quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Queres ser chefe de Estado?

Como apenas posso responder por mim, respondo não…eu não quero ser chefe de Estado!

E porque não quero?! Porque não almejo esse “posto”, porque entendo que existe alguém suficientemente representativo para esse efeito.

Sou mais ou menos partidário da máxima: “não há impossíveis”. Com trabalho, com empreendedorismo e com uma séria assunção de responsabilidades, todas as funções, actividades, compromissos, etc, são, com maior ou menor dificuldade, possíveis de alcançar…a todos. A chefia de Estado não! Não cabe nesse conjunto. É algo à parte, único.

Quase me atrevia a dizer que é algo que a própria natureza já assimilou, mas que alguns de nós ainda não. Com as óbvias ressalvas, alguém ocupa o posto da rainha na colmeia ou no formigueiro? Obvio que não! Nestes sistemas altamente organizacionais, conforme testemunham biólogos e sociólogos, aqueles seres sabem que, para haver harmonia no grupo, o seu representante não deve emergir dos comuns. Mas serão aqueles “soberanos” privilegiados? Bem sabemos que não, antes pelo contrário. São os maiores sacrificados. Ora, se muitos não vêem nestes moldes a chefia de Estado exercida por um Rei, i.e., de total entrega ao grupo, eu digo-vos que é estruturalmente como naqueles micro sistemas que vejo o (meu) modelo de chefia de Estado.

Considero a chefia de Estado um cargo constitucional mas não político. Não político no sentido estrito do termo, mormente não partidário. Mas, infeliz e indisfarçavelmente, é o que mais vemos hoje em Portugal. Cingindo-nos à Europa, os seus países mais desenvolvidos, as Monarquias Constitucionais, são lugares que são ocupados com uma delicadeza institucional por demais longe do alcance do cidadão comum que, por maior que seja o seu esforço, nunca conseguiria exercê-lo de forma abonatória. Este é o mal das repúblicas. São sintomáticos os casos mais fraternamente feridos de alguns países, como a Espanha, a Bélgica e a Inglaterra, cujos levantamentos terroristas ou apenas opositores contra o todo uno só são passíveis de contenção pela existência de um Rei neutro e universalmente representativo. Em outras monarquias, onde tal cenário, felizmente, já não se coloca…o progresso é deveras maior. Casos da Noruega, Suécia, Holanda, Dinamarca, etc. Porque fomos, então, para este modelo que não funciona em Portugal, em face dos seus costumes e tradições histórico-constitucionais? Porque sendo um rectângulo, insistimos, à força, como uma criança ainda desprovida de discernimento, encaixar a peça triangular onde ela não encaixa?

De facto, o lugar de chefe de Estado não pode ser um posto. Não pode ser o lugar primeiro do pódio onde alguns querem chegar, pela simples razão de terem desfrutado de determinados protagonismos públicos, alcançados, na maior parte das vezes, em carreiras políticas medianas ou até medíocres. Por exemplo: conhecem algum empresário de sucesso (e apenas isso) que tenha chegado a presidente da república portuguesa? Eu não, nem se deixem enganar porque nunca haverá!

Desde de 1910 que se cria a ideia de que qualquer um pode chegar ao “topo da pirâmide”. Nada mais erróneo e enganador para todos nós!

A mais alta magistratura é um estado de chefia da mais absoluta sensibilidade institucional, cultural, regional, etc. Como se consegue? Com neutralidade, total preparação, paixão e conhecimento deste rectângulo plantado em mar Atlântico, das suas gentes, dos seus costumes, das suas tradições. É um exercício que não se disfarça. É com trabalho de preparação que se consegue. Cultura de um, espelho de muitos e vice-versa. Comunhão de um com o todo, alcançada sem a “ferida” e o “separatismo” que os votos “policromáticos” produzem. Trabalho de uma vida dedicada, apenas, aos outros concidadãos.

Como devem perceber, este lugar representativo só pode ser exercido por um Rei, implantado numa ‘república’ governamental.

Há que operar uma fácil destrinça: chefia de Estado por um lado e governação por outro.
No primeiro caso, a hereditariedade decidida pelo Parlamento assegura-nos a preparação, a unidade (ora perdida) e, sobretudo, a neutralidade institucional fundamental ao progresso português. A Monarquia resolve os problemas de Portugal? Sim, resolve…mas não a curto ou a médio prazo. Primeiro temos de ganhar ao tempo perdido nestas repúblicas “aneutras” e recuperar, passo a passo, o mais importante: a consciência colectiva portuguesa, o todo pensante num sentido promotor e empreendedor. Só a neutralidade vinda do topo o proporciona. Esta é a chave dos países mais modernos da Europa.
No segundo caso, o Governo, o motor de decisão de um País, esse sim deve ser almejado por qualquer um com: honestidade, sentido de missão, capacidade, e olhos postos na realização do bem comum. Há que acabar com esta ambiência poluída de uma certa classe política maioritária, com um sentido carreirista, que vê o cargo de primeiro-ministro como a antecâmara da presidência da república, da mesma forma como o chefe de divisão que quer chegar a director de serviços e este, quem sabe, a Director Geral e por aí fora.

Não meus amigos, este não é o caminho e muito menos o modelo que os países desenvolvidos adoptaram!

Se é protagonismo que alguns querem, relembro a esses que muitos Reis de Inglaterra foram esquecidos, mas muitos se lembrarão de Winston Leonard Spencer-Churchill e Margaret Hilda Thatcher. Não haviam primeiros-ministros mais monárquicos e leais aos seus Reis. Por outro lado pergunto: alguém conhece o chefe de Estado da Itália? No caso deste aludido país, quer pelas razões passadas, quer pelas agora presentes, devemos convir que bem precisava de um Rei…mais que qualquer outro (ainda mais que Portugal, se me permitem dizer)! O chefe de Estado de Espanha, da Inglaterra, e de muitos outros Reis pelo mundo inteiro (asiático, árabe ou outro), esses todos, nós bem conhecemos e nos inspiram…!

PPA

Fonte: Incúria da Loja

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