quarta-feira, 8 de julho de 2015

SAR, O Senhor D. Duarte de Bragança visitou a Guiné-Bissau



Desde a passada sexta-feira, 26 de Junho, que o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, está de visita à Guiné Bissau.

No Sábado, viajou de lancha até Bubaque onde reencontrou o régulo de Bubaque, que já o havia acolhido em 1968, tendo conversado durante largo período de tempo.

Visitou a missão católica desta ilha , falando com o padre Luigi, que tem um interessante projecto de escola agrícola. e é um notável estudioso da cultura do Pôvo Bijagó.

O Duque de Bragança reuniu também com os outros régulos dos Bijagós que, na circunstância, o surpreenderam com uma agradável recepção, onde não faltou a exibição de danças tradicionais.

A visita incluiu também as magníficas praia de Bruce e Ilha de Rubane , onde se encontra um Hotel que goza de merecida fama a nível internacional.

De regresso a Bissau jantou com o Senhor Presidente da República no dia 29, e no dia 30 reuniu com o Primeiro Ministro e com o ministro da Agricultura e também com o senhor Embaixador Presidente Miguel Trovoada , representante das Nações Unidas .
Jantou com o Embaixador de Portugal em Bissau e com o representante da União Europeia neste País, tendo reunido com o IBAP.

Um dos objectivos da visita foi a concretização de um projecto de desenvolvimento rural sustentável desenvolvido pela Fundação D Manuel II em colaboração com a Cooperação Portuguesa . 

Visivelmente agradado e agradecido pela forma como foi recebido neste País , lamentou que, por falta de tempo, não tenha conseguido rever muitos dos seus amigos Guineenses, mas afirmou contar voltar em breve acompanhado da sua Família. S. A. R. o Duque de Bragança Regressou a Portugal no dia 3 de Julho. 
(Foto Nuno Albuquerque)

Fonte: Causa Real


Viva o Rei: D. Duarte, Duque de Bragança, de visita à Guiné-Bissau


Desde a passada sexta-feira que Sua Alteza Real, o D. Duarte, Duque de Bragança, está de visita à Guiné-Bissau. No sábado, viajou de lancha até Bubaque, nos Bijagós, onde reencontrou o régulo, que já o havia acolhido em 1968, tendo conversado durante largo período de tempo.


Visitou a missão católica desta ilha, falando com o padre Luigi, que tem um interessante projecto de uma escola agrícola. D. Duarte é, de resto, um notável estudioso da cultura do povo bijagó.

O Duque de Bragança reuniu também com outros régulos do arquipélago que, na circunstância, o surpreenderam com uma agradável recepção, onde não faltou a exibição de danças tradicionais. A visita incluiu também as magníficas praias de Bruce e da ilha de Rubane, onde se encontra um hotel que goza de merecida fama a nível internacional. 

De regresso a Bissau, jantou com o Presidente da República, José Mário Vaz, no dia 29, e no dia a seguir reuniu com o Primeiro-Ministro, Domingos Simões Pereira, com o ministro da Agricultura e também com Miguel Trovoada, representante das Nações Unidas. Jantou com o embaixador de Portugal e com o representante da União Europeia.

Reuniu ainda com o IBAP - Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas, com vista à concretização de um projecto de desenvolvimento rural sustentável desenvolvido pela Fundação D. Manuel II, em colaboração com a Cooperação Portuguesa.

Visivelmente agradado e agradecido pela forma como foi recebido na Guiné-Bissau, lamentou que, por falta de tempo, não tenha conseguido rever muitos dos seus amigos guineenses, mas afirmou contar voltar em breve acompanhado da sua Família. Sua Alteza Real, o D. Duarte, Duque de Bragança, regressa a Lisboa amanhã, dia 3.

terça-feira, 7 de julho de 2015

XXI Congresso da Causa Real


Informamos que o XXI Congresso da Causa Real decorrerá em Lisboa no próximo dia 11 de Julho no Salão Nobre do Palácio da Independência, sito no Largo de S. Domingos, Metro: Rossio.
Nesse sentido aproveitamos para convidar os nossos associados a assistir como observadores a esta importante reunião que este ano decorre sob os auspícios da Real Associação de Lisboa.
Trata-se de um Congresso electivo, com um ênfase na discussão da estratégia da Causa Real que terá a seguinte ordem de trabalhos:
9h00 – Credenciação dos congressistas e observadores
10h00 – Abertura: apreciação do Relatório e Contas de 2014 e outros assuntos
11h00 – Intervalo
11h15 – Apresentação de propostas de estratégia
13h00 – Intervalo para almoço (livre)
14h15 – Apresentação de propostas de estratégia
16h15 – Intervalo
16h45 – Apresentação de listas para o Triénio 2015-17
17h30 – Votações
18h15 – Encerramento
Inscrições:
• Congressistas: 24,00 €
• Observadores: 14,00 €
Para efeitos de inscrição de observadores, solicitamos o contacto para a Real Associação de Lisboa (+351) 21 342 81 15
Horário de atendimento: das 11:00 às 12:45 e das 15:00 às 17:45, de segunda a quinta-feira.

domingo, 5 de julho de 2015

D. Carlos I, Um Rei no Mundo


Nunca a nossa cultura seria tão rica se não fosse o papel preponderante dos nossos Reis e Príncipes no financiamento do talento e não raras vezes mesmo na própria produção artística.
Lograstes Portugueses, em Dom Carlos I, um Rei Perfeito, pois não só era um intérprete da Vontade Nacional que com ponderação e firmeza e com o seu Poder Moderador acrescentou algo mais aos três poderes: legislativo, executivo e judicial. Exercido plena e livremente pelo Rei era a chave de toda a organização política e o Rei, como Chefe de Estado, incessantemente velava sobre a manutenção da independência, equilíbrio e harmonia dos mais Poderes Políticos. O Monarca era, tal-qualmente, um árbitro imparcial que não excluía o contacto com ninguém, até por dever institucional, mas antes procurava a harmonia entre diversas facções sociopolíticas, acima de intrigas mesquinhas, funcionando como um factor construtivo e decisivo para o funcionamento das instituições democráticas.
F.A. Oliveira Martins, “El-Rei D. Carlos I” in “Semana de Lisboa”, 1/1/1893: «Foi uma coroa de espinhos a que o moço rei teve para colocar sobre a cabeça, e nem o brio da juventude lhe permitiu um instante o gozo da vaidade, a que se chama fortuna. (…) E antes, depois e sempre, em todo o decurso deste já longo terramoto, cujo fim não vimos ainda, o moço rei, sozinho, desajudado de homens prestigiosos que lhe amparassem o trono, com partidos desconjunturados que na hora do perigo se demitem, confessando meritoriamente a sua impotência, ouvia estalar os tiros sediciosos do Porto e crescer a vozearia, confundindo os erros da sociedade com a responsabilidade da Coroa, esperando a salvação da queda da monarquia. Como se, no jogo mais ou menos imperfeito das instituições vigentes, houvesse alguma espécie de tirania! Como se o homem, que ontem se sentou no trono, pudesse ser responsável pelos erros acumulados em dezenas, em centenas de anos! Como se a desesperança, a apatia, o abandono com que a sociedade portuguesa se submete à oligarquia das clientelas e cabalas que a exploram, fossem filhas da acção perniciosa da Coroa! Como se, pelo contrário, não pudesse o rei queixar-se de tantos que desertam o seu posto…»
Depois temos El-Rei Dom D. Carlos cientista, o responsável pela fundação das ciências oceanográficas em Portugal. Leia-se o relata na primeira pessoas da Sua 1.ª Pesquisa Oceanográfica:
«Ao começar as minhas campanhas oceanográficas, dediquei-me desde logo quase exclusivamente ao estudo dos peixes que obtive, e fui levado principalmente a esta especialização de estudo, por ver a grande importância das pescarias na nossa costa, e acreditar que, talvez, por um estudo metódico da distribuição e das épocas de passagem das diferentes espécies nas nossas águas, melhores resultados pudessem ser obtidos. Hoje, depois de oito anos de observações e de estudos, estou cada vez mais convencido, que se prestaria um grande serviço, à nossa indústria piscatória, publicando um catálogo crítico em que, não só se encontrassem as espécies de peixes que habitam ou frequentam os nossos mares, como também se indicassem com precisão o seu habitat, as épocas de reprodução, as de passagem e os processos de pesca que a experiência aconselhasse preferíveis.»
Ficaram para a posteridade os seus estudos oceanográficos e ornitológicos. A tudo isto, como se fosse pouco, juntava-se-lhe o Rei-Artista: exímio pintor, Sua Majestade Dom Carlos I de Portugal, recebeu inúmeros prémios internacionais pela sua pintura, concursos a que competia não como Rei, mas como um concorrente equiparado aos demais, sem privilégio ou favorecimento.
João Franco Castello-Branco, in Cartas D’El-Rei Dom Carlos I a João Franco Castello-Branco, Seu Último Presidente do Conselho, Lisboa, 1924: «Com uma instrução geral que o não deixava encontrar hóspede em qualquer assunto de conversação; conhecedor e possuidor de línguas, especialmente do francês e do inglês, por forma que delas se servia como de sua própria; dado ao gosto e cultura das Belas-Artes, em uma das quais, a Pintura, foi distintíssimo; habituado nos sports e, como atirador, excepcionalmente forte – reunia a tudo isso ser o homem mais bem-criado do seu País, dotado de um humor sempre igual, sem descair nunca na vulgaridade, nem deixar perceber de si, em qualquer circunstância, sinal de contrariedade, despeito ou irritação.»
Como escreveu Raul Brandão:  «Se o deixam viver, tinha sido um dos maiores reis da sua dinastia.» Segundo o mesmo autor, novamente sobre El-Rei Dom Carlos I de Portugal: «Se o rei tratava os políticos como lacaios, tratava a gente do povo com extrema bondade.»Continuando a citar Raul Brandão, «D. Carlos aponta a África a uma plêiade brilhante de oficiais, que ele próprio incita, compreendendo que o grande Portugal é outro, e que esta faixa de terreno, com um clima agrícola horrível, só pode ser vinha e um lugar de repouso e prazer. De lá, desse novo Brasil – dos extensos planaltos de Angola, que duas vezes por ano produzem trigo -, tem de nos vir o oiro e o pão. O resto é visão de pequenos estadistas de trazer por casa. Só ele fala (e sonha) num Portugal Maior, e num Portugal esplêndido.»
Desta forma, o Monarca servia o tradicional papel de encarnar e representar esta tão Grande Nação aprontando para este tão Grande Povo mais Grandes feitos, na senda dos Seus Avoengos porque, caso único no Mundo, é um facto que desde Dom Afonso I Henriques o Reino de Portugal conheceu quatro Dinastias, mas todas elas pertencentes à mesma Família, que engrandeceu a Nação e que dando início à epopeia dos Descobrimentos, assim chamada a descoberta geográfica do Mundo empreendida pelos portugueses, foi reflexo do paradigma do Renascimento na medida que o humanismo não se trata apenas de um ideal de cultura, mas um ideal de pensamento de confiança no Homem. Com os Descobrimentos Portugal participa na primeira linha da construção de um admirável mundo novo, e Dom Carlos I continuou a sondagem desse Mundo através das suas investigações.
A Dom Carlos I, assenta pois, como uma luva, mesmo naquele século XIX e início do XX, a denominação de Príncipe da Renascença que designava aqueles Homens que dominavam com mestria superior várias artes e ciências. Poucos houve com merecimento desta titularia, mas muitos Reis Portugueses foram coroados, também, com esta Glória – também, caso único no Mundo!
Miguel Villas-Boas 

sábado, 4 de julho de 2015

Dia da Rainha Santa Isabel de Portugal


Descendente da Casa Real de Aragão, Santa Isabel nasceu, muito provavelmente, em 11 de Fevereiro de 1270, em Saragoça. Onze anos depois, por procuração, era
realizado o seu casamento com Dom Dinis, consumado em Trancoso, em Junho de 1282.
Tornada Rainha de Portugal, Dona Isabel contemplaria Coimbra pela primeira vez em Outubro de 1282, cidade onde se recolheu após a viuvez e realizou muitas das práticas caritativas acompanhadas de prodigiosos milagres, que viriam a ter como expressão máxima a lenda da transformação do pão em rosas.
Falecida aos sessenta e seis anos, no dia 4 de Julho de 1336, em Estremoz, foi sepultada em Coimbra no dia 11 de Julho.

Culto
Falecera a Rainha D. Isabel em Estremoz, a 4 de Julho de 1336 e, no cumprimento das suas últimas vontades, logo se procedeu à trasladação do seu corpo para Coimbra, onde chegaria dias depois, sem mostrar qualquer sinal de decomposição, antes exalando, segundo a biografia com toda a probabilidade atribuída a D. Fr. Salvado Martins, que a lenda depois largamente confirmaria, um suavíssimo perfume. Tendo sempre presente a acção da Rainha no exercício da desvelada caridade que praticara em vida e profundamente impressionado pela incorruptibilidade do seu corpo, não tardou o povo a dar-lhe foros de santidade, fazendo do seu túmulo, na igreja do velho Mosteiro de Santa Clara, lugar de oração frequente e da sua memória via de intercessão para levar até junto de Deus as suas necessidades. Prova desse culto espontâneo, mas muito intenso, é o registo dos milagres que lhe iam sendo atribuídos e que pouco a pouco se juntaram à sua biografia. E é por demais significativo que a cerimónia nupcial do futuro Rei D. Duarte com Leonor de Aragão se tenha celebrado, a 22 de Setembro de 1428, na capela do coro velho da igreja de Santa Clara, junto do monumento que encerrava os seus despojos.
E foi a intensificação desse culto que levou o Rei D. Manuel I a solicitar à Santa Sé a sua beatificação, concedida pelo Papa Leão X, por breve de 15 de Abril de 1516, que, como se compreende, não só tornou oficial aquele culto espontâneo, como lhe deu novo incremento e mais disciplinada expressão, até pelo facto de tornar necessário, na diocese de Coimbra e na Capela Real, um ofício próprio, tanto na missa, como nas horas canónicas, cujo texto foi redigido por André de Resende. A participação oficial da Universidade de Coimbra nesse culto, vai trazer nova e mais alta expressão à veneração da Santa Rainha. Com efeito, D. João III, por cartas de 9 de Setembro de 1556, ordenava ao Reitor da Universidade, Doutor Afonso do Prado e ao Reitor do Colégio das Artes que em cada ano ambas as instituições participassem oficialmente nas celebrações que, no dia da sua festa litúrgica, se realizassem no Mosteiro em honra de Santa Isabel.
Cerca de 1560, por decisão da Abadessa D. Ana de Meneses, e com o patrocínio da Rainha D. Catarina, fundava-se uma Confraria sob a sua invocação, cujos estatutos foram logo aprovados e confirmados pelo Bispo de Coimbra, D Fr. João Soares. A participação conjunta de toda a população de Coimbra nesse preito permanente prestado à sua Padroeira estava aí bem expressa pelo facto de um dos mordomos da respectiva Mesa ser um homem honrado da Cidade, sendo o outro obrigatoriamente um Estudante. Assim se compreende que, com o tempo, a Rainha D. Isabel fosse oficialmente considerada como padroeira de toda a Nação Portuguesa, da Dioceses de Coimbra e Leiria e de algumas das nossas mais prestigiosas instituições, como a Universidade e a Academia das Ciências, ou como a Misericórdia de Alvor, multiplicando-se a erecção de confrarias que a tomaram por Padroeira, algumas da quais ainda se mantêm vivas, como a de Soure ou, fora de Portugal, no Brasil e na Califórnia.
Mercê dos esforços da diplomacia portuguesa e, depois em 1580, também da espanhola, o Papa Urbano VIII decreta finalmente a canonização, em cerimónia solene ocorrida em Roma, a 25 de Maio de 1625. A notícia é recebida em Coimbra com grandiosas manifestações públicas e privadas, promovidas pelo Bispo D. João Manuel, pelo Cabido, pelas Ordens religiosas, numa entusiástica demonstração de vitalidade da devoção que todos consagravam à nova Santa, como bem se patenteia na Relação que dessas festas se publicou em Coimbra, logo no ano seguinte. Além deste volume merece referência especial a intervenção da Universidade, como se pode ver pelo volume Sanctissimae Reginae Elisabethae Poeticum Certamen, publicado em 1626, por iniciativa do Reitor D. Francisco de Brito Meneses.
Entretanto a progressiva ruína do velho mosteiro, obrigando à construção de novo edifício de excepcionais dimensões e notável valor artístico no Monte da Esperança, vinha criar condições mais favoráveis à difusão e engrandecimento das manifestações desse culto, como se vê pelas descrições que até chegaram das cerimónias da trasladação, ocorrida a 29 de Outubro de 1677, ainda antes de concluídas as obras.
Numa singular simbiose entre a devoção popular e a participação convicta das instituições civis e universitárias de Coimbra, a Santa Rainha continuará bem presente na memória e no coração dos Portugueses e das gentes desta Região do País. E uma das manifestações mais expressivas dessa presença iria ser, sem dúvida, o “préstito de capelos” à igreja de Santa Clara, que se vinha realizando todos os anos a 21 de Outubro, em cumprimento da deliberação do claustro pleno da Universidade reunido em 21 de Março de 1626, deliberação confirmada quase um século depois, a 10 de Maio de 1716, passando no entanto o préstito para 3 de Julho, e devendo a Universidade assistir no dia seguinte à missa e demais celebrações da festa.
Por provisão de D. João V, datada de 6 de Junho de 1746 e dirigida ao Reitor D. Francisco da Anunciação, ordenava o Monarca que, na festa a que a Universidade assistia “em préstito”, o pregador fosse sempre um Lente de Teologia, escolhido pelo critério de antiguidade. Por carta de 30 de Junho de 1773, como que a significar que a solenidade dessa procissão se mantinha após a promulgação dos novos Estatutos [da Universidade], ordenava o Marquês de Pombal ao Reitor-Reformador D. Francisco de Lemos que ele continuasse a realizar-se.
D. João VI aprova e confirma o antigo costume do préstito, como se vê pela acta do claustro pleno realizado em 11 de Julho de 1823. Mas a guerra civil em breve iria causar natural perturbação no cumprimento da secular tradição. A partir, pelo menos, de 1866, era o Presidente da Câmara Municipal quem, directamente ou através do Reitor, convidava o corpo universitário a incorporar-se com as suas insígnias na procissão da cidade.
E importa não esquecer outros sinais muito expressivos dessa devoção, que consta quase sete séculos, sobretudo no que toca à difusão da sua iconografia, através das mais variadas formas, mas muito especialmente nos “registos” e nos painéis de azulejo colocados em tantas casas, assim transformadas em santuários familiares desse culto, que pressupunha fervorosos actos de oração pública e privada, documentados por textos como a Novena para a Festa da Augustíssima Rainha de Portugal Santa Isabel (Coimbra, 1762) ou as Preces e louvores dedicados à Rainha Santa (Coimbra, 1915). Culto esse que também se torna visível nas romagens, cumprimento de promessas, invocações e actos de veneração que, em multidões, o Povo de Coimbra, de dois em dois anos, quando a sua Imagem desce à cidade, numa espécie de visita de bênção e de paz, lhe dirige confiante e agradecido.
São estes dados da História, que encontrou na Evolução do culto de D. Isabel de Aragão, de António de Vasconcelos (Coimbra, 1894), a sua melhor e mais completa expressão, e da mera observação da realidade quotidiana, que nos permitem compreender a dimensão, a importância e o significado espiritual e social que continuam a fazer, nos nossos dias, do culto prestado à Rainha Santa um fenómeno vivo, de extraordinária riqueza humana que constitui, sem sombra de dúvida, uma das maiores expressões de religiosidade popular em toda a Europa.
Aníbal Pinto de Castro

sexta-feira, 3 de julho de 2015

SAR, O Senhor D.Duarte de Bragança visitou o Torrão, em Alcácer do Sal




































O último dia da V edição da Feira Renascentista do Torrão - Torrão ao tempo de Bernardim Ribeiro ficou indelevelmente marcado pela visita do Herdeiro da Coroa Portuguesa, S.A.R. D. Duarte de Bragança.

Para além da visita Real, o dia dia ficou ainda marcado pelo tradicional espectáculo de encerramento.

Recorde-se que o certame decorreu durante três dias, entre 22 e 24 de Maio e contou com a participação de centenas de visitantes e imensos torranenses que vivem fora da freguesia.










Fonte: Blog Real

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Viagem do Príncipe Real


Em época de Verão e de viagens, importa recordar a importantíssima viagem do Príncipe Real às, então, colónias africanas. Mas antes disso, recorde-se: o Príncipe Dom Luís Filipe de Bragança, Príncipe Real e Duque de Bragança era o herdeiro do trono de Portugal e a promessa de continuidade da Casa Real Portuguesa.
El-Rei Dom Carlos I foi atribuindo, ao Duque de Bragança, postos honorários do exército no Esquadrão de Lanceiros do Rei, Regimento de Cavalaria nº 2 e nomeou-o ainda Comandante honorário do Colégio Militar e, ainda, durante a Sua adolescência começou o Príncipe Real a ser integrado gradualmente nas funções oficiais, tendo amiúde participado nas cerimónias das visitas oficiais de monarcas estrangeiros, como a de Eduardo VII, em Abril de 1902 ou a do Presidente Francês Loubet.
Tal-qualmente, o Príncipe Real viajou várias vezes para o estrangeiro, nomeadamente representar o Rei português, em Westminster, na Coroação do primo Eduardo VII, em Junho de 1902. Aí em Londres foi investido como Cavaleiro da Ordem da Jarreteira, o penúltimo português a ter essa honra – o último seria o irmão El-Rei Dom Manuel II.
Em 1902 acompanhado pela mãe e irmão cruza o Mediterrâneo num prolongado cruzeiro.
Quando SS.MM. os Reis se deslocaram a Paris, entre 20 de Novembro e 20 de Dezembro de 1905, e também a Madrid, entre 11 e 16 de Março, coube a Dom Luís Filipe assumir a regência do Reino, funções que cumpriu com grande presteza e competência facto pelo qual lhe foram tecidos enormes elogios.
Dom Luís Filipe viajou, também, para Madrid, ainda nesse ano, para assistir ao casamento do primo o Rei Afonso XIII, com a princesa Vitória de Battenberg, onde escapou a um atentado à bomba perpetrado por um anarquista, contra o monarca espanhol.
Nos termos do art.º 112.º da Carta Constitucional em 13 de Abril de 1906 – Constituição que havia jurado em 1901 -, o Príncipe Real tomou assento no Conselho de Estado, a posse de um lugar que era seu por inerência aos 18 anos.
Ora estavam reunidas as condições para a mais importante viagem que o Príncipe Real ia fazer até àquela data: o périplo pelas colónias africanas.
A viagem do Príncipe Real aos domínios portugueses em África foi o acontecimento político mais importante da jovem vida de Dom Luís Filipe, até porque era o primeiro membro da família real a fazer tal viagem.
Foi uma despedida emocionada a que a Família Real proporcionou ao garboso e jovem Príncipe Real e o Povo não quis perder nenhum momento.
Embarcou a 1 de Julho de 1907 a bordo do paquete África da Companhia Nacional de Navegação e visitou S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, e ainda as colónias inglesas da Rodésia e da África do Sul, quando regressava passou por Cabo Verde.
Com uma parca comitiva, mas sem precedentes, o jovem Príncipe Real foi aclamado por todo o lado que passou. Em Viagem do Príncipe Real, escreveu o Conselheiro Ayres de Ornellas – que acompanhou Dom Luís Filipe na viagem: ‘Exercia a sua insinuante figura, a um tempo tão moça quão varonil uma atracção indefinível, por todos experimentada. Acrescia a um amor pela sua terra, um fervor pelo sentimento patriótico que a todos também se comunicava, enquanto que uma educação primorosamente cuidada servida por uma inteligência claríssima e auxiliada pela prodigiosa memória da sua Casa. Contribuía prodigiosamente para o êxito triunfal da viagem, destinada a marcar apenas os derradeiros lampejos de glória de um Reinado a que ia em breve pôr termo a mais atroz tragédia da nossa História.’
Em S. Tomé deliciou-se com a vegetação tropical e foi recebido numa colónia engalanada e em festa. Em Angola os Sobas, na sua Presença, e perante expressivos arranjos musicais dos instrumentos locais, prestaram-lhe as sentidas homenagens e juraram-lhe fidelidade. Depois, em Lourenço Marques, foi recebido, a 29 de Julho, com vivas ao Príncipe e à Pátria Portuguesa e desfilou nas ruas por entre arcos enfeitados a rigor e perante uma entusiástica população que aplaudia o seu Príncipe Real. Depois foi à Rodésia e por fim à África do Sul, onde teve um acolhimento singular da comunidade local que lhe rendeu diversas homenagens.
Depois do Cabo regressou a Angola e no regresso a Portugal passou por Cabo Verde. Chegou a Portugal em 27 de Setembro de 1907, onde encontrou uma Nação em efervescência política.
Em todos os locais que visitou causou Dom Luís Filipe de Bragança a mais distinta impressão, facto pelo qual já na metrópole foi elogiado pelo seu desempenho pelo Rei, seu pai, e pelo Conselho.
‘Saudades!’ do Seu Príncipe, diria depois o Povo, daquele Rei a Ser cuja jovem vida, ainda nos primeiros capítulos, o terror republicano ceifou a 1 de Fevereiro de 1908.
Miguel Villas-Boas

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Numismatique de l’euro : l’empire maritime portugais

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La pièce commémorative portugaise qui sera mise en circulation le 15 juillet prochain célèbre le 500e anniversaire du premier contact entre le Portugal et le Timor. Une pièce qui doit avoir un sens particulier pour le Duc de Bragance.
La famille royale portugaise a toujours été impliquée dans les découvertes outre-mer. Il suffit de penser à Henri le Navigateur, Infant de Portugal (frère de Dom Duarte, Roi de Portugal de 1433 à 1438) ou à la branche de Bragance qui a régné sur le Brésil. Les bateaux portugais sont partis dans toutes les directions, et le résultat est que longtemps le soleil ne se couchait pas davantage sur le royaume de João V qu’il ne se couchait sur l’empire britannique ou sur celui de Charles Quint.
Ceci dit, c’est uniquement vers l’Orient que font voile les deux bateaux qu’on trouve sur des pièces en euros.
En 1515, les premiers navires portugais ont accosté au Timor. La pièce d’ouverture, qui commémore cet événement, fait figurer la date ainsi qu’un navire portugais du XVIe siècle et, à l’avant-plan, un toit de chaume et de bois sculpté, caractéristique des habitations locales. Devenu indépendant dans des conditions violentes en 2002, du moins dans sa partie orientale, le Timor est un des ultimes confettis lusophones dans cette partie du monde, avec Macao et quelques communautés des anciens comptoirs de l’Inde.
Une autre pièce évoque l’empire maritime portugais : celle qui avait été frappée en 2011 pour célébrer le 500e anniversaire de la naissance du navigateur Fernão Mendes Pinto.
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Fernão Mendes Pinto n’était de loin pas le sujet le plus recommandable du Roi de Portugal : trafiquant, pirate, familier des milieux criminels, mercenaire – mais aussi membre pendant quelques années de la Compagnie de Jésus et ambassadeur. Il avait parcouru de nombreux territoires orientaux et avait consigné ses observations dans son livre « Peregrinação ». On retrouve le titre de cette œuvre sur la pièce, à plusieurs reprises sur les vagues qui portent le bateau, ainsi que l’indication des territoires parcourus : Malaca, Índia, Moçambique, China, Ormuz, Camboia, Birmânia, Japão (il était entré au Japon par Tanegashima, dont le nom est aussi inscrit sur la pièce, et c’est lui qui y aurait introduit les armes à feu), etc.
Personnellement, je trouve magnifiques ces deux pièces portugaises.
Je reviens un instant sur la première d’entre elles, dont je disais qu’elle doit avoir un sens particulier pour le Duc de Bragance. Dom Duarte est en effet président de l’association « Timor 87 », qui vient en aide au Timor et à ses exilés, et le Parlement du Timor Oriental lui en a décerné la nationalité en 2012.
À ce propos, une opinion personnelle pour terminer, si Régine le permet. Que signifie le Timor dans l’opinion publique ? À de rares exceptions près, pas grand-chose. Donc, j’exprime ma satisfaction de voir que le Portugal utilise sa visibilité numismatique pour rappeler qu’il existe encore un petit territoire lusophone en Extrême-Orient, et mon respect pour Dom Duarte qui s’investit pour aider ceux qui y vivent ou qui ont dû y abandonner leur terre ou leur bateau.