domingo, 12 de abril de 2026

A Páscoa das três Encíclicas


O título «A Páscoa das três encíclicas» pretende recordar três importantes documentos emanados pelo Papa Pio XI a poucos dias de distância uns dos outros, em Março de 1937. Três Encíclicas que se dirigiam a todos os católicos do mundo e que conservam ainda hoje a sua actualidade.
Pio XI, octogenário e convalescente depois de uma longa doença que o tinha imobilizado durante meses, enfrentava três graves desafios postos à Igreja pelas ideologias anticristãs do seu tempo: o neopaganismo da Alemanha hitleriana, com a Mit brennender Sorge; o comunismo da Rússia soviética, com a Divini Redemptoris; o anticristianismo do México laicista e maçónico, com a Firmissimam constantiam. A saída destas três encíclicas no espaço de duas semanas foi um facto único na história da Igreja.
A primeira encíclica, a Mit brennender Sorge, estava datada do Domingo da Paixão, 14 de Março de 1937. Pio XI afirmava: «Se é verdade que a raça ou o povo, se o Estado ou uma sua determinada forma, se os representantes do poder estatal ou outros elementos fundamentais da sociedade humana têm na ordem natural um lugar essencial e digno de respeito; todavia quem os destaca desta escala de valores terrenos, elevando-os a suprema norma de tudo, mesmo dos valores religiosos, e os diviniza com culto idolátrico, perverte e falsifica a ordem criada e imposta por Deus, está longe da verdadeira fé em Deus e de uma concepção da vida conforme a ela. (…)
Sobre a fé em Deus genuína e pura se funda a moralidade do género humano. Todas as tentativas de destacar a doutrina da ordem moral da base granítica da fé, para a reconstruir sobre a areia movediça de normas humanas, levam, cedo ou tarde, indivíduos e nações ao decaimento moral. O insensato que diz no seu coração: “não há Deus”, encaminhar-se-á para a corrupção moral. E estes insensatos, que presumem separar a moral da religião, tornaram-se hoje legião».
A segunda encíclica, a Divini Redemptoris, foi publicada a 19 de Março de 1937, festa de S. José, padroeiro da Igreja e dos trabalhadores cristãos. Denunciando o comunismo mundial e ateu que da Rússia se difundia pelo mundo, Pio XI dizia: «Pela primeira vez na história estamos a assistir a uma luta friamente querida e cuidadosamente preparada do homem contra “tudo aquilo que é divino” (…)
Procurai, Veneráveis Irmãos, que os fiéis não se deixem enganar! O comunismo é intrinsecamente perverso e não se pode admitir em nenhum campo a colaboração com ele da parte de quem quer que deseje salvar a civilização cristã. E se alguns iludidos cooperassem para a vitória do comunismo no seu país, cairão os primeiros como vítimas do seu erro, e quanto mais as regiões onde o comunismo consegue penetrar se distinguem pela antiguidade e grandeza da sua civilização cristã, tanto mais devastador aí se manifestará o ódio dos “sem Deus”».
Pio XI lançava um «apelo a quantos creem em Deus»: «Mas a esta luta travada pelo “poder das trevas” contra a própria ideia da Divindade, é-nos grato esperar que, além de todos quantos se gloriam do nome de Cristo, se oponham também validamente quantos (e são a grande maioria da humanidade) creem ainda em Deus e O adoram. Renovamos portanto o apelo que já lançámos há cinco anos na Nossa Encíclica Caritate Christi a fim de que eles também lealmente e cordialmente concorram da sua parte “para afastar da humanidade o grande perigo que ameaça todos”.
Pois – como então dizíamos – visto que “o crer em Deus é o fundamento inabalável de toda a ordem social e de toda a responsabilidade sobre a terra, por isso todos quantos não querem a anarquia e o terror devem energicamente esforçar-se para que os inimigos da religião não alcancem o fim por eles tão abertamente proclamado”».
O Papa acrescentava: «Onde o comunismo pôde afirmar-se e dominar – e aqui pensamos com singular afecto paternal nos povos da Rússia e do México –, aí se esforçou por todos os meios de destruir (e proclama-o abertamente) desde as suas bases a civilização e a religião cristã, extinguindo no coração dos homens, especialmente da juventude, toda a recordação. Bispos e sacerdotes foram banidos, condenados aos trabalhos forçados, fuzilados e mortos de maneira desumana; simples leigos, por terem defendido a religião, foram suspeitados, vexados, perseguidos e arrastados para as prisões e perante os tribunais».
Precisamente ao México era dedicada a terceira encíclica, Firmissimam constantiam, emanada no dia de Páscoa, 28 de Março de 1937. Nela o Papa afirmava que «quando as mais elementares liberdades religiosas e civis são atacadas, os cidadãos católicos não se resignem logo a renunciar a elas». Caso os poderes constituídos «se insurgissem contra a justiça e a verdade ao ponto de destruir os próprios fundamentos da autoridade, não se veria como dever condenar aqueles cidadãos que se unissem para defender com meios lícitos e adequados a si mesmos e a Nação, contra quem se serve do poder público para a arruinar».
Pio XI não convidava à rendição, mas recordava aos católicos mexicanos que tivessem «aquela visão sobrenatural da vida, aquela educação religiosa e moral e aquele zelo ardente pela dilatação do Reino de Cristo que a Acção Católica se propõe dar. Perante uma feliz coligação de consciências que não entendem renunciar à liberdade reivindicada por Cristo (Gal. 4, 31) qual poder ou força humana poderia subjugá-las ao pecado? Quais perigos, quais perseguições, quais provas poderiam separar almas assim temperadas da caridade de Cristo? (cf. Rm 8, 35)».
Os cristeros mexicanos tinham empunhado as armas em nome de Cristo Rei. Pio XI, dirigindo-se aos católicos mexicanos, recordava a sua encíclica Quas primas de 11 de Dezembro de 1925 na qual proclamava Cristo Rei do universo. Uma verdade que se opunha às ideologias anticristãs que, à vigília da Segunda Guerra Mundial, ameaçavam o mundo. Mas também nas horas mais sombrias a virtude da esperança alimenta a fé dos cristãos.
Assim, na Divini Redemptoris, Pio XI afirmava: «Com os olhos voltados para o alto, a nossa fé vê os “novos céus” e a “nova terra”, de que fala o nosso primeiro Antecessor, São Pedro (II Petr. III, 13). Enquanto as promessas dos falsos profetas nesta terra se extinguem no sangue e nas lágrimas, resplandece de beleza celestial a grande profecia apocalíptica do Redentor do mundo: Eis que Eu faço novas todas as coisas (Apoc. 21, 5)».
Roberto de Mattei in 'Corrispondenza Romana'

Fonte: Senza Pagare

sábado, 11 de abril de 2026

SAR D. Afonso de Bragança presente num exercício de combate à poluição marítima

S.A.R. o Príncipe da Beira participou, no passado dia 25 de Março, num exercício de combate à poluição marítima, em colaboração com a Autoridade Marítima Nacional.

A iniciativa decorreu no Porto de Peniche e foi organizada pela Direcção de Combate à Poluição do Mar (DCPM), entidade responsável por planear, coordenar e executar a resposta a incidentes de poluição no espaço marítimo sob jurisdição nacional.

Este exercício teve como objectivo testar procedimentos, reforçar a articulação entre entidades e melhorar a capacidade de resposta a situações reais, contribuindo para a protecção do meio marinho e da segurança ambiental.


terça-feira, 7 de abril de 2026

Celebração do 510.º Aniversário da Beatificação da Rainha Santa Isabel

No próximo dia 15 de Abril, assinala-se o 510.º aniversário da Beatificação de Santa Isabel, Infanta de Aragão, Rainha de Portugal e Padroeira da cidade de Coimbra.

Na verdade, foi no dia 15 de Abril de 1516 que o Papa Leão X assinou o “Breve”, documento pontifício, que proclamava a beatificação da Rainha que o povo considerava já santa.

Reinava em Portugal D. Manuel I de Portugal e o culto à Rainha Santa Isabel assume contornos oficiais, passando o povo de Coimbra a poder manifestar livremente a sua devoção à que haveria de ser eleita Santa Padroeira da cidade.

Na sequência deste movimento devocional - que iria culminar na Canonização de Santa Isabel de Portugal, decretada em 25 de Maio de 1625 - é, entretanto, fundada em 1560 a Confraria da Rainha Santa Isabel.

Pretendendo a Confraria da Rainha Santa Isabel comemorar as datas mais significativas da história da devoção a Santa Isabel de Portugal, é muito importante celebrar este aniversário da sua Beatificação, efeméride muito significativa para a cronologia da devoção a Santa Isabel de Portugal, mas também associada à fundação da Confraria da Rainha Santa Isabel.

Para comemorar esta data, mesmo com andaimes na igreja, a Confraria da Rainha Santa Isabel e a Liga dos Amigos da Confraria da Rainha Santa Isabel mandam celebrar às 18h00 deste dia 15 de Abril, na Igreja da Rainha Santa Isabel, Missa de acção de graças pela exemplar vida acontecida de Santa Isabel de Portugal.


No Domingo anterior à efeméride, dia 12 de Abril, pelas 18h00, a Confraria da Rainha Santa Isabel recebe na sua igreja, dedicada a Santa Isabel de Portugal, o coro "Art'Amoris Ensemble", dirigido pela Prof.ª Carla Sofia Pais, que irá apresentar um programa de música sacra com obras de Jan Dismas Zelenka e Joseph Haydn, concerto integrado nas comemorações da Beatificação da excelsa Padroeira da cidade de Coimbra.

Programa:

Miserere, ZWV 57 - J. D. Zelenka

De Profundis, ZWV 50/97 - J. D. Zelenka

Te Deum n.º 2 em Dó maior - J. Haydn

 


A entrada é livre mas, dada a limitação do espaço para os assistentes, sujeita a inscrição prévia para o Recordatório da Confraria  - telefones 239 441 674 e 918 048 310 - ou para o e-mail do Secretário da Confraria da Rainha Santa Isabel  <secretario@rainhasantaisabel.org>, ou através das reservas pelo link https://bit.ly/concertopascoa


 

A Confraria da Rainha Santa Isabel e a Liga dos Amigos da Confraria da Rainha Santa Isabel contam com a participação atenta de todos!

domingo, 5 de abril de 2026

Onde está o teu aguilhão, ó morte? Cristo ressuscitou e foste arrasada!

Quem tiver piedade e amor a Deus, regale-se nesta gloriosa e brilhante festa; quem for servo bom, entre alegre no gozo de seu Senhor; quem suportou a fadiga do jejum, receba agora a sua remuneração; quem trabalhou desde a primeira hora, receba hoje o seu justo salário; quem veio após a terceira hora, festeje com gratidão; quem chegou após a sexta hora, entre sem hesitar, porque não será castigado; quem se atrasou até à nona hora, venha sem receio; quem chegou somente na décima primeira hora, não tenha medo por causa da sua demora, porque o Senhor é generoso, acolhe o último como o primeiro; remunera o operário da décima primeira hora como o da primeira; cobre um com sua misericórdia e outro com sua graça; a um dá, a outro perdoa; aceita as obras e abençoa a intenção; recompensa o trabalho e louva a boa vontade.

Entrai, pois, todos no gozo de nosso Senhor; primeiros e últimos recebei a recompensa; ricos e pobres, alegrai-vos juntos; justos e pecadores, honrai este dia; vós que jejuastes e vós que não jejuastes, regozijai-vos uns com os outros; a mesa é farta, saciai-vos à vontade; o vitelo é gordo, que ninguém se retire com fome; Tomai todos parte no banquete da fé; participai todos da abundância da graça; que ninguém se queixe de fome, porque o reino universal foi proclamado; que ninguém chore por causa de seus pecados, porque o perdão jorrou do túmulo; que ninguém tema a morte, porque a morte do Salvador nos libertou a todos.

Ele destruiu a morte, quando a ela se submeteu; despojou o inferno, quando a ele desceu; o inferno tocou o seu corpo e foi aniquilado. Foi isto que profetizou Isaías, exclamando: "o inferno ficou aflito ao encontrar-te; o inferno foi aniquilado e arruinado; aniquilado e menosprezado, aniquilado e executado, aniquilado e espoliado, aniquilado e subjugado. Agarrou um corpo e encontrou um Deus; apossou-se da terra e achou-se defronte ao céu; pegou no que viu e caiu donde não viu”. 

Onde está tua vitória, ó inferno? Onde está o teu aguilhão, ó morte? Cristo ressuscitou e foste arrasada! Cristo ressuscitou e os demónios foram vencidos! Cristo ressuscitou e os anjos rejubilaram-se! Cristo ressuscitou e a vida foi restituída! Cristo ressuscitou e não ficou morto nenhum no túmulo! Porque Cristo, pela sua ressurreição dos mortos, tornou-se primícias de todos os mortos. A Ele honra e glória pelos séculos dos séculos. Amen.

São João Crisóstomo

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Missa dos Pré-Santificados ou 'Feria Sexta in Parasceve'

 Sexta-Feira Santa é o único dia do ano no qual não se pode celebrar Missa, porque relembramos Nosso Senhor morto na Cruz pelos nossos pecados. A cerimónia litúrgica desse dia, até à reforma litúrgica da Semana Santa (1955), era conhecida por 'Missa dos pré-santificados'. Isto porque a consagração das espécies eucarísticas tinha acontecido no dia antes, Quinta-Feira Santa, e não no próprio dia, por não haver Missa.


Outro nome comum para esse dia era 'Feria Sexta in Parasceve'. vem do grego 'παρασκευή', que quer dizer 'preparação'. Era o nome dados pelos judeus ao dia anterior ao sábado, dia de preparação para observância do repouso absoluto no Sábado (Sabbath), Era necessário preparar desde a véspera de alimentos e outras necessidades. A palavra foi adoptada pelo judaísmo helenístico, e encontra-se no Novo Testamento: Mateus XXVII, 62; Marcos XV, 42; Lucas, XXIII, 54; João, XIX, 14; XXXI, 42.

Na liturgia, Parasceve refere-se à Sexta-feira Santa (Feria VI no dia da preparação), o dia da crucificação de Jesus. Neste dia a liturgia é caracterizada pela chamada 'Missa dos Pré-Santificados', ritual de consumação das coisas pré-santificadas, isto é da Hóstia consagrada no dia antes, depois da solene adoração da Cruz e da grande ladainha.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Quinta-Feira Santa: Instituição da Eucaristia


Quinta-Feira Santa. Jesus Cristo institui a Eucaristia, antecipando o Sacrifício da Cruz que teria lugar no dia seguinte. Depois da Ceia, tomando o pão e disse: ISTO É O MEU CORPO.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Quarta-Feira Santa: Judas Iscariotes trai Nosso Senhor

Vem cá, demónio, outra vez. Tu sábio? Tu astuto? Tu tentador? Vai-te daí, que não sabes tentar. Se tu querias que Cristo se ajoelhasse diante de ti, e souberas negociar, tu o renderas.

Vais-lhe oferecer a Cristo mundos? Oh! que ignorância! Se quando lhe davas um mundo, lhe tiraras uma alma, logo o tinhas de joelhos a teus pés. Assim aconteceu. Quando Judas estava na Ceia, já o diabo estava em Judas: Cum jam diabolus misisset in cor ut traderet eum Judas. – Vendo Cristo que o demónio lhe levava aquela alma, põe-se de joelhos aos pés de Judas, para lhos lavar, e para o converter. Senhor meu, reparai no que fazeis: não vedes que o demónio está assentado no coração de Judas? 

Não vedes que em Judas está revestido o demónio, e vós mesmo o dissestes: Unus ex vobis diabolus est? – Pois, será bem que Cristo esteja ajoelhado aos pés do demónio? Cristo ajoelhado aos pés de Judas, assombro é, pasmo é; mas Cristo ajoelhado, Cristo de joelhos diante do diabo? Sim. Quando lhe oferecia o mundo, não o pôde conseguir; tanto que lhe quis levar uma alma, logo o teve a seus pés. Para que acabemos de entender os homens cegos, que vale mais a alma de cada um de nós que todo um mundo.

As coisas estimam-se e avaliam-se pelo que custam. Que lhe custou a Cristo uma alma, e que lhe custou o mundo? O mundo custou-lhe uma palavra: Ipse dixit, et facta sunt - uma alma custou-lhe a vida, e o sangue todo. Pois, se o mundo custa uma só palavra de Deus, e a alma custa todo o sangue de Deus, julgai se vale mais uma alma que todo o mundo. Assim o julga Cristo, e assim o não pode deixar de confessar o mesmo demónio. E só nós somos tão baixos estimadores das nossas almas, que lhas vendemos pelo preço que vós sabeis. 

Pe. António Vieira in Sermão do Primeiro Domingo da Quaresma (1653)

terça-feira, 31 de março de 2026

A Eternidade da Pátria

“As Nações só valem pela firmeza moral que as leva à consciência da dignidade colectiva e de uma finalidade comum. Fortalecer e moralizar a família, é fortalecer e moralizar a Nação.
Só as famílias fortes e duradoiras fazem fortes as nações. A Terra de Portugal é o sagrado património de avoenga da Família Portuguesa: conservemo-lo inalienável, intangível e eterno se quisermos que eterna seja também a nossa Pátria.”

Adriano Xavier Cordeiro

segunda-feira, 30 de março de 2026

28 de Março: São João de Capistrano

S. João, nascido em Capistrano (Abruzos) a 24 de Junho de 1385, entrou na Ordem de S. Francisco, na idade de 39 anos. Foi escolhido por Deus para libertar a Europa do Islão que ameaçava invadi-la, no século XV. Maomé II apoderava-se de Constantinopla, capital do Império do Oriente e marchava contra Belgrado. O Papa Calisto III decretou a Cruzada. S. João pregou-a na Panónia e noutras províncias. Ajudado pelo nobre húngaro João Hunyadi, alistou setenta mil cristãos. Esses soldados improvisados, só tinham, para combater, forquilhas e flagelos. João, de quem «o Senhor era a força», «obteve com eles a vitória depois de rude combate», assegurando assim o triunfo da Cruz sobre o Crescente. Nessa mesma tarde, 120.000 turcos jaziam sobre o solo, ou haviam fugido, ao passo que Maomé II, ferido, renunciava aos seus projectos contra a Europa cristã. Morreu em 1456. Recorramos à sua protecção e à penitência para repelir os ataques do espírito maligno.

«Missal Quotidiano e Vesperal», 1940


Fonte: Veritatis

domingo, 29 de março de 2026

Semana Santa, a semana mais importante do ano


Num dia como o Domingo de Ramos, Jesus Cristo entrou em Jerusalém, onde foi recebido com honras de Rei e aclamado como O enviado por Deus. Mas o clima de festa não durou muito; 5 dias depois, essa multidão que tanto o louvara foi a mesma que gritou em uníssono: "Crucifica-O!" e que não descansou enquanto isso não aconteceu. Sobre este pequeno episódio diria o seguinte:

1. Não nos devemos preocupar com o que as pessoas pensam ou dizem de nós: num dia somos óptimos, no dia seguinte somos péssimos; para uns somos os melhores, para outros somos os piores. Apenas interessa o que Deus pensa de nós. Viver com essa consciência dá-nos uma grande liberdade. Foi assim que viveu Jesus.

2. As multidões podem ser manipuladas. Jesus foi recebido em festa e com pompa porque tinha feito bastantes milagres - alguns testemunhados por muitos dos presentes - e tinha ensinado como alguém com autoridade para o fazer, e não como os que ensinam uma coisa e fazem outra. Ainda assim, um pequeno grupo conseguiu influenciar essa multidão de maneira a que esquecesse o que sabia ser verdade e exigisse a maior injustiça do mundo: a morte de cruz a um homem que passou fazendo o bem.

3. Nosso Senhor aceita ser aclamado sabendo que uns dias mais tarde seria desprezado, insultado, agredido, açoitado, flagelado, crucificado e assassinado. Tudo aceitou sem se revoltar, com uma mansidão que faz corar a nossa revolta ao mínimo insulto ou correcção que nos fazem. Fez isso para nos salvar; e também para nos ensinar.

Santa Semana Santa a todos.


sábado, 28 de março de 2026

Entrevista de SAR Dom Afonso de Bragança à revista "Sábado"

O futuro rei de Portugal (sem trono) faz 30 anos! mas não vai fazer grandes festas por respeito às tragédias que afectaram o país. O sucessor de SAR D. Duarte Pio, herdeiro do trono de Portugal, é apaixonado pelo mar, pratica vela, surf e mergulho e não tem namorada.

Esta quarta-feira, 25, é dia de festa em casa dos Duques de Bragança. SAR D. Afonso, o primogénito de SS. AA. RR. D. Duarte e D. Isabel, faz 30 anos. Mas apesar de ser uma idade marcante, o príncipe da Beira não vai fazer grandes comemorações. “Este ano, tendo em conta todos os desastres que aconteceram em Portugal, não me faz sentido organizar uma grande festa. Haverá certamente outras oportunidades”, revela à SÁBADO.

Quando o referem como “um dos solteiros mais cobiçados da realeza”, o também Duque de Barcelos diz que encara isso “com humor e naturalidade”: “Não dou grande importância. Até porque, nas revistas de social, já me ‘casaram’ com várias pessoas”. Mas acha “lisonjeiro” quando lhe dizem que é parecido com D. Pedro II, o último imperador do Brasil. “Como descendo dele através da minha avó materna, é natural que tenha herdado alguns traços. Existe até uma fotografia curiosa que circula nas redes sociais em que aparecemos ambos de perfil e onde se notam de facto algumas semelhanças”, explica.

O principal papel de um herdeiro de uma casa real é garantir descendência, mas D. Afonso assume que ainda não será para já: “O casamento é algo importante na vida de qualquer pessoa. Acredito, no entanto, que essas decisões devem surgir no momento certo e de forma natural. Por agora, continuo a minha vida de solteiro”. O pai, SAR D. Duarte, de 80 anos, casou-se com SAR D. Isabel de Herédia aos 49.

Talvez por desde que nasceu estar a ser preparado para suceder ao pai como chefe da Casa Real Portuguesa, o discreto D. Afonso é dos três irmãos (D. Maria Francisca e D. Dinis), o mais reservado. Embora tenha cada vez mais uma vida pública, evita a exposição e concordou falar com a SÁBADO por e-mail. Mas o que tem andado a fazer e quais os projectos de D. Afonso, que é o primeiro na linha de sucessão ao trono de Portugal? Depois de ter frequentado o St. Julian’s, em Carcavelos, e a The Oratory School, em Inglaterra (um colégio interno católico com uma forte componente de formação militar), o príncipe da Beira, licenciou-se em Ciências Políticas e Relações Internacionais, na Universidade Católica. Apaixonado pelo mar e pela biologia marinha, escolheu o mestrado em Direito e Economia do Mar e prepara-se agora para defender a tese sobre protecção do meio marinho em Portugal.

Sem protocolos

No ano passado, D. Afonso conta que esteve envolvido num projecto de circum-navegação pela Antárctida, promovido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul: “Foi uma expedição marítima que durou cerca de três meses, em que tive a oportunidade de visitar várias estações científicas, estudar a fauna local e conhecer cientistas e biólogos de várias partes do mundo”. Ao mesmo tempo, diz que está a desenvolver um trabalho com a Marinha na área do Direito e Economia do Mar, “em matérias relacionadas com o ordenamento do espaço marítimo, actividades marítimas, projectos e instrumentos de gestão e fiscalização”. Paralelamente, conta que tem colaborado em “projectos ligados ao património familiar, à cultura e a iniciativas associativas, nomeadamente na nossa casa em Sintra, que estará parcialmente aberta a visitas num futuro próximo”.

Praticante de vela desde pequeno, D. Afonso também é adepto de outros desportos aquáticos, como surf, mergulho e caça submarina. Pela forte ligação ao mar, diz ter como referências alguns monarcas portugueses: “D. João II, pela forma como impulsionou as descobertas que permitiram a expansão do império português, e o Rei D. Carlos, que promoveu várias campanhas de oceanografia com o objectivo de desenvolver o conhecimento científico sobre o Atlântico”.

O filho mais velho do herdeiro do trono de Portugal passou pelos três ramos das Forças Armadas, que afirma ter sido uma “experiência extraordinária”, e onde construiu “boas amizades”. Uma das vantagens de ser membro da realeza em Portugal é poder fazer uma vida normal, sem ter de obedecer a protocolos rígidos ou andar com guarda-costas. D. Afonso – que não é muito activo nas redes sociais – costuma fazer “programas simples” com o seu grupo de amigos: “Gostamos de explorar o interior do país e também vamos muito para a Caparica ou para o Algarve”. Visitam museus, vão a concertos e ao cinema – Hamnet foi o último filme que viu e que considera “muito bem interpretado”.

Como futuro Chefe da Casa Real portuguesa, SAR D. Afonso tem acompanhado cada vez mais o pai e representado a Casa Real com maior frequência, o que diz ser um “trabalho intenso, embora muitas vezes discreto”. Uma das últimas viagens que fizeram foi ao Bangladesh, a convite da Fundação London Tea Exchange, em Novembro.

Fonte: Sábado

quinta-feira, 26 de março de 2026

Economia e sacrifício

“Economizar, pôr na reserva, é uma exigência central da natureza humana, e entender estas palavras no único sentido de acumulação de bens materiais é limitar o problema e desnaturá-lo arbitrariamente.
Um senhor medieval, um santo, um artista, um simples camponês encerrado no torrão paterno e de família numerosa, não acumulavam certamente dinheiro.
Mas acumulavam outra coisa: um capital de virtudes, de tradições, de bons costumes, sem falar de outras reservas materiais, mas vitais, como as terras, as casas com seus mobiliários…
Estas gentes sabiam negar-se à chamada do atractivo imediato. Sabiam privar-se de algo hoje em função de um porvir que tinham que defender e fecundar. O espírito de economia, no sentido mais alto da palavra, confunde-se com o espírito de fidelidade e de sacrifício”.
Gustavo Thibon em Diagnósticos de fisiología social