quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Vivam Os Bombeiros Portugueses!

Bombeiros Voluntários


O termo Bombeiro está estreitamente ligado às bombas de água, um dos equipamentos mais importantes no combate aos sinistros e os mais avançados para a época em que foram introduzidas, em Lisboa, no ano de 1734. Neste mesmo ano foram adquiridas mais quatro bombas, em Inglaterra.
Porém, a história dos bombeiros portugueses começa com El-Rei D. João I de Portugal que, através da Carta Régia de 23 de Agosto de 1395, tomou a primeira iniciativa em promulgar a organização do primeiro Serviço de Incêndios de Lisboa, ordenando que:  “…em caso que se algum fogo levantasse, o que Deus não queria, que todos os carpinteiros e calafates venham àquele lugar, cada um com seu machado, para haverem de atalhar o dito fogo. E que outros sim todas as mulheres que ao dito fogo acudirem, tragam cada uma seu cântaro ou pote para acarretar água para apagar o dito fogo”.
Todavia, somente em 1646, no Reinado de D. João IV, se tentou introduzir em Lisboa o sistema usado em Paris, tendo o Senado aprovado a aquisição de diverso material e equipamentos e concedendo prerrogativas a nível de remunerações e de habitações.
A instalação, em Lisboa, dos três primeiros “quartéis”, foi decidida por D. Afonso VI, em 28 de Março de 1678: “O Senado ordenará, com toda a brevidade, que nesta cidade haja três armazéns… e que estejam providos de todos os instrumentos que se julgarem necessários para se acudir aos incêndios, e escadas dobradas de altura competente, para que, com toda a prontidão, se possam remediar logo no princípio…”
Três anos depois, em 1681, a reorganização, continuou, e foram compradas, na Holanda, duas bombas e uma grande quantidade de baldes de couro, sendo distribuídos 50, por cada bairro. Os pedreiros, os carpinteiros e outros mestres passaram a ser alistados para o combate aos sinistros, ficando sujeitos a uma pena de prisão por cada incêndio, a que não comparecessem.
No reinado do D. João V, em 1722, é fundada no Porto a Companhia do Fogo ou da Bomba, constituída por 100 homens práticos, capazes de manobrarem a “Bomba, machados e fouces”.
A primeira Companhia de Bombeiros de Lisboa, criada em 17 de Julho de 1834 pela Câmara Municipal, que ficou também conhecida por Companhia do Caldo e do Nabo. O compositor Guilherme Cossoul foi o 1º Bombeiro Voluntário e fundador da Companhia de Voluntários Bombeiros de Lisboa, criada, em 1868, e que depois, em 1880, passou a Associação de Bombeiros Voluntários.
A partir do ano 1868, foram introduzidas as bombas a vapor, originando a obrigatoriedade dos proprietários instalarem bocas-de-incêndio nos prédios. Apareceu também a escada Fernandes, e foi instituída a classe de Bombeiros permanentes, osSapadores termo que vem do latim Sapa.
A Real Associação de Bombeiros Voluntários da Ajuda foi fundada em 10 de Abril de 1880. O seu primeiro comandante foi o Infante D. Afonso Henriques de Bragança. A RABVA recebeu o alvará de Real Associação em 2 de Maio de 1881 e funcionava como sede numa parte do próprio Palácio da Ajuda.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Hergé: Um Monárquico Convicto

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Muitos conhecem Georges Remi somente pelo génio da escrita e do desenho, que lançou ao Mundo a 10 de Janeiro de 1929, Tintim, o herói que o catapultou para o sucesso sem precedentes. Mas o que talvez não saibam é da sua luta e lealdade pelo Rei da Bélgica, Leopoldo III, e acima de tudo pela Monarquia.
Nunca se conheceu o paradeiro do verdadeiro avô de Hergé, o que o fez fantasiar por algum tempo poder tratar-se do próprio Leopoldo II, pois era famoso por ter vários filhos ilegítimos. Quando a sua prima Marie Louise lhe perguntava quem era o avô, ele desviava a conversa, mas por fim respondeu-lhe: “Não te digo quem era o nosso avô porque isso podia subir-te à cabeça”.
Desde o lançamento do primeiro volume de As Aventuras de Tintim, que os Príncipes Balduíno e Alberto recebiam cópias de luxuosa encadernação de todas as obras.
Logo a 14 de Outubro de 1936 o Rei Leopoldo III anunciava que em caso de guerra a Bélgica deveria manter-se neutra, pois se fosse invadida de novo “a luta devastaria o país de uma forma tal que a guerra de 1914-1918 não passaria de um pálido reflexo”. As suas palavras estavam certas, mas o destino foi inevitável. Hergé concorda com a tomada de decisão do Rei, apesar de haver algum descontentamento na opinião pública.
No ano de 1939 é publicado O Ceptro de Ottokar, livro que exalta a Monarquia Constitucional, onde o herói salva o Monarca da Sildávia de uma conspiração com o objectivo de implantar uma república ditatorial. As parecenças do Muskar II, soberano fictício da Sildávia, com o Rei Leopoldo III são visíveis. Esta era a forma de Georges mostrar a sua lealdade com a Casa Real belga, apesar de todas as adversidades.
Quando a II Guerra Mundial estala os quatro principais ministros belgas decidem abandonar o país e partirem para França. Leopoldo III por seu turno não abandona a Bélgica, dizendo que o seu lugar era ao lado do povo. Neste momento era ele que dirigia pessoalmente as operações militares. A 28 de Maio de 1940 o Rei rende-se a Hitler para evitar massacres, ficariam imortais as suas palavras “Não vos abandono no infortúnio que nos atormenta e comprometo-me a velar pelo vosso destino e pelo das vossas famílias. Amanhã começamos a trabalhar com a firme vontade de levantar a pátria das ruinas”. Hergé declararia mais tarde “Penso que nunca existiu nenhum testemunho que me abalasse a minha convicção inicial. (…) O rei teve razão”.
Durante este período Hergé carece de bens de primeira necessidade, por esta razão pede a Adolfo Simões Muller, director do jornal português O Papagaio, seu parceiro desde 1936, que enviasse comida para si e para o seu irmão Paul, que se encontrava prisioneiro na Alemanha. E assim o fez, enviando inúmeras iguarias, café e tabaco. Portugal foi o primeiro país a traduzir e a colorir As Aventuras de Tintim. Curiosamente Adolfo Simões Muller compartilha o mesmo apelido de um dos eternos rivais de Tintim.
Georges só viria a conhecer Leopoldo III em 1948, quando este se encontrava em Prégny, na Suíça. O Rei convida-o para almoçar e recorda com saudade todos os álbuns que lhe foram enviados ao longo de quase duas décadas. A partir desse momento estabeleceu-se uma amizade.

Francisco Teles da Gama

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Reinar Não É Um Ganha-pão!

Rei em Parada


O Rei tem um papel histórico: o de personificar o carácter nacional; porque o Monarca é o primeiro depositário da tradição dos antepassados dos homens e dos costumes da Nação.Além disso, a função Real é, de facto, um Serviço que é desempenhado com sentido de missão, pois constantemente sobre o escrutínio público o Rei procura exercer o melhor possível o seu Ofício dirigido no sentido do aperfeiçoamento constante e da defesa do bem comum.
A função Real é, de facto, um Ofício que deve desempenhar com sentido de missão, pois constantemente sobre o escrutínio público o Rei procura desempenhar o melhor possível o seu serviço dirigido no sentido do aperfeiçoamento constante.
Só o Rei terá uma superior consciência dos problemas nacionais, pois a educação de um Príncipe é orientada da forma que se entende ser a mais adequada ao melhor desempenho do seu futuro mester de Rei, de forma a reinar da forma mais útil e favorável para o País. Reinar é uma especialização na defesa dos interesses da Nação que nunca podem ser alvo de desdém e indiferença.
A mais-valia do Monarca consiste num misto de preparação, probidade e neutralidade, que evita que o Rei caia no aperto da impreparação – maduro a tomar decisões nunca saltará etapas que possam perigar o estado da Nação -, nunca tropeçará no embaraço da falta de ética, na enrascada do comprometimento, pois mantém uma posição de neutralidade em relação a questões políticas, imune a lobbies, sem compromissos unilaterais que fereriam a dignidade do poder moderador que se Lhe exige, enquanto Chefe de Estado.
A política, pela sua própria essência, campo de pelejas intermináveis, sobrecarregada de invejas, tem esse destino singular de ser ferida e acicatada, por questões, interesses e lobbies partidários, económicos e financeiros ou mesmo desta ou daquela classe social. Por isso não poucas vezes o bem comum não está suficientemente acautelado.
Assim a função de reinar elimina os comprometimentos e as frívolas promessas de campanha e torna a chefia do Estado merecedora de confiança, porque independente de calendários e questiúnculas eleitorais.
Ora, com a figura do Rei que exprime a virtude da dedicação ao bem comum e tem uma superior consciência dos assuntos nacionais, representando da forma mais ética possível a Nação, a Comunidade confia no Rei e revê-se nele, e quererá seguir-lhe o exemplo o que vai fazer repercutir nas instituições democráticas essa ordem.
No nosso ainda novo século, como em nenhum outro antes, testemunha-se nas repúblicas o maior desprezo pela política e pelas instituições, supostamente, democráticas, muito pelo que acontece nos gabinetes do actual sistema, em que políticos manhosos, empanturrados de afectação exercitam a poder com dominação achando-se depositários da jurisdição totalitária de abater a vontade do Povo.
Muitas vezes num ambiente de óbvias tensões, de uma enorme cadeia de causas e feitos, de inúmeros interesses individuais, é esse fim último de Bem Comum que só uma figura totalmente livre e independente pode ter o discernimento para perceber. Essa liberdade, absolutamente necessária, só um Rei possui: “Nosso Rei é livre!”, O Rei, também, protege e ama o Povo e a Nação e todas as suas coisas; aos primeiros ama como um Pai e as suas coisas guarda como se fossem Suas. Lembremo-nos da célebre tirada d’ El-Rei Dom João II: ‘Quero que se entenda que a Bandeira Portuguesa defende e protege até um papagaio!’
Servir! – Sempre servir… o Povo, a Nação, até à morte e até depois dela… pelo exemplo!
Miguel Villas-Boas

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A eutanásia e o referendo

Pior do que referendar um direito fundamental seria permitir que, pela eutanásia, se negasse o direito à vida aos pobres, velhos e doentes, por arbitrária decisão de uma ocasional maioria parlamentar.

Em artigo de opinião, no PÚBLICO de 1 de Agosto, alguns promotores da eutanásia insurgiram-se contra Maria do Céu Patrão Neves, autora do livro O admirável horizonte da bioética, por ser contrária à despenalização da eutanásia e do suicídio medicamente assistido.
São já muitas as personalidades que se manifestaram contra esta tentativa de impor, na sociedade portuguesa, o que alguns designam como ‘direito a uma morte digna’ mas que, na realidade, mais não é do que a prepotência dos mais fortes sobre os mais fracos, como são, neste caso, os idosos e os doentes terminais. Também o bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. José Manuel Silva, em extenso e documentado artigo, se manifestou contra a eutanásia, quer por motivos clínicos, quer também por razões de ordem moral.
Nesse seu valioso ‘contributo para o debate’, José Manuel Silva chama a atenção para um facto significativo: a escassa receptividade que teve, até à data, o manifesto eufemisticamente intitulado ‘Direito a morrer com dignidade’. Depois de ter constatado “o profundo desconhecimento” da sociedade portuguesa sobre o tema, o bastonário da Ordem dos Médicos afirma: “o reduzido número de 8.300 assinaturas da petição pela eutanásia, muito longe de poder ser considerado um êxito, não obstante a sua enorme politização e mediatização é, com todo o respeito, um claro sinal de ausência de mobilização da sociedade para esta fracturante matéria. Como referencial, a petição contra a eutanásia do cão Zico ultrapassou as 83.000 assinaturas, enquanto a petição pública recentemente lançada pela Ordem dos Médicos ‘Pelo direito à redução do horário de trabalho […]’ já ultrapassou as 14.600 assinaturas.”
Esta exígua adesão – dez vezes inferior à que se opôs ao abate, ou eutanásia, do cão Zico! – não obstante toda a propaganda política e mediática, explica o nervosismo do Movimento Direito a Morrer com Dignidade em relação a uma eventual consulta popular sobre um tema tão pouco consensual na sociedade portuguesa. Ao que parece, desejariam ver esta questão resolvida pelo parlamento, sem necessidade de nenhum referendo. Mas, como é óbvio, esta causa fracturante ultrapassa as competências dos deputados, não só por ser do foro das consciências, mas também porque excede a legitimidade dos seus mandatos, uma vez que a questão não foi esclarecida na campanha eleitoral que precedeu a sua eleição.
O medo pelo referendo parece evidenciar um fundado receio de que a maioria dos portugueses não esteja, de facto, a favor do que os defensores da eutanásia a todos querem impor. Mas também parece indiciar uma atitude que, na realidade, é antidemocrática. Recorda até o estafado argumento – muito usado pelo Estado Novo e pelo MFA, quando tentou evitar as primeiras eleições livres depois do 25 de Abril – de que a população não estaria preparada para votar uma matéria tão complexa… No seu entendimento, seria mais ajuizado que o parlamento tomasse essa decisão, o que, na realidade, significaria que a maioria de esquerda, ao julgar incompetente o eleitorado, estaria a passar um atestado de menoridade cívica, ou de imbecilidade, a todo o povo português, no melhor estilo do fascismo e do social-fascismo, como se dizia no PREC.
Como não é bonito evidenciar sentimentos tão antidemocráticos, os defensores da eutanásia preferem dizer que “os direitos fundamentais não são referendáveis” e acrescentam, em tom de provocação: “Alguém defende que se referende o direito à vida […]?”
Com efeito, o direito à vida, sendo um direito fundamental, não deveria ser referendado, mas … a verdade é que já o foi, por duas vezes, em Portugal! O facto de se tratar de um direito fundamental não obstou à realização dos dois referendos, em 1998 e 2007, nem obviamente poderá, no futuro, impedir um terceiro, até porque os resultados das duas consultas populares já realizadas foram contraditórios. Note-se que o segundo referendo foi exigido pelos partidários do aborto que, de forma nada democrática, não aceitaram o resultado do primeiro, porque lhes foi desfavorável. Por sinal, são os mesmos que agora dizem que os direitos humanos não são referendáveis …
Têm razão os promotores do Movimento Direito a Morrer com Dignidade, quando dizem que “os direitos fundamentais não são referendáveis”. Assim sendo, o texto constitucional deveria defender o direito fundamental à vida, sem limitações ou restrições, ou seja desde a concepção e até à morte natural, sem também hipótese de se poder referendar o aborto, a eutanásia ou o suicídio assistido. Mas, se se pôde referendar duas vezes o direito à vida dos nascituros, também se pode (se é que não se deve!) fazer o mesmo em relação ao direito à vida dos anciãos e doentes terminais. Pretender aprovar uma tão polémica medida na ‘secretaria’, ou seja sem consultar o eleitorado, seria certamente uma hábil golpada, mas uma indecência do ponto de vista ético e democrático. Para geringonças, já chega a que temos!
Das duas, uma: ou se defende que os direitos fundamentais não são referendáveis e se exige que a Constituição consagre o direito à vida humana, desde o seu começo e até à sua extinção natural; ou então se entende que os direitos fundamentais são referendáveis e, nesse caso, haveria que referendar a eutanásia, como se fez já, por duas vezes, com a ‘interrupção voluntária da gravidez’. O que nenhum democrata poderia jamais aceitar – seja ele partidário da ‘morte assistida’ ou defensor da vida até à morte natural – é a aprovação da eutanásia sem consulta popular!
Os direitos fundamentais devem ser reconhecidos por normas constitucionais não revogáveis, nem referendáveis. Mas, muito pior do que referendar um direito fundamental, seria permitir que, pela eutanásia, se negasse o direito à vida aos mais pobres, velhos e doentes, por arbitrária decisão de uma escassa e ocasional maioria parlamentar!
Fonte: Observador

sábado, 6 de agosto de 2016

Aljubarrota Medieval

ALJUBARROTA MEDIEVAL | PROGRAMA | ENTRADA GRATUITA
No próximo dia 14 de Agosto, comemoram-se os 631 anos da Batalha de Aljubarrota, uma das mais importantes batalhas da história de Portugal. Aqui se consolidou a independência portuguesa face a Castela, no reinado de D. João I.

A data serve de mote para a realização anual da Aljubarrota Medieval, uma recriação festiva e dinâmica do ambiente que se vivia na Idade Média em Portugal. Marque já na sua agenda – 12 a 15 de Agosto – e venha desfrutar desta viagem ao passado, no tempo das grandes figuras nacionais que muito dizem a esta terra: D. Nuno Álvares Pereira, Padeira de Aljubarrota, de D. João I.

A Aljubarrota Medieval arranca a 12 de Agosto com o Torneio de Abertura na Liça de Aljubarrota e a Noite da Padeira que reserva muitas surpresas.

A noite de 13 Agosto será dedicada a D. Nuno Álvares Pereira, o grande estratega da vitória portuguesa na Batalha de Aljubarrota.

A 14 de Agosto será feita a tradicional Recriação da Batalha de Aljubarrota com centenas de figurantes nos campos da vila de Aljubarrota a recontarem um dos mais importantes episódios da história de Portugal.

No último dia do evento, a 15 de Agosto, destaque para Casamento Medieval e o Cortejo de Encerramento.

A Aljubarrota Medieval conta com a participação especial da Companhia Livre.

Visite a Aljubarrota Medieval – a História ao Vivo!
  
ALJUBARROTA MEDIEVAL – A HISTÓRIA AO VIVO! 
12 A 15 DE AGOSTO DE 2016

Mais informações:

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

LEMBRAR DOM AFONSO DE BRAGANÇA QUE NASCEU HÁ 151 ANOS



Para a vis galhofeira e despeitada, pois claro, o irmão mais novo de Dom Carlos I ficou para a história como o Arreda. Porém, foi muito mais, ou antes, serviu o país como nenhum outro infante português o fez no período final da monarquia. Militar, diplomata, agente de progresso e entusiasta das engenharias, foi também um governante de mérito, estabilizando a situação na Índia e granjeando grande popularidade entre os portugueses ultramarinos. A ele ficou também o país a dever o incremento que deu à constituição dos corpos de bombeiros voluntários, ainda hoje uma das mais significativas expressões do serviço à comunidade. Foi, também, fundador do Automóvel Club de Portugal. É tempo de desrepublicanizar a historiografia e repor nos pedestais aqueles que verdadeiramente serviram o Estado, a nação e o povo.
Dom Afonso de Bragança, conhecido como o Infante D. Afonso, de seu nome completo Afonso Henrique Maria Luís Pedro de Alcântara Carlos Humberto Amadeu Fernando António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis João Augusto Júlio Valfando Inácio de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança (Ajuda, Lisboa, 31 de Julho de 1865 — Nápoles, 21 de Fevereiro de 1920) foi o 3.º Duque do Porto, 24.º Condestável de Portugal e o 109.º governador e 51.º e último vice-rei da Índia Portuguesa.

Segundo filho do Rei Dom Luís I e da Rainha Dona Maria Pia de Saboia, princesa da Sardenha, e irmão mais novo do Rei Dom Carlos I, D. Afonso desempenhou as funções de Condestável do reino, tendo sido nomeado Vice-Rei da Índia em 1895, por ocasião de uma expedição a essas colónias. Representou algumas vezes o irmão em cortes estrangeiras. Foi general de divisão do exército português e inspector-geral da arma de artilharia. Era ainda comandante honorário dos Bombeiros Voluntários da Ajuda.


Miguel Castelo Branco


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Assinem esta petição

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Estamos todos cansados, fartos de sofrer em silêncio as habilidades, manhas, negociatas, imundícies que envolvem irmãos, primos, cunhados e gabinetes de todo o tipo de actividades especulatórias, desleixo e outras estultas acções por parte das sucessivas vereações - sejam elas de que coloração forem - que têm arruinado a cidade de Lisboa: bairros inteiros que para sempre desapareceram por vontade dos grupelhos conluiados que bem conhecemos, obra feita e logo obra refeita, cabeçudos que surgem em prédios de fachada anterior ao betão, eis o que o futuro reserva para uma Lisboa que passará pela infâmia e vergonha de perder todo e qualquer interesse que uma capital europeia deveria ter. Neste caso, nem sequer a oposição se salva, é parte integrante do esquema.

Não tenham dúvidas, esta destruição consiste mesmo uma intenção política e assim sendo, política deverá ser a resposta popular. 

Esta é uma petição urgente, pois sublinha uma certa e necessária revolta contra uma acção que longe de atender a dificuldades de tesouraria, visa tão só prosseguir a já demasiadamente longa campanha política contra tudo o que a nossa história significa. 

Se há dinheiro, muito mais dinheiro, para outras actividades pré-eleitorais, obrigatoriamente deverá o executivo municipal atender a este caso. Em conformidade, façam o favor de divulgar e assinar esta petição. Lisboa agradecerá. 

* Já tem 1500 assinaturas e teremos de atingir as 4.000 até ao próximo dia 15 de Agosto. Copiem o link e divulguem.


Nuno Castelo-Branco

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Mais Vale Ser Súbdito Numa Monarquia Do Que Lacaio Numa República

Beija-mão ao Rei


Mais Vale Ser Súbdito Numa Monarquia do Que Lacaio Numa República!
Hoje nas Monarquias já não existem propriamente súbditos, mas cidadãos de plenos direitos, iguais perante a Lei e que são muito estimados pelo Seu Rei/ Rainha e que vê essa estima retribuída pelo Povo, que entende ter no Rei o bem mais precioso da Nação. O Rei assume-se como um funcionário da Nação e do Povo acautelando por cumprir qualquer das obrigações inerentes ao seu cargo, que encara como serviço. O Rei tem de reinar rectamente: Rex eris, si recte facias, si non facias, non eris. Não há político, algum, que possa entranhar essa incumbência como um Rei.
Mas mesmo que ainda fosse súbdito, mais valia ser súbdito numa Monarquia do que o lacaio que os políticos pretendem que os cidadãos de uma república sejam.
Neste Estado das Coisas republicano, ao esquadro e compasso maçónicos, herdeiros da I.ª república, veio juntar-se a aritmética economista liberal transformando a sociedade numa soma bruta de indivíduos e o governo da liberdade ficou sendo a tirania das minorias. Hoje é mínimo o número de votantes quando comparado com os eleitores escritos o que revela esse distanciamento da maioria face à minoria que a domina, não por génio ou superioridade intelectual, mas apenas porque se apropriou dos meios de poder, coacção e opressão. A história sempre confirmou isso: os mais pobres e os sem poder não têm como se afirmar!
Mas se na Idade Média os mais pobres não reclamavam do destino para o qual haviam nascido, e, que parecia ser inevitável, e comiam raízes e bolotas, vivendo dos bodos comunitários e da caridade da Igreja, hoje a maioria não pode ser tomada por ignara. A Nação é uma comunidade estável constituída, historicamente, com base num território, numa língua, e com aspirações materiais e espirituais comuns. A Nação é pois o agregado de indivíduos constituído por vontade própria e não reunido de uma forma acidental. Por isso o Povo não pode ser apenas a margem de manobra dos políticos republicanos. Recordemos a violenta crítica do método demoliberal que J. Pedro de Oliveira Martins deu à estampa no século XIX, em As Eleições:
‘As eleições liberais individualistas são o sofisma da representação; não por vício dos homens, embora os homens sejam viciosos, mas por essência do errado princípio que os dirige: só quando, outra vez, se compreender (e agora conscientemente) que a Sociedade é um corpo vivo, e não um agregado de indivíduos, só então tornará a haver representação verdadeira e ordem na democracia.’
É, POIS, UM REI QUE QUEREMOS!, pois só um Rei traduz a vontade nacional, sentindo com o Seu Povo e a Sua Nação. O Povo não é uma amálgama de indivíduos, mas um conjunto de entes que num dado momento histórico constitui a Nação, uma comunidade estável constituída por vontade própria, historicamente, com base num território, numa LÍNGUA, e com aspirações materiais e espirituais comuns. Ora se a Nação estiver constituída em Reino, e uma vez que Monarquia é uma instituição que contém um peso emblemático, todos se sentirão parte de um todo.
O Rei, Chefe Supremo do Estado e da Nação, nunca foi político nem militante partidário, e independente de um calendário eleitoral, terá a tranquilidade e a legitimidade para actuar como moderador entre as várias facções políticas ou demais grupos da sociedade civil evitando conflitos e procurando agregar. Sem os vícios do sistema político, o Rei não será refém de favores ou obrigações, de interesses ou lobbies partidários, económicos ou mesmo desta ou daquela classe social. O Monarca é um capital contributo para o normal e regular funcionamento das instituições democráticas e nunca um bloqueador do seu funcionamento.
El-Rei será, também, em último caso, uma ressalva contra a ditadura, pois será travão de políticos eleitos que procuraram obter poderes maiores aos atribuídos pela Constituição.
Antes de ser Monarca é herdeiro presuntivo e burilado para adquirir todas as competências e conhecimentos sejam políticos, técnicos, científicos e culturais para que esteja devidamente apetrechado para desempenhar com o máximo de aptidão o seu Ofício de Reinar.
Um Rei nunca olhará convenientemente para o lado, nunca se enclausurará, mas desempenhará a Sua função de Monarca com brio, sem cair no desvario, no excesso, sem se deixar embriagar de poder e deslumbrar pelos aplausos! E defenderá a Sua cultura, a Sua LÍNGUA e a Nação, que encarna, sempre como a melhor… sem concessões!
‘A minha Pátria é a Língua Portuguesa’, escreveu Fernando Pessoa.
MAIS VALE SER SÚBDITO NUMA MONARQUIA DO QUE LACAIO NUMA REPÚBLICA!
Miguel Villas-Boas

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

ACADEMIA DE VERÃO DA JUVENTUDE MONÁRQUICA PORTUGUESA


Mensagem do Presidente da JMPpara os participantes candidatos à Academia de Verão
“Só com a consciência, bem viva, do que somos, será possível levar a nossa mensagem a cada um dos jovens portugueses. Somos patriotas e por isso queremos o Rei, chefe natural, na cúpula do Estado, como elemento de moralização do sistema político e de equilíbrio entre as instituições. Não somos monárquicos por qualquer outro motivo. Só Portugal nos motiva.
Teremos bem esta consciência? Sabemos o que é ser monárquico? Percebemos o que é Portugal no mundo de hoje? Faz sentido ser patriota? Como monárquicos, sabemos adaptar a mensagem à juventude portuguesa? Como chegar a ela? Estas e outras questões serão debatidas na nossa Academia de Verão. Espero ver-te lá para aprendermos juntos e, como sempre, festejarmos Portugal.

Vem! Participa, por Portugal!”

Inscrições aqui.

domingo, 31 de julho de 2016

A jihad, uma ameaça para a Europa

A Europa não pode ignorar uma verdade bem evidente: se, em tempos passados, teve de fazer frente a um terrorismo essencialmente político, agora é ameaçada pelo terrorismo que se autoproclama islâmico.

Não há palavras que possam exprimir a estupefacção pelo modo selvagem e cobarde como foi assassinado o padre Jacques Hamel, na passada terça-feira, em Saint Etienne du Rouvray, França. E, contudo, há o perigo de, ultrapassada a primeira reacção de espanto, reduzir o facto a um mero episódio de uma actualidade cada vez mais pródiga em notícias desta natureza. Ou, pior ainda, ceder à tentação de querer responder à ameaça do terrorismo com outro terrorismo, como pretendem os que se querem servir destes acontecimentos para impor políticas xenófobas, ou contrárias à liberdade religiosa.
É verdade que, no caso do atentado em Rouen, a motivação para o crime foi de natureza religiosa e, ao que parece, os executantes da degolação do ancião presbítero eram oriundos de países árabes. Quer isto dizer que todos os árabes são possíveis terroristas?! Dever-se-á supor, doravante, que qualquer crente no Islão é um eventual assassino?! Mas, não houve também criminosos de outras etnias e religiões?! A Bíblia não atribuía a Deus, Senhor dos exércitos, as ordens de fazer a guerra aos inimigos de Israel e, até, de exterminar os infiéis?! Mesmo depois de Cristo ter proibido terminantemente tais práticas aos seus discípulos, impondo-lhes como lei suprema o mandamento novo da caridade, não foram os cruzados protagonistas de acções violentas contra os mouros?!
Como é sabido, Adolf Hitler, austríaco de nascimento, era nacional-socialista e foi culpado pelo extermínio de milhões de judeus. Mao Tsé Tung era chinês e, como dirigente comunista, foi responsável, em termos éticos e políticos, pelos milhões de vítimas causadas pela sua despótica e criminosa governação. Pode-se então concluir que todos os austríacos e chineses são potenciais criminosos? E que dizer dos nazis e maoístas?
Tomás de Aquino distinguia o que é próprio de alguma coisa per se, do que só acidentalmente lhe convém. Ou seja, que Adolf Hitler ou Mao Tsé Tung fossem, respectivamente, austríaco e chinês, é algo acidental nas suas biografias, mas as suas escolhas ideológicas foram determinantes das suas acções políticas. Com efeito, tanto o nazismo como o comunismo são doutrinas totalitárias, que legitimam o uso da violência e o desrespeito pelos mais elementares direitos humanos. Portanto, supor que um austríaco, ou chinês, é, por esse facto, um possível terrorista, é absurdo; mas temer que um nazi, ou maoista, possa atentar contra a democracia, não releva nenhuma injusta suposição, precisamente porque essas ideologias são, em si mesmas, essencialmente antidemocráticas.
E o Islão? É óbvio que há que respeitar todas as religiões – a liberdade religiosa é um dos principais pilares da democracia e do estado de direito – mas, mesmo que todas as religiões sejam pela paz como, a propósito deste atentado, disse o Papa Francisco, não se pode negar que o não são todas do mesmo modo. Um budista é, por natureza, um pacifista e um acérrimo partidário da não-violência, mas um muçulmano é um crente em Alá, pela alegada revelação de Maomé que, se por um lado foi um fervoroso líder religioso, por outro também foi, como é historicamente certo, um feroz guerreiro, que “não só pregou a violência contra os não muçulmanos, como dirigiu pessoalmente sessenta campanhas militares de enorme agressividade” (Paul Copan, Is God a moral monster?, ed. port., pág. 358). Por isso, não há qualquer exagero em afirmar que, embora possa haver um budista, ou um cristão, violento e agressivo, mais por excepção do que por regra, o mesmo não se pode dizer de todos os maometanos. Se há, como é de justiça reconhecer, seguidores de Maomé que são pacíficos e tolerantes, também os há que seguem a vida guerreira do dito profeta, professam a sua doutrina belicista, pretendem propagar pelas armas a sua crença e querem impor à força o regime islâmico, excluindo, como já acontece nos países oficialmente muçulmanos, a liberdade religiosa e os demais direitos fundamentais.
Bernard Lewis, talvez o maior especialista ocidental na matéria, escreveu: “As cruzadas são um desenvolvimento tardio na história do Cristianismo […]. O Cristianismo estivera sujeito aos ataques dos muçulmanos desde o século VII e perdera grandes territórios, que haviam sido conquistados pelo Islão […]. Contudo, no quadro da prolongada batalha entre o Cristianismo e o Islão, as cruzadas foram tardias, limitadas e relativamente breves. Pelo contrário, a jihad está presente desde os começos da história do Islão, tanto nos escritos como na vida do profeta e nos actos dos seus companheiros e sucessores imediatos. Prosseguiu durante toda a história do Islão e continua a ser fascinante para os muçulmanos da actualidade”, como os recentes atentados dolorosamente confirmam.
É óbvio que não se pode pôr em causa a liberdade religiosa, nem a liberdade política, de pensamento e de expressão mas, de modo análogo a como um nazi ou um maoista é um perigo para o Estado livre e democrático, também um crente extremista é uma ameaça real para a sociedade, sobretudo se professar uma religião que legitima o uso da violência. Seria injusto supor que todos os árabes, ou muçulmanos, são potenciais criminosos, até porque também há, no chamado Estado Islâmico, bastantes terroristas que não são árabes, bem como, eventualmente, mercenários que simularam a sua conversão ao Islão para serem admitidos nessa milícia muçulmana. Mas a Europa não pode ignorar uma verdade por de mais evidente: se, em tempos passados, teve de fazer frente a um terrorismo essencialmente político (Brigadas Vermelhas, ETA, Baader-Meinhof, IRA, etc.), agora é ameaçada pelo terrorismo que se autoproclama islâmico.
Os judeus estavam autorizados a aplicar a lei de talião: ‘olho por olho e dente por dente’ (Ex 21, 23-25; Lv 24, 17-21). Pelo contrário, os cristãos sabem que, se forem agredidos numa face, devem oferecer a outra (cf. Mt 5, 39) e que, em qualquer circunstância, estão obrigados a amarem os seus inimigos (cf. Lc 6, 35-36). Mas o evangelho também ensina os crentes a serem simples como as pombas, mas não ingénuos, e prudentes como as serpentes (cf. Mt 10, 16).
Fonte: Observador