28 de dezembro de 2011

Ética Republicana ou chamar o Rei?

Contrariando o que seria naturalmente sensato, as politicas que supostamente visam salvar Portugal (e a Europa) da crise, vêem somente números e nunca pessoas que, sendo humanas, têm necessidades (por mais básicas que sejam).

Parece que agora surgiu a ideia de colocar os trabalhadores portugueses a trabalhar mais 30 minutos por dia para ajudar à recuperação nacional! Será possível que haja alguém, com os pés minimamente assentes na terra, que acredite que isto vai resultar? Uma regra fundamental das sociedades desenvolvidas diz que todo o ser humano tem o direito ao descanso! Mais que ter direito, tem absoluta necessidade de descansar para viver! Se ao fim das agora 8 horas diárias de trabalho, os trabalhadores já se encontram cansados e com o rendimento a diminuir mais cansado estará e mais baixo será o rendimento no trabalho com os 30 minutos extra. É do mais elementar conhecimento que o cansaço excessivo leva à diminuição dos reflexos que tem como consequência o potencial aumento do número de acidentes. Por algum motivo existem campanhas rodoviárias (só a título de exemplo) a alertarem para não conduzir demasiado cansado. Uma pessoa nessas circunstâncias coloca em risco não só a sua integridade mas a de todos os que a rodeiam! Será que aqueles que acalentam esta ideia dos 30 minutos extra não conseguem entender isto e preferem continuar a ver unicamente números?

E aqueles trabalhadores (a maioria possivelmente) que têm compromissos familiares como ir buscar os filhos à escola? Não entenderão os nossos governantes que com medidas destas estão a destruir as famílias e, consequentemente, toda uma sociedade, todo um povo?

Afinal foram eleitos por quem? Afinal estão a governar para quem? E o mais ‘engraçado’ é que as diversas forças politicas se atacam e contra-atacam tentando atribuir as culpas (no já tradicional jogo do empurra) às forças contrárias! Esquecem-se, contudo, que o Povo Português sabe que todas elas são culpadas pela situação a que Portugal chegou. Na prática verifica-se que não existe ninguém que defenda verdadeiramente Portugal e os Portugueses. Quanta falta faz um REI que por estar fora do jogo dos partidos nada lhes deve e, por isso, tem a sua independência assegurada. Sim, um REI, Chefe de Estado verdadeiramente independente que, por isso, é capaz de defender, de facto, a população (que tanta necessidade tem de um protector)!

Ideia ainda mais infeliz que anterior é aquela de concentrar as ‘meias-horas’ para serem usadas ao Sábado. Isto, então, é de bradar aos Céus.
Que trabalhador aceitará que lhe tirem uma manhã de descanso, para mais sem que lhe paguem por isso? Que trabalhador estará motivado, nestas circunstâncias, para o trabalho? Ao fim de 40 horas de trabalho que trabalhador estará suficientemente descansado de modo a que os acidentes de trabalho sejam minimizados?

Quem teve estas ideias devia ter estudado um pouco mais para, hoje, perceber que um trabalhador motivado e com o descanso em dia é, potencialmente, muito mais produtivo.

Os impactos desta medida na economia não são necessariamente positivos! Qualquer pessoa que trabalhe sabe que ao longo da semana, em virtude dos horários de trabalho actuais, é praticamente impraticável recorrer ao comércio tradicional. A manhã de Sábado apresenta-se, assim, como uma alternativa viável para usar este tipo de comércio. Retirar a manhã de Sábado aos trabalhadores não só retira descanso aos mesmos como pode implicar o colapso do já débil comércio tradicional, com graves consequências para a economia.

Também se colocou a hipótese de retirar dias de férias aos trabalhadores. Fica-se de tal maneira estupefacto com esta hipótese que uma das perguntas que vem à mente é “Será que estão mesmo a falar a sério?”.

Será que se está pretender voltar progressivamente à escravatura (que, por acaso, foi abolida pela Monarquia)? Aumento do trabalho e diminuição das remunerações? A este ritmo o que virá a seguir?
No meio de tudo isto haverá quem pense que são sacrifícios que se devem fazer a bem de Portugal! É certo que há alturas em que devem ser feitos sacrifícios pelo bem comum, pelo bem da Pátria. Disso não há margem para dúvidas! O pior é que, mesmo com todos estes sacrifícios exigidos, os problemas de Portugal não serão resolvidos porque, como se diz popularmente, há demasiados a comer demasiado. O povo, esse, sem nenhuma força que o defenda verdadeiramente, continua a ver os sacrifícios pedidos a aumentar e a sua qualidade de vida a diminuir.

Finalmente a ‘brilhante’ ideia de diminuir o número de feriados! A justificação é que Portugal tem mais dias de descanso que a média europeia (terá mesmo?). Mas se é uma média quer dizer que há países com mais e países com menos. Assim sendo, o nosso número de feriados não estará assim tão desajustado relativamente à realidade europeia. No entanto, acreditando que é efectivamente necessário baixar o número de feriados (será mesmo?) para recuperar a economia nacional (já se sabe à partida que estas medidas são contra-producentes), nivelando esse valor pela média europeia, há uma pergunta que logo se deve levantar: será que os ordenados também vão ser nivelados pela média europeia?

Aqueles que nos representam nas instâncias europeias são remunerados pelo seu trabalho, como é natural. E será que essas remunerações estão ao nível das médias de remunerações em Portugal (País que os elegeu) ou será que estão ao nível europeu? Dois pesos e duas medidas? Será a tão falada ética republicana?
É sempre muito engraçado ver os nossos governantes usarem apenas as médias que lhes interessam. Sempre que nivelam por qualquer média é sempre a nivelar por baixo, retirando benefícios e direitos à população que os elegeu! Mais ética republicana? Afinal estão a (des)governar para quem? E não ousem dizer que é para o povo português! Não insultem a nossa inteligência!
E de quem é a culpa disto? Acima de tudo do povo de Portugal! E porquê? Porque parece não querer abdicar de um Presidente e substitui-lo por um Rei que, distante dos sujos interesses partidários, consiga pôr ordem nesta Terra e saiba honrar o juramente de defender Portugal e o seu Povo. Um Rei sabe que o seu poder vem do povo que o aclamou e sabe que é sua missão defender os interesses desse mesmo povo, colocando-os acima de qualquer interesse particular.
Verdade seja dita, na prática de que nos vale ir eleger um novo presidente a cada 5 anos? Que vantagem nos trouxe/traz? É que além das Monarquias serem mais baratas que as repúblicas, conseguem um maior poder de representatividade, são livres de influências político-partidárias e ainda conseguem poupar as fortunas que se gastam com as eleições presidenciais e com os ex-presidentes.
É mais que tempo de decidir abdicar, por um bem maior, do ‘papelinho de 5 em 5 anos’. É mais que tempo de ter um poder livre e independente que defenda verdadeiramente Portugal e o seu Povo. Com as éticas republicanas que temos visto, é mais que tempo de chamar o Rei.
POR PORTUGAL!
PELO POVO PORTUGUÊS!

Sem comentários: