quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Nunca é tarde para a redenção

"A situação de Portugal, depois de proclamada a República - afirmou Fernando Pessoa - "é a de uma multidão amorfa de pobres diabos, governada por uma minoria violenta de malandros e de comilões. O constitucionalismo republicano - para o descrever com brandura - foi uma orgia lenta de bandidos estúpidos." (...) "Mas através de tudo, e até nas almas de muitos desses bandidos - acrescentava Pessoa - subsistia qualquer coisa impulso lírico do ideal originário. E assim se via bandidos da pior espécie - gatunos de alma, vadios orgânicos -baterem-se com bravura pelo ideal que julgavam que tinham."

Fernando Pessoa in 'Interregno', 1928, citado por António Valdemar, na Revista do Expresso de 26 Dez. 2025


"Recordas-te, Luís, de um dia me dizeres na tua casa [...] que o erro jacobino havia de morrer em mim, por incompatível com a sinceridade que eu lhe consagrava, e que os meus olhos se abririam para as verdades eternas? Pois, meu amigo, meu Irmão. Leste fundo na minha alma e com alegria te conto a minha conversão à Monarquia e ao Catolicismo - as únicas imitações, que o homem, sem perda de dignidade e orgulho, pode ainda aceitar. E eu abençoo. Eu abençoo esta República trágico-cómica que me vacinou a tempo pela lição da experiência que livrou a minha existência de um desvio fatal."

Trecho da carta de António Sardinha a Luís de Almeida Braga a 30 de Dezembro de 1912, citada por José Manuel Quintas na introdução aos 'Ensaios Escolhidos' publicado por Crítica XXI de Dez. 2025


 Fonte: Real Associação de Lisboa

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Dia de Reis: Tornaram-se loucos para serem sábios

O desígnio de Deus não foi apenas descer à terra, mas ser nela conhecido; não foi nascer, apenas, mas dar-Se a conhecer. De facto, é com vista a esse conhecimento que celebramos a Epifania, esse grande dia da sua manifestação. Hoje mesmo, de facto, os magos vieram do Oriente em busca do nascer do Sol da Justiça (Mal 3,20), Esse de Quem se diz: «Eis o homem, cujo nome é Oriente» (Za 6,12). Hoje adoraram o Menino nascido da Virgem, seguindo a direcção traçada por uma nova estrela. Temos pois aqui, irmãos, um grande motivo  de alegria, como aliás também nas palavras do apóstolo Paulo: «A bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor pelos homens foram-nos manifestadas» (Tt 3,4).

Que fazeis, magos, que fazeis? Adorais um Menino de colo, envolto em faixas miseráveis, num pobre casebre? Será Ele Deus? Mas «Deus mora no seu templo santo, o Senhor tem o seu trono nos céus» (Sl 10,4), e vós, vós procurai-Lo assim num qualquer estábulo, uma criança de colo? Que fazeis? Porque ofereceis esse ouro? Será este o rei? Mas onde está a sua corte real, o seu trono, a multidão dos seus cortesãos? Acaso um estábulo é um palácio, acaso uma manjedoura é um trono, serão Maria e José membros da sua corte? Como podem os homens ser tolos a ponto de adorar uma simples criança, um ser desprezível, quer pela sua pouca idade, quer pela evidente pobreza de seus pais? 

Loucos, sim, tornaram-se loucos, para serem sábios; o Espírito Santo ensinou-lhes primeiro o que o apóstolo Paulo mais tarde proclamou: «Aquele que quer ser sábio torne-se louco para ser sábio. Pois já que o mundo, por meio da sua sabedoria, não conseguiu reconhecer Deus na sua Sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação» (1 Cor 1,21). Prostaram-se portanto diante daquela humilde criança, prestando-Lhe homenagem como a um rei, adorando-O como um Deus. Aquele que de longe os guiou através de uma estrela fez brilhar a sua luz no mais fundo dos seus corações.

S. Bernardo de Claraval in 1º Sermão para a Epifania


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

SAR, O Senhor Duque de Bragança no programa "A Nossa Tarde" da RTP1

SAR O Senhor D. Duarte, Duque de Bragança foi o convidado de Tânia Ribas no programa “A Nossa Tarde” de 23 de Dezembro, para comentar uma selecção de imagens da recém publicada Fotobiografia “Ao Serviço dos Portugueses”.

Para ver tudo clique aqui.


Fonte: Monarquia Portuguesa

domingo, 4 de janeiro de 2026

IV Jantar de Reis da Real Associação de Lisboa

Decorre já no próximo dia 6 de Janeiro, terça-feira, pelas 20:00hs, o IV Jantar de Reis da Real Associação de Lisboa, que este ano será apadrinhado pelos Duques de Coimbra, D. Maria Francisca e Duarte de Sousa Araújo Martins.
O Jantar de Reis é o encontro anual de convívio entre os nossos associados que este contará com a participação especial do Rev. Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada que nos virá falar sobre “A História e as lendas do Natal”.
As inscrições, limitadas à capacidade da sala, estarão abertas até 2a. Feira, dia 5 de Janeiro. Reserve o seu lugar através do endereço secretariado@reallisboa.pt, pelo telefone 213 428 115, ou presencialmente na nossa sede, nos dias uteis entre as das 11:00 às 14:00hs.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Concerto da Epifania na Confraria da Rainha Santa Isabel - 4 de Janeiro, 16 horas, Igreja da Rainha Santa Isabel

No âmbito deste tempo de Natal, que se prolonga até ao Domingo do Baptismo do Senhor, no próximo Domingo, dia 4 de Janeiro, pelas 16 horas, a Confraria da Rainha Santa Isabel vai oferecer a todos os membros da Irmandade, à cidade de Coimbra e à sua região, um Concerto da Epifania, que terá lugar na Igreja da Rainha Santa Isabel, do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra. 

     Este Concerto, com o título "O FOLCLORE NATALÍCIO PORTUGUÊS EM CONCERTO", é apresentado pela "Associação Filarmónica 25 de Setembro", de Montemor-o-Velho, e estará a cargo de vários grupos corais - o "Coro ATICoimbra", o "Coro de Santo Agostinho", o "Coro Vozes de Montemor" e o "Coro Litúrgico da Imaculada Conceição de Tentúgal" -, dirigidos por Bruno Costa, os quais muito bondosamente acederam ao convite da Confraria da Rainha Santa Isabel.

A entrada é livre.

Com os melhores cumprimentos,
Joaquim Costa e Nora

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Resoluções de Ano Novo: Recuperar o tempo perdido

I. Um dia de balanço. O nosso tempo é breve. É parte muito importante da herança recebida de Deus.

II. Acto de contrição pelos erros e pecados que cometemos neste ano que termina. Acção de graças pelos muitos benefícios recebidos.

III. Propósitos para o ano que começa.

I. HOJE É UMA BOA OCASIÃO para fazermos um balanço do ano que passou e fixarmos propósitos para o ano que começa. É uma boa oportunidade para pedirmos perdão pelo que não fizemos, pelo amor que nos faltou; um bom momento para agradecermos a Deus todos os benefícios que nos concedeu.

A Igreja recorda-nos que somos peregrinos. 

A nossa vida também é um caminho cheio de tribulações e de “consolos de Deus”. Temos uma vida no tempo, na qual nos encontramos agora, e outra para além do tempo, na eternidade, para a qual nos encaminha a nossa peregrinação. O tempo de cada um é uma parte importante da herança recebida de Deus; é a distância que nos separa do momento em que nos apresentaremos diante de Nosso Senhor com as mãos cheias ou vazias.

Só agora, aqui nesta vida, podemos adquirir méritos para a outra. Na realidade, cada um dos nossos dias é um tempo que Deus nos presenteia para enchê-lo de amor por Ele, de caridade para com aqueles que nos rodeiam, de trabalho bem feito, de virtudes e de obras agradáveis aos olhos do Senhor. Este é o momento de amealhar o “tesouro que não envelhece”. Este é, para cada um, o tempo propício, este é o dia da salvação(1). Passado este tempo, já não haverá outro.

O tempo de que cada um de nós dispõe é curto, mas suficiente para dizer a Deus que o amamos e para concluir a obra de que o Senhor nos encarregou a cada um. Por isso São Paulo nos adverte: Vivei com prudência, não como néscios, mas como sábios, aproveitando bem o tempo(2), pois em breve vem a noite, quando já ninguém pode trabalhar(3). “Verdadeiramente, é curto o nosso tempo para amar, para dar, para desagravar. Não é justo, portanto, que o malbaratemos nem que atiremos irresponsavelmente este tesouro pela janela fora. Não podemos desperdiçar esta etapa do mundo que Deus confia a cada um de nós”(4).

A brevidade do tempo é um contínuo convite para que tiremos dele o máximo rendimento aos olhos de Deus. Hoje, na nossa oração, podemos perguntar-nos se Deus está contente com a forma como vivemos o ano que passou: se foi bem aproveitado ou, pelo contrário, foi um ano de ocasiões perdidas no trabalho, na acção apostólica, na vida familiar; se fugimos com frequência da Cruz, porque nos queixávamos facilmente ao depararmos com a contrariedade e com o inesperado.

Cada ano que passa é um apelo para que santifiquemos a nossa vida diária e um aviso de que estamos um pouco mais perto do encontro definitivo com Deus. Não nos cansemos de fazer o bem, pois a seu tempo colheremos, se não desfalecermos. Por conseguinte, enquanto dispomos de tempo, façamos o bem a todos(5).

II. AO EXAMINAR-NOS, é fácil que verifiquemos ter havido, neste ano que termina, omissões na caridade, pouca laboriosidade no trabalho profissional, mediocridade espiritual consentida, pouca esmola, egoísmo, vaidade, faltas de mortificação na comida, graças do Espírito Santo não correspondidas, intemperança, mau humor, mau génio, distracções mais ou menos voluntárias nas nossas práticas de piedade... São inumeráveis os motivos para terminarmos o ano pedindo perdão a Deus, fazendo actos de contrição e de desagravo. Olhamos para o tempo que passou e “devemos pedir perdão por cada dia, porque cada dia ofendemos”(6). Nem um só dia escapou a essa realidade: foram muitas as nossas falhas e os nossos erros.

No entanto, são incomparavelmente maiores os motivos de agradecimento, tanto no campo humano como no espiritual. Foram incontáveis as moções do Espírito Santo, as graças recebidas no sacramento da Penitência e na Comunhão eucarística, as intervenções do nosso Anjo da Guarda, os méritos alcançados ao oferecermos o nosso trabalho ou a nossa dor pelos outros, as ajudas que nos prestaram. Pouco importa que agora só percebamos uma pequena parte dessa realidade. Agradeçamos a Deus todos os benefícios recebidos ao longo deste ano.

“É essencial conseguirmos novas forças para servir, e que procuremos não ser ingratos, porque o Senhor nos dá essas forças com essa condição; e se não usarmos bem do tesouro e do grande estado em que Ele nos coloca, voltará a tomá-los e ficaremos muito mais pobres, e Sua Majestade dará as jóias a quem as faça brilhar e as aproveite para si e para outros. Pois como poderia aproveitá-las e gastá-las generosamente quem não percebe que está rico? No meu modo de ver, é impossível, de acordo com a nossa natureza, que tenha ânimo para coisas grandes quem não pense estar favorecido por Deus; porque somos tão miseráveis e tão inclinados às coisas da terra, que, na verdade, mal poderá rejeitar todas as coisas daqui de baixo, com grande desprendimento, quem não perceba que tem algum penhor do além”(7).

Temos de encerrar o ano pedindo perdão por tantas faltas de correspondência à graça, pelas inúmeras vezes em que Jesus se pôs ao nosso lado e não fizemos nada para vê-lo e o deixamos passar; e, ao mesmo tempo, encerrá-lo agradecendo a Deus a grande misericórdia que teve connosco e os inumeráveis benefícios, muitos deles desconhecidos por nós mesmos, que Ele nos proporcionou.

III. NESTES ÚLTIMOS DIAS do ano que termina e nos primeiros do que se inicia, desejaremos uns aos outros que tenham um bom ano. Ao porteiro, ao farmacêutico, aos vizinhos..., dir-lhes-emos 'Feliz Ano Novo!' ou coisa parecida. Ouviremos outras tantas pessoas desejar-nos o mesmo e lhes agradeceremos.

Mas o que é que muita gente entende por 'Feliz Ano Novo'? “É, certamente, que vocês não sofram no novo ano nenhuma doença, nenhuma pena, nenhuma contrariedade, nenhuma preocupação, antes pelo contrário, que tudo lhes sorria e lhes seja favorável, que ganhem muito dinheiro e não tenham que pagar muitos impostos, que os salários aumentem e o preço dos artigos diminua, que o rádio lhes dê boas notícias todas as manhãs. Em poucas palavras, que não experimentem nenhum contratempo”(8).

É bom desejar estes bens humanos para nós mesmos e para os outros, se não nos separam do nosso fim último. O novo ano nos trará, em proporções desconhecidas, alegrias e contrariedades. Um ano bom, para o cristão, terá sido aquele em que tanto umas como outras lhe serviram para amar um pouco mais a Deus. Ano bom para o cristão não terá sido aquele que veio carregado – na hipótese de que isso fosse possível – de uma felicidade natural à margem de Deus. Ano bom terá sido aquele em que servimos melhor a Deus e aos outros, ainda que do ponto de vista humano tenha sido um completo desastre. Pode ter sido, por exemplo, um ano bom aquele em que apareceu a grave doença tantos anos latente e desconhecida, se soubemos santificar-nos com ela e com ela santificar aqueles que estavam à nossa volta.

Qualquer ano pode ser “o melhor ano” se aproveitarmos as graças que Deus nos reserva e que podem converter em bem a maior das desgraças. Para este ano que começa, Deus preparou-nos todas as ajudas de que necessitamos para que seja “um ano bom”. Não desperdicemos nem um só dos seus dias. E quando chegar a queda, o erro ou o desânimo, recomecemos imediatamente. Em muitos casos, através do sacramento da Penitência.

Que todos tenhamos “um bom ano novo”! Oxalá possamos apresentar-nos diante do Senhor, no fim deste ano que começa, com as mãos cheias de horas de trabalho oferecidas a Deus, de empenho apostólico junto dos nossos amigos, de incontáveis pormenores de caridade para com aqueles que nos rodeiam, de muitas pequenas vitórias, de encontros irrepetíveis na Comunhão...

Façamos o propósito de converter as derrotas em vitórias, recorrendo a Deus e começando de novo. E peçamos à Virgem Maria, nossa Mãe, a graça de viver este ano que se inicia lutando como se fosse o último que o Senhor nos concede.

Francisco Fernandez Carvajal

(1) 2 Cor 6, 2; (2) Ef 5, 15-16; (3) Jo 9, 4; (4) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 39; (5) Gál 6, 9-10; (6) Santo Agostinho, Sermão 256; (7) Santa Teresa, Vida, 10, 3; (8) Georges Chevrot, O Evangelho ao ar livre.