terça-feira, 25 de julho de 2017

Liberdade e responsabilidade

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Só o nihilismo da chamada “post modernidade” poderia postular uma liberdade sem responsabilidade, por negar a constância da identidade pessoal, supondo que a pessoa se “realiza” num contínuo “escolher” pontual, sem regra nem fim; poderia parecer congruente este “realizar-se” sem sentido com a despersonalização desumana que convertesse o homem numa “coisa” (res), “coisificando-o” tal como uma máquina; mas não é assim, pois as “coisas” são precisamente as que carecem de toda liberdade e regem-se ou por um tropismo natural ou técnico, ou pela manipulação mais ou menos arbitrária que delas podem fazer os homens. Em troca, se não renunciarmos a distinguir os homens das coisas, será inevitável que o homem tenha que dar razão da sua própria conduta e nisto consiste a responsabilidade.

Sendo o homem um ser racional e necessariamente social e por isso “pessoal”, a sua mesma existência social impõe-lhe esta necessidade de “dar razão” da sua conduta pessoal às outras pessoas com as quais se relaciona.

Álvaro D’Ors em “Responsabilidade e Liberdade”


Fonte: Causa Tradicionalista

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