terça-feira, 8 de novembro de 2016

300 anos do Palácio de Mafra



O Monumento de Mafra é uma referência do pensamento urbanístico, arquitectónico e natural da civilização ocidental, quer enquanto unidade, congregando um paço real, uma basílica, um convento, um hospital monástico, um jardim e uma tapada, quer devido aos seus equipamentos de prestígio, entre os quais: uma das mais notáveis bibliotecas do século XVIII; a mais importante colecção de Escultura Barroca em Portugal; dois carrilhões, os maiores do mundo, constituídos por 98 sinos afinados musicalmente entre si; e o único conjunto conhecido de seis órgãos de tubos concebidos para utilização simultânea.
Para além desta escala verdadeiramente europeia, o Monumento de Mafra constitui, inquestionavelmente, um referencial identitário do Concelho de Mafra, não só porque tão grandiosa construção inaugurou uma nova fase no desenvolvimento deste território, mas também porque o posicionou num patamar superior de visibilidade nacional e internacional.
Comemora-se, no dia 17 de Novembro de 2017, o tricentenário do lançamento da primeira pedra da Basílica deste monumento, ocasião esta que constitui um relevante momento de celebração.
Assim, de 17 de Novembro de 2016 a 17 de Novembro de 2017, as entidades com responsabilidades na gestão deste conjunto patrimonial (Direção Geral do Património Cultural/ Palácio Nacional de Mafra, Câmara Municipal de Mafra, Escola das Armas, Paróquia de Mafra e Tapada Nacional de Mafra) organizam um vasto programa, o qual poderá estar sujeito a eventuais alterações.

(Clique na imagem para ver o programa)


Fonte: Câmara Municipal de Mafra

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

SAR D. Duarte de Bragança defende a criação da Região Autónoma do Porto Santo

Porto Santo com estatuto de região autónoma


Entregou prémios a jovens que nasceram todos em democracia, até os pais já devem ter nascido depois do 25 de Abril. Em democracia, é mais fácil falar nas questões entre a República e a Monarquia? Em todas as épocas há uma percentagem de jovens interessados no tema. No tempo do meu pai, havia milhares de jovens que vinham a S. Marcos, no 1 de Dezembro, dúzias de autocarros. Os jornais é que não traziam notícia nenhuma. Só havia dois que falavam, ‘O Debate’ e a ‘A Voz’. A censura cortava todas as referências.
A monarquia teve a vida mais difícil durante a ditadura? O primeiro governo após o 25 de Abril, que não era ainda um governo democrático, era um governo militar do Movimento das Forças Armadas, convidou o PPM para fazer parte, para mostrar que não tinha nada a ver com a I República, jacobina, de 1910. Isso foi-me explicado pelo Melo Antunes e outros membros do MFA. De algum modo, houve uma grande abertura à proposta monárquica em democracia.
Antes, até teve problemas, sobretudo quando era militar. Sim, fui expulso de Angola, em 1972, no tempo do governo de Marcelo Caetano. No tempo do dr. Salazar, pessoalmente não tive problemas, fiz o meu serviço militar normalmente, fiz o concurso para a Força Aérea, treino de piloto, fui piloto em Angola, sem problema nenhum. Quando veio o professor Marcelo Caetano é que começaram os problemas.
Não foi a tão falada ‘primavera marcelista’? Havia muitos complexos, havia receios, eram pessoas inseguras e muito incompetentes. Foram incapazes de aproveitar para fazer uma transição para a democracia, como foi feito em Espanha. No Ultramar poderia ter sido feita uma transição pacífica. Eu fui expulso de Angola, S. Tomé e Príncipe e Timor porque estava a organizar listas de candidatos para as eleições e podíamos ter ganho.
Depois do 25 de Abril, tem surgido quase como uma figura de reserva moral do país. Hoje, quando vivemos uma crise, pedem-lhe mais presença? Nos últimos anos, tenho sido convidado por câmaras municipais numa média de 20 a 30 por ano, com algum pretexto cultural e muitas vezes a câmara até põe a bandeira da monarquia no mastro. Porque, por lei, todas as bandeiras são iguais em honras, desde a de D. Afonso Henriques até à actual.
Hoje, é mais fácil falar de monarquia, sem complexos? Acho que sim porque as pessoas têm uma abertura democrática maior. Simultaneamente também têm uma grande ignorância e ainda há pessoas que consideram que a monarquia é um regresso ao passado, um regime antiquado e não democrático. Hoje, todas as monarquias europeias são modelos de democracia, de liberdade. Grande parte das repúblicas são ditaduras. Nos meios ocidentais, não há uma única monarquia que não seja democrática.
Seria possível colocar a questão de mudança de regime? Eu só posso responder com rigor científico se me basear nas sondagens de opinião que são muito interessantes. Na sondagem da comissão do centenário da República, só 40% responderam que eram republicanos. Como não acredito que haja muitos anarquistas, estou convencido que há uma maioria de monárquicos. Uma sondagem, feita há uns anos pela Universidade Católica, deu que cerca de 30% achavam que um rei seria melhor do que um presidente e outros 30% achavam o contrário e 40% não tinham opinião. Isto, sem informação e sem campanhas.
É uma questão que estará sempre em aberto? Sim, há muito tempo que eu digo que se em Portugal tivéssemos um rei, poderíamos ter, por exemplo, a Madeira e os Açores com o estatuto de um reino unido, equivalente ao que têm a Escócia, o País de Gales e a Inglaterra. Um estatuto em que a autonomia não põe em causa a unidade nacional.
Significaria mais autonomia? Sim, sem dúvida, veja-se o caso as ilhas do Canal que têm governos próprios que não dependem de Londres, moeda própria e leis fiscais. Eu até defendo uma coisa que é um pouco chocante aqui na Madeira, mas acredito que seria interessante considerar o Porto Santo uma região autónoma, por conta própria. Porque no Porto Santo sente-se muito a dupla insularidade. Propus à Real Associação da Madeira que fizesse essa proposta.
Na Madeira há um pormenor que pode ser interessante: o presidente do Governo Regional é monárquico. Isso poderá alterar alguma coisa? Não, o próprio dr. Alberto João Jardim considerava que as monarquias europeias eram melhores do que as repúblicas, mas que era republicano por uma razão ideológica. Nunca consegui perceber o que é que isso queria dizer. Julgo que a razão ideológica é a de que um presidente da República eleito simboliza melhor a democracia do que um rei. Na prática não é assim que funciona.
Num tempo em que o populismo está a começar a dominar a política, um rei funcionaria como um factor de estabilidade? Não se pode garantir que numa monarquia não possam aparecer políticos muito populistas, o que acontece é que a população sente-se mais segura quando sabe que o Chefe de Estado é um rei que conhecem, que sabem o que pensa, do que um político que, muitas vezes, é um desconhecido. Nesses casos, as monarquias garantem mais estabilidade.
Uma questão recorrente em relação à Monarquia é a de que o princípio de que todos os homens nascem livres e iguais não se consegue cumprir. Esse não é o principal entrave? Na monarquia portuguesa, desde o princípio que o rei só passava a ser rei quando aceite pelos representantes do povo, era aclamado pela Nação, não era automático. Por isso houve reis que foram despedidos. No dia em que o povo não quer ter aquele rei, pode trocá-lo. Claro que também há outros cargos que não são eleitos, como os juízes e os nossos pais.

Fonte: dnoticias

domingo, 6 de novembro de 2016

São Nuno de Portugal, um santo original

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São Nuno Álvares Pereira é um santo muito original, precisamente porque, como foi tão normal, foi muito diferente da maioria dos outros santos e, por isso mesmo, muito parecido a todos nós.

Neste domingo, por feliz coincidência festa litúrgica de São Nuno de Santa Maria, a capital portuguesa presta-lhe uma merecida homenagem, com a inauguração, no topo da Avenida da Torre de Belém, no Restelo, de uma estátua ao Santo Condestável. A louvável iniciativa da autarquia lisboeta não teria sido possível sem a entusiasta participação dos muitos munícipes que votaram nesta proposta, que tinha sido submetida, entre outras, à sua consideração e que, muito justamente, veio a ser vencedora.
Por paradoxal que possa parecer, São Nuno Álvares Pereira é um santo muito original, precisamente por ter sido tão pouco diferente dos fiéis normais. Ou seja, como foi tão normal, foi muito diferente da maioria dos outros santos e, por isso mesmo, pouco diferente do comum dos mortais.
Quem percorrer o santoral católico, não pode deixar de concluir que a maioria dos bem-aventurados que, como tais foram reconhecidos pela suprema autoridade eclesial, não coincide com o perfil do cristão corrente e normal. Por exemplo, quase todos os fiéis católicos são casados, mas entre os santos canonizados abundam, pelo contrário, os celibatários, sacerdotes ou religiosos. Raros são os santos que casaram e tiveram filhos, como insólitos são também os que desempenharam alguma profissão civil. Mesmo entre os que exerceram algum ofício, são poucos os que se dedicaram à vida militar, aparentemente irreconciliável com o mandamento novo da caridade. Santidade e pobreza são conceitos que se implicam mutuamente, segundo o programático sermão das bem-aventuranças e, por isso, até à data, não consta nenhum santo multimilionário, nem constam santos endinheirados, ou grandes proprietários. Desde tempos antigos, o poder é visto por alguns como inconciliável com a santidade cristã: não em vão Jesus Cristo rejeitou liminarmente a oferta diabólica de todos os reinos deste mundo e as suas riquezas! Embora haja alguns santos que o foram no exercício de funções políticas, como S. Tomás More e São Luís de França, escasseiam contudo os que o foram sendo militares.
Ora São Nuno de Santa Maria, antes de ser frade carmelita, foi tudo isso. Casou e teve vários filhos, entre os quais a que, pelo seu casamento, viria a ser a primeira duquesa de Bragança e tronco dessa estirpe que, em 1640, passou a ser a Casa Real. São Nuno Álvares Pereira foi militar de profissão, tendo chegado a condestável do reino, quando a independência nacional estava comprometida, pelo casamento da herdeira do trono de Portugal com o então rei de Castela. O Santo Condestável não só foi, enquanto generalíssimo do exército do Mestre de Avis, um bravo guerreiro, mas também um dos homens mais ricos de Portugal, graças às avultadas doações que lhe foram feitas pelo rei, em justa recompensa pelos seus inestimáveis serviços. Enquanto a grande maioria dos santos desdenha as honras e títulos humanos, São Nuno Álvares Pereira não apenas aceitou a elevada condição de generalíssimo, como também os privilégios inerentes à grandeza do reino, que lhe competiam por força dos três títulos condais – de Arraiolos, Barcelos e Ourém – que lhe foram concedidos por el-Rei D. João I e que, desde então, são apanágio da Casa de Bragança.
Talvez alguém possa obstar que estas características da sua vida são alheias à sua santidade, a que Nun’Álvares teria acedido apenas quando renunciou a todos esses cargos, títulos e bens materiais, para humildemente professar como religioso carmelita. É verdade que a canonização de Frei Nuno de Santa Maria muito deve a essa última etapa da sua vida terrena. Mas seria errado pensar que foi só então que a sua vida cristã alcançou os limiares da perfeição evangélica. Muito antes, já D. Nuno Álvares Pereira dera sobejas provas da qualidade da sua fé, da autenticidade da sua esperança e da pureza da sua caridade: como marido santo que foi de sua mulher, como santo progenitor de seus filhos e netos, como santo general do exército, como santo conselheiro do rei, como santo fidalgo da corte, e até – espante-se! – como santo latifundiário! Não foi santo apesar destas suas circunstâncias, mas precisamente através delas, na medida em que são também santificáveis, como aliás todas as situações familiares e profissionais honestas.
O mundo tem muita necessidade de exemplos de santidade na vida religiosa, como Frei Nuno de Santa Maria. Mas são talvez mais urgentes os modelos de excelência cristã na vida matrimonial, familiar, profissional, económica e política, como São Nuno Álvares Pereira.
Que o Santo Condestável, do alto do Restelo, onde amanhã vai ser inaugurada a sua estátua, abençoe o reino que defendeu com a sua espada! Porque também agora, como disse o poeta, falta ‘cumprir Portugal’!
Fonte: Observador

sábado, 5 de novembro de 2016

SAR, O Senhor D. Duarte de Bragança entregou prémios Infante D. Henrique

D. Duarte de Bragança entregou prémios Infante D. Henrique


Foram cerca de sete dezenas de jovens que, ontem, no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal, receberam as medalhas de ouro, prata e bronze do Prémio Infante D. Henrique, a versão portuguesa do ‘The Duke of Edinburgh’s International Award’. Um prémio internacional que constitui um desafio para jovens de dos 14 aos 24 anos e que em Portugal tem cerca de 30 anos e é promovido pelo Duque de Bragança.
“O prémio é o reconhecimento que a sociedade, em geral, faz aos méritos dos jovens que cumpriram as provas de serviço à comunidade, desporto, desenvolveram um talento”, sublinha Dom Duarte Pio de Bragança.
“Em todo o mundo há milhões de jovens que o têm feito. Em Inglaterra e noutros países, um jovem que mostra que cumpriu estas provas é uma grande vantagem para os currículos e o acesso ao emprego”, sublinha.
D. Duarte Pio de Bragança, que faz questão de estar presente nas cerimónia de entrega dos prémios, lembra que “cada vez mais, as empresas estão a perceber que mais importante do que saber muitas coisas é ter força de vontade, capacidade e persistência no que se faz”.
Depois da cerimónia de entrega do prémios aos jovens que atingiram os objectivos propostos, Paulo Cafôfo destacou a importância de este concurso ter uma procura crescente entre os jovens madeirenses.
O presidente da CMF lembrou que, no ano passado, forma 20 os galardoados e, este ano, forma cerca de 70 a receber medalhas.

Fonte: dnoticias

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

SAR, O Senhor D. Duarte de Bragança participou na conferência "Guiné Bissau: A Porta de Entrada da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental"


O Senhor Dom Duarte de Bragança, Presidente da Fundação D. Manuel II, participou na conferência "Guiné Bissau: A Porta de Entrada da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental", que teve lugar na Universidade Lusófona, organizada pelo Observatório Lusófono das Actividades Económicas (OLAE), pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal Guiné-Bissau (CCIPGB) e pela Embaixada da Guiné Bissau.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O Perfil do Rei – Parte II

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Também, a afabilidade que os Reis sempre demonstram com o Seu Povo não é um excesso de (falsa) cortesia nem compromete a Sua potestade, muito pelo contrário aproxima uns e outros e permite nesse acto de aproximação o dom precioso da concórdia, da harmonia dentro do Estado, algo que só alguém que interpreta a vontade nacional e representa todos os cidadãos, obtém.
Relativamente a um outro aspecto importante, se se pretende que o Chefe de Estado represente o País e, consequentemente, as suas gentes, o Primeiro Cidadão deve ter uma postura que corresponda à dignidade do cargo e às suas funções representativas. Ora aqui é determinante a educação recebida pelo Chefe de Estado, que deve ser desde tenra idade preparado para esse cargo representativo. Esse papel que tem de ser exercido com urbanidade, graça, distinção, só pode ser correctamente desempenhado por um Rei, pois o Príncipe herdeiro é instruído, ensinado, lapidado para melhor representar a Nação. A educação do Príncipe Real é orientada da forma que se entende ser a mais adequada ao melhor desempenho do seu futuro Ofício de Rei, de forma a Reinar da forma mais útil e favorável para o País, tendo uma superior consciência dos problemas nacionais, mas também para representar de forma mais apropriada os costumes da Nação, a civilidade do seu Povo e a ter a polidez necessária que evite embaraços diplomáticos e gaffes protocolares. Por muito que existam pessoas competentes nas instituições de Protocolo de Estado, nas repúblicas, nem mesmo um árbitro das elegâncias e mestre-de-cerimónias como Petronius Arbiter poderia moldar em tão curto espaço de tempo um qualquer mais alto representante de uma qualquer república, que não foi educado durante toda a sua vida para exercer tais funções como foi um Rei. Por isso nunca um qualquer presidente de uma qualquer república pode ter o mesmo grau de urbanidade, polimento, delicadeza e savoir-faireque um Rei – para quem tudo isso é inato, porque para isso foi preparado toda a Sua vida.
‘Toda a sequência dos homens durante o decurso de tantos séculos deve ser considerada como um só homem que subsiste e apreende continuamente’, defendeu Pascal. Essa Continuidade é um dos argumentos que mais qualifica a Monarquia, pois evita as tempestades que podem surgir com uma mudança que ponha tudo em causa e gere instabilidade política e social. A Monarquia evita a cisão! Na Monarquia não há uma nova ordem que institui uma oposição à ordem anterior, mas uma diferença que qualifica, sem ser radical, mas, também, sem ser igual; existe uma remodelação histórica, um novo sentimento que impulsiona a Nação: não corta com o passado, mas também, não se distancia da vanguarda. É mesmo assim, o novo Rei arraiga-se ao que é estável e fixo proporcionando equilíbrio, mas tenta compreender as metamorfoses da sociedade e o continuo fluxo do desenvolvimento. Não fica atolado, não salina para seu conforto e segurança – ficando estático -; antes evolui, manobrando racionalmente a mudança para proveito do Povo e do Estado. O Rei responde ao apelo dos novos tempos, escuta o bom senso, vislumbra os acontecimentos e faz a transição, a passagem do tempo do velho Rei para o tempo do novo Rei. O Rei morreu! Viv’ó Rei! Ao novo Rei obriga-o o dever do trono e destino dos Reis: reinar sobre a morte de quem lhe deu vida! No novíssimo Rei estão personificado todos os imediatos, pois um rei não é apenas um homem, mas um ideal! É a Continuidade… apanágio exclusivo da realeza que, como lembrou o 2. Conde de Alvellos: ‘… visa de longe a meta, pois se não for o Pai a ultimar a realização, seu Filho, automaticamente alçado Rei, educado das mesmas ideias de seu Pai, tudo seguirá como se a mesma vida fosse!’
Servir… Sempre Servir é Ofício e Destino dos Reis – Para o Bem Maior de Portugal!
Sem deslocamento de óptica, o novo Rei, é fruto de um longo trabalho de preparação técnica e cultural para assimilar e interiorizar a Sua Nação que encarnará e representará como mais ninguém poderia. O novo Rei não enterra o passado, mas antes lança mão dos bons exemplos dos seus antepassados, adapta-os e ajusta-os à nova realidade. Apesar de acompanhar sempre os tempos, procura manter um percurso lógico sem desprezar a experiência e a lição dos antecessores. A Monarquia é o melhor modelo adaptado a cada época. A sucessão hereditária não é um obstáculo à Democracia, pois o princípio hereditário não prevalece sobre o democrático.
Como assinalou o historiador francês Jacques Bainville:
‘A Monarquia é o mais maleável dos regimes, o mais pronto a se renovar, aquele que tem menos medo das ideias e o que menos se encerra na rotina.’
Por isso sinos a repicar alegremente, foguetes a estalar nos céus, mantas coloridas nas janelas, faixas e bandeiras nas árvores, tudo sinais com que as povoações com multidões compactas, entusiasticamente, por brios ter, acolhem sempre o novo Rei.
‘Que no nosso coração de patriotas se avive, mais que nunca, a fé pelo futuro de Portugal! Nesse alevantado sentimento se estreita o Rei e o Povo português.’, defendeu S.M.F. El-Rei Dom Manuel II de Portugal, 1908. Ele que tinha por avoengos os Imperadores romanos da Dinastia Comnenus e Paleólogo, os Reis Capetos de França, a estirpe real dos Orleães, os Saxe-Coburgo e Gotha, os Imperadores da Hispânia, o Rei Fundador Afonso Henriques; Ele que privava com os maiores Reis da Terra, mostrava-se português em tudo e não se fazia rogado em estender a mão e a Sua palavra fácil e amistosa ao Povo.
El-Rei Dom Manuel II de Portugal num interesse atento entregava constantemente um sorriso mostrando-se sempre o que era, pois já na sua «Doutrina ao Infante D. Luís», o douto humanista Lourenço de Cáceres Lhe recomendava “que se não aparte da afalibilidade nem dê pouca parte de si ao povo, pois que não há erro mais nocivo para quem seja de senhorear ânimos portugueses!”. Ah, Berço abençoado!
Era a comunhão entre Rei e Povo, represtinada dos primórdios da humanidade que começou por se organizar sob o modelo da Monarquia, o Elo natural que só as revoluções de uma minoria que se apropriou dos meios de força e coacção conseguiu quebrar.
O Rei protegia e amava o Povo e a Nação e todas as suas coisas; aos primeiros amava como um Pai e as suas coisas guardava como se fossem Suas. Lembremo-nos da célebre tirada d’ El-Rei Dom João II: ‘Quero que se entenda que a Bandeira Portuguesa defende e protege até um papagaio!’
Já há milhares de anos, escreveu Aristóteles: ‘A Monarquia é o único sistema de governo onde o bem é exercido para todos.’
Hoje nas Monarquias já não existem propriamente súbditos, mas cidadãos de plenos direitos, iguais perante a Lei e que são muito estimados pelo Seu Rei/ Rainha e que vê essa estima retribuída pelo Povo, que entende ter no Rei o bem mais precioso da Nação.
É, POIS, UM REI QUE QUEREMOS!, pois só um Rei traduz a vontade nacional, sentindo com o Seu Povo e a Sua Nação. O Povo não é uma amálgama de indivíduos, mas um conjunto de entes que num dado momento histórico constitui a Nação, uma comunidade estável constituída por vontade própria, historicamente, com base num território, numa LÍNGUA, e com aspirações materiais e espirituais comuns. Ora se a Nação estiver constituída em Reino, e uma vez que Monarquia é uma instituição que contém um peso emblemático, todos se sentirão parte de um todo.
O Rei, Chefe Supremo do Estado e da Nação, nunca foi político nem militante partidário, e independente de um calendário eleitoral, terá a tranquilidade e a legitimidade para actuar como moderador entre as várias facções políticas ou demais grupos da sociedade civil evitando conflitos e procurando agregar. Sem os vícios do sistema político, o Rei não será refém de favores ou obrigações, de interesses ou lobbies partidários, económicos ou mesmo desta ou daquela classe social. O Monarca é um capital contributo para o normal e regular funcionamento das instituições democráticas e nunca um bloqueador do seu funcionamento.
El-Rei será, também, em último caso, uma ressalva contra a ditadura, pois será travão de políticos eleitos que procuraram obter poderes maiores aos atribuídos pela Constituição. Como o Rei era a História viva da Nação, não havia crises de identidade nacional.
O Monarca tem como função personificar o carácter nacional e dar continuidade à Nação, um Servidor do Povo e do Estado!
Mas além do papel essencialmente político, o Rei tem outro tão ou mais importante: o de servir o interesse da comunidade, da Grei, isto é, assegurar o bem da coisa comum, actuar em benefício da res publica.
Também, não é Rei para ter acesso a um estilo de vida luxuoso, mas um homem que pelo papel que lhe foi reservado pela sucessão hereditária encarna toda a Nação, que se quer viva, e que por isso nas cerimónias públicas aparece dignamente como representante da Nação que se deseja o mais ilustre e brilhante possível. Não com um aparato ao serviço de um homem que é Rei, mas o Rei ao serviço do cerimonial da Nação, sem banquetes sardanapalescos mas mantendo a solenidade do Estado quando se justificar!
A república, essa, não surgiu naturalmente, por vontade do Povo, mas nasceu manchada pelo sangue dos inocentes e pela golpada revolucionária, pelo que por defeito de gestação acabará implodindo devorada pelos parasitas que a consomem, que a sugam!
No Reino de Portugal o poder do Rei sempre adveio de um pacto com as Cortes – que no fundo era um Congresso de Chefes. O Rei era assim o primus inter pares entre os barões do reino. Hoje, numa Monarquia Constitucional, esse pacto será firmado com o Parlamento que deverá representar verdadeiramente o Povo português e não apenas os partidos, porque o Rei não tem partido – é inteiro – que Aclamará o Rei que será assim o primeiro magistrado da Nação e o primeiro entre iguais dos portugueses.
Miguel Villas-Boas

Todos os Fiéis defuntos

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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Uma campanha nada hilariante

Hillary Clinton não só quer ser a futura papisa de todas as religiões, como ainda se propõe fundar uma nova inquisição. Mas Donald Trump não é melhor…

Aproxima-se a eleição do próximo presidente dos Estados Unidos da América. Já é sabido que a sucessão a Barack Obama será disputada, como tradicionalmente, pelos dois candidatos dos principais partidos políticos norte-americanos: a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump.
A imprensa nacional e internacional não tem sido omissa no que respeita ao excêntrico candidato republicano, cujas gaffes e outras infelicidades, por vezes raiando o limiar da mais abjecta ordinarice, são sempre publicitadas com grande alarde (não em vão o homem se chama Trump, que se lê Tramp, mas às vezes é ‘trampa’…). A campanha mediática, mais do que pró-Clinton, parece ser contra Trump, cujos desaires são sempre ampliados e profusamente divulgados. Talvez por isso, pouco é o que se tem dito sobre a candidata democrata. A crer nas sondagens, o mundo arrisca-se a ter à frente da principal potência mundial alguém cujo pensamento político poucos conhecem. Afinal, que pensa Hillary Clinton?
Numa conferência que teve lugar no Lincoln Center, em Manhattan, a candidata democrata afirmou recentemente: “Os códigos culturais profundamente enraizados, as crenças religiosas e as fobias estruturais precisam de mudar”. Não deixa de ser curioso que Clinton ponha tudo no mesmo saco: ‘códigos culturais’, ‘crenças religiosas’ e ‘fobias estruturais’, sem esclarecer que códigos, crenças ou fobias lhe provocam tão acentuada alergia.
Ao afirmar-se, em geral, contra todas as crenças religiosas, a candidata democrata está a posicionar-se do lado do fundamentalismo laicista, numa atitude contrária a um dos mais fundamentais direitos humanos: o direito à liberdade religiosa. Esta sua ‘fobia estrutural’ é um mau presságio para o futuro dos Estados Unidos da América e do mundo, caso venha a ganhar a eleição presidencial.
Não satisfeita com a citada declaração, Clinton disse ainda que “Os governos devem empregar os seus recursos coercitivos para redefinir os dogmas religiosos tradicionais”. Ou seja, Hillary não só quer ser a futura papisa de todas as religiões, como ainda se propõe fundar, sob as suas ordens e suprema autoridade religiosa, uma nova inquisição! Os “recursos coercitivos” que pretende utilizar para a redefinição dos “dogmas religiosos tradicionais” são, como é óbvio, as forças policiais, militares e de segurança, pelo que será de esperar, da futura administração Clinton, uma nova onda repressiva, sob o alto patrocínio da CIA e do FBI, de tão má memória. É caso para perguntar que tem de democrata, para além do partido, esta candidata presidencial …
Hillary quer também impor o aborto como direito da mulher; mas, se também for mulher a vítima do aborto, não esclarece que direito de que mulher deve prevalecer: o da mulher que quer matar a filha inocente, ou o da mulher que quer viver contra a vontade homicida da mãe? Também já afirmou que não vai aceitar a objecção de consciência fundamentada em crenças religiosas porque, segundo a sua lógica totalitária, esse recurso é um subterfúgio para manter a discriminação contra as mulheres. Dado o unânime consenso científico quanto à vida humana do feto e a cada vez maior percentagem, também nos Estados Unidos, de mulheres e jovens que defendem o direito à existência desde a concepção e até à morte natural do ser humano, é compreensível o desespero de Mrs. Clinton. E, por isso, ameaça: “Os direitos devem existir na prática, não só no papel. As leis têm de ser sustentadas com recursos reais”, ou seja, à força, se necessário for, mesmo em questões de consciência.
Mas esta não foi a primeira vez que Hillary revelou o seu ódio de estimação às religiões e aos seus ensinamentos morais. Já em 2011, durante uma conferência em Génova, a então secretária de Estado norte-americana declarou que um dos principais problemas sociais são as convicções religiosas que se opõem às pretensões “do colectivo LGBT”. A candidata democrata é também a destemida Joana d’Arc da Planned Parenthood, a maior multinacional da muito rendosa indústria do aborto, que se viu recentemente envolvida no escândalo da venda de fetos humanos.
Já vão longe os tempos de São João Paulo II, Ronald Reagan e Margaret Thatcher, três grandes estadistas que contribuíram, de forma decisiva, para a queda do Muro de Berlim e para a libertação dos países de Leste. Os dois actuais candidatos presidenciais norte-americanos são de uma pobreza ideológica e ética confrangedora e, contudo, um deles será, com toda a certeza, o próximo presidente dos Estados Unidos da América. Entre Hillary Clinton e Donald Trump, o eleitorado americano quem escolherá? A verdade é que, até para o diabo, a escolha é difícil!
Fonte: Observador

Dia de Todos os Santos

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