terça-feira, 22 de setembro de 2026

“O fundamento mais sagrado e indestrutível da civilização humana são o altar e a família” - Glatlfelder


“Nem sequer os próprios membros da família suspeitam que nesse círculo, tão pequeno e frequentemente tão despretensioso, se encerra a felicidade e a paz e que nele se encontra a raiz da nação, do Estado e de toda a humanidade.
Representa por isso a maior riqueza de todo o mundo. Basta a decadência da família para que se gerem autênticas e terríveis revoluções e quando se apaga o fogo sagrado do lar, a humanidade precipita-se nas mais profundas trevas da barbárie, ao anularem-se os mais firmes fundamentos da vida.”

Cardeal Mindszenty em “A Mãe”, 2ª ed., Lisboa, Aster

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Dia São Mateus: Apóstolo e Evangelista

Banhada pelas águas do lago Genesaré, cortada pelas principais estradas do país, sede das casas comerciais as mais importantes, assim era Cafarnaum,  uma das cidades mais florescentes da Palestina. No tempo de Jesus Cristo a Palestina era uma província romana, e onerosos eram os impostos e direitos aduaneiros que pesavam sobre os judeus.  A cobrança destas contribuições obrigatórias era feita geralmente por rendeiros públicos, homens especuladores, verdadeiros esfoladores e sanguessugas do povo, e por isto mal vistos e odiados. Já o nome de Publicano, isto é, pecador público, excomungado, que se lhes dava, não deixava dúvida sobre a má fama de que tais homens gozavam.

Vivia em Cafarnaum Levi, filho de Alfeu, que mais tarde mudou o nome em Mateus, dom de Deus. Cafarnaum era a cidade pela qual Jesus Cristo mostrava grande simpatia, tanto que os santos Evangelhos chamam-na a Sua cidade. Na sinagoga ou na praia do lago, doutrinou frequentemente e curou muitos doentes.

Foi numa dessas ocasiões que Jesus, tendo pregado na praia, passou perto do telónio de Levi, parou e disse: "Segue-me". Levi levantou-se imediatamente, abandonou o rendoso negócio, mudou de nome e de vida. Não é provável que esta mudança tão radical tenha sido fruto de um entusiasmo espontâneo. É antes, de se supor, que Levi tenha tomado essa resolução devido ao que vira e ouvira, de modo que o convite positivo do divino Mestre lhe tenha pôsto têrmo às últimas dúvidas sobre a orientação da sua vida futura. Diz São Jerónimo que Levi,  vendo Nosso Senhor, ficou atraído pela divina majestade que fulgurava nos olhos de Jesus Cristo. Converteu-se Levi, diz Beda o Venerável,  porque Aquele que o chamou pela palavra, lhe dispôs o coração pela graça divina.

Mateus deu em seguida um grande banquete de despedida aos amigos e colegas, e convidou também Jesus e os discípulos. Os fariseus e escribas que, com olhos de lince observavam todos os gestos do Mestre, vendo que este aceitara o convite, acusaram-no dizendo: "Este homem anda com publicanos e pecadores e banqueteia-se com eles!". Também os discípulos de Jesus tiveram de ouvir repreensões: "Como é que o vosso Mestre se senta à mesa com os pecadores?".  Jesus, porém, respondeu-lhes:  "Não são os sãos, mas sim os doentes, que necessitam do médico. Não vim para chamar os justos, senão os pecadores".  Daí em diante Mateus foi um dos discípulos mais dedicados ao divino Mestre, e seguiu-o por toda a parte. 

Logo depois da Ascensão de Jesus Cristo e da vinda do Espírito Santo, Mateus, junto com os outros Apóstolos, pregou o Santo Evangelho nas províncias da Palestina e, com os demais Apóstolos, julgou-se feliz em poder sofrer injúria por amor de Jesus. Foi São Mateus, de entre os Apóstolos, o primeiro que escreveu um relatório da vida e morte de Jesus Cristo, dando a este livro o título de "Evangelho", que significa: "boa nova". Este Evangelho foi escrito em sírio-caldaico, para o uso dos primeiros cristãos da Palestina. São Bartolomeu levou consigo uma cópia para as Índias.

Quando os Apóstolos se espalharam por todo o mundo, São Mateus dirigiu-se para a Arábia e Pérsia, onde sofreu cruéis perseguições pelos sacerdotes indígenas. São Clemente de Alexandria diz que São Mateus era homem de mortificação e penitência, e alimentava-se só de ervas, raízes e frutas. Sofreu maus tratos na cidade de Mirmene.

Os pagãos arrancaram-lhe os olhos e, preso com algemas, esperou no cárcere o dia em que devia ser sacrificado aos deuses, por ocasião da grande festa idólatra. Deus, porém,  não abandonou o seu servo;  mandou-lhe um Anjo que lhe curou a vista e o libertou da prisão. São Mateus seguiu então para a Etiópia. Também lá o demónio quis tolher-lhe os passos.  Dois feiticeiros de grande fama opuseram-se-lhe,  mas São Mateus venceu-os pela força esmagadora dos argumentos e pelos milagres que fazia, em nome de Jesus Cristo.  Removido este obstáculo,  o povo aceitou a religião de Deus humanado.

Foi por intermédio do eunuco da rainha Candace, o mesmo que São Filipe baptizou, que São Mateus obteve entrada no palácio real. Lá havia grande luto pela morte do jovem príncipe herdeiro Eufranon. São Mateus, tendo sido chamado ao palácio, fez o defunto ressurgir, milagre este que encheu a todos de admiração.  O Rei, em sinal de alegria e gratidão, mandou arautos por todo o país deitarem pregão da seguinte ordem: "Súbditos! Vinde todos à capital ver um deus, que apareceu entre nós, em forma humana!"

Afluíram aos milhares os súbditos de todas as partes do reino, trazendo perfumes e incenso, para serem oferecidos ao deus que tinha aparecido. Mateus, porém, esclareceu-os dizendo:"Eu não sou Deus, como julgais que seja, mas servo de Jesus Cristo, Filho de Deus vivo;  foi em Seu Nome que fiz o filho do vosso Rei ressuscitar; foi Ele que me enviou a vós, para vos pregar a Sua doutrina e vos trazer a Sua graça e salvação".  Essas palavras tiveram bom acolhimento e a maior parte do povo converteu-se à religião de Jesus Cristo.  A Igreja da Etiópia chegou a ser uma das mais florescentes dos tempos apostólicos. O rei Egipto e família eram cristãos fervorosíssimos, tanto que Efigénia, a filha mais velha, fez voto de castidade perpétua e a seu exemplo, muitas filhas das famílias mais ilustres consagraram-se a Deus, numa vida de perfeição cristã.

Com a morte do Rei subiu ao trono o seu sobrinho Hírtaco, o qual, para estabelecer o governo sobre bases mais sólidas, pediu Efigénia em casamento. Esta recusou, alegando o voto feito a Deus. Hírtaco, não se conformando com esta resposta, exigiu que São Mateus fizesse valer a autoridade de Bispo, para que se realizasse o enlace desejado. São Mateus declarou ao Príncipe não ter competência Para envolver-se no caso. 

Vendo-se assim profundamente contrariado nos seus planos, Hírtaco deu ordem aos soldados de fazer desaparecer o Apóstolo. Esta ordem foi executada na igreja onde São Mateus celebrava a Missa. Pondo de lado o respeito devido ao lugar e à pessoa do santo Apóstolo, os sicários do Rei mataram-no no próprio altar. 

O corpo do Santo Mártir foi durante muito tempo objecto de grata veneração do povo cristão da capital. No ano de 930, foi transportado para Salerno (Itália) onde São Mateus até hoje é festejado como padroeiro da cidade.      

in Página do Oriente

domingo, 20 de setembro de 2026

Novena a São Miguel Arcanjo

Rezar diariamente durante 9 dias (de 20 a 28 de Setembro) estas orações: 

Glorioso São Miguel Arcanjo, o primeiro entre os Anjos de Deus, guarda e protector da Igreja Católica, lembrando de que Nosso Senhor vos confiou a missão de velar pelo seu povo, em marcha para a vida eterna, mas rodeado de tantos perigos e ciladas do dragão infernal, eis-me prostrado a vossos pés para implorar confiadamente o vosso auxílio, pois não há necessidade alguma em que não possais valer. Sabeis a angústia por que passa a minha alma. Ide junto a Maria, nossa Mãe muito amada, ide a Jesus e dizei-lhe uma palavra em meu favor, pois sei que Eles nada vos podem recusar. Intercedei pela salvação da minha alma e, também agora, por aquilo que tanto me preocupa:

(Fazer o pedido)

E se o que peço não é para glória de Deus e o bem da minha alma, obtende-me paciência e que eu me conforme com a Vontade Divina, pois sabeis o que é mais do agrado de Nosso Senhor e Pai.  Em nome de Jesus, Maria e José, atendei-me. Ámen.

Rezar, depois, 9 Glória-ao-Pai em acção de graças por todos os dons concedidos por Deus a São Miguel e aos Nove coros de Anjos:

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Ámen.

Invocação a São Miguel Arcanjo (pequeno Exorcismo):

São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, sede o nosso auxílio contra as maldades e as ciladas do demónio. Instante e humildemente vos pedimos que Deus sobre ele impere. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com esse poder divino, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Ámen.


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Família Real Portuguesa no casamento de Sophie-Dorothée de Württemberg e Philipp Polack

SAR D. Afonso de Bragança, SA a Infanta D. Maria Francisca e Duarte Araújo de Sousa Martins marcaram presença no casamento de Sophie-Dorothée de Württemberg e Philipp Polack em Altshausen.


quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Liberdade e responsabilidade


Uma relação entre os conceitos de Liberdade e Responsabilidade parece inegável, seja qual for a posição ideológica da sua perspectiva. Apenas o niilismo da chamada “post-modernidade” poderia postular uma liberdade sem responsabilidade, por negar a constância da identidade pessoal, supondo que a pessoa se “realiza” num continuo “escolher” pontual, sem regra nem fim; poderia parecer congruente este “realizar-se” sem sentido com a despersonalização desumana que convertesse o homem numa “coisa” (res), “coisificando-a” tal como uma máquina; mas não é assim, pois as “coisas” são precisamente as que carecem de toda liberdade, e regem-se, seja por um tropismo natural ou técnico, seja pela manipulação mais ou menos arbitrária que delas podem fazer os homens. Em troca, se não renunciarmos a distinguir os homens das coisas, será inevitável que o homem tenha que dar razão da sua própria conduta e nisto consiste a responsabilidade.
Sendo o homem um ser racional e necessariamente social e por isso “pessoal”, a sua própria existência social impõe-lhe esta necessidade de “dar razão” da sua conduta pessoal às outras pessoas com as quais se relaciona.
É precisamente esta relação com seus semelhantes que faz com que o homem seja “pessoa”.

Álvaro D’Ors em "Responsabilidad y Libertad"

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Hoje é dia de Nossa Senhora das Dores

Para fazer companhia à nossa querida Mãe é tradição rezar um Pai-Nosso e sete Avé-Marias por cada uma das 'dores' de Maria:

1. A profecia de Simeão (Lc 2, 34-35)
2. A fuga para o Egipto (Mt 2, 13)
3. O Menino Jesus perdido e encontrado no Templo (Lc 2, 43-45)
4. Maria encontra Jesus a caminho do Calvário (Lc 23, 26)
5. Jesus morre na Cruz (Jo 19, 25)
6. Maria recebe o corpo de Jesus nos braços (Mt 27, 57-59)
7. O corpo de Jesus é colocado no Sepulcro (Jo 19, 40-42)

domingo, 13 de setembro de 2026

Aparição de Nossa Senhora de Fátima a 13 de Setembro

A Irmã Lúcia, nas suas Memórias, descreve do seguinte modo a aparição de Nossa Senhora a 13 de Setembro de 1917:

Ao aproximar-se a hora, lá fui, com a Jacinta e o Francisco, entre numerosas pessoas que a custo nos deixavam andar. As estradas estavam apinhadas de gente. Todos nos queriam ver e falar. Ali não havia respeito humano.

Numerosas pessoas, e até senhoras e cavalheiros, conseguindo romper por entre a multidão que à nossa volta se apinhava, vinham prostrar-se, de joelhos, diante de nós, pedindo que apresentássemos a Nossa Senhora as suas necessidades. Outros, não conseguindo chegar junto de nós, chamavam de longe:

– Pelo amor de Deus! peçam a Nossa Senhora que me cure meu filho, que é aleijadinho!
Outro:
– Que me cure o meu, que é cego!
Outro:
– O meu, que é surdo!
– Que me traga meu marido...
– ... meu filho, que anda na guerra!
– Que me converta um pecador!
– Que me dê saúde, que estou tuberculoso!
Etc., etc.

Ali apareciam todas (as) misérias da pobre humanidade. E alguns gritavam até do cimo das árvores e paredes, para onde subiam, com o fim de nos ver passar. Dizendo a uns que sim, dando a mão a outros para os ajudar a levantar do pó da terra, lá fomos andando, graças a alguns cavalheiros que nos iam abrindo passagem por entre a multidão.

Quando agora leio, no Novo Testamento, essas cenas tão encantadoras da passagem de Nosso Senhor pela Palestina, recordo estas que, tão criança ainda, Nosso Senhor me fez presenciar, nesses pobres caminhos e estradas de Aljustrel a Fátima e à Cova de Iria, e dou graças a Deus, oferecendo-Lhe a fé do nosso bom Povo português. E penso: se esta gente se abate assim diante de três pobres crianças, só porque a elas é concebida misericordiosamente a graça de falar com (a) Mãe de Deus, que não fariam, se vissem diante de si o próprio Jesus Cristo?

Bem; mas isto não era nada chamado para aqui. Foi mais uma distracção da pena que me escapou para onde eu não queria. Paciência! Mais uma coisa inútil; não na tiro, para não inutilizar o caderno. Chegámos, por fim, à Cova de Iria, junto da carrasqueira e começamos a rezar o terço com o povo.

Pouco depois, vimos o reflexo da luz e a seguir Nossa Senhora sobre a azinheira.

 – Continuem a rezar o terço, para alcançarem o fim da guerra. Em Outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, S. José com o Menino Jesus para abençoarem o Mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia.

– Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, dum surdo-mudo.
– Sim, alguns curarei; outros não. Em Outubro farei o milagre, para que todos acreditem. E começando a elevar-se, desapareceu como de costume.

sábado, 12 de setembro de 2026

Festa do Santíssimo Nome de Maria


A Festa do Santíssimo Nome de Maria, no dia 12 de Setembro, é uma data tradicional da Igreja Católica com profundo significado espiritual e histórico. A celebração começou na cidade espanhola de Cuenca, em 1513, como reconhecimento especial ao nome de Maria.

Inicialmente, foi uma comemoração local, mas logo se espalhou por toda a Espanha e depois, por influência da vitória cristã na Batalha de Viena em 1683, tornou-se uma festa universal, graças ao Papa Inocêncio XI. Nessa batalha, o rei polonês Jan Sobieski entregou suas tropas à protecção de Nossa Senhora e, ao atribuir a vitória à sua intercessão, o Papa estendeu a festa para toda a cristandade como ação de graças.

Ao longo da História, a festa passou por várias modificações de data e extensão: celebrada inicialmente a 15 de Setembro, passou para 17, com o Papa Sisto V, e, posteriormente, foi alargada à Arquidiocese de Toledo e a toda Espanha. Também recebeu permissão em ordens religiosas específicas e, finalmente, após a vitória de Viena, entrou no calendário universal da Igreja Católica.

O dia é marcado por Missas solenes, ladainhas e devoções especiais ao Nome de Maria, incluindo procissões e atos de consagração. Muitos fiéis rezam o Rosário, meditam sobre as virtudes de Nossa Senhora - fé, humildade, obediência.

Tradicionalmente, neste dia, invoca-se a protecção de Nossa Senhora sobre a Igreja, as Nações e as famílias. Em Roma, por exemplo, uma das igrejas do Fórum de Trajano é dedicada especialmente ao Nome de Maria.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O MUNICIPALISMO - Declínio e Morte (parte IV e última)


CONCLUINDO

É a trágica crueza do fogo que, no seu crepitar, para além de destruir vidas e de reduzir sonhos a cinzas, também faz rebentar a máscara deste modernismo revolucionário, que transformou homens em escravos nómadas, destruiu o património familiar pela quebra dos vínculos e que no seu frio combate a Deus, transformou uma Sociedade viva, forte e dirigida para o Absoluto, num somatório de indivíduos, assimilados em massas cretinizadas, indiferentes a tudo e todos, perdidos em florestas de betão.
Contudo, essa estrutura fundiária que antecedeu e serviu de braseiro ao nascimento de Portugal, ainda existe.

A rede composta pelas pequenas propriedades de exploração familiar, apesar de suja e coberta por um matagal, fruto do seu abandono, recusa-se a desaparecer. E é do próprio modernismo revolucionário na admissão do seu eterno erro original, que vão surgindo as vozes que apontam o abandono das terras, como mais um dos seus inúmeros pecados originais.

Tomemos, por isso, como missão, o rasgar das fontes que saciarão essa “sede insensata pelo Absoluto” que a todos sempre nos dominou. Sejamos aquele pequeno grupo de homens, que indiferentes à marcha dos tempos, levam a Sociedade ao caminho que nunca deveria ter abandonado.

Retomemos a alegria e a pujança do Municipalismo. Retomemos Portugal!

Por Deus, Pátria e Rei!

Valentim Rodrigues


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Natividade de Nossa Senhora

Esta Senhora faz hoje 2042 anos. Nesta pintura aparece a fazer o que sempre fez: apontar e mostrar o caminho para o Seu filho, Jesus.

Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Ámen.


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

SAR D. Afonso de Bragança na cerimónia que assinalou os 130 anos da primeira campanha oceanográfica portuguesa, iniciada pelo Rei D. Carlos I

O Príncipe da Beira esteve presente na cerimónia que assinalou os 130 anos da primeira campanha oceanográfica portuguesa, iniciada pelo Rei D. Carlos I, em 1896.

A cerimónia, promovida pelo IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera, realizou-se no dia 1 de Setembro, a bordo do Navio de Investigação Mário Ruivo, em Lisboa, e marcou também o início de uma nova campanha oceanográfica no âmbito da Directiva-Quadro Estratégia Marinha.

Durante o evento foi realizada, ao largo de Oeiras, a primeira estação de amostragem da nova campanha. O navio Mário Ruivo foi recentemente alvo de um investimento de cerca de sete milhões de euros, destinado ao reforço das suas capacidades científicas e operacionais.

A celebração contou ainda com a presença do Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, do Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, do Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, entre outras entidades ligadas ao mar e à investigação científica.

130 anos depois, o legado de D. Carlos I continua vivo, através da ciência, da monitorização e da conservação do oceano português.

Fotografias: IPMA


domingo, 6 de setembro de 2026

O MUNICIPALISMO - Declínio e Morte (parte III)


PRIMEIRA REPÚBLICA

Sem surpresa, mantem-se na peugada centralizadora da revolução liberal de 1834, sem qualquer evolução de nota, vítima que é do caos político, da guerra que assolou a Europa e porque no fundo, ela mais não é que o corolário lógico da “República Coroada” derrubada pela força, em 1910.

A nota a salientar, é a forte “governamentalização” da administração local. Os governadores civis estavam na base de pactos clientelares que asseguravam a vitória do partido democrático – que venceu, nas zonas rurais, quase todas as eleições de 1910 a 1926. (Manuel Baiôa – Elites e Poder a crise do sistema liberal em Portugal e Espanha 1918-1931).

Este “ocupar de cadeiras” tinha como primeira marca, não a qualidade, nem o serviço prestado às comunidades, mas a cor política de republicanos hierarquizados, em função da subserviência ao cacique local, ou à sua actividade revolucionária.

ESTADO NOVO

Apesar de querer recuperar as corporações e recusar o sufrágio universal como forma predilecta da electividade municipal, o certo é que não se afasta do modelo liberal.

As corporações não se assumem como corpos de base da sociedade, com o objectivo de subsidiariedade Cristã, de enriquecimento das comunidades promovendo o seu caminho para o Bem Comum, mas como meras organizações mercantis marcadas pela plutocracia que as dominava.

Assim todos os lugares de relevo nas freguesias, câmaras e distritos eram nomeados pelo governo, vincando a organização herdada da revolução liberal.

É mantida assim, em toda a estrutura municipal, o controlo e a absoluta centralização do poder, nascidos da revolução liberal e da I República.

III REPÚBLICA

Com a Revolução de 74 retoma-se a elegibilidade dos cargos municipais e de freguesias, muito embora a nomeação dos candidatos sujeitos a eleição dependa, não da vontade das populações, mas em exclusivo das cúpulas partidárias, reforçando o Absolutismo, como imagem de marca destes “Estados de Direito Democrático”.

Permanece uma organização política, não muito diferente da República coroada e da I República: baseia-se numa forte plutocracia partidária, onde os cargos de topo de institutos do estado e de empresas satélite, são distribuídos em função da voracidade das suas hostes. Um novo facto assume particular importância, o poder económico passa a ser determinante e influente na vida e decisões do próprio governo.

Nos municípios, o papel do governador civil vai sendo reduzido até ao seu completo desaparecimento e as freguesias prosseguem o seu calvário de desvirtuamento e de retirada de poder, numa total dependência e subordinação às câmaras municipais e estas em relação ao poder central.

Confirma-se a total destruição dos governos e liberdades comunitárias, que no seu labor concorriam para um Bem comum. Agora é o governo central, quem se sobrepõe e controla até à exaustão todas as comunidades, num esmagador centralismo e com governos de poder ilimitado.

Por Deus, Pátria e Rei!

Valentim Rodrigues


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O MUNICIPALISMO - Declínio e Morte (parte II)


REVOLUÇÃO LIBERAL

É em 1834, que pela última vez se fez uso da delegação concelhia, para a nomeação dos representantes municipais em Cortes. Contudo, todo este processo, que desde a constituição do Reino, sempre decorreu de uma forma natural, onde a voz das comunidades se elevava para conselho do Rei, é propositadamente manchado pelo Absolutismo liberal.

É nas palavras do insuspeito José Valdez, que encontramos os indícios da habitual mentira liberal, que se arrasta até aos dias de hoje:“… imprensa sob censura, os prefeitos e subprefeitos,(nomeados pelo governo), usaram de suborno e violência para a vitória das listas governamentais… “.

18 de Julho de 1835 é a data que marca a destruição do Municipalismo.

O seu Carrasco, Mouzinho da Silveira, impõe um modelo importado da França revolucionária, profundamente centralista e burocrático, com um único objectivo: - a centralização do poder para um controlo total e efectivo das comunidades, baseado em três linhas essenciais:

- Destruição das liberdades municipais
- Desmembramento da organização municipal, através da criação de uma nova administração com poucas províncias, cujos responsáveis pelos distritos e municípios são nomeados directamente pelo governo: - os Governadores Civis.
- Criação de uma estrutura legislativa pesada, ininteligível, alimentada por uma torrente incessante de novas leis, decretos e normas, garante de uma centralização total do poder.

Mouzinho da Silveira, mais não faz do que recuperar as lições nefastas de Marquês de Pombal: o capitalismo e industrialismo; o absolutismo do “o quero, posso e mando”, agora justificado pelo engano do sufrágio universal e a proibição como norma, sempre em nome da liberdade, empurrando Portugal para o malfadado “individualismo económico”.

Como Almeida Garret dirá, já no final da sua vida, “Assim se reformou esta desgraçada terra a machado!”

DESAMORTIZAÇÃO LIBERAL

A desamortização liberal consistiu na nacionalização dos bens da Igreja e sua revenda a uma burguesia endinheirada e cosmopolita; o fim das liberdades forais e dos terrenos de cultivo comunitário teve um efeito desastroso que ainda hoje ecoa:

- Ao transformar em assalariados, as famílias de agricultores que trabalhavam essas terras em seu proveito, privou-os de um rendimento gerado pela sua actividade, lançando-os numa espiral de fome e miséria ao serem vítimas de exíguos salários.

- Inicio de outro conhecido “problema estrutural”, o dos baixos salários

Perante as dificuldades, reforça-se o êxodo para as cidades, com alguma expressão no sec. XIX e bem mais acentuada no sec. XX, ao qual se junta o flagelo da emigração, que na segunda metade desse século era, primeiro, dirigida para o Brasil e EUA e depois para a Europa, só sofrendo uma interrupção no período correspondente à 1ª grande guerra.

Este abandono da terra e êxodo exponencial para as grandes cidades estão na origem de outro, modernamente chamado, “problema estrutural”…

Por Deus, Pátria e Rei!

Valentim Rodrigues


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Duques de Coimbra visitaram a Região do Douro

29 e 30 de Agosto de 2026:

Os Duques de Coimbra estiveram este fim de semana na Região do Douro, a convite da Real Associação de Trás-os-Montes e Alto Douro, numa visita que incluiu momentos de cultura, tradição e património da região.

No sábado de manhã, os Duques de Coimbra participaram num passeio de barco pelo Douro, organizado pela Real Associação, seguindo-se uma prova de vinhos na Quinta do Vallado. Foram recebidos por Francisco Ferreira, trineto da célebre D. Antónia Ferreira e responsável pela quinta, que lhes deu a conhecer a história e a tradição desta emblemática casa duriense.

Os Duques de Coimbra estiveram também presentes na festa e no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, onde assistiram à Santa Missa e foram recebidos pelo Reitor do Santuário.

A visita incluiu ainda as Caves Raposeira, onde foram recebidos pelo administrador e sócio, Prof. Orlando Lourenço, e uma recepção nos Paços do Concelho de Lamego pelo Presidente da Câmara Municipal, Eng. Francisco Lopes.

Fotografias: Real Associação de Trás-os-Montes e Alto Douro