quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Pelo SEF, a dignidade humana e o bom senso

 


1. A morte de Igor Homenyuk constitui um abuso que choca a consciência do povo português. Negar-lhe a importância que evidentemente tem seria um erro e uma infâmia. A morte, assim como o tratamento brutal a que foi submetido Igor Homenyuk não podiam ter acontecido, e não podem voltar a acontecer. A direcção do SEF, sem dúvida, geriu mal o gravíssimo processo. Sem dúvida, exige a honra do Estado, e o respeito devido à família do falecido, que tudo se esclareça, e que sobre os responsáveis caia todo o peso da Lei.


2. Reconhecer a gravidade do que se passou com Igor Homenyuk no Aeroporto de Lisboa não implica, nem justifica de maneira nenhuma, a defesa da extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. O crime que envergonhou Portugal envergonha certamente mais ainda os mil inspectores do SEF, homens e mulheres altamente capacitados que cumprem zelosamente a sua importantíssima função: o controlo e defesa da fronteira e, através dela, a defesa dos portugueses. Pouco ou nada permite concluir que com aquela polícia exista um problema sistémico de abusos, violências ou vexames impostos a inocentes. Quando as instituições cometem erros, o que há a fazer não é desconsiderar em bloco os profissionais que as compõem e desmantelá-las: é encontrar os erros e corrigi-los; é separar o trigo do joio. Não se aboliriam os tribunais por uma má sentença, os bombeiros por um fogo que ficou por apagar ou o exército - e lembramos a esse respeito a histeria recente com os Comandos - por de tempo a tempo ocorrerem problemas.


3. Muitas vezes, casos chocantes são habilmente utilizados por homens de segundas e terceiras intenções para anestesiar a razão alheia e fazer avançar os seus propósitos. Quando o vemos acontecer, importa que tenhamos a prudência de parar para pensar se alguém não quererá manipular-nos. No caso do SEF, o bom senso diz-nos que algo de terrível se passou com um homem inocente, e que tal não pode voltar a acontecer. O SEF, composto por portugueses como nós, tem certamente de assegurar-se de que assim será. Ao mesmo tempo, a sensatez diz-nos que a actual campanha contra o SEF é motivada por mais que o lamentável caso de que faz uso, e que o bom nome da instituição inteira, assim como das suas muitas centenas de servidores, está a ser injustamente enlameado. Há que evitar a amálgama e a facilidade de conclusões simplistas, actos irreflectidos e erros que causarão dano grave e permanente a Portugal. Exige-se maturidade e a força para resistir aos manipuladores.


Fonte: Nova Portugalidade

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