sábado, 5 de outubro de 2019

5 de Outubro de 1143 – Tratado de Zamora



5 DE OUTUBRO DE 1143 – INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL
Em 5 de Outubro de 1143 foi celebrado um Tratado na cidade leonesa, homónima, de Zamora, desfecho da conferência de paz organizada pelo Arcebispo de Braga Dom João Peculiar e que teve como intervenientes Dom Afonso Henriques e o seu primo Afonso VII de Leão e Castela, sob os auspícios do enviado papal, o Cardeal Guido de Vivo.
Com a assinatura deste tratado resultou, há 876 anos, o nascimento daquele que é considerado o mais antigo Estado-Nação do mundo ocidental: PORTUGAL.
De facto e de direito, Portugal não começou há 109 anos, isso foi a república portuguesa! Antes, durante 767 anos existiu o Reino de Portugal e dos Algarves. Portugal, País forjado à espadada e valentia por Reis e heróis extraordinários. O Reino de Portugal e depois, também, dos Algarves, e depois, também, d’Aquém e d’Além-Mar, com o seu desejo oceânico fruiu o Mundo e esses tempos de Glória de Portugal, não podem ser encarados como meras recordações, ecos ensurdecidos, pois em Monarquia ultrapassamos sempre as crises: granjeamos a Nação Portucalense, expulsamos os sarracenos, sobrevivemos à ocupação castelhana, às Invasões Napoleónicas com a sua política de delapidação e terra-queimada, sobrevivemos a Ultimatos e guerrilhas
Por isso, hoje, 5 de Outubro, os Monárquicos, e os Portugueses em geral, celebram o nascimento do Reino de Portugal, em 1143.
Neste Tratado de Zamora, ficou assente que Afonso VII de Castela e Leão concordava com a transformação do Condado Portucalense em Reino de Portugal com Dom Afonso Henriques com o título de ‘Rex Portucalensis’- Rei de Portugal, embora continuasse, apesar do reconhecimento da Independência, como vassalo do Rei de Castela e Leão, que se intitulava Imperador da Hispânia. Porém, caso único entre todos os Reis da Ibéria, dom Afonso Henriques nunca prestou essa vassalagem. A partir desta data, Dom Afonso Henriques passou a enviar ao Papa remissórias declarando-se vassalo lígio e comprometendo-se a enviar anualmente uma determinada quantia em ouro, pelo que, em 1179, o Papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum, reconheceu Dom Afonso Henriques como Rex.
Alexandre Herculano escreveu que “o imperador reconheceu o título de rei que seu primo tomara, e que este recebeu dele o senhorio de Astorga, considerando-se por essa tenência seu vassalo. Não é menos provável que, ainda como rei de Portugal ficasse numa espécie de dependência política de Afonso VII, o imperador das Espanhas ou de toda a Espanha, como ele se intitulava nos seus diplomas”. Todavia, na Bula acima referida, o Papa ao aceitar que Dom Afonso Henriques lhe preste vassalagem directa, reconhece não só, definitivamente, a independência do Reino de Portugal, como o Rei de Portugal fica livre de prestar vassalagem ao Rei de Leão e Castela, imperador de toda a Espanha, porque nenhum vassalo podia ter dois senhores directos.
Assim sendo, tendo ganho a sua Independência e soberania enquanto Estado naquele 5 de Outubro de 1143, Portugal encontra-se a 24 anos de completar 900 anos de existência – que celebre a data já novamente como Reino é o nosso desejo.
Viv’ó Rei! Viv’á Monarquia!
VIVA PORTUGAL Independente e Soberano!
Miguel Villas-Boas

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

“Quando legalizámos o genocídio de crianças por nascer, não podemos requerer a proteção divina”, SAR D. Duarte de Bragança

“Não podemos ser esquizofrénicos e querer uma ligação com Deus quando votamos a favor da lei do aborto”, diz D. Duarte Pio (c/som)
No passado sábado, 28 de Setembro, teve lugar no Santuário da Padroeira de Portugal em Vila Viçosa, a peregrinação das Ordens Dinásticas. De entre as individualidades presentes destacou-se SAR, D. Duarte Pio, duque de Bragança.
Aos microfones da Rádio Campanário (presente na cerimónia), D. Duarte abordou a questão da assimetria que tem afetado a igreja católica.
D. Duarte começa por referir que “em primeiro lugar temos de perceber a razão pela qual a igreja está nessa situação”.
O duque de Bragança considera que “em 1835 o estado português sobre o governo do meu antepassado D. Pedro I roubou os mosteiros todos, tendo matado a obra de evangelização que era feita nesses locais”.
D. Duarte aponta ainda que “a falta de vocações tem dificultado também o número de sacerdotes”, lembrando que “hoje em dia temos muitos leigos que têm ajudado na divulgação da fé”.
A imagem de Nossa Senhora “tem sido a grande responsável pela preservação da fé em Portugal e sobretudo aqui no Sul”, considera o duque.
D. Duarte considera muito importante que “se tome consciência que não podemos ser esquizofrénicos, uma coisa é querermos a nossa ligação com Deus, mas na prática fazemos ao contrário, por exemplo votámos favoravelmente a lei do aborto”.
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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Magalhães, porque a verdade o justifica


Magalhães – um dos insignes navegadores de que há memória – continua a estar no centro da polémica. É que Magalhães, talvez sem ter noção disso, foi protagonista de uma façanha que, hoje, é alvo de disputa entre dois Estados soberanos, Portugal e Espanha. E aqui, verdadeiramente, encontramos a sua importância. Nenhum Estado que abdicar de Magalhães e do feito que o viria a distinguir ao longo de todos estes séculos. E se entre os governos português e espanhol parece estar tudo solucionado, com a apresentação de uma candidatura conjunta da viagem na UNESCO, o mesmo não podemos dizer dos jornais e sítios de opinião espanhóis, que, quase no limite da paranóia, insistem em reivindicar Magalhães, em assomos nacionalistas que, devo dizer, só lamento por apenas se manifestarem do lado de lá da raia.
Em Portugal, temos uma concepção muito particular de como nos devemos comportar em determinadas circunstâncias. O politicamente correcto está instituidíssimo. Aquando da polémica com Magalhães, li notícias, crónicas, artigos deste e daquele. Todos, porém, comungavam da mesma linha, diplomática, racional – a ponto de inexpressiva -, distante. Realmente, se há característica que invejo nos espanhóis é a sua coragem. Até um pouco daquele chauvinismo e daquela soberba nos faz falta. Lá, têm-nos a mais; aqui, a menos. Magalhães, o nosso Magalhães, pouco significa para os opinadores e comentadores habituais. Quase que o oferecem de bandeja a nuestros hermanos. Levem-no. Sejam é menos ruidosos. É o que parece resultar de tanta apatia. Enveredam nas lendas da desnaturalização de Magalhães, sem que haja um único documento histórico que o ateste, senão escritos de autores da época, espanhóis, e que por isso deixam muito a desejar no que respeita à sua autenticidade. Para os espanhóis, não basta que Magalhães tenha servido a Carlos I; mais do que isso, querem-no apagar da História de Portugal, reivindicando-o como seu, como espanhol, porque o que está por detrás da pretensa desnaturalização de Magalhães é legitimar que se possa afirmar que Magalhães não era português, mas sim espanhol – o próprio conceito de Espanha, no século XVI, é discutível, porque, se bem que Castela e Aragão já estavam unificados, não havia qualquer Reino de España, que é muitíssimo posterior e remonta já à Casa de Bourbon. Espanha, naqueles tempos, ou as Espanhas, designava a península e o conjunto dos reinos que a compunham. Portugal, evidentemente, fazia parte. Não existia, todavia, qualquer teor político no termo Espanha. Espanha era a península, a herdeira da Hispania romana, ou seja, o território europeu a que hoje chamamos Península Ibérica.
Magalhães, nascido em território português, em localização imprecisa, que servira ao monarca português, Dom Manuel I, tendo-se, alegadamente, incompatibilizado com este – há o tal episódio do beija-mão, em que Dom Manuel I terá recusado deixar-se beijar por Magalhães, o que provavelmente é fantasia dos cronistas da época -, ofereceu os seus préstimos a Carlos I para descobrir o caminho para as ilhas Molucas. E é importante que façamos, aqui, um ponto de ordem: Magalhães não quis circum-navegar o planeta. Não se pensava nisso, e tão-pouco se tinha uma percepção nacional dos feitos – não havia nações. Os navegadores serviam um e outro monarca. As frotas incorporavam pessoas de várias proveniências. É natural que dêmos uso a termos actuais para nos referirmos a realidades passadas, por insuficiência de léxico mais apropriado, mas temos, a todo o momento, de nos colocar o mais possível no meio e no tempo em que aquelas personagens viveram. Magalhães julgou que chegaria às ilhas por um caminho diferente daquele que os portugueses seguiam, contornando a costa africana – e importa também que se diga que não éramos navegadores de costa, como tantas vezes se lê por aí, em tentativas de nos diminuir. Não chegámos à Terra Nova, no actual Canadá, pela costa, nem ao Brasil, nem a tantas ilhas remotas que colocámos no mapa do mundo (Tristão da Cunha, Santa Helena, Maurícias, etc), e nem eventualmente à Austrália. O nosso império era marítimo, costeiro, composto essencialmente por feitorias, com a salutar excepção do Brasil. Métodos diferentes dos seguidos pelos espanhóis, conquistadores. Apenas isso.
A suposta desnaturalização de Magalhães, mais do que não encontrar eco em qualquer documento histórico, porque não existe, não encontra entre cronistas relativamente contemporâneos a Magalhães. Dizia João de Barros (1476 – 1570), exímio historiador português, na Década III da Ásia, de 1563, o seguinte:
« Finalmete, auindos ambos (Magalhães e Faleiro) neste propósito de dárem algu desgosto a el Rey, deram consigo em Seuilha, leuando alguus pilotos tambe doentes desta sua infermidade: e lá achárã outros amorádos deste regno, com q fizeram corpo de sua abonaçã, por naquella cidade cõcorrer muyta gete deste mister do mar, por causa das armadas q se aly faziam pera ás Antilhas. » (Livro V, Cap. VIII)
Zero referências a desnaturalizações. Gaspar Correia (1492 – 1561), também ele historiador, relatou assim, nas suas Lendas da Índia, o episódio que dá conta da partida de Magalhães:
« Fernão de Magalhães d’ysto aggrauado, porque o muyto pedio a EIRey e elle o nom quis fazer, lhe pedio licença pera hir viuer com quem lhe fizesse mercê, em que alcançasse mais dita que com elle. EIRey lhe disse que fizesse o que quigesse; polo que lhe quis beijar a mão, que lhe ElRey nom quis dar. » (Tomo II, pág. 626)
Não há, uma vez mais, qualquer referência a desnaturalizações. Houve um arrufo, um desagrado, mas não mais do que isso. Tudo o que o negue radica, portanto, no desconhecimento, na negligência na consulta das fontes, ou, no mínimo, na má vontade. Repito: não há, a par de relatos de alguns autores, qualquer documento exarado por tabelião que ateste uma desnaturalização de Magalhães, pelo que não nos resta mais do que inferir o que a sensatez aconselha: Magalhães ter-se-á desentendido com o Rei, que ficou agastado, e foi servir a outro senhor, Carlos I. Não deixou de ser português e de provavelmente se sentir português. Mais ainda: Magalhães foi para Castela com autorização régia. Há quem venha defender que foi um espião português ao serviço de Dom Manuel. Eu não iria tão longe, mas, repito, não falta quem o defenda, e com argumentos melhores e mais plausíveis do que aqueles de que se munem os que alegam desnaturalizações, autores espanhóis como Antonio de Herrera, Bartolomeu Leonardo de Argensola, entre outros, incluindo Faria e Sousa, português, que todavia foi para Castela e adoptou o castelhano como idioma dos seus manuscritos. Até que ponto o fizeram já antevendo uma rivalidade futura, pois tudo é possível. Estamos no reino das suposições, sem documentos históricos, com apenas relatos de cronistas da época, que frequentemente hiperbolizavam os acontecimentos.
Magalhães, um português, com carreira feita em Portugal, levou para Castela a arte de navegar e a ciência que cá apreendera. Negar-se, ou omitir-se, a importância de Portugal na sua formação como navegador é manifestamente má vontade, e que Portugal está intimamente ligado à viagem de circum-navegação também. Magalhães era português, servisse que monarca servisse. Era-o. E foi ele quem iniciou a gesta, não a concluindo por um infortúnio subsequente. Dividir-se os louros da campanha de Magalhães (e Juan Sebastián Elcano) entre Portugal e Espanha parece-me a decisão mais sensata e mais respeitosa com aquilo que aconteceu entre 1519 e 1522. Ainda que admitindo que Dom Manuel procurou colocar entraves à viagem, tese que, aliás, não é consensual, nem isso retira da biografia de Magalhães – e que ele não negou – a sua origem. Se considerarmos, como alguns, que Magalhães efectuou o trajecto pelo Atlântico e pelo Índico a mando, de forma encapotada, como espião, de Dom Manuel I, para que o monarca português pudesse comprar as ilhas que, à época, se julgava estarem em hemisfério castelhano, mais se justifica colocar-se Portugal e Espanha lado a lado, como herdeiros da proeza de Magalhães. Nota ainda para o seguinte: Dom Manuel foi emprestando dinheiro a Carlos I, que se via em apuros, e a própria expedição às Molucas foi co-financiada pelo monarca português. Acredito que estes factos perturbem alguns espíritos mais orgulhosos e soberbos, particularmente em Espanha…
Os nossos vizinhos têm uma dificuldade tremenda em assumir que precisamos uns dos outros. Já era assim naqueles tempos. Espanha, ou Castela, como queiram, não ergueu o seu império sozinha. Nem Portugal. As informações, os navegadores, as influências cruzavam-se. Insistir-se que a viagem de circum-navegação, que não era para o ser, foi exclusivamente espanhola é um disparate que só o nacionalismo primário e irracional justifica. E o medo. É que há um claro aproveitamento político dos espanhóis. Não se pense que esta cegueira com Magalhães se explica apenas na história. Não. Magalhães, e isto até é o que mais me indigna, de certa forma, ou me entristece, melhor dizendo, está a ser usado para unir o que os independentismos têm ajudado a fragmentar. Os nacionalistas espanhóis precisam de um símbolo, algo que una as pessoas em torno de um propósito. Magalhães serve-lhes perfeitamente. Lembra-lhes do passado glorioso de Espanha, quase que o personificando. O Pacífico, mare nostrum espanhol, como propagam. Também o Índico foi, a seu tempo, um enorme lago português… As boas relações entre os Estados, que se querem frutuosas, pouco importam. Aborrece-me dizê-lo, mas valha-nos o bom senso aqui, que sempre acarreta uma dose de comedimento: não duvido de que houvesse quem estivesse disposto a começar quase uma guerra por Magalhães. Lá. Não por cá, que os portugueses, em moderação e ponderação, estão francamente à frente dos espanhóis. Assim o estivessem em amor-próprio e na hora de puxar pelos seus galões.
Marco Tiago Ferreira
Bibliografia:
– Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, N.ºs 16 e 17.
– MATOS E SILVA, José e António. 2009. Fernão de Magalhães: Um agente secreto ao serviço do Rei Dom Manuel de Portugal. Revista “Lusíada História” n.º 7 / 2010.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

SAR, D.Duarte de Bragança na Peregrinação Internacional das Ordens Dinásticas em Vila Viçosa


Decorreu este sábado, 28 de Setembro, a Peregrinação Internacional das Ordens Dinásticas, no Santuário de Nossa Senhora da Conceição em Vila Viçosa.

Para Francisco Couto, reitor do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, que começa por explicar aos nossos microfones que “esta peregrinação está dividida entre Vila Viçosa e Alcobaça”.
Francisco Couto destaca a presença do “Sr. Bispo de São Tomé e Príncipe”, bem como do “Sr. Arcebispo de Évora D. Francisco Senra Coelho”.
A Peregrinação Internacional das Ordens Dinásticas “insere-se nesta comemoração pela Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição a quem o Papa atribuí a indulgência plenária”, explica o reitor.
Do programa consta “a celebração eucarística” no Santuário, Francisco Couto acrescenta ainda que “estarão presentes cerca de 80 pessoas”. Durante a tarde “visitarão um pouco de Vila Viçosa e dos seus espaços, como é o caso do Paço Ducal”.
Questionado pela RC sobre as nacionalidades presentes na Peregrinação, o reitor refere que “são várias, temos pessoas do Haiti, de Leste, representantes da Rainha Isabel II de Inglaterra, dos EUA, de Espanha e de França”.
SAR, D. Duarte Pio, duque de Bragança, presente na cerimónia destacou aos microfones da RC que “todos os membros da casa real estão conscientes da sua responsabilidade espiritual e colaboram com as obras existenciais”.
O duque explica que a Real Ordem “colabora em São Tomé e Príncipe, onde já tem um orfanato e um lar de estudantes”, acrescentando ainda os apoios “para o telhado do Santuário de Nossa Senhora da Conceição em Vila Viçosa”.
Para Fernando Pinto, Juiz da Régia Confraria de Nossa Senhora da Conceição “é uma enorme satisfação que nesta celebração do centenário da Real Confraria se tenha realizado esta peregrinação”.
O Juiz destaca a presença de “representantes um pouco de todo o mundo”, acrescentando que “para este Santuário é uma honra e um prazer poder acolher estas pessoas”.

domingo, 29 de setembro de 2019

Perceber os perigos da regionalização

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As eleições legislativas estão à porta, e a maioria dos partidos políticos com representação parlamentar afirmam querer a divisão do país em regiões dotadas de autonomia política. A Nova Portugalidade acredita na unidade da nação portuguesa, e por isso ouvirá o Professor Manuel Filipe Canaveira, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sobre os perigos que a regionalização comporta - para a democracia e para a soberania, independência e capacidade de decisão do Estado.


sábado, 28 de setembro de 2019

Parabéns, Majestades!


28 de Setembro – Aniversários Natalícios dos Reis D. Carlos I e da Rainha D. Amélia
A 28 de Setembro de 1863, nascia Dom Carlos I de Portugal, no Palácio da Ajuda, em Lisboa. De Seu nome completo Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo-Gotha, foi o penúltimo Rei de Portugal, mas como filho primogénito varão do Rei Dom Luís I e da Rainha Dona Maria Pia, e na qualidade de Príncipe herdeiro da coroa de Portugal, recebeu desde cedo os títulos oficiais de Príncipe Real de Portugal (o 4.º) e Duque de Bragança (19.º), possuindo o usufruto dos rendimentos dessa grande e Sereníssima Casa, último morgadio que no seu tempo era ainda, legalmente, permitido em Portugal. O Ducado de Bragança é o único título real hereditário, atribuído sempre ao herdeiro presuntivo da coroa que, ao subir ao trono, por sua vez o passa para o seu próprio herdeiro.
Dom Carlos recebeu desde muito cedo uma esmerada educação, aquela reservada aos herdeiros presuntivos. Os melhores preceptores instruíram Dom Carlos nas mais variadas ciências e artes, e, também, ministraram-lhe diversas línguas estrangeiras. Ainda jovem viajou pelas diferentes cortes europeias.
Exímio pintor, oceanógrafo, atirador, etc., recebeu inúmeros prémios internacionais pela sua pintura e ficaram para a posteridade os seus estudos oceanográficos e ornitológicos.
Em 28 de Setembro de 1865, durante o exílio da família real francesa, em Inglaterra, nascia, em Twickenhem, Dona Maria Amélia Luísa Helena de Bourbon-Orleães, princesa de França. Dona Amélia era a filha primogénita do pretendente ao trono francês Luís Filipe, Conde de Paris, neto do último Rei de França, Luís Filipe I, e de Maria Isabel de Bourbon-Orleães-Montpensier, infanta de Espanha, filha do Príncipe Antoine D’ Orleães, Duque de Montpensier e Infante de Espanha, por sua vez filho do último Rei de França.
A princesa Dona Amélia passou parte da infância em Inglaterra, até à queda do II.º Império. Então, a Casa Real de Orleães pode regressar ao país, e, embora o seu pai apenas fosse pretendente à Coroa, a princesa teve então uma esmerada educação.
Dona Amélia era uma jovem encantadora e culta, admiradora de ópera e teatro, era leitora compulsiva da melhor literatura da época, chegando a corresponder-se com os seus autores favoritos. Além disso possuía, tal-qualmente, dotes para a pintura que ultrapassavam o elementar.
Tudo parecia predestinado para que o casamento da jovem Princesa francesa ocorre-se com o herdeiro de uma coroa norte-europeia, mas uma feliz coincidência impeliu os acontecimentos. De férias em Paris, o Príncipe Real Dom Carlos de Portugal, Duque de Bragança, que procurava esposa, num encontro organizado pela Infanta de Portugal Dona Maria Antónia foi apresentado a Dona Amélia de Orleães e a seus pais. A Princesa de França Dona Amélia era a filha primogénita do pretendente ao trono francês Luís Filipe, Conde de Paris, neto do último Rei de França, Luís Filipe I, e de Maria Isabel de Bourbon-Orleães-Montpensier, infanta de Espanha, filha do Príncipe Antoine D’ Orleães, Duque de Montpensier e Infante de Espanha, por sua vez filho do último Rei de França. O encanto foi mútuo e o pedido oficial foi realizado por Dom Carlos ao Conde de Paris, a 6 de Fevereiro de 1886, sendo lavrado registo matrimonial nesse mesmo dia no Castelo d’ Eu.
A 17 de Maio de 1886, a princesa Dona Amélia, futura Duquesa de Bragança partiu de França e chegou à Pampilhosa no dia seguinte. Em 19 de Maio, pelas 17 horas, a Princesa foi apresentada à Corte em Lisboa.
O casamento real entre Dom Carlos de Bragança, Príncipe Real, Príncipe hereditário de Portugal e Duque de Bragança com Dona Maria Amélia Luísa Helena de Bourbon-Orleães, princesa de França, foi celebrado no dia 22 de Maio de 1886, na Igreja de São Domingos, e foi acompanhado pela multidão que saiu às ruas de Lisboa para acompanhar o cortejo nupcial.
Depois do casamento, e terminada a lua-de-mel, os Duques de Bragança mudaram-se para a sua nova residência, o Palácio de Belém.
Contraíram matrimónio no dia 22 de Maio de 1886, na Igreja de São Domingos.
O casamento foi abençoado pelo nascimento do Príncipe Real Dom Luís Filipe de Bragança, o primogénito do presuntivo herdeiro do trono de Portugal, e como tal Príncipe da Beira (4.º).
A 19 de Outubro de 1889 falece El-Rei Dom Luís I, e Dom Carlos é entronizado e aclamado novo Rei de Portugal, passando o muito jovem Príncipe da Beira, como presuntivo herdeiro, a ter o título de Sua Alteza Real, o Príncipe Real Dom Luís Filipe, Duque de Bragança.
Depois, em 15 de Novembro de 1889, nasceu o Príncipe Dom Manuel de Bragança, Duque de Beja.
‘Foi uma coroa de espinhos a que o moço rei teve para colocar sobre a cabeça, e nem o brio da juventude lhe permitiu um instante o gozo da vaidade, a que se chama fortuna. (…) E antes, depois e sempre, em todo o decurso deste já longo terramoto, cujo fim não vimos ainda, o moço rei, sozinho, desajudado de homens prestigiosos que lhe amparassem o trono, com partidos desconjunturados que na hora do perigo se demitem, confessando meritoriamente a sua impotência, ouvia estalar os tiros sediciosos do Porto e crescer a vozearia, confundindo os erros da sociedade com a responsabilidade da Coroa, esperando a salvação da queda da monarquia.’
O casamento de Dom Carlos I e Dona Amélia duraria até 8 de Fevereiro de 1908, data em que El-Rei, juntamente com o Príncipe Real, foram assassinados.
Curiosidade: a 28 de Setembro de 1893, no dia do aniversário d’ El-Rei D. Carlos I e da Rainha D. Amélia, como forma de homenagear Suas Majestades Fidelíssimas, foi fundado o Foot-Ball Club do Porto pelo monárquico António Nicolau d’Almeida, um comerciante do vinho do Porto e mais tarde produtor do célebre tinto “Barca Velha”, e que descobrira o futebol nas suas viagens a Inglaterra. O FC Porto inicia então os seus primeiros treinos no Campo do Prado, em Matosinhos, e no dia 8 de outubro disputa o primeiro jogo da história do clube, contra o Clube de Aveiro.
O primeiro jogo para uma prova oficial ocorre a 2 de Março do ano seguinte frente ao Club Lisbonense de Guilherme Pinto Basto, que convence o Rei D. Carlos a patrocinar o jogo, e no qual ofereceu, também, uma taça: a Taça D. Carlos I, ou ainda Cup d’El Rey. Disputado no Campo Alegre, no Porto, também chamado Campo dos Ingleses, casa do Oporto Cricket and Lawn-Tennis Club, o match contou com a presença de toda a Família Real Portuguesa.
Miguel Villas-Boas

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

SA, D. Dinis de Bragança na Final Taça Duque do Porto 2019



SA, D. Dinis, Duque do Porto marcou presença na Final Taça Duque do Porto 2019. Foi premiada ainda a vencedora do Circuito Taça Duque do Porto 2019 - Elisabete Teles - com o convite para a Final do Golf Channel Amateur Tour a realizar no Algarve em 2020.