26 de maio de 2018

O regresso de uma Rainha muito amada



Por estes dias, em 1945, Portugal revia a sua última Rainha. Entre 19 de Maio e 30 de Junho, terminara há meros dias a grande guerra, regressou a Lisboa a Rainha Dona Amélia de Orleães e Bragança, mulher e mãe de reis. Foi a primeira visita da Rainha à pátria do seu marido e filhos em 35 anos - em 1910, uma insurreição republicana conduzira à abolição da monarquia portuguesa e ao exílio da Rainha-mãe Amélia e do seu filho, o Rei Dom Manuel II. Falecido aquele em 1932, a Rainha Dona Amélia ficara como único membro vivo da desafortunada última geração da linha mariana da Casa de Bragança.

A Rainha veio a Portugal para rever um país que já fora o seu e, em especial, para reencontrar a família. No Panteão dos Braganças, em São Vicente de Fora, a Rainha prestou homenagem ao Rei Dom Carlos, ao Rei Dom Manuel e ao Príncipe Real Dom Luís Filipe, assassinado junto do pai em 1908. Foi recebida pelos mais relevantes dignitários do Estado, entre os quais o então presidente do Conselho de Ministros Oliveira Salazar, e visitou o Palácio da Pena, em Sintra, Cascais, Alcobaça, Batalha, a Foz do Arelho, o Buçaco e Fátima, a cujo santuário ofereceu um dos seus mantos reais. Em Portugal, a Rainha visitou ainda algumas das instituições sociais que fundara e que continuara, mesmo do exílio e tão destratada por Portugal, a apoiar financeiramente. Foi o caso da Assistência Nacional aos Tuberculosos e do Dispensário de Alcântara.

No final de Junho, a Rainha Dona Amélia regressou a França, onde morreria em 1951. Amada pelos portugueses e finalmente reconhecida pelo Estado, a corpo da Rainha foi trazido para Portugal a bordo de uma embarcação da Armada, a fragata NRP Bartolomeu Dias, e sepultada no Mosteiro de São Vicente de Fora. O governo português concedeu-lhe um funeral de Estado em que estiveram presentes o Chefe do Estado, General da Força Aérea Francisco Craveiro Lopes, o Chefe do Governo Doutor Oliveira Salazar, o Ministro da Marinha e futuro Presidente da República Contra-almirante Américo Thomaz e o Cardeal-Patriarca de Lisboa Dom Manuel Gonçalves Cerejeira.

RPB

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