“Nenhum vento é favorável se não souberes qual o porto para onde deves navegar.”
Séneca (4 AC-65 AC)
“A tolerância e a falta de interesse são as últimas virtudes de uma sociedade moribunda.”
Aristóteles, mestre de Alexandre “O Grande” (384 AC – 322 AC)
Impus a mim mesmo, por razões várias, mas sobretudo por “fastio”, a pronunciar-me sobre as eleições (ainda) em curso. Mas, como por um acaso, reuni meia dúzia de “apontamentos”, lá me decidi a juntar-lhes algum nexo descritivo e fazer disso pasto de leitura de algum leitor mais guloso por ouvir dizer coisas que raramente são ouvidas, na descabelada corrente mediática, que nos cerca, assalta e nos tenta revolver e condicionar as entranhas cognitivas e elencar a alma com as mais funestas ferramentas de manipulação de massas.
Gostaram desta tirada?
Pois jamais (penso eu de que) a poderiam ouvir da boca de um qualquer candidato ou de quem anda metido em campanhas deste tipo…
Comecemos pelo que não é (ainda) óbvio:
Esta eleição devia ser escusada pois devíamos viver em Monarquia. O 5 de Outubro de 1910 (não o de 1143), foi uma desgraça (mais uma) que nos calhou em graça, e não devia ter acontecido.
E quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga.
Aliás, há eleições a mais (para PR; para as Legislativas; para as Autárquicas; as específicas das Regiões Autónomas, para o Parlamento Europeu; quando a AR é dissolvida, etc., uff!) a que se tem de juntar os prazos curtos entre as mesmas. Ou seja, ninguém governa, nada se pode fazer em continuidade temporal, anda-se permanentemente em campanha eleitoral e não há sossego; além de que tudo custa uma fortuna e representa um esforço e trabalho não produtivo. E algum negócio.
E não contentes com isto, sobretudo no caso vertente, a campanha, que devia decorrer quando está previsto na lei (4 a 16/1/26), começou muitos meses antes, até do PR ter anunciado a data de 18 de Janeiro para a primeira volta (30/10/25); apenas teve uma paragem porque, entretanto, fomos brindados com umas eleições legislativas extra, dado o governo ter caído…
O que está discriminado na Constituição da República (que, de resto, deve ser objecto de alterações profundas) relativamente a quem pode concorrer a PR parece-me que deve ser revisto. Isto é, não deve haver apenas, três condições para permitir uma candidatura: ser português nascido em Portugal; ter 35 anos ou mais e recolher um mínimo de 7.500 assinaturas consideradas válidas, segundo a lei.
Nem sequer é necessário apresentar um registo criminal ou provar que passou com distinção no exame da antiga 4ª classe ou equivalente (sendo que hoje é difícil encontrar essa equivalência…), a malha tem de ser mais apertada. Mas no polo oposto chega-se ao ponto de fazer assassinatos de carácter na via pública e a fazer chicana com a vida íntima de candidatos.
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As eleições são uma mentira a vários títulos: primeiro essa ideia da “igualdade de oportunidades” é uma história que só “contaram pra você”, dado só poderem concorrer os muito ricos (outros também podem, mas não têm hipóteses de fazer nada…) ou aqueles que são apoiados com fundos de algum “filantropo”, ou amigos que lhe deem mesadas.
Cuidado, porém, normalmente quem paga quer mandar ou tirar daí dividendos (ou seja, cada um de nós arrisca-se não a votar num candidato, mas sim em quem o apoia…).
Os únicos que têm dinheiro para apoiar candidatos são os Partidos Políticos, logo a maioria dos candidatos saem destas hostes. Ou seja, é mais do mesmo. Quer dizer, estamos cada vez mais afundados numa partidocracia…
O PR ser o “Presidente de todos os portugueses” – como quase todos berram a plenos pulmões – é outra falácia: vai ser sempre dos portugueses de uma ou mais “facção” contra outra ou outras.
Mesmo com toda a campanha efectuada mais o “escrutínio” dos órgãos de comunicação social, o verdadeiro conhecimento das pessoas que se candidatam, por parte da generalidade dos eleitores, estimo que seja muito fraco.
Ou seja, as pessoas votam no que desconhecem.
Chamam a isto “Democracia”.
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Sobre a campanha:
- Não vou apoiar ou deixar de apoiar um determinado candidato (embora estou certo de que no fim de lerem o que escrevo saberem qual será a minha opção) pois todos nós temos de ouvir e entender o que os candidatos defendem e não a fazer ruído sobre o que se passa ou a tentar falar por eles;
- A campanha acaba por ser – para quem a segue minimamente – um “massacre” televisivo. Notícias a mais (e frenéticas), misturadas com propaganda e demagogia, são desinformação. Os órgãos de comunicação social parecem que se atropelam uns aos outros em todo este âmbito;
- O aspecto do candidato, se é alto ou baixo, simpático ou antipático, bonito ou feio, (se tira selfies!) etc., aparenta ter mais importância que os seus reais conhecimentos e virtudes. É da natureza humana. Daí haver candidatos e eleitores que apostam mais na aparência do que na substância;
- Qualquer incidente imprevisto no caminho da campanha eleitoral, pode deitar tudo a perder, daí que, por norma, aparecem sempre umas “bombas” atiradas para a contenda em alturas específicas, ou por desespero de um candidato; da sua “entourage” ou até, de outrem;
- As sondagens podem ter impactos positivos ou negativos no comportamento dos eleitores e dos candidatos, mas têm sempre o condão de influenciar, o que pode levar a distorções na percepção do eleitorado e da “máquina” de apoio aos candidatos. Tudo isto deve ser bem “mastigado” para que o exercício das sondagens seja devidamente regulamentado a fim de não desvirtuar a livre escolha do eleitorado;
- Deverá haver um limite para o número de candidaturas à eleição (nem que se tenha que optar a um escrutínio prévio, qualquer) sob pena do “sistema” se tornar ingerível;
- Os comentadores devem analisar o que se passa, não fazer campanha por este ou aquele;
- Os votantes têm de pensar pela sua cabeça, não pela cabeça de outros;
- Do mesmo modo os jornalistas que apoiem algum dos candidatos e queira fazer campanha eleitoral por algum deles, deve suspender profissionalmente as suas funções e assumir-se como apoiante de um ou outro, a título pessoal;
- Deviam ser evitados, proibidos, até, ataques pessoais e insultos; tem de se discutir ideias, não atacar pessoas.
- Finalmente a campanha devia concentrar-se nos aspectos que dizem respeito às funções presidenciais, não a tornar-se um debate sobre tudo e mais alguma coisa. O tema mais importante para um PR é a questão de como ele pensa e irá actuar para garantir o que é mais importante para o país: a defesa da independência e soberania de Portugal e a preservação da identidade da Nação Portuguesa; sendo que uma não se mantém sem a outra.
Ninguém falou sobre isto (nunca falam…)!
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Aproveito para listar as maiores ameaças (internas e externas) que se vislumbram (algumas são de sempre e vão e vêm):
- A falta de personalidade das elites nacionais (quer isto dizer que é preciso pensar em português e ter vontade em ser português – chama-se a isto “Patriotismo” – grande parte dela vende a alma a “internacionalismos” vários(tal representa um perigo nacional permanente…);
- O Federalismo Europeu e o Iberismo;
- A falta de segurança no país (Forças Armadas à míngua; Forças de Segurança sem autoridade; Serviço de Informações embrionário; exercício da “Justiça” aplicado a outro “mundo”, ineficaz e ineficiente; aumento da criminalidade;
- Instrução Pública (a que chamam educação) medíocre, desnacionalizada, indisciplinada, nivelada por baixo e cheia de valores errados; um desastre completo e extenso;
- Sociedade com grandes falhas éticas e morais (a Moral passou a ser relativa) no seu comportamento; desregramento e corrupção transversal, a atingir níveis do chamado “terceiro mundo”;
- “Invasão” de imigrantes completamente desregrada e desproporcionada com intuitos que se podem considerar “diabólicos”, por parte de quem permitiu, favoreceu e incentivou. A Nação Portuguesa e a sua matriz cultural poderão diluir-se rapidamente. O que se está a passar representa a maior ameaça à nossa existência como Nação no concerto dos povos, e a curto prazo. Não estou a exagerar, aliás, entra pelos olhos dentro, de um cego – que são os que não querem ver;
- Alienação, por venda ou cedência, do património nacional: não são só as empresas, sobretudo as estratégicas, é o próprio solo, um destes dias não haverá um quilómetro quadrado em mãos portuguesas.
A lista podia continuar. Manda, pois, o senso comum que se escolham candidatos a eleições, sejam elas quais forem – já que é o sistema que está em vigor – quem melhor possa e queira, emendar o extenso rol de desastres em que estamos metidos, para já não falar na parte financeira que é pedra de toque de tudo onde se mexer.
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Gostava para finalizar que os leitores reparassem numa coisa e que é esta: nos últimos, vá lá, 45 anos, existe um facto “curioso” que é o de, praticamente, todos os cidadãos portugueses, que ocuparam os cargos de PR, PM, Presidente da AR e outros altos cargos (incluindo internacionais), terem ido a uma ou mais reuniões do “Grupo de Bilderberg”. A maior parte destes nossos compatriotas (ou terão passado a apátridas?) foram, aparentemente, escolhidos e indicados por outro compatriota nosso, chamado Pinto Balsemão (recentemente falecido), neste espaço de tempo.
Por isso não é preciso ser bruxo para se saber quem é que, à partida, irá ser (ou poderia ter sido) a próxima personalidade que se sentará em Belém.
Os grandes arautos do sistema democrático continuam a badalar que “o povo é quem mais ordena”.
Coitados, nunca andaram tão longe da verdade. E talvez nem se dêem conta.
João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador (Ref.)
Fonte: O Adamastor
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