foi proclamado em Sião: o solene jejum da Quaresma, um tempo de expiação, a aproximação do grande aniversário de Nosso Redentor. Animemo-nos, pois, e nos preparemos para o combate espiritual.

Mas neste combate do espírito contra a carne precisamos de uma boa couraça. A Santa Igreja sabe o quanto precisamos disto; e por isso ela nos convoca a entrar ao templo de Nosso Senhor, para que ela possa nos armar para este santo embate. O que esta couraça é, sabemo-lo de São Paulo, que a descreve: “Estai, pois, firmes, tendo cingido os vossos rins com a verdade, vestindo a couraça da justiça, tendo os pés calçados de zelo para ir anunciar o Evangelho da paz; sobretudo tomai o escudo da Fé, para que possais apagar todos os dardos inflamados do (espirito) maligno; tomai também o elmo da salvação e a espada do espírito, que é a palavra de Deus”. 

O próprio príncipe dos apóstolos também nos endereça estas palavras solenes: “Tendo, pois, Cristo sofrido (por nós) na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento: aquele que sofreu na carne, deixou de pecar”. Entramos hoje numa longa campanha de guerra sobre a qual os apóstolos nos falaram: quarenta dias de batalha, quarenta dias de penitência. Não haveremos de retornar cobardemente, uma vez que as nossas almas sejam impressionadas com a convicção de que a batalha e a penitência haverão de passar. Demos ouvidos à eloquência do rito solene que abre a nossa Quaresma. Deixemo-nos ir para onde nossa Santa Madre Igreja nos guia.

Os inimigos com os quais devemos lutar são de duas espécies: interno e externo. O primeiro são as nossas paixões; o segundo são os demónios. Ambos foram trazidos a nós pelo orgulho, e o orgulho do homem teve início no momento em que se recusou a obedecer a Deus. Deus perdoou os pecados do homem mas puniu-o por eles. A punição era a morte e esta foi a forma da sentença divina: “porque tu és pó e ao pó hás-de tornar”. Que nós nos lembremos disto! A lembrança do que nós somos e do que nos haveremos de tornar teria controlado esta altiva rebelião que tantas vezes nos fez romper com a lei de Deus. 

E se, pelo tempo que ainda nos resta perseverarmos na fidelidade a Nosso Senhor, devemos humilhar-nos, aceitar a sentença e olhar para a vida presente como um caminho para o túmulo. O caminho pode ser longo ou curto; mas haverá de nos levar ao túmulo. Lembrando-nos disto, haveremos de ver todas as coisas na sua verdadeira luz. Haveremos, pois, de amar Deus, que Se dignou de colocar o Seu Coração sobre nós, apesar de sermos criaturas de morte: iremos odiar, com profunda contrição, a insolência e a ingratidão, por meio das quais passamos grande parte de nossos dias, isto é, pecando contra o nosso Pai Eterno: e nós não apenas desejaremos, mas estaremos ansiosos a passar esses dias de penitência, que Nosso Senhor tão misericordiosamente nos dá para repararmos a Sua justiça ultrajada.

Este foi o motivo pelo qual a Igreja teve em enriquecer a sua liturgia com este rito solene, no qual tomamos assistência nesta Quarta. Quando, há mais de mil anos, a Igreja decretou a antecipação do início da Quaresma para os últimos quatro dias da semana da Quinquagésima, instituiu esta cerimônia impressionante onde marca a fronte dos seus filhos com cinzas, enquanto lhes estas terríveis palavras, com as quais Deus nos sentenciou à morte: “Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó hás-de voltar”.

Mas o uso de cinzas como um símbolo de humilhação e penitência é de um tempo muito anterior à instituição a qual aludimos. Encontramos referências frequentes disto no Antigo Testamento. Job, apesar de gentio, aspergiu a sua carne com cinzas, que, pois, humilhado, poderia propiciar a misericórdia divina: e isto ocorreu dois mil anos antes da vinda de Nosso Senhor. O profeta real (Sofonias), falando de si mesmo, relata que misturou cinzas com o seu pão, por conta da ira e indignação divina. Muitos exemplos similares se podem encontrar nas Sagradas Escrituras; mas é tão óbvia a analogia entre o pecador que assim demonstra sua contrição e o objeto através do qual ele o demonstra, que lemos tais casos sem surpresa. 

Quando um homem decaído se humilha diante da justiça divina, que sentenciou o seu corpo a retornar ao pó, como poderia ele mais apropriadamente expressar a sua contrita aceitação da sentença do que aspergindo a si próprio ou à sua comida com cinzas de madeira consumida pelo fogo? Este fervoroso reconhecimento de si próprio como pós e cinzas é um acto de humildade e a humildade dá confiança em Deus, que resiste aos orgulhosos e perdoa os humildes.

É provável que, quando a Igreja instituiu a cerimônia da Quarta-feira na semana da Quinquagésima, não a tenha intencionado para todos os fiéis, mas apenas para aqueles que cometeram alguns daqueles crimes que a Igreja infligia penitência pública. Antes da Missa do dia iniciar, eles apresentavam-se na Igreja onde todos os fiéis se encontravam. O sacerdote recebia a confissão dos seus pecados e vestia-os com vestes de saco e colocava a cinza nas suas cabeças. Após esta cerimónia, o clero e os fiéis prostravam-se e recitavam em voz alta os sete Salmos Penitenciais. 

Seguia, então, uma procissão na qual os penitentes tomavam parte descalços; e, por sua vez, o Bispo endereçava estas palavras aos penitentes: “Olhai! Nós vos banimos das portas da Igreja em razão dos vossos crimes e pecados, assim como Adão, o primeiro homem, foi banido do Paraíso em razão das suas transgressões”. O clero cantava, então, diversos responsórios tirados do livro do Génesis, nas partes em que se menciona a sentença pronunciada por Deus, quando condenou o homem a comer o pão do suor de seu trabalho, pois a Terra estava condenada por causa do pecado. As portas eram, então, fechadas e os penitentes não tinham permissão de ultrapassar os limites até a Quinta-Feira Santa, quando podiam se aproximar e receber a absolvição.

Datando do século XI, a disciplina de penitências públicas caiu em desuso e o sagrado rito de impor as cinzas na cabeça de todos os fiéis se tornou tão comum que, por extensão, foi considerado como uma parte essencial da liturgia Romana. Antigamente era prática aproximar-se descalço para receber este solene ‘memento’ da nossa insignificância. No século XII, até mesmo o Papa, ao passar da Igreja de Santa Anastácia para a Igreja de Santa Sabina, onde se fazia a cerimónia, percorria toda a distância descalço, assim como faziam os cardeais que o acompanhavam. A Igreja já mais exige essa penitência exterior; mas está tão ansiosa como nunca para que esta santa cerimónia, a qual estamos para tomar assistência, produza em nós os sentimentos de penitência e arrependimento.

Dom Prosper Guéranger


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Lançamento do Livro "No terramoto de 1975" de Tomás A. Moreira


A todos os Associados da Real Associação do Porto, nossos Simpatizantes e Amigos, comunicamos o lançamento e apresentação, a 26Fev, deste Livro do nosso Associado e Fundador, Tomás Moreira.

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

SA A Infanta D. Maria Francisca na apresentação oficial da 22.ª temporada do Festival Terras sem Sombra

S.A. a Infanta D. Maria Francisca de Bragança, Duquesa de Coimbra esteve presente na apresentação oficial da 22.ª temporada do Festival Terras sem Sombra, que decorreu na Embaixada da República da Polónia, em Lisboa.

A apresentação decorreu perante mais de oito dezenas de convidados, entre diplomatas, autarcas, jornalistas e representantes das artes e da sociedade civil. Durante o evento foi dado a conhecer o calendário de actividades deste importante festival alentejano, que se estende de Fevereiro a Dezembro de 2026.

A sessão incluiu ainda um momento musical de diálogo luso-polaco e uma degustação de gastronomia polaca, evocando o espírito de partilha cultural que marca esta nova temporada.


domingo, 15 de fevereiro de 2026

O Povo-Soberano

Povo-Soberano, considerados os termos no seu complexo, equivale a primeiro-últimosuperior-inferior, etc. É uma noção monstruosa e contraditória, como v.g. lupus-homo, Deus-criatura, sempiterno-temporal, curva-recta, sim-não. E todavia não deixaremos de ouvir tão cedo: O Povo-Soberano!

Frei Joaquim de Santo Agostinho Brito França Galvão in «A Voz da Natureza sobre a Origem dos Governos», Tomo I, 1814


Fonte: Veritatis

sábado, 14 de fevereiro de 2026

14 de Fevereiro - São Valentim

O Dia dos Namorados, celebrado a 14 de Fevereiro, homenageia São Valentim de Terni (Itália), bispo mártir do século III, padroeiro dos namorados que abençoava os casamentos secretamente, apesar da proibição do imperador Cláudio II. Este ato de liberdade e amor lhe custou a vida. Ele foi executado a 14 de Fevereiro de 273. A festa de São Valentim tem origem neste acto.
A Virgem Maria, frequentemente invocada como «Mãe do belo amor», está espiritualmente associada a esta festa como protectora dos casais e do amor sincero.
Valentim era conhecido pelos seus dons curativos e pela sua devoção aos cristãos perseguidos. Preso, ele foi decapitado na Via Flamínia, em Roma, a 14 de Fevereiro de 269 ou 270.
Em 495, o Papa Gelásio I substituiu as festas pagãs de meados de Fevereiro (Lupercália) pela comemoração de São Valentim, o nomeando, mais tarde, padroeiro dos apaixonados (em 1496, por Alexandre VI).
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A poucos minutos de Avinhão, em Roquemaure, na região da Grande Avinhão em França, se encontram as relíquias de São Valentim. Como foram ali parar? Uma história pouco conhecida, cuidadosamente guardada pelos habitantes locais.
A história começa em 1868. Maximilien Richard, um viticultor de Roquemaure, trouxe de Roma as relíquias de São Valentim. Na altura, a vinha estava devastada pela filoxera. O objectivo era invocar a protecção do santo para salvar a terra.
Desde então, as relíquias são trazidas à luz a cada dois anos durante as celebrações dedicadas ao santo padroeiro dos apaixonados.
As relíquias estão guardadas na Igreja Colegiada de São João Batista em Avinhão. Todos os anos, por volta do dia 14 de Fevereiro, Roquemaure ganha vida com o espírito do Dia dos Namorados. Os casais vêm para receber uma bênção. Alguns até escolhem a aldeia para se casarem nessa altura. Um evento típico da região de Vaucluse.
"São Valentim, concedei-nos a graça de permanecermos repletos de amor e confiança que nos permitam ultrapassar os obstáculos da vida. Rogamos-Vos que intercedais por nós junto de Deus, que é a própria fonte de todo o Amor e Beleza, e que vive e reina para todos os séculos dos séculos. São Valentim, rogai por nós. Amém.
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"SÃO VALENTIM. Sacerdote e Mártir. (m. 268)
A virtude de São Valentim, sacerdote, era tão radiosa que ele foi preso pelo Imperador Cláudio II. Após dois dias na prisão, o imperador O convocou ao seu tribunal:
"Por que razão, Valentim, quer ser amigo dos nossos inimigos e rejeitas a nossa amizade?"
"Senhor", disse o sacerdote cristão, "se conhecesse o dom de Deus, seria feliz, e o seu império também; rejeitaria a adoração dos seus ídolos e adoraria o verdadeiro Deus e o Seu Filho, Jesus Cristo."
Um dos juízes, tomando a palavra, perguntou ao mártir o que pensava de Júpiter e Mercúrio:
"Quão miseráveis ​​eram", respondeu Valentim, "e como passaram a vida inteira na devassidão e no crime."
O juiz, furioso com a resposta, exclamou: "Blasfemou contra os deuses e contra o império!"
O imperador prosseguiu com o interrogatório, curioso e satisfeito com a oportunidade de aprender o que os cristãos pensavam. Valentim, por sua vez, teve a coragem de exortar o príncipe a fazer penitência pelo sangue cristão que derramara:
"Creia em Jesus Cristo", disse-lhe ele, "seja baptizado, será salvo e, a partir desta vida, garantirá a glória do seu império e o triunfo das suas armas."
Cláudio começava a ser persuadido e dizia aos que o rodeavam: "Escutai o belo ensinamento que este homem nos oferece".
Mas o regedor, descontente, exclamou: "Vejam como este cristão está a seduzir o nosso príncipe!"
O fraco Cláudio, temendo revoltas, o abandonou ao o mártir, e ele foi então sujeito a outro interrogatório perante um novo juiz:
"Como", perguntou-lhe o juiz, "pode ​​afirmar que Jesus Cristo é a verdadeira luz?"
"Ele não é apenas a verdadeira luz, mas a única luz", respondeu Valentim.
"Se assim for, devolva a visão à minha filhinha adoptiva, cega há dois anos; acreditarei em Jesus Cristo e farei tudo o que o senhor desejar."
A criança foi trazida à sua presença; o sacerdote, pondo-lhe a mão sobre os olhos, fez esta oração:
"Ó Jesus Cristo, que sois a verdadeira luz, iluminai esta mulher cega".
Ao ouvir estas palavras, a mulher cega viu; o juiz Astério, juntamente com toda a sua família, confessou Jesus Cristo e logo recebeu o baptismo. O imperador, informado destes milagres, teria desejado ignorar as novas conversões; mas o medo fê-lo trair a sua consciência e o seu sentido de justiça. Valentim e os outros cristãos foram submetidos a tortura e subiram ao Céu para receberem a recompensa pela sua coragem no ano de 268.
Ainda existe em Roma uma catacumba de São Valentim, testemunho da veneração de que este ilustre mártir sempre esteve rodeado."
Abbé L. Jaud, Vidas dos Santos para Cada Dia do Ano, Tours, Mame, 1950. (tradução)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O TEATRO DEMOCRÁTICO

“O que existe no puro decoro teatral das democracias são as minorias dirigentes que conquistam o Estado vago e aí ocupam os postos de comando, seja directamente, seja através de interpostas pessoas.
Ora, estas minorias que detêm as alavancas do Estado democrático, não podem agir senão procedendo como se a democracia existisse. Elas não podem governar os cidadãos senão enganando-os e persuadindo-os de que detêm todos os poderes quando, na verdade, estão privados do poder essencial de decisão e de direcção por eles detidos teoricamente e que determina todos os outros.
Em nenhum período da História o cidadão esteve mais desprovido de poder real do que na democracia moderna. E, entretanto, tudo se passa como se ele fosse real”.
Marcel de Corte em Comunicação ao 2º Congresso do Ofício Internacional das Obras de Formação Cívica e de Acção Cultural segundo o Direito Natural e Cristão - Lausanne, 1965

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Investidura de oito novos Cavaleiros da Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa

No passado dia 6 de Fevereiro, na Igreja da Conceição Velha, realizou-se a investidura de oito novos Cavaleiros da Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, sob a presidência de Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, e a presença de S.A.R. o Duque de Bragança, Grão-Mestre da Ordem.

Entre os investidos, destacam-se quatro portugueses e quatro estrangeiros, incluindo S.E. o Vice-Primeiro-Ministro da Hungria, Dr. Zsolt Semjén, líder do Partido do Povo Democrático Cristão.

A Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa foi criada por D. João VI a 6 de Fevereiro de 1818, no Rio de Janeiro (Brasil), para celebrar a vitória portuguesa sobre os franceses. Tinha ainda como objectivo homenagear Nossa Senhora da Conceição, designada Padroeira e Rainha de Portugal por alvará de D. João IV em 1646.

Tem como principal objecto o reconhecimento de serviços prestados à Casa Real Portuguesa, lealdade à monarquia, valores cristãos, devoção mariana e, historicamente, méritos em defesa do reino e da fé.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

As aparições de Nossa Senhora de Lourdes


No dia 8 de Dezembro de 1854 o Papa Pio IX proclamou solenemente no Vaticano o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, concebida sem pecado original. Algo que em 1830 Nossa Senhora já tinha mostrado a Santa Catarina Labourè, quando mandou que ela cunhasse a chamada “Medalha Milagrosa”, na aparição a ela na rue du Bac, em Paris. Em torno da medalha, Santa Catarina viu em letras de ouro a expressão: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

No dia 11 de Fevereiro de 1858, quatro anos depois, Nossa Senhora começou a aparecer a uma menina de 14 anos, Bernadette Soubirous, simples e humilde, que não sabia ler e escrever como deve ser, nem falava francês mas apenas um dialecto da região. Ela estava com uma irmã e uma vizinha a apanhar lenha perto da gruta de Massabielle. Tinham que passar descalças por um córrego, e Bernadette, que sofria de asma, não queria pôr os pés na água fria. Nisso ouviu um barulho nas árvores e viu uma Senhora muito bonita, radiante, vestida de branco, com uma faixa azul, que sorria para ela. De seguida rezou o Terço com Bernadette.

A irmã de Bernadette contou o ocorrido aos pais. Eles proibiram que ela voltasse à gruta. De tanto chorar os pais deixaram-na voltar. Uma nova aparição aconteceu no dia 18 de Fevereiro. Bernadette aspergia a rocha com água benta onde a Senhora apareceu e esta lhe sorria. Depois disse-lhe: “Queres ter a bondade de vir aqui durante quinze dias? Não te prometo a felicidade neste mundo, mas no outro.” Durante as aparições a Senhora pediu para que se rezasse pelos pecadores e convidou os fiéis à penitência.

No dia 25 de Fevereiro Nossa Senhora fez brotar uma fonte de água no chão, e convidou Bernadette a beber dessa fonte; surgiu do chão que ela cavou com as mãos. Esta fonte tornou-se a fonte milagrosa onde os peregrinos do mundo todo se banham e muitos já foram curados. Há uma equipa de médicos de várias especialidades que já confirmou muitas curas milagrosas.

Nossa Senhora pediu a Bernadette que queria ali uma igreja para dali distribuir as suas bênçãos. A vidente foi falar com o pároco de Lourdes, mas este não acreditou nela e pediu que Bernadette dissesse o nome desta Senhora que lhe aparecia, que sem isso não faria nada.

Na última aparição, então, Nossa Senhora disse a Bernadette em francês: “Je sui l'Immaculée Concepcion” (Eu sou a Imaculada Conceição). Bernadette não percebeu, pensou que Nossa Senhora tivesse dito: “Eu sou Maria”. Para não se esquecer foi até o pároco, sempre a repetir a frase em francês para não esquecer, até ser atendida pelo pároco. Este apanhou um susto quando Bernadette disse o nome da Senhora, porque ele sabia que Bernadette não tinha condições para inventar aquilo. O pároco acreditou, o bispo acreditou e hoje temos ali um dos mais belos e concorridos Santuários marianos do mundo, com muitos milagres e muitas conversões.

Apenas 4 anos antes, o Papa Pio XI tinha proclamado o dogma da Imaculada Conceição, e Nossa Senhora veio, em pessoa, confirmar o dogma e dar-nos a certeza de que o Papa não erra quando pronuncia uma sentença definitiva de Fé.

No início houve uma proibição da parte das autoridades para que o povo visitasse o lugar, mas depois o imperador Napoleão III consentiu o acesso à gruta. Peregrinos de todas as partes do mundo procuram em Lourdes não só milagres para a cura das doenças do corpo, mas a cura da alma e a paz de espírito.

Nossa Senhora é Mãe de Jesus e nossa Mãe, por isso se preocupa com os seus filhos no mundo todo. Por isso aparece onde Jesus permite, não para nos trazer novas revelações, mas para nos pedir que vivamos conforme a vontade de Deus, afastados dos pecados, e que tenhamos uma vida de oração e de penitência pela nossa conversão e pela conversão dos pecadores afastados de Deus.

Felipe Aquino

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

A seita socialista em 1881

O socialismo ou niilismo trabalha deveras. Entre nós já se contam os seus periódicos por dezenas. O seu desideratum não é somente acabar com os tronos; é sobretudo acabar com a religião.
«Enforcar o último rei seria pouco; seja enforcado com as tripas do último padre, e a humanidade deixará de ser escrava»: – eis o supremo desideratum dos grandes humanitários!
Embrutecer as multidões; desmoralizar a juventude; criar em cada escola um centro de impiedade e de ateísmo; nivelar todas as classes e prégar às turbas o grande princípio: – a propriedade é um roubo – tal o fim satânico dos inimigos de Deus e da sociedade.
Em Espanha, na Itália, na Rússia, na Bélgica, em Portugal, em França, em toda a extensão do orbe, existe a mesma seita, predomina o mesmo pensamento, e não há fronteiras nem cordões sanitários que livrem os povos desta contagião terrível e assustadora...
Enganamo-nos: há um cordão sanitário que nos pode preservar, é o dos princípios católicos aplicados à política e a tudo, mas os moderados e conservadores do liberalismo sentem calafrios quando nisso se lhes fala, e não os querem aplicar! Tempo virá... em que já talvez não seja tempo.

Revista «O Progresso Católico», 3º Ano, Nº 14, 15 de Maio de 1881

Fonte: Veritatis

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

UM ESTADO ANTI-SOCIAL

O sistema solidário da República faliu.
Sem qualquer dúvida, será arrumado no deprimente armário dos “problemas estruturais” do regime, forma expedita de obliterar duzentos anos de modernismo, de decisões emotivas, despóticas e demagogas, de dinheiros mal gastos, ou simplesmente roubados, em que nos encontramos submersos.
É com a remoção dos vínculos, indiscutível sustentáculo do porto seguro que é a família e a sua propriedade, que se abriu a brecha para a entrada triunfal do Estado, essa negra nuvem que tudo preveria e tudo sustentaria.
A destruição da família, inequívoca âncora de combate à debilidade humana, surge a seguir, como o meio para o objectivo final da República: o controlo do individuo.
O processo, mais ou menos meticuloso, necrofago dos tecidos naturais da sociedade não causa por isso surpresa.
As obras espirituais das Santas Casas da Misericórdia, amparo material e espiritual dos mais pobres, passam a instituições filantrópicas, novos antros de caciquismo, corrupção e de favores, assumindo o perverso negócio dos jogos de azar e de sorte, como novo e moderno objecto.
As Corporações e Confrarias, auxílio efectivo dos desprovidos da sorte e dignificadores das comunidades onde se encontravam, são entregues à devassidão de um governador civil “democraticamente” nomeado por um governo absolutista, parido das urnas.
Os Municípios e os governos das Freguesias dilacerados pela afrancesada e famigerada Lei de Mouzinho da Silveira, que tornaram nula a caridade praticada junto dos filhos do infortúnio.
Se a República faz por esquecer os seus constantes e sucessivos dislates, pois cá estaremos como reaccionários que somos, para lhos recordar e para a combater sem rodeios, nem receios.
O tempo do medo e do silêncio acabou.
Por Deus, Pátria e Rei
Valentim Rodrigues