domingo, 8 de abril de 2018

SAR, A SENHORA D. ISABEL DE BRAGANÇA: “É BOM QUE OS FILHOS QUEIRAM A SUA INDEPENDÊNCIA”


A duquesa de Bragança fala sobre a sua relação com os três filhos, que já são todos adultos.




Atenta a todos os passos dos filhos, Afonso, de 22 anos, Maria Francisca, de 21, e Dinis, de 18, fruto do seu casamento com D. Duarte Pio, D. Isabel de Bragança acredita que é importante deixá-los seguir os respetivos caminhos, sem grandes imposições, conforme nos contou durante uma conversa que começou pelo propósito do encontro, a apresentação de um livro sobre o ritual do chá, Receitas à Volta do Chá, de Maria Ana Silva Vieira.
– O culto do chá implica um certo ritual, uma determinada rotina. Gosta de rotinas?
A minha vida não tem muita rotina, é um pouco atípica, mas há coisas que faço questão de ter, como tempo para mim, para me cuidar.
– Gosta dos rituais que o chá promove, como as conversas?
No dia a dia é complicado, mas acho importante que se cultive esse tipo de encontros. Hoje em dia, num mundo em que é tudo tão virtual e quase egoísta, é importante que façamos um esforço, porque no fundo o que interessa é estarmos uns com os outros. Acho que a felicidade das pessoas está em partilhar coisas com os outros: vivências, experiências.
– Como mãe, como contraria esse lado virtual que referiu?
Promovo situações em que nos sentemos à mesa a conversar ou fazendo passeios. Por exemplo, quase todos os anos fazemos uma viagem os cinco. E aquele que escolhe o lugar tem de o estudar e explicar aos outros. Acho que tem de haver um pouco de imaginação para ‘apanharmos’ os nossos filhos e amigos com estes ‘truques’ que nos fazem estar juntos.
– Esse será atualmente um dos maiores desafios dos pais: fazer com que os filhos se afastem de telemóveis e afins?
Acho que o grande desafio é dar-lhes condições e ensiná-los a voar e a serem eles próprios. Uma das coisas que os pais por vezes fazem – e eu também – é imaginar para os filhos algo que nem sempre se coaduna com o que eles querem... Tenho aprendido a estar atenta às tendências e aos gostos de cada um dos meus filhos, respeitando-os e encaminhando-os para aquilo que acho que também os pode fazer felizes.
– Para si, foi fácil encontrar esse caminho?
Há alturas mais fáceis e outras mais difíceis, faz parte. E é bom que os filhos queiram a sua independência e tenham ideias próprias. Tenho a sorte de os meus filhos serem pacíficos, mas nós também sempre respeitámos essa parte. Quando se força uma coisa é que podem surgir reações. Sempre lhes disse para estudarem o que gostavam e fazerem mestrado naquilo em que vão trabalhar. Não posso forçá-los a tirar um curso que eu possa achar interessante, pois o futuro é deles. Acho que hoje em dia o grande desafio é não deixar de exigir mas ao mesmo tempo trabalhar na autoestima, para que eles façam coisas com as quais se sintam bem e capazes.
– Eles ainda estão muito ligados a si ou já está cada um no seu caminho?
Aos bocadinhos, vão seguindo as suas vidas. Graças a Deus, falamos muito, e essa é a minha maior alegria. Conversamos muito e talvez por isso seja tudo tão pacífico. Temos de os deixar voar e cair. Ninguém cresce sem sofrer.
– Agora já tem cá os três...

Sim, a minha filha estava em Roma mas já voltou.


Fonte: Caras

sábado, 7 de abril de 2018

A NP fala da Rússia e de Portugal em Coimbra

Foto de Nova Portugalidade.


Numa altura em que muito se fala da Rússia e sua relação com Portugal e a Europa, a Nova Portugalidade organiza uma palestra sobre o tema com o Doutor José Norton, um dos mais conhecidos especialistas portugueses do assunto. Compreender a centenária relação entre os dois países - em tempos de aliança, noutros de hostilidade - é essencial para pensar o presente e o futuro das duas nações. O evento terá início às 17h00 de dia 18 de Abril e decorrerá no Café Santa Cruz, em Coimbra. Com ele, a NP informará a sociedade civil sobre tema actualíssimo e cumprirá o seu compromisso com o entendimento, a paz e a amizade entre todos os povos.


sexta-feira, 6 de abril de 2018

Visita ao Palácio Real da Bemposta




No próximo dia 7 de Abril, pelas 14:30, a Real Associação de Lisboa realiza mais um Roteiro Real, desta vez para uma visita ao Palácio Real da Bemposta no Paço da Rainha (ao Campo Santana). 
O Palácio da Bemposta foi mandado construir em 1693 pela Rainha-viúva de Inglaterra, D. Catarina de Bragança, que lá viveu até à sua morte em 1705. Nessa altura. o palácio passa para o seu irmão D. Pedro II e, no reinado de Dom João V, para a Casa do Infantado. Por aqui vão passar vários filhos, legítimos e ilegítimos, destes dois reis, até que, no séc. XIX, Dom João VI vai aqui também viver e morrer.

Apesar do Terramoto de 1755 ter afectado bastante a construção original, este Palácio é um exemplar de excepção da arquitectura e artes decorativas do final de seiscentos, mas de facto o que se destaca é a obra pós-terramoto, nomeadamente a capela monumental onde também vamos ter a oportunidade de entrar.
Esta visita, guiada pelo nosso associado Joel Moedas Miguel, tem lugares limitados e um custo de € 15,00 por pessoa. O ponto de encontro será no espaço fronteiro ao Palácio.

Para mais esclarecimentos e inscrições, contacte-nos através do endereço secretariado@reallisboa.pt, pelo telefone 21 342 81 15 ou presencialmente na nossa sede nos horários habituais. 

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Sabia que os portugueses foram os primeiros europeus no Tibete?

Foto de Nova Portugalidade.


Nascido na região de Castelo Branco por volta de 1580, ano em que Portugal parecia morrer, António de Andrade ingressou cedo na Companhia de Jesus. Com 20 anos, abandonou Coimbra, onde iniciara os estudos, e tomou o caminho da Índia. Chegado a Goa, completou no Colégio de São Paulo a sua formação. Aí foi ordenado sacerdote e logo tornado peão do largo esforço de missionação que Portugal desenvolvia no Oriente. Até 1624, António manteve-se em Agra, cidade que albergava a corte mogol e uma importante missão jesuítica.

Interessando-se pelos rumores relativos à existência de monarquias cristãs para lá dos Himalaias, António de Andrade abandonou Agra em 1624. Fê-lo acompanhando um outro jesuíta português, Padre Manuel Marques, com quem venceu os "desertos de neve" que separam a Índia do Tibete e penetrou, exausto mas invicto, aquele país. No Tibete, o jesuíta não encontrou cristãos, mas foi honrado com uma faustosa recepção pelas autoridades. Factor de confusão foram os ídolos adorados pelos autóctones, que António pensou serem iconografia cristã.

Desfeito o equívoco, os jesuítas esbeleceram-se em Tsaparang, capital do poderoso reino tibetano de Guge, e lá fizeram erguer uma pequena, conquanto bem provida e muito solicitada, missão cristã. O empreendimento parecia promissor, mas acabaria destruído pouco depois. António de Andrade abandonou-o em 1628, quando regressou a Agra em busca de novos apoios aos esforços de evangelização que animava no Tibete. Dois anos mais tarde, Tsaparang acabaria cercada, tomada e destruída pelo rei de Ladakh, Senge Namgyal. António de Andrade, que de Agra se dirigiu a Goa, não mais voltaria a ver os companheiros. Destino ainda mais infeliz foi o que sofreu Manuel Marques, enviado pelas autoridades da Companhia de volta ao Tibete para lá reconstruir a missão. Em 1640, já perto do seu destino, o padre seria raptado por bandoleiros. Ainda lhe foi permitido que escrevesse aos irmãos jesuítas um sentido pedido de ajuda cujos resultados, contudo, se revelariam insatisfatórios. Manuel Marques não mais voltaria a ser visto.

Rafael Pinto Borges

terça-feira, 3 de abril de 2018

Os primeiros jornais editados no Extremo-Oriente eram portugueses

Foto de Nova Portugalidade.


Chamava-se A Abelha da China, era patrocinado pelos deputados liberais do Leal Senado de Macau e o primeiro número saiu em Setembro de 1822 dos prelos existentes na cave da Igreja de São Domingos. De vida curta e acidentada, A Abelha, animada pela loja maçónica existente na cidade, assumiu posições liberais radicais, próprias do Vintismo, pelo que desencadeou forte reacção dos sectores católicos da cidade. Proibido em Dezembro de 1823, o jornal foi substituído em 1824 pela Gazeta de Macau, orgão que se assumiria como próximo do partido encabeçado pelo Infante Dom Miguel. A imprensa em língua inglesa então editada na Ásia, sobretudo aquela de natureza religiosa, propriedade de missionários anglicanos, seguiu os passos da Abelha e da Gazeta, mas por falta de meios tecnológicos, teve de recorrer aos prelos de Macau. Os primeiros jornais britânicos impressos no Extremo Oriente só inciariam publicação regular trinta anos depois, ou seja, no início da década de 1850, já os ingleses se haviam estabelecido pela força das armas em Hong Kong, no rescaldo da chamada Primeira Guerra do Ópio.


segunda-feira, 2 de abril de 2018

A ‘selfie’ de JC

A fé na ressurreição de Jesus Cristo, longe de ser uma suposição gratuita, está fundada numa certeza científica, que faz credível a explicação sobrenatural.

Há quem pense que as ‘selfies’ são uma invenção moderna, mas não é verdade. Que me desculpem os iconoclastas, mas esta ideia de reproduzir a própria imagem é muito mais antiga do que se pensa, pois vem, pelo menos, dos tempos de Jesus Cristo. Dele foi, de facto, a primeira ‘selfie’ de que há memória: o sudário de Turim.
A ressurreição de Cristo é um princípio fundamental da fé cristã (1 Cor 15, 17-19), mas não a mortalha que, segundo a tradição, envolveu o corpo morto de Cristo, durante aproximadamente 36 horas. Mas muitas são as razões científicas que atestam que o homem do sudário não pode ser outro que não Jesus de Nazaré.
É certo que, em 1988, alguns peritos propuseram uma datação entre os anos 1260 e 1390, mas hoje essa hipótese está cientificamente desacreditada, não só porque a amostra utilizada nesse estudo não era credível, mas também porque cientificamente não ficou provada essa conclusão.
Com efeito, os estudos merceológicos e palinológicos do calvinista suíço Max Frei, professor da Universidade de Zurique e criminologista de renome internacional, permitiram concluir que a síndone, tecido de linho fabricado ao modo indiano, é originária da Palestina, onde foi tecida há aproximadamente dois mil anos. Supõe-se que esteve em Edessa e em Constantinopla, de onde se crê que algum cruzado a possa ter levado para Lirey, em França, onde aparece em 1353. Mais tarde, em 1578, já era venerada em Turim, onde ainda hoje permanece, sendo então propriedade da Casa Real italiana que, na pessoa do seu último rei, Humberto II, a doou, por disposição testamentária, ao Papa, que na altura era São João Paulo II.
Não restam dúvidas de que o sudário envolveu o corpo de alguém que foi, há dois mil anos, crucificado, depois de flagelado e coroado com espinhos. É até possível saber que esse homem foi chicoteado – há registo de 370 feridas, como resultado de pelo menos 600 golpes – por azorragues que correspondem exactamente aos que então utilizavam os soldados romanos. Também são visíveis as marcas deixadas pelas chagas das mãos e dos pés, bem como a do lado, que foi infligida no corpo morto de Jesus para garantir, com certeza absoluta, o seu óbito.
Se os sinais da crucifixão e da flagelação não são suficientes para concluir que o homem do sudário é necessariamente Jesus de Nazaré – muitos outros condenados à pena capital eram também açoitados e crucificados – o mesmo já não se pode dizer da coroa de espinhos, que só a ele foi imposta. Foi precisamente essa a razão da sua condenação, como aliás se fez constar, em várias línguas, na própria cruz: Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus (em latim, INRI). Também por estas razões, a datação que apontava para os séculos XIII e XIV não é verosímil pois, nessa altura, há já muito que ninguém era publicamente flagelado e crucificado, como indubitavelmente aconteceu ao homem do sudário.
Em relação à imagem da síndone, subsistem alguns mistérios, que a ciência ainda não conseguiu decifrar. Nomeadamente o que respeita à impressão da figura humana visível no tecido, ao modo de um negativo fotográfico. É sabido que a imagem do sudário não foi pintada, nem reproduzida segundo nenhuma técnica conhecida. Alguns cientistas da NASA chegaram à surpreendente conclusão de que essa reprodução de um corpo humano é tridimensional, o que também seria impraticável para qualquer falsário de há dois mil anos, ou medieval. Na impossibilidade de identificar a forma de fixação dessa representação corpórea no sudário de Turim, há quem admita que a impressão tenha sido a consequência de uma momentânea explosão de energia. De ter sido assim, aquela mortalha não seria apenas uma relíquia da paixão e morte de Jesus Cristo, mas também uma prova científica da sua ressurreição.
Qualquer que seja o veredicto da ciência sobre este particular, a verdade é que a ressurreição de Cristo, sendo um acontecimento histórico amplamente comprovado por muitas e variadas testemunhas credíveis – numa ocasião única, mais de quinhentas pessoas viram Jesus ressuscitado (1Cor 15,6) – inscreve-se numa dimensão transcendente, a que só pela fé se tem acesso. Mas, mesmo aqueles que então creram, como o incrédulo Tomé (Jo 20, 24-29), acreditaram porque tinham muito sólidas razões para o fazer. A sua fé, longe de ser uma suposição gratuita, estava fundada numa certeza empírica, que faz cientificamente razoável a explicação sobrenatural.
Como escreveu D. Américo do Couto Oliveira, que foi bispo de Lamego e autor de A Santa Síndone de Turim, À luz da ciência moderna, “agnósticos ou ateus, católicos ou não católicos, quase todos estão convencidos de que aquele Homem [do sudário] é Cristo! Ouçamos as palavras do filósofo de Virgínia, então descrente, Prof. Gary R. Habermas: ‘Quando eu era de facto agnóstico e não admitia a ressurreição de Jesus, foram as provas históricas (…) que me fizeram compreender que ele muito provavelmente tinha ressuscitado dos mortos. A minha honestidade intelectual obriga-me a confessar que, se estas provas histórico-científicas se referissem a qualquer outra personalidade histórica, o meu interesse em investigar o caso não teria sido menor. Quero dizer que, se a síndone tivesse sido atribuída a Maomé, em vez de a Jesus, (…) eu teria a coragem de reconhecer a ressurreição de Maomé. Mas acontece que estas provas não se referem a Maomé, nem a mais ninguém senão Jesus’.”
Por ocasião do falecimento do referido criminólogo suíço, o secretário do Centro Internacional de Sindonologia disse: “Max Frei, cristão evangélico, logo no primeiro instante, intuiu acertadamente que aquela Imagem do Homem da Síndone não era só a de um homem que sofreu, nem era a figura de um vencido, mas a de alguém que amou e se deu”. O próprio Cristo tinha proclamado: “é por isto que meu Pai me tem amor: por eu oferecer a minha vida, para a retomar depois. Ninguém ma tira, mas sou eu que a ofereço livremente, porque tenho poder de a oferecer e poder de a retomar” (Jo 10, 17-18). Jesus de Nazaré foi morto, mas foi ele que quis dar a sua vida pela salvação do mundo!
Feliz Páscoa da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a mais sublime expressão, divina e humana, da liberdade do amor!
Fonte: Observador