segunda-feira, 15 de novembro de 2021

14 de Novembro de 1866 - Morreu El-Rei D. Miguel I de Portugal

 


Dom Miguel de Bragança, terceiro filho varão de D. João VI e de D. Carlota Joaquina de Borbón, nasceu há 219 anos, no Palácio de Queluz, e faleceu há 155 anos, em Brombach, Alemanha, a 14 de Novembro de 1866.

Foi o 29° Rei de Portugal (1828-1834) e foi o último Rei Tradicional.

Aquando da 1ª Invasão francesa, em 1807, embarcou com a Família Real para o Brasil Quando voltou, a Lisboa a 3 de Julho de 1821, com os pais - o irmão D. Pedro a governar o Brasil – encontrou um Portugal muito diferente em termos políticos, pois um novel regime, de cariz liberal, havia nascido em 1820. O Infante Dom Miguel, prontamente avoca a chefia dos partidários do antigo regime, aglutinados em volta de D. Carlota Joaquina, e assume a direcção dos movimentos contra-revolucionários da Vila-Francada, em 1823, que provoca à dissolução das Cortes liberais e marca o fim da vigência da Constituição de 1822. D. Miguel torna-se, então, o Comandante-em-chefe do Exército português. Os liberais reagem, e em 1824, D. Miguel dirige novo movimento, a Abrilada, mas desta feita sem sucesso. Após o pronunciamento, D. João VI demite D. Miguel da função que exercia desde a Vila-Francada e o Infante abandona o País, estabelecendo-se em Viena de Áustria, durante 4 anos.

Em 10 de Março de 1826, D. João VI morre e D. Miguel escreve para o Brasil, afirmando aceitar D. Isabel Maria como regente do reino e seu irmão como legítimo herdeiro do trono. D. Pedro abdica do trono português a favor de sua filha D. Maria da Glória, sob a dupla condição de ser jurada a Carta Constitucional e da Princesa casar com o tio, D. Miguel. Dom Miguel, de boa vontade jura a Carta Constitucional outorgada pelo irmão e celebra os esponsais com D. Maria da Glória, casando por palavras futuras com a sobrinha, pelo que D. Pedro nomeia, em 1827, D. Miguel como seu lugar-tenente e regente na menoridade de D. Maria (II).

Regressado a Lisboa, em Fevereiro de 1828, D. Miguel jura mais uma vez a Carta, contudo, decorrido pouco tempo, diante do surto jacobino e da onda liberal que grassava e ameaçava o País antigo, o regente nomeia um novo Ministério, dissolve as Câmaras das Cortes e, convoca Cortes à maneira antiga. As Cortes eram assembleias políticas, Gerais ou Extraordinárias, os órgãos políticos de carácter consultivo e deliberativo das Monarquias orgânicas, e representavam as diferentes classes sociais estabelecidas em três Ordens: o Primeiro Estado, fronde do Clero; o Segundo Estado, fronde da Nobreza; e o Terceiro Estado, braço do Povo. Assim, com o poder real legitimado pelas Cortes Gerais da Nação Portuguesa, a 11 de Julho de 1828, Dom Miguel I é aclamado Rei pelos Três Estados do Reino: ‘Juro aos Santos Evangelhos, corporalmente com a minha mão tocados, que eu recebo por meu Rei e Senhor verdadeiro e natural ao mui alto e poderoso Rei Dom Miguel e lhe faço preito e menagem segundo foro e costume deste Reinos.’

Os liberais expatriam-se aos magotes e os que ficam e não aceitam o regresso à antiga ordem são alvo de represálias.

Dom Miguel não era um Rei Absoluto, como injustamente ficou conhecido, mas representava sim um velho jeito de ser português, arraigado à tradição. Restabelece a Monarquia de Tradição Portuguesa segundo o qual o poder era entregue ao Rei por um pactum subjectionis para governar de acordo com o bem comum, não sendo nunca um poder pessoal, mas extirpado de qualquer forma de absolutismo, uma posição de privilégio com a obrigação de servir, governando com Justiça, sendo do ofício do Monarca manter os direitos e interesses de cada um dos súbditos e o bem comum do Reino de Portugal com a promulgação das competentes Leis justas e respeitando as liberdades fundamentais, regalias e seguranças, comummente consagradas em carta de Foral - que definia as matérias respeitantes à liberdade das pessoas, à defesa dos direitos em juízo, à tributação, à inviolabilidade do domicílio. Com Sua Majestade Fidelíssima, verifica-se o regresso da vocação de serviço da Monarquia Portuguesa em que o Monarca aceita que o seu poder é limitado pelas Leis Fundamentais do Reino, que foram expressas nas Actas das Cortes de Lamego – que apesar de serem apócrifas, se tornaram na Lei Fundamental do Reino, uma vez que o seu teor jurídico é aquele que correspondia ao Costume, e por isso se tratam da codificação do direito da Monarquia Portuguesa: ‘Estas são as Leis da herança do nosso Reino: boas são, justas são, queremos que valham por nós, e por nossos descendentes, que depois vierem.’
Oliveira Martins diz isso:

‘D. Miguel e o seu franco plebeísmo eram a genuína expressão do Portugal Velho que, de crises em crises sucessivas, atingia agora a última. O Rei passava, a cavalo, a galope, com a vara entalada na sela, moço e radiante; e agente das ruas parava a adorá-lo, com um ar de júbilo ingénuo nos rostos; os mendigos de uma cidade mendicante avançavam ajoelhando e o príncipe abria a bolsa, dava-lhes dinheiro; as mulheres rezavam, pedindo a Deus a conservação de um rei tão belo, tão bom, tão amigo do povo. Corriam pequenos catecismos, orações em que Portugal, repetindo Jerusalém, era o motivo de salmos e antífonas ardentes, invocando-se a Virgem-Puríssima-Nossa-Senhora para que protegesse o augusto e amado rei, defendendo-o de todos os seus inimigos, livrando o reino do pestilento e infernal contágio da seita maçónica…etc. Sempre que aparecia em público, D. Miguel era vitoriado, levado em triunfo, entre bênçãos e aclamações delirantes: de um a vez, passando na Carreira dos Cavalos, caminho de Queluz, achou-se rodeado, sem poder avançar. Eram oficiais do Exército, eram voluntários realistas, eram paisanos, homens, mulheres, gente de todas as idades e classes, que puxando a carruagem o levou em triunfo, entre vivas espontâneos e ardentes, até Val-de-Pereiro. Ninguém dirigia, ninguém ordenava essas festas sem programa, que brotavam como viva expressão do entusiasmo popular. Respirava-se o ardor de uma cruzada: D. Miguel era um Pedro- Eremita. Criava-se uma cavalaria nova e sagrada, para opor à seita maçónica: era a Ordem de S. Miguel da Ala de que o Rei tinha o grão-mestrado, para defender a Santa Religião católica, apostólica, romana, e restaurar a legitimidade portuguesa’.

Mas os auto-exilados liberais, congregam-se na Ilha Terceira, nos Açores, e em Junho de 1828, acontece uma revolução anti-miguelista em Angra do Heroísmo. Em 3/3/1832 D. Pedro, tendo já abdicado do trono imperial do Brasil, aportou aos Açores como Regente em nome da sua filha D. Maria, e dali embarcou em direcção ao continente à frente de um exército de 7 500 homens – uma larga maioria mercenários estrangeiros contratados -, desembarcando no Pampelido, em 8 de Julho de 1832.

No dia seguinte os ‘bravos do Mindelo’ ocuparam o Porto, onde sofreram um longo cerco do exército miguelista. Em 20/6/1833 mais um desembarque liberal, agora no Algarve, tem melhor sorte e depois de vencerem os miguelistas em Cacilhas avançam até Lisboa. Somam mais vitórias, o exército miguelista chefiado pelo Duque de Cadaval, que cercava o Porto, destroça, e no ano de 1834 e sob a ameaça das forças da Quadrupla-Aliança que invadem Portugal, os realistas transigem, tendo Dom Miguel I assinado a capitulação, para não ver derramado mais sangue português, pelas armas estrangeiras, assinando, em 26 de Maio de 1834 a Convenção de Évora-Monte. Entrega as suas jóias ao irmão D. Pedro, Duque de Bragança, como contribuição para o esforço de reconstrução do País após a guerra, e que suscitou de D. Pedro o comentário emocionado: "Isto são mesmo coisas do mano Miguel".

No dia 1 de Junho de 1834, D. Miguel parte do Palácio de Vila Viçosa para embarcar num navio de guerra britânico em Sines, com destino a Génova, tendo pernoitado pela última vez em solo português na vila alentejana de Alvalade, e de manhã deixa definitivamente Portugal, seguindo para Itália, mas ainda ao largo da costa portuguesa, D. Miguel denuncia a Convenção, redigindo uma carta em que declara que firmara o acordo sob coacção. No dia 20 de Junho impetra um protesto formal contra a renúncia que fora forçado a fazer dos seus direitos à Coroa de Portugal.
Protesto e Declaração de Génova:

«(...) Em consequencia dos acontecimentos que Me obrigaram a sair de Portugal e abandonar temporariamente o exercicio do Meu poder; a honra da Minha Pessoa, o interesse dos meus Vassallos e finalmente todos os motivos de justiça e de decoro exigem que Eu proteste, como por este faço, à face da Europa, a respeito dos sobreditos acontecimentos e contra quaesquer innovações que o governo que ora existe em Lisboa possa ter introduzido, ou para o futuro procurar introduzir contrarias às Leis fundamentaes do Reino.
D’esta exposição pode-se concluir que o Meu assentimento a todas as condições que Me foram impostas pelas forças preponderantes, confiadas nos generaes dos dois governos de presente existentes em Madrid e Lisboa, de accordo com duas grandes Potencias, foi da Minha parte um mero acto provisorio, com as vistas de salvar os Meus Vassallos de Portugal das desgraças que a justa resistencia que poderia ter feito, lhes não teria poupado, havendo sido surprehendido por um inesperado e indesculpavel ataque de uma Potencia amiga e alliada.
Por todos estes motivos tinha Eu firmemente resolvido, apenas tivesse liberdade de o praticar, como cumpria à Minha honra e dever, fazer constar a todas as Potencias da Europa a injustiça da aggressão contra Meus direitos e contra a Minha Pessoa; e protestar e declarar, como por este protesto e declaro, agora que me acho livre de coação, contra a capitulação de 26 de maio passado, que Me foi imposta pelo governo ora existente em Lisboa; auto que fui obrigado a assignar, a fim de evitar maiores desgraças e poupar o sangue de Meus Fieis Vassallos. Em consequencia do que deve considerar se a dita capitulação como nulla e de nenhum valor.»
Génova, 20 de Junho de 1834.

D. Miguel I, Rei de Portugal.

Ainda viveu depois em Londres.

Escreveu, Camilo Castelo Branco:
'Rei! no dia em que descestes
Do Vosso throno real
Apagou-se a luz da gloria,
Cerrou-se o livro da história
Do Reino de Portugal.'

O sobrinho-neto D. Pedro V encontra-se com D. Miguel na sua viagem a Londres, ficam muito amigos e trocam assídua correspondência.

Dom Miguel, acaba por se fixar na Alemanha, onde, em 1851, contrai matrimónio com D. Adelaide de Loewenstein-Wertheim-Rochefort-Rosenberg, de quem teve sete filhos. Aproxima-se das correntes da Maria da Fonte e da Patuleia. O sobrinho-neto D. Pedro V aproxima-se ainda mais, e correm rumores de que chega a acontecer um encontro secretíssimo entre os dois Reis, em Mafra, a 5 de Outubro de 1859, pois Dom Miguel fez questão de vir consolar D. Pedro V aquando da morte de D. Estefânia. Com a morte de D. Pedro V, D. Miguel volta a afastar-se dos seus parentes que agora reinavam.

Dom Miguel falece a 14 de Novembro de 1866, após uma paralisia pulmonar, e o Rei Dom Luís I decreta luto nacional por 20 dias. Reis são Reis, política é outra coisa!

Jaz sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora, no Panteão dos Bragança.

Miguel Villas-Boas

domingo, 14 de novembro de 2021

4.ª edição das “Reais Conversas com...”

 


No próximo dia 20 de Novembro pelas 16h30m, na Casa da Cultura em Melgaço, sita no Largo Hermenegildo Solheiro, n.º 264, decorrerá a 4.ª edição das “Reais Conversas com...”, organizadas pela Real Associação de Viana do Castelo em colaboração com a Confederação Empresarial do Alto Minho -CEVAL e o apoio do Município de Melgaço e contam com a participação do Dr. Manuel Cardoso, Dr. Constantino Ramos e Eng.º João Pereira, subordinadas ao tema “Alvarinho um vinho do Reis…” para as quais convidamos, desde já, V.ª Ex.ª, a honrar-nos com a sua presença.


O Dr. Manuel Cardoso é Licenciado em medicina Veterinária, ex-docente universitário, Consultor, Ex-Director da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, ex-vice-Presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, IP.


O Dr. Constantino Ramos é Licenciado em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Coimbra, Pós-graduado em Enologia e Viticultura, pela UTAD e Pós-graduado em Gestão e Marketing pelo ISEG, Enólogo na Anselmo Mendes vinhos desde 2013.


O Eng. João Pereira é Licenciado em Eng.ª Agrícola pela Escola Superior Agrária de Ponte de Lima, Pós-graduado em Enologia pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto, Mestrando em Eng.º Agronómica pela Escola Superior Agrária de Ponte de Lima, Gestor/Enólogo na empresa Quinta das Pereirinhas - Alvarinho de Monção e Melgaço Lda.


Está, pois, criado o ambiente para uma boa conversa...


Não Falte!


Fonte: Real Associação de Viana do Castelo

sábado, 13 de novembro de 2021

Delatora Denuncia “Falsificação de Dados” e “Más Práticas Científicas” em Ensaio Clínico da Pfizer

 


Uma das mais conceituadas revistas médicas, The British Medical Journal (BMJ), publicou no passado dia 2 de Novembro um artigo explosivo que expõe a “falsificação de dados”, “contratação de investigadores treinados de modo inadequado”, “atraso no registo das reacções adversas”, “perseguição de funcionários que alertavam para os problemas” e outras “más práticas científicas” num ensaio clínico de fase 3 para a vacina covid-19 da Pfizer.

A delatora, Brook Jackson, foi directora-regional do Ventavia Research Group, uma empresa sub-contractada pela Pfizer para realizar ensaios clínicos da vacina, e, antes da denúncia ao BMJ, avisou repetidamente os seus superiores e inclusive fez uma queixa à entidade reguladora de saúde norte-americana, a Food and Drug Administration (FDA), tendo sido despedida no próprio dia da queixa.

Brook, juntamente com depoimentos de ex-colegas, forneceu à BMJ dezenas de documentos internos da empresa – fotografias, gravações de áudio e e-mails – para provar as suas alegações que o controlo de qualidade, segurança e fiabilidade dos dados do ensaio clínico foi comprometido de forma grave.

A ex-directora especifica que com os procedimentos adoptados foi violada uma das “regras de ouro” dos ensaios clínicos, pois tanto participantes como investigadores sabiam se tinham tomado placebo ou a vacina, revelando assim o grupo de controlo. Para além das más práticas mencionadas, neste ensaio clínico também foi relatado que as “vacinas não estavam armazenadas nas temperaturas adequadas” e “as amostras estavam mal rotuladas”.

Nos documentos apresentados à BMJ, mostra que a Ventavia estava preocupada com uma possível auditoria da FDA e que os seus líderes discutiam nos e-mails a “falsificação de dados” por funcionários.

A BMJ revela também que apenas 9 dos 153 ensaios clínicos é que foram inspeccionados pela FDA, que nenhuma auditoria foi realizada nos ensaios clínicos de adultos nos 8 meses posteriores à autorização de emergência da entidade reguladora norte-americana, e que nenhum dos ensaios da Ventavia foram auditados.

A Pfizer contractou a Ventavia para trabalhar em mais ensaios clínicos, entre os quais, os das vacinas covid-19 em crianças e jovens adultos, em grávidas, e o teste para uma dose extra.

Recentemente, o Notícias Viriato noticiou sobre o caso de Maddie de Garay, que participou no ensaio clínico da Pfizer, dos 12 e 15 anos, para a vacina covid-19. Depois da segunda dose da vacina, Maddie sofreu dezenas de efeitos secundários graves, levando a várias hospitalizações e subsequente impossibilidade de andar ou comer (apenas consegue por sonda).

A mãe, Stephanie de Garay, questionou numa conferência de imprensa organizada em Junho pelo Senador Ron Johnson: “O que eu quero perguntar é, se a Maddie voluntariou-se para o ensaio clínico da Pfizer, porque é que não estão a investigar o caso dela para descobrir o que se passou, para que outras pessoas não tenham que passar por isto?”.

Stephanie reportou a reacção adversa grave à Pfizer, ao Center for Disease Control (CDC) e à FDA em Junho de 2021, mas nenhuma procurou saber mais informações.


Fonte: Notícias Viriato


sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Missa Tridentina de Requiem pelo 155° aniversário da morte de Sua Majestade El Rei D. Miguel I

 



Próximo dia 13 de Novembro na Capela da Quinta das Lágrimas, celebrar-se-á pelas 12h Missa Tridentina de Requiem pelo 155° aniversário da morte de Sua Majestade El Rei D. Miguel.

Convidamos todos a participar neste evento da Causa Tradicionalista.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

São Martinho de Tours: Militar, monge e Bispo

 


São Martinho de Tours nasceu na Panónia (Hungria), por volta de 316 ou 317 d.C., e faleceu em Candes, França, em 397 d.C. É um dos maiores santos da Igreja e a sua imagem com o cavalo encontra-se em inumeráveis templos católicos. O santo aparece a dividir a sua capa de oficial romano com um pobre, miserável, nu. Na noite seguinte Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu-lhe vestido com o pedaço de capa que o oficial havia doado.

O facto foi decisivo para a sua conversão e São Martinho acabou por tornar-se bispo de Tours, atraindo para a Igreja uma quantidade prodigiosa de pagãos e fazendo incontáveis milagres. Ele é chamado o “Pai das Gálias” visto que depois da conversão retirou-se para uma gruta. Mas lá ficou pouco tempo, porque foi chamado a ser bispo da região central da província romana que depois foi baptizada como França. 

À sua volta reuniram-se muitos convertidos ao catolicismo que imitavam a sua vida exemplar. Ele instituiu a primeira escola e transformou o local – que hoje é a cidade de Tours – no grande centro de irradiação do cristianismo na actual França. 

O seu túmulo e a capa do milagre (ainda hoje guardada) foram visitados pelo rei pagão Clóvis. O rei estava agoniado pela perspectiva da batalha de Tolbiac contra a temível horda também pagã dos alamanes (496 d.C.). Sobre o túmulo do santo, Clóvis prometeu converter-se ao “Deus de (Santa) Clotilde”, a sua mulher católica, se obtivesse a vitória. 

Clóvis venceu miraculosamente e foi baptizado, juntamente com 3000 dos seus soldados, no Natal do mesmo ano por São Remígio, em Reims. Foi o nascimento de França, a primeira nação cristã da Europa. São Martinho de Tours recebeu tal culto, que o templo onde se venerava a sua capa recebeu o nome de “capela”, palavra hoje largamente generalizada. 

A família real francesa recebeu o nome de “Capeto” por ter recebido, há mais de um milénio, um pedaço dessa célebre relíquia, outorgada pelo capítulo de religiosos da cidade. Essa doação pesou decisivamente no facto da família ser escolhida para reinar em França. Reinado esse que durou até Luís XVI, e com intermitências até à queda de Luís Felipe, em 1848. 

O santuário ficou tão famoso, rico e importante, que para os bárbaros invasores saqueá-lo era o máximo objetivo no território francês. Por isso mesmo, a cidade se encheu de muros e torres militares defensivas. Daí provém o nome da cidade “Tours”, ou seja, Torres. 

São Martinho de Tours é padroeiro de cidades tão diversas como Buenos Aires, Mainz, Utrecht, Rivière-au-Renard e Lucca. Quatro mil igrejas, no mundo, lhe estão dedicadas. Ele é também padroeiro dos alfaiates, peleiros, soldados, cavaleiros, restauradores (hotéis, pensões, restaurantes), produtores de vinho, e, obviamente, dos mendigos. 

O seu santuário principal, onde se encontra o seu túmulo fica na cidade de Tours, na região do Loire. No século XIX, um piedoso levantamento de fundos permitiu construir uma bela basílica inteiramente nova. A basílica primitiva foi devastada pelos protestantes que também arrasaram muros e torres. 

Posteriormente, em continuidade com o espírito protestante, a Revolução Francesa demoliu a basílica restaurada e fez passar uma rua por cima do túmulo do padroeiro nacional, a fim de garantir que ele seria definitivamente esquecido. 

No século XIX, Leão Papin-Dupont (1797-1876), aristocrata francês conhecido como “o santo homem de Tours”, promoveu em França cruzadas de reparação pelas blasfémias. Entre elas figura a construção da actual basílica que guarda o túmulo de São Martinho de Tours. 

A tradição oral dos habitantes de Tours e dos devotos do grande santo sempre afirmou que no braço da grande estátua que abençoa a França do alto da cúpula da basílica havia guardadas relíquias de São Martinho. Porém, as tendências decadentes e dessacralizantes dos tempos modernos aprazem-se em contestar ou fingir ignorar tudo o que diga respeito ao sobrenatural, aos santos, aos seus milagres e às suas veneráveis relíquias. 

Essa tendência, presente em certo clero e fiéis modernizados, também dizia não saber nada do que todos sabiam sobre as relíquias do santo. A confusão acabou por ser dissipada ao se confirmar que a tradição oral tinha razão: os ossos estavam ali a abençoar o mundo. 

No dia 17 de Fevereiro de 2014, um impressionante dispositivo de guindastes foi instalado em volta da basílica para descer a grande estátua. A obra visava restaurar o seu pedestal, que precisava de manutenção e reparos. Na ocasião, aconteceu o gaudioso achado: os ossos do primeiro bispo de Tours estavam ali. Após a descida da estátua de bronze – de quatro metros de altura e de mais de duas toneladas de peso – os funcionários descobriram uma caixa de madeira no seu braço direito, o mesmo que abençoa. Dentro dessa caixa havia ainda outra, feita de chumbo e fechada com um selo de cera vermelha e o sigilo de um bispo que autentificava a relíquia. 

Tendo sido aberto, encontrou-se um fragmento de osso. A multidão acompanhou os trabalhos que duraram algumas horas, e não ocultou a sua emoção. A relíquia de São Martinho encontrava-se entre flores – obviamente já secas – e vinha acompanhada de mais três relicários com ossos de três outros bispos santos de Tours: São Gregório, São Brice e São Perpétuo, sucessores do santo. A autenticidade das relíquias foi confirmada por Jean-Luc Porhel, conservador-chefe do património histórico de Tours.

in Ciência Confirma a Igreja


terça-feira, 9 de novembro de 2021

06 de Novembro de 1656 - Morreu El-Rei D. João IV

 


D. João de Bragança nasceu, em Vila Viçosa, a 19 de Março de 1604 e, com a morte do pai, em 29 de Outubro de 1630, torna-se D. João II, 8.° Duque de Bragança – recorde-se que a Sereníssima Casa de Bragança teve a sua fundação em Dom Afonso I, filho natural de Dom João I e de Inês Pires, uma mulher solteira, tendo sido legitimado pelo Rei que lhe concedeu o título de Conde de Neiva e, depois de casado com D. Beatriz Pereira Alvim, recebe do sogro, D. Nuno Alvares Pereira, o Condado de Barcelos, assim como todas as terras e património que esteve na base da Casa de Bragança; mais tarde, já na regência do seu meio-irmão Dom Pedro (Duque de Coimbra), D. Afonso recebeu o título de Duque de Bragança, e que por ser uma Casa cujo 1.º Duque era filho de Rei, os Duques têm numeração tal como os Reis.

Recorde-se que extinta a Casa de Avis, o trono de Portugal passou para Filipe II de Espanha, I de Portugal, e que originou a 3.ª Dinastia, a Filipina ou dos Habsburgos. Filipe I de Portugal era filho de Dona Isabel de Portugal, irmã do Cardeal-Rei e de Dom João III, e portanto neto do Rei Dom Manuel I de Portugal.

Mas entende-se, que, de acordo com a Lei Fundamental da Nação Portuguesa e o Direito Consuetudinário portugueses que Filipe, sendo um Príncipe estrangeiro, não tinha direito ao trono português, tanto mais que havia, segundo estas leis do Reino um candidato natural e legítimo: Dona Catarina, Duquesa de Bragança, e tal como Filipe I, neta d’ El-Rei Dom Manuel I, e que, segundo as Leis Portuguesas, as mulheres tinham direitos de sucessão desde que não casassem com estrangeiros. Ora, Dona Catarina de Bragança contraiu matrimónio com D. João I de Bragança e o seu primogénito D. Teodósio II, foi o 7.º Duque de Bragança, que por sua vez foi o pai de Dom João II de Bragança.

Há uma Canção de Natal, o Adeste Fideles, mundialmente conhecido pelo título de 'Hino Português' escrito e composto por El-Rei D. João IV de Portugal, a exemplo de muitas outras obras, na escola de música que fundou no Paço Ducal dos Bragança, em Vila Viçosa. Foram encontrados dois manuscritos desta obra, datados de 1640, no Palácio Ducal de Vila Viçosa, que era propriedade dos Duques de Bragança. Os ingleses atribuíram, erroneamente, a autoria desse hino a John F. Wade que não pode ter composto a partitura, uma vez que o seu manuscrito está datado ulteriormente, de 1760, pelo que Wade se limitou a traduzir o Hino Português, como de resto era designado à época, tentando usurpar os louros a El-Rei Dom João IV de Portugal.

Ao tema Adeste fideles foi dado o nome de “Portuguese Hymn” em várias publicações inglesas, uma vez que esta composição era cantada na capela da Embaixada de Portugal em Londres, que até à legalização do culto católico na Inglaterra, com a promulgação da “Acta de Ajuda Católica” de 1829, era um dos únicos locais em que podia ser celebrada uma missa católica em território britânico.

Facilmente se repõe a verdade, pois além dos dois manuscritos da obra, e que são anteriores à versão de 1760 feita por Wade, existem mais provas do talento musical d’El-Rei: uma é o ensaio 'Defesa da Música Moderna’, de 1649, ano em que El-Rei Dom João IV requereu a Roma a aprovação universal da música instrumental no culto da igreja católica; outra prova é um outro famoso trabalho musical de Dom João IV, o “Crux fideles”, uma composição ainda hoje usada nos serviços eclesiásticos, comprovando-se desta forma o virtuosismo do Rei como renomado músico.

Acresce que, o ritmo de Adeste Fideles é claramente de origem portuguesa, pela subtileza, delicadeza e leveza da melodia assemelha-se ao ritmo popular da Ciranda, além de outras modalidades populares de Portugal, hoje tradicionais, em todos os Povos Lusófonos.

Após 60 anos sem Rei português e sobre o domínio espanhol, o descontentamento era transversal a toda a Sociedade portuguesa. A Corte estava em Madrid e a Nobreza via os poucos cargos de administração que, ainda, sobravam no Reino de Portugal – e que, outrora, haviam sido dos seus antepassados -, preenchidos pelos ocupantes estrangeiros; além disso, os aristocratas portugueses eram obrigados a alistar-se no exército espanhol suportando a expensas suas todas as despesas, e os que a sua idade já desobrigava da prestação obrigatória do serviço militar retiraram-se para a província, onde viviam nos seus Paços e solares subsistindo com o mínimo de dignidade que impunham os pergaminhos de família.

Também, a Burguesia estava desiludida e em rota de colisão com a pobreza, pois em consequência da belicosidade castelhana com as demais nações europeias, os territórios e navios portugueses eram atacados e saqueados, ficando os corsários Ingleses, Franceses e Holandeses – com quem anteriormente comerciavam proveitosamente -, com os produtos originários dessas terras. Assim, comércio e respectivo lucro haviam caído a pique.

Então, secretamente, começou a congregar-se, quando a noite já ia alta, um grupo de 40 e tal Nobres, que viriam a ser denominados de Conjurados. Nas suas reuniões, no Palácio dos Almadas, propriedade do então titular, Dom Antão de Almada, 7.º Conde de Avranches, o grupo patriótico português nascido clandestinamente, começou a analisar e engendrar a melhor forma de revolta contra o domínio castelhano. Principiaram então a tecer uma revolta que tivesse garantias de êxito, e que pretendia repor a legalidade no Trono de Portugal o que se verificaria com a assumpção dos direitos dinásticos de D. João II de Bragança. Como a justificação destes direitos era facilmente demonstrável, pois, pelo benefício da representação, era em D. João II de Bragança – trineto de Dom Manuel I de Portugal - que recaíam os direitos dinásticos que haviam sido usurpados à sua avó, a Infanta Dona Catarina de Portugal, Duquesa de Bragança. Por tudo isto, já em 1635, por altura do casamento de Dom Francisco de Mello, 3.º Marquês de Ferreira, D. João II de Bragança foi recebido como um Rei a ser, em Évora.

Apesar da insurreição de Évora, chamada a Revolta do Manuelinho, em 1637, não ter derrubado o Governo pró-Castela de Lisboa, consequência da repressão das tropas castelhanas que vieram em seu auxílio e que evitaram logo ali a revolução, já ninguém podia mudar o curso das vontades independentistas portuguesas.

Eclode, então, uma revolta na Catalunha, também, contra o centralismo do Conde-Duque de Olivares. A 7 de Junho de 1640, o Rei Filipe IV convoca Dom João II de Bragança para o assistir na viagem à Catalunha e colaborar na campanha de repressão que ia empreender. O Duque de Bragança enjeitou a convocação de Filipe IV, no que foi seguido por muitos nobres portugueses que receberam idêntica intimação, recusando-se também a obedecer a Castela.

No Palácio dos Almadas, os Conjurados decidiram indigitar um deles para se encontrar com o Duque de Bragança, no Paço Ducal de Vila Viçosa.

Como ficara decidido, na famosa reunião que agregara os célebres Conjurados, o encontro entre Pedro de Mendoça Furtado e o ainda hesitante Dom João II de Bragança acontece na segunda quinzena de Outubro, e o Duque é instigado a assumir o seu dever de defesa da autonomia portuguesa, assumindo a Coroa de Portugal sob pena da Restauração seguir em frente e Portugal se tornar uma República Aristocrática, a exemplo da, então, República de Veneza. Dom João II de Bragança mostra-se favorável à Restauração e a assumir a Coroa do Reino e o Trono dos Maiores, mas reserva uma resposta definitiva para depois de umas consultas com o Marquês de Ferreira, o Conde de Vimioso, o secretário António Paes Viegas e a própria Duquesa de Bragança, D. Luísa de Gusmão. Todos se mostrando favoráveis, Dom João II de Bragança decide, assim, apoiar incondicionalmente o coup!

A 10 de Novembro, o Duque entrega a João Pinto Ribeiro duas cartas com instruções: uma para D. Miguel de Almeida e outra para Pedro de Mendoça Furtado, que as recebem em 21 desse mês.

Era necessário apoio do Povo e também do Clero! Ora, os novos impostos lançados sem a autorização das Cortes empobrecia a população, e isso, também, se repercutia nos donativos à Igreja. Assim, a restauração seria do interesse dos Três-Estados. Faltava escolher o dia certo.
Somavam-se hesitações quanto ao dia perfeito para o golpe da Restauração, mas a 30 de Novembro, Dom João II de Bragança confirma a data do dia seguinte para a revolta: ‘A sua vida, sendo necessária, havia de ser a primeira que se desse pela liberdade da Pátria’, disse o futuro Rei Dom João IV, O Restaurador.

Foi, então, agendada a revolução para o 1.º de Dezembro.

Consumado o golpe palaciano no qual os Conjurados restauraram a Independência do Reino de Portugal, El-Rei João IV, vindo de Vila Viçosa, chegou a Lisboa na noite de 6 de Dezembro. Nos dias seguintes, enquanto se preparava a cerimónia da Aclamação e o Rei se ocupava dos assuntos de Estado, houve festejos, procissões e iluminações públicas.

A Aclamação D’El-Rei Dom João IV de Portugal ocorreu a 15 de Dezembro de 1640, após o golpe de estado revolucionário do 1.° de Dezembro de 1640, que pôs fim à monarquia dual da Dinastia Filipina (iniciada em 1580) e que resultou na Restauração da Independência, mais precisamente na Restauração de Portugal como País Soberano, e que inaugurou a 4ª Dinastia Portuguesa, a da casa de Bragança. Com a Aclamação de D. João IV, a restauração alastrou por todo o Reino com a revolta dos portugueses à governação da dinastia castelhana que durante 60 anos reinou em Portugal. Mas a questão, longe de ficar resolvida imediatamente, deu origem à Guerra da Restauração, um conjunto de confrontações bélicas travadas entre o Reino de Portugal e a Coroa de Castela, e que se estendeu por um período de 28 anos, entre 1640 e 1668, quando pelo Tratado de Lisboa de 1668, assinado em nome do Rei Dom Afonso VI de Portugal e Don Carlos II de Espanha, ficou definitivamente reconhecida a independência do Reino de Portugal.

Mas voltando a El-Rei Dom João IV de Portugal, o monarca em 1646 coroou Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal, pelo que não mais os Reis de Portugal cingiram a Coroa na cabeça.

Dom João IV foi um Rei muito empenhado na conservação e consolidação da Independência de Portugal, pondo cobro a uma conspiração do ‘partido’ pró-Espanha e batendo-se pessoalmente durante a Guerra da Restauração que se seguiu com Filipe IV. Recuperou, ainda, o Brasil donde expulsou os usurpadores holandeses. Desenvolveu intensa actividade legislativa, e cumprindo estritamente as funções para as quais foi Aclamado Rei, reuniu Cortes cinco vezes.

Além de Monarca-restaurador, impõe-se referir que foi tal-qualmente um artista e um letrado, um amador da Música, compondo o hino Adeste Fideles, que esteve à altura dos melhores do seu tempo.

Em testamento, datado de 2 de Novembro de 1656, confiou a regência à mulher, Luísa de Gusmão.

El-Rei faleceu, em 6 de Novembro de 1656, no Paço da Ribeira, em Lisboa, devido ao «mal da gota e da pedra», doença que se manifestara a partir de 1648. Jaz no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

Miguel Villas-Boas

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Lançamento do livro "Memórias dum Roialista"

 


A JMP anuncia para o próximo dia 11 de Novembro, quinta-feira pelas 18:30 o lançamento do livro "Memórias dum Roialista" da autoria de Tomás Moreira, uma obra ilustrada que dá testemunho dos cerca de 30 anos que o autor dedicou ao serviço da Causa Real.

A obra será apresentada pelo Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, e o evento terá lugar na Sala do Arquivo dos Paços do Conselho da Câmara Municipal de Lisboa, contando com a presença dos Duques de Bragança.

O livro, agora publicado pela chancela Razões Reais da Real Associação de Lisboa, tem 270 páginas, numa edição de 300 exemplares numerados, inclui um prefácio de Augusto Ferreira do Amaral e estará à venda no local, com o preço especial de 20,00 €.

Contamos com a presença de todos!

Fonte: JMP

domingo, 7 de novembro de 2021

Comunicado do Arcebispo Viganò por ocasião da visita de Biden ao Vaticano

 A pedido do Arcebispo Carlo Maria Viganò, o portal Dies Iræ traduziu e disponibiliza, em exclusivo para língua portuguesa, a carta que S.E.R. publicou, hoje, por ocasião da visita do Presidente Biden, no dia 29 de Outubro, ao Vaticano.

Domingo, 31 de Outubro de 2021
Domini Nostri Jesu Christi Regis

Por ocasião da visita, do passado dia 29 de Outubro, ao Vaticano, as agências noticiosas[1] difundiram a notícia segundo a qual Joe Biden tinha referido o conteúdo do encontro e que Francisco o teria definido «um bom católico», convidando-o a «continuar a receber a Comunhão». É intrigante que, até à data, nenhum comentário esclarecedor tenha chegado da Sala de Imprensa Vaticana. Isto deixa presumir que as palavras de Joe Biden correspondem à verdade e que Bergoglio, efectivamente, as tenha pronunciado.  

Mesmo que quanto dito por Biden coincida perfeitamente com as intempestivas observações de Jorge Mario Bergoglio – que definiu como «grande italiana» uma notória abortista radical –, é evidente que tais afirmações representam um escândalo sem precedentes, uma vez que não condenam as posições de uma figura política a favor do aborto, negando a imutável posição do Magistério da Igreja e soando como um flagrante convite ao sacrilégio, profanando a Santíssima Eucaristia ao recebê-la em estado de pecado público e manifesto.       

Todos os católicos sabem que crime horrendo representa o homicídio de uma criatura indefesa no ventre materno; do gravíssimo escândalo dado aos fiéis não só por Joe Biden, como abortista convicto, mas pelo próprio Bergoglio, ao qual é reconhecida a autoridade de Supremo Pastor da Igreja. A sua acção demolidora não conhece descanso, no silêncio atónito dos Cardeais e dos Bispos. As raríssimas excepções de Pastores que verdadeiramente se preocupam com as almas que lhes são confiadas – valha para todas a do Eminentíssimo Cardeal Burke[2] – são vistas com hostilidade pela maioria dos seus Irmãos e pelo Vaticano, numa inquietante subversão da missão da Igreja de Cristo, hoje esmagada pelas alterações climáticas, pelo capitalismo inclusivo e pela vacinação em massa.

Bergoglio foi recentemente reconhecido como «guia moral» pelo Council for Inclusive Capitalism, liderado por Lynn Forester de Rotschild, e nomeou como membro da Pontifícia Academia das Ciências Sociais o economista Jeffrey David Sachs, Presidente da Sustainable Development Solutions Network da ONU, um defensor da redução da população mundial e da luta contra as alterações climáticas[3]: esta é a medida de uma estranheza à missão do Papado e deveria levar os Prelados da Igreja a questionar-se seriamente sobre a sua idoneidade mental e moral para o papel que desempenha.            

Exorto os fiéis, na festa instituída, por Pio XI, em honra da Realeza Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, a rezarem à Divina Majestade para que a Igreja de Cristo seja a primeira sociedade, entre aquelas aflitas pela presente crise, na qual volte a reinar Jesus Cristo, hoje substituído pelos ídolos da ideologia globalista.

† Carlo Maria Viganò, Arcebispo

[3] Cfr. https://www.agensir.it/quotidiano/2021/10/25/papa-francesco-nomina-jeffrey-david-sachs-membro-ordinario-della-pontificia-accademia-delle-scienze-sociali/ e https://www.osservatoreromano.va/it/news/2021-10/quo-243/nuovo-membro-della-pontificia-accademia-delle-scienze-sociali.html.

Fonte: Dies Iræ