quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Tudo bem

No fundo esta república nunca foi dirigida por pessoas sérias mas por evangelistas da boa vida. Uns escroques com outros escroques que sabiam ler fizeram uma revolução em 1910. À lei da bala. Seguiu-se o caos até 1926. À lei da bala. Segui-se uma ditadura. À lei da bala e da refrega. Seguiu-se uma "revolução" em 1974. Os escroques voltaram e com eles muitos oportunistas que sabiam ler. Escreveram uma constituição surrealista e montaram uma feira de vaidades. O país foi vendo, fica a ver. Porquê? Porque emprenhamos em demasia pelos ouvidos. Temos um estômago manso e ávido das promessas não cumpridas, todas elas floreadas pelas armas apontadas à nossa consciência. Que República exemplar. Os evangelistas dos cravos ainda foram mais longe que a demagogia dos terroristas da I República, trocaram as emboscadas e as armas pelo gatilho das palavras: – ... viva a liberdade que vos "damos", ide curtir, está tudo bem, olhai para a frente, cuidado com o passado, quais valores? isso é reacção... Há!... não se esqueçam de nos dar o vosso voto, sejam democratas em nome da Liberdade que conquistamos para vós, deêm-nos "meios", "nós" não somos como os demais. Sejam iguais, lindos, ricos, famosos em todas as áreas e mais algumas, não se preocupem com pátrias, a moeda única de duas caras há-de dar-nos o conforto do socialismo rosa-laranja, bronzeiem-se, povão, que alguém há-de pagar caro a vida que "nós" proclamamos e que vocês, de certo modo, merecem...

João Amorim

Fonte: Os Carvalhos do Paraíso

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